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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v57n2/nt_bra.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4"><b>Diferenciando sub&uacute;rbio de periferia</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><FONT SIZE="3">H&aacute; v&aacute;rios termos que expressam conceitos sobre os    espa&ccedil;os das cidades, mas que muitas vezes s&atilde;o usados de forma    incorreta. &Eacute; o caso da palavra sub&uacute;rbio que, etimologicamente,    significa o espa&ccedil;o que cerca uma cidade, mas esse sentido tem sido deturpado,    em especial no Rio de Janeiro, onde passou a designar a periferia.</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">&Eacute; o que diz Nelson N&oacute;brega Fernandes, professor    do Departamento de Geografia da Universidade Federal Fluminense: "A palavra    sub&uacute;rbio, no Rio, &eacute; muito mal resolvida e ganhou uma conota&ccedil;&atilde;o    muito forte de classe, at&eacute; meio pejorativa". </FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">Outra caracter&iacute;stica dos sub&uacute;rbios &eacute; a baixa    densidade de ocupa&ccedil;&atilde;o dessas &aacute;reas que, por essa raz&atilde;o,    podem abrigar pequenas propriedades agr&iacute;colas, condom&iacute;nios de    luxo, est&aacute;dios, parques, ou outro tipo de empreendimento que busque mais    espa&ccedil;o. Com a industrializa&ccedil;&atilde;o, por exemplo, formaram-se    sub&uacute;rbios industriais e oper&aacute;rios. A palavra traduz uma situa&ccedil;&atilde;o    intermedi&aacute;ria entre cidade e campo e n&atilde;o uma condi&ccedil;&atilde;o    s&oacute;cio-econ&ocirc;mica.</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">Mas, segundo Fernandes, com o crescimento das cidades, o que antes    era suburbano, vira urbano. Conforme a mancha urbana vai se ampliando, &aacute;reas    que antes se enquadravam nesses crit&eacute;rios, com uma intensa ocupa&ccedil;&atilde;o    e urbaniza&ccedil;&atilde;o, passam a se caracterizar como bairros, mas nem    por isso deixam de ser chamadas de sub&uacute;rbios. Al&eacute;m disso, at&eacute;    o in&iacute;cio do s&eacute;culo XX, o termo era utilizado para todas as &aacute;reas    perif&eacute;ricas da cidade, independente do uso do espa&ccedil;o. Com as reformas    urbanas, a partir das primeiras d&eacute;cadas do s&eacute;culo passado, a palavra    sub&uacute;rbio passa a ser usada para designar &aacute;reas servidas pela ferrovia.    </FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">No Rio, o setor Norte-Oeste fez com que se considerasse sub&uacute;rbio    um lugar onde h&aacute; um servi&ccedil;o de transporte urbano — o trem — e    onde supostamente morariam as classes sociais menos abastadas, perdendo assim    o seu car&aacute;ter geogr&aacute;fico. J&aacute; em S&atilde;o Paulo, sub&uacute;rbios    s&atilde;o os munic&iacute;pios formados a partir da constru&ccedil;&atilde;o    da linha f&eacute;rrea que ligava a capital ao interior. </FONT></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><FONT SIZE="3">No contexto brasileiro, a palavra periferia &eacute; algo t&iacute;pico    do processo de metropoliza&ccedil;&atilde;o dos anos 1960-70. O termo tem sido    usado para designar loteamentos clandestinos, ou favelas localizadas em &aacute;reas    mais centrais, onde vive uma popula&ccedil;&atilde;o de baixa renda. </FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">Para Manoel Lemes da Silva, professor de planejamento urbano e    regional, da Faculdade S&atilde;o Marcos, de S&atilde;o Paulo, o termo periferia    carrega consigo um sentido pol&iacute;tico, econ&ocirc;mico e social que o sub&uacute;rbio    em princ&iacute;pio, n&atilde;o tem. "N&atilde;o d&aacute; para pensar    em periferia sem pensar em centro. &Eacute; um par dial&eacute;tico que faz    parte dos fundamentos da teoria do desenvolvimento econ&ocirc;mico", diz    o professor.</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">Em termos mundiais, o conceito de periferia foi refor&ccedil;ado    ap&oacute;s as duas grandes guerras e acirrado com a Guerra Fria, destinando    o status de centro &agrave;queles pa&iacute;ses de maior poder econ&ocirc;mico    e militar, e de perif&eacute;rico aos mais pobres, dependentes, com problemas    de infra-estrutura, segundo Silva. Nas cidades, o conceito se aplica ao espa&ccedil;o    onde est&aacute; o centro econ&ocirc;mico de poder. Do lado oposto, estaria    a periferia. Silva afirma que o conceito surgiu na tentativa de tornar toler&aacute;veis    a manuten&ccedil;&atilde;o de cidades ao Estado. Mas o que se tem na verdade,    &eacute; uma perpetua&ccedil;&atilde;o das desigualdades sociais e econ&ocirc;micas.</FONT></p>     <p>&nbsp;</p>     <p ALIGN="RIGHT"><FONT SIZE="3"><b><i>Simone Pallone</i></b></FONT></p>      ]]></body>
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