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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v57n1/a10img01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v57n1/a12fig01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">F&Oacute;RUM SOCIAL EUROPEU</font></p>     <p><img src="/img/revistas/cic/v57n1/a03img02.gif"></p>     <p><font size="4"><b>Em debate as novas formas de controle da produ&ccedil;&atilde;o    e da vida </b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"> Mais de 500 anos ap&oacute;s o in&iacute;cio do processo de    acumula&ccedil;&atilde;o primitiva, descrito por Karl Marx h&aacute; pouco mais    de um s&eacute;culo no cap&iacute;tulo 25 do livro primeiro de <i>O Capital</i>,    um processo an&aacute;logo pode estar ocorrendo na atualidade. &Eacute; o que    sustentam alguns movimentos sociais, liderados pela ONG canadense ETC Group    (Grupo de A&ccedil;&atilde;o sobre Eros&atilde;o, Tecnologias e Concentra&ccedil;&atilde;o).    Segundo eles, as grandes corpora&ccedil;&otilde;es estariam, com o uso da tecnologia,    promovendo novos "cercamentos" (<i>new enclosures</i>, no termo em ingl&ecirc;s).    Da mesma forma como as terras comunais foram sendo "cercadas" e tomadas por    aqueles que se tornaram os donos dos meios de produ&ccedil;&atilde;o, hoje os    grandes propriet&aacute;rios, as empresas, usam a tecnologia para adquirir privil&eacute;gios    e criar novos monop&oacute;lios. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">A id&eacute;ia foi apresentada no F&oacute;rum Social Europeu,    realizado em Londres, em outubro passado. Sob o tema "Resistindo aos monop&oacute;lios    corporativos e aos novos cercamentos", o ETC Group reuniu representantes da    Associa&ccedil;&atilde;o Brit&acirc;nica pelo Software Livre, do Greenpeace    e do Corporate Watch. O debate abordou a quest&atilde;o das patentes sobre software    e sobre a vida; o futuro, aplica&ccedil;&otilde;es e a fus&atilde;o entre nano    e biotecnologia; e as caracter&iacute;sticas da nova gera&ccedil;&atilde;o de    plantas transg&ecirc;nicas, entre outros temas. </font></p>     <p><font size="3">A acumula&ccedil;&atilde;o primitiva teve como efeito imediato    a apropria&ccedil;&atilde;o da terra e concentra&ccedil;&atilde;o dos meios    de produ&ccedil;&atilde;o para, em seguida, gerar investimentos que levaram    &agrave; industrializa&ccedil;&atilde;o e &agrave; emerg&ecirc;ncia do prolet&aacute;rio.    Hoje, esse papel &eacute; desempenhado pelas empresas que controlam o desenvolvimento    tecnol&oacute;gico e criam mecanismos que, combinados com as leis de propriedade    intelectual, refor&ccedil;am antigos monop&oacute;lios, al&eacute;m de instituir    outros, agora sobre as formas de vida. Algumas novas tecnologias criadas servem    para controlar a germina&ccedil;&atilde;o de plantas, o posicionamento geogr&aacute;fico    de animais ou mesmo para o gerenciamento de obras que circulam pela internet.    </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v57n1/a12fig02.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>TRANSG&Ecirc;NIA</b> As siglas V-GURTs e T-GURTs designam    dois "novos cercamentos" sobre as formas de vida. A primeira – Tecnologia para    a Restri&ccedil;&atilde;o de Uso da Variedade Gen&eacute;tica – tem sua maior    express&atilde;o na tecnologia <i>terminator</i>, aquela em que a variedade    transg&ecirc;nica da planta &eacute; est&eacute;ril. Logo ap&oacute;s a concess&atilde;o    de patente por essa tecnologia, em 1998, surgiu uma intensa repercuss&atilde;o    internacional a partir dos protestos de agricultores temerosos que a pr&aacute;tica    de guardar as sementes de uma safra para outra se tornasse imposs&iacute;vel.    A Monsanto, que adquiriu a patente no ano seguinte, comprometeu-se a n&atilde;o    usar a a tecnologia, a n&atilde;o ser para testes internos da companhia.</font></p>     <p><font size="3">A tecnologia T-GURTs foi descrita como a segunda gera&ccedil;&atilde;o    do controle sobre a vida. A sigla pode ser traduzida por Tecnologia para a Restri&ccedil;&atilde;o    do Uso de Tra&ccedil;os Gen&eacute;ticos. Nesse caso, n&atilde;o apenas a fertilidade    da planta &eacute; controlada mas tamb&eacute;m a express&atilde;o de certa    caracter&iacute;stica do organismo. Uma planta&ccedil;&atilde;o transg&ecirc;nica,    por exemplo, s&oacute; poderia ter sua resist&ecirc;ncia a certa praga ativada    ap&oacute;s a aplica&ccedil;&atilde;o de um determinado composto qu&iacute;mico,    fornecido pela empresa detentora da tecnologia. Os agricultores que adquirirem    as suas sementes no mercado ilegal n&atilde;o obteriam vantagem alguma pois    n&atilde;o possuir&atilde;o o composto qu&iacute;mico capaz de "ligar" o gene    de resist&ecirc;ncia. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v57n1/a12fig03.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Para as entidades presentes ao debate, h&aacute; um risco iminente    de contamina&ccedil;&atilde;o de planta&ccedil;&otilde;es vizinhas com essa    tecnologia, j&aacute; que a semente que ela produz n&atilde;o &eacute; est&eacute;ril.    Nesse caso, uma planta&ccedil;&atilde;o contaminada poderia n&atilde;o se desenvolver    por completo, pois o agricultor n&atilde;o disporia dos insumos qu&iacute;micos    para ativar um gene de crescimento, por exemplo, pois n&atilde;o adquiriu as    sementes do detentor da tecnologia. Recentemente, um agricultor canadense, Percy    Schmeiser, foi condenado por ter em suas terras planta&ccedil;&otilde;es trang&ecirc;nicas    de canola sem ter adquirido as sementes da empresa propriet&aacute;ria, a Monsanto.    Ele alegou a contamina&ccedil;&atilde;o de sua lavoura mas a Justi&ccedil;a    decidiu que n&atilde;o importava a origem das sementes e, sim, que a tecnologia    presente nelas &eacute; de propriedade da empresa.</font></p>     <p><font size="3">A tecnologia para tornar o desenvolvimento normal de uma planta    dependente da adi&ccedil;&atilde;o de um determinado insumo qu&iacute;mico j&aacute;    existe e sua patente &eacute; de propriedade da Syngenta, um dos gigantes da    biotecnologia. De certa forma, esse tipo de tecnologia seria um aprimoramento    das plantas <i>terminator</i>. As sementes est&eacute;reis t&ecirc;m um alto    custo de produ&ccedil;&atilde;o, o que dificulta a sua entrada no mercado. Plantas    que precisam ser "ligadas" para crescer ou para se tornarem f&eacute;rteis teriam    um menor custo de produ&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="3">A ONG canadense acredita que o alto investimento das empresas    no desenvolvimento dessas tecnologias se deve &agrave; dificuldade encontrada    para a aplica&ccedil;&atilde;o legal dos direitos de propriedade intelectual.    "<i>Terminator</i> e outras tecnologias de controle da express&atilde;o de tra&ccedil;os    gen&eacute;ticos podem substituir ou se somar &agrave; propriedade intelectual    como op&ccedil;&atilde;o de estabelecer a supremacia tecnol&oacute;gica no mercado    de sementes", afirma o grupo no comunicado intitulado "<i>New enclosures</i>:    m&eacute;todos alternativos para aumentar o monop&oacute;lio das corpora&ccedil;&otilde;es    e a bioservid&atilde;o no s&eacute;culo XXI". </font></p>     <p><font size="3">Contratos como os que s&atilde;o estabelecidos pelas empresas    com os agricultores nos Estados Unidos s&atilde;o tidos, pelas entidades, como    equivalentes jur&iacute;dicos das GURTs. Por esses contratos, os agricultores    se comprometem a comprar novas sementes a cada safra, usar o pesticida fornecido    por um &uacute;nico fornecedor e submeter-se &agrave; inspe&ccedil;&atilde;o    peri&oacute;dica de agentes da empresa, al&eacute;m de manterem sigilo sobre    pontos do contrato. O <i>New York Times</i> j&aacute; classificou esses agentes    de "pol&iacute;cia gen&eacute;tica".</font></p>     <p>&nbsp;</p> <font size="3"> </font>      <p align="right"><font size="3"><i><b>Rafael Evangelista</b></i></font></p>      ]]></body>
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