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</front><body><![CDATA[ <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v57n1/a13img01.gif"></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size=5><b>ENVELHECER OU N&Atilde;O ENVELHECER? EIS A QUEST&Atilde;O</b></font></P>     <P><font size="3"><b>Michelangelo Giotto Santoro Trigueiro </b></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3"><font size=5><b>L</b></font>eva-se muito tempo para ser jovem.    A frase &eacute; do conhecido pintor espanhol Pablo Picasso e expressa, no m&iacute;nimo,    uma aparente contradi&ccedil;&atilde;o. A id&eacute;ia de juventude, normalmente,    &eacute; associada a pouca idade, a quest&atilde;o meramente cronol&oacute;gica;    assim, como se pode levar muito tempo para ser jovem? Juventude ou velhice s&atilde;o    coisas vistas como independentes da vontade humana; s&atilde;o condi&ccedil;&otilde;es    da pr&oacute;pria vida. Mas h&aacute; tamb&eacute;m um outro sentido, oculto,    que subjaz &agrave; pr&oacute;pria id&eacute;ia aludida anteriormente: juventude    ou velhice depende do tipo de vida que se leva, ou, melhor ainda, do desejo    humano. Em suma, n&atilde;o est&atilde;o alheias &agrave; antiga pretens&atilde;o,    que atravessa toda a hist&oacute;ria de nossa esp&eacute;cie, de se exercer    o senhorio sobre a vida e a natureza. </font></P>     <P><font size="3">Atualmente, os avan&ccedil;os no campo da engenharia gen&eacute;tica    e da biotecnologia – na chamada tecnoci&ecirc;ncia – sugerem que tal possibilidade    de maior controle sobre a vida e o corpo seja realmente um fato: limites biol&oacute;gicos    v&ecirc;m sendo superados a cada dia, e novas descobertas apontam para um mundo    inteiramente inusitado e repleto de conquistas no campo da medicina, da nutri&ccedil;&atilde;o    e da sa&uacute;de, de modo geral.</font></P>     <P><font size="3">Quanto ao tema da longevidade, contudo, as controv&eacute;rsias    ainda est&atilde;o muito ativas e nada indica que ser&atilde;o estabilizadas,    em prol de algum consenso, seja este cient&iacute;fico, ou mesmo moral. Afinal,    o que fazer com tanto tempo em adi&ccedil;&atilde;o? N&atilde;o envelhecer para    qu&ecirc;, se a qualidade da vida n&atilde;o for minimamente aceit&aacute;vel,    se a condi&ccedil;&atilde;o do usufruto em torno dos benef&iacute;cios provenientes    da nova onda cient&iacute;fica e tecnol&oacute;gica ainda n&atilde;o est&aacute;    sequer encaminhada? Refiro-me, nesse contexto, ao tema da distribui&ccedil;&atilde;o    mais ampliada dos resultados das pesquisas geradas em laborat&oacute;rio; numa    palavra, ao tema da eq&uuml;idade e do acesso da modernidade e do progresso    &agrave;s popula&ccedil;&otilde;es do planeta. Quest&atilde;o, esta, que coloca    em cena, n&atilde;o apenas a longevidade, mas a pr&oacute;pria sobreviv&ecirc;ncia    de grandes contingentes, sob o risco permanente da desnutri&ccedil;&atilde;o    e da morte prematura, por absoluta falta de alimentos.</font></P>     <P><font size="3">Quer dizer, sem menosprezar a quest&atilde;o em foco – a respeito    da possibilidade de aumentar o tempo de vida dos indiv&iacute;duos, proximamente,    mediante a aplica&ccedil;&atilde;o de novos conhecimentos cient&iacute;ficos    e tecnol&oacute;gicos – cabe insistir na agenda, recorrente, dos grandes dilemas    humanos, ainda, os da sobreviv&ecirc;ncia e, sempre mais em voga, os atinentes    &agrave; problem&aacute;tica ambiental – tamb&eacute;m esta uma preocupa&ccedil;&atilde;o    com a sobreviv&ecirc;ncia mais abrangente do planeta. Os riscos advindos da    degrada&ccedil;&atilde;o ambiental constituem, por si s&oacute;, o fulcro da    preocupa&ccedil;&atilde;o com a longevidade, pois, para que envelhecer num mundo    in&oacute;spito, degradado, vazio?</font></P>     <P><font size="3">Mas a discuss&atilde;o &eacute; de maior escopo. &Eacute; tamb&eacute;m    &eacute;tica. </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="3">O argumento que se quer acentuar diz respeito &agrave; legitima&ccedil;&atilde;o    da ci&ecirc;ncia e da tecnologia no mundo contempor&acirc;neo. &Eacute; longo    o debate entre os especialistas. A tese predominante alude &agrave; id&eacute;ia    de que a ci&ecirc;ncia e a tecnologia, em si mesmas, n&atilde;o s&atilde;o boas    nem m&aacute;s; por&eacute;m, &eacute; a sociedade e os indiv&iacute;duos que    conferem diferentes destinos &agrave; utiliza&ccedil;&atilde;o dos resultados    da pr&aacute;tica cient&iacute;fico-tecnol&oacute;gica. </font></P>     <P><font size="3">Ora, ent&atilde;o, cabe perguntar: a bomba at&ocirc;mica &eacute;    aceit&aacute;vel, em si mesma, uma vez que est&aacute; comprovada e demonstrada,    na pr&aacute;tica, a sua efic&aacute;cia? E o que dizer da gera&ccedil;&atilde;o    de seres humanos programados em laborat&oacute;rio, criados para cumprir prop&oacute;sitos    bem definidos na sociedade? Caso isto seja uma possibilidade real, como reagir    diante do fato? Quais as conseq&uuml;&ecirc;ncias da redu&ccedil;&atilde;o da    variabilidade gen&eacute;tica de plantas e animais, para o futuro da vida no    planeta? Como os diferentes ambientes culturais dever&atilde;o responder a mudan&ccedil;as    radicais em antigos h&aacute;bitos alimentares e de trato com a agricultura?    Enfim, s&atilde;o quest&otilde;es muito complexas e que ultrapassam consideravelmente    o &acirc;mbito da pesquisa; ultrapassam, mas tamb&eacute;m o atingem e o condicionam    diretamente.</font></P>     <P><font size="3">&Eacute; ineg&aacute;vel que novos recursos e autoriza&ccedil;&otilde;es    para a pesquisa de ponta est&atilde;o a depender, crescentemente, de aprova&ccedil;&atilde;o    dos parlamentos e de v&aacute;rios f&oacute;runs de discuss&atilde;o, que v&atilde;o    do mundo acad&ecirc;mico aos partidos pol&iacute;ticos e a todo um conjunto    de movimentos sociais interessados em exercer maior controle sobre o curso dos    acontecimentos cient&iacute;ficos e tecnol&oacute;gicos. </font></P>     <P><font size="3">Ci&ecirc;ncia e tecnologia s&atilde;o, sim, pass&iacute;veis    de legitima&ccedil;&atilde;o ou de aprova&ccedil;&atilde;o moral. A pronta aceita&ccedil;&atilde;o    de seus resultados, fazendo parecer tratar-se de coisas neutras, &eacute;, na    verdade, a grande fic&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica. N&atilde;o bastam    os cientistas e especialistas assim as defenderem, as pessoas n&atilde;o mais    acreditam, necessariamente. O mundo cient&iacute;fico perdeu sua ingenuidade    aparente.</font></P>     <P><font size="3">Para um renomado soci&oacute;logo alem&atilde;o, J&uuml;rgen    Habermas, a t&eacute;cnica &eacute; autolegitim&aacute;vel, ou seja, seus crit&eacute;rios    de aceitabilidade s&atilde;o estritamente racionais, de ajuste de meios a fins    determinados, uma racionalidade do tipo t&eacute;cnico-instrumental. Entretanto,    distintamente dessa posi&ccedil;&atilde;o, todo um lado obscuro e problem&aacute;tico    passa a ser revelado, ao se abrir a "caixa-preta" da tecnologia, examinando-se    todo o seu conte&uacute;do social, seus aspectos de exclus&atilde;o e sua seletividade    impl&iacute;cita, como marcas humanas deixadas em todo um percurso, que vai    da escolha do problema de pesquisa aos seus resultados finais, passando pelas    in&uacute;meras decis&otilde;es tomadas no pr&oacute;prio &acirc;mbito do laborat&oacute;rio,    envolvendo cientistas e n&atilde;o cientistas, t&eacute;cnicos, dirigentes de    &oacute;rg&atilde;os p&uacute;blicos e todo um conjunto de atores nem sempre    evidenciados ao se falar de ci&ecirc;ncia e tecnologia. Isto &eacute;, s&atilde;o    marcas das negocia&ccedil;&otilde;es, disputas de toda ordem e interesses prevalentes,    colocados uns contra os outros, num extenso campo de conflitos os mais diversos.    N&atilde;o h&aacute; como negar tais fatos, ao se examinar a hist&oacute;ria    das descobertas cient&iacute;ficas e da produ&ccedil;&atilde;o de determinados    fatos, hoje t&atilde;o consensuais, como a descoberta do DNA, como nos aponta,    por exemplo, Bruno Latour.</font></P>     <P><font size="3">Assim, a pr&oacute;pria elei&ccedil;&atilde;o do tema – longevidade    – &eacute; j&aacute; uma escolha que cont&eacute;m um interesse humano e social,    a preval&ecirc;ncia de determinados objetivos em detrimento de outros. Em outras    palavras, &eacute; tamb&eacute;m uma quest&atilde;o pol&iacute;tica. Com isto,    n&atilde;o se trata, pois, apenas, de se saber se &eacute; poss&iacute;vel ou    n&atilde;o maior longevidade, se h&aacute; raz&otilde;es t&eacute;cnicas que    fundamentem essa possibilidade ou se um dia o mundo acordar&aacute; com seres    humanos vivendo 300 anos. Cabe sim, investigar, tamb&eacute;m, se este &eacute;    um anseio leg&iacute;timo e desej&aacute;vel, e por quem; se nas disputas no    jogo do que &eacute; relevante e priorit&aacute;rio, as sociedades e os indiv&iacute;duos    t&ecirc;m minimamente participado de tais decis&otilde;es. Ou se, ao contr&aacute;rio,    assistiremos, impass&iacute;veis, ao descortinar de mais uma glamourosa e cansativa    epop&eacute;ia da aventura humana no planeta; que de t&atilde;o desventurosa    que seja venha a legar a ra&ccedil;a dos novos tit&atilde;s, num redivivo clone    de Prometeu, sob o lema de novos imp&eacute;rios e domina&ccedil;&otilde;es    sobre uma humanidade deserdada.</font></P>     <P><font size="3">Fugir para que e para onde? N&atilde;o envelhecer para que?...Ou    envelhecer e n&atilde;o morrer, celebrar o gozo da conquista e o apre&ccedil;o    de deuses sempre inquietos e ciosos de seus poderes?...Homens p&aacute;lidos,    triste futuro ou promissora conquista? Que novos imp&eacute;rios, que novos    cen&aacute;rios nos reservam a ci&ecirc;ncia e a tecnologia contempor&acirc;neas?</font></P>     <P><font size="3">Para finalizar, utilizando conhecidas express&otilde;es de Max    Weber, &eacute; sempre importante conciliar uma &eacute;tica da <b>convic&ccedil;&atilde;o</b>    – aquela que, por exemplo, defende, a todo o custo, o direito da pesquisa e    da curiosidade humana, mesmo que algum benef&iacute;cio geral n&atilde;o seja    evidente de imediato, ou seja, o valor da autonomia do cientista – a outra &eacute;tica,    da <b>responsabilidade</b>, capaz de julgar as conseq&uuml;&ecirc;ncias eventualmente    desastrosas de determinadas pesquisas realizadas nos modernos laborat&oacute;rios    de importantes institui&ccedil;&otilde;es do mundo contempor&acirc;neo. O que    &eacute; bem ilustrado, hoje, com o tema da longevidade humana.</font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3"><i><b>Michelangelo Giotto Santoro</b> Trigueiro &eacute; doutor    em sociologia, professor do Instituto de Ci&ecirc;ncias Humanas, no Departamento    de Sociologia da Universidade de Bras&iacute;lia (UnB).</i></font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>&nbsp;</P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3"><b>BIBLIOGRAFIA CONSULTADA</b></font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">Barreto, V. "Bio&eacute;tica, biodireito e direitos humanos",    i<i>n</i> Torres, R. <i>Teoria dos direitos fundamentais</i>. Rio de Janeiro,    Ed. Renovar. 1999. </font><!-- ref --><P><font size="3">Biggart, W. A.; "Transfering biotechnology", i<i>n Portfolio    Internacional Economic Perspectives</i>, V. 12, Nº 1. United States Information    Agency. 1986.</font><!-- ref --><P><font size="3">Callon, M. "Society in the making; the study of technology as    a tool for sociological analysis". <i>in The social construction of technological    system</i>. Massachusetts: Institute of Technology. 1987. </font><!-- ref --><P><font size="3">Callon, M. &amp; Latour, B. <i>La science telle qu’elle se fait</i>.    Paris, La D&egrave;couverte. 1991.</font><!-- ref --><P><font size="3">Callon, M. <i>La Science et ses reseaux; genese et circulations    des faits scientifiques</i>. La D&eacute;couverte, Paris. 1989.</font><!-- ref --><P><font size="3">Freeman, C.; Clark, J. &amp; Soete, L. <i>Unemployment and technological    innovation: a study of long waves and economic development</i>. Londres, Frances    Pinter. 1982.</font><!-- ref --><P><font size="3">Galhardi, R. M. A. A. <i>New technologies and developing countries:    The case of biotechnology</i>. Bras&iacute;lia: CNPq. 1989.</font><!-- ref --><P><font size="3">Gibbons, M. et al. <i>The new production of knowledge; the dynamics    of science and research in the contemporary societies</i>. Londres, Sage. 1994.</font><!-- ref --><P><font size="3">Goldim, J.R. "Bio&eacute;tica e interdisciplinaridade", <i>in    Educa&ccedil;&atilde;o, Subjetividade &amp; Poder</i>, nº 4, pp. 24-28. 1997.</font><!-- ref --><P><font size="3">Knorr-Cetina, K. "Scientific communities or transepistemic arenas    of reserch? A critique of quasi economic models of science", <i>in Social Studies    of Science</i>, nº 12, pp. 101-130. 1982.</font><!-- ref --><P><font size="3">Knorr-Cetina, K. <i>The manufacture of knowledge; an essay on    the constructivist and contextual nature of science</i>. Oxford, Perzaman Press.    1981.</font><!-- ref --><P><font size="3">Latour, B. "Give me a laboratory and I will raise the world",    <i>in</i> Knorr-Cetina, K.; Mulkay, M., <i>Science Observed</i>. London, Sage.    1983.</font><!-- ref --><P><font size="3">Latour, B. &amp; Woolgar, S. <i>A vida de laborat&oacute;rio;    a produ&ccedil;&atilde;o dos fatos cient&iacute;ficos</i>. Rio, Relume Dumar&aacute;.    1997.</font><!-- ref --><P><font size="3">Latour, B. <i>Le m&eacute;tier de chercheur; regard d’un anthropologue</i>.    Paris: Ed. Inra. 1995.</font><!-- ref --><P><font size="3">Latour, B. "The force and the reason of experiment", <i>in</i>    H. E. Le Grand. <i>Experimental Inquiries</i>. Netherland, Kluwer Academic Publishers.    1990.</font><!-- ref --><P><font size="3">Latour, B. <i>Ci&ecirc;ncia em a&ccedil;&atilde;o</i>. S&atilde;o    Paulo, Unesp, 2000.</font><!-- ref --><P><font size="3">Lehman, V. &amp; Lorch, A. "The race for the human genome",    <i>in Biotechnology and Development Monitor</i>, nº 40, pp. 6-9. 1999. </font><!-- ref --><P><font size="3">Lewontin, R. "It ain’t necessarily so. The dream of the human    genome and other illusions". <i>New York Review Books</i>, New York. 2000.</font><!-- ref --><P><font size="3"><i>Nature Biotechnology</i>, maio. 2001.</font><!-- ref --><P><font size="3">Nicholas W. "Analysis of human genome discovers far fewer genes",    <i>in The New York Times</i>, feb. 12. 2001.</font><!-- ref --><P><font size="3">Porter, M. "Clusters and the new economics of competition".    <i>Harvard Business Review</i>, pp. 77-90, nov./dez. 1998. </font><!-- ref --><P><font size="3">Salles-Filho, S. "Disconnections between biotecnology policies    and market reality: comments on the brazilian experience", <i>in Science and    Public Policy</i>, 22(3), pp. 208-209, jun., 1995.</font><!-- ref --><P><font size="3">Yoxen, E. "Life as a productive force: capitalising the sciense    and technology of molecular biology", <i>in</i> Levidow, L. &amp; Young, B.    <i>Science, Technology and the labour process</i>. Marxist studies. Volume I.    London, LSE Books. 1981.</font> ]]></body><back>
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