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</front><body><![CDATA[ <p><font size="4"><b>JULIO VERNE</b></font></p>     <p><font size=5> <b>C<small>ENTEN&Aacute;RIO DA MORTE DO PAI DA FIC&Ccedil;&Atilde;O    CIENT&Iacute;FICA</small></b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">O mundo m&aacute;gico criado, atualmente, por    escritores, roteiristas e diretores de filmes como <i>O senhor dos an&eacute;is,    Harry Potter</i> e <i>Guerra nas estrelas</i>, certamente paga um tributo ao    pai da fic&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica, cuja morte completa cem anos.    Escrita num mundo muito distante das possibilidades acenadas pela alta tecnologia    de hoje, <i>Cinco semanas em um bal&atilde;o</i>, obra inaugural do ent&atilde;o    desconhecido autor franc&ecirc;s Jules Gabriel Verne, lan&ccedil;ada em 31 de    janeiro de 1863, propunha a primeira de uma s&eacute;rie bem-sucedida de viagens    liter&aacute;rias, mais tarde chamadas de fic&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica.    O produtivo escritor Julio Verne, como ficou popularmente conhecido no idioma    portugu&ecirc;s, alimentaria a imagina&ccedil;&atilde;o de seus leitores com    hist&oacute;rias que dificilmente s&atilde;o superadas mesmo depois de passado    um s&eacute;culo de sua morte, em dia 24 de mar&ccedil;o de 1905. Seus personagens    cruzaram os sete mares, o espa&ccedil;o a&eacute;reo terrestre, mergulharam    nas &aacute;guas e penetraram nas terras mais profundas, quentes e geladas,    at&eacute; atingir a Lua, ambientadas no presente, passado ou s&eacute;culos    &agrave; frente, em trajet&oacute;rias descritas em mais de 70 obras.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p ALIGN="center"><img src="/img/revistas/cic/v57n2/a26img01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Verne nasceu em 8 de fevereiro de 1828 em Nantes,    na Fran&ccedil;a, com a vida planejada para seguir carreira de advogado, como    o pai. Nessa dire&ccedil;&atilde;o, embarcou para Paris, mas o amor ao teatro    promoveu um desvio de rota, ao acatar o conselho do amigo Alexandre Dumas (autor    de <i>Os tr&ecirc;s mosquiteiros</i>) para escrever pe&ccedil;as, enquanto ganhava    a vida como corretor da bolsa de valores da cidade.</font></p>     <p><font size="3">Com o apoio do amigo e editor Pierre-Jules Hetzel,    que adequava seus escritos, produzidos com tal avidez que lhe garantia duas    a tr&ecirc;s novas publica&ccedil;&otilde;es ao ano, trilhou uma bem-sucedida    carreira. Sua obra constitui-se de ensaios, pe&ccedil;as, poemas, contos e romances,    mas foram as suas 54 &quot;Viagens Espetaculares&quot; que o consagraram. Muitas    vezes descritas em mais de um volume, publicadas com alguns anos de diferen&ccedil;a,    as viagens foram material f&eacute;rtil que os est&uacute;dios de Hollywood    popularizaram pelo mundo afora.</font></p>     <p><FONT SIZE="3"><b>UMA AVENTURA CIENT&Iacute;FICA </b>Ricas em    detalhes e escritas em tom de di&aacute;rio de viagem, inclusive com notas de    coordenadas geogr&aacute;ficas, essas hist&oacute;rias maravilhosas nasciam    inspiradas na leitura que Verne fazia de outros autores, como o norte-americano    Edgar Allan Poe, de revistas como <i>Le Tour du Monde-Nouveau Journal de Voyages</i>,    e em conversas com amigos cientistas sobre as recentes descobertas e avan&ccedil;os,    como Felix Nadar, interessado em navega&ccedil;&atilde;o a&eacute;rea e balonismo,    tema recorrente em diferentes romances. O resultado &eacute; uma fascinante    mescla de fic&ccedil;&atilde;o e realidade, aventura e princ&iacute;pios cient&iacute;ficos,    que lhe renderam, inclusive, o t&iacute;tulo de profeta de feitos que a ci&ecirc;ncia    produziria, pelo menos, seis d&eacute;cadas mais tarde, como em sua <i>Da Terra    &agrave; Lua</i> (1865), com eventos que se assemelham ao programa espacial    da Nasa.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><FONT SIZE="3"><b>O FANT&Aacute;STICO NAS IMAGENS </b>As mais    de quatro mil imagens presentes nas <i>Viagens Extraordin&aacute;rias</i> potencializavam    a verossimilhan&ccedil;a dos acontecimentos e contribu&iacute;am para tornar    a leitura ainda mais saborosa, em tempos em que esfor&ccedil;os para combater    o analfabetismo na Fran&ccedil;a ainda estavam em andamento. Arthur Evans, editor    do peri&oacute;dico <i>Science Fiction Studies</i> e professor da Universidade    DePauw, dos EUA, analisou as ilustra&ccedil;&otilde;es das obras de Julio Verne    e concluiu que, para cada seis ou oito p&aacute;ginas, h&aacute; uma imagem    que ilustra os protagonistas, locais visitados, documentos (como mapas e cartas    n&aacute;uticas) e acontecimentos, geralmente antecedendo os fatos narrados,    como uma forma de motivar a leitura. Para Evans, as ilustra&ccedil;&otilde;es    teriam mais um valor pedag&oacute;gico do que propriamente o de reproduzir momentos    cruciais da hist&oacute;ria.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p ALIGN="center"><img src="/img/revistas/cic/v57n2/a26img02.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Entre os principais ilustradores de Julio Verne    estavam George Roux e Le&oacute;n Benett, cujo trabalho era minuciosamente acompanhado    e muitas vezes at&eacute; modificado pelo pr&oacute;prio autor das hist&oacute;rias.    Certa vez, o editor Hetzel se viu obrigado a intervir em um aparente desentendimeto    entre Verne e Benett sobre a representa&ccedil;&atilde;o de um dos protagonistas.</font></p>     <p><font size="3">Embora Julio Verne nunca tenha visitado o Brasil,    ambientou uma de suas <i>Viagens Extraordin&aacute;rias</i> em solo nacional.    Em <i>A jangada – 800 l&eacute;guas pelo Amazonas</i>, publicada em 1881, conta    a trajet&oacute;ria de uma fam&iacute;lia em uma esp&eacute;cie de casa flutuante    at&eacute; o destino final, Bel&eacute;m, para realizar o casamento da filha.    H&aacute; tamb&eacute;m men&ccedil;&otilde;es ao descobrimento oficial do Brasil,    em uma publica&ccedil;&atilde;o de 1873. </font></p>     <p><FONT SIZE="3"><b>VIS&Atilde;O FUTURISTA </b>Seus &uacute;ltimos    trabalhos tratavam dos impactos da tecnologia no ambiente, como em <i>Propeller    Island</i> (1896), onde popula&ccedil;&otilde;es nativas de ilhas da Polin&eacute;sia    s&atilde;o destru&iacute;das, ou em <i>The sphinx of the ice fields</i> (1897),    onde prev&ecirc; a dizima&ccedil;&atilde;o de baleias. A &uacute;ltima obra    foi <i>A invas&atilde;o do mar</i> (1905), onde um projeto de cria&ccedil;&atilde;o    de um mar atrav&eacute;s de canais de comunica&ccedil;&atilde;o com o Mediterr&acirc;neo,    &eacute; mal recebido pela popula&ccedil;&atilde;o local que v&ecirc; seu estilo    de vida amea&ccedil;ado. A mudan&ccedil;a do tom, inicialmente otimista em rela&ccedil;&atilde;o    aos benef&iacute;cios que a tecnologia poderia trazer &agrave; humanidade, acontece,    principalmente, depois da morte de Hetzel, em 1886 e &eacute; um dos motivos    do livro <i>Paris no s&eacute;culo XX</i> (1863) s&oacute; ter sido publicado    em 1989, pelo bisneto de Verne. Temendo a repercuss&atilde;o negativa que teria    na carreira do escritor, seu editor preferiu censurar a hist&oacute;ria de um    jovem que vive em um mundo de arranha-c&eacute;us, trens de alta velocidade,    carros movidos a g&aacute;s e rede mundial de comunica&ccedil;&atilde;o, que    n&atilde;o encontra a felicidade diante de um ambiente altamente materialista,    resultando em um fim tr&aacute;gico.</font></p>     <p><FONT SIZE="3"><b>CENTEN&Aacute;RIO</b> As comemora&ccedil;&otilde;es    s&atilde;o coordenadas pelo Centro Internacional Jules Verne, na Fran&ccedil;a    que iniciou o Congresso Mundial de Jules Verne, de 19 a 27 de mar&ccedil;o,    com uma s&eacute;rie de debates, encontros e visitas que transcorreram em cidades    francesas como Picardie, Loire e Paris. <i>As Viagens Extraordin&aacute;rias</i>    tamb&eacute;m ser&atilde;o recontadas ao p&uacute;blico de Picardie at&eacute;    novembro deste ano e a <i>Casa de Jules Verne</i>, localizada em Amiens (cidade    onde morreu), dever&aacute; ser inaugurada em dezembro de 2005 com a proposta    de ser um espa&ccedil;o de encontro com a vida e obra do autor franc&ecirc;s.    Em 16 de outubro de 2004 os estudantes Gilles Savy e Nicolas Pimbaud refizeram    a famosa <i>Viagem ao redor do mundo em 80 dias</i>, monitorada por sat&eacute;lite    e que produziu fotos, v&iacute;deo e material que ser&aacute; divulgado durante    o ano todo nas escolas de Picardie. A editora Actes Sud e a cidade de Nantes    reeditar&atilde;o t&iacute;tulos pouco conhecidos e esquecidos, na cole&ccedil;&atilde;o    <i>Os mundos conhecidos e desconhecidos</i>, em 9 volumes. At&eacute; o in&iacute;cio    do ano, n&atilde;o havia eventos programados no Brasil. Uma s&eacute;rie de    edi&ccedil;&otilde;es em portugu&ecirc;s e filmes inspirados nas <i>Viagens    Extraordin&aacute;rias</i> est&aacute; acess&iacute;vel em bibliotecas, livrarias,    sebos e locadoras. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p ALIGN="center"><img src="/img/revistas/cic/v57n2/a26img03.gif"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="3"><b><i>Germana Barata</i></b></font></p>      ]]></body>
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