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</front><body><![CDATA[ <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v57n2/linguabr.gif"></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><FONT SIZE="5"><b>VARIEDADES DO PORTUGU&Ecirc;S NO MUNDO E NO BRASIL</b></font></P>     <P><FONT SIZE="3"><b>Emilio Gozze Pagotto</b></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><FONT SIZE="3"><b>O PORTUGU&Ecirc;S NO MUNDO</b> Acompanhando os navegadores,    colonizadores e comerciantes portugueses em todas as suas incr&iacute;veis viagens,    a partir do s&eacute;culo XV, o portugu&ecirc;s se transformou na l&iacute;ngua    de um imp&eacute;rio. Nesse processo, entrou em contato – for&ccedil;ado, o    mais das vezes; amig&aacute;vel em alguns casos – com as mais diversas l&iacute;nguas,    passando por processos de varia&ccedil;&atilde;o e de mudan&ccedil;a ling&uuml;&iacute;stica.    No limite, deu origem a v&aacute;rias l&iacute;nguas crioulas.</font></P>     <P><FONT SIZE="3">O portugu&ecirc;s, como se sabe, &eacute; a l&iacute;ngua oficial    nos pa&iacute;ses de Angola, Mo&ccedil;ambique, Cabo Verde, Guin&eacute; Bissau,    S&atilde;o Tom&eacute; e Pr&iacute;ncipe e – mais recentemente – Timor Leste.    Como assinala Mattos e Silva (1988), em tais ex-col&ocirc;nias ainda n&atilde;o    se sabe que rumos o portugu&ecirc;s estaria tomando, visto que o processo de    independ&ecirc;ncia pol&iacute;tica se deu h&aacute; pouco tempo e o portugu&ecirc;s,    em muitos casos, se expande via escolariza&ccedil;&atilde;o, j&aacute; que pa&iacute;ses    como Angola e Mo&ccedil;ambique t&ecirc;m uma situa&ccedil;&atilde;o ling&uuml;&iacute;stica    complexa, sendo o portugu&ecirc;s a l&iacute;ngua oficial mas n&atilde;o a l&iacute;ngua    materna da maioria da popula&ccedil;&atilde;o. Sendo assim, n&atilde;o se conhecem    em profundidade detalhes sobre o processo de dialeta&ccedil;&atilde;o nesses    pa&iacute;ses, afora o fato de que mant&ecirc;m com o portugu&ecirc;s europeu    uma proximidade muito grande. </FONT></P>     <P><FONT SIZE="3"><b>L&Iacute;NGUAS CRIOULAS</b> Com rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s    l&iacute;nguas crioulas, a literatura &eacute; um pouco maior, mesmo assim v&aacute;rias    delas ainda est&atilde;o por merecer uma descri&ccedil;&atilde;o mais acurada    e profunda. Mas &eacute; impressionante e extensa a lista de l&iacute;nguas    crioulas que teriam no portugu&ecirc;s a sua l&iacute;ngua de base. Segundo    nos informam Tarallo e Alckmin (1987), na &Aacute;sia os crioulos portugueses    seriam classificados em tr&ecirc;s grupos:</font></P>     <P> <FONT SIZE="3">1&ordm;. grupo: sino-portugu&ecirc;s    <br>   2&ordm;. grupo: malaio- portugu&ecirc;s    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>  3&ordm;. grupo: indo-portugu&ecirc;s</font></P>     <P><FONT SIZE="3">Destes, o mais numeroso foi o terceiro grupo – o da &Iacute;ndia    – mas a maioria dessas l&iacute;nguas j&aacute; est&aacute; extinta.</font></P>     <P><FONT SIZE="3">J&aacute; na &Aacute;frica, podemos, ainda segundo os mesmos    autores, apontar:</font></P>     <P><FONT SIZE="3">1.Crioulos portugueses do golfo da Guin&eacute;    <br>   2.Crioulo portugu&ecirc;s das ilhas de Cabo Verde    <br>   3.Crioulo portugu&ecirc;s da Guin&eacute;-Bissau    <br>   4.Crioulo portugu&ecirc;s do Senegal</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">Os que t&ecirc;m apresentado uma vitalidade maior s&atilde;o    os do golfo da Guin&eacute;, nas Ilhas de S&atilde;o Tom&eacute; e Pr&iacute;ncipe,    e o de Cabo Verde. Nestes dois &uacute;ltimos casos, temos a l&iacute;ngua crioula    concorrendo com o pr&oacute;prio portugu&ecirc;s, que &eacute; a l&iacute;ngua    oficial.</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">Do ponto de vista socioling&uuml;&iacute;stico, a grande quest&atilde;o    que tais crioulos vivem diz respeito &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es de sua    sobreviv&ecirc;ncia. L&iacute;nguas altamente estigmatizadas, s&oacute; recentemente    t&ecirc;m sido recebidas e tomadas como s&iacute;mbolos de nacionalidade, ganhando    escrita, literatura, gram&aacute;ticas, que s&atilde;o instrumentos poderosos    de promo&ccedil;&atilde;o e difus&atilde;o das l&iacute;nguas.</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3"><b>O PORTUGU&Ecirc;S DE PORTUGAL</b> Portugal representa, segundo    Tessyer (1982), um caso muito interessante, do ponto de vista ling&uuml;&iacute;stico:    pa&iacute;s monol&iacute;ng&uuml;e, tem a sua l&iacute;ngua quase estritamente    limitada aos limites geogr&aacute;ficos do pa&iacute;s. Al&eacute;m disso, as    &aacute;reas dialetais, h&aacute; muito tempo estudadas, s&atilde;o as mesmas    h&aacute; praticamente cinco s&eacute;culos.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><FONT SIZE="3">H&aacute; v&aacute;rias propostas para a defini&ccedil;&atilde;o    das regi&otilde;es dialetais de Portugal. A mais recente, que costuma ser citada,    &eacute; a de Cintra (1971), que prop&otilde;e tr&ecirc;s grandes regi&otilde;es    dialetais:</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">• dialetos galegos    <br>   • dialetos setentrionais    <br>   • dialetos centro-meridionais</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">Cada uma dessas &aacute;reas &eacute; subdivida em outras &aacute;reas    dialetais. Chama a aten&ccedil;&atilde;o nessa proposta a inclus&atilde;o da    regi&atilde;o do galego como parte das regi&otilde;es dialetais do portugu&ecirc;s,    que incluiria toda a Gal&iacute;cia espanhola como parte da dialeta&ccedil;&atilde;o    portuguesa. Aqui temos o embate entre o ling&uuml;&iacute;stico e o pol&iacute;tico    posto de maneira bastante clara: para Cintra (1971), a separa&ccedil;&atilde;o    pol&iacute;tica &eacute; apenas um detalhe, j&aacute; que ling&uuml;isticamente    haveria raz&otilde;es para incluir a Gal&iacute;cia entre os dialetos portugueses.</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">No caso de Portugal, propriamente dito, Cintra vai distinguir    dois grandes grupos de dialetos: os setentrionais – ao norte, e os centro-meridionais    – ao sul. Esta divis&atilde;o, grosso modo, lembra a expans&atilde;o do territ&oacute;rio    portugu&ecirc;s. Como se sabe, Portugal surge como pa&iacute;s na sua por&ccedil;&atilde;o    norte, com capital em Guimar&atilde;es, usando uma l&iacute;ngua hoje reconhecida    como galego-portugu&ecirc;s. Paulatinamente o portugu&ecirc;s vai se separando    do galego, &agrave; medida que o centro cultural se desloca para o sul, em Lisboa.</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">N&atilde;o me deterei nos tra&ccedil;os que diferenciam os grupos    de dialetos, remetendo o leitor para Cintra (1971). Mas &eacute; interessante    acompanhar Mattos e Silva (1988) chamando a aten&ccedil;&atilde;o para o fato    de os tra&ccedil;os que marcam fortemente os dialetos do norte n&atilde;o serem    encontrados no portugu&ecirc;s do Brasil, como &eacute; o caso da neutraliza&ccedil;&atilde;o    de /b/ e /v/, ou a oposi&ccedil;&atilde;o entre a africada palatal surda &#91;tt&#93;    e a fricativa palatal &#91;t&#93; (o primeiro caso, nas palavras escritas com o d&iacute;grafo    ch) (1). O importante &eacute; frisar que a situa&ccedil;&atilde;o dialetol&oacute;gica    em Portugal parece conhecer uma relativa estabilidade, muito provavelmente em    fun&ccedil;&atilde;o da manuten&ccedil;&atilde;o das mesmas din&acirc;micas    sociais.</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">De qualquer forma, &eacute; digno de nota o fato de que a socioling&uuml;&iacute;stica    n&atilde;o conhece em Portugal uma tradi&ccedil;&atilde;o de pesquisas forte    como no Brasil. O foco l&aacute; s&atilde;o as pesquisas de cunho dialetol&oacute;gico    voltadas para padr&otilde;es de distribui&ccedil;&atilde;o regionais. Essa aus&ecirc;ncia    de pesquisas socioling&uuml;&iacute;sticas em Portugal tem dificultado a intera&ccedil;&atilde;o    com os resultados produzidos no Brasil, que alcan&ccedil;am um grau de detalhamento    bem maior no que diz respeito &agrave; complexidade social do fen&ocirc;meno    de varia&ccedil;&atilde;o. Para pesquisadores como Mattos e Silva (1988), em    Portugal o aspecto regional da varia&ccedil;&atilde;o parece ser mais saliente    do que o aspecto social, situa&ccedil;&atilde;o que, segundo a autora, seria    a oposta do Brasil, onde os aspectos sociais teriam uma for&ccedil;a maior do    que os regionais.</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3"><b>O PORTUGU&Ecirc;S DO BRASIL</b> Nas duas &uacute;ltimas d&eacute;cadas    tem sido feito um grande esfor&ccedil;o descritivo e interpretativo a respeito    da constitui&ccedil;&atilde;o do portugu&ecirc;s do Brasil, podendo destacar-se    tr&ecirc;s grandes linhas de trabalho:</font></P>     <P><FONT SIZE="3">1.A estrutura gramatical do portugu&ecirc;s do Brasil    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   2.Os processos de varia&ccedil;&atilde;o no &acirc;mbito    das cidades e dos territ&oacute;rios    <br>   3.Os processos hist&oacute;ricos de constitui&ccedil;&atilde;o    do portugu&ecirc;s do Brasil e seus dialetos</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3"><b>ALGUNS PROCESSOS LING&Uuml;&Iacute;STICOS RELEVANTES</b>    Longe de querer esgotar a quest&atilde;o num texto t&atilde;o breve, gostaria    de destacar alguns lugares na estrutura da l&iacute;ngua, bastante perme&aacute;veis    &agrave; varia&ccedil;&atilde;o. S&atilde;o lugares que n&atilde;o s&oacute;    expressam a diferen&ccedil;a entre Portugal e Brasil, como tamb&eacute;m definem    no Brasil diferen&ccedil;as regionais e sociais. </font></P>     <P><FONT SIZE="3"><b>I. Fonologia</b> Segundo Mateus <i>et alii</i> (1983) ter&iacute;amos    seis indicadores fonol&oacute;gicos que diferenciariam o portugu&ecirc;s brasileiro    do portugu&ecirc;s de Portugal. Desses, destaco quatro: a realiza&ccedil;&atilde;o    das vogais pr&eacute;-t&ocirc;nicas; a realiza&ccedil;&atilde;o de /t/, /d/    diante de &#91;i&#93;; a realiza&ccedil;&atilde;o de /s/ em final de s&iacute;laba;    a realiza&ccedil;&atilde;o de /l/ em final de s&iacute;laba. O fato interessante    &eacute; que esses mesmos ambientes diferenciam no Brasil regi&otilde;es dialetais    diferentes, ainda n&atilde;o muito bem demarcadas.</font></P>     <P> <FONT SIZE="3">I.1. A<small>S VOGAIS PR&Eacute;-T&Ocirc;NICAS</small></font></P>     <P><FONT SIZE="3">Enquanto no portugu&ecirc;s de Portugal h&aacute; uma tend&ecirc;ncia    muito forte para a redu&ccedil;&atilde;o das vogais pr&eacute;-t&ocirc;nicas    (talvez a grande marca identificadora do sotaque portugu&ecirc;s para um brasileiro),    no Brasil, elas s&atilde;o pronunciadas claramente, n&atilde;o se percebendo,    at&eacute; onde se sabe, nenhuma tend&ecirc;ncia de que caminharemos na mesma    dire&ccedil;&atilde;o de Portugal.</font></P>     <P><FONT SIZE="3">Ao mesmo tempo, &eacute; nas vogais pr&eacute;-t&ocirc;nicas    que se encontra o grande tra&ccedil;o apontado por Antenor Nascentes como definidor    das duas grandes regi&otilde;es dialetais do Brasil: o norte e o sul. No norte,    elas tenderiam a serem abertas. A linha divis&oacute;ria estaria entre o Esp&iacute;rito    Santo e a Bahia, indo, para o oeste at&eacute; Cuiab&aacute; (2).</font></P>     <P><FONT SIZE="3">Al&eacute;m disso, as vogais pr&eacute;-t&ocirc;nicas sofrem    tamb&eacute;m um processo conhecido como o de eleva&ccedil;&atilde;o da vogal    (grosso modo, /e/ -&gt; &#91;i&#93; ; /o/ -&gt; &#91;u&#93;) altamente vari&aacute;vel em todo    o pa&iacute;s, com matizes sociais os mais diversos.</font></P>     <P><FONT SIZE="3">I.2. A <small>REALIZA&Ccedil;&Atilde;O DA CONSOANTE /T/ DIANTE    DA VOGAL &#91;I&#93;</small></font></P>     <P><FONT SIZE="3">Esse &eacute; outro tra&ccedil;o que, ao mesmo tempo que diferencia    o portugu&ecirc;s de Portugal do portugu&ecirc;s brasileiro, tamb&eacute;m definiria    &aacute;reas dialetais importantes no nosso pa&iacute;s. N&atilde;o temos um    mapa dialetal geral do Brasil mas, pelas pesquisas j&aacute; realizadas, sabe-se    que no Sudeste brasileiro, descendo at&eacute; a regi&atilde;o Sul, com exce&ccedil;&atilde;o    do litoral catarinense e outras ilhas, subindo at&eacute; a capital baiana,    entrando pelo Centro-Oeste e tomando o Norte do pa&iacute;s, temos a realiza&ccedil;&atilde;o    africada &#91;tt&#93;; nas demais regi&otilde;es, assim como em Portugal e demais pa&iacute;ses    de l&iacute;ngua portuguesa, esse processo de africa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o    ocorre.</FONT></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><FONT SIZE="3">I.3. A <small>REALIZA&Ccedil;&Atilde;O DA CONSOANTE FRICATIVA    /S/ FECHANDO S&Iacute;LABA</small></font></P>     <P><FONT SIZE="3">Esse &eacute; outro tra&ccedil;o que op&otilde;e Brasil e Portugal    e, ao mesmo tempo, define tamb&eacute;m &aacute;reas diferentes no territ&oacute;rio    brasileiro. Trata-se da possibilidade de palataliza&ccedil;&atilde;o da consoante    /s/ quando fechando s&iacute;laba, em palavras como casca, seis. Em falares    como o carioca, ou o de Florian&oacute;polis, a realiza&ccedil;&atilde;o &eacute;    palatalizada, ou seja, o efeito ac&uacute;stico &eacute; algo semelhante &agrave;    primeira consoante da palava ch&aacute;.</font></P>     <P><FONT SIZE="3">I.4. A <small>REALIZA&Ccedil;&Atilde;O DE /L/ EM FINAL DE S&Iacute;LABA</small></font></P>     <P><FONT SIZE="3">Em Portugal, em palavras como legal, leal, a &uacute;ltima consoante    &eacute; realizada como um &#91;l&#93; velarizado; no Brasil, haveria a forte tend&ecirc;ncia    de realiz&aacute;-la como uma semivogal &#91;w&#93;, de tal maneira que se tenderia    a n&atilde;o distinguir mal e mau. Mas o interessante &eacute; que no Brasil    h&aacute; ainda dialetos que usam a forma velarizada, no Sul do pa&iacute;s.    Dos tra&ccedil;os que elencamos nesta se&ccedil;&atilde;o, este &eacute; o que    menor abrang&ecirc;ncia tem no pa&iacute;s. </font></P>     <P><FONT SIZE="3"><b>II. Morfologia e sintaxe</b> S&atilde;o muitos os lugares    da estrutura morfossint&aacute;tica que est&atilde;o em varia&ccedil;&atilde;o    no Brasil e que nos diferenciam dos dialetos portugueses. A morfologia verbal,    especialmente a flex&atilde;o de n&uacute;mero e pessoa e a morfologia pronominal    – aqui se destacando os pronomes pessoais – s&atilde;o palco de grandes processos    de varia&ccedil;&atilde;o e mudan&ccedil;a (em termos de dialeta&ccedil;&atilde;o    brasileira, destaca-se o emprego dos pronomes tu e voc&ecirc; como tratamento    &iacute;ntimo que diferencia grandes &aacute;reas ling&uuml;&iacute;sticas no    Brasil) (3) . Associadas a esses lugares, a sintaxe no Brasil experimenta tamb&eacute;m    muitos processos de varia&ccedil;&atilde;o e mudan&ccedil;a, com especial destaque    para os fen&ocirc;menos de ordem e a representa&ccedil;&atilde;o pronominal    do sujeito e do objeto (4). </font></P>     <P><FONT SIZE="3"><b>HIST&Oacute;RIA</b> Contar a hist&oacute;ria do portugu&ecirc;s    do Brasil &eacute; mergulhar na sua hist&oacute;ria colonial e de pa&iacute;s    independente, j&aacute; que as l&iacute;nguas n&atilde;o s&atilde;o organismos    desgarrados dos povos que as utilizam. Para tentar explicar as diferen&ccedil;as    do portugu&ecirc;s do Brasil, tr&ecirc;s grandes hip&oacute;teses t&ecirc;m    sido investigadas:</font></P>     <P><FONT SIZE="3">1.A hip&oacute;tese conservadora    <br>    2.A hip&oacute;tese do contato    <br>    3.A hip&oacute;tese da deriva ling&uuml;&iacute;stica</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">Comecemos pela &uacute;ltima. Segundo ela, o que ocorreu no    portugu&ecirc;s do Brasil foi apenas o lento, gradual e inexor&aacute;vel processo    de mudan&ccedil;a ling&uuml;&iacute;stica que afeta qualquer l&iacute;ngua.    Nesse caso, as caracter&iacute;sticas do portugu&ecirc;s do Brasil seriam fruto    do jogo interno da estrutura. Bom exemplo disso seria a perda da invers&atilde;o    do sujeito. Na medida em que as flex&otilde;es verbais se simplificam, perdem-se    os pronomes acusativos e a preposi&ccedil;&atilde;o a, marcadora do objeto direto    preposicionado, a ordem se torna r&iacute;gida para fazer as marca&ccedil;&otilde;es    sint&aacute;ticas necess&aacute;rias.</FONT></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><FONT SIZE="3">Pela hip&oacute;tese do contato, o grande n&uacute;mero de caracter&iacute;sticas    ling&uuml;&iacute;sticas do portugu&ecirc;s do Brasil no per&iacute;odo relativamente    curto de sua exist&ecirc;ncia se deveria ao contato do portugu&ecirc;s com l&iacute;nguas    ind&iacute;genas e africanas. Como se viu acima, nas situa&ccedil;&otilde;es    de contato pode ocorrer, no limite, o surgimento de uma nova l&iacute;ngua –    uma l&iacute;ngua crioula. Muito j&aacute; se discutiu quanto &agrave; possibilidade    de o portugu&ecirc;s ser/ter sido uma l&iacute;ngua crioula, j&aacute; que,    al&eacute;m do contexto hist&oacute;rico ser semelhante ao de lugares onde se    tem not&iacute;cia de crioulos, h&aacute; in&uacute;meras caracter&iacute;sticas    gramaticais que remetem &agrave;s l&iacute;nguas crioulas. O problema da hip&oacute;tese    de criouliza&ccedil;&atilde;o &eacute; tomarmos no singular o portugu&ecirc;s    do Brasil e a l&iacute;ngua crioula em quest&atilde;o: ou seja, seria o portugu&ecirc;s    do Brasil fruto de uma l&iacute;ngua crioula? Hoje em dia, &eacute; muito mais    interessante pensar que possa ter havido l&iacute;nguas crioulas no Brasil –    e h&aacute; fortes ind&iacute;cios que levam a essa conclus&atilde;o – mas que    elas, isoladamente, n&atilde;o seriam respons&aacute;veis pelo processo hist&oacute;rico    de forma&ccedil;&atilde;o do portugu&ecirc;s do Brasil atual. Ao mesmo tempo,    n&atilde;o se deve descartar a import&acirc;ncia que o contato com outras l&iacute;nguas    possa ter trazido. Seguramente, profundas altera&ccedil;&otilde;es foram introduzidas    na l&iacute;ngua a partir do contato ling&uuml;&iacute;stico, sem que necessariamente    tenhamos que pensar na forma&ccedil;&atilde;o de uma &uacute;nica l&iacute;ngua    crioula base do portugu&ecirc;s do Brasil.</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">Por fim, a hip&oacute;tese conservadora. Ela nos leva a inverter    o racioc&iacute;nio: os tra&ccedil;os ling&uuml;&iacute;sticos encontrados no    portugu&ecirc;s do Brasil seriam devidos mais &agrave; conserva&ccedil;&atilde;o    do portugu&ecirc;s do primeiro s&eacute;culo de coloniza&ccedil;&atilde;o do    que &agrave;s inova&ccedil;&otilde;es aqui introduzidas. Assim, enquanto o portugu&ecirc;s    de Portugal sofria processos de mudan&ccedil;a que lhe dariam as fei&ccedil;&otilde;es    atuais, o portugu&ecirc;s do Brasil, pelo isolamento das popula&ccedil;&otilde;es    transplantadas, teria mantido aqui as caracter&iacute;sticas de antes da mudan&ccedil;a.    &Eacute; claro que tal hip&oacute;tese n&atilde;o explica o sem n&uacute;mero    de altera&ccedil;&otilde;es na morfologia e na sintaxe, de que n&atilde;o se    tem not&iacute;cia em Portugal, mas ela &eacute; interessante para pensar alguns    fen&ocirc;menos fonol&oacute;gicos. Por exemplo, a queda das vogais pr&eacute;-t&ocirc;nicas    &eacute; uma inova&ccedil;&atilde;o do portugu&ecirc;s de Portugal que se teria    implementado a partir do s&eacute;culo XVIII – na verdade uma grande altera&ccedil;&atilde;o    no padr&atilde;o r&iacute;tmico da l&iacute;ngua – que n&atilde;o teria afetado    o portugu&ecirc;s do Brasil. O mesmo se poderia dizer da palataliza&ccedil;&atilde;o    de /s/ em final de s&iacute;laba, muito comum em cidades litor&acirc;neas brasileiras,    mas pouco produtiva no interior.</FONT></P>     <P>&nbsp;</P>     <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v57n2/a13img01.gif"></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><FONT SIZE="3">O mais prov&aacute;vel &eacute; que, nos diversos pontos do    territ&oacute;rio, em momentos diferentes, tenhamos a atua&ccedil;&atilde;o    de cada uma dessas for&ccedil;as – a conserva&ccedil;&atilde;o, a inova&ccedil;&atilde;o    estrutural e o contato ling&uuml;&iacute;stico que redundaram tanto nas diferen&ccedil;as    do portugu&ecirc;s do Brasil com rela&ccedil;&atilde;o ao de Portugal, quanto    nas diferen&ccedil;as encontradas nos dialetos brasileiros. Mas &eacute; interessante    observar que, quanto mais distante do portugu&ecirc;s normativo, especialmente    se consideramos as flex&otilde;es pronominais e verbais, mais estigmatizado    &eacute; o falar, no Brasil. Altera&ccedil;&otilde;es profundas na produtividade    morfol&oacute;gica est&atilde;o muito associadas ao contato interling&uuml;&iacute;stico,    o que nos leva &agrave; enorme popula&ccedil;&atilde;o escravizada que &eacute;    a base do povo brasileiro. Assim, o Brasil col&ocirc;nia teria, com a sua estrutura    produtiva de espolia&ccedil;&atilde;o, lan&ccedil;ado as bases para a dialeta&ccedil;&atilde;o    social no Brasil.</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3"><b>UMA VIS&Atilde;O DOS DIALETOS BRASILEIROS</b> Do conjunto    de dados elencados acima, o que poder&iacute;amos dizer dos dialetos brasileiros?    O projeto de um mapa dialetol&oacute;gico brasileiro s&oacute; recentemente    teve as suas primeiras iniciativas lan&ccedil;adas (5). O que temos s&atilde;o    mapas regionais que apontam para a confirma&ccedil;&atilde;o de pelo menos uma    hip&oacute;tese b&aacute;sica de Antenor Nascentes: a de que o Brasil seria    dividido em duas grandes regi&otilde;es dialetais – norte e sul.</font></P>     <P><FONT SIZE="3">Os resultados da socioling&uuml;&iacute;stica, na maior parte    dos casos voltados para a fala de grandes centros urbanos, t&ecirc;m apontado    para uma forte variabilidade no portugu&ecirc;s brasileiro, com tra&ccedil;os    sociais os mais diversos se imprimindo nas formas ling&uuml;&iacute;sticas.    Essa profus&atilde;o de pesquisas impede que se chegue a um retrato mais preciso    de como o Brasil se comporta em termos de suas regi&otilde;es dialetais e qualquer    tentativa – hoje – de adiantar conclus&otilde;es n&atilde;o teria bases objetivas.</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">Outro fato extremamente importante e que desafia o conhecimento    sistem&aacute;tico do que estaria ocorrendo no Brasil tem a ver com o grande    conjunto de migra&ccedil;&otilde;es que ocorreram no s&eacute;culo XX, como    bem assinala Cardoso (1998). Por volta Da d&eacute;cada de 50 deixamos de ser    um pa&iacute;s rural para nos tornarmos um pa&iacute;s essencialmente urbano.    Hoje, segundo dados do &uacute;ltimo censo, 70% da popula&ccedil;&atilde;o brasileira    vive em cidades.</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">Em termos ling&uuml;&iacute;sticos, isto significa que uma s&eacute;rie    de variedades que at&eacute; ent&atilde;o se encontravam isoladas umas das outras    &eacute; posta em contato nas grandes cidades. O resultado desta grande mescla    do s&eacute;culo XX ainda est&aacute; por se conhecer, mas seguramente &eacute;    um dos grandes respons&aacute;veis pelo alto grau de varia&ccedil;&atilde;o    que as pesquisas t&ecirc;m mostrado. Ao mesmo tempo, a universaliza&ccedil;&atilde;o    da escola, ainda em vias de alcan&ccedil;ar completamente, tem colocado mais    e mais falantes em contato com as formas mais eruditas da l&iacute;ngua. Isso    tem produzido uma grande tens&atilde;o de cunho normativista cujo resultado    ainda n&atilde;o se pode prever. Nesse sentido &eacute; sintom&aacute;tico que    se tenham multiplicado os programas de r&aacute;dio, TV e as colunas de jornal    voltadas para as quest&otilde;es de portugu&ecirc;s. Vivemos um momento de inflex&atilde;o    normativa, j&aacute; que mais e mais pessoas de estratos mais populares t&ecirc;m    alcan&ccedil;ado os cursos superiores, onde a demanda pelas formas normativas    &eacute; maior. Por&eacute;m o peso das diferen&ccedil;as &eacute; muito grande,    o que tensiona o falante, de um lado, e a l&iacute;ngua, de outro. &Eacute;    cada vez mais dif&iacute;cil manter como norma aquela recomendada pelos gram&aacute;ticos;    ao mesmo tempo, formas desse dialeto normativo idealizado s&atilde;o incorporadas    pelos falantes nos seus textos escritos, em especial. &Eacute; o que demonstram    as pesquisas sobre a l&iacute;ngua escrita ao longo da escolaridade.</FONT></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><FONT SIZE="3"><b>PALAVRAS FINAIS</b> Neste pequeno balan&ccedil;o sobre os    processos de varia&ccedil;&atilde;o no portugu&ecirc;s devem ter ficado claros    alguns pontos:</font></P>     <P><FONT SIZE="3">1. Aparentemente, a julgar pelo que nos informam os pesquisadores    portugueses, Portugal experimenta, j&aacute; h&aacute; algum tempo, uma certa    estabilidade no que diz respeito &agrave;s suas &aacute;reas dialetais. No entanto,    a aus&ecirc;ncia de pesquisas nas regi&otilde;es urbanas, com maior detalhamento    tanto no processo ling&uuml;&iacute;stico de varia&ccedil;&atilde;o quanto nas    rela&ccedil;&otilde;es sociais envolvidas nesse processo, nos impede de avan&ccedil;ar    nessa quest&atilde;o. &Eacute; como se a l&iacute;ngua por l&aacute; estivesse    congelada, num eterno processo de varia&ccedil;&atilde;o est&aacute;vel.</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">2. Nos outros pa&iacute;ses de l&iacute;ngua portuguesa, a grande    quest&atilde;o &eacute; como ir&atilde;o se comportar as l&iacute;nguas crioulas,    especialmente naqueles em que o portugu&ecirc;s &eacute; l&iacute;ngua oficial.    Ou tais l&iacute;nguas crioulas ampliam seus contextos de uso, aprofundando    a situa&ccedil;&atilde;o de biling&uuml;&iacute;smo, que &eacute; o que parece    ocorrer em Cabo Verde, ou s&atilde;o assimiladas pelo portugu&ecirc;s, resultando,    nesse caso, em um aprofundamento do processo de dialeta&ccedil;&atilde;o. </FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">3. No caso do Brasil, tem havido um enorme esfor&ccedil;o descritivo    do portugu&ecirc;s por aqui falado, sobretudo nos grandes centros urbanos. Desse    retrato emerge tanto um portugu&ecirc;s que est&aacute; irremediavelmente separado    do portugu&ecirc;s de Portugal, quanto um portugu&ecirc;s com alto grau de varia&ccedil;&atilde;o,    em grande parte provocada pelo contato entre dialetos populares fruto de contatos    entre o portugu&ecirc;s e outras l&iacute;nguas, durante a forma&ccedil;&atilde;o    do Brasil. Como o pa&iacute;s est&aacute; concentrado nos centros urbanos, o    mais prov&aacute;vel &eacute; que essas formas em varia&ccedil;&atilde;o sejam    o ve&iacute;culo da express&atilde;o dos mais diversos grupos urbanos, ao mesmo    tempo em que se assentam as caracter&iacute;sticas regionais, em fun&ccedil;&atilde;o    de processos de identidade sempre em curso.</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">Em resumo, o Brasil &eacute; palco de uma emocionante epop&eacute;ia    ling&uuml;&iacute;stica, da qual n&atilde;o temos uma consci&ecirc;ncia muito    clara, porque &eacute; o tempo em que vivemos, e o tempo em que vivemos nunca    &eacute; o tempo em que nos entendemos.</FONT></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><FONT SIZE="3"><i><b>Emilio Gozze Pagotto</b> &eacute; professor adjunto da    Universidade Federal de Santa Catarina, Departamento de L&iacute;ngua e Literatura    Vern&aacute;culas do Centro de Comunica&ccedil;&atilde;o e Express&atilde;o.</i></FONT></P>     <P>&nbsp;</P>     <P>&nbsp;</P>     <P><FONT SIZE="3"><b>NOTAS</b></FONT></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><FONT SIZE="3">1. Uma tal realiza&ccedil;&atilde;o no Brasil &eacute; registrada    em dialeto no estado do Mato Grosso do Sul, que tem palavras como chuva e chave    iniciadas pela consoante africada &#91;tt&#93;.</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">2. Mattos e Silva (1988) nos informa que um estudo de Cardozo    (1986), a partir dos resultados dos mapas dialetol&oacute;gicos de Minas Gerais    e da Bahia, teria confirmado a hip&oacute;tese de Antenor Nascentes.</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">3. Faraco (1996) e Menon e Loregian-Penkal (2002) sobre os    pronomes tu e voc&ecirc;.</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">4. O leitor pode encontrar em Kato e Roberts (1993), Silva    e Scherre (1996) e Martelotta, M. Votre, S. e Cez&aacute;rio, M.M. (1996), Tarallo,    F. (1989), dentre outros, v&aacute;rios trabalhos mostrando processos de varia&ccedil;&atilde;o    e mudan&ccedil;a na gram&aacute;tica do portugu&ecirc;s do Brasil.</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">5. Cardoso (1998) sobre o projeto de <i>Atlas Ling&uuml;&iacute;stico    do Brasil</i>.</FONT></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><FONT SIZE="3"><b>BIBLIOGRAFIA CITADA</b></FONT></P>     <!-- ref --><P><FONT SIZE="3">Cardoso, S. A. M. "O Atlas Ling&uuml;&iacute;stico do Brasil:    um projeto nacional". <i>In</i> Aguilera, V. de A. (org.) <i>A geoling&uuml;&iacute;stica    no Brasil – caminhos e perspectivas</i>. Londrina, Editora da UEL.1998.</FONT><!-- ref --><P><FONT SIZE="3">Cintra, L.F.L. "Nova proposta de classifica&ccedil;&atilde;o    dos dialetos galego-portugueses". <i>Boletim de Filologia.</i> T XXII,    fasc. 1 e 2, p. 81-116. 1971.</FONT><!-- ref --><P><FONT SIZE="3">Faraco, C. A. "O tratamento <i>voc&ecirc;</i> em portugu&ecirc;s:    uma abordagem hist&oacute;rica". <i>In Fragmenta</i>. Curitiba, v. 13,    p.51-82. 1996.</FONT><!-- ref --><P><FONT SIZE="3">Ferreira, C. &amp; Cardoso, S. A. <i>A dialetologia no Brasil</i>.    S&atilde;o Paulo, Contexto. 1994.</FONT><!-- ref --><P><FONT SIZE="3">Martellota, M.E., Votre, S. J. E Cezario, M.M. <i>Gramaticaliza&ccedil;&atilde;o    no portugu&ecirc;s do Brasil – uma abordagem funcional</i>. Rio de Janeiro,    Tempo Brasileiro. 1996.</FONT><!-- ref --><P><FONT SIZE="3">Mateus, M. <i>et al. Gram&aacute;tica da L&iacute;ngua Portuguesa</i>.    Coimbra, Livraria Almedina. 1983.</FONT><!-- ref --><P><FONT SIZE="3">Mattos e Silva, R. V. "Diversidade e unidade: a aventura    ling&uuml;&iacute;stica do portugu&ecirc;s". <i>In Revista ICALP</i>, volume    11 – mar&ccedil;o – 1988, p. 60-72; <i>    <!-- ref -->Revista ICALP 1/,13</i>, junho-setembro    de 1988.</FONT><!-- ref --><P><FONT SIZE="3">Menon, O. P. &amp; Loregian-Penkal "Varia&ccedil;&atilde;o    no indiv&iacute;duo e na comunidade: <i>tu</i> e <i>voc&ecirc;</i> no sul do    Brasil". <i>In</i> P. Vandresen (org.) <i>Varia&ccedil;&atilde;o e mudan&ccedil;a    no portugu&ecirc;s falado da regi&atilde;o Sul.</i> Pelotas, Educat.2002.</FONT><!-- ref --><P><FONT SIZE="3">Roberts, I. &amp; Kato, M. (orgs.) <i>Portugu&ecirc;s brasileiro    – Uma viagem diacr&ocirc;nica</i>. Campinas, Ed. Unicamp.1993.</FONT><!-- ref --><P><FONT SIZE="3">Silva, G. M.O. &amp; Scherre, M.M. <i>Padr&otilde;es socioling&uuml;&iacute;sticos    – An&aacute;lise de fen&ocirc;menos vari&aacute;veis do portugu&ecirc;s falado    na cidade do Rio de Janeiro</i>. Rio de Janeiro, Tempo Brasileiro.1996.</FONT><!-- ref --><P><FONT SIZE="3">Scherre, M.M. "Re-an&aacute;lise da concord&acirc;ncia    de n&uacute;mero no sintagma nominal em portugu&ecirc;s". Rio de Janeiro,    UFRJ, Tese de doutorado.1988.</FONT><!-- ref --><P><FONT SIZE="3">Tarallo, F. (org.) <i>Fotografias socioling&uuml;&iacute;sticas</i>.    Campinas, Pontes/Ed.Unicamp.1989.</FONT><!-- ref --><P><FONT SIZE="3">Tarallo, F. &amp; Alckmin, T. <i>Falares crioulos – L&iacute;nguas    em contato</i>. S&atilde;o Paulo, &Aacute;tica. 1987.</FONT><!-- ref --><P><FONT SIZE="3">Tessyer, P. <i>Hist&oacute;ria da l&iacute;ngua portuguesa</i>.    Lisboa, S&aacute; da Costa (tradu&ccedil;&atilde;o de C.F. da Cunha) 1982.</FONT> ]]></body><back>
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