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</front><body><![CDATA[ <P align="center"><FONT SIZE="5"><b>APRESENTA&Ccedil;&Atilde;O</b></font></P>     <P align="center"><FONT SIZE="5"><b>BRASIL: PA&Iacute;S MULTIL&Iacute;NG&Uuml;E</b></font></P>     <P align="center"><FONT SIZE="3"><b>Eduardo Guimar&atilde;es</b></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P>&nbsp;</P>     <P><FONT SIZE="5"><b>O</b></font><FONT SIZE="3"> Brasil &eacute; um pa&iacute;s    multil&iacute;ng&uuml;e. Esta caracter&iacute;stica ling&uuml;&iacute;stica    &eacute; significada politicamente pela tens&atilde;o hist&oacute;rica entre    um imagin&aacute;rio de unidade, comum a um grande n&uacute;mero de pa&iacute;ses    contempor&acirc;neos, e uma divis&atilde;o das l&iacute;nguas e de seus falantes.    Esse imagin&aacute;rio de unidade &eacute; parte da constru&ccedil;&atilde;o    das identidades nacionais modernas.</font></P>     <P><FONT SIZE="3">O objetivo deste n&uacute;mero de <i>Ci&ecirc;ncia e Cultura</i>    &eacute; apresentar e interpretar o multiling&uuml;ismo brasileiro com a finalidade    de caracterizar sua especificidade, enquanto um fato pr&oacute;prio do funcionamento    de rela&ccedil;&otilde;es de l&iacute;nguas. Trata-se, ent&atilde;o, de pensar    a pol&iacute;tica das l&iacute;nguas no espa&ccedil;o brasileiro.</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">As l&iacute;nguas s&atilde;o afetadas, no seu funcionamento,    por condi&ccedil;&otilde;es hist&oacute;ricas espec&iacute;ficas. Para mim,    as l&iacute;nguas funcionam segundo o modo de distribui&ccedil;&atilde;o para    seus falantes. Elas s&atilde;o objetos hist&oacute;ricos e est&atilde;o sempre    relacionadas inseparavelmente daqueles que as falam. &Eacute; por isso que as    l&iacute;nguas s&atilde;o elementos fortes no processo de identifica&ccedil;&atilde;o    social dos grupos humanos. Isto caracteriza o que &eacute;, para mim, o espa&ccedil;o    de enuncia&ccedil;&atilde;o.</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">Para falar dessa distribui&ccedil;&atilde;o das l&iacute;nguas    para seus falantes, podem ser consideradas algumas categorias normalmente usadas    de modo, &agrave;s vezes, t&aacute;cito e n&atilde;o definido. Vou apresentar    quatro dessas categorias, dando delas uma defini&ccedil;&atilde;o mesmo que    provis&oacute;ria. <i>L&iacute;ngua materna</i>: &eacute; a l&iacute;ngua cujos    falantes a praticam pelo fato de a sociedade em que se nasce a praticar; nesta    medida ela &eacute;, em geral, a l&iacute;ngua que se representa como primeira    para seus falantes. <i>L&iacute;ngua franca</i>: &eacute; aquela que &eacute;    praticada por grupos de falantes de l&iacute;nguas maternas diferentes, e que    s&atilde;o falantes dessa l&iacute;ngua para o intercurso comum. <i>L&iacute;ngua    nacional</i>: &eacute; a l&iacute;ngua de um povo, enquanto l&iacute;ngua que    o caracteriza, que d&aacute; a seus falantes uma rela&ccedil;&atilde;o de pertencer    a esse povo. <i>L&iacute;ngua oficial</i>: &eacute; a l&iacute;ngua de um Estado,    aquela que &eacute; obrigat&oacute;ria nas a&ccedil;&otilde;es formais do Estado,    nos seus atos legais. Pode-se ver que as duas primeiras categorias tratam das    rela&ccedil;&otilde;es cotidianas entre falantes e as duas seguintes de suas    rela&ccedil;&otilde;es imagin&aacute;rias (ideol&oacute;gicas) e institucionais.</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">Do ponto de vista dessas defini&ccedil;&otilde;es, a l&iacute;ngua    materna de um grupo de falantes n&atilde;o &eacute; necessariamente igual &agrave;    l&iacute;ngua nacional, ou oficial desse mesmo grupo. Sequer a l&iacute;ngua    nacional &eacute; necessariamente igual &agrave; l&iacute;ngua oficial.</FONT></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><FONT SIZE="3">Feita essa caracteriza&ccedil;&atilde;o, pode-se considerar    que o espa&ccedil;o de enuncia&ccedil;&atilde;o &eacute; o modo de distribuir,    segundo as defini&ccedil;&otilde;es acima, as l&iacute;nguas em rela&ccedil;&atilde;o.    E esse modo de distribui&ccedil;&atilde;o &eacute; elemento decisivo do funcionamento    de todas as l&iacute;nguas relacionadas. Esta distribui&ccedil;&atilde;o das    l&iacute;nguas para seus falantes &eacute; sempre desigual. O espa&ccedil;o    de enuncia&ccedil;&atilde;o &eacute;, assim, pol&iacute;tico.</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">Como dissemos, o fato de as l&iacute;nguas se dividirem no espa&ccedil;o    de enuncia&ccedil;&atilde;o em que funcionam faz parte do modo como se modificam    e se tornam outras. Na hist&oacute;ria dos estudos desses resultados das rela&ccedil;&otilde;es    de l&iacute;nguas, a ling&uuml;&iacute;stica passou a considerar dois casos    de modo espec&iacute;fico, os pidgins e os crioulos. Os pidgins s&atilde;o l&iacute;nguas    resultantes de uma rela&ccedil;&atilde;o de l&iacute;nguas diferentes e que    funcionam entre falantes de l&iacute;nguas maternas diferentes para as finalidades    espec&iacute;ficas dos contatos entre eles. Os crioulos s&atilde;o tamb&eacute;m    l&iacute;nguas resultantes de uma rela&ccedil;&atilde;o de l&iacute;nguas diferentes    e que se estabilizam como l&iacute;ngua materna de um grupo espec&iacute;fico    de falantes. Deste modo o crioulo passa a ter um funcionamento generalizado    que pode chegar a ser como o das l&iacute;nguas que o produziram.</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">O espa&ccedil;o de enuncia&ccedil;&atilde;o do Brasil tem suas    particularidades. Nele funcionam o portugu&ecirc;s, l&iacute;ngua oficial e    nacional e l&iacute;ngua materna da grande maioria dos brasileiros, l&iacute;nguas    ind&iacute;genas, l&iacute;nguas de imigra&ccedil;&atilde;o, l&iacute;nguas    de fronteira, e, mesmo que precariamente, l&iacute;nguas africanas. Mas essas    l&iacute;nguas, ao funcionarem nesse espa&ccedil;o espec&iacute;fico, se modificam    em virtude das rela&ccedil;&otilde;es particulares que t&ecirc;m, em virtude    da rela&ccedil;&atilde;o de seus falantes uns com os outros. Entre essas hist&oacute;rias    de rela&ccedil;&otilde;es, podemos destacar a do portugu&ecirc;s com as l&iacute;nguas    ind&iacute;genas, a do portugu&ecirc;s com as l&iacute;nguas africanas, a do    portugu&ecirc;s com as l&iacute;nguas de imigra&ccedil;&atilde;o, e a do portugu&ecirc;s    com as l&iacute;nguas de pa&iacute;ses vizinhos (1). </FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">O conjunto de textos que constituem este N&uacute;cleo Tem&aacute;tico    mostra como o portugu&ecirc;s, dado como l&iacute;ngua materna do Brasil, n&atilde;o    &eacute; necessariamente l&iacute;ngua materna de todos os brasileiros, embora    seja sempre, para todos, a l&iacute;ngua nacional e oficial do Brasil, mesmo    para os que n&atilde;o a falam. Por outro lado, ela est&aacute; em rela&ccedil;&atilde;o    com um grande n&uacute;mero de l&iacute;nguas de modos bastante diferentes.    A caracter&iacute;stica fundamental desse conjunto de rela&ccedil;&otilde;es    &eacute; que o portugu&ecirc;s, enquanto l&iacute;ngua oficial e nacional, e    enquanto o imagin&aacute;rio de unidade, sobrep&otilde;e seu car&aacute;ter    de l&iacute;ngua oficial e nacional ao de l&iacute;ngua materna, e &eacute;    distribu&iacute;do para seus falantes como politicamente dominante. Isto faz    com que a distribui&ccedil;&atilde;o das outras l&iacute;nguas para seus falantes    seja significada por um car&aacute;ter de "inferioridade".</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">No primeiro texto, "A l&iacute;ngua portuguesa no Brasil",    procuro apresentar uma hist&oacute;ria espec&iacute;fica do portugu&ecirc;s    no Brasil, que se constitui primeiro como l&iacute;ngua oficial, depois como    l&iacute;ngua nacional e, assim, como l&iacute;ngua materna da maioria dos brasileiros.    Detenho-me tamb&eacute;m, em algumas caracter&iacute;sticas do portugu&ecirc;s    brasileiro tomadas de um ponto de vista de uma diferen&ccedil;a, em bloco, com    o portugu&ecirc;s europeu (de Portugal) (2).</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">Em seguida, Eni Orlandi, em "A l&iacute;ngua brasileira",    reflete, de um ponto de vista discursivo, sobre a quest&atilde;o do imagin&aacute;rio    da l&iacute;ngua nacional que se apresenta em torno do nome da l&iacute;ngua:    brasileira ou portuguesa. Est&aacute; no centro dessa quest&atilde;o a constitui&ccedil;&atilde;o    de uma l&iacute;ngua nacional para o Brasil.</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">No terceiro texto, "Variedades do portugu&ecirc;s no mundo    e no Brasil", Emilio Pagotto mostra a hist&oacute;ria de rela&ccedil;&otilde;es    e mudan&ccedil;as do portugu&ecirc;s no mundo e no Brasil, apontando para o    fato de que o pr&oacute;prio portugu&ecirc;s no Brasil n&atilde;o &eacute; uno,    homog&ecirc;neo, estando exposto &agrave;s mudan&ccedil;as pr&oacute;prias dos    processos ling&uuml;&iacute;sticos.</FONT></P>     <P>&nbsp;</P>     <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v57n2/a10img01.gif"></P>     <P>&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><FONT SIZE="3">Em "Sobre as l&iacute;nguas ind&iacute;genas e sua pesquisa    no Brasil", Aryon Rodrigues nos d&aacute; uma vis&atilde;o geral da hist&oacute;ria    do conjunto das l&iacute;nguas ind&iacute;genas brasileiras. Primeiro aborda    o quadro das l&iacute;nguas no in&iacute;cio da coloniza&ccedil;&atilde;o portuguesa    e, em seguida, na atualidade. Completa seu texto uma apresenta&ccedil;&atilde;o    da &aacute;rea de pesquisa sobre l&iacute;nguas ind&iacute;genas no pa&iacute;s.    </FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">Carlos Vogt e Peter Fry, em "As formas de express&atilde;o    na 'l&iacute;ngua' africana do Cafund&oacute;", apresentam as caracter&iacute;sticas    de uma l&iacute;ngua resultante da rela&ccedil;&atilde;o de l&iacute;nguas africanas    com o portugu&ecirc;s, a l&iacute;ngua do Cafund&oacute;. Como os pr&oacute;prios    autores referem, as l&iacute;nguas africanas n&atilde;o permaneceram no uso    corrente, no Brasil, ficando somente presente em funcionamentos rituais. Essa    l&iacute;ngua do Cafund&oacute;, no entanto, tem um funcionamento n&atilde;o    ritual, mesmo que restrito. </FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">A hist&oacute;ria da rela&ccedil;&atilde;o das l&iacute;nguas    ind&iacute;genas e africanas com o portugu&ecirc;s est&aacute; ligada a um processo    caracterizado pela proemin&ecirc;ncia pol&iacute;tica, de poder, da l&iacute;ngua    portuguesa relativamente a esse conjunto de l&iacute;nguas. Como dissemos acima,    o portugu&ecirc;s &eacute; a l&iacute;ngua do Estado, estabelecida como l&iacute;ngua    oficial, j&aacute; no per&iacute;odo de coloniza&ccedil;&atilde;o. A partir    do s&eacute;culo XIX esta l&iacute;ngua passa a ser tamb&eacute;m a l&iacute;ngua    nacional e, mais que isso, &eacute; significada como l&iacute;ngua materna de    todos os brasileiros, mesmo que n&atilde;o o seja de fato. Quanto &agrave;s    l&iacute;nguas africanas, h&aacute; algo a mais, ligado a seu modo de presen&ccedil;a    no Brasil, eram l&iacute;nguas cujos falantes eram escravos e, assim, exclu&iacute;dos    do direito de falar em p&uacute;blico.</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">Passamos em seguida a uma outra dimens&atilde;o do multiling&uuml;ismo    brasileiro: as l&iacute;nguas de imigra&ccedil;&atilde;o. Este &eacute; o objeto    de "L&iacute;nguas de imigrantes" de Carmen Zink e Maria Onice Payer.    Essas l&iacute;nguas t&ecirc;m com o portugu&ecirc;s uma outra rela&ccedil;&atilde;o,    s&atilde;o l&iacute;nguas nacionais nos pa&iacute;ses de origem dos imigrantes    e seus falantes v&ecirc;m para o Brasil para atividades absolutamente integradas    ao sistema produtivo brasileiro. Disto resulta variadas formas de conviv&ecirc;ncia    dessas l&iacute;nguas com o portugu&ecirc;s.</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">O &uacute;ltimo texto, "L&iacute;nguas de fronteira: o    desconhecido territ&oacute;rio das pr&aacute;ticas ling&uuml;&iacute;sticas    nas fronteiras brasileiras" de Eliana Sturza, traz uma outra realidade:    a das rela&ccedil;&otilde;es internacionais entre pa&iacute;ses de l&iacute;nguas    diferentes. Nesse texto s&atilde;o tratadas as quest&otilde;es dessas l&iacute;nguas    de fronteira resultantes de um embate ling&uuml;&iacute;stico muito particular,    ligado &agrave; pr&oacute;pria hist&oacute;ria da constitui&ccedil;&atilde;o    do Brasil. E, assim, vamos ver que o portugu&ecirc;s &eacute; tamb&eacute;m    falado em outros pa&iacute;ses da Am&eacute;rica Latina.</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">O conjunto dos textos aqui reunidos faz-se de pontos de vista    te&oacute;ricos n&atilde;o-homog&ecirc;neos, o que traz para a reflex&atilde;o,    al&eacute;m de um conjunto de conhecimentos estabelecidos sobre a quest&atilde;o,    um debate interessante sobre a pr&oacute;pria natureza desse fato aqui abordado,    a quest&atilde;o do funcionamento das l&iacute;nguas em espa&ccedil;os multil&iacute;ng&uuml;es.    Por outro lado, chegamos a uma possibilidade de acompanhar como a tens&atilde;o    entre a unidade e a diversidade ling&uuml;&iacute;stica tem muitos aspectos    a serem considerados, sendo um dom&iacute;nio extremamente rico para pensar    a linguagem e o Brasil. E mostra tamb&eacute;m o quanto a discuss&atilde;o sobre    esses aspectos ling&uuml;&iacute;sticos &eacute; muitas vezes reduzido, por    um olhar normativo pobre sobre o funcionamento hist&oacute;rico das l&iacute;nguas,    a um m&iacute;nimo desprovido de maiores interesses.</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">A complexidade das condi&ccedil;&otilde;es de funcionamento    hist&oacute;rico das l&iacute;nguas no espa&ccedil;o de enuncia&ccedil;&atilde;o    brasileiro pode ser seguido, de um lado, pelo fato de que se transporta uma    l&iacute;ngua de um espa&ccedil;o a outro, e assim sua situa&ccedil;&atilde;o    enunciativa &eacute; outra, sua rela&ccedil;&atilde;o com a realidade &eacute;    outra (tal como nos mostra Orlandi), ao mesmo tempo ela entra em contato com    outras l&iacute;nguas e seus falantes (&eacute; o que nos traz de modos diferentes    Rodrigues, Vogt e Fry, de um lado, e Zink, Payer e Sturza, de outro), e tudo    isso tem a ver com as mudan&ccedil;as que ela sofre e com as divis&otilde;es    que acabam por afet&aacute;-la (tal como mostram Pagotto e Guimar&atilde;es).</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">Se os textos aqui trazidos d&atilde;o conta de um importante    conhecimento sobre a hist&oacute;ria do funcionamento das l&iacute;nguas no    Brasil, mostram, tamb&eacute;m, como h&aacute; coisas importantes a fazer nesse    dom&iacute;nio, como refletir sobre quest&otilde;es te&oacute;ricas que podem    nos levar, pela pr&oacute;pria especificidade das perguntas a responder no espa&ccedil;o    brasileiro, a novos modelos de compreens&atilde;o e explica&ccedil;&atilde;o    desse fato fundamental da hist&oacute;ria das l&iacute;nguas: elas est&atilde;o    sempre em rela&ccedil;&atilde;o e sempre se tornam outras. N&oacute;s, enquanto    falantes, &eacute; que n&atilde;o vemos isto, pois estamos tomados no interior    do pr&oacute;prio processo.</FONT></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><FONT SIZE="3"><i><b>Eduardo Guimar&atilde;es</b> &eacute; professor titular    de sem&acirc;ntica do Departamento de Ling&uuml;&iacute;stica e pesquisador    do Laborat&oacute;rio de Estudos Urbanos da Unicamp; &eacute; membro da diretoria    da Anpoll e pesquisador 1B do CNPq.</i></FONT></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>&nbsp;</P>     <P>&nbsp;</P>     <P><FONT SIZE="3"><b>NOTAS</b></FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">1. Esta quest&atilde;o tem sido objeto de aten&ccedil;&atilde;o    da <i>Enciclop&eacute;dia das L&iacute;nguas do Brasil - <a href="http://www.labeurb.unicamp.br/elb" target="_blank">www.labeurb.unicamp.br/elb</a></i>.</font></P>     <P><FONT SIZE="3"> 2. H&aacute; que se notar que o portugu&ecirc;s &eacute; falado    tamb&eacute;m na Espanha, ou ainda em outros pa&iacute;ses europeus, a partir    de imigra&ccedil;&atilde;o portuguesa.</font></P>      ]]></body>
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