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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v57n2/editor.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size=5><b>O</b></font><font size="3"> Brasil &eacute; &uacute;nico    e m&uacute;ltiplo na sua unicidade. &Eacute; tamb&eacute;m uno e multiplicado    na sua unidade. E, como j&aacute; foi longamente observado e atestado, a l&iacute;ngua    portuguesa, a l&iacute;ngua-p&aacute;tria-m&atilde;e-t&atilde;o distra&iacute;da,    &eacute; o bem cultural mais intang&iacute;vel e mais caro a essa coesa multiplica&ccedil;&atilde;o,    pela qual &eacute; respons&aacute;vel e &agrave; qual responde com firmezas    de igualdade e com meneios de dissimuladas indiferen&ccedil;as.</font></p>     <p><font size="3"> Por isso, o portugu&ecirc;s do Brasil &eacute; uno e m&uacute;ltiplo    como &eacute; m&uacute;ltiplo tamb&eacute;m o Brasil ling&uuml;&iacute;stico,    n&atilde;o s&oacute; pelas varia&ccedil;&otilde;es da l&iacute;ngua nacional,    que s&atilde;o muitas, ricas e din&acirc;micas, mas tamb&eacute;m pela variedade    de outras l&iacute;nguas, ind&iacute;genas, de imigra&ccedil;&atilde;o, ou mesmo    africanas, no que permaneceram como influ&ecirc;ncia, sobretudo, no l&eacute;xico    do portugu&ecirc;s. Ou ainda, caso da cup&oacute;pia do Cafund&oacute;, como    cristais &agrave; deriva no curso dos rios torrenciais da vasta e bela cultura    afro-brasileira brotando das fontes de tristeza cavadas pelo trabalho escravo    na hist&oacute;ria do pa&iacute;s.</font></p>     <p><font size="3"> Fernando Pessoa, em <i>A l&iacute;ngua portuguesa</i>, faz    uma distin&ccedil;&atilde;o entre l&iacute;ngua universal e l&iacute;ngua internacional.    Por essa distin&ccedil;&atilde;o, o portugu&ecirc;s &eacute; uma l&iacute;ngua    universal como outras l&iacute;nguas de alta cultura, como o franc&ecirc;s,    o alem&atilde;o e o ingl&ecirc;s. Mas &eacute;, contudo, uma l&iacute;ngua internacional,    da mesma forma que o &eacute; o ingl&ecirc;s hoje e como j&aacute; foi o franc&ecirc;s    no s&eacute;culo XIX e parte do s&eacute;culo XX. </font></p>     <p><font size="3">Quer dizer, em termos de conceitos contempor&acirc;neos, o portugu&ecirc;s    &eacute; uma l&iacute;ngua universal, mas n&atilde;o &eacute; global como acontece    com o ingl&ecirc;s na atualidade, que, desse modo, &eacute; uma esp&eacute;cie    de l&iacute;ngua franca transnacional e, nessa fun&ccedil;&atilde;o, se apresenta    com um vocabul&aacute;rio restrito de ao redor de 3 mil palavras enquanto, na    sua universalidade, tem mais de 400 mil.</font></p>     <p><font size="3"> Monta-se, desse modo, uma rela&ccedil;&atilde;o interessante    e paradoxal: quanto mais global, mais restrita, nessa fun&ccedil;&atilde;o,    &eacute; a l&iacute;ngua; quanto mais regional, mais ampla e universal &eacute;    a sua fun&ccedil;&atilde;o e seu funcionamento. Para entender esse mecanismo    e compreender o paradoxo &eacute; preciso percorrer com o fio da unidade o tecido    da multiplica&ccedil;&atilde;o das imagens de nossa diversidade cultural nas    l&iacute;nguas com que se costura a identidade do territ&oacute;rio nacional    e as dessemelhan&ccedil;as de nossas igualdades e diferen&ccedil;as em seu interior,    franjas, mares, montanhas, campos e cidades. </font></p>     <p><font size="3">O N&uacute;cleo Tem&aacute;tico, coordenado pelo professor Eduardo    Guimar&atilde;es, deste n&uacute;mero de <i>Ci&ecirc;ncia e Cultura</i>, &eacute;    dedicado a essas quest&otilde;es e constitui, pela qualidade dos artigos que    traz, uma importante contribui&ccedil;&atilde;o para o estudo do multiling&uuml;ismo    brasileiro. </font></p>     <p><font size="3">Notas e informa&ccedil;&otilde;es, reportagens e not&iacute;cias,    ci&ecirc;ncia, arte, prosa e poesia acompanham, como sempre, a unidade do n&uacute;cleo    com a diversidade do entorno. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp; </p>     <p align="right"><font size="3">C<small>ARLOS</small> V<small>OGT</small>    <BR>   <i>Editor chefe, abril de 2005</i></font></p>      ]]></body>

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