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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v57n1/a10img01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">PANDEMIA</font></p>     <p><img src="/img/revistas/cic/v57n1/a03img02.gif"></p>     <p><font size="4"><b>HIV/Aids: uma trag&eacute;dia plantada no solo africano</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">O impacto da epidemia de contamina&ccedil;&atilde;o pelo v&iacute;rus    HIV e do desenvolvimento da Aids em continente africano, j&aacute; qualificado    de pandemia devido &agrave;s propor&ccedil;&otilde;es atingidas, tem levado    diversos programas vinculados &agrave; ONU a proporem debates mundiais e pesquisa    mais apurada para medir a dimens&atilde;o dessa trag&eacute;dia contempor&acirc;nea.    No pref&aacute;cio do quarto relat&oacute;rio global da Unaids, divulgado no    ano passado, o secret&aacute;rio geral das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, Kofi    A. Annan, descreve a situa&ccedil;&atilde;o como um novo tipo de emerg&ecirc;ncia    global, em que os pa&iacute;ses africanos desempenham um papel central nas discuss&otilde;es.    Para a FAO – organiza&ccedil;&atilde;o da ONU para a &aacute;rea de alimenta&ccedil;&atilde;o    e agricultura – a pandemia n&atilde;o &eacute; somente um problema relacionado    &agrave; &aacute;rea de sa&uacute;de, mas um fator que afeta o desenvolvimento    em geral. </font></p>     <p><font size="3"><b>FRAGILIDADE RURAL</b> As previs&otilde;es sobre os impactos    da doen&ccedil;a na produ&ccedil;&atilde;o rural africana s&atilde;o pessimistas    e indicam uma redu&ccedil;&atilde;o dr&aacute;stica da for&ccedil;a de trabalho    no campo: estima-se que na Nam&iacute;bia, at&eacute; 2020 haver&aacute; uma    redu&ccedil;&atilde;o de cerca de 26%, e em Botswana 23%. Essa redu&ccedil;&atilde;o    da for&ccedil;a de trabalho rural tem conseq&uuml;&ecirc;ncias diretas na economia    dos pa&iacute;ses africanos e aumenta a fragilidade das comunidades rurais,    em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; quest&atilde;o alimentar com a queda da produ&ccedil;&atilde;o    de subsist&ecirc;ncia. </font></p>     <p><font size="3">Estudos da FAO evidenciam v&aacute;rias conseq&uuml;&ecirc;ncias    mal&eacute;ficas do impacto da epidemia, e a conseq&uuml;ente morte prematura    da popula&ccedil;&atilde;o rural. Por essa raz&atilde;o, especialistas da organiza&ccedil;&atilde;o    consideram a doen&ccedil;a como fator importante a ser considerando no planejamento    s&oacute;cio-econ&ocirc;mico dos pa&iacute;ses.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">A situa&ccedil;&atilde;o &eacute; dif&iacute;cil tanto para    os africanos da zona rural, como para os respons&aacute;veis por pol&iacute;ticas    para a regi&atilde;o. A especialista Marcela Villarreal, em documento publicado    pela FAO em 2003, mostra que apesar das implica&ccedil;&otilde;es do HIV/Aids    sobre a demografia das popula&ccedil;&otilde;es rurais africanas j&aacute; serem    bem conhecidas, os efeitos da epidemia sobre a produ&ccedil;&atilde;o para subsist&ecirc;ncia    e seguran&ccedil;a alimentar dos habitantes das zonas rurais ainda precisam    ser mais estudados. Ela aponta a necessidade de se criar as ferramentas para    medir com exatid&atilde;o os impactos da doen&ccedil;a.</font></p>     <p><font size="3"><b>N&Uacute;MEROS TR&Aacute;GICOS</b> O tratamento de HIV/Aids    significaria um fator-chave para o desenvolvimento dos pa&iacute;ses africanos    onde cerca de 80% da popula&ccedil;&atilde;o depende da produ&ccedil;&atilde;o    agropecu&aacute;ria para a sobreviv&ecirc;ncia. Uma pequena parcela da popula&ccedil;&atilde;o    africana rural contaminada &eacute; medicada e desempenha a importante tarefa    de continuar trabalhando para garantir alimentos para o resto da comunidade.Uma    alimenta&ccedil;&atilde;o de qualidade e em quantidade suficiente &eacute; uma    das medidas necess&aacute;rias e urgentes para deter a progress&atilde;o do    HIV para a Aids nessas comunidades. </font></p>     <p><font size="3">Enquanto muitos acontecimentos montam o cen&aacute;rio da "peste    negra" do s&eacute;culo XXI, a &Aacute;frica subsaariana continua sua rota    tr&aacute;gica com os maiores &iacute;ndices de infec&ccedil;&atilde;o do mundo:    cerca de 30 milh&otilde;es de habitantes vivem com HIV/Aids; mais de 15 milh&otilde;es    j&aacute; morreram com Aids; e mais de 11 milh&otilde;es j&aacute; perderam    pelo menos um parente por causa da doen&ccedil;a. Em Botswana, as taxas de incid&ecirc;ncia    de HIV/Aids est&atilde;o em cerca de 30% da popula&ccedil;&atilde;o, e continuam    aumentando. As previs&otilde;es s&atilde;o de que, mantido o atual cen&aacute;rio,    cerca de 20 milh&otilde;es de crian&ccedil;as africanas abaixo de 15 anos ser&atilde;o    &oacute;rf&atilde;s em 2010.</font></p>     <p><font size="3"><b>LOTA&Ccedil;&Atilde;O DOS CEMIT&Eacute;RIOS</b>    Um pequeno artigo publicado por Michael Wines no <i>New York Times</i> intitulado    "Full graves, then fuller, for rising toll" ilustra bem o drama africano    nos dias de hoje. O artigo conta que em Durban, na &Aacute;frica do Sul, o elevado    n&uacute;mero de mortos pelo v&iacute;rus HIV tem levado o coveiro Mr. Gasa    a buscar solu&ccedil;&otilde;es para um novo problema: a lota&ccedil;&atilde;o    dos cemit&eacute;rios. O que fazer? Desenterrar os ossos, reutilizar a mesma    cova ou queimar os mortos? Por enquanto, Mr. Gasa tem optado por 'reciclar'    as mesmas covas. A crema&ccedil;&atilde;o poderia ser uma escolha, n&atilde;o    fosse a resist&ecirc;ncia cultural dos zulus, que habitam a regi&atilde;o, a    tal pr&aacute;tica.</font></p>     <p><font size="3">Durban exemplifica uma estranha novidade na ocupa&ccedil;&atilde;o    do solo africano. Antes da pandemia, a terra era utilizada, essencialmente,    para sustentar as economias da maioria dos pa&iacute;ses africanos agr&iacute;colas.    Hoje, o solo continua sendo utilizado para a produ&ccedil;&atilde;o agropecu&aacute;ria,    mas os cemit&eacute;rios lotados concorrem cada vez mais por espa&ccedil;o.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="3"><b><i>Juliana Schober</i></b></FONT></p>      ]]></body>
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