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</front><body><![CDATA[ <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v57n2/linguabr.gif"></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><FONT SIZE="5"><b>A L&Iacute;NGUA BRASILEIRA</b></font></P>     <P><FONT SIZE="3"><b>Eni P. Orlandi</b></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><FONT SIZE="3"><b>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</b> A quest&atilde;o da l&iacute;ngua    que se fala, a necessidade de nome&aacute;-la, &eacute; uma quest&atilde;o necess&aacute;ria    e que se coloca impreterivelmente aos sujeitos de uma dada sociedade de uma    dada na&ccedil;&atilde;o. Porque a quest&atilde;o da l&iacute;ngua que se fala    toca os sujeitos em sua autonomia, em sua identidade, em sua autodetermina&ccedil;&atilde;o.    E assim &eacute; com a l&iacute;ngua que falamos: falamos a l&iacute;ngua portuguesa    ou a l&iacute;ngua brasileira? (1)</font></P>     <P><FONT SIZE="3">Esta &eacute; uma quest&atilde;o que se coloca desde os princ&iacute;pios    da coloniza&ccedil;&atilde;o no Brasil, mas que adquire uma for&ccedil;a e um    sentido especiais ao longo do s&eacute;culo XIX. Durante todo o tempo, naquele    per&iacute;odo, o imagin&aacute;rio da l&iacute;ngua oscilou entre a autonomia    e o legado de Portugal.</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">De um lado, o Visconde de Pedra Branca, Varnhagen, Paranhos    da Silva e os rom&acirc;nticos como Gon&ccedil;alves Dias, Jos&eacute; de Alencar    alinhavam-se entre os que defendiam nossa autonomia propugnando por uma l&iacute;ngua    nossa, a l&iacute;ngua brasileira. De outro, os gram&aacute;ticos e eruditos    consideravam que s&oacute; pod&iacute;amos falar uma l&iacute;ngua, a l&iacute;ngua    portuguesa, sendo o resto apenas brasileirismos, tupinismos, escolhos ao lado    da l&iacute;ngua verdadeira. Temos assim, em termos de uma l&iacute;ngua imagin&aacute;ria,    uma l&iacute;ngua padr&atilde;o, apagando-se, silenciando-se o que era mais    nosso e que n&atilde;o seguia os padr&otilde;es: nossa l&iacute;ngua brasileira.    Assim nos contam B. S. Mariani e T. C. de Souza (<i>Organon 21</i>, Quest&otilde;es    de Lusofonia) que, em 1823, por ocasi&atilde;o da Assembl&eacute;ia Constituinte,    t&iacute;nhamos pelo menos tr&ecirc;s forma&ccedil;&otilde;es discursivas: a    dos que propugnavam por uma l&iacute;ngua brasileira, a dos que se alinhavam    do lado de uma l&iacute;ngua (padr&atilde;o) portuguesa e a forma&ccedil;&atilde;o    discursiva jur&iacute;dica, que, professando a lei, decidia pela l&iacute;ngua    legitimada, a l&iacute;ngua portuguesa. Embora no in&iacute;cio do s&eacute;culo    XIX muito se tenha falado da l&iacute;ngua brasileira, como a Constitui&ccedil;&atilde;o    n&atilde;o foi votada, mas outorgada por D. Pedro, em 1823, decidiu-se que a    l&iacute;ngua que falamos &eacute; a l&iacute;ngua portuguesa. E os efeitos    desse jogo pol&iacute;tico, que nos acompanha desde a aurora do Brasil, nos    faz oscilar sempre entre uma l&iacute;ngua outorgada, legado de Portugal, intoc&aacute;vel,    e uma l&iacute;ngua nossa, que falamos em nosso dia-a-dia, a l&iacute;ngua brasileira.    &Eacute; assim que distingo entre l&iacute;ngua fluida (o brasileiro) e a l&iacute;ngua    imagin&aacute;ria (o portugu&ecirc;s), cuja tens&atilde;o n&atilde;o p&aacute;ra    de produzir os seus efeitos.</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">Assim &eacute; que, em 1826, o projeto apresentado ao parlamento    brasileiro pelo deputado Jos&eacute; Clemente prop&otilde;e que os diplomas    dos m&eacute;dicos seja redigido em "linguagem brasileira". Em 1827    temos a aprova&ccedil;&atilde;o de lei que estabelece que os professores deveriam    ensinar a gram&aacute;tica da l&iacute;ngua nacional. Nem portugu&ecirc;s, nem    brasileiro, estrategicamente, nomeamos de l&iacute;ngua nacional. Em 1870, procurando    argumentar sobre a l&iacute;ngua que falamos, temos a pol&ecirc;mica entre o    romancista brasileiro Jos&eacute; de Alencar e o portugu&ecirc;s Pinheiro Chagas,    um falando de nossas diferen&ccedil;as e autonomia, o outro, sobre o legado    que recebemos de Portugal, a l&iacute;ngua portuguesa. Essas refer&ecirc;ncias    podem ser encontradas em um quadro apresentado no in&iacute;cio do livro <i>Hist&oacute;ria    da sem&acirc;ntica</i> (2004) de Eduardo Guimar&atilde;es, entre outros. J&aacute;    no s&eacute;culo XX, na d&eacute;cada de 1930 h&aacute; uma discuss&atilde;o    na C&acirc;mara do Distrito Federal sobre o nome da l&iacute;ngua do Brasil:    l&iacute;ngua portuguesa ou brasileira? Novamente se decide pelo indefinido:    falamos a l&iacute;ngua nacional. Sobre essa discuss&atilde;o pode-se consultar    o livro (tese) de Luis Francisco Dias (1996), que conclui que, na perspectiva    daqueles que se posicionaram contr&aacute;rios aos projetos de mudan&ccedil;a    do nome da l&iacute;ngua falada no Brasil, o nome l&iacute;ngua brasileira &eacute;    percebido como algo que viria desestabilizar um eixo social que tem nos percursos    da escrita, sob os ausp&iacute;cios da l&iacute;ngua portuguesa, o seu suporte,    a sua refer&ecirc;ncia, e, na perspectiva daqueles que defendem os projetos    de mudan&ccedil;a do nome de nosso idioma, l&iacute;ngua brasileira tem a sua    refer&ecirc;ncia constitu&iacute;da a partir de uma imagem rom&acirc;ntica do    pa&iacute;s, imagem fundada no positivismo e no ufanismo que, ao longo da segunda    metade do s&eacute;culo XIX e da primeira metade do s&eacute;culo XX marcaram    nossa hist&oacute;ria. Finalmente, assim como D. Pedro outorgou uma Constitui&ccedil;&atilde;o    em 1823, tamb&eacute;m em 1946, a comiss&atilde;o encarregada pelo governo brasileiro,    em atendimento ao estabelecido pela Constitui&ccedil;&atilde;o de 1946, decide    que o nome da l&iacute;ngua falada no Brasil &eacute; l&iacute;ngua portuguesa    (2).</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">Esta quest&atilde;o, no entanto, n&atilde;o deixa de nos importunar,    e h&aacute; sempre alguma raz&atilde;o, um pretexto, ou algu&eacute;m que a    levanta em momentos diferentes de nossa hist&oacute;ria. Isso quer dizer que    at&eacute; hoje n&atilde;o decidimos se falamos portugu&ecirc;s ou brasileiro.    Embora a cultura escolar se queira, muitas vezes, esclarecedora em sua racionalidade    e moderna em sua abertura, acaba sempre se curvando &agrave; legitimidade da    l&iacute;ngua portuguesa que herdamos e, segundo dizem, adaptamos &agrave;s    nossas conveni&ecirc;ncias, mas que permanece em sua forma dominante inalterada,    intocada: a l&iacute;ngua portuguesa. E quem n&atilde;o a fala, ainda que esteja    no Brasil, que seja brasileiro, erra, &eacute; um mal falante, um marginal da    l&iacute;ngua.</FONT></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><FONT SIZE="3">&Eacute;, pois, impressionante como a ideologia da l&iacute;ngua    pura, a verdadeira, faz manter o imagin&aacute;rio da l&iacute;ngua portuguesa.</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3"><b>A QUEST&Atilde;O DE FATO</b> No entanto, podemos ver isto    mais de perto e tomamos como medida a l&iacute;ngua que falamos em seu aspecto    hist&oacute;rico, social, cultural.</font></P>     <P><FONT SIZE="3">Desde o princ&iacute;pio da coloniza&ccedil;&atilde;o, instala-se    um acontecimento ling&uuml;&iacute;stico de grande import&acirc;ncia no Brasil:    o que constitui a l&iacute;ngua brasileira.</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">Ao mesmo tempo em que aqui desembarca, a l&iacute;ngua portuguesa,    ao deslocar-se de Portugal para o pa&iacute;s nascente – o Brasil – institui    um movimento de mem&oacute;ria, deslizamentos ling&uuml;&iacute;sticos por meio    dos quais uma outra l&iacute;ngua – a brasileira – faz-se presente.</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">O novo espa&ccedil;o de comunica&ccedil;&atilde;o resiste com    sua materialidade &agrave; l&iacute;ngua que chega com os portugueses em sua    mem&oacute;ria j&aacute; falada, j&aacute; dita. Desdobram-se, transmudam-se    os modos de dizer. A rela&ccedil;&atilde;o palavra/coisa faz ru&iacute;do, rela&ccedil;&atilde;o    n&atilde;o coincidente entre si e nem perfeitamente ajustada. Outras formas    v&atilde;o estabelecer-se fazendo intervir, e ao mesmo tempo constituindo, a    mem&oacute;ria local.</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">Retomo aqui os movimentos da enuncia&ccedil;&atilde;o que j&aacute;    tive a oportunidade de expor (1998): em um primeiro momento – situa&ccedil;&atilde;o    enunciativa I – a partir de sua mem&oacute;ria, o colonizador portugu&ecirc;s    reconhece as coisas, os seres, os acontecimentos e os nomeia. Mas ele o faz,    transportando elementos de sua mem&oacute;ria ling&uuml;&iacute;stica. H&aacute;    um investimento na rela&ccedil;&atilde;o palavra/coisa, a quest&atilde;o incidindo    sobre o referente: na presen&ccedil;a de um nome, estamos diante da mesma coisa    (a do Brasil e a de Portugal)? Como estamos no Brasil, h&aacute; um deslocamento    (transporte) que for&ccedil;a contornos enunciativos diferenciados. Essa diferen&ccedil;a    se torna cada vez mais uma diferen&ccedil;a de l&iacute;nguas (rela&ccedil;&atilde;o    palavra/palavra, e n&atilde;o da palavra com a coisa). Da&iacute; resulta todo    um trabalho sobre a l&iacute;ngua, de classifica&ccedil;&atilde;o, organiza&ccedil;&atilde;o,    defini&ccedil;&otilde;es em listas de palavras, dicion&aacute;rios. O portugu&ecirc;s,    assim transportado, acaba por estabelecer em seu pr&oacute;prio s&iacute;tio    de enuncia&ccedil;&atilde;o outra rela&ccedil;&atilde;o palavra/coisa, cuja    ambival&ecirc;ncia pode ser lida nas remiss&otilde;es: no Brasil, em Portugal.    Tem in&iacute;cio, ent&atilde;o, a produ&ccedil;&atilde;o de um espa&ccedil;o    de interpreta&ccedil;&atilde;o com deslizamentos, efeitos metaf&oacute;ricos    que historicizam a l&iacute;ngua. Produzem-se transfer&ecirc;ncias, deslizamentos    de mem&oacute;ria, met&aacute;foras, pois estamos diante de materialidades discursivas    que produzem efeitos de sentidos diferentes. Configura-se uma nova situa&ccedil;&atilde;o    enunciativa – situa&ccedil;&atilde;o enunciativa II. As palavras, estas, j&aacute;    recobrem outra realidade. </FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">A l&iacute;ngua praticada nesse outro regime enunciativo realiza,    deste lado do Atl&acirc;ntico, a rela&ccedil;&atilde;o unidade/variedade: a    unidade j&aacute; n&atilde;o refere o portugu&ecirc;s do Brasil ao de Portugal,    mas &agrave; unidade e &agrave;s variedades existentes no Brasil. E a unidade    do portugu&ecirc;s do Brasil, referido a seu funcionamento historicamente determinado,    &eacute; marca de sua singularidade. H&aacute; um giro no regime de universalidade    da l&iacute;ngua portuguesa que passa a ter sua pr&oacute;pria refer&ecirc;ncia    no Brasil. A varia&ccedil;&atilde;o n&atilde;o tem como refer&ecirc;ncia Portugal,    mas a diversidade concreta produzida no Brasil, na conviv&ecirc;ncia de povos    de l&iacute;nguas diferentes (l&iacute;nguas ind&iacute;genas, africanas, de    imigra&ccedil;&atilde;o etc).</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">Nessa perspectiva, ent&atilde;o, falamos decididamente a l&iacute;ngua    brasileira, pois &eacute; isto que atesta a materialidade ling&uuml;&iacute;stico-hist&oacute;rica.    Se, empiricamente, podemos dizer que as diferen&ccedil;as s&atilde;o algumas,    de sotaque, de contornos sint&aacute;ticos, de uma lista lexical, no entanto,    do ponto de vista discursivo, no modo como a l&iacute;ngua se historiciza, as    diferen&ccedil;as s&atilde;o incomensur&aacute;veis: falamos diferente, produzimos    diferentes discursividades.</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3"><b>HETEROGENEIDADE LING&Uuml;&Iacute;STICA</b> J. Authier (1987)    estabelece o conceito de heterogeneidade enunciativa para descrever o fato de    linguagem que consiste em que todo dizer tem necessariamente em si a presen&ccedil;a    do outro. Aproveito o impulso desse conceito, embora ele ganhe em nosso uso    outras determina&ccedil;&otilde;es, para falar em heterogeneidade ling&uuml;&iacute;stica    toda vez que, no campo dos pa&iacute;ses colonizados, temos l&iacute;nguas como    o portugu&ecirc;s, ou o espanhol, na Am&eacute;rica Latina, que funcionam em    uma identidade que chamaria dupla. Estamos diante de l&iacute;nguas que s&atilde;o    consideradas as mesmas – as que se falam na Am&eacute;rica Latina e na Europa    – por&eacute;m que se marcam por se historicizarem de maneiras totalmente distintas    em suas rela&ccedil;&otilde;es com a hist&oacute;ria de forma&ccedil;&atilde;o    dos pa&iacute;ses. &Eacute; o caso do portugu&ecirc;s do Brasil e o de Portugal.    Falamos a "mesma" l&iacute;ngua, mas falamos diferente. Consideramos,    pois, a heterogeneidade ling&uuml;&iacute;stica no sentido de que joga em nossa    l&iacute;ngua um fundo falso em que o "mesmo" abriga, no entanto,    um "outro", um diferente hist&oacute;rico que o constitui ainda que    na apar&ecirc;ncia do "mesmo": o portugu&ecirc;s brasileiro e o portugu&ecirc;s    portugu&ecirc;s se recobrem como se fossem a mesma l&iacute;ngua mas n&atilde;o    s&atilde;o. Produzem discursos distintos, significam diferentemente. Discursivamente    &eacute; poss&iacute;vel se vislumbrar esse jogo, pelo qual no mesmo lugar h&aacute;    uma presen&ccedil;a dupla, de pelo menos dois discursos distintos, efeitos de    uma clivagem de duas hist&oacute;rias na rela&ccedil;&atilde;o com a l&iacute;ngua    portuguesa: a de Portugal e a do Brasil. Ao falarmos o portugu&ecirc;s, n&oacute;s,    brasileiros, estamos sempre nesse ponto de disjun&ccedil;&atilde;o obrigada:    nossa l&iacute;ngua significa em uma filia&ccedil;&atilde;o de mem&oacute;ria    heterog&ecirc;nea. Essas l&iacute;nguas, o portugu&ecirc;s e o brasileiro, filiam-se    a discursividades distintas. O efeito de homogeneidade &eacute; o efeito produzido    pela hist&oacute;ria da coloniza&ccedil;&atilde;o.</font></P>     <P><FONT SIZE="3">Quando, mais acima, falei da disjun&ccedil;&atilde;o obrigada    referia-me a uma certa indistin&ccedil;&atilde;o, mas tamb&eacute;m &agrave;    polissemia. H&aacute; uma composi&ccedil;&atilde;o de sentidos em nossa mem&oacute;ria    ling&uuml;&iacute;stica que funcionam, simultaneamente, em movimentos simb&oacute;licos    distintos, quando falamos a l&iacute;ngua brasileira. Isto significa que h&aacute;    uma marca de distin&ccedil;&atilde;o na materialidade hist&oacute;rica desses    sistemas simb&oacute;licos que carrega a l&iacute;ngua brasileira dessa composi&ccedil;&atilde;o    de sentidos. Eis a duplicidade, a heterogeneidade, a polissemia no pr&oacute;prio    exerc&iacute;cio da l&iacute;ngua: o portugu&ecirc;s e o brasileiro n&atilde;o    t&ecirc;m o mesmo sentido. S&atilde;o l&iacute;nguas materialmente diferentes.</FONT></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><FONT SIZE="3">Dados esse fatos, a hist&oacute;ria da identidade da l&iacute;ngua    nacional se alongar&aacute; por meio de acontecimentos m&uacute;ltiplos, como    acordos, funda&ccedil;&atilde;o de academias, regulamentos escolares, constituintes    e outros. &Eacute; essa hist&oacute;ria que come&ccedil;amos a conhecer, e este    artigo &eacute; apenas um pequeno passo em dire&ccedil;&atilde;o a esta forma    de conhecimento que &eacute; tamb&eacute;m uma tomada de posi&ccedil;&atilde;o    face ao conhecimento da l&iacute;ngua e da constitui&ccedil;&atilde;o da l&iacute;ngua    nacional no Brasil. Considera&ccedil;&otilde;es acerca da l&iacute;ngua materna,    do idioma p&aacute;trio, da l&iacute;ngua nacional s&atilde;o outras tantas    que nos levam a novas reflex&otilde;es igualmente esclarecedoras a respeito    da l&iacute;ngua nacional que falamos no Brasil e do modo como a nomeamos. </FONT></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><FONT SIZE="3"><i><b>Eni P. Orlandi</b> &eacute; professora titular de an&aacute;lise    de discurso do Departamento de Ling&uuml;&iacute;stica do Instituto de Estudos    da Linguagem(IEL); coordenadora do Laborat&oacute;rio de Estudos Urbanos (Labeurb)    da Unicamp; e pesquisadora 1A do CNPq.</i></FONT></P>     <P>&nbsp;</P>     <P>&nbsp;</P>     <P><FONT SIZE="3"><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></FONT></P>     <P><FONT SIZE="3"> 1. Estes aspectos est&atilde;o mais desenvolvidos em Orlandi    (2002).</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">2. Uma an&aacute;lise do texto do parecer da comiss&atilde;o    encarregada de decidir sobre o nome da l&iacute;ngua est&aacute; em Guimar&atilde;es    (2000)</FONT></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><FONT SIZE="3"><b>BIBLIOGRAFIA CITADA</b></FONT></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><P><FONT SIZE="3">Auroux, S, Orlandi, E. e Mazi&egrave;re F. "L'hyperlangue    br&eacute;silienne", <i>in Langages</i>, 130, Paris, Larousse. 1998.</FONT><!-- ref --><P><FONT SIZE="3">Authier, J. "H&eacute;t&eacute;rog&eacute;n&eacute;it&eacute;s    &eacute;nonciatives" in <i>Langages</i>, Paris, Larousse. 1987.</FONT><!-- ref --><P><FONT SIZE="3">Dias, L. F. <i>Os sentidos do idioma nacional</i>, Campinas,    Pontes. 1996. </FONT><!-- ref --><P><FONT SIZE="3">Guimar&atilde;es, E. "L&iacute;nguas de civiliza&ccedil;&atilde;o    e l&iacute;nguas de cultura. A l&iacute;ngua nacional do Brasil". <i>In</i>    Barros, D.L.P. <i>Os discursos do descobrimento</i>. S&atilde;o Paulo, Edusp/Fapesp.    2000.</FONT><!-- ref --><P><FONT SIZE="3">Guimar&atilde;es, E.R.J. <i>Hist&oacute;ria da sem&acirc;ntica</i>,    Campinas, Pontes. 2003.</FONT><!-- ref --><P><FONT SIZE="3">Mariani, B. e Souza, T. C.C. de "Quest&otilde;es de lusofonia",    <i>Organon</i>, 21, Universidade Federal do Rio Grande do Sul. 2000.</FONT><!-- ref --><P><FONT SIZE="3">Orlandi, E. P. <i>L&iacute;ngua e conhecimento ling&uuml;&iacute;stico</i>.    S&atilde;o Paulo, Cortez. 2002.</FONT> ]]></body><back>
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