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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v57n3/a03img01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><FONT size="3">VALE DO RIBEIRA</FONT></p>     <p><img src="/img/revistas/cic/v57n3/a03img02.gif"></p>     <p><FONT size="4"><b>Quilombo mant&eacute;m ra&iacute;zes culturais na moderniza&ccedil;&atilde;o</b></FONT></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><FONT size="3">Para chegar at&eacute; l&aacute; s&oacute; atravessando o rio    por uma balsa improvisada ou em uma canoa. Cerca de 100 metros separam as duas    margens do rio Ribeira: de um lado estradas cortam a cidade de Eldorado, extremo    sul paulista; do outro, um caminho de terra leva at&eacute; Ivaporunduva, uma    comunidade quilombola reconhecida pelo governo e considerada a mais antiga do    Vale do Ribeira. </FONT></p>     <p><FONT size="3">Ali vivem 83 fam&iacute;lias, somando ao todo uma popula&ccedil;&atilde;o    de 290 habitantes entre crian&ccedil;as, jovens e adultos, que se empenham em    preservar sua cultura. </FONT></p>     <p><FONT size="3">Descendentes de escravos – a maioria origin&aacute;ria de Mo&ccedil;ambique    – que chegaram no Ribeira no s&eacute;culo XVIII para garimpar ouro, esses quilombolas,    como s&atilde;o chamados os habitantes dessas comunidades, embora vivam da agricultura    familiar, est&atilde;o atentos aos avan&ccedil;os da tecnologia e querem tornar    sua particularidade numa atra&ccedil;&atilde;o para garantir uma renda extra.    </FONT></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><FONT size="3">Entre os projetos atuais tocados pela comunidade, est&aacute;    o plantio e a comercializa&ccedil;&atilde;o da banana org&acirc;nica, a instala&ccedil;&atilde;o    de uma f&aacute;brica de processamento de banana-passa, a abertura de uma pousada    – chamada por eles de Casa dos Visitantes – para fomentar o turismo local e    a produ&ccedil;&atilde;o de pe&ccedil;as de artesanato em palha de bananeira.    Tais a&ccedil;&otilde;es foram discutidas entre os membros de Ivaporunduva,    com o objetivo de garantir o desenvolvimento sustent&aacute;vel do local. </FONT></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v57n3/a04fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><FONT size="3"><b>DIFICULDADES</b> Benedito Alves da Silva, 50 anos, um dos    moradores do quilombo, explica que a comunidade viveu isolada durante muito    tempo e que, desde a d&eacute;cada de 1970, lutou pela regulariza&ccedil;&atilde;o    de suas terras. "No estado de S&atilde;o Paulo, n&oacute;s fomos a primeira    comunidade que teve coragem de entrar na justi&ccedil;a e pedir que o governo    reconhecesse nossa comunidade e nos desse o t&iacute;tulo", afirma Silva, que    tamb&eacute;m &eacute; membro da coordena&ccedil;&atilde;o da Associa&ccedil;&atilde;o    Quilombo de Ivaporunduva e faz parte da Comiss&atilde;o Estadual Quilombola    e da Equipe de Articula&ccedil;&atilde;o das Comunidades Negras do Brasil.</font></p>     <p><FONT size="3">O maior perigo para os quilombos &eacute; a especula&ccedil;&atilde;o    imobili&aacute;ria. "Muitas comunidades quilombolas est&atilde;o, hoje, nas    m&atilde;os dos fazendeiros", diz Silva. Outro problema &eacute; a exclus&atilde;o    escolar. As crian&ccedil;as, por exemplo, estudam da pr&eacute;-escola &agrave;    quarta s&eacute;rie em uma escola dentro do quilombo; depois precisam ir at&eacute;    Itapiuna e, mais tarde, para Eldorado (45 km de dist&acirc;ncia), para poderem    continuar os estudos. Apesar das dificuldades, treze jovens da comunidade est&atilde;o    na universidade, gra&ccedil;as ao n&uacute;cleo pr&eacute;-vestibular existente    dentro do quilombo e &agrave;s parcerias com o projeto Educafro – Educa&ccedil;&atilde;o    e Cidadania de Afrodescendentes e Carentes.</FONT></p>     <p><FONT size="3"><b>PREOCUPA&Ccedil;&Atilde;O</b> A constru&ccedil;&atilde;o    das barragens para a forma&ccedil;&atilde;o de hidrel&eacute;tricas na regi&atilde;o    &eacute; um problema que a comunidade se prepara a enfrentar. Alguns moradores,    como Benedito Alves, fazem parte do Movimento dos Amea&ccedil;ados por Barragens    do Vale do Ribeira (MOAB) e do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB).    Para ele, o projeto da constru&ccedil;&atilde;o da barragem de Tijuco Alto,    por exemplo, poder&aacute; trazer preju&iacute;zos &agrave; comunidade e comprometer    a preserva&ccedil;&atilde;o da Mata Atl&acirc;ntica. </font></p>     <p><FONT size="3"><b>COSTUMES</b> A vida em Ivaporunduva tem a marca da simplicidade:    a maioria mora em casas de alvenaria, embora boa parte ainda mantenha a tradi&ccedil;&atilde;o    de viver em casas de sap&eacute;, pau-a-pique, com o ch&atilde;o de barro socado;    plantam milho, mandioca, arroz e feij&atilde;o, disputam o espa&ccedil;o com    galinhas e, mais no interior do quilombo, com os bananais, que constituem a    maior renda local. S&atilde;o cerca de 120 mil p&eacute;s de banana que produzem,    em m&eacute;dia, 600 caixas por semana. O lucro &eacute; dividido, num sistema    cooperativado. </font></p>     <p><FONT size="3">Em breve, entrar&aacute; em opera&ccedil;&atilde;o uma f&aacute;brica    para produzir banana-passa, banana frita (tipo chips), balas e doces. &Eacute;    uma parceria com a Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp, num projeto    de gera&ccedil;&atilde;o de renda, aumento da qualidade de vida, preserva&ccedil;&atilde;o    e conserva&ccedil;&atilde;o ambiental e obten&ccedil;&atilde;o de produtos com    certifica&ccedil;&atilde;o social e org&acirc;nica. </FONT></p>     <p><FONT size="3">Os moradores aguardam, ainda, a finaliza&ccedil;&atilde;o e    inaugura&ccedil;&atilde;o de uma pousada constru&iacute;da com recursos estaduais    para atrair escolas e universidades. Com a pousada, os estudantes poder&atilde;o    passar mais tempo e explorar melhor o local.</FONT></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><FONT size="3">O artesanato &eacute; outra fonte de renda e de express&atilde;o    cultural dos quilombolas. S&atilde;o cerca de vinte artes&atilde;os que, al&eacute;m    de venderem suas pe&ccedil;as na regi&atilde;o, exp&otilde;em seus trabalhos    em faculdades e mostras de arte, como o projeto "Revelando S&atilde;o Paulo".</FONT></p>     <p><FONT size="3"><b>PATRIM&Ocirc;NIO</b> Ivaporunduva abriga rel&iacute;quias    arquitet&ocirc;nicas como uma igreja constru&iacute;da no s&eacute;culo XVIII    e um cemit&eacute;rio cercado por um muro de taipa e encravado no meio da mata.    Contam os moradores que o quilombo surgiu quando, ainda no s&eacute;culo XVIII,    uma fazendeira conhecida como Maria Joana teria ficado doente e voltado para    Portugal, deixando para tr&aacute;s seus escravos. Alguns permaneceram em Ivaporunduva,    outros se espalharam em outras comunidades. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><FONT size="3"><i>Gabriela Di Giulio</i></FONT></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v57n3/a04fig02.gif"></p>      ]]></body>
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