<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0009-6725</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Ciência e Cultura]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Cienc. Cult.]]></abbrev-journal-title>
<issn>0009-6725</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0009-67252005000100007</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Falta investimento em pesquisa e preservação no Brasil]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Righetti]]></surname>
<given-names><![CDATA[Sabine]]></given-names>
</name>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A">
<institution><![CDATA[,  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>03</month>
<year>2005</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>03</month>
<year>2005</year>
</pub-date>
<volume>57</volume>
<numero>1</numero>
<fpage>12</fpage>
<lpage>14</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252005000100007&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0009-67252005000100007&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0009-67252005000100007&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v57n1/a03img01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">S&Iacute;TIOS ARQUEOL&Oacute;GICOS</font></p>     <p><img src="/img/revistas/cic/v57n1/a03img02.gif"></p>     <p><font size="4"><b>Falta investimento em pesquisa e preserva&ccedil;&atilde;o    no Brasil </b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">O Brasil possui 12.517 s&iacute;tios arqueol&oacute;gicos —    considerados bens patrimoniais da Uni&atilde;o, sob a prote&ccedil;&atilde;o    da Lei Federal 3.924, de 1961 — de acordo com o &uacute;ltimo levantamento feito    pelo Instituto do Patrim&ocirc;nio Hist&oacute;rico e Art&iacute;stico Nacional    (Iphan), em 1998. Boa parte deles fica na regi&atilde;o da Serra da Capivara,    no Piau&iacute;, que tem a maior riqueza arqueol&oacute;gica da Am&eacute;rica    Latina e uma das maiores concentra&ccedil;&otilde;es de pinturas rupestres do    mundo. Apesar do valor cient&iacute;fico, do potencial tur&iacute;stico e da    sua import&acirc;ncia para a mem&oacute;ria da hist&oacute;ria da humanidade,    falta estrutura e investimentos em pesquisas para a preserva&ccedil;&atilde;o    desses s&iacute;tios, que a maioria dos brasileiros sequer sabe que existem.    </FONT></p>     <p><font size="3">A preserva&ccedil;&atilde;o dos s&iacute;tios arqueol&oacute;gicos    brasileiros cabe ao Iphan, &oacute;rg&atilde;o que integra o Minist&eacute;rio    da Cultura. Por&eacute;m, para a arque&oacute;loga T&acirc;nia Andrade Lima,    do Departamento de Antropologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ),    devido &agrave; falta de recursos federais, os poderes municipais e estaduais    s&atilde;o importantes parceiros na manuten&ccedil;&atilde;o dos s&iacute;tios.</FONT></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v57n1/a07fig01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Faltam recursos, mas, a pior amea&ccedil;a &eacute;, ainda,    a falta de reconhecimento da import&acirc;ncia desse patrim&ocirc;nio arqueol&oacute;gico    nacional. "O maior aliado na preserva&ccedil;&atilde;o de nosso patrim&ocirc;nio    arqueol&oacute;gico deveria ser o cidad&atilde;o, zelando pelo passado do seu    pa&iacute;s", considera T&acirc;nia Lima. A arque&oacute;loga Ni&egrave;de Guidon,    presidente da Funda&ccedil;&atilde;o Museu do Homem Americano (FUNHAM), respons&aacute;vel    pela administra&ccedil;&atilde;o do Parque Nacional da Serra da Capivara, exemplifica    essa falta de conscientiza&ccedil;&atilde;o: "na Serra da Capivara, j&aacute;    encontramos picha&ccedil;&otilde;es em inscri&ccedil;&otilde;es rupestres que    s&atilde;o muitas vezes irrevers&iacute;veis".</FONT></p>     <p><font size="3">A regi&atilde;o onde Ni&egrave;de trabalha concentra mais de    400 s&iacute;tios arqueol&oacute;gicos e enfrenta atualmente uma de suas piores    crises financeiras desde que a cria&ccedil;&atilde;o do parque, em 1979. "Temos    dificuldade para manter a sua infra-estrutura b&aacute;sica e o pagamento dos    50 funcion&aacute;rios respons&aacute;veis pelos quase 130 mil hectares", conta    a arque&oacute;loga. &Eacute; nessa regi&atilde;o que fica o s&iacute;tio de    S&atilde;o Raimundo Nonato, considerado patrim&ocirc;nio da humanidade pela    Unesco desde 1991 e um dos seis s&iacute;tios brasileiros tombados. Nesse s&iacute;tio    foram encontradas as mais antigas pinturas rupestres do mundo, datadas em cerca    de 40 mil anos. Atualmente, o parque &eacute; mantido com recursos do Instituto    Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), considerados insuficientes pela arque&oacute;loga.    </FONT></p>     <p><font size="3"><b>PATRIM&Ocirc;NIO NACIONAL</b> Os s&iacute;tios arqueol&oacute;gicos    brasileiros t&ecirc;m contribu&iacute;do para a constru&ccedil;&atilde;o da    hist&oacute;ria do povoamento do continente americano, inclusive com dados que    contrap&otilde;em teorias aceitas internacionalmente. Recentemente, em uma descoberta    realizada no s&iacute;tio arqueol&oacute;gico do Boqueir&atilde;o da Pedra Furada,    no Parque da Serra da Capivara, a arque&oacute;loga Ni&egrave;de Guidon anunciou    ter encontrado vest&iacute;gios do <i>Homo sapiens sapiens</i> que datam de    at&eacute; 50 mil anos. A descoberta levantou uma pol&ecirc;mica entre pesquisadores    de todo o mundo, pois coloca em xeque a teoria arqueol&oacute;gica, aceita por    mais de meio s&eacute;culo, de que o homem chegou ao continente americano h&aacute;    cerca de 15 mil anos, vindo da &Aacute;sia.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v57n1/a07fig02.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Outro achado em s&iacute;tios arqueol&oacute;gicos do pa&iacute;s    tamb&eacute;m polemizou a teoria sobre a evolu&ccedil;&atilde;o do homem e a    ocupa&ccedil;&atilde;o nas Am&eacute;ricas: o f&oacute;ssil humano de cerca    de onze mil anos conhecido como Luzia, encontrado em 1975, na regi&atilde;o    de Lapa Vermelha, no munic&iacute;pio de Lagoa Santa, a cerca de 40 quil&ocirc;metros    da capital de Minas Gerais. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v57n1/a07fig03.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Recentemente, o destaque foram as descobertas na regi&atilde;o    amaz&ocirc;nica, da chamada Terra Preta Arqueol&oacute;gica (TPA), atividade    coordenada por Eduardo G&oacute;es Neves, da Universidade de S&atilde;o Paulo(USP),    No ano passado, em Manaus, uma obra de reurbaniza&ccedil;&atilde;o na pra&ccedil;a    D. Pedro II, no centro hist&oacute;rico da cidade, foi suspensa devido &agrave;    descoberta de um conjunto de urnas funer&aacute;rias. Tamb&eacute;m na regi&atilde;o    amaz&ocirc;nica, desta vez no Par&aacute;, foram descobertas inscri&ccedil;&otilde;es    rupestres de cerca de onze mil anos, no munic&iacute;pio de Monte Alegre. </font></p>     <p><font size="3">O n&uacute;mero de s&iacute;tios arqueol&oacute;gicos vem aumentando    velozmente nos &uacute;ltimos anos, sobretudo em decorr&ecirc;ncia de interven&ccedil;&otilde;es    preventivas em obras que produzem impacto ambiental. "O levantamento dos s&iacute;tios    existentes &eacute; obrigat&oacute;rio para a obten&ccedil;&atilde;o do licenciamento    ambiental, o que contribui fortemente para a descoberta de novos s&iacute;tios    em regi&otilde;es antes n&atilde;o privilegiadas pela pesquisa acad&ecirc;mica",    afirma T&acirc;nia Lima. Acredita-se que o n&uacute;mero de s&iacute;tios descobertos    no pa&iacute;s j&aacute; ultrapasse 20 mil. O Iphan, respons&aacute;vel pelo    registro dos s&iacute;tios, possui apenas cinco arque&oacute;logos para atender    a todo o pa&iacute;s (ver box).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="3"><i><b>Sabine Righetti</b></i></FONT></p>      ]]></body>
</article>
