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</front><body><![CDATA[ <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v57n1/a13img01.gif"></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size=5><b>AS CI&Ecirc;NCIAS NA HIST&Oacute;RIA BRASILEIRA</b></font></P>     <P><font size="3"><b>Maria Am&eacute;lia Mascarenhas Dantes </b></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3"><font size=5><b>N</b></font>&atilde;o h&aacute; como negar    a forte presen&ccedil;a, hoje, das tecnoci&ecirc;ncias na sociedade brasileira:    diariamente somos informados pela m&iacute;dia escrita e televisiva de suas    novas contribui&ccedil;&otilde;es. Tamb&eacute;m acompanhamos – &eacute; verdade    que de forma mais t&ecirc;nue – a atua&ccedil;&atilde;o dos pesquisadores brasileiros,    seus estudos nas v&aacute;rias &aacute;reas, sua rela&ccedil;&atilde;o com o    sistema internacional de produ&ccedil;&atilde;o de conhecimentos. Mas pouco    se ouve sobre a presen&ccedil;a das ci&ecirc;ncias em outros per&iacute;odos    de nossa hist&oacute;ria.</font></P>     <P><font size="3">No entanto, desde 1500 aconteceram atividades cient&iacute;ficas    no Brasil (1): viagens explorat&oacute;rias, com registros sobre a flora e a    fauna locais; estudos sobre a cultura e as l&iacute;nguas ind&iacute;genas;    realiza&ccedil;&atilde;o de observa&ccedil;&otilde;es astron&ocirc;micas por    jesu&iacute;tas aqui sediados, entre outras (2).</font></P>     <P><font size="3">Realmente, &eacute; recente o interesse dos historiadores por    essas atividades. Em parte, pelo predom&iacute;nio dos estudos sobre quest&otilde;es    pol&iacute;ticas e econ&ocirc;micas na hist&oacute;ria do Brasil. Mas, tamb&eacute;m,    pelas caracter&iacute;sticas da pr&oacute;pria hist&oacute;ria da ci&ecirc;ncia    que, tradicionalmente, se voltou para os grandes cientistas e as teorias e experimentos    considerados revolucion&aacute;rios. Nesse quadro, pa&iacute;ses como o Brasil    foram ignorados.Nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, um n&uacute;mero crescente    de historiadores passou a trabalhar com a defini&ccedil;&atilde;o de ci&ecirc;ncia    como atividade de produ&ccedil;&atilde;o de conhecimentos socialmente institu&iacute;da    (3). A partir dessa conceitua&ccedil;&atilde;o, cresceu de forma significativa,    em n&iacute;vel mundial, a produ&ccedil;&atilde;o em hist&oacute;ria social    da ci&ecirc;ncia. Tamb&eacute;m ganharam reconhecimento, e v&ecirc;m crescendo    de forma acelerada, os estudos sobre os mais variados pa&iacute;ses de todos    os continentes. </font></P>     <P><font size="3">No Brasil, podemos dizer que existe hoje uma comunidade bastante    ativa de historiadores que se volta para outras &eacute;pocas, buscando entender:    quem eram os nossos cientistas e como era sua inser&ccedil;&atilde;o social;    que atividades desenvolviam e que princ&iacute;pios te&oacute;ricos e metodol&oacute;gicos    as orientavam; que apoios recebiam de governantes e outros setores da sociedade;    que fun&ccedil;&atilde;o era atribu&iacute;da aos conhecimentos produzidos;    entre outros temas.</font></P>     <P><font size="3">Nessa sua incurs&atilde;o, os historiadores evitam ser anacr&ocirc;nicos,    isto &eacute;, buscar no passado vest&iacute;gios do que s&atilde;o hoje as    atividades cient&iacute;ficas. Pois, como procuraremos exemplificar neste texto,    os cientistas de outros tempos trabalhavam de uma forma muito diferente do que    entendemos hoje por ci&ecirc;ncia. Primeiro n&atilde;o eram "profissionais da    ci&ecirc;ncia" e se dividiam em m&uacute;ltiplas atividades. Tamb&eacute;m,    as concep&ccedil;&otilde;es que seguiam, as atividades que desenvolviam, ou    os instrumentos que utilizavam, eram, muitas vezes, diferentes dos atuais. Cabe,    assim, ao historiador buscar no pr&oacute;prio per&iacute;odo, as caracter&iacute;sticas    do que era entendido como ci&ecirc;ncia.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="3">Neste artigo nosso objetivo &eacute; utilizar a produ&ccedil;&atilde;o    que vem sendo realizada para uma reflex&atilde;o sobre o papel que as ci&ecirc;ncias    v&ecirc;m desempenhando na hist&oacute;ria brasileira. Escolhemos, para isso,    alguns temas que nos parecem elucidativos sobre as diferentes formas assumidas    pelas pr&aacute;ticas cient&iacute;ficas no Brasil e sua inser&ccedil;&atilde;o    em projetos sociais diferenciados.</font></P>     <P><font size="3"><b>ILUSTRADOS BRASILEIROS E AS CI&Ecirc;NCIAS NOS PROJETOS DA    COROA PORTUGUESA</b> No final do s&eacute;culo XVIII, per&iacute;odo de difus&atilde;o    das id&eacute;ias iluministas, Portugal — ao lado de outras metr&oacute;poles    como a Espanha, a Fran&ccedil;a, a Inglaterra — empenhou-se em incorporar pr&aacute;ticas    cient&iacute;ficas em suas pol&iacute;ticas coloniais. Foram realizadas expedi&ccedil;&otilde;es    que, al&eacute;m de cumprirem objetivos militares, realizaram amplos levantamentos    dos recursos naturais coloniais. No Brasil, ganhou notoriedade a expedi&ccedil;&atilde;o    liderada por Alexandre Rodrigues Ferreira, naturalista brasileiro formado na    Universidade de Coimbra que explorou a regi&atilde;o amaz&ocirc;nica de 1785    a 1792 (4).</font></P>     <P><font size="3"> Outras medidas da metr&oacute;pole j&aacute; tinham um objetivo    mais direto: contribuir para a revitaliza&ccedil;&atilde;o da explora&ccedil;&atilde;o    colonial. Entram nessa categoria dois empreendimentos que merecem nossa aten&ccedil;&atilde;o    por nos informarem sobre os mecanismos pelos quais as atividades cient&iacute;ficas    foram se implantando em territ&oacute;rio brasileiro. Trata-se da contrata&ccedil;&atilde;o    de ilustrados brasileiros no levantamento de recursos minerais, e da implanta&ccedil;&atilde;o    de jardins bot&acirc;nicos para o incentivo &agrave; produ&ccedil;&atilde;o    agr&iacute;cola.</font></P>     <P><font size="3">Entre os ilustrados brasileiros, chama a aten&ccedil;&atilde;o,    pela dimens&atilde;o da obra que escreveu, Jos&eacute; Vieira Couto, naturalista    mineiro que viveu de 1752 a 1827 (5). Formado em Coimbra, foi contratado pela    Coroa portuguesa para levantamento de recursos minerais, visando &agrave; amplia&ccedil;&atilde;o    e &agrave; diversifica&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o colonial.    </font></P>     <P><font size="3">Sua pr&aacute;tica cient&iacute;fica inclu&iacute;a uma multiplicidade    de atividades, desde o planejamento e a realiza&ccedil;&atilde;o de expedi&ccedil;&otilde;es    para localiza&ccedil;&atilde;o de recursos mineral&oacute;gicos, a coleta de    amostras, at&eacute; a realiza&ccedil;&atilde;o de an&aacute;lises qu&iacute;micas,    visando sua classifica&ccedil;&atilde;o para a qual o naturalista mantinha um    laborat&oacute;rio. Al&eacute;m disso, Couto prestava contas &agrave; Coroa    por interm&eacute;dio de suas <i>Mem&oacute;rias cient&iacute;ficas</i>. De    1799 a 1805, escreveu quatro mem&oacute;rias (6) em que relatava suas viagens,    as observa&ccedil;&otilde;es mineral&oacute;gicas feitas, e aconselhava a Coroa    sobre medidas que, segundo ele, poderiam contribuir para a renova&ccedil;&atilde;o    da minera&ccedil;&atilde;o no Brasil, como a constru&ccedil;&atilde;o de uma    f&aacute;brica de ferro e um programa para instru&ccedil;&atilde;o dos pr&aacute;ticos    que atuavam nas minas. Essa &ecirc;nfase no papel da instru&ccedil;&atilde;o    cient&iacute;fica mostra como Couto estava integrado ao pensamento iluminista.    A an&aacute;lise de seus textos cient&iacute;ficos mostra, ainda, um naturalista    que seguia de perto os referenciais te&oacute;ricos em voga na Europa, aos quais    havia sido iniciado em Coimbra.</font></P>     <P><font size="3">A trajet&oacute;ria de Couto, al&eacute;m de mostrar um naturalista    do s&eacute;culo XVIII em plena a&ccedil;&atilde;o no Brasil, &eacute; bastante    ilustrativa da incorpora&ccedil;&atilde;o de parte das elites brasileiras nos    projetos metropolitanos de fortalecimento do sistema colonial. </font></P>     <P><font size="3">Os jardins bot&acirc;nicos tamb&eacute;m ocuparam um papel central    nas pol&iacute;ticas coloniais. Em um per&iacute;odo em que plantas e sementes    tinham grande valor econ&ocirc;mico, sendo mesmo pirateadas, cabia aos jardins    recolher plantas de interesse e realizar experimentos agr&iacute;colas – aclimata&ccedil;&atilde;o,    hibrida&ccedil;&atilde;o de esp&eacute;cies, entre outros. </font></P>     <P><font size="3">A trajet&oacute;ria do Jardim Bot&acirc;nico do Gr&atilde;o-Par&aacute;,    o primeiro a ser instalado pela Coroa no Brasil (7), &eacute; bem esclarecedora    sobre a atua&ccedil;&atilde;o desse tipo institucional. Criado em 1798, foi    muito ativo at&eacute; 1820, quando cumpriu o papel de entreposto e distribuidor    de plantas e sementes &uacute;teis para outros jardins brasileiros, como o do    Rio de Janeiro e o de Pernambuco. No entanto, entrou em crise com as turbul&ecirc;ncias    do processo de Independ&ecirc;ncia e com os movimentos emancipacionistas que    abalaram as prov&iacute;ncias do Norte. Mesmo assim, continuou existindo at&eacute;    os anos 1870, j&aacute; a&iacute; com outros prop&oacute;sitos.</font></P>     <P><font size="3">Nos interessa aqui o primeiro per&iacute;odo, quando o Jardim    de Bel&eacute;m esteve integrado &agrave; pol&iacute;tica metropolitana de revitaliza&ccedil;&atilde;o    e diversifica&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola da    Col&ocirc;nia.</font></P>     <P><font size="3">Bel&eacute;m foi escolhida por sua posi&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica    como porta de entrada da Amaz&ocirc;nia (8), mas tamb&eacute;m, por sua proximidade    com a Guiana Francesa, que j&aacute; mantinha um jardim bot&acirc;nico em Caiena,    <i>La Gabrielle</i>, conhecido pela riqueza de suas cole&ccedil;&otilde;es de    especiarias asi&aacute;ticas.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="3">Realmente, o Jardim de Bel&eacute;m, que inicialmente se dedicava    &agrave; domestica&ccedil;&atilde;o de esp&eacute;cies nativas – sobretudo madeiras    – e &agrave; aclimata&ccedil;&atilde;o de esp&eacute;cies ex&oacute;ticas, de    1809 a 1817, quando Portugal ocupou a Guiana, redirecionou suas atividades,    passando a dar prioridade &agrave; explora&ccedil;&atilde;o das especiarias    vindas de Caiena. Registros de sua atua&ccedil;&atilde;o em 1800 nos d&atilde;o    uma id&eacute;ia de seu porte: ent&atilde;o, contava com mais de dois mil p&eacute;s    de plantas nativas e ex&oacute;ticas, desde seringueiras, bananeiras, canas-de-a&ccedil;&uacute;car,    caneleiras, passando por cravos-da-&iacute;ndia, jasmins, maracuj&aacute;s,    entre outras. (9). </font></P>     <P><font size="3">Fechando esse item, queremos sublinhar como os interesses metropolitanos    de manuten&ccedil;&atilde;o e explora&ccedil;&atilde;o mais racional da Col&ocirc;nia    incentivaram, no final do s&eacute;culo XVIII, variadas pr&aacute;ticas cient&iacute;ficas.    No entanto, eram atividades esparsas, que n&atilde;o chegaram a ter maior continuidade.    </font></P>     <P><font size="3"><b>O RIO DE JANEIRO COMO CENTRO DA PRODU&Ccedil;&Atilde;O CIENT&Iacute;FICA    IMPERIAL</b> Podemos dizer que foi no s&eacute;culo XIX que a Col&ocirc;nia,    depois Imp&eacute;rio brasileiro, passou a contar com um aparato institucional    diversificado para as ci&ecirc;ncias. Nossa op&ccedil;&atilde;o aqui, devido    ao espa&ccedil;o diminuto que temos para tratar desse longo per&iacute;odo,    &eacute; acompanhar o processo de cria&ccedil;&atilde;o dessas institui&ccedil;&otilde;es,    que se mostraram fundamentais para o estabelecimento de tradi&ccedil;&otilde;es    cient&iacute;ficas mais continuadas no pa&iacute;s (10).Como ve remos, a grande    maioria dessas institui&ccedil;&otilde;es localizava-se na cidade do Rio de    Ja n e i ro que, al&eacute;m de centro pol&iacute;tico, tornou-se o centro cultural    e cient&iacute;fico da nova na&ccedil;&atilde;o.</font></P>     <P><font size="3">Na verdade, a instala&ccedil;&atilde;o de institui&ccedil;&otilde;es    cient&iacute;ficas teve in&iacute;cio no final do per&iacute;odo colonial, durante    a perman&ecirc;ncia da corte portuguesa no Brasil. Foram, ent&atilde;o, criados:    em 1808, o Col&eacute;gio M&eacute;dico da Bahia (a partir de 1832, Faculdade    de Medicina da Bahia); no mesmo ano, a Escola M&eacute;dica do Rio de Janeiro    (tamb&eacute;m Faculdade de Medicina, em 1832); ainda em 1808, o Horto, depois    Jardim Bot&acirc;nico do Rio de Janeiro. Em 1810, a Academia Militar do Rio    de Janeiro, que durante o s&eacute;culo XIX daria origem, em 1855, &agrave;    Escola Central e, em 1874, &agrave; Escola Polit&eacute;cnica. Por fim, em 1818,    o Museu Real, depois Museu Nacional de Hist&oacute;ria Natural.</font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v57n1/a14fig01.gif"></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3">A cria&ccedil;&atilde;o dessas institui&ccedil;&otilde;es seguia    os preceitos iluministas, mas se dava em um novo momento da hist&oacute;ria    brasileira, quando a Col&ocirc;nia tornou-se sede do imp&eacute;rio portugu&ecirc;s.    Vemos, assim, ao lado de institui&ccedil;&otilde;es de hist&oacute;ria natural,    o grande empenho da Coroa de iniciar a forma&ccedil;&atilde;o de quadros para    o governo local.</font></P>     <P><font size="3">Essas institui&ccedil;&otilde;es continuaram atuando no Imp&eacute;rio    e, todas as citadas – ao menos em seus desdobramentos – existem at&eacute; a    atualidade. Durante o per&iacute;odo imperial, a elas vieram somar-se outras.    Um observat&oacute;rio astron&ocirc;mico criado, oficialmente, em 1827, mas    que teve seu per&iacute;odo mais ativo a partir de 1871; o Instituto Hist&oacute;rico    e Geogr&aacute;fico Brasileiro, de 1838, que atuou na &aacute;rea das ci&ecirc;ncias    naturais, tamb&eacute;m. Os anos 1870, que se seguiram &agrave; guerra contra    o Paraguai, foram particularmente frut&iacute;feros para as institui&ccedil;&otilde;es    cient&iacute;ficas brasileiras. As existentes passaram por remodela&ccedil;&otilde;es    e outras foram criadas, como a Escola de Minas de Ouro Preto, em Minas Gerais,    de 1875. S&atilde;o dessa &eacute;poca, tamb&eacute;m, institutos de agricultura,    como o Imperial Instituto Fluminense de Agricultura (11).</font></P>     <P><font size="3">Podemos citar, tamb&eacute;m, espa&ccedil;os cient&iacute;ficos    de dura&ccedil;&atilde;o mais delimitada, como a Comiss&atilde;o Cient&iacute;fica    de Explora&ccedil;&atilde;o, que realizou levantamentos na prov&iacute;ncia    do Cear&aacute;, de 1859 a 1861. E a Comiss&atilde;o Geol&oacute;gica do Imp&eacute;rio    que atuou de 1871 a 1875.Por fim, na &uacute;ltima d&eacute;cada do Imp&eacute;rio,    a partir de demandas provinciais, foram criadas algumas institui&ccedil;&otilde;es,    como a Comiss&atilde;o Geogr&aacute;fica e Geol&oacute;gica, e a Esta&ccedil;&atilde;o    Agron&ocirc;mica de Campinas, ambas em S&atilde;o Paulo.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="3">Vemos, assim, durante todo o s&eacute;culo XIX, as atividades    cient&iacute;ficas brasileiras bastante centralizadas no Rio de Janeiro. A&iacute;    estavam concentrados os profissionais, brasileiros e estrangeiros, que nelas    atuaram e que come&ccedil;aram a se organizar em associa&ccedil;&otilde;es.    A mais antiga, a Sociedade de Medicina, de 1828, depois Academia Imperial de    Medicina. Os naturalistas tamb&eacute;m tiveram sua Sociedade Vellosiana, de    vida breve (1851-1855), que se reunia nas depend&ecirc;ncias no Museu Nacional.    E os engenheiros, a partir dos anos 1860, se reuniram no Instituto Polit&eacute;cnico    Brasileiro.Este passar-de-olhos pelas institui&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas    do per&iacute;odo imperial, nos leva a algumas observa&ccedil;&otilde;es.</font></P>     <P><font size="3">Inicialmente, fica evidente como, j&aacute; no s&eacute;culo    XIX, as ci&ecirc;ncias estavam presentes nas pol&iacute;ticas governamentais    da Coroa e depois, do Imp&eacute;rio. Na verdade, j&aacute; ent&atilde;o, o    Estado se apresentava como o grande financiador das pr&aacute;ticas cient&iacute;ficas.    No per&iacute;odo que cobrimos, observamos apenas algumas associa&ccedil;&otilde;es,    como a Sociedade Auxiliadora da Ind&uacute;stria Nacional, de 1828, que conseguia    atuar sem o aux&iacute;lio do governo imperial. </font></P>     <P><font size="3">J&aacute; que tratamos do poder p&uacute;blico, &eacute; bom    n&atilde;o esquecer que, no segundo Imp&eacute;rio, D.Pedro II muitas vezes    interferiu diretamente na cria&ccedil;&atilde;o e no cotidiano de institui&ccedil;&otilde;es    cient&iacute;ficas como a Escola de Minas de Ouro Preto e o Observat&oacute;rio    do Rio de Janeiro, o que foi apenas uma das dimens&otilde;es de seu apre&ccedil;o    pelas ci&ecirc;ncias.</font></P>     <P><font size="3">N&atilde;o h&aacute; d&uacute;vidas, assim, que as institui&ccedil;&otilde;es    cient&iacute;ficas desenvolviam atividades de interesse estatal. As escolas    formando quadros; os institutos de pesquisa, como o Museu Nacional, funcionando    como assessoras, al&eacute;m de desenvolverem atividades de produ&ccedil;&atilde;o    de conhecimento, que acompanhavam razoavelmente os temas e debates que aconteciam    na Europa.</font></P>     <P><font size="3">Al&eacute;m disso, podemos dizer que fazer ci&ecirc;ncia parece    ter tido uma outra fun&ccedil;&atilde;o nesses anos. A de mostrar ao mundo que    existia nos tr&oacute;picos um imp&eacute;rio civilizado (12). </font></P>     <P><font size="3"><b>AS CI&Ecirc;NCIAS NA REP&Uacute;BLICA FEDERATIVA BRASILEIRA</b>    Contrapondo ao centralismo do Imp&eacute;rio, a Rep&uacute;blica brasileira    deu oportunidade &agrave;s prov&iacute;ncias de constitu&iacute;rem seus pr&oacute;prios    quadros institucionais. O final do s&eacute;culo XIX viu assim pro l i f e r    a rempelo pa&iacute;s, escolas de engenharia, faculdades de medicina, museus    de hist&oacute;ria natural, institutos ligados &agrave; &aacute;rea da sa&uacute;de    (13).</font></P>     <P><font size="3">Com o federalismo, o governo paulista criou v&aacute;rias institui&ccedil;&otilde;es    cient&iacute;ficas: a Escola Polit&eacute;cnica (1894), um Servi&ccedil;o Sanit&aacute;rio    de car&aacute;ter microbiol&oacute;gico (1892), um Museu de Hist&oacute;ria    Natural (1894). Foram tamb&eacute;m instaladas no estado institui&ccedil;&otilde;es    privadas, como a escola de engenharia Mackenzie (1895) e a Escola de Farm&aacute;cia    (1898).</font></P>     <P><font size="3">Tamb&eacute;m em outros estados, novas institui&ccedil;&otilde;es    foram criadas. No Rio Grande do Sul: uma Escola de Engenharia (1896), uma Escola    Livre de Farm&aacute;cia e Qu&iacute;mica Industrial (1896), uma Escola Livre    de Medicina e Farm&aacute;cia (1897).</font></P>     <P><font size="3">Podemos lembrar ainda as Escolas de Engenharia da Bahia e de    Pernambuco, ambas de 1896.</font></P>     <P><font size="3">No entanto, as institui&ccedil;&otilde;es de maior prest&iacute;gio    naquele momento da hist&oacute;ria brasileira foram as que atuaram na &aacute;rea    da sa&uacute;de p&uacute;blica. O primeiro servi&ccedil;o sanit&aacute;rio do    per&iacute;odo republicano foi o de S&atilde;o Paulo, de 1892, composto por    um conjunto de institui&ccedil;&otilde;es que seguiam os princ&iacute;pios da    nova teoria microbiol&oacute;gica. J&aacute; a Diretoria de Sa&uacute;de P&uacute;blica    do Rio de Janeiro come&ccedil;ou a atuar em 1900. </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="3">Essas institui&ccedil;&otilde;es de pesquisa biom&eacute;dica    dedicavam-se &agrave;s seguintes atividades: estudos sobre as principais doen&ccedil;as    encontr&aacute;veis no pa&iacute;s, diagn&oacute;stico de doen&ccedil;as em    evid&ecirc;ncia e produ&ccedil;&atilde;o de soros e vacinas para seu combate    (14). E a&iacute;, os m&eacute;dicos brasileiros foram bastante pioneiros, acompanhando    de perto o que acontecia em centros europeus. Esses institutos ganharam prest&iacute;gio    no meio cient&iacute;fico brasileiro, como introdutores de uma nova maneira    de fazer ci&ecirc;ncia: a ci&ecirc;ncia de laborat&oacute;rio, vista como um    contraponto &agrave; tradi&ccedil;&atilde;o naturalista, considerada mais tradicional    (15). </font></P>     <P><font size="3">No entanto, o sucesso que tiveram, certamente est&aacute; relacionado    ao papel que desempenharam nas pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de saneamento,    urbaniza&ccedil;&atilde;o e organiza&ccedil;&atilde;o social. </font></P>     <P><font size="3">Por fim, podemos dizer que na Rep&uacute;blica, com o federalismo,    teve in&iacute;cio uma diversifica&ccedil;&atilde;o regional no desenvolvimento    cient&iacute;fico e t&eacute;cnico, que se ampliou durante o s&eacute;culo XX.    Esperamos que estudos sobre os v&aacute;rios estados da federa&ccedil;&atilde;o    tragam elementos para uma caracteriza&ccedil;&atilde;o mais precisa dos diferentes    caminhos seguidos. </font></P>     <P><font size="3"><b>CONSIDERA&Ccedil;&Otilde;ES FINAIS</b> Concluindo essa nossa    incurs&atilde;o, queremos chamar a aten&ccedil;&atilde;o para algumas caracter&iacute;sticas    do processo de implanta&ccedil;&atilde;o de pr&aacute;ticas cient&iacute;ficas    no Brasil.</font></P>     <P><font size="3">Inicialmente, vemos que, desde o in&iacute;cio do per&iacute;odo    percorrido, as ci&ecirc;ncias naturais j&aacute; eram reconhecidas como instrumentos    valiosos para a resolu&ccedil;&atilde;o de problemas sociais. No entanto, para    o caso brasileiro, os governantes foram os grandes investidores – quase que    exclusivos – dessas atividades.</font></P>     <P><font size="3">Nossos cientistas sempre tiveram, assim, uma independ&ecirc;ncia    relativa. De um lado, seu trabalho foi orientado pelas caracter&iacute;sticas    de sua &aacute;rea de atua&ccedil;&atilde;o, e os vemos razoavelmente integrados    aos padr&otilde;es internacionais. Mas, se seus olhos se voltavam para os grandes    centros, suas escolhas n&atilde;o deixaram de ser motivadas por demandas do    contexto local. Da conjuga&ccedil;&atilde;o desses fatores, muitas vezes dependeu    o maior ou menor sucesso de seus empreendimentos. </font></P>     <P><font size="3">Nesse sentido, o prest&iacute;gio alcan&ccedil;ado por nosso    microbiologista mais conhecido, Oswaldo Cruz, &eacute; emblem&aacute;tico. Do    ponto de vista cient&iacute;fico, seu trabalho estava perfeitamente sintonizado    com o que acontecia nos grandes centros europeus. E, politicamente, n&atilde;o    deixou de contar com o apoio do governo federal, interessado em tornar o Rio    de Janeiro uma cidade saneada e moderna.</font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3"><i><b>Maria Am&eacute;lia Mascarenhas Dantes </b>&eacute; p&oacute;s-doutora    pela Ecole des Hautes Etudes en Sciences Sociales, e professora da Faculdade    de Filosofia Letras e Ci&ecirc;ncias Humanas, no Departamento de Hist&oacute;ria,    da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP). </i></font></P>     <P>&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>&nbsp;</P>     <P><font size="3"><b>NOTAS E REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b> </font></P>     <P><font size="3">1. Quando escrevemos "ci&ecirc;ncias", estamos pensando na concep&ccedil;&atilde;o    moderna de conhecimento cient&iacute;fico – racional e experimental – que foi    institu&iacute;da no in&iacute;cio da Idade Moderna, pelo processo conhecido    como Revolu&ccedil;&atilde;o Cient&iacute;fica, que teve seu centro em alguns    pa&iacute;ses europeus: It&aacute;lia, Fran&ccedil;a, Inglaterra. Da&iacute;,    difundiu-se para outros pa&iacute;ses e outros continentes.</font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">2. Carlos Ziller Camenietzki, pesquisador do Mast, Rio de Janeiro,    vem estudando a obra do jesu&iacute;ta Valentin Stansel que viveu na Bahia no    s&eacute;culo XVII. Ver seu artigo de divulga&ccedil;&atilde;o "Nos c&eacute;us    do Brasil. Estudos sobre cometas feitos por jesu&iacute;ta na Bahia colonial    chamaram a aten&ccedil;&atilde;o de Isaac Newton" i<i>n Nossa Hist&oacute;ria</i>,    ano 1, nº 1, 30-34. Novembro de 2003.</font><!-- ref --><P><font size="3">3. Sobre as mudan&ccedil;as que v&ecirc;m ocorrendo na hist&oacute;ria    da ci&ecirc;ncia, ver Dominique Pestre, "Por uma nova hist&oacute;ria social    e cultural das ci&ecirc;ncias: novas defini&ccedil;&otilde;es, novos objetos,    novas abordagens", <i>Cadernos IG-Unicamp</i>, Campinas, Vol. 6, nº 1, 1996,    3-56 (trad. de artigo publicado nos <i>Annales ESC</i>, vol. 50, nº 3, mai-jun    1995).</font><!-- ref --><P><font size="3">4. Um texto que documenta bem as iniciativas em Portugal e no    Brasil &eacute; o artigo de Maria Odila da Silva Dias, "Aspectos da ilustra&ccedil;&atilde;o    no Brasil" <i>in Revista do IHGB</i>, 278, 105-170. Jan-mar 1968. </font><!-- ref --><P><font size="3">5. As considera&ccedil;&otilde;es que farei sobre a atua&ccedil;&atilde;o    de Couto baseiam-se no livro de Clarete Paranhos da Silva, <i>O desvendar do    grande livro da natureza. Um estudo da obra do mineralogista Jos&eacute; Vieira    Couto, 1798-1805</i>, S.Paulo, Fapesp/AnnaBlume/Unicamp, 2002.</font><P><font size="3">6. <i>As Mem&oacute;rias</i> s&atilde;o analisadas com profundidade    por Clarete P.da Silva, em seu livro.</font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">7. Devo as informa&ccedil;&otilde;es aqui utilizadas ao mestrado    de Nelson Sanjad, <i>Nos jardins de S&atilde;o Jos&eacute;: uma hist&oacute;ria    do Jardim Bot&acirc;nico do Gr&atilde;o Par&aacute;, 1796-1873</i>, IG-Unicamp.    2001.</font><P><font size="3">8. Segundo N. Sanjad, <i>op. cit</i>. o jardim estava integrado    a um projeto mais amplo de urbaniza&ccedil;&atilde;o e saneamento de Bel&eacute;m,    o que mostra a import&acirc;ncia atribu&iacute;da por Portugal &agrave; cidade.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="3">9. Ver listagem das plantas em N. Sanjad, <i>op.cit</i>. pp.91-    92.</font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">10. Sobre institui&ccedil;&otilde;es brasileiras do s&eacute;culo    XIX, ver Simon Schwartzmann, <i>Forma&ccedil;&atilde;o da comunidade cient&iacute;fica    no Brasil</i>, S.Paulo, Cia.Ed.Nacional, 1979;    <!-- ref --> Jos&eacute; Murillo de Carvalho,    <i>A escola de Minas de Ouro Preto, o peso da gl&oacute;ria</i>, S.Paulo, Cia.Ed.Nacional,    1978;    <!-- ref --> Silvia Figueir&ocirc;a, <i>As ci&ecirc;ncias geol&oacute;gicas no Brasil:    uma hist&oacute;ria social e institucional, 1875-1934</i>, S.Paulo, Ed. Hucitec,    1997;    <!-- ref --> Maria Margaret Lopes, <i>O Brasil descobre a pesquisa cient&iacute;fica.    Os museus e as ci&ecirc;ncias naturais no s&eacute;culo XIX</i>, S. Paulo, Hucitec,    1997;    <!-- ref --> Maria Am&eacute;lia M. Dantes (org.), <i>Espa&ccedil;os da ci&ecirc;ncia    no Brasil</i>. 1800-1930, Rio de Janeiro, Ed. Fiocruz, 2001.</font><!-- ref --><P><font size="3">11. Sobre a atua&ccedil;&atilde;o de institui&ccedil;&otilde;es    cient&iacute;ficas brasileiras na &aacute;rea da agricultura, ver Heloisa M.B.    Domingues, "Ci&ecirc;ncia: um caso de pol&iacute;tica. As rela&ccedil;&otilde;es    entre as ci&ecirc;ncias naturais e a agricultura no Brasil – Imp&eacute;rio",    doutorado, S.Paulo, FFLCH-USP, 1996.     Quanto &agrave; remodela&ccedil;&atilde;o    das institui&ccedil;&otilde;es nos anos 1870, consideramos que esse processo    mostra como os governantes e intelectuais brasileiros acompanhavam o que ocorria    na Europa. Assim, as faculdades de medicina e engenharia procuraram incorporar    em seus curr&iacute;culos, aulas experimentais, marca registrada do sistema    universit&aacute;rio alem&atilde;o, ent&atilde;o, muito prestigiado.</font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">12. Esta quest&atilde;o esteve bastante presente em congresso    realizado no Rio de Janeiro em 2000, cujos anais foram publicados por Alda Heizer    e Antonio A.P. Videira: <i>Ci&ecirc;ncia, civiliza&ccedil;&atilde;o e imp&eacute;rio    nos tr&oacute;picos</i>, Rio de Janeiro, Ed. Access. 2001.</font><!-- ref --><P><font size="3">13. Sobre institui&ccedil;&otilde;es de v&aacute;rios estados    brasileiros, ver Ana Maria A. Alves, <i>O Ipiranga apropriado. Ci&ecirc;ncia,    pol&iacute;tica e poder. O Museu Paulista. 1893-1922</i>, S.Paulo, Ed. Iluminuras,    2001;    <!-- ref --> Beatriz Teixeira Weber, <i>As artes de curar. Medicina, religi&atilde;o,    magia e positivismo na Rep&uacute;blica Rio-Grandense – 1889-1928</i>, Bauru/Santa    Maria, EDUSC/ UFSM, 1999;    <!-- ref --> Andr&eacute; Lu&iacute;s Mattedi Dias, "Engenheiros,    mulheres, matem&aacute;ticos. Interesses e disputas na profissionaliza&ccedil;&atilde;o    da matem&aacute;tica na Bahia (1896-1968)", doutorado, FFLCH-USP, 2002.</font><!-- ref --><P><font size="3">14. Sobre servi&ccedil;os de sa&uacute;de p&uacute;blica do    Rio de Janeiro, S&atilde;o Paulo e Rio Grande do Sul, ver Jaime Benchimol (coord.),    <i>Manguinhos do sonho &agrave; vida. A ci&ecirc;ncia na Belle &Eacute;poque</i>,    Rio de Janeiro, Ed. Fiocruz, 1990;    <!-- ref --> M. Alice R. Ribeiro, <i>Hist&oacute;ria sem    fim... Invent&aacute;rio da sa&uacute;de p&uacute;blica. S&atilde;o Paulo, 1880-1930</i>,    S.Paulo, Ed. Unesp, 1993.     Al&eacute;m de B. Weber, <i>op. cit</i>. e M.A. Dantes    (org.), <i>op. cit</i>.</font></P>     <P><font size="3">15. No in&iacute;cio do s&eacute;culo XIX, a observa&ccedil;&atilde;o    cl&iacute;nica de sintomas ainda era a base do conhecimento m&eacute;dico sobre    doen&ccedil;as. J&aacute; com a microbiologia, o diagn&oacute;stico passa a    ser feito em laborat&oacute;rio, bem como a produ&ccedil;&atilde;o de medicamentos.</font></P>      ]]></body><back>
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