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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v57n3/a13img01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><FONT SIZE="5"><b>APRESENTA&Ccedil;&Atilde;O</b></font></p>     <p align="center"><font size=5><b>A F&Iacute;SICA E SUAS (MUITAS) INTERA&Ccedil;&Otilde;ES    E INTERFACES</b></font></p>     <p align="center"><font size="3"><b>Ildeu de Castro Moreira e Marcelo Knobel </b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><font size=5><b>A</b></font>quele que trabalha em f&iacute;sica,    ou conhece um pouco de seus dom&iacute;nios, sabe que o estudo de superf&iacute;cies    e interfaces &eacute; uma &aacute;rea de pesquisa rica em fen&ocirc;menos interessantes,    que surgem das descontinuidades e diferen&ccedil;as de propriedades existentes    entre dois ou mais meios que est&atilde;o em contato. Extrapolando esse conceito    para a pr&oacute;pria f&iacute;sica – considerada, de maneira simplificada,    como uma &aacute;rea razoavelmente uniforme de m&eacute;todos, conceitos e paradigmas    – buscamos, neste N&uacute;cleo Tem&aacute;tico (NT), trazer &agrave; tona discuss&otilde;es    sobre a interface com outros campos do saber, da cultura, da arte e da t&eacute;cnica    e sobre suas a&ccedil;&otilde;es m&uacute;tuas. Os textos que comp&otilde;em    este NT abordam as fronteiras da f&iacute;sica com dom&iacute;nios culturais    e art&iacute;sticos, al&eacute;m de destacar territ&oacute;rios sociais e econ&ocirc;micos,    como o meio ambiente, a ind&uacute;stria e a guerra, nos quais a f&iacute;sica    est&aacute; inserida. Tais intera&ccedil;&otilde;es, em geral, t&ecirc;m sido    pouco comentadas e estudadas; quando o s&atilde;o, muitas vezes recebem &ecirc;nfase    as diferen&ccedil;as e aspectos que justificariam uma suposta separa&ccedil;&atilde;o    entre duas culturas. Ou ent&atilde;o, numa contraposi&ccedil;&atilde;o igualmente    limitada, se constroem converg&ecirc;ncias for&ccedil;adas entre a f&iacute;sica    e outros campos do conhecimento, converg&ecirc;ncias estas frouxamente conectadas    por analogias superficiais. Nossa pretens&atilde;o aqui foi, mais do que enfatizar    descontinuidades, mas preservadas as diferen&ccedil;as de enfoque e m&eacute;todos,    apresentar textos que buscam aproxima&ccedil;&otilde;es e que exploram aspectos    relevantes e interessantes emanados dessas intera&ccedil;&otilde;es e interfaces    cient&iacute;ficas e culturais.</font></p>     <p><font size="3">Acreditamos que o presente N&uacute;cleo Tem&aacute;tico possa    contribuir de forma original nas comemora&ccedil;&otilde;es do Ano Mundial da    F&iacute;sica – 2005, escolhido em comemora&ccedil;&atilde;o ao centen&aacute;rio    dos trabalhos seminais de Albert Einstein. De fato, um dos principais objetivos    do Ano Mundial da F&iacute;sica &eacute; chamar a aten&ccedil;&atilde;o do p&uacute;blico    em geral, mas especialmente dos jovens, para a import&acirc;ncia e o impacto    da f&iacute;sica no mundo contempor&acirc;neo. Tal impacto abrange n&atilde;o    s&oacute; as aplica&ccedil;&otilde;es pr&aacute;ticas que decorrem de avan&ccedil;os    te&oacute;ricos e experimentais da f&iacute;sica, mas tamb&eacute;m as contribui&ccedil;&otilde;es    da f&iacute;sica para a constru&ccedil;&atilde;o da nossa vis&atilde;o do mundo    e suas inter-rela&ccedil;&otilde;es com as outras &aacute;reas do conhecimento,    assim como os seus aspectos culturais e human&iacute;sticos.</font></p>     <p><font size="3">O Ano Mundial da F&iacute;sica tem tido um impacto significativo    na literatura dispon&iacute;vel sobre a f&iacute;sica em portugu&ecirc;s, principalmente    na &aacute;rea de divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica. Diversos livros,    edi&ccedil;&otilde;es especiais de revistas, reportagens especiais em jornais    e TVs t&ecirc;m aparecido, explorando diferentes aspectos dessa &aacute;rea    cient&iacute;fica fascinante. Destacamos particularmente a s&eacute;rie de artigos    publicados mensalmente na revista <i>Ci&ecirc;ncia Hoje</i> e o livro <i>F&iacute;sica    para o Brasil: pensando o futuro</i> (Alaor Chaves e Ronald Cintra Shellard,    orgs.), publicado pela Sociedade Brasileira de F&iacute;sica, que pretende mostrar    um panorama geral da f&iacute;sica no Brasil e no mundo. Foram ali exploradas    outras importantes interfaces da f&iacute;sica com dom&iacute;nios cient&iacute;ficos    pr&oacute;ximos, como com a medicina, com a biologia, com a computa&ccedil;&atilde;o.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Essas atividades de divulga&ccedil;&atilde;o e de discuss&atilde;o    sobre a f&iacute;sica e seus impactos dentro da ci&ecirc;ncia, da tecnologia    e da cultura humana, nas quais este NT se insere, encontram raz&atilde;o nas    palavras do pr&oacute;prio homenageado de 2005. Em um artigo de divulga&ccedil;&atilde;o,    publicado no Berliner Tageblatt, em 1924, Einstein escreveu: "A comunidade dos    pesquisadores &eacute; uma esp&eacute;cie de &oacute;rg&atilde;o do corpo da    humanidade: alimentado por seu sangue, esse &oacute;rg&atilde;o secreta uma    subst&acirc;ncia essencial &agrave; vida que deve ser fornecida a todas as partes    do corpo, na falta da qual ele perecer&aacute;. Isso n&atilde;o quer dizer que    cada ser humano deva ser atulhado de saberes eruditos e detalhados, como ocorre,    freq&uuml;entemente, em nossas escolas nas quais se vai at&eacute; o desgosto.    N&atilde;o se trata, tamb&eacute;m, do grande p&uacute;blico decidir sobre quest&otilde;es    estritamente cient&iacute;ficas. Mas &eacute; necess&aacute;rio que cada homem    que pensa tenha a possibilidade de participar com toda lucidez dos grandes problemas    cient&iacute;ficos de sua &eacute;poca, mesmo se sua posi&ccedil;&atilde;o social    n&atilde;o lhe permite consagrar uma parte importante de seu tempo e de sua    energia &agrave; reflex&atilde;o cient&iacute;fica. &Eacute; somente quando    cumpre essa importante miss&atilde;o que a ci&ecirc;ncia adquire, do ponto de    vista social, o direito de existir".</font></p>      ]]></body>
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