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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v57n3/a13img01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size=5><b>F&Iacute;SICA E CULTURA</b></font></p>     <p><font size="3"><b>Jo&atilde;o Zanetic</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><font size=5><b>Q</b></font>uando se fala em cultura, raramente    a f&iacute;sica comparece na argumenta&ccedil;&atilde;o. Cultura &eacute; quase    sempre evoca&ccedil;&atilde;o de obra liter&aacute;ria, sinfonia ou pintura;    cultura erudita, enfim. Tal cultura, internacional ou nacional, traz &agrave;    mente um quadro de Picasso ou de Tarsila, uma sinfonia de Beethoven ou de Villa    Lobos, um romance de Dostoi&eacute;vski ou de Machado de Assis, enquanto que    a cultura popular faz pensar em capoeira, num samba de Noel ou num tango de    Gardel. Dificilmente, por&eacute;m, cultura se liga ao teorema de Godel ou &agrave;s    equa&ccedil;&otilde;es de Maxwell! </font></p>     <p><font size="3"> Sugerindo abordagens para modificar essa situa&ccedil;&atilde;o,    este texto examina o tema "F&iacute;sica e Cultura" na escola, no contexto social    e, principalmente, na literatura, vinculando-o &agrave; figura de Albert Einstein    (1879-1955) no centen&aacute;rio de seu <i>annus mirabilis</i>.</font></p>     <p><font size="3"><b>F&Iacute;SICA E CULTURA NA ESCOLA</b> Um cidad&atilde;o contempor&acirc;neo    &eacute; ensinado que a f&iacute;sica &eacute; esot&eacute;rica, que nada tem    a ver com a vida atual e que n&atilde;o faz parte da cultura. Com exce&ccedil;&atilde;o    de experi&ecirc;ncias isoladas que professores levam para suas salas de aula,    muitas vezes decorrentes da pesquisa em ensino de f&iacute;sica desenvolvida    no pa&iacute;s, no geral a f&iacute;sica &eacute; mal ensinada nas escolas.    O ensino de f&iacute;sica dominante se restringe &agrave; memoriza&ccedil;&atilde;o    de f&oacute;rmulas aplicadas na solu&ccedil;&atilde;o de exerc&iacute;cios t&iacute;picos    de exames vestibulares. Para mudar esse quadro o ensino de f&iacute;sica n&atilde;o    pode prescindir, al&eacute;m de um n&uacute;mero m&iacute;nimo de aulas, da    conceitua&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica, da experimenta&ccedil;&atilde;o,    da hist&oacute;ria da f&iacute;sica, da filosofia da ci&ecirc;ncia e de sua    liga&ccedil;&atilde;o com a sociedade e com outras &aacute;reas da cultura.    Isso favoreceria a constru&ccedil;&atilde;o de uma educa&ccedil;&atilde;o problematizadora,    cr&iacute;tica, ativa, engajada na luta pela transforma&ccedil;&atilde;o social.    </font></p>     <p><font size="3"> Um fator determinante no encaminhamento de um jovem para o    encantamento com o conhecimento, para o estabelecimento de um di&aacute;logo    inteligente com o mundo, para a problematiza&ccedil;&atilde;o consciente de    temas e saberes, &eacute; a viv&ecirc;ncia de um ambiente escolar e cultural    rico e estimulador, que possibilite o desabrochar da <i>curiosidade epistemol&oacute;gica</i>.    Como ensinava Paulo Freire:</font></p>     <p><font size="3">"N&atilde;o &eacute; a curiosidade espont&acirc;nea que viabiliza    a tomada de dist&acirc;ncia epistemol&oacute;gica. Essa tarefa cabe &agrave;    curiosidade epistemol&oacute;gica – superando a curiosidade ing&ecirc;nua, ela    se faz mais metodicamente rigorosa. Essa rigorosidade met&oacute;dica &eacute;    que faz a passagem do conhecimento ao n&iacute;vel do senso comum para o conhecimento    cient&iacute;fico. N&atilde;o &eacute; o conhecimento cient&iacute;fico que    &eacute; rigoroso. A rigorosidade se acha no m&eacute;todo de aproxima&ccedil;&atilde;o    do objeto". (1) </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v57n3/a14fig01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">No mais importante documento autobiogr&aacute;fico, escrito    por volta de 1946, quando Einstein se aproximava dos 70 anos, encontramos exemplos    de suas curiosidades epistemol&oacute;gicas – a agulha da b&uacute;ssola, aos    5 anos, a geometria plana de Euclides, aos 12 anos, e a persegui&ccedil;&atilde;o    a um raio luminoso, aos 16 anos – que o estimularam a explorar o mundo do conhecimento    e lhe imprimiram na mente a convic&ccedil;&atilde;o de que "devia haver algo    escondido nas profundezas das coisas". (2) </font></p>     <p><font size="3">Nessa mesma autobiografia, Einstein apresentava uma cr&iacute;tica    &agrave; educa&ccedil;&atilde;o, ainda v&aacute;lida para hoje e para o futuro:</font></p>     <p> <font size="3">"(...) como estudantes, &eacute;ramos obrigados a acumular    essas no&ccedil;&otilde;es em nossas mentes para os exames. Esse tipo de coer&ccedil;&atilde;o    tinha (para mim) um efeito frustrante. (...) Na verdade, &eacute; quase um milagre    que os m&eacute;todos modernos de instru&ccedil;&atilde;o n&atilde;o tenham    exterminado completamente a sagrada sede de saber, pois essa planta fr&aacute;gil    da curiosidade cient&iacute;fica necessita, al&eacute;m de est&iacute;mulo,    especialmente de liberdade; sem ela, fenece e morre. &Eacute; um grave erro    supor que a satisfa&ccedil;&atilde;o de observar e pesquisar pode ser promovida    por meio da coer&ccedil;&atilde;o e da no&ccedil;&atilde;o de dever." (3)</font></p>     <p><font size="3"><b>F&Iacute;SICA E CULTURA NO CONTEXTO SOCIAL</b> No per&iacute;odo    hist&oacute;rico que se seguiu aos efeitos sociais e econ&ocirc;micos decorrentes    das grandes navega&ccedil;&otilde;es, ao contr&aacute;rio do que ocorreu no    per&iacute;odo feudal que prescindia da ci&ecirc;ncia, o desenvolvimento da    f&iacute;sica foi marcante para a nascente burguesia mercantil. Esse cen&aacute;rio    influiu tamb&eacute;m na forma de trabalho e comunica&ccedil;&atilde;o entre    os cientistas desse per&iacute;odo, provocando uma brusca mudan&ccedil;a na    pr&aacute;tica cient&iacute;fica. Se at&eacute; a &eacute;poca de Kepler (1571-1630)    e Galileu (1564-1642) os cientistas trocavam poucas informa&ccedil;&otilde;es    entre si, com o advento das sociedades cient&iacute;ficas uma verdadeira revolu&ccedil;&atilde;o    na troca de informa&ccedil;&otilde;es, nas discuss&otilde;es, nos desafios,    alterou profundamente o relacionamento entre os cientistas. As ci&ecirc;ncias    naturais, particularmente a f&iacute;sica, come&ccedil;aram a se transformar    numa verdadeira institui&ccedil;&atilde;o social, se bem que ainda longe do    status que os cientistas iriam atingir a partir do s&eacute;culo XIX. </font></p>     <p><font size="3">Robert Merton (1910-2003) considera determinante a rela&ccedil;&atilde;o    entre a f&iacute;sica e a economia na Inglaterra do s&eacute;culo XVII. Menciona    que alguns dos nomes mais ilustres da ci&ecirc;ncia daquele s&eacute;culo estavam    interessados no "cultivo da teoria e da pr&aacute;tica", entendida esta &uacute;ltima    como a solu&ccedil;&atilde;o de problemas pr&aacute;ticos que se traduziam nas    "inova&ccedil;&otilde;es que pudessem melhorar o com&eacute;rcio, a mineralogia    e a t&eacute;cnica militar". Entre os in&uacute;meros cientistas desse per&iacute;odo    destacam-se Boyle (1627-1691), Huyghens (1629-1695) e Newton (1642-1727). Merton    destaca os problemas relacionados com os meios de transporte, vitais para a    prolifera&ccedil;&atilde;o e o crescimento das empresas do capitalismo nascente.    Com o aumento das viagens por mar, a determina&ccedil;&atilde;o precisa da latitude    e longitude tornava-se de import&acirc;ncia crucial. A ind&uacute;stria da minera&ccedil;&atilde;o    aplicou o estudo das m&aacute;quinas simples para a eleva&ccedil;&atilde;o do    min&eacute;rio para a superf&iacute;cie e a hidrost&aacute;tica para o bombeamento    de &aacute;gua do fundo das minas. A ind&uacute;stria militar dependia do dom&iacute;nio    da mec&acirc;nica dos proj&eacute;teis, do estudo da resist&ecirc;ncia dos materiais    e do movimento nos meios resistentes. (4)</font></p>     <p><font size="3">Paralelos semelhantes s&atilde;o encontrados ao longo da Revolu&ccedil;&atilde;o    Industrial dos s&eacute;culos XVIII e XIX, sem esquecer o incr&iacute;vel papel    que a f&iacute;sica desempenhou nas transforma&ccedil;&otilde;es ao longo do    s&eacute;culo XX. Tudo isso levou Merton a afirmar o seguinte:</font></p>     <p><font size="3">"&Eacute; f&aacute;cil constatar que a ci&ecirc;ncia &eacute;    uma for&ccedil;a din&acirc;mica de mudan&ccedil;a social, embora nem sempre    de mudan&ccedil;as previstas ou desejadas. De vez em quando at&eacute; os f&iacute;sicos    sa&iacute;ram dos seus laborat&oacute;rios para reconhecer, com orgulho e surpresa,    ou para repudiar, com horror e vergonha, as conseq&uuml;&ecirc;ncias sociais    de seu trabalho. A explos&atilde;o da primeira bomba at&ocirc;mica sobre Hiroshima    nada mais fez que comprovar o que todo o mundo sabia. A ci&ecirc;ncia tem conseq&uuml;&ecirc;ncias    sociais." (5)</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Embora a liga&ccedil;&atilde;o da ci&ecirc;ncia com a base econ&ocirc;mica    e social seja crucial para a compreens&atilde;o do seu papel cultural, n&atilde;o    cabe neste artigo aprofundar essa tem&aacute;tica mas t&atilde;o somente problematiz&aacute;-la,    no sentido de sua utiliza&ccedil;&atilde;o em um ensino de f&iacute;sica que    seja cr&iacute;tico e instrumental conforme mencionado anteriormente. Vale a    pena fechar esta se&ccedil;&atilde;o com mais uma lembran&ccedil;a a Einstein    que, em 1948, devido aos armamentos nucleares, escreveu: </font></p>     <p><font size="3">"N&oacute;s cientistas, cujo tr&aacute;gico destino tem sido    ajudar a produzir m&eacute;todos de aniquilamento cada vez mais horr&iacute;veis    e eficazes, precisamos considerar que &eacute; tamb&eacute;m nosso solene e    transcendente dever fazer tudo que pudermos para evitar que essas armas sejam    usadas no brutal prop&oacute;sito para o qual foram inventadas". (6)</font></p>     <p><font size="3"><b>F&Iacute;SICA E CULTURA NA LITERATURA</b> Um precursor da    aproxima&ccedil;&atilde;o entre f&iacute;sica e literatura foi o f&iacute;sico    e escritor ingl&ecirc;s Charles P. Snow (1905-1980) que, h&aacute; cerca de    40 anos, sugeria que a separa&ccedil;&atilde;o entre as comunidades de cientistas    e escritores dificultava a solu&ccedil;&atilde;o de diversos problemas que envolviam    a humanidade &agrave; sua &eacute;poca. Ele salientava que essa separa&ccedil;&atilde;o    trazia implica&ccedil;&otilde;es de natureza &eacute;tica, epistemol&oacute;gica    e educacional. Embora muitas das premissas do seu ensaio precisem ser reavaliadas    em fun&ccedil;&atilde;o do desenvolvimento das &uacute;ltimas quatro d&eacute;cadas,    creio que parte significativa de suas id&eacute;ias deve permanecer na agenda    de educadores, cientistas e humanistas. Snow argumentava que uma aproxima&ccedil;&atilde;o    entre as duas culturas era essencial para possibilitar um eficaz di&aacute;logo    inteligente com o mundo. (7)</font></p>     <p><font size="3">Para estabelecer esse di&aacute;logo &eacute; preciso que o    leitor domine de forma competente a leitura e a escrita, portanto a literatura    deve ter um papel de destaque na forma&ccedil;&atilde;o do cidad&atilde;o contempor&acirc;neo.    Recentes avalia&ccedil;&otilde;es internacionais do n&iacute;vel de leitura    e escrita situaram o Brasil numa posi&ccedil;&atilde;o bastante lament&aacute;vel.    (8) A crise de leitura afeta tamb&eacute;m os pa&iacute;ses desenvolvidos, como    exemplifica pesquisa realizada, em 2002, nos Estados Unidos, pela National Endowment    for the Arts, que concluiu: "Pela primeira vez na hist&oacute;ria moderna, menos    da metade da popula&ccedil;&atilde;o adulta l&ecirc; literatura". (9)</font></p>     <p><font size="3">Todo professor, independente da disciplina que ensina, &eacute;    professor de leitura e esta pode ser transformada numa atividade interdisciplinar    envolvendo os professores de f&iacute;sica, portugu&ecirc;s e hist&oacute;ria.    O historiador da ci&ecirc;ncia David Knight sugere a hist&oacute;ria da ci&ecirc;ncia    como a cola para acoplar as duas culturas. (10) No per&iacute;odo hist&oacute;rico    que antecedeu de alguns s&eacute;culos a &eacute;poca de Kepler e Galileu, quando    a vis&atilde;o cient&iacute;fica dominante era baseada na ci&ecirc;ncia aristot&eacute;lica,    destaca-se o poeta italiano Dante Alighieri (1265-1321) com seu poema <i>A divina    com&eacute;dia. O para&iacute;so</i> de Dante &eacute; formado por nove c&eacute;us    conc&ecirc;ntricos girando em torno da Terra im&oacute;vel no centro do universo,    segundo o paradigma aristot&eacute;lico-ptolomaico. Um extrato do canto XXVII    ilustra essa influ&ecirc;ncia: </font></p>     <p align="center"><font size="3">"As partes deste c&eacute;u s&atilde;o t&atilde;o    uniformes,    <br>   que eu n&atilde;o posso dizer qual Beatriz    <br>   escolheu para meu lugar.    <br>   Mas ela, que via o meu desejo de saber,    <br>   come&ccedil;ou, sorrindo t&atilde;o alegre, que no seu rosto    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   parecia regozijar-se o pr&oacute;prio Deus:    <br>   deste c&eacute;u come&ccedil;a a natureza do mundo como do seu    <br>   princ&iacute;pio, fazendo que a Terra seja firme no centro    <br>   do universo e as outras partes em torno se movam". (11)</font></p>     <p><font size="3">A mesma influ&ecirc;ncia aristot&eacute;lico-ptolomaica encontramos    no poema <i>Os lus&iacute;adas</i>, de Cam&otilde;es, escrito na segunda metade    do s&eacute;culo XVI. (12) J&aacute; na obra do poeta e professor de ci&ecirc;ncias    ingl&ecirc;s John Milton (1608-1674) comparece tanto a presen&ccedil;a da vis&atilde;o    de mundo geoc&ecirc;ntrica aristot&eacute;lica quanto da helioc&ecirc;ntrica    copernicana, ainda em disputa naquela &eacute;poca. Milton foi influenciado    pela cultura italiana do Renascimento, tendo contato com Galileu, em 1638, quando    este esteve preso a mando da Inquisi&ccedil;&atilde;o. No seu poema <i>O para&iacute;so    perdido</i>, publicado em 1667, Milton apresenta sua vis&atilde;o religiosa,    pol&iacute;tica, social e cient&iacute;fica do mundo. A intera&ccedil;&atilde;o    entre Galileu e Milton pode fornecer uma rica fonte de recursos de conte&uacute;dos    cient&iacute;ficos, liter&aacute;rios e hist&oacute;ricos para uma atividade    interdisciplinar na escola. Hugh Henderson destaca que ambos foram atacados,    censurados e condenados pelos donos do poder: Galileu pelos seguidores do papa    Urbano VIII e pela Inquisi&ccedil;&atilde;o e Milton pela monarquia e pela censura    inglesa. Ambos tiveram seus escritos proibidos e foram presos, Galileu por nove    anos e Milton por alguns meses. (13) Eis um exemplo do poema, extra&iacute;do    do livro VII, onde o anjo Rafael responde a Ad&atilde;o a respeito do movimento    dos c&eacute;us:</font></p>     <p align="center"><font size="3">"Mas que essas coisas sejam ou n&atilde;o assim;    que o Sol,     <br>   dominando o c&eacute;u, se erga sobre a Terra, ou que a Terra se     <br>   erga sobre o Sol; que o Sol comece no oriente o seu curso     <br>   ardente, ou que a Terra avance do ocidente a sua carreira     <br>   silenciosa, com passos inofensivos, e durma no seu eixo     ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   suave enquanto caminha num passo igual a ti transporta     <br>   delicadamente, com a atmosfera tranq&uuml;ila (...)". (14)</font></p>     <p><font size="3">V&aacute;rios escritores e estudiosos da linguagem, da literatura    e da semi&oacute;tica se preocupam em entender essa impregna&ccedil;&atilde;o    m&uacute;tua entre f&iacute;sica e literatura. S&atilde;o significativos os    estudos de Edgar Allan Poe (1809-1849), &Eacute;mile Zola (1840-1902) e Umberto    Eco, entre outros, que ser&atilde;o mencionados a seguir.</font></p>     <p><font size="3">Eco, ao analisar o per&iacute;odo correspondente aos s&eacute;culos    XVI-XVII, caracterizado pelo desenvolvimento da f&iacute;sica de Kepler e Galileu,    afirma que "(...) a po&eacute;tica do Barroco reage a uma nova vis&atilde;o    do cosmo introduzida pela revolu&ccedil;&atilde;o copernicana, sugerida quase    em termos figurativos pela descoberta da elipticidade das &oacute;rbitas planet&aacute;rias    por Kepler – descoberta que p&otilde;e em crise a posi&ccedil;&atilde;o privilegiada    do c&iacute;rculo como s&iacute;mbolo de perfei&ccedil;&atilde;o c&oacute;smica.    Assim como a pluriperspectiva da constru&ccedil;&atilde;o barroca se ressente    desta concep&ccedil;&atilde;o – n&atilde;o mais geoc&ecirc;ntrica e, portanto,    n&atilde;o mais antropoc&ecirc;ntrica – de um universo ampliado rumo ao infinito    (...)". (15)</font></p>     <p><font size="3">Embora Kepler tenha um texto publicado postumamente, em 1634,    tr&ecirc;s d&eacute;cadas antes de <i>O para&iacute;so perdido</i>, cabe mencion&aacute;-lo    aqui como o precursor da fic&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica, que influenciaria    in&uacute;meros escritores ap&oacute;s o s&eacute;culo XVII, e tamb&eacute;m    porque incorporou id&eacute;ias cient&iacute;ficas mais avan&ccedil;adas do    que aquelas utilizadas por Milton. Assim, Kepler, al&eacute;m de produzir as    importantes contribui&ccedil;&otilde;es ao nascimento da f&iacute;sica cl&aacute;ssica,    particularmente as leis planet&aacute;rias e o papel do Sol no movimento dos    planetas, que ajudaram na constru&ccedil;&atilde;o da ousada teoria gravitacional    de Newton, foi autor de uma novela denominada <i>Sonho ou astronomia da Lua</i>.    Ele foi influenciado nessa iniciativa pelas descobertas de Galileu atrav&eacute;s    da luneta, como tamb&eacute;m por suas pr&oacute;prias id&eacute;ias a respeito    da gravidade. Kepler, um cientista com veia liter&aacute;ria, descreve em <i>Sonho</i>    uma viagem &agrave; Lua, como podemos perceber por este breve trecho:</font></p>     <p><font size="3">"O choque inicial &#91;de acelera&ccedil;&atilde;o&#93; &eacute;    o pior, pois o viajante &eacute; atirado para cima como numa explos&atilde;o    de p&oacute;lvora (...) Deve, portanto, ser entorpecido por narc&oacute;ticos,    tendo os membros cuidadosamente protegidos para n&atilde;o serem arrancados    e para que o recuo se distribua por todas as partes do corpo (...) Quando a    primeira parte da viagem estiver terminada, ser&aacute; mais f&aacute;cil, porque    em jornada t&atilde;o longa o corpo escapa indubitavelmente &agrave; for&ccedil;a    magn&eacute;tica da Terra e penetra na da Lua, de modo que esta vence. (...)    visto que tanto a for&ccedil;a magn&eacute;tica da Terra como a da Lua atrai    o corpo e o mant&eacute;m suspenso, o efeito &eacute; como se nenhuma delas    o atra&iacute;sse. No fim, a sua massa, por si pr&oacute;pria, se voltar&aacute;    para a Lua". (16)</font></p>     <p><font size="3">Nessa aproxima&ccedil;&atilde;o entre as duas culturas e na    seq&uuml;&ecirc;ncia hist&oacute;rica aqui apresentada, o zo&oacute;logo e escritor    Richard Dawkins aborda o descontentamento dos poetas Keats (1795-1821) e Goethe    (1749-1832), entre outros, com o desenvolvimento da f&iacute;sica cl&aacute;ssica,    particularmente com os trabalhos de Newton. Enquanto Goethe rejeitava a &oacute;ptica    newtoniana, Keats acusava Newton de ter destru&iacute;do a poesia do arco-&iacute;ris    ao t&ecirc;-lo explicado. Eis alguns versos do poema "Lamia", escrito por Keats    em 1820:</font></p>     <p align="center"><font size="3">"Havia um formid&aacute;vel arco-&iacute;ris    no c&eacute;u de outrora:    <br>   Vimos a sua trama, a textura; ele agora    <br>   Consta do cat&aacute;logo das coisas vulgares.    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   Filosofia, a asa de um anjo vais cortar,    <br>   Conquistar os mist&eacute;rios com r&eacute;gua e tra&ccedil;o,    <br>   Esvaziar a mina de gnomos, o ar do feiti&ccedil;o –    <br>   Desvendar o arco-&iacute;ris (...)" (17)</font></p>     <p><font size="3">Dawkins atribui parte dessa manifesta&ccedil;&atilde;o &agrave;    polariza&ccedil;&atilde;o entre as duas culturas, destacando que esses poetas    n&atilde;o se dispuseram a entender a mensagem constru&iacute;da pela ci&ecirc;ncia.    Diz que se esses poetas tivessem uma educa&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica    compat&iacute;vel com a sua forma de dialogar com o mundo, suas poesias contemplariam    favoravelmente as conquistas cient&iacute;ficas de sua &eacute;poca. </font></p>     <p><font size="3">Pouco posterior ao per&iacute;odo vivido por esses poetas e    caminhando numa dire&ccedil;&atilde;o contr&aacute;ria &agrave; deles, como    que antecipando a sugest&atilde;o de Dawkins, o escritor franc&ecirc;s &Eacute;mile    Zola, sob a influ&ecirc;ncia do pensamento do m&eacute;dico e fil&oacute;sofo    Claude Bernard (1813-1878), pretendia impregnar o romance e o texto teatral    com o determinismo positivista da f&iacute;sica cl&aacute;ssica desse per&iacute;odo.    Ele dizia:</font></p>     <p><font size="3">"N&atilde;o somos nem qu&iacute;micos, nem f&iacute;sicos, nem    fisi&oacute;logos; somos simplesmente romancistas que nos apoiamos nas ci&ecirc;ncias.    (...) o romancista experimentador nada mais &eacute; sen&atilde;o um cientista    especial que emprega o instrumento dos outros cientistas, a observa&ccedil;&atilde;o    e a an&aacute;lise. (...) O artista parte do mesmo ponto que o cientista; ele    se coloca diante da natureza, tem uma id&eacute;ia a priori e trabalha segundo    esta id&eacute;ia. Ele s&oacute; se separa do cientista se levar sua id&eacute;ia    at&eacute; o fim, sem verificar a sua exatid&atilde;o pela observa&ccedil;&atilde;o    e experi&ecirc;ncia." (18)</font></p>     <p><font size="3">Em oposi&ccedil;&atilde;o a essa vis&atilde;o de mundo, ancorada    no determinismo cl&aacute;ssico caracter&iacute;stico da f&iacute;sica newtoniana,    ainda dominante &agrave; &eacute;poca de Zola, e numa esp&eacute;cie de antevis&atilde;o    daquilo que ocorreria a partir de 1905, com o desenvolvimento da f&iacute;sica    contempor&acirc;nea, principalmente devido aos trabalhos de Einstein, outros    escritores parecem prever o desenvolvimento cient&iacute;fico que viria. Eco    afirma que "se a arte reflete a realidade, &eacute; fato que a reflete com muita    antecipa&ccedil;&atilde;o." (19) No final s&eacute;culo XIX encontramos dois    exemplos dessa antecipa&ccedil;&atilde;o. O escritor russo F. Dostoi&eacute;vski    (1821-1881) expressava, em <i>Os irm&atilde;os Karamazov</i>, uma id&eacute;ia    cient&iacute;fica que j&aacute; estava no ar, portanto, um quarto de s&eacute;culo    antes de sua formula&ccedil;&atilde;o por Einstein, a saber, a de que a geometria    euclideana n&atilde;o servia mais ao prop&oacute;sito de explica&ccedil;&atilde;o    do mundo f&iacute;sico. A "linha de mundo" j&aacute; habitava o espa&ccedil;o-tempo    de Dostoi&eacute;vski. J&aacute; no romance <i>A m&aacute;quina do tempo</i>,    escrito entre 1887 e 1894, o ingl&ecirc;s H. G. Wells (1866-1946) reflete o    ambiente cultural do advento da geometria n&atilde;o-euclidiana:</font></p>     <p><font size="3">"Sabem, naturalmente, que uma linha matem&aacute;tica, uma linha    de espessura zero, n&atilde;o tem exist&ecirc;ncia real. (...) Tamb&eacute;m    um cubo, tendo apenas comprimento, largura e altura, n&atilde;o pode ter exist&ecirc;ncia    real. (...)</font></p>     <p><font size="3">– N&atilde;o h&aacute; d&uacute;vida – continuou o Viajante    do tempo – que todo corpo real deve estender-se por quatro dimens&otilde;es:    deve ter Comprimento, Largura, Altura e ... Dura&ccedil;&atilde;o. Mas, por    uma natural imperfei&ccedil;&atilde;o da carne, que logo lhes explicarei, somos    inclinados a desprezar esse fato. H&aacute; realmente quatro dimens&otilde;es,    tr&ecirc;s das quais s&atilde;o chamadas os tr&ecirc;s planos do Espa&ccedil;o,    e uma quarta, o Tempo. Existe, no entanto, uma tend&ecirc;ncia a estabelecer    uma distin&ccedil;&atilde;o irreal entre aquelas tr&ecirc;s dimens&otilde;es    e a &uacute;ltima (...) Realmente &eacute; isso o que significa a Quarta Dimens&atilde;o,    embora algumas pessoas quando falam na quarta dimens&atilde;o n&atilde;o saibam    o que est&atilde;o dizendo. &Eacute; apenas outra maneira de encarar o Tempo."    (20)</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Eco, que entende essa aproxima&ccedil;&atilde;o como uma "met&aacute;fora    epistemol&oacute;gica", n&atilde;o identifica a imagina&ccedil;&atilde;o po&eacute;tica    com a racionalidade cient&iacute;fica. Ele separa as duas culturas mas, ao mesmo    tempo, sabe que elas se complementam produtivamente. At&eacute; Edgar Allan    Poe, no in&iacute;cio do seu poema/ensaio <i>Heureka</i>, onde aborda o m&eacute;todo    de trabalho seguido por Kepler, as no&ccedil;&otilde;es gravitacionais de Newton    e discute as mais variadas id&eacute;ias sobre os planetas e a gal&aacute;xia,    adverte: "apresento esta composi&ccedil;&atilde;o como um simples produto art&iacute;stico    ... &eacute; apenas como um poema que desejo que este trabalho seja julgado".    (21) Ou seja, as opera&ccedil;&otilde;es culturais desses dois campos do conhecimento    – literatura e ci&ecirc;ncia – acabam se cruzando e, talvez, apresentando uma    certa complementaridade de constru&ccedil;&atilde;o sobre a realidade. Afinal:    </font></p>     <p><font size="3">"Os conceitos f&iacute;sicos s&atilde;o livres cria&ccedil;&otilde;es    da mente humana, n&atilde;o sendo, por mais que pare&ccedil;am, determinados    unicamente pelo mundo externo". (22)</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><i><b>Jo&atilde;o Zanetic</b> &eacute; professor doutor do Departamento    de F&iacute;sica Experimental do Instituto de F&iacute;sica da USP. Atua no    Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o Interunidades de Ensino de Ci&ecirc;ncias,    do qual fazem parte os institutos de F&iacute;sica e Qu&iacute;mica e a Faculdade    de Educa&ccedil;&atilde;o da Universidade de S&atilde;o Paulo.</i></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>NOTAS E REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">1. Freire, P. <i>&Agrave; sombra desta mangueira</i>. S&atilde;o    Paulo, Editora Olho d’&Aacute;gua, 2ª edi&ccedil;&atilde;o, p. 78. 1995. </font><!-- ref --><p><font size="3">2. Einstein, A. <i>Notas autobiogr&aacute;ficas</i>. Rio de    Janeiro, Editora Nova Fronteira, pp. 18, 19, 55. 1982.     Esse texto &eacute; altamente    recomend&aacute;vel para travar contato com o desenvolvimento intelectual de    Einstein, seu "credo epistemol&oacute;gico", suas cr&iacute;ticas &agrave; educa&ccedil;&atilde;o,    e sua vis&atilde;o da f&iacute;sica.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="3">3. Einstein, A. <i>Notas autobiogr&aacute;ficas</i>. Rio de    Janeiro, Editora Nova Fronteira, pp. 25/26. 1982.</font><!-- ref --><p><font size="3">4. Merton, R.K. <i>Sociologia, teoria e estrutura</i>. S&atilde;o    Paulo, Editora Mestre Jou, pp. 711/718. 1970.</font><!-- ref --><p><font size="3">5. Merton, R.K. <i>Sociologia, teoria e estrutura</i>. S&atilde;o    Paulo, Editora Mestre Jou, p. 631. 1970.</font><!-- ref --><p><font size="3">6. Calaprice, A. (ed.). <i>Assim falou Einstein</i>. Rio de    Janeiro, Editora Civiliza&ccedil;&atilde;o Brasileira, 1998, pp. 140/141.</font><!-- ref --><p><font size="3">7. Snow, C. P. <i>As duas culturas</i>. S&atilde;o Paulo, Editora    da Universidade de S&atilde;o Paulo. 1997. (Edi&ccedil;&atilde;o original, 1959).</font><p><font size="3">8. Entre essas avalia&ccedil;&otilde;es, destaca-se o estudo    PISA (<i>Programme for International Student Assessment</i>), da Organiza&ccedil;&atilde;o    para Coopera&ccedil;&atilde;o e Desenvolvimento Econ&ocirc;mico, que est&aacute;    dispon&iacute;vel no site <a href="http://www.pisa.oecd.org" target="_blank"><i>www.pisa.oecd.org</i></a>.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">9. Gioia, D. "Pref&aacute;cio". <i>In: Research Division Report    # 46</i>. Washington: National Endowment for the Arts, june 2004, p. vii. Esse    relat&oacute;rio pode ser obtido em: <a href="http://www.nea.gov/pub/ReadingAtRisk.pdf" target="_blank"><i>http://www.nea.gov/pub/ReadingAtRisk.pdf</i></a>.</font><!-- ref --><p><font size="3">10. Knight, D. <i>Working in the glare of two cultures</i>.    Interdisciplinary Science Reviews, 23, 156-160. 1998.</font><!-- ref --><p><font size="3">11. Alighieri, D. <i>A divina com&eacute;dia</i>. Lisboa, Liv.    S&aacute; da Costa Edit., pp. 287/288. 1958.</font><!-- ref --><p><font size="3">12. Teixeira, I. <i>Lu&iacute;s de Cam&otilde;es, Os lus&iacute;adas</i>.    S&atilde;o Paulo, Ateli&ecirc; Editorial. 1999.     Livro com explica&ccedil;&otilde;es    das fontes e refer&ecirc;ncias, inclusive as cient&iacute;ficas, que Cam&otilde;es    utilizou para construir seu poema.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">13. Henderson, H. "A dialogue in paradise: John Milton’s visist    with Galileo". <i>Physics Teacher</i>, 39, 179-183. 2001.</font><!-- ref --><p><font size="3">14. Milton, J. <i>O para&iacute;so perdido</i>. Rio de Janeiro,    Ediouro, p.167.</font><!-- ref --><p><font size="3">15. Eco, U. <i>Obra aberta</i>. S&atilde;o Paulo, Editora Perspectiva,    8ª edi&ccedil;&atilde;o, p. 157. 1991.</font><!-- ref --><p><font size="3">16. Citado por Arthur Koestler, <i>Os son&acirc;mbulos</i>.    S&atilde;o Paulo, Ibrasa, p&aacute;g. 289. (Edi&ccedil;&atilde;o original, 1959).    Edi&ccedil;&atilde;o de 1991, com um novo t&iacute;tulo em portugu&ecirc;s:    <i>O homem e o universo</i>. </font><!-- ref --><p><font size="3">17. Citado por Richard Dawkins. <i>Desvendando o arco-&iacute;ris</i>.    S&atilde;o Paulo, Companhia das Letras, p. 64. 2000.</font><!-- ref --><p><font size="3">18. Zola, E. <i>O Romance experimental e o naturalismo no teatro</i>.    S&atilde;o Paulo, Editora Perspectiva, pp. 61/62. 1982.</font><!-- ref --><p><font size="3">19. Eco, U. <i>Obra aberta</i>. S&atilde;o Paulo, Editora Perspectiva,    8ª edi&ccedil;&atilde;o, p. 18. 1991.</font><!-- ref --><p><font size="3">20. Wells, H.G. <i>A m&aacute;quina do tempo</i>. Rio de Janeiro,    Editora Francisco Alves, 4ª edi&ccedil;&atilde;o, pp. 9/11. 1991.</font><!-- ref --><p><font size="3">21. Poe, E.A. "Heureka". <i>In: Poemas e ensaios</i>. Rio de    Janeiro, Editora Globo, p.193. 1987.</font><!-- ref --><p><font size="3">22. Einstein, A. e Infeld, L. <i>The evolution of physics</i>.    London, Cambridge University Press, Second Edition, p. 31. 1971. Existem edi&ccedil;&otilde;es    em portugu&ecirc;s.</font> ]]></body><back>
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