<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0009-6725</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Ciência e Cultura]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Cienc. Cult.]]></abbrev-journal-title>
<issn>0009-6725</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0009-67252005000100008</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Pesquisa vincula excesso de peso e má qualidade de vida a doenças hormonais]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Menezes]]></surname>
<given-names><![CDATA[Adriana]]></given-names>
</name>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A">
<institution><![CDATA[,  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>03</month>
<year>2005</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>03</month>
<year>2005</year>
</pub-date>
<volume>57</volume>
<numero>1</numero>
<fpage>15</fpage>
<lpage>16</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252005000100008&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0009-67252005000100008&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0009-67252005000100008&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v57n1/a03img01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">SA&Uacute;DE DA MULHER</font></p>     <p><img src="/img/revistas/cic/v57n1/a03img02.gif"></p>     <p><font size="4"><b>Pesquisa vincula excesso de peso e m&aacute; qualidade de    vida a doen&ccedil;as hormonais </b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">O impacto da qualidade de vida da mulher, em rela&ccedil;&atilde;o    &agrave;s doen&ccedil;as hormonais, n&atilde;o est&aacute; totalmente dimensionado,    mas a maioria das pesquisas aponta a influ&ecirc;ncia que aspectos emocionais,    f&iacute;sicos, alimentares, profissionais e familiares t&ecirc;m sobre males    como ov&aacute;rios polic&iacute;sticos, endometriose e infertilidade. A mudan&ccedil;a    de h&aacute;bitos alimentares (menos gordura, mais vitaminas C e E) e a pr&aacute;tica    de exerc&iacute;cios f&iacute;sicos para, entre outras coisas, diminuir o estresse,    podem mudar o padr&atilde;o de incid&ecirc;ncia de problemas hormonais.</font></p>     <p><font size="3">H&aacute; riscos, por&eacute;m, nessa generaliza&ccedil;&atilde;o,    alerta o pesquisador Fernando Reis, do Departamento de Ginecologia e Obstetr&iacute;cia    da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). "Prefiro n&atilde;o falar em    'problemas hormonais' de modo t&atilde;o gen&eacute;rico, pois existem centenas    de horm&ocirc;nios com caracter&iacute;sticas muito diversas", afirma Reis.    Mas ele confirma que estudos recentes apontam uma rela&ccedil;&atilde;o direta    entre o excesso de peso da mulher e a S&iacute;ndrome dos Ov&aacute;rios Polic&iacute;sticos    (PCOS, na sigla em ingl&ecirc;s), doen&ccedil;a que cresce em todo o mundo na    mesma propor&ccedil;&atilde;o que a obesidade.</font></p>     <p><font size="3">"As doen&ccedil;as mais comuns na mulher, como diabetes e s&iacute;ndrome    dos ov&aacute;rios polic&iacute;sticos, t&ecirc;m um forte componente gen&eacute;tico    mas tamb&eacute;m est&atilde;o ligadas a fatores como excesso de peso, decorrente    de erros de dieta e sedentarismo", diz Reis, que trabalha, atualmente, na Universidade    de Siena, na It&aacute;lia, na &aacute;rea da pesquisa de endocrinologia ginecol&oacute;gica.    Existem poucos estudos sobre a real preval&ecirc;ncia da PCOS na popula&ccedil;&atilde;o,    mas o principal foco da pesquisa hoje &eacute; se as altera&ccedil;&otilde;es    metab&oacute;licas causam os problemas hormonais ou vice-versa, ou se ambos    prov&ecirc;m dos mesmos genes. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><b>PESQUISA</b> "A descoberta de novos genes, novas muta&ccedil;&otilde;es    e polimorfismos e novos mecanismos de intera&ccedil;&atilde;o entre os produtos    desses genes poder&atilde;o elucidar a origem de doen&ccedil;as comuns importantes    mas pouco compreendidas", adianta o professor.</font></p>     <p><font size="3">Segundo Reis, existe a percep&ccedil;&atilde;o, por parte dos    profissionais que lidam com PCOS, de que a preval&ecirc;ncia da s&iacute;ndrome    tem aumentado. "Mas n&atilde;o sabemos ao certo a raz&atilde;o. Sabemos apenas    que: primeiro, a obesidade se associa &agrave; PCOS; e, segundo, PCOS &eacute;    o dist&uacute;rbio end&oacute;crino mais comum entre as mulheres jovens americanas,    segundo dados publicados no <i>Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism</i>    por Ricardo Aziz e colaboradores, em junho de 2004". Reis menciona, ainda, uma    reportagem sobre o assunto do <i>Washington Post</i> (<a href="http://www.washingtonpost.com/wp-dyn/articles/A25561-2004Apr19.html" target="_blank"><i>www.washingtonpost.com/wp-dyn/articles/A25561-2004Apr19.html</i></a>).</font></p>     <p><font size="3"><b>SOBREPESO E INSULINA</b> A falta de diagn&oacute;stico correto    preocupa pois, sem cuidados m&eacute;dicos, mulheres portadoras de PCOS t&ecirc;m    mais riscos de desenvolver problemas metab&oacute;licos como resist&ecirc;ncia    &agrave; insulina e hiperinsulinismo, diabete tipo 2, dislipidemia, al&eacute;m    de doen&ccedil;as cardiovasculares e c&acirc;ncer de endom&eacute;trio.</font></p>     <p><font size="3">Como uma das fun&ccedil;&otilde;es da insulina no organismo    &eacute; transportar a glicose do sangue para dentro das c&eacute;lulas para    abastec&ecirc;-las com energia, a pessoa acima do peso precisa mais desse horm&ocirc;nio    que, por sua vez, age nos ov&aacute;rios e estimula a produ&ccedil;&atilde;o    de horm&ocirc;nio masculino. A conseq&uuml;&ecirc;ncia natural na mulher &eacute;    a altera&ccedil;&atilde;o na ovula&ccedil;&atilde;o e a forma&ccedil;&atilde;o    de cistos, al&eacute;m de problemas de fertilidade, explica a m&eacute;dica    endocrinologista Ruth Clapauch, presidente do Departamento de Endocrinologia    Feminina e Andrologia da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabolismo.</font></p>     <p><font size="3">A obesidade desencadeia essa disfun&ccedil;&atilde;o que ocasiona,    inclusive, o ov&aacute;rio polic&iacute;stico. Esse mecanismo pode causar o    hiperinsulinismo e a resist&ecirc;ncia &agrave; insulina. O desenvolvimento    de medicamentos para a resist&ecirc;ncia insul&iacute;nica &eacute; o principal    foco de pesquisa do departamento de Ruth Caplauch. Segundo ela, a s&iacute;ndrome    dos ov&aacute;rios polic&iacute;sticos chega a atingir 8% das mulheres em idade    reprodutiva.</font></p>     <p><font size="3">A Universidade Federal do Rio Grande do Sul tem desenvolvido    trabalhos importantes sobre o diagn&oacute;stico, o tratamento e as bases gen&eacute;ticas    da s&iacute;ndrome, no grupo de pesquisa liderado pela professora Poli Mara    Spritzer, do qual Fernando Reis tamb&eacute;m &eacute; colaborador. Al&eacute;m    disso, o professor desenvolve outras pesquisas sobre horm&ocirc;nios femininos    em colabora&ccedil;&atilde;o com os grupos especializados em reprodu&ccedil;&atilde;o    humana, do professor Aroldo Camargos, e fisiologia da reprodu&ccedil;&atilde;o,    da professora Adelina Martha dos Reis, da Universidade Federal de Minas Gerais.</font></p>     <p><font size="3"><b>INFERTILIDADE</b> Reis afirma que um artigo de revis&atilde;o,    publicado recentemente na revista <i>Lancet</i>, aponta que 10% a 15% dos casais    no mundo t&ecirc;m dificuldade de conceber. "Se eu tivesse que apontar um fen&ocirc;meno    social recente como candidato a aumentar a ocorr&ecirc;ncia de infertilidade,    arriscaria dizer que &eacute; a tend&ecirc;ncia de se adiar para uma idade cada    vez mais avan&ccedil;ada o momento de tentar a primeira gravidez. Com o passar    dos anos, a fecundidade dos casais naturalmente diminui".</font></p>     <p><font size="3">A mulher de hoje, afinal, tem controle sobre a sua fertilidade,    tem menos filhos, adia a maternidade e tem maior expectativa de vida. Como conseq&uuml;&ecirc;ncia,    ela menstrua mais vezes e passa um ter&ccedil;o de sua vida na p&oacute;s-menopausa,    per&iacute;odo pelo qual, normalmente, submete-se aos tratamentos de reposi&ccedil;&atilde;o    hormonal, os quais tentam repor o estr&oacute;geno e a progesterona que deixaram    de ser produzidos pelos ov&aacute;rios. Paralelamente, o papel social da mulher    mudou. No entanto, apesar de seu trabalho no mercado, sua independ&ecirc;ncia    econ&ocirc;mica e o fim da dedica&ccedil;&atilde;o total ao lar, ela ainda &eacute;    submissa. Mas agora ela se submete aos padr&otilde;es que lhe imp&otilde;em,    de "peso ideal" e "juventude eterna".</font></p>     <p><font size="3">A endocrinologista Ruth Clapauch considera que o mal causado    &agrave; sa&uacute;de da mulher devido &agrave;s press&otilde;es pelos padr&otilde;es    est&eacute;ticos &eacute; t&atilde;o grande que pode levar &agrave; infertilidade.    "O estresse agudo provoca a parada da menstrua&ccedil;&atilde;o, ou seja, da    ovula&ccedil;&atilde;o", afirma Clapauch. Al&eacute;m disso, lembra a m&eacute;dica,    a op&ccedil;&atilde;o pela reprodu&ccedil;&atilde;o em idade avan&ccedil;ada    implica, obrigatoriamente, em menor fertilidade, uma vez que as chances de gravidez    em cada ciclo de uma mulher de 20 anos &eacute; maior que aquela que tem mais    de 35.</font></p>     <p><font size="3"><b>ENDOM&Eacute;TRIO</b> "A endometriose relaciona-se ao estresse,    &agrave; ansiedade e ao estilo de vida, em especial nas grandes cidades. E ocorre    principalmente em mulheres que nunca tiveram filhos", diz o professor Carlos    Petta, da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).    Ginecologista e obstetra, ele &eacute; respons&aacute;vel pelo ambulat&oacute;rio    de endometriose do Centro de Pesquisa das Doen&ccedil;as Materno-Infantis de    Campinas (Cemicamp), ligado ao Centro de Aten&ccedil;&atilde;o Integrada &agrave;    Sa&uacute;de da Mulher (Caism). </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">A doen&ccedil;a &eacute; diagnosticada quando o tecido endometrial,    que reveste as paredes do &uacute;tero, &eacute; encontrado fora da cavidade    uterina. As formas de tratamento dispon&iacute;veis s&atilde;o a remo&ccedil;&atilde;o    cir&uacute;rgica do tecido, o uso de contraceptivos hormonais combinados ou    progestog&ecirc;nios (orais, injet&aacute;veis ou na forma de DIU). Mas a melhor    preven&ccedil;&atilde;o da endometriose, segundo Petta, &eacute; uma vida mais    tranq&uuml;ila, com pr&aacute;tica de exerc&iacute;cios aer&oacute;bicos, que    melhoram a imunidade e aumentam a capacidade de suportar a dor. Al&eacute;m    disso, a alimenta&ccedil;&atilde;o deve ser rica em fibras, com vitamina C e    E, sem condimentos.</font></p>     <p><font size="3"><b>ESTILO DE VIDA</b> Cerca de 5% a 10% das mulheres que se    encontram no per&iacute;odo f&eacute;rtil de sua vida, na fase entre 11 e 45    anos, apresentam a doen&ccedil;a. Carlos Petta realizou pesquisa sobre o perfil    e o estilo de vida das mulheres que manifestam a endometriose, das quais 90%    tinham depress&atilde;o. Esse e outros resultados foram publicados em artigo    cient&iacute;fico na revista norte-americana <i>Human Reproduction</i>, de abril    de 2003, com o t&iacute;tulo "Time elapsed from onset of symptoms to diagnosis    of endometriosis in a cohort study of Brazilian women". </font></p>     <p><font size="3">"N&atilde;o se conhece ainda a causa da endometriose, apenas    fatores de risco, entre os quais, al&eacute;m do estresse, encontram-se fatores    gen&eacute;ticos e a dioxina, um poluente org&acirc;nico", diz Petta. Durante    a gravidez e o per&iacute;odo p&oacute;s-menopausa, a mulher n&atilde;o corre    o risco de ter a doen&ccedil;a, porque s&atilde;o fases em que o estrog&ecirc;nio    est&aacute; baixo ou ausente.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="3"><i><b>Adriana Menezes </b></i></font></p>      ]]></body>
</article>
