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</front><body><![CDATA[ <p><FONT size="4"><b>Exposi&ccedil;&atilde;o</b> </FONT></p>     <p><font size=5> <b>B<SMALL>IBLIOTECA</small> N<SMALL>ACIONAL COMEMORA OS 60    ANOS DE </small>C<SMALL>HICO</small> B<SMALL>UARQUE</small> </b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v57n1/a25fig01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Autor de extensa obra que parece n&atilde;o envelhecer para    seus f&atilde;s, antigos e novos, uma exposi&ccedil;&atilde;o sobre Chico Buarque    de Holanda na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro comemora em grande estilo    os 60 anos de idade do artista. A curadoria da mostra, que a Biblioteca abrigou    de julho a novembro do ano passado, negocia, agora, a ida para cidades como    S&atilde;o Paulo e Havana (Cuba), nos pr&oacute;ximos meses deste ano.</font></p>     <p><font size="3">A trajet&oacute;ria da vida e obra do cantor e compositor nos    &uacute;ltimos 40 anos foi retratada por meio de um grande trabalho de pesquisa    sobre a inser&ccedil;&atilde;o do artista dentro do universo cultural brasileiro,    resultando no mais amplo conjunto de materiais j&aacute; reunido. Intitulada    "Chico Buarque – o tempo e o artista", a exposi&ccedil;&atilde;o mostra    trechos de grava&ccedil;&otilde;es de programas de TV, objetos pessoais, manuscritos,    correspond&ecirc;ncias e fotos, al&eacute;m da discografia completa. Tal evento    faz parte de uma pol&iacute;tica da Biblioteca Nacional de trabalhar tem&aacute;ticas    relacionadas &agrave; cultura brasileira na segunda metade do s&eacute;culo    XX.</font></p>     <p><font size="3"><b>ARTISTA M&Uacute;LTIPLO</b> Um dos objetivos do curador Zeca    Buarque Ferreira foi evidenciar a multiplicidade da produ&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica    na mostra: "Chico experimentou diferentes formas de express&atilde;o art&iacute;stica,    buscando sempre o que &eacute; novo para si, sem se preocupar se isso se encaixa    ou n&atilde;o no que &eacute; convencionalmente chamado 'moderno' de cada &eacute;poca".    A mostra cont&eacute;m algumas facetas desconhecidas pelos f&atilde;s mais jovens    de Chico, como a produ&ccedil;&atilde;o de obras voltadas para o p&uacute;blico    infantil ou desenhos de cidades imagin&aacute;rias, brincadeira do artista que    abandonou o curso de arquitetura para se dedicar &agrave; m&uacute;sica. No    entanto, o Chico Buarque que mais aparece na exposi&ccedil;&atilde;o ainda &eacute;    aquele conhecido do grande p&uacute;blico, o cantor e compositor, mesmo que,    atualmente, ele se dedique mais &agrave; literatura. </font></p>     <p><font size="3">Para montar a exposi&ccedil;&atilde;o, Ferreira usou v&aacute;rios    documentos de &eacute;poca,pesquisados em arquivos de diversas institui&ccedil;&otilde;es    – como Casa Rui Barbosa, Arquivo Nacional e emissoras de TV – assim como documentos    em posse de amigos e membros da fam&iacute;lia, al&eacute;m de uma garimpagem    no arquivo pessoal do artista. "No projeto inicial da exposi&ccedil;&atilde;o,    n&atilde;o se previa expor manuscritos, pois nem se sabia que ir&iacute;amos    encontr&aacute;-los", afirma. A exposi&ccedil;&atilde;o dos manuscritos    acabou por se transformar num dos pontos marcantes da exposi&ccedil;&atilde;o,    pois revela o processo criativo do artista. S&atilde;o apresentados rascunhos    das letras de can&ccedil;&otilde;es consagradas como <i>C&aacute;lice e Bom    tempo</i>, doadas ao acervo da Biblioteca Nacional, ou as correspond&ecirc;ncias    trocadas com Vin&iacute;cius de Moraes, na ocasi&atilde;o da elabora&ccedil;&atilde;o    da letra de <i>Valsinha</i>, e com a estilista Zuzu Angel, que levaram &agrave;    composi&ccedil;&atilde;o de <i>Ang&eacute;lica</i>. </font></p>     <p><font size="3">Cartazes e textos de jornais ilustram o turbulento contexto    da ditadura militar brasileira. Entre letras assinadas com pseud&ocirc;nimos    ou com estrofes iniciais rom&acirc;nticas para despistar os censores, est&aacute;    tamb&eacute;m o cart&atilde;o de Natal enviado pela organiza&ccedil;&atilde;o    de extrema-direita Comando de Ca&ccedil;a aos Comunistas (CCC): "O Comando    (...) deseja a voc&ecirc;, ativista da canalha comunista que enxovalha o nosso    pa&iacute;s, um p&eacute;ssimo Natal e que se realize, no ano de 1980, o nosso    confronto final". </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">A obten&ccedil;&atilde;o de material t&atilde;o diversificado    foi facilitada porque Zeca Ferreira &eacute; sobrinho de Chico Buarque: "Muitas    informa&ccedil;&otilde;es foram obtidas em conversas informais com parentes,    como minhas tias, que cederam documentos pessoais para a exposi&ccedil;&atilde;o".    Ferreira tamb&eacute;m esclarece que se baseou muito no livro <i>Chico Buarque    para todos</i>, da jornalista Regina Zappa, lan&ccedil;ado em 1999. A jornalista    tamb&eacute;m foi respons&aacute;vel pelo cat&aacute;logo da exposi&ccedil;&atilde;o,    que traz a grande parte do material e dos textos expostos.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v57n1/a25fig02.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Outro fator que contribuiu para a riqueza do material obtido    foi o fato de Zeca Ferreira e Antonio Ven&acirc;ncio, respons&aacute;veis pela    pesquisa, j&aacute; terem trabalhado juntos com a hist&oacute;ria da fam&iacute;lia    Buarque de Holanda. Ferreira foi auxiliar de dire&ccedil;&atilde;o de Nelson    Pereira dos Santos no filme <i>Ra&iacute;zes do Brasil – uma cinebiografia de    S&eacute;rgio Buarque de Holanda</i>, sobre o historiador e pai de Chico Buarque,    filme no qual Ven&acirc;ncio tamb&eacute;m atuou na pesquisa. Ambos puderam    localizar, na ocasi&atilde;o, parte dos v&iacute;deos das d&eacute;cadas de    1960 e 1970 usados na mostra, como a hist&oacute;rica apresenta&ccedil;&atilde;o    de <i>A Banda</i>, no Festival da TV Record, em 1968. Outra proje&ccedil;&atilde;o,    mostrada logo na abertura da exposi&ccedil;&atilde;o, &eacute; parte das filmagens    de <i>Cinebiografia</i> de Pereira dos Santos, n&atilde;o aproveitada na edi&ccedil;&atilde;o    final. </font></p>     <p><font size="3"><b>ARTISTA ATUAL</b> A iniciativa de montagem da exposi&ccedil;&atilde;o    coube ao presidente da Biblioteca Nacional, Pedro Corr&ecirc;a do Lago. "Poucos    artistas nacionais est&atilde;o t&atilde;o presentes na cultura do pa&iacute;s    quanto Chico Buarque nas &uacute;ltimas quatro d&eacute;cadas e talvez nenhum    suscite hoje tanto interesse em torno da sua obra", diz Lago. Para Suely    Dias, coordenadora-geral do evento, outra iniciativa semelhante &agrave; exposi&ccedil;&atilde;o    de Chico Buarque ocorreu recentemente com as obras do fot&oacute;grafo e desenhista    Vik Muniz. </font></p>     <p><font size="3"><b>VIDA DE SAMBISTA</b> O visitante percebe na mostra a influ&ecirc;ncia    de grandes sambistas, como Ataulfo Alves, Ismael Silva, Noel Rosa e Dorival    Caymmi na obra de Chico Buarque. Alguns recursos t&eacute;cnicos, como a incorpora&ccedil;&atilde;o    do som &agrave; exposi&ccedil;&atilde;o, propiciam um maior envolvimento no    universo do artista. O som ambiente &eacute; alternado com uma estrutura de    &aacute;udio, denominada <i>sound tube</i>, que direciona o som para locais    espec&iacute;ficos do pavilh&atilde;o. Isto proporciona ao visitante, por exemplo,    escutar sambas antigos associados a fotos e informa&ccedil;&otilde;es mostradas    em determinados pontos da exposi&ccedil;&atilde;o. </font></p>     <p><font size="3">Nesse sentido, textos de car&aacute;ter explicativo e dados    mais informativos s&atilde;o alternados com documentos como bilhetes recebidos    de admiradores como Clarice Lispector e Tom Jobim. Essa altern&acirc;ncia garante    leveza &agrave; exposi&ccedil;&atilde;o e talvez seja um dos fatores que tenha    levado o registro de visitas a virar um "livro de depoimentos" sobre    a experi&ecirc;ncia vivida pelo espectador, que encerra desde os lamentos femininos    mais expl&iacute;citos at&eacute; elogios &agrave; trajet&oacute;ria musical    e intelectual do artista. Podem ser encontradas desde frases como "Chico:    hoje fui tra&iacute;da pelo meu amor, obrigada por me consolar..." at&eacute;    afirma&ccedil;&otilde;es de que a exposi&ccedil;&atilde;o proporciona "uma    aula de hist&oacute;ria" e mostra um personagem "cheio de vida e engajamento".</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="3"><i>Daniel Chiozzini</i></font></p>     ]]></body>
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