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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Mulheres são maioria na educação, mas não chegam ao topo na carreira profissional]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v57n3/a03img01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><FONT size="3">ENTREVISTA: M&Aacute;RCIA BARBOSA</FONT></p>     <p><img src="/img/revistas/cic/v57n3/a03img02.gif"></p>     <p><FONT size="4"><b>Mulheres s&atilde;o maioria na educa&ccedil;&atilde;o, mas    n&atilde;o chegam ao topo na carreira profissional</b></FONT></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><FONT size="3">Embora a presen&ccedil;a feminina seja dominante na universidade,    algumas &aacute;reas, como f&iacute;sica ou matem&aacute;tica, s&atilde;o ainda    consideradas masculinas. A mobiliza&ccedil;&atilde;o para reverter esse quadro    come&ccedil;ou em 2002, na 1ª Confer&ecirc;ncia Internacional de Mulheres na    F&iacute;sica, em Paris, com a disposi&ccedil;&atilde;o das cientistas participantes    em declarar guerra &agrave;s barreiras que as impedem de chegar aos postos mais    altos de suas carreiras. A f&iacute;sica M&aacute;rcia Cristina Bernardes Barbosa,    da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS), estava presente e pode    ser considerada uma das sementes plantadas na Fran&ccedil;a que renderam bons    frutos. Em 2004, junto com sua colega Elisa Saitovitch, do Centro Brasileiro    de Pesquisas F&iacute;sicas (CBPF), organizou um congresso pioneiro com outras    cientistas latino-americanas das ci&ecirc;ncias duras – que neste ano dever&aacute;    incluir as engenheiras. Segundo estudos de Jacqueline Leta, da Universidade    Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), menos de 10% dos acad&ecirc;micos titulares    ativos em 2003 na Academia Brasileira de Ci&ecirc;ncias eram mulheres; dentre    os acad&ecirc;micos titulares, 28.4% dos cargos administrativos da UFRJ eram    ocupados por elas. Em pleno ano internacional da f&iacute;sica, esse parece    ser um bom debate. </FONT></p>     <p><FONT size="3"><i>Como foi a mudan&ccedil;a de atitude das mulheres das ci&ecirc;ncias    duras que, de objeto de estudo das humanas, passaram a atuantes nas quest&otilde;es    de g&ecirc;nero na ci&ecirc;ncia?</i>    <br>   As mulheres da &aacute;rea de exatas e biol&oacute;gicas simplesmente seguiam    sua carreira e, mesmo percebendo barreiras, preconceitos, estere&oacute;tipos,    nunca se mobilizavam a ponto de ter grupos espec&iacute;ficos para atuar, denunciar,    trazer as quest&otilde;es, tentar compreender a problem&aacute;tica. A organiza&ccedil;&atilde;o    Internacional Union of Pure Applies Physics (IUPAP), que re&uacute;ne sociedades    de f&iacute;sica do mundo inteiro, num certo momento, se questionou porque existiam    t&atilde;o poucas mulheres fazendo f&iacute;sica, o que acabou originando, em    1999, o grupo de trabalho Working Group on Women in Physics, coordenado por    mim, e que organizou uma confer&ecirc;ncia internacional, dois anos depois,    em Paris. Hoje, temos setenta grupos de mulheres no mundo inteiro. Nessa confer&ecirc;ncia,    Elisa Saitovitch era a palestrante convidada, e eu a organizadora pelo Brasil.    Nunca t&iacute;nhamos nos envolvido com o tema, ocupadas em sobreviver na profiss&atilde;o.    Ao trocar experi&ecirc;ncias com outras mulheres percebemos que, no mundo inteiro,    enfrentamos barreiras id&ecirc;nticas. A partir da&iacute;, decidimos analisar    a Am&eacute;rica Latina, e, mais que isso, expandir o estudo tamb&eacute;m para    bi&oacute;logas, qu&iacute;micas, matem&aacute;ticas. </FONT></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v57n3/a09fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><FONT size="3"><i>O fato de o governo Lula decretar 2004 como a ano da mulher    contribuiu para o movimento?</i>    <br>   Isso nos incentivou na organiza&ccedil;&atilde;o do primeiro congresso de mulheres    latino-americanas nas ci&ecirc;ncias exatas e da vida, em novembro passado.    O governo come&ccedil;ou o movimento, lan&ccedil;ou uma secretaria especial    da mulher, mas s&atilde;o estruturas extremamente recentes e com resultados    muito lentos. Mas acredito que &eacute; um movimento crescente e que, em alguns    anos, falar de g&ecirc;nero ser&aacute; mais &oacute;bvio, como o &eacute; na    Europa e Estados Unidos. Na Am&eacute;rica Latina, ainda estamos construindo    esse conceito, principalmente dentro das &aacute;reas cient&iacute;ficas. </FONT></p>     <p><FONT size="3"> <i>Segundo estudos de Jacqueline Leta, bioqu&iacute;mica da    UFRJ, mesmo em pa&iacute;ses como a Fran&ccedil;a, onde h&aacute; incentivos    para que os g&ecirc;neros busquem a ci&ecirc;ncia de forma igualit&aacute;ria,    a presen&ccedil;a de mulheres nas ci&ecirc;ncias exatas e da vida &eacute; reduzida.    A que atribui isso?</i>    <br>   A Fran&ccedil;a &eacute; um dos pa&iacute;ses que est&aacute; melhor no que    chamamos de pir&acirc;mide, ou efeito tesoura: a mulher entra na carreira, mas    ao longo dela vai sendo cortada. Mas, ainda h&aacute; um impacto muito forte    da m&iacute;dia sobre a imagem do cientista. Essa &eacute; uma quest&atilde;o    fundamental no momento de decidir-se por uma carreira nas ci&ecirc;ncias. A    Fran&ccedil;a tem alguns &iacute;cones femininos de pesquisadoras, o que serve    para atenuar o problema, mas &eacute; ainda pouco, pois n&atilde;o h&aacute;    um grande n&uacute;mero delas em todas as &aacute;reas. Um dos est&iacute;mulos    franceses &eacute; um pr&ecirc;mio anual de US$100 mil dado pela L’Oreal, para    incentivar a mulher cientista. N&atilde;o sei se conseguiremos chegar ao mesmo    n&uacute;mero (que dos homens), mas o que importa &eacute; n&atilde;o eliminar    do caminho cient&iacute;fico ningu&eacute;m que tenha potencial. </FONT></p>     <p><FONT size="3"><i>Em 2004, as mulheres j&aacute; eram maioria nos cursos de    gradua&ccedil;&atilde;o e na p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o?</i>    <br>   Mas a&iacute; voc&ecirc; vai ver a distribui&ccedil;&atilde;o por &aacute;reas    e as mulheres v&atilde;o muito mais para as carreiras das &aacute;reas humanas.    Os dados mostram que o percentual daquelas que entram na gradua&ccedil;&atilde;o    permanece at&eacute; a p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o. Mas o grande bloqueio    acontece quando ela se insere no mercado profissional. Na minha hist&oacute;ria    tive alguns momentos em que eu detectei problemas de g&ecirc;nero, mas tem mulheres    que vivem isso no cotidiano e internalizam o sofrimento. Elas n&atilde;o percebem    a quantidade de preconceito sutil que est&aacute; envolvido nisso. </FONT></p>     <p><FONT size="3"><i>Como voc&ecirc; avalia o crescimento desse movimento no Brasil?</i>    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   Algumas mulheres chegaram a carreiras de destaque e alavancam esse movimento,    que come&ccedil;a a crescer em muitos pa&iacute;ses e &eacute; claro que nos    atinge. Particularmente no Brasil, e na Am&eacute;rica Latina em geral, que    vive um per&iacute;odo de um pouco mais de liberdade, essa consci&ecirc;ncia    come&ccedil;a a se formar. H&aacute; alguns anos nem se pensaria nisso. </FONT></p>     <p><FONT size="3"><i>Os homens participam da discuss&atilde;o de g&ecirc;nero    na ci&ecirc;ncia?</i>    <br>   Em Paris, t&iacute;nhamos 15% de participa&ccedil;&atilde;o masculina, porque    o homem do primeiro mundo j&aacute; est&aacute; um pouco preocupado com a tem&aacute;tica.    Ainda h&aacute; homens com muito medo de a&ccedil;&atilde;o afirmativa, como    cotas, embora o que se queira &eacute; eliminar barreiras. Eu gostaria que todos    os processos de julgar as pessoas n&atilde;o tivessem nome e sobrenome, que    n&atilde;o fossem focados na pessoa e nem baseados no perfil masculino. Os comit&ecirc;s    que julgam projetos, que avaliam candidatos s&atilde;o, majoritariamente, masculinos.    Por que n&atilde;o se pensar em ter um percentual de mulheres neles? O simples    ato de dizer – ser&aacute; que n&atilde;o dava para colocar uma mulher neste    comit&ecirc;? – j&aacute; ser&aacute; estimulante. </FONT></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><FONT size="3"><i>Germana Barata</i></FONT></p>      ]]></body>
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