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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Projeto sócio-político salva o povo xucuru da extinção e é premiado pela Fundação Ford]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v57n3/a03img01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><FONT size="3">PERNAMBUCO</FONT></p>     <p><img src="/img/revistas/cic/v57n3/a03img02.gif"></p>     <p><FONT size="4"><b>Projeto s&oacute;cio-pol&iacute;tico salva o povo xucuru    da extin&ccedil;&atilde;o e &eacute; premiado pela Funda&ccedil;&atilde;o Ford</b></FONT></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><FONT size="3">O povo xucuru, etnia localizada na regi&atilde;o pernambucana    da Serra de Ororub&aacute;, recebeu este ano o pr&ecirc;mio Gest&atilde;o P&uacute;blica    e Cidadania, da Funda&ccedil;&atilde;o Ford, com o programa "Organiza&ccedil;&atilde;o    s&oacute;cio-pol&iacute;tica do povo xucuru de Ororub&aacute;". O objetivo do    projeto foi a reorganiza&ccedil;&atilde;o s&oacute;cio-pol&iacute;tica da etnia,    assim como valoriza&ccedil;&atilde;o e afirma&ccedil;&atilde;o da identidade    ind&iacute;gena do povo xucuru.</font></p>     <p><FONT size="3">O programa pernambucano concorreu com outros 1.191 trabalhos    de todo o Brasil e recebeu uma premia&ccedil;&atilde;o no valor de R$ 20 mil.    "O que permitir&aacute; comprar um caminh&atilde;o para transportar &aacute;gua    at&eacute; as aldeias mais distantes e, posteriormente, come&ccedil;ar um projeto    de recupera&ccedil;&atilde;o da vegeta&ccedil;&atilde;o e das nascentes", planeja    o cacique Marcos Xucuru. O Pr&ecirc;mio &eacute; uma iniciativa da Funda&ccedil;&atilde;o    Ford com a Universidade de Harvard. No Brasil, a sele&ccedil;&atilde;o dos projetos    &eacute; realizada pela Funda&ccedil;&atilde;o Get&uacute;lio Vargas e apoiada    pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econ&ocirc;mico e Social (BNDES). </FONT></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v57n3/a06fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><FONT size="3">"A organiza&ccedil;&atilde;o do povo xucuru resgata a identidade    de uma etnia que vivia subjugada em seu pr&oacute;prio territ&oacute;rio" afirma    o cacique. Outro ponto importante foi a visibilidade conquistada para a causa    de seu povo, bem como as conquistas pol&iacute;ticas adquiridas ap&oacute;s    a sua consolida&ccedil;&atilde;o, tornando-os um referencial para a organiza&ccedil;&atilde;o    de outros povos ind&iacute;genas da regi&atilde;o Nordeste e do restante do    pa&iacute;s.</FONT></p>     <p><FONT size="3"><b>L&Iacute;NGUA E EDUCA&Ccedil;&Atilde;O</b> Os xucurus do    Ororub&aacute; perderam a l&iacute;ngua nativa no percurso de quase 400 anos    de contato com a civiliza&ccedil;&atilde;o branca. Alguns voc&aacute;bulos foram    resgatados, mas o idioma &eacute; considerado morto. Apesar disso, a etnia possui    um projeto de educa&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica, coordenado por um conselho    de professores xucuru, respons&aacute;vel pelo livro <i>Xucuru, filhos da m&atilde;e    natureza</i> — <i>uma hist&oacute;ria de resist&ecirc;ncia e luta</i> a partir    de relatos dos conhecimentos e costumes, resgatados a partir da tradi&ccedil;&atilde;o    oral. Outra a&ccedil;&atilde;o dos xucurus refere-se, agora, &agrave; cria&ccedil;&atilde;o    do magist&eacute;rio ind&iacute;gena, junto &agrave; Secretaria Estadual de    Educa&ccedil;&atilde;o, para dar continuidade ao processo de educa&ccedil;&atilde;o    diferenciada e intercultural garantida pelo Conselho Nacional de Educa&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><FONT size="3"><b>DEMARCA&Ccedil;&Atilde;O E RECUPERA&Ccedil;&Atilde;O DE TERRAS</b>    Assumindo o discurso dos grandes propriet&aacute;rios de terras, entre 1860    e 1880, o governo imperial decretou oficialmente a extin&ccedil;&atilde;o dos    aldeamentos em Pernambuco, para resolver os conflitos causados pelas invas&otilde;es    dos territ&oacute;rios ind&iacute;genas da regi&atilde;o. O argumento usado    era a aus&ecirc;ncia da pureza racial, afirmando que os &iacute;ndios da regi&atilde;o    n&atilde;o mais existiam, pois estavam confundidos com a massa da popula&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><FONT size="3">A extin&ccedil;&atilde;o das aldeias e o loteamento das propriedades    ind&iacute;genas, entre elas as dos xucurus, culminou com a persegui&ccedil;&atilde;o    de seus remanescentes ou no paradoxo da contrata&ccedil;&atilde;o dos &iacute;ndios    possuidores de terras como b&oacute;ias-frias em seus pr&oacute;prios territ&oacute;rios.    Os xucurus eram considerados extintos at&eacute; o in&iacute;cio do s&eacute;culo    XX. A partir de ent&atilde;o, come&ccedil;ou quase um s&eacute;culo de lutas    pelo reconhecimento &eacute;tnico e a garantia das terras. A homologa&ccedil;&atilde;o    dos 27.555 hectares de terras pertencentes ao povo xucuru s&oacute; ocorreu,    definitivamente, em maio de 2001. </FONT></p>     <p><FONT size="3">No final dos anos 1980, os xucurus ocupavam menos de 10% do    seu territ&oacute;rio. Ap&oacute;s um violento processo de demarca&ccedil;&atilde;o    das terras, cerca de 70% do territ&oacute;rio foi resgatado pelo povo xucuru,    que possui hoje uma popula&ccedil;&atilde;o de aproximadamente nove mil ind&iacute;genas,    distribu&iacute;dos em 24 aldeias.</FONT></p>     <p><FONT size="3">Foi um processo de recupera&ccedil;&atilde;o das terras bastante    conturbado, lembra o cacique, com assassinatos e persegui&ccedil;&otilde;es    permanentes nos &uacute;ltimos anos. Entre essas mortes est&aacute; a do cacique    Chic&atilde;o, pai de Marcos, assassinado em 1998, durante sua luta pela demarca&ccedil;&atilde;o    das terras. O cacique Chic&atilde;o foi considerado uma lideran&ccedil;a expressiva    na luta pelas garantias dos direitos ind&iacute;genas do Nordeste e em todo    o Brasil, tendo recebido amea&ccedil;as e escapado de emboscadas, promovidas    por fazendeiros contr&aacute;rios &agrave; demarca&ccedil;&atilde;o de terras,    por cerca de dez anos.</FONT></p>     <p><FONT size="3"><b>ANISTIA INTERNACIONAL</b> O drama dos xucurus ilustra situa&ccedil;&otilde;es    reais vividas por grande parte dos povos ind&iacute;genas do pa&iacute;s. Como    o pai, o atual cacique Marcos Xucuru tamb&eacute;m vem sofrendo amea&ccedil;as    de morte por sua luta pela terra. Em decorr&ecirc;ncia do n&atilde;o-cumprimento    da disposi&ccedil;&atilde;o da Organiza&ccedil;&atilde;o dos Estados Americanos    (OEA) por parte do Brasil, a organiza&ccedil;&atilde;o de defesa dos direitos    humanos Anistia Internacional convidou Marcos para apresentar a hist&oacute;ria    do seu povo a pol&iacute;ticos, ONGs, associa&ccedil;&otilde;es religiosas e    jornalistas de pa&iacute;ses como a B&eacute;lgica, Espanha, Fran&ccedil;a,    Su&iacute;&ccedil;a e Holanda, em 2004.</font></p>     <p><FONT size="3"><b>MOVIMENTO SOCIAL INOVADOR</b> Segundo o estudo, "&Iacute;ndios    e Parlamentos", realizado pelo Instituto de Estudos S&oacute;cio-Econ&ocirc;micos    (Inesc), com o apoio da Oxfam e da Funda&ccedil;&atilde;o Heirich Boll, o movimento    ind&iacute;gena se encontra entre os principais movimentos sociais da Am&eacute;rica    Latina. Diversos autores v&ecirc;em nele uma for&ccedil;a inovadora semelhante    ao papel que a "classe trabalhadora" teve ou tem em rela&ccedil;&atilde;o a    possibilidades de mudan&ccedil;a social, afirmada por autores de ci&ecirc;ncias    sociais. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="right"><FONT size="3"><i>Luciene Zanchetta</i></FONT></p>      ]]></body>
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