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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Divulgação científica: um grande desafio para este século]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v57n2/mundo.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v57n2/a25img01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">ENTREVISTA</font></p>     <p><img src="/img/revistas/cic/v57n2/linhapt.gif"></p>     <p><font size="4"><b>Divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica: um grande desafio    para este s&eacute;culo </b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">"Se queremos realmente uma sociedade democr&aacute;tica,    &eacute; preciso que todos entendam a ci&ecirc;ncia", defende o jornalista    espanhol Manuel Calvo Hernando, atuante divulgador da ci&ecirc;ncia ao longo    das &uacute;ltimas cinco d&eacute;cadas e um dos &iacute;cones do jornalismo    cient&iacute;fico na Am&eacute;rica Latina. Nascido em Madri em 1923, Calvo    Hernando esteve &agrave; frente de diversas iniciativas na &aacute;rea. Em 1969,    fez parte do grupo que fundou a Associa&ccedil;&atilde;o Ibero-americana de    Jornalismo Cient&iacute;fico e, dois anos depois, a cong&ecirc;nere espanhola    que presidiu at&eacute; 2004; hoje, &eacute; o presidente de honra da entidade.    Participou da cria&ccedil;&atilde;o de associa&ccedil;&otilde;es equivalentes    em pa&iacute;ses latino-americanos. Escreveu 30 livros e cerca de 8 mil artigos    e reportagens para jornais, revistas, ag&ecirc;ncias de not&iacute;cias, r&aacute;dio    e televis&atilde;o, al&eacute;m de ter presen&ccedil;a constante em encontros    e reuni&otilde;es relacionados &agrave; divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><FONT SIZE="3"><b><i>Como se deu seu envolvimento com o jornalismo cient&iacute;fico?</i></b></FONT></p>     <p><font size="3">Estudei direito e fiz especializa&ccedil;&atilde;o em jornalismo.    Comecei no in&iacute;cio dos anos 1940. Em 1955, quando trabalhava como redator    no jornal de Madri Ya, li uma not&iacute;cia sobre a Confer&ecirc;ncia Mundial    de Usos Pac&iacute;ficos da Energia At&ocirc;mica, organizada pela ONU, que    aconteceria naquele ano em Genebra. Havia se passado dez anos das bombas at&ocirc;micas    de Hiroshima e Nagazaki. Nesse per&iacute;odo, as pessoas estavam t&atilde;o    aborrecidas com o ocorrido que praticamente n&atilde;o falavam mais no assunto.    Tive a impress&atilde;o de que estariam na confer&ecirc;ncia muitos cientistas    importantes. Ent&atilde;o, peguei um trem para Genebra. Quando cheguei ao Pal&aacute;cio    das Na&ccedil;&otilde;es para a confer&ecirc;ncia, a organiza&ccedil;&atilde;o    do evento me entregou um monte de textos escritos por especialistas no assunto.    Lendo esses textos, os participantes poderiam entender o que seria falado ali,    mesmo que n&atilde;o tivessem uma forma&ccedil;&atilde;o na &aacute;rea. Escrevi    15 cr&ocirc;nicas para o jornal sem fazer grande esfor&ccedil;o, pois j&aacute;    haviam me dado todas as informa&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias. Foi a    primeira vez que percebi que o jornalismo cient&iacute;fico era poss&iacute;vel.    E que eu podia fazer aquilo perfeitamente. </font></p>     <p><FONT SIZE="3"><b><i>Foi ent&atilde;o que o senhor passou a escrever sobre    ci&ecirc;ncia?</i></b></FONT></p>     <p><font size="3">Naquele mesmo ano, em outubro, a Universidade Complutense de    Madri, a &uacute;nica at&eacute; ent&atilde;o com o curso de jornalismo, organizou    um semin&aacute;rio sobre a import&acirc;ncia da divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica,    que reuniu cerca de cem professores e profissionais de universidades europ&eacute;ias    e norte-americanas. Isto me mostrou que o tema interessava v&aacute;rios pa&iacute;ses    do mundo. Dois anos depois, me dei conta de que j&aacute; n&atilde;o estava    mais escrevendo nada sobre cultura nem sobre pol&iacute;tica; s&oacute; escrevia    mat&eacute;rias de ci&ecirc;ncias. E assim sigo at&eacute; hoje. Agora &eacute;    uma esp&eacute;cie de casamento antigo – e ser&aacute; dif&iacute;cil separar    este casal. </font></p>     <p><FONT SIZE="3"><b><i>Como era o jornalismo cient&iacute;fico quando o senhor    ingressou na &aacute;rea?</i></b></FONT></p>     <p><font size="3">Quando comecei a trabalhar em jornalismo, n&atilde;o havia na    imprensa espanhola colunas dedicadas ao jornalismo cient&iacute;fico, embora    alguns escritores e cientistas publicassem textos dessa natureza. Quando se    produzia algum feito importante no mundo da ci&ecirc;ncia e da tecnologia, o    diretor ou o chefe de reda&ccedil;&atilde;o do jornal pedia um texto sobre o    tema, em geral diretamente a cientistas. </font></p>     <p><FONT SIZE="3"><b><i>Ent&atilde;o houve muitos avan&ccedil;os desde aquela    &eacute;poca?</i></b></FONT></p>     <p><font size="3">Avan&ccedil;amos muito, mas n&atilde;o o necess&aacute;rio.    Tudo est&aacute; muito mudado e &eacute; claro que existe uma demanda muito    maior. Gostaria que a divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica fosse muito    mais ampla, e que as pessoas tivessem consci&ecirc;ncia do quanto t&ecirc;m    a ganhar com a informa&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica. Uma vez escrevi que    a informa&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica deveria ser t&atilde;o importante    quanto as not&iacute;cias esportivas. Tenho a impress&atilde;o que a divulga&ccedil;&atilde;o    da ci&ecirc;ncia &eacute; um dos grandes desafios do s&eacute;culo XXI pois,    se queremos realmente uma sociedade democr&aacute;tica, &eacute; preciso que    todos entendam a ci&ecirc;ncia. Caso contr&aacute;rio, n&atilde;o alcan&ccedil;aremos    a democracia cultural. </font></p>     <p><FONT SIZE="3"><b><i>O que &eacute; preciso para alfabetizar cientificamente    a sociedade?</i></b></FONT></p>     <p><font size="3">O ponto-chave &eacute; a divulga&ccedil;&atilde;o para todos.    Depois, &eacute; preciso criar uma consci&ecirc;ncia p&uacute;blica sobre o    valor da ci&ecirc;ncia. As pessoas sabem muito pouco. Nos Estados Unidos, apesar    de toda a produ&ccedil;&atilde;o de conhecimento, h&aacute; uma falta de consci&ecirc;ncia    cient&iacute;fica na sociedade. A cultura cient&iacute;fica deveria fazer parte    da cultura popular. Mas, na verdade, os que se preocupam com a ci&ecirc;ncia    fazem parte de uma minoria. Somos uma minoria; quando formos maioria, mudaremos    o mundo. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><FONT SIZE="3"><b><i>A reduzida cultura cient&iacute;fica nos pa&iacute;ses    em desenvolvimento &eacute; um problema grave. H&aacute; uma mobiliza&ccedil;&atilde;o    para se mudar esse quadro?</i></b></FONT></p>     <p><font size="3">Nas d&eacute;cadas de 1960 e 1970, v&aacute;rios pa&iacute;ses    da Am&eacute;rica Latina come&ccedil;aram a desenvolver um programa de jornalismo    cient&iacute;fico. O ponto de partida foi um semin&aacute;rio de jornalismo    cient&iacute;fico, no Chile, em 1962. Depois vieram cursos na Col&ocirc;mbia,    no Peru e no Chile. Em 1979, fizemos em Bogot&aacute; uma mesa-redonda em prol    da cria&ccedil;&atilde;o de uma consci&ecirc;ncia p&uacute;blica sobre o valor    da pesquisa cient&iacute;fica. Eu era o &uacute;nico especialista europeu; todos    os outros eram da Am&eacute;rica Latina. Desse encontro surgiu o Centro Internacional    de Prepara&ccedil;&atilde;o de Materiais sobre Ci&ecirc;ncia e Tecnologia para    a Imprensa (CIMPEC), criado pela Organiza&ccedil;&atilde;o dos Estados Americanos    (OEA) e pelo governo colombiano. Mas, depois de algum tempo, quando o fundador    e diretor do centro, Josu&eacute; Mu&ntilde;oz Quevedo, morreu, tudo acabou.    Eu costumava receber semanalmente pelos correios uma esp&eacute;cie de boletim,    com not&iacute;cias, reportagens e entrevistas sobre aspectos da ci&ecirc;ncia,    todos escritos de forma jornal&iacute;stica. Mas todas essas iniciativas, extremamente    positivas para o jornalismo cient&iacute;fico, acabaram. </font></p>     <p><FONT SIZE="3"><b><i>Como o senhor avalia as iniciativas atuais de divulga&ccedil;&atilde;o    cient&iacute;fica na Am&eacute;rica Latina? </i></b></FONT></p>     <p><font size="3">Os pa&iacute;ses latinos que mais trabalham com a divulga&ccedil;&atilde;o    cient&iacute;fica s&atilde;o Brasil, onde se criou, em 1977, a Associa&ccedil;&atilde;o    Brasileira de Jornalismo Cient&iacute;fico (ABJC), e M&eacute;xico, que tem    uma tradi&ccedil;&atilde;o de divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica que    une muita gente. L&aacute; existe a Sociedade Mexicana para a Divulga&ccedil;&atilde;o    da Ci&ecirc;ncia e da Tecnologia (Somedicyt), que realiza anualmente um congresso    de divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica. Al&eacute;m disso, a &uacute;nica    universidade que conhe&ccedil;o que tem uma dire&ccedil;&atilde;o geral de divulga&ccedil;&atilde;o    cient&iacute;fica est&aacute; l&aacute; – a Universidade Nacional Aut&ocirc;noma    do M&eacute;xico. L&aacute;, publicam-se livros excelentes. S&atilde;o poucos    – normalmente um por ano –, mas de qualidade muito boa. H&aacute; um, publicado    em 1999, da professora Ana Mar&iacute;a S&aacute;nchez Mora, que &eacute; uma    del&iacute;cia: <i>La divulgaci&oacute;n de la ciencia como literatura</i>.    </font></p>     <p><FONT SIZE="3"><b><i>E como est&atilde;o os outros pa&iacute;ses latino-americanos    em termos de divulga&ccedil;&atilde;o da ci&ecirc;ncia?</i></b></FONT></p>     <p><font size="3">A Venezuela, no come&ccedil;o dos anos 1970, foi l&iacute;der    em divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica. Havia um jornalista (Ar&iacute;stides    Bastidas) que, mesmo sem ter forma&ccedil;&atilde;o universit&aacute;ria, tinha    uma atua&ccedil;&atilde;o incr&iacute;vel na divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica.    Escrevia uma coluna di&aacute;ria no jornal <i>El Nacional</i>, de Caracas.    Nos &uacute;ltimos anos de sua vida, j&aacute; cego e com a sa&uacute;de deteriorada,    continuou difundindo o conhecimento cient&iacute;fico. Na Col&ocirc;mbia, tivemos    uma &eacute;poca boa, tamb&eacute;m, com congressos e atividades... Mas n&atilde;o    houve continuidade, pelo menos n&atilde;o de forma t&atilde;o intensa. Na Argentina,    havia alguns bons jornalistas, bons escritores cient&iacute;ficos, mas eram    casos isolados. Nunca houve uma institui&ccedil;&atilde;o e tampouco uma universidade    que fizesse projeto na &aacute;rea. Agora, em algumas pequenas universidades    do sul do pa&iacute;s, come&ccedil;a a surgir um certo interesse. No Chile,    houve o semin&aacute;rio de jornalismo cient&iacute;fico em 1962 com excelentes    divulgadores. Em alguns pa&iacute;ses, no entanto, n&atilde;o conseguimos implantar    iniciativas. &Eacute; o caso da Bol&iacute;via e do Peru. No Equador h&aacute;    um importante centro de forma&ccedil;&atilde;o chamado Centro Internacional    de Estudos Superiores de Comunica&ccedil;&atilde;o para a Am&eacute;rica Latina    (Ciespal). Com respaldo dessa organiza&ccedil;&atilde;o, foi realizado em 1965    o primeiro curso de jornalismo cient&iacute;fico em Quito. No Peru e no Uruguai    n&atilde;o existe nenhuma. &Eacute; claro que h&aacute; muita gente interessada,    escrevendo sobre temas de ci&ecirc;ncia e tecnologia no principal jornal do    pa&iacute;s, e t&ecirc;m aqueles, como a uruguaia Patricia Linn, que s&atilde;o    docentes interessados em divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica. Tenho vontade    de juntar essas pessoas e criar uma associa&ccedil;&atilde;o que atue de fato.    A associa&ccedil;&atilde;o que existe no Paraguai tampouco faz alguma coisa.    </font></p>     <p><FONT SIZE="3"><b><i>Como o senhor v&ecirc; a forma&ccedil;&atilde;o de divulgadores    da ci&ecirc;ncia?</i></b></FONT></p>     <p><font size="3">Tenho d&uacute;vida quanto &agrave; forma&ccedil;&atilde;o dos    divulgadores... Para mim, os jornalistas deveriam ter uma forma&ccedil;&atilde;o    cient&iacute;fica e os cientistas uma forma&ccedil;&atilde;o jornal&iacute;stica.    Por essa raz&atilde;o, estamos (a Associa&ccedil;&atilde;o Espanhola de Jornalismo    Cient&iacute;fico, com apoio do Minist&eacute;rio de Educa&ccedil;&atilde;o    e Ci&ecirc;ncia da Espanha) realizando uma s&eacute;rie de palestras na Universidade    Carlos III, em Madri. Sei que isto &eacute; pouco, mas algumas universidades    j&aacute; come&ccedil;aram a se interessar pela iniciativa. Uma em Val&ecirc;ncia,    duas em Barcelona, uma em Sevilha e outra em M&uacute;rcia. As faculdades deviam    levar isso a s&eacute;rio, talvez at&eacute; criar uma mat&eacute;ria de divulga&ccedil;&atilde;o    cient&iacute;fica optativa ou, quem sabe, obrigat&oacute;ria mesmo. Na Espanha,    as universidades polit&eacute;cnicas jamais se preocuparam em ensinar seus alunos    a difundir seus conhecimentos espec&iacute;ficos ao grande p&uacute;blico. Isto    seria muito importante, pois os cientistas devem estar preparados para se comunicarem    com qualquer p&uacute;blico. </font></p>     <p><FONT SIZE="3"><b><i>E como deveria ser a forma&ccedil;&atilde;o dos jornalistas    cient&iacute;ficos? </i></b></FONT></p>     <p><font size="3">Como os campos cient&iacute;ficos s&atilde;o muito espec&iacute;ficos,    n&atilde;o me parece adequado que os jornalistas sejam formados em cursos de    ci&ecirc;ncia. Mas os jornalistas deveriam fazer uma disciplina de hist&oacute;ria    da ci&ecirc;ncia e metodologia cient&iacute;fica e, depois, fazer como fiz:    escolher quatro ou cinco disciplinas – como f&iacute;sica, latim, filosofia    ou matem&aacute;tica – que, mais tarde, possam servir de base para todo o resto.    A partir do momento em que os comunicadores entenderem e souberem o que &eacute;    a ci&ecirc;ncia e o m&eacute;todo cient&iacute;fico, poder&atilde;o se especializar    na &aacute;rea de seu interesse. A Universidade de Salamanca criou um mestrado    que vai al&eacute;m do jornalismo cient&iacute;fico, abrangendo outras disciplinas    mais complexas, como filosofia da ci&ecirc;ncia. A Universidade Pompeu Fabra,    em Barcelona, oferece cursos de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em jornalismo    ambiental e sanit&aacute;rio, que equivale a jornalismo cient&iacute;fico. Na    Universidade de Val&ecirc;ncia, o jornalismo cient&iacute;fico faz parte da    grade de mat&eacute;rias do curso de jornalismo, coisa que as universidades    norte-americanas v&ecirc;m reclamando desde 1964. Continuo insistindo, no entanto,    que o contr&aacute;rio tamb&eacute;m deve ser feito. Os cientistas deveriam    ter uma forma&ccedil;&atilde;o em comunica&ccedil;&atilde;o e tamb&eacute;m    assistir disciplinas da comunica&ccedil;&atilde;o. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><FONT SIZE="3"><b><i>Na sua avalia&ccedil;&atilde;o, houve uma melhora na qualidade    do jornalismo cient&iacute;fico desde o in&iacute;cio de sua carreira? </i></b>    </FONT></p>     <p><font size="3">Acho que a qualidade vem melhorando. O suplemento de ci&ecirc;ncias    do <i>El Pa&iacute;s</i>, na Espanha, &eacute; excelente. Ele &eacute; feito    por duas jornalistas que nada t&ecirc;m de cientistas, mas t&ecirc;m uma &oacute;tima    assessoria e escrevem muito bem. Mas creio que a ci&ecirc;ncia n&atilde;o devia    estar separada em um suplemento e sim espalhada por todo o jornal. Isto porque    s&oacute; l&ecirc; se&ccedil;&otilde;es de ci&ecirc;ncia quem tem interesse    pelo tema; se as reportagens de ci&ecirc;ncia estiverem espalhadas por todo    o jornal, poderemos atrair a aten&ccedil;&atilde;o de outras pessoas. H&aacute;    jornais que dedicam bastante espa&ccedil;o para ci&ecirc;ncia, dependendo da    sensibilidade dos diretores. Uma vez, o propriet&aacute;rio de uma cadeia de    jornais, r&aacute;dio e televis&atilde;o no M&eacute;xico, amigo meu, ia receber    uma esp&eacute;cie de apoio do governo para publicar algumas p&aacute;ginas    de ci&ecirc;ncias em seu jornal. Ele me disse uma coisa que nunca vou esquecer.    Falou que n&atilde;o necessitava do apoio do governo, o que precisava era de    jornalistas preparados. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><i>*Entrevista concedida a Luisa Massarani e Ildeu de Castro    Moreira. Edi&ccedil;&atilde;o de texto de Carla Almeida , do Centro de Estudos    do Museu da Vida/Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz. </i></font></p>      ]]></body>
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