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</front><body><![CDATA[ <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v57n2/linguabr.gif"></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><FONT SIZE="5"><b>L&Iacute;NGUAS DE IMIGRANTES</b></font></P>     <P><FONT SIZE="3"><b>Carmen Zink Bolognini     <br>   Maria Onice Payer</b></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><FONT SIZE="3"><b>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</b> Na hist&oacute;ria brasileira,    a representa&ccedil;&atilde;o dos imigrantes, ao lado dos ind&iacute;genas,    dos africanos e do colonizador portugu&ecirc;s, teve um lugar significativo    como parte da constitui&ccedil;&atilde;o do povo brasileiro. Nas Ci&ecirc;ncias    Humanas, o tema da imigra&ccedil;&atilde;o foi desde cedo abordado por trabalhos    de soci&oacute;logos e historiadores, por exemplo. Mas a an&aacute;lise da quest&atilde;o    a partir da ling&uuml;&iacute;stica, focalizando a diversidade das l&iacute;nguas    introduzidas no Brasil pelos imigrantes, n&atilde;o foi considerada at&eacute;    recentemente com a for&ccedil;a hist&oacute;rica que teve, capaz de produzir    em certos momentos estremecimentos na imagem de unidade da l&iacute;ngua nacional    brasileira. </font></P>     <P><FONT SIZE="3">Os trabalhos recentemente desenvolvidos sobre a Hist&oacute;ria    das Id&eacute;ias Ling&uuml;&iacute;sticas no Brasil e a Constitui&ccedil;&atilde;o    da L&iacute;ngua Nacional e sobre &Eacute;tica e Pol&iacute;tica Ling&uuml;&iacute;stica,    bem como a elabora&ccedil;&atilde;o da Enciclop&eacute;dia das L&iacute;nguas    no Brasil (1) v&ecirc;m interpelando os pesquisadores a discutir a constitui&ccedil;&atilde;o    hist&oacute;rica do pa&iacute;s por meio da linguagem. Nesse sentido, estudar    as l&iacute;nguas atrav&eacute;s da hist&oacute;ria, de modo a considerar a    rela&ccedil;&atilde;o do portugu&ecirc;s, na sua condi&ccedil;&atilde;o de l&iacute;ngua    oficial do pa&iacute;s, com as outras l&iacute;nguas faladas neste territ&oacute;rio,    enquanto l&iacute;nguas maternas que constituem os sujeitos (Orlandi, 2001)    permitir&aacute; reler o significado da presen&ccedil;a da diversidade de l&iacute;nguas    no Brasil a partir do fen&ocirc;meno imigrat&oacute;rio. </FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">Apresentaremos, neste artigo, dados referentes a algumas l&iacute;nguas    de imigrantes e exporemos temas relacionados ao modo de presen&ccedil;a e de    ensino destas l&iacute;nguas na constitui&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica    do sujeito brasileiro. Discutiremos tamb&eacute;m quest&otilde;es relativas    &agrave; rela&ccedil;&atilde;o entre l&iacute;ngua materna, l&iacute;ngua estrangeira    e l&iacute;ngua nacional, no &acirc;mbito dessa hist&oacute;ria e do ensino    de l&iacute;nguas. Como o sujeito e o sentido se constituem simultaneamente,    pela l&iacute;ngua (Orlandi, 2001), essas rela&ccedil;&otilde;es s&atilde;o    significativas para o brasileiro. Pois, a l&iacute;ngua oficial determina a    rela&ccedil;&atilde;o que os sujeitos t&ecirc;m com o pa&iacute;s, no caso,    o Brasil (Guimar&atilde;es, 2004).</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">Falamos em estremecimento na imagem de unidade da l&iacute;ngua    nacional, na medida em que h&aacute; um imagin&aacute;rio de unidade, s&oacute;cio-historicamente    constru&iacute;do, que sobrep&otilde;e as imagens de l&iacute;ngua oficial,    l&iacute;ngua nacional e l&iacute;ngua materna. Desde a constitui&ccedil;&atilde;o    de 1988, o portugu&ecirc;s &eacute; enunciado como "a l&iacute;ngua oficial    do Brasil", como nota Guimar&atilde;es (1996). Para o autor, esta formula&ccedil;&atilde;o    reconhece a exist&ecirc;ncia de outras l&iacute;nguas, faladas por outros grupos,    como os ind&iacute;genas, por exemplo. O que n&atilde;o quer dizer que n&atilde;o    houvesse em funcionamento a presen&ccedil;a de uma l&iacute;ngua nacional. E,    sendo assim, h&aacute; de se considerar a possibilidade da n&atilde;o-conflu&ecirc;ncia    entre l&iacute;ngua oficial e l&iacute;ngua materna no Brasil. No caso espec&iacute;fico    da imigra&ccedil;&atilde;o, a dist&acirc;ncia entre elas &eacute; ainda mais    flagrante. E essa dist&acirc;ncia &eacute; constitutiva do Brasil e do brasileiro,    como veremos a seguir. </FONT></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><FONT SIZE="3"><b>SOBRE L&Iacute;NGUA MATERNA E L&Iacute;NGUA ESTRANGEIRA</b>    Fazer uma enciclop&eacute;dia das l&iacute;nguas faladas no Brasil, tal qual    proposto, suscita discuss&otilde;es a respeito do estatuto da l&iacute;ngua    materna e da l&iacute;ngua estrangeira. O portugu&ecirc;s, a l&iacute;ngua oficial    do Brasil, como vemos no verbete de Guimar&atilde;es (2004), intitulado "Hist&oacute;ria    do portugu&ecirc;s do Brasil", tem uma rela&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica    diferenciada com o Brasil, se tomarmos a sua hist&oacute;ria em Portugal como    refer&ecirc;ncia. Essa diferencia&ccedil;&atilde;o se d&aacute;, conforme o    autor, principalmente porque o portugu&ecirc;s entrou no pa&iacute;s por meio    do processo de coloniza&ccedil;&atilde;o, e ocupou e dividiu espa&ccedil;os    com outras l&iacute;nguas praticadas neste territ&oacute;rio. Sendo assim, o    portugu&ecirc;s nem sempre foi a l&iacute;ngua mais falada no Brasil. Houve    um per&iacute;odo no qual a l&iacute;ngua mais falada no Brasil era a l&iacute;ngua    geral, e foi apenas a partir dos s&eacute;culos XVII e XVIII que essa l&iacute;ngua    perdeu espa&ccedil;o para o portugu&ecirc;s, devido &agrave; obrigatoriedade    do seu uso e do seu ensino (2). Hoje, praticamente falado por toda a popula&ccedil;&atilde;o,    o portugu&ecirc;s &eacute; a l&iacute;ngua materna de cerca de 157 milh&otilde;es    de brasileiros (censo do IBGE, 1996). </font></P>     <P><FONT SIZE="3">Os imigrantes entraram no pa&iacute;s e trouxeram as suas l&iacute;nguas    maternas: outras hist&oacute;rias, outras ideologias. E o modo pelo qual eles    foram constitu&iacute;dos por suas l&iacute;nguas maternas foi determinante    da forma pela qual eles se relacionaram com o portugu&ecirc;s e com o Brasil.    Para os imigrantes, o portugu&ecirc;s era a l&iacute;ngua do estrangeiro, do    diferente. A maneira pela qual se deu a entrada e a adapta&ccedil;&atilde;o    do imigrante no novo ambiente (dos falantes de portugu&ecirc;s) estava articulada    com a forma pela qual eles se relacionaram com o aprendizado do portugu&ecirc;s.</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3"><b>HIST&Oacute;RICO DA IMIGRA&Ccedil;&Atilde;O</b> A introdu&ccedil;&atilde;o    de l&iacute;nguas estrangeiras no Brasil por imigrantes ocorreu cronologicamente    durante s&eacute;culos, nos diferentes per&iacute;odos hist&oacute;ricos. Durante    o Imp&eacute;rio, ocorreram imigra&ccedil;&otilde;es esparsas de grupos, mais    especificamente de falantes de italiano e de alem&atilde;o, tratadas diretamente    por D. Pedro I e D. Pedro II, havendo, aqui, influ&ecirc;ncia decisiva da imperatriz    D. Leopoldina, de origem austr&iacute;aca (Bolognini, 1996). </font></P>     <P><FONT SIZE="3">Contudo, o per&iacute;odo que corresponde ao grande movimento    imigrat&oacute;rio no Brasil estendeu-se de 1887, ou seja, pouco antes do estabelecimento    da Rep&uacute;blica, at&eacute; 1930. A imigra&ccedil;&atilde;o nesse per&iacute;odo    foi um fen&ocirc;meno em massa de grandes propor&ccedil;&otilde;es, decorrente    de condi&ccedil;&otilde;es s&oacute;cio-hist&oacute;ricas prop&iacute;cias nos    dois lados do Atl&acirc;ntico, intermediadas pelas Companhias de Navega&ccedil;&atilde;o    e de Imigra&ccedil;&atilde;o. Do lado dos pa&iacute;ses de origem dos imigrantes,    na Europa e na &Aacute;sia, a imigra&ccedil;&atilde;o era favorecida pelo in&iacute;cio    da industrializa&ccedil;&atilde;o, que causou empobrecimento da popula&ccedil;&atilde;o    e escassez de terras para agricultura. Do lado brasileiro, o governo republicano    e os fazendeiros de caf&eacute; viram na imigra&ccedil;&atilde;o uma solu&ccedil;&atilde;o    para diversos problemas, no momento em que o trabalho escravo era eliminado;    elementos populacionais eram necess&aacute;rios ao povoamento de &aacute;reas    de fronteiras territoriais e habitadas por ind&iacute;genas, e o chamado caldeamento    da ra&ccedil;a projetou-se entre as quest&otilde;es nacionais de identifica&ccedil;&atilde;o    do povo brasileiro. </FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">A partir da d&eacute;cada de 1920, a imigra&ccedil;&atilde;o    em massa foi sendo progressivamente coibida. Depois desse per&iacute;odo de    grande fluxo, a partir de 1930, a imigra&ccedil;&atilde;o se deu em menor escala,    em decorr&ecirc;ncia de problemas econ&ocirc;micos e pol&iacute;ticos, tal como    a Segunda Guerra Mundial.</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">A ampla extens&atilde;o e a complexidade da hist&oacute;ria    da imigra&ccedil;&atilde;o, com fatos como a imigra&ccedil;&atilde;o clandestina,    o sigilo em situa&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas dif&iacute;ceis, bem como    o registro dos filhos dos imigrantes como brasileiros e falantes de portugu&ecirc;s,    dificultam o estabelecimento de dados estat&iacute;sticos precisos quanto ao    n&uacute;mero de falantes das l&iacute;nguas estrangeiras atualmente, de modo    que se disp&otilde;em apenas de estimativas e dados esparsos, como os que apresentamos    adiante.</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3"><b>AS L&Iacute;NGUAS DOS IMIGRANTES</b> No Brasil, dada a variedade    de imigrantes que para c&aacute; vieram, principalmente da Europa e da &Aacute;sia,    s&atilde;o faladas v&aacute;rias dessas l&iacute;nguas. &Eacute; poss&iacute;vel    citar o alem&atilde;o, o &aacute;rabe, o chin&ecirc;s, o coreano, o espanhol,    o holand&ecirc;s, o ingl&ecirc;s, o italiano, o japon&ecirc;s, o leto e o pomerano.</font></P>     <P><FONT SIZE="3">Os imigrantes, falantes dessas l&iacute;nguas, vieram para o    Brasil em &eacute;pocas diferentes e se instalaram em diversas regi&otilde;es.Os    &aacute;rabes, por exemplo, fixaram-se no Brasil ainda no Imp&eacute;rio, com    o apoio de D. Pedro II, a partir de sua visita ao L&iacute;bano em 1876. J&aacute;    em 1880, novo grupo de libaneses imigrou para o Rio de Janeiro. Entre 1910 e    1940, eles instalaram-se em Vit&oacute;ria, Cachoeiro do Itapemirim e Alegre,    no Esp&iacute;rito Santo, al&eacute;m de algumas cidades no estado de S&atilde;o    Paulo.</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">Os espanh&oacute;is t&ecirc;m uma rela&ccedil;&atilde;o antiga    com o Brasil. Desde a uni&atilde;o pol&iacute;tica de Portugal e Espanha, entre    1580 e 1640, o espanhol se fez presente "oficialmente" no que hoje    se conhece como o territ&oacute;rio brasileiro. Durante o per&iacute;odo do    grande fluxo, os imigrantes espanh&oacute;is instalaram-se no Brasil atra&iacute;dos    pelo caf&eacute; e, mais tarde, entre 1950 e 1964, tamb&eacute;m pela ind&uacute;stria    e siderurgia. O contingente de espanh&oacute;is no Brasil constitui o terceiro    maior grupo de imigrantes, depois dos italianos e dos portugueses.</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">Um aspecto interessante tem a presen&ccedil;a dos holandeses    no Brasil. Em se tratando da introdu&ccedil;&atilde;o dessa l&iacute;ngua no    pa&iacute;s, h&aacute; dois per&iacute;odos que merecem destaque. O primeiro    deles remonta ao s&eacute;culo XVII, quando houve a tentativa de coloniza&ccedil;&atilde;o    do pa&iacute;s por parte dos holandeses. A import&acirc;ncia desse per&iacute;odo    deve-se ao incentivo cultural propiciado pelo governo holand&ecirc;s estabelecido    no Brasil. Como resultado, temos a cria&ccedil;&atilde;o de uma biblioteca,    da imprensa e o testemunho da &eacute;poca retratado em quadros e escrito em    livros de holandeses. O segundo momento ocorre a partir de meados do s&eacute;culo    XX, quando houve imigra&ccedil;&atilde;o oficial, com a compra de um grande    lote de terras, onde hoje est&aacute; situada a cidade de Holambra, no interior    paulista. O destaque fica marcado, nesse per&iacute;odo, pela grande produtividade    e contribui&ccedil;&atilde;o s&oacute;cio-econ&ocirc;mica da comunidade para    o Brasil. &Eacute; nessa regi&atilde;o que o holand&ecirc;s ainda &eacute; falado    no pa&iacute;s. Estima-se que entre dez e trinta mil imigrantes falantes de    holand&ecirc;s tenham vindo ao Brasil.</FONT></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><FONT SIZE="3">A seguir vamos tratar de modo mais espec&iacute;fico de tr&ecirc;s    l&iacute;nguas de imigra&ccedil;&atilde;o e seus modos de presen&ccedil;a no    Brasil: o alem&atilde;o, o italiano e o japon&ecirc;s.</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3"><b>O ALEM&Atilde;O</b> L&iacute;ngua de imigrantes de origem    alem&atilde;, su&iacute;&ccedil;a, russa (regi&atilde;o do Volga), polonesa    e austr&iacute;aca, &eacute; falada, atualmente, no Paran&aacute; (Rio Negro,    Ponta Grossa, Rol&acirc;ndia, Entre Rios), Santa Catarina (Blumenau, Joinville,    S&atilde;o Francisco do Sul, Brusque, Itaja&iacute;, S&atilde;o Bento) Esp&iacute;rito    Santo (Santa Leopoldina) e Rio Grande do Sul (S&atilde;o Leopoldo, Santa Augusta,    S&atilde;o Louren&ccedil;o, Lageado, Montenegro). Embora o Brasil ocupasse o    segundo lugar como pa&iacute;s de destino dos falantes de alem&atilde;o que    vieram para o continente americano (o primeiro pa&iacute;s de destino foram    os Estados Unidos), eles n&atilde;o se destacaram do conjunto de imigrantes    que vieram para o Brasil. Mesmo sendo o primeiro grupo vindo ao pa&iacute;s,    representam apenas 9% do total de imigrantes. Entre 1824 e 1830, entraram no    Brasil cerca de 5 mil falantes de alem&atilde;o, em decorr&ecirc;ncia dos grandes    problemas econ&ocirc;micos nos pa&iacute;ses de origem, e motivados pela propaganda    das companhias de imigra&ccedil;&atilde;o. Entre 1847 e 1854 entraram cerca    de 2,7 mil falantes de alem&atilde;o no pa&iacute;s. No Esp&iacute;rito Santo    os falantes dessa l&iacute;ngua se fixaram, principalmente, nos vales superiores    dos rios Jucu e Santa Maria da Vit&oacute;ria. Dentre eles, havia falantes origin&aacute;rios    da Alemanha e Pomer&acirc;nia (regi&atilde;o alvo de disputas entre a Pol&ocirc;nia    e a Pr&uacute;ssia, estado da atual Alemanha), que chegaram entre 1860 e 1879    e encontram-se, hoje, em comunidades relativamente coesas, em Pancas, Santa    Maria do Jetib&aacute; e Santa Teresa, com pr&aacute;tica do pomerano. O fluxo    de imigrantes falantes de alem&atilde;o foi interrompido durante 14 anos, devido    &agrave; revolu&ccedil;&atilde;o dos Farrapos e &agrave; proibi&ccedil;&atilde;o    de imigra&ccedil;&atilde;o na Alemanha em 1859. Essa proibi&ccedil;&atilde;o    foi revogada em 1896, sendo permitida a propaganda apenas para os tr&ecirc;s    estados do Sul do Brasil. Por esse motivo, dos 5 milh&otilde;es de imigrantes    que deixaram a Alemanha entre 1824 e 1939, apenas 7% vieram para o Brasil, de    modo que at&eacute; o in&iacute;cio da Segunda Guerra Mundial, h&aacute; o registro    da entrada de cerca de 300 mil falantes de alem&atilde;o no pa&iacute;s. Somando-se    seus descendentes, considera-se que at&eacute; 1935 havia um total aproximado    de 1,2 milh&atilde;o desses falantes no pa&iacute;s. </font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v57n2/a16img01.gif"></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><FONT SIZE="3">Os falantes de alem&atilde;o organizavam-se em pequenos grupos,    onde mantinham seus dialetos locais. Eles trouxeram, al&eacute;m da doutrina    religiosa, o alem&atilde;o padr&atilde;o (hochdeutsch), pois os pastores tinham    forma&ccedil;&atilde;o acad&ecirc;mica. Esses pastores encontraram, inicialmente,    resist&ecirc;ncia nas comunidades j&aacute; existentes, mas conseguiram, em    grande parte, implantar seu discurso, que pregava a filia&ccedil;&atilde;o ao    novo Estado alem&atilde;o. Foi nessa &eacute;poca, tamb&eacute;m, que diversas    publica&ccedil;&otilde;es em idioma alem&atilde;o foram feitas no Brasil: jornais,    cartilhas, manuais de orienta&ccedil;&atilde;o religiosa e familiar, manuais    t&eacute;cnicos, boletins informativos e livros de hist&oacute;ria e literatura    inspirados na vida dos imigrantes. Em 1917, o Brasil entra na Primeira Guerra    Mundial contra a Alemanha e a circula&ccedil;&atilde;o de peri&oacute;dicos    em alem&atilde;o e as institui&ccedil;&otilde;es (escolas, igrejas) alem&atilde;s    foram proibidas de funcionar. No entanto, interessantemente, entre 1910 e 1928,    aumenta o n&uacute;mero de peri&oacute;dicos em l&iacute;ngua alem&atilde;,    e tamb&eacute;m os j&aacute; existentes t&ecirc;m sua tiragem ampliada. Logo    ap&oacute;s o t&eacute;rmino da guerra, as rela&ccedil;&otilde;es diplom&aacute;ticas    entre os dois pa&iacute;ses foram reatadas e o alem&atilde;o, bem como o funcionamento    de escolas e igrejas, deixou de ser proibido. Nova proibi&ccedil;&atilde;o ocorreu    com a entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial, quando novamente escolas    e igrejas foram fechadas e jornais foram proibidos de circular. Apesar dessas    proibi&ccedil;&otilde;es, h&aacute; um n&uacute;mero consider&aacute;vel de    brasileiros que se consideram falantes de alem&atilde;o, por serem descendentes    de imigrantes. </FONT></P>     <P><FONT SIZE="3"><b>O ITALIANO</b> Falantes de italiano migraram da Europa para    a Am&eacute;rica principalmente durante o grande fluxo, em n&uacute;mero aproximado    de 57 milh&otilde;es de indiv&iacute;duos (De Decca, 1993). Os registros de    imigra&ccedil;&atilde;o dispon&iacute;veis, a maior parte deles encontrando-se    apenas no estado de S&atilde;o Paulo, indicam que entraram no Brasil 1.401.335    imigrantes italianos (Bergman, 1977).</font></P>     <P><FONT SIZE="3">Os falantes de italiano e de variedades desta l&iacute;ngua    instalaram-se nas regi&otilde;es Sul e Sudeste, al&eacute;m do sul da Bahia.    Contudo, em vista das migra&ccedil;&otilde;es interestaduais motivadas pela    busca de terras em outras regi&otilde;es ap&oacute;s 1970, hoje h&aacute; descendentes    de italianos concentrados tamb&eacute;m em estados do Centro-Oeste (Mato Grosso,    Mato Grosso do Sul, Rond&ocirc;nia e Goi&aacute;s) e do Norte (Acre e Par&aacute;).</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">Algumas variedades de italiano continuam sendo faladas nas regi&otilde;es    Sul e Sudeste at&eacute; hoje. A conviv&ecirc;ncia de grupos de imigrantes em    comunidades relativamente coesas, bem como o isolamento das col&ocirc;nias agr&iacute;colas    em rela&ccedil;&atilde;o a centros populacionais, em certas regi&otilde;es,    contribuiu para a manuten&ccedil;&atilde;o de sua l&iacute;ngua.</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">Por outro lado, o italiano, assim como outras l&iacute;nguas    estrangeiras, como o alem&atilde;o, foram pontualmente interditadas durante    as guerras mundiais e durante o Estado Novo (1937-1945), no contexto nacionalista    pr&oacute;prio &agrave; d&eacute;cada de 1930. De um certo modo, a Segunda Guerra    funcionou, tamb&eacute;m, como argumento no inevit&aacute;vel processo de nacionaliza&ccedil;&atilde;o    que j&aacute; havia sido iniciado, de fato, desde o in&iacute;cio do grande    fluxo imigrat&oacute;rio. De forma incisiva, atrav&eacute;s de legisla&ccedil;&atilde;o    espec&iacute;fica e da minuciosa Campanha de Nacionaliza&ccedil;&atilde;o do    Ensino, iniciada em 1938, o Estado brasileiro implantou o portugu&ecirc;s como    l&iacute;ngua nacional nas &aacute;reas de coloniza&ccedil;&atilde;o estrangeira,    (re)for&ccedil;ando a nacionaliza&ccedil;&atilde;o. Esse fato inibiu significativamente    a pr&aacute;tica das l&iacute;nguas maternas dos imigrantes, marcadamente no    dom&iacute;nio p&uacute;blico e institucional, sobretudo na imprensa escrita    e na escola, mas tamb&eacute;m no espa&ccedil;o privado. </FONT></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><FONT SIZE="3">Contudo, a Campanha de Nacionaliza&ccedil;&atilde;o do Ensino    n&atilde;o conseguiu apagar totalmente as l&iacute;nguas estrangeiras junto    a uma pr&aacute;tica de linguagem eminentemente oral. Al&eacute;m disso, no    Brasil as variedades do italiano misturaram-se ao portugu&ecirc;s, de modo que    em regi&otilde;es de densa imigra&ccedil;&atilde;o a popula&ccedil;&atilde;o    fala o portugu&ecirc;s com tra&ccedil;os de italiano — presentes na fonologia,    no l&eacute;xico, na morfossintaxe e na pr&aacute;tica mesclada das l&iacute;nguas,    com fragmentos de discursos, prov&eacute;rbios e express&otilde;es em italiano    e em portugu&ecirc;s. </FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">A partir dos anos 1980, em um contexto s&oacute;cio-hist&oacute;rico    bem diferente dos anos 1930, com o aparecimento dos discursos sobre a globaliza&ccedil;&atilde;o    econ&ocirc;mica, as especificidades "culturais" e "regionais",    como as que dizem respeito aos imigrantes, passam a adquirir lugar na m&iacute;dia,    de modo que se assiste, atualmente, a um certo revigoramento dos elementos relativos    &agrave; mem&oacute;ria dos imigrantes. Nesse contexto, algumas cidades colonizadas    por italianos passaram a inserir o ensino do italiano como l&iacute;ngua estrangeira    nas escolas. A presen&ccedil;a desse discurso na m&iacute;dia fez crescer, por    exemplo, em 25% o &iacute;ndice de procura de cursos de italiano na cidade de    S&atilde;o Paulo, em 1999, onde o n&uacute;mero de descendentes de italianos    chega a cinco milh&otilde;es. </FONT></P>     <P><FONT SIZE="3"><b>O JAPON&Ecirc;S </b>A l&iacute;ngua japonesa falada no Brasil    pode ser definida como resultante da fus&atilde;o de dialetos das diferentes    regi&otilde;es do Jap&atilde;o, com predomin&acirc;ncia de um ou mais dialetos    conforme a concentra&ccedil;&atilde;o de falantes procedentes dessas regi&otilde;es    (D&oacute;i,2004). Al&eacute;m dessa mistura de dialetos, o japon&ecirc;s falado    atualmente no Brasil apresenta um outro tra&ccedil;o: a presen&ccedil;a do portugu&ecirc;s.    </font></P>     <P><FONT SIZE="3">Essa l&iacute;ngua, usada na comunica&ccedil;&atilde;o cotidiana    no contexto nipo-brasileiro, &eacute; chamada de koronia-go ("l&iacute;ngua    da col&ocirc;nia"), e &eacute; comumente caracterizada pelos japoneses    como "o japon&ecirc;s antigo misturado de l&iacute;ngua brasileira (o portugu&ecirc;s)".    O uso da l&iacute;ngua japonesa n&atilde;o se limita apenas ao meio de comunica&ccedil;&atilde;o    oral na comunidade nipo-brasileira. A l&iacute;ngua escrita tem tido lugar nas    publica&ccedil;&otilde;es de jornais, interrompidas, juntamente com a pr&aacute;tica    p&uacute;blica da l&iacute;ngua, no per&iacute;odo da Segunda Guerra. Al&eacute;m    disso, desde o in&iacute;cio da imigra&ccedil;&atilde;o, diferentes manifesta&ccedil;&otilde;es    liter&aacute;rias t&ecirc;m sido desenvolvidas no seio da comunidade sob a forma    de contos, romances, e poemas. </FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">Sua introdu&ccedil;&atilde;o no Brasil (D&oacute;i, idem) iniciou-se    em 1908, quando cerca de 800 indiv&iacute;duos de diferentes regi&otilde;es    do Jap&atilde;o chegaram ao estado de S&atilde;o Paulo para trabalhar nas fazendas    de caf&eacute;. Estima-se que at&eacute; a Segunda Guerra, cerca de 190 mil    imigrantes japoneses chegaram ao Brasil e, a partir de 1953, em torno de 50    mil japoneses dirigiram-se aos n&uacute;cleos coloniais das regi&otilde;es da    Amaz&ocirc;nia, Nordeste e Sul do pa&iacute;s. Segundo pesquisa realizada pelo    Centro de Estudos Nipo-Brasileiros, em 1987, estima-se que a popula&ccedil;&atilde;o    japonesa (japoneses e seus descendentes) residente no Brasil atinge o n&uacute;mero    de um 1,3 milh&atilde;o de habitantes, dos quais os isseis (japoneses de primeira    gera&ccedil;&atilde;o nascidos no Jap&atilde;o) representam 12,51%, os nisseis    (filhos de japoneses) 30,85%, os sanseis (netos de japoneses) 41,33% — dentre    os quais 42% s&atilde;o mesti&ccedil;os —, os yonseis (bisnetos de japoneses)    constituem 12,95%, dos quais 61% s&atilde;o mesti&ccedil;os. Ainda segundo essa    pesquisa, apenas 0,23% da popula&ccedil;&atilde;o japonesa no Brasil fala atualmente    o japon&ecirc;s.</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">A l&iacute;ngua japonesa marca tamb&eacute;m sua presen&ccedil;a    no portugu&ecirc;s brasileiro, na introdu&ccedil;&atilde;o de itens lexicais    que representam os v&aacute;rios segmentos da cultura japonesa e que est&atilde;o    inseridos na sociedade brasileira, tais como na alimenta&ccedil;&atilde;o (<i>sushi,    sashimi, tempura, shoyu, shiitake</i>), nos esportes e lazer (<i>jud&ocirc;,    jiujitsu, karaoke</i>), nos costumes (<i>tatami, fur&ocirc;, quimono</i>), etc.    </FONT></P>     <P><FONT SIZE="3"><b>CONSIDERA&Ccedil;&Otilde;ES FINAIS</b> Entre a l&iacute;ngua    materna e a l&iacute;ngua nacional Se trabalharmos a quest&atilde;o do sujeito    constitu&iacute;do pela linguagem a partir de P&ecirc;cheux (1969) pensando    o falante de determinada l&iacute;ngua a partir do lugar de interlocu&ccedil;&atilde;o    que lhe cabe na cadeia discursiva, ser&aacute; necess&aacute;rio refletirmos    sobre a maneira pela qual os discursos se articulam para definir esse lugar    que o imigrante ocupa em rela&ccedil;&atilde;o ao brasileiro (Bolognini, 1996).    Dito de outra forma: o imigrante ocupa um determinado lugar de interlocu&ccedil;&atilde;o    na sua l&iacute;ngua materna. E a sua l&iacute;ngua materna tamb&eacute;m reserva    um lugar de interlocu&ccedil;&atilde;o para os falantes do portugu&ecirc;s do    Brasil. Como se daria essa rela&ccedil;&atilde;o? </font></P>     <P><FONT SIZE="3">Ela n&atilde;o &eacute; sempre igual. Consideremos duas pesquisas    conduzidas com diferentes descendentes de imigrantes: uma com descendentes de    italiano, outra com descendentes de alem&atilde;o (3). Ou seja, com sujeitos    constitu&iacute;dos por outros, que por sua vez foram constitu&iacute;dos por    outros que tinham o italiano, por um lado, e o alem&atilde;o, por outro, como    l&iacute;ngua materna. As diferen&ccedil;as encontradas podem ser sintetizadas    em um dado fundamental: as entrevistas com os descendentes de italiano foram    conduzidas em portugu&ecirc;s, e as entrevistas com os descendentes de alem&atilde;o    foram conduzidas em alem&atilde;o. </FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">A quest&atilde;o que fica &eacute; a seguinte: os sujeitos constitu&iacute;dos    pelo alem&atilde;o ocupam um lugar de interlocu&ccedil;&atilde;o em sua rela&ccedil;&atilde;o    com o portugu&ecirc;s que faz com que a situa&ccedil;&atilde;o de "ser    estrangeiro" no Brasil n&atilde;o lhes seja desconfort&aacute;vel. H&aacute;    algo no idioma alem&atilde;o que lhes assegura um lugar de interlocu&ccedil;&atilde;o    dif&iacute;cil de ser perdido para o lugar de interlocu&ccedil;&atilde;o que    o portugu&ecirc;s lhes asseguraria (Bolognini, 1996). </FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">Os descendentes de italiano, por outro lado, s&atilde;o pegos    de outra forma na cadeia discursiva. Seu lugar de interlocu&ccedil;&atilde;o    como descendentes de italianos n&atilde;o pressup&otilde;e o dom&iacute;nio,    ou algum dom&iacute;nio do idioma, mesmo que este possa ser falado. Eles s&atilde;o    afetados de outra maneira pela pol&iacute;tica de l&iacute;nguas existente no    pa&iacute;s. </FONT></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><FONT SIZE="3">Quando se fala em pol&iacute;tica de l&iacute;nguas no Brasil    com rela&ccedil;&atilde;o aos imigrantes, h&aacute; uma remiss&atilde;o quase    imediata &agrave; proibi&ccedil;&atilde;o de alguns idiomas (alem&atilde;o,    italiano, japon&ecirc;s) durante os per&iacute;odos das grandes guerras mundiais.    Entretanto, discuss&otilde;es a respeito da nacionaliza&ccedil;&atilde;o dos    imigrantes j&aacute; estavam em discuss&atilde;o desde o in&iacute;cio do processo    imigrat&oacute;rio, nos estados. Nessas discuss&otilde;es, propunha-se para    as zonas de densa imigra&ccedil;&atilde;o uma educa&ccedil;&atilde;o tendente    &agrave; nacionaliza&ccedil;&atilde;o, com a contrata&ccedil;&atilde;o de professores    bil&iacute;ng&uuml;es, de modo que o aprendizado do portugu&ecirc;s fosse o    aspecto primordial a ser levado em considera&ccedil;&atilde;o (Ribeiro, 1889    e Bilac, 1916). </FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">A interdi&ccedil;&atilde;o das l&iacute;nguas dos imigrantes    tem sido abordada, entre outras dire&ccedil;&otilde;es, como um fato discursivo    da ordem do "silenciamento" (Orlandi, 1992), da mem&oacute;ria e do    esquecimento da l&iacute;ngua e, conseq&uuml;entemente, da chamada identidade    cultural, em sua rela&ccedil;&atilde;o com o processo de nacionaliza&ccedil;&atilde;o    (Payer, 1999). Nesta perspectiva, aspectos constitutivos da rela&ccedil;&atilde;o    entre sujeito e a l&iacute;ngua materna – silenciada – e a l&iacute;ngua nacional,    em que este se inscreve juridicamente como cidad&atilde;o, v&ecirc;m sendo estudados    quanto a suas implica&ccedil;&otilde;es na pr&aacute;tica de linguagem e nos    processos hist&oacute;ricos de constitui&ccedil;&atilde;o do sujeito de linguagem.</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3"> Nessa perspectiva tem-se observado que tanto o <i>modus operandi</i>    do silenciamento (interdi&ccedil;&atilde;o) quanto o fato discursivo do sil&ecirc;ncio    sobre a presen&ccedil;a das l&iacute;nguas estrangeiras praticadas pelos descendentes    de imigrantes no Brasil n&atilde;o deixaram de imprimir marcas no sujeito que    se escolariza, bem como na mem&oacute;ria social. Por exemplo, especificamente    quanto aos elementos do italiano presentes no portugu&ecirc;s, eles v&ecirc;m    sendo interpretados como tra&ccedil;os de um retorno involunt&aacute;rio, na    mem&oacute;ria, da l&iacute;ngua apagada (Payer, 1999 e 2003). Essa abordagem,    considerando o sujeito e a hist&oacute;ria presentes na l&iacute;ngua, difere    substancialmente daquela que os compreende como "regionalismos" ou    "dialetos regionais", no&ccedil;&otilde;es estas concebidas a partir    de origens positivistas da ling&uuml;&iacute;stica.</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3"> Tem-se observado, portanto, que na pr&aacute;tica de linguagem    dos falantes descendentes de imigrantes apresenta-se uma <i>tens&atilde;o entre    a l&iacute;ngua nacional e a l&iacute;ngua materna</i>, que se produz na hist&oacute;ria    e atinge tanto a estrutura da l&iacute;ngua quanto o sujeito. O estudo dessa    tens&atilde;o na pr&aacute;tica de linguagem leva a se desvendarem quest&otilde;es    sobre o ensino de l&iacute;ngua (portugu&ecirc;s), tal como a import&acirc;ncia    de se explicitar – e n&atilde;o silenciar – as rela&ccedil;&otilde;es hist&oacute;ricas    tensas entre a l&iacute;ngua nacional e as l&iacute;nguas maternas da popula&ccedil;&atilde;o,    e de se considerar as situa&ccedil;&otilde;es internas ao pa&iacute;s em que    a l&iacute;ngua nacional ensinada na escola n&atilde;o coincide com a l&iacute;ngua    materna dos alunos. &Eacute; importante, nesse sentido, lembrar tamb&eacute;m    que h&aacute; situa&ccedil;&otilde;es em que a l&iacute;ngua materna se comp&otilde;e    de materialidades ling&uuml;&iacute;sticas que se constituem de elementos de    mais de uma l&iacute;ngua (Payer, 1999). </FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">A rela&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica densa entre as l&iacute;nguas    interfere, portanto, na constitui&ccedil;&atilde;o do sujeito de linguagem.    <i>A sua rela&ccedil;&atilde;o com os tra&ccedil;os da l&iacute;ngua "apagada"    &eacute; marcada pela mem&oacute;ria de uma l&iacute;ngua silenciada. Ao mesmo    tempo em que esses tra&ccedil;os constituem o sujeito no real da l&iacute;ngua,    eles constam como tra&ccedil;os a serem apagados</i>, na medida em que &eacute;    o portugu&ecirc;s que o interpela juridicamente, como a l&iacute;ngua apropriada    a seu estatuto de cidad&atilde;o brasileiro (idem). </FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">Assim, um dos interesses em estudar a quest&atilde;o das l&iacute;nguas    dos imigrantes atualmente est&aacute;, ao nosso ver, em compreender que a <i>l&iacute;ngua    materna silenciada na hist&oacute;ria deixa no sujeito sua mem&oacute;ria</i>.    Ela <i>deixa inscrito um lugar de l&iacute;ngua</i>, que n&atilde;o poderia,    entretanto, ser preenchido por uma suposta restitui&ccedil;&atilde;o da l&iacute;ngua    apagada, atrav&eacute;s do ensino da l&iacute;ngua estrangeira correspondente    (alem&atilde;o, japon&ecirc;s, italiano...), como &agrave;s vezes se imagina.    Se as l&iacute;nguas dos imigrantes, em sua maior parte silenciadas, t&ecirc;m    um papel na mem&oacute;ria social brasileira, <i>isso se d&aacute; em seu estatuto    de l&iacute;ngua apagada mesmo</i>, cuja presen&ccedil;a remota pode ser &agrave;s    vezes apenas notada, por exemplo, atrav&eacute;s do riso (equ&iacute;voco) que    acompanha o seu aparecimento; da pr&aacute;tica sinest&eacute;sica do canto    da l&iacute;ngua silenciada, em antigas can&ccedil;&otilde;es em dialetos; na    denega&ccedil;&atilde;o de sua presen&ccedil;a ocorrendo na ultracorre&ccedil;&atilde;o    do portugu&ecirc;s (Payer, 2003). </FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">Muito embora o ensino das l&iacute;nguas estrangeiras correspondentes    dos imigrantes possa interessar tanto &agrave; forma&ccedil;&atilde;o cultural    quanto a situa&ccedil;&otilde;es pragm&aacute;ticas das rela&ccedil;&otilde;es    internacionais, um trabalho significativo com as l&iacute;nguas de imigrantes    historicamente presentes no Brasil ultrapassa a quest&atilde;o do restabelecimento    ilus&oacute;rio das l&iacute;nguas perdidas. O trabalho minucioso com os sentidos    presentes na mem&oacute;ria hist&oacute;rico-discursiva &eacute; o que parece    poder levar &agrave; formula&ccedil;&atilde;o – na contraface do silenciamento    – dos sentidos silenciados junto com as l&iacute;nguas, de modo a produzir,    nas representa&ccedil;&otilde;es sociais, lugar para a multiplicidade das l&iacute;nguas    e das mem&oacute;rias culturais que constituem o brasileiro. </FONT></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><FONT SIZE="3"><i><b>Carmen Zink Bolognini</b> &eacute; professora do Departamento    de Ling&uuml;&iacute;stica Aplicada e coordenadora associada da Comiss&atilde;o    de Gradua&ccedil;&atilde;o do Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp.    <br>   <b>Maria Onice Payer</b> &eacute; professora do curso de letras da UFSCar e    professora do curso de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o da Univ&aacute;s.</i></FONT></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>&nbsp;</P>     <P>&nbsp;</P>     <P><FONT SIZE="3"><b>NOTAS</b></FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">1. Projetos coordenados no Instituto de Estudos da Linguagem    da Unicamp pelos professores Eni P. Orlandi e Eduardo Guimar&atilde;es, a partir    da An&aacute;lise do Discurso e da Sem&acirc;ntica Hist&oacute;rica da Enuncia&ccedil;&atilde;o    – Endere&ccedil;o da Enciclop&eacute;dia das L&iacute;nguas no Brasil (ELB):    <i><a href="http://www.labeurb.unicamp.br/elb/" target="_blank">http://www.labeurb.unicamp.br/elb/</a></i>    </FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">2. Ver tamb&eacute;m os artigos de L.C. Borges e J. Horta    Nunes, em Orlandi (org.) 2001.</FONT></P>     <P><FONT SIZE="3">3. Payer, M. O .1999 e Schumm, G.S.C., 2004, respectivamente.    </FONT></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><FONT SIZE="3"><b>BIBLIOGRAFIA CITADA</b></FONT></P>     <!-- ref --><P><FONT SIZE="3">Bergman, M. P. <i>Nasce um povo</i>. Petr&oacute;polis: Ed.    Vozes, 1977.</FONT><!-- ref --><P><FONT SIZE="3">Bilac, O. (1916) "A l&iacute;ngua portuguesa". <i>In    &Uacute;ltimas confer&ecirc;ncias e discursos</i>. S&atilde;o Paulo: Livraria    Francisco Alves. 1927. </FONT><!-- ref --><P><FONT SIZE="3">Bolognini, C.Z. "A hist&oacute;ria e a ideologia nas rela&ccedil;&otilde;es    de contato Brasil-Alemanha". Tese de doutorado Unicamp. 1996.</FONT><!-- ref --><P><FONT SIZE="3">Decca, E. S. De."Immigrants in Brazil: tension and cultural    identity". <i>Ibero-american heritage curriculum latinos in the making    of the United States of Am&eacute;rica: yesterday, today and tomorrow</i>. Readings    for Teachers. 1993.</FONT><!-- ref --><P><FONT SIZE="3">D&oacute;i, E. T. "Japon&ecirc;s". <i>Enciclop&eacute;dia    das L&iacute;nguas no Brasil</i>. IEL, Unicamp. <i><a href="http://www.labeurb.unicamp.br/elb/" target="_blank">http://www.labeurb.unicamp.br/elb/</a> 2004</i>.</FONT><!-- ref --><P><FONT SIZE="3">Guimar&atilde;es, E. e Orlandi, E. <i>L&iacute;ngua e cidadania</i>.    Campinas: Pontes. 1996.</FONT><!-- ref --><P><FONT SIZE="3">Guimar&atilde;es, E. "Pol&iacute;tica de l&iacute;nguas".    <i>Enciclop&eacute;dia das L&iacute;nguas no Brasil</i>. IEL, Unicamp. <i><a href="http://www.labeurb.unicamp.br/elb/" target="_blank">http://www.labeurb.unicamp.br/elb/</a> 2004</i>.</FONT><!-- ref --><P><FONT SIZE="3">P&ecirc;cheux, M. (1969). "An&aacute;lise autom&aacute;tica    do discurso". <i>In Por uma an&aacute;lise autom&aacute;tica do discurso</i>.    F. Gadet e T. Hak (ogs.). Campinas: Ed. da Unicamp, 1990.</FONT><!-- ref --><P><FONT SIZE="3">Orlandi, E. <i>As formas do sil&ecirc;ncio. No movimento dos    sentidos</i>. Campinas: Ed. da Unicamp, 1992.</FONT><!-- ref --><P><FONT SIZE="3">Orlandi, E. <i>Hist&oacute;ria das id&eacute;ias ling&uuml;&iacute;sticas.    Constitui&ccedil;&atilde;o do saber metaling&uuml;&iacute;stico e constitui&ccedil;&atilde;o    da l&iacute;ngua nacional</i>. Campinas e C&aacute;ceres: Eds. Pontes &amp;    Unemat, 2001.</FONT><!-- ref --><P><FONT SIZE="3">Orlandi, E. <i>L&iacute;ngua e conhecimento ling&uuml;&iacute;stico</i>.    S&atilde;o Paulo: Cortez. 2002.</FONT><!-- ref --><P><FONT SIZE="3">Payer, M. O. "Mem&oacute;ria da l&iacute;ngua. Imigra&ccedil;&atilde;o    e nacionalidade". Tese de doutorado. IEL, Unicamp, !999.</FONT><!-- ref --><P><FONT SIZE="3">Payer, M. O. "Mem&oacute;ria da l&iacute;ngua e ensino    – Modos de aparecimento de uma l&iacute;ngua apagada no trabalho do esquecimento".    <i>Organon</i>, revista do Instituto de Letras da UFRGS, n&uacute;mero 35. 2003.</FONT><!-- ref --><P><FONT SIZE="3">Ribeiro, J. <i>Grammatica portugueza</i>. 3a. edi&ccedil;&atilde;o,    Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1889.</FONT><!-- ref --><P><FONT SIZE="3">Schumm, G.S.C. "Um estudo enunciativo de uma pol&iacute;tica    de l&iacute;nguas: uma identidade misturada". IEL, Unicamp. 2004. </FONT> ]]></body><back>
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