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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v57n3/a10img01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">ANGOLA</font></p>     <p><img src="/img/revistas/cic/v57n3/a03img02.gif"></p>     <p><font size="4"><b>Explora&ccedil;&atilde;o de diamantes gera conflito cultural</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><FONT size="3">A riqueza diamant&iacute;fera de Angola oferece um espantoso    contraste com as condi&ccedil;&otilde;es de vida da popula&ccedil;&atilde;o:    &eacute; o terceiro maior produtor de diamantes do mundo, mas ocupa a 166ª posi&ccedil;&atilde;o    no &Iacute;ndice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 2004, entre um total de    177 pa&iacute;ses avaliados. As maiores reservas, inclusive inexploradas, ficam    na regi&atilde;o das Lundas, no nordeste de Angola. S&atilde;o cerca de 180    mil km<sup>2</sup> delimitados como Zona de Reserva Diamant&iacute;fera, com    mais de um milh&atilde;o de habitantes. </font></p>     <p><FONT size="3">No passado, as pedras brilhantes das Lundas entraram para o    rol dos "diamantes de conflito", ou "diamantes de sangue", por financiarem a    guerra civil, que durou 27 anos. Atualmente, o desafio &eacute; combater o contrabando,    a corrup&ccedil;&atilde;o e a viola&ccedil;&atilde;o dos direitos humanos, como    mostra o relat&oacute;rio "Lundas: as pedras da morte", divulgado em fevereiro    deste ano. </FONT></p>     <p><FONT size="3"><b>KIMBERLEY</b> O uso da receita gerada no com&eacute;rcio    de diamantes para financiar guerras, tanto em Angola como em outros pa&iacute;ses,    levou &agrave; proibi&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es comerciais    com as for&ccedil;as rebeldes. Em 2003, esse processo ganhou propor&ccedil;&otilde;es    maiores com a implementa&ccedil;&atilde;o do Sistema de Certifica&ccedil;&atilde;o    do Processo de Kimberley (SCPK). Esse sistema obriga os pa&iacute;ses produtores    a criar mecanismos de controle desde o garimpo at&eacute; a exporta&ccedil;&atilde;o    de diamantes, e os pa&iacute;ses compradores a impedir a entrada nos seus mercados    de pedras desprovidas do certificado de origem. As medidas criadas pelo governo    angolano para cumprir as regras de Kimberley foram questionadas no relat&oacute;rio,    produzido pelo jornalista angolano Rafael Marques e o advogado portugu&ecirc;s    Rui Falc&atilde;o de Campos, a partir de pesquisas feitas na regi&atilde;o com    apoio da Funda&ccedil;&atilde;o Mario Soares, de Portugal.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><FONT size="3">Entre os problemas apontados no relat&oacute;rio est&atilde;o:    a falta de controle na compra e venda de pedras exploradas de forma artesanal,    vendidas por pre&ccedil;os abaixo do mercado, provocando o aumento do contrabando;    o envolvimento dos fiscais do governo local no tr&aacute;fico; a intensa migra&ccedil;&atilde;o    de estrangeiros e repatriamento, especialmente da Rep&uacute;blica Democr&aacute;tica    do Congo; a inexist&ecirc;ncia de qualquer sistema banc&aacute;rio na regi&atilde;o,    que for&ccedil;a a realiza&ccedil;&atilde;o de todas as transa&ccedil;&otilde;es    em dinheiro vivo, gerando a evas&atilde;o fiscal e viol&ecirc;ncia no garimpo;    e a aus&ecirc;ncia de pol&iacute;ticas de indeniza&ccedil;&atilde;o para os    alde&otilde;es retirados de suas terras.</FONT></p>     <p><FONT size="3">Com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; viol&ecirc;ncia nas Lundas,    Rui Campos acrescenta que "o mais preocupante &eacute; que n&atilde;o &eacute;    uma viol&ecirc;ncia pontual, excepcional e focaliz&aacute;vel, mas uma situa&ccedil;&atilde;o    generalizada e cotidiana". </FONT></p>     <p><FONT size="3"><b>RA&Iacute;ZES HIST&Oacute;RICAS</b> "Responsabilizar apenas    o governo pela situa&ccedil;&atilde;o atual das Lundas &eacute;, no m&iacute;nimo,    ingenuidade", diz o soci&oacute;logo angolano Francisco C&eacute;zar Almeida.    Em sua opini&atilde;o, &eacute; preciso conhecer as condi&ccedil;&otilde;es    hist&oacute;ricas que permitiram que um pa&iacute;s t&atilde;o rico em recursos    naturais como Angola ainda esteja &agrave; deriva. Almeida analisa que, embora    a organiza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e administrativa do pa&iacute;s    tenham sido modificadas, n&atilde;o se alteraram verdadeiramente os seus princ&iacute;pios    coloniais: as novas elites refor&ccedil;aram as alian&ccedil;as com as empresas    internacionais, facilitando sua entrada e instala&ccedil;&atilde;o no pa&iacute;s;    o capital estrangeiro continuou investindo prioritariamente na explora&ccedil;&atilde;o    de mat&eacute;ria-prima; a popula&ccedil;&atilde;o deixou cada vez mais de produzir    o que necessitava para extrair o que o "colono" desejava (diamantes, ouro, petr&oacute;leo);    e, conseq&uuml;entemente, tornou-se cada vez mais dependente dos produtos europeus.    "O resultado de tudo isso &eacute; que a economia local, antes auto-suficiente,    hoje definha. Desfazer esse sistema passa n&atilde;o apenas pelo governo angolano,    mas pela Europa, pelos interesses econ&ocirc;micos, pela ruptura com essa hist&oacute;ria"    e, arrisca com certa esperan&ccedil;a, "talvez passe tamb&eacute;m pelo Brasil".</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><FONT size="3"><i>Susana Dias</i></FONT></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v57n3/a11fig01.gif"></p>      ]]></body>
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