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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Física e arte: a construção do mundo com tintas, palavras e equações]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v57n3/a13img01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size=5><b>F&Iacute;SICA E ARTE: A CONSTRU&Ccedil;&Atilde;O DO MUNDO    COM TINTAS, PALAVRAS E EQUA&Ccedil;&Otilde;ES</b></font></p>     <p><font size="3"><b>Jos&eacute; Claudio Reis, Andreia Guerra e Marco Braga </b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</b> Buscar rela&ccedil;&otilde;es    entre f&iacute;sica e arte n&atilde;o &eacute; uma tarefa f&aacute;cil. Normalmente,    ambas s&atilde;o consideradas territ&oacute;rios distantes, mundos opostos do    conhecimento. A f&iacute;sica &eacute; o campo da raz&atilde;o, do rigor descritivo    da natureza e da precis&atilde;o. J&aacute; a arte est&aacute; associada &agrave;    intui&ccedil;&atilde;o, &agrave; criatividade, e &agrave; liberdade de cria&ccedil;&atilde;o.    Entretanto, esse distanciamento &eacute; falso uma vez que, tanto a f&iacute;sica    como a arte, n&atilde;o se resumem &agrave;queles campos, sendo muito mais amplas    do que possa parecer. </font></p>     <p><font size="3">Muito j&aacute; se escreveu sobre as rela&ccedil;&otilde;es    entre a constru&ccedil;&atilde;o da perspectiva pelos artistas do Renascimento    e as novas concep&ccedil;&otilde;es espaciais da ci&ecirc;ncia moderna (1).    Autores com Pierre Thuillier, Samuel Edgerton, Pierre Francastel, entre outros,    escreveram bastante sobre esse tema. Mostraram, por exemplo, a import&acirc;ncia    dos estudos art&iacute;sticos de Galileu para que ele, ao olhar a lua com o    telesc&oacute;pio, a descrevesse como tendo crateras e montanhas, e n&atilde;o    como sendo constitu&iacute;da apenas por manchas, como fez o astr&ocirc;nomo    brit&acirc;nico Thomas Harriot, quase no mesmo ano que seu colega italiano.    Seria essa rela&ccedil;&atilde;o entre ci&ecirc;ncia e arte um acidente de percurso    ou se poderiam perceber elos entre esses dois campos ao longo da hist&oacute;ria?</font></p>     <p><font size="3">Talvez o contexto de desenvolvimento da teoria da relatividade,    que agora faz 100 anos, possa nos indicar pistas. </font></p>     <p><font size="3"><b>ANTECEDENTES DE 1905</b> Quando, em 1905, Einstein apresentou    seu artigo "Eletrodin&acirc;mica dos corpos em movimentos", ele solucionou alguns    problemas que a f&iacute;sica cl&aacute;ssica, baseada na mec&acirc;nica de    Newton e no eletromagnetismo de Maxwell, n&atilde;o havia sido capaz de vislumbrar.    Com isso, estabeleceu uma nova vis&atilde;o de natureza. </font></p>     <p><font size="3">A f&iacute;sica defrontava-se, no final do s&eacute;culo XIX,    com v&aacute;rios problemas. Muitos f&iacute;sicos, dentre eles William Thompson,    acreditavam que a resolu&ccedil;&atilde;o desses problemas levaria a uma explica&ccedil;&atilde;o    final sobre a natureza. Felizmente, para as gera&ccedil;&otilde;es futuras que    se interessaram pelas explica&ccedil;&otilde;es da natureza, essa cren&ccedil;a    n&atilde;o se concretizou. A f&iacute;sica seguiu rumos absolutamente impens&aacute;veis    com o advento do s&eacute;culo XX. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Um desses problemas referia-se &agrave; propaga&ccedil;&atilde;o    das ondas eletromagn&eacute;ticas e, conseq&uuml;entemente, &agrave; detec&ccedil;&atilde;o    do &eacute;ter, bem como &agrave; aparente falta de simetria entre a mec&acirc;nica    newtoniana e o eletromagnetismo de Maxwell. Este aspecto teve grande influ&ecirc;ncia    sobre o desenvolvimento da teoria da relatividade que Einstein iria formular    a partir de 1905. Ele tinha uma preocupa&ccedil;&atilde;o est&eacute;tica em    rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s explica&ccedil;&otilde;es para a natureza, fazendo    com que a falta de simetria entre a mec&acirc;nica e o eletromagnetismo lhe    parecesse insustent&aacute;vel.</font></p>     <p><font size="3">Henri Poincar&eacute;, em sua c&eacute;lebre confer&ecirc;ncia:    "Os princ&iacute;pios da f&iacute;sica matem&aacute;tica", proferida no Congresso    Internacional das Artes e das Ci&ecirc;ncias, em 1904, em St. Louis (EUA), colocou    v&aacute;rios questionamentos a respeito dos problemas a serem enfrentados pelos    f&iacute;sicos do in&iacute;cio do s&eacute;culo XX.</font></p>     <p> <font size="3">"A ci&ecirc;ncia est&aacute; a ponto de experimentar uma mudan&ccedil;a    de orienta&ccedil;&atilde;o?</font></p>     <p><font size="3"> Os objetivos e os m&eacute;todos da ci&ecirc;ncia se apresentar&atilde;o    dentro de dez anos aos nossos sucessores imediatos com as mesmas luzes que vemos    hoje ou, pelo contr&aacute;rio, seremos testemunhas de uma profunda transforma&ccedil;&atilde;o?"    </font></p>     <p><font size="3">Poincar&eacute; estava bem consciente dos problemas da f&iacute;sica    de seu tempo, chegando a apontar poss&iacute;veis solu&ccedil;&otilde;es. Infelizmente    n&atilde;o acreditou completamente nas possibilidades que vislumbrou.</font></p>     <p><font size="3">Ele teve total condi&ccedil;&atilde;o intelectual de formular    a teoria da relatividade, pois compreendia o princ&iacute;pio da relatividade    t&atilde;o bem quanto Einstein (Thuillier, 1994), como podemos ver em sua palestra    de St. Louis:</font></p>     <p><font size="3">"De todos esses resultados surgiria uma mec&acirc;nica completamente    nova que, antes de tudo, viria caracterizada pelo seguinte fato: nenhuma velocidade    poderia ultrapassar a velocidade da luz – como nenhuma temperatura pode ultrapassar    o zero absoluto –, porque os corpos oporiam uma in&eacute;rcia crescente &agrave;s    causas que tendessem acelerar seu movimento, e essa in&eacute;rcia se faria    infinita ao aproximar-se da velocidade da luz". (Poincar&eacute;, 1986). </font></p>     <p><font size="3">Aqui est&atilde;o resultados importantes da relatividade que    Einstein prop&ocirc;s no ano seguinte. O postulado do limite m&aacute;ximo para    a velocidade de propaga&ccedil;&atilde;o de qualquer coisa, &eacute; a depend&ecirc;ncia    da massa (in&eacute;rcia) com a velocidade. S&oacute; que Poincar&eacute; recusou    as implica&ccedil;&otilde;es f&iacute;sicas que viriam dessa hip&oacute;tese    e acabou optando pelo &eacute;ter.</font></p>     <p><font size="3">"Assim, em lugar de supor que os corpos em movimento experimentam    uma contra&ccedil;&atilde;o no sentido do movimento e que essa contra&ccedil;&atilde;o    &eacute; a mesma independentemente da natureza do corpo e das for&ccedil;as    a que, por ventura, est&aacute; submetido, n&atilde;o poder&iacute;amos fazer    uma hip&oacute;tese mais simples e mais natural? </font></p>     <p><font size="3">Caberia imaginar, por exemplo, que &eacute; o &eacute;ter o    que se modifica ao fazer-se em movimento relativo com respeito ao meio material    que penetra, e que, uma vez modificado, n&atilde;o transmite as perturba&ccedil;&otilde;es    com a mesma velocidade em todas as dire&ccedil;&otilde;es".(Poincar&eacute;,    1986). </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Podemos dizer, com Pierre Thuillier (1994) e Miller (2001),    que Poincar&eacute; compreendia o princ&iacute;pio da relatividade, mas n&atilde;o    lhe atribuiu o mesmo status que Einstein. Considerou-o apenas um fato experimental    que poderia ser ignorado pelos f&iacute;sicos, principalmente se quisessem conservar    seus "velhos h&aacute;bitos".</font></p>     <p><font size="3">Einstein refletindo sobre quest&otilde;es similares rompeu com    a tradi&ccedil;&atilde;o e assim chegamos no cerne da teoria de 1905: as mudan&ccedil;as    introduzidas por Einstein nos conceitos newtonianos de tempo, espa&ccedil;o,    massa, energia e simultaneidade. Todos esses conceitos que at&eacute; ent&atilde;o    eram considerados absolutos, ou seja, invari&aacute;veis para mudan&ccedil;as    de referencial, passam a ser relativos.</font></p>     <p><font size="3">A relatividade geral, por sua vez, fez com que as geometrias    n&atilde;o-euclidianas passassem a ter uma realidade at&eacute; ent&atilde;o    inimagin&aacute;vel. Essas geometrias deixaram de ser apenas uma abstra&ccedil;&atilde;o    matem&aacute;tica para ter uma concretude que n&atilde;o possu&iacute;a na mec&acirc;nica    newtoniana, onde o espa&ccedil;o era descrito a partir da geometria euclidiana.    </font></p>     <p><font size="3">Como o espa&ccedil;o-tempo eisnteniano tem suas caracter&iacute;sticas    relacionadas com a mat&eacute;ria, esta ir&aacute; dar-lhe uma conformidade    que acabar&aacute; por produzir os efeitos gravitacionais que na mec&acirc;nica    newtoniana eram atribu&iacute;dos ao campo gravitacional. N&atilde;o temos mais    uma atra&ccedil;&atilde;o gravitacional entre os corpos, mas uma mat&eacute;ria    que ao deformar o espa&ccedil;o-tempo permite que os objetos que estejam pr&oacute;ximos    &agrave; deforma&ccedil;&atilde;o sintam seu efeito. A &oacute;rbita da Terra    passa ent&atilde;o a ser determinada, n&atilde;o pela atra&ccedil;&atilde;o    Sol-Terra, mas pela deforma&ccedil;&atilde;o espa&ccedil;o temporal que esses    corpos produziram ao seu redor. O espa&ccedil;o-tempo n&atilde;o pode mais ser    visto como um recipiente vazio que pode ser preenchido da forma que quisermos,    ele n&atilde;o &eacute; mais independente da mat&eacute;ria, mas est&aacute;    condicionado por ela. Assim, a geometria do espa&ccedil;o n&atilde;o &eacute;    um <i>a priori</i>.</font></p>     <p><font size="3">Novamente deparamo-nos com um resultado pouco convencional.    Como os efeitos dessa deforma&ccedil;&atilde;o s&atilde;o sentidos tamb&eacute;m    pela luz, ela n&atilde;o percorre sempre trajet&oacute;rias retil&iacute;neas.    A luz se propaga atrav&eacute;s do espa&ccedil;o-tempo, se esse for curvo em    alguma regi&atilde;o a luz n&atilde;o ter&aacute; outra op&ccedil;&atilde;o    que n&atilde;o a de seguir esse caminho que foi encurvado pela presen&ccedil;a    da mat&eacute;ria. </font></p>     <p><font size="3">Ao resolver as incongru&ecirc;ncias da f&iacute;sica cl&aacute;ssica    relativamente ao &eacute;ter, &agrave; propaga&ccedil;&atilde;o das ondas eletromagn&eacute;ticas    e &agrave; gravita&ccedil;&atilde;o, Einstein alterou significativamente a percep&ccedil;&atilde;o    da realidade. Tempo e espa&ccedil;o j&aacute; n&atilde;o s&atilde;o mais os    absolutos newtonianos. A gravidade passa a ser uma propriedade geom&eacute;trica    do espa&ccedil;o-tempo quadridimensional. </font></p>     <p><font size="3">As implica&ccedil;&otilde;es das redefini&ccedil;&otilde;es    de conceitos como: espa&ccedil;o, tempo, massa, energia, simultaneidade e outros,    foram imensas tanto para a f&iacute;sica quanto para outros ramos do conhecimento.    Dentro da f&iacute;sica, elas inauguraram um novo campo de pesquisas, bem como    uma nova forma de conceber a natureza. Fora dela, muitas foram as rea&ccedil;&otilde;es    tanto de entusiasmo como de cr&iacute;tica, e at&eacute; mesmo de rep&uacute;dio.    </font></p>     <p><font size="3"><b>F&Iacute;SICA E LITERATURA</b> A relatividade introduziu    mudan&ccedil;as sobre a forma de interpreta&ccedil;&atilde;o da natureza que    extrapolaram em muito os limites da f&iacute;sica. Ela, ao mesmo tempo, incorporou    muito daqueles anseios do universo cultural europeu do in&iacute;cio do s&eacute;culo    XX. Segundo Lewis S. Feuer, citado por Thuillier (1994), Einstein esteve longe    do universo acad&ecirc;mico por muito tempo, parte de sua forma&ccedil;&atilde;o    se processou no ambiente rico e revolucion&aacute;rio da Zurique do in&iacute;cio    do s&eacute;culo XX. </font></p>     <p><font size="3">Outra quest&atilde;o a ser destacada, levantada pelo historiador    da ci&ecirc;ncia Arthur Miller (1996), &eacute; que n&atilde;o &eacute; surpreendente    o fato de Einstein ter concebido, ainda em 1895, a experi&ecirc;ncia de pensamento    sobre as conseq&uuml;&ecirc;ncias de se viajar a velocidade da luz, em termos    visuais, de imagina&ccedil;&atilde;o, quando era estudante em Aarau na Su&iacute;&ccedil;a.    Isto porque a escola em que estudava era dirigida por seguidores do educador    Johann Heinrich Pestalozzi, para quem o conhecimento est&aacute; fundado na    visualiza&ccedil;&atilde;o e intui&ccedil;&atilde;o. Esses aspectos particulares    da vida de Einstein n&atilde;o refletem a totalidade das quest&otilde;es levantadas    no universo cultural da relatividade.</font></p>     <p><font size="3">Reflex&otilde;es sobre o tempo e o espa&ccedil;o n&atilde;o    eram exclusivos dos que constru&iacute;am a ci&ecirc;ncia. As novidades das    geometrias n&atilde;o-euclidianas incomodavam muitos que viviam naquele ambiente.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Se voltarmos um pouco no tempo, 1879/1880 encontramos o escritor    russo Dostoi&eacute;vski falando-nos, no livro <i>Os irm&atilde;os Karamazov</i>    sob o impacto das chamadas geometrias n&atilde;o-euclidianas.</font></p>     <p><font size="3">"&Eacute; preciso notar, no entanto, que, se Deus existe, se    criou verdadeiramente a terra, f&ecirc;-la, como se sabe, segundo a geometria    de Euclides, e n&atilde;o deu ao esp&iacute;rito humano sen&atilde;o a no&ccedil;&atilde;o    das tr&ecirc;s dimens&otilde;es do espa&ccedil;o. Entretanto, encontram-se ainda    ge&ocirc;metras e fil&oacute;sofos, mesmo eminentes, para duvidar de que todo    o universo e at&eacute; mesmo todos os mundos tenham sido criados somente de    acordo com os princ&iacute;pios de Euclides. Ousam mesmo supor que duas paralelas    que, de acordo com as leis de Euclides, jamais se poder&atilde;o encontrar na    Terra, possam encontrar-se, em algum parte no infinito... Essas quest&otilde;es    est&atilde;o fora do alcance dum esp&iacute;rito que s&oacute; tem a no&ccedil;&atilde;o    das tr&ecirc;s dimens&otilde;es". </font></p>     <p><font size="3">Em 1895, o escritor ingl&ecirc;s, H. G. Wells publicou o livro    <i>M&aacute;quina do tempo</i> onde em uma passagem significativa ele apresenta    uma incr&iacute;vel descri&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es espa&ccedil;o-temporais.    Diz ele:</font></p>     <p><font size="3">"Um cubo que n&atilde;o dure absolutamente nenhum tempo pode    ter uma exist&ecirc;ncia real? Claramente, qualquer corpo real deve se estender    em quatro dire&ccedil;&otilde;es: deve ter comprimento, largura espessura e    dura&ccedil;&atilde;o – prosseguiu o viajante do tempo – Mas por uma enfermidade    natural da carne, a qual vou lhes explicar em um momento, tendemos a passar    por cima desse fato. H&aacute;, na realidade quatro dimens&otilde;es, tr&ecirc;s    das quais chamamos de planos do espa&ccedil;o, e uma quarta, o Tempo. Existe,    no entanto, uma tend&ecirc;ncia a formar distin&ccedil;&atilde;o irreal entre    aquelas tr&ecirc;s dimens&otilde;es e esta, porque nossa consci&ecirc;ncia se    move intermitentemente em um &uacute;nico sentido, ao longo dessa &uacute;ltima    dimens&atilde;o, do come&ccedil;o ao fim de nossas vidas". </font></p>     <p><font size="3">Essa passagem faz parte de um di&aacute;logo em que a personagem    "Viajante do tempo" est&aacute; discutindo com outras o significado do tempo    e mostra que as indaga&ccedil;&otilde;es sobre as rela&ccedil;&otilde;es entre    espa&ccedil;o e tempo n&atilde;o eram uma exclusividade da ci&ecirc;ncia. Talvez    tenhamos dificuldade de sermos mais claros e did&aacute;ticos em uma explica&ccedil;&atilde;o    sobre a simbiose espa&ccedil;o-temporal.</font></p>     <p><font size="3">&Eacute; bastante interessante vermos como os dois escritores    est&atilde;o falando de temas cient&iacute;ficos sob enfoques diferentes. Enquanto    Dostoi&eacute;vski estava negando um novo conhecimento advindo da matem&aacute;tica    e ao mesmo tempo demonstrando saber o que se passava em seu tempo, Wells parece    prenunciar o que a teoria da relatividade traria a partir de 1905. Nos dois    casos, percebe-se que algumas das indaga&ccedil;&otilde;es fundamentais da f&iacute;sica    faziam parte do ambiente cultural da &eacute;poca. Esses exemplos s&atilde;o    importantes para refletirmos sobre a vis&atilde;o de mundo que estava sendo    constru&iacute;da por cientistas e artistas em fins do s&eacute;culo XIX.</font></p>     <p><font size="3"><b>F&Iacute;SICA E PINTURA</b> Os pintores, como os escritores    e os cientistas, tamb&eacute;m estavam envolvidos com a quest&atilde;o do tempo    em fins do s&eacute;culo XIX. Na segunda metade desse s&eacute;culo, o movimento    Impressionista passou a substituir a primazia dada aos conte&uacute;dos das    obras de arte por quest&otilde;es, relacionadas &agrave; luz, &agrave;s t&eacute;cnicas    de pintura, ao tempo e &agrave; cr&iacute;tica ao objetivismo da transcri&ccedil;&atilde;o    pict&oacute;rica. Essa nova abordagem passou a aproximar ainda mais o universo    cultural da arte e da ci&ecirc;ncia. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v57n3/a16fig01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Alguns pintores impressionistas se destacaram nesse sentido.    Um caso bastante significativo foi o de Claude Monet, que construiu v&aacute;rios    quadros em que repetia o motivo, mas mudava o instante em que pintava. Numa    de suas v&aacute;rias s&eacute;ries de quadros, ele pintou diversos montes de    feno em diferentes &eacute;pocas do ano. Numa outra, denominada "Catedral de    Rouen", ele pintou a fachada do templo em diferentes horas do dia. Com isso    Monet passou a incorporar a temporalidade &agrave; pintura, uma vez que construiu    imagens que n&atilde;o existiam apenas no espa&ccedil;o, mas tamb&eacute;m no    tempo. O tempo passou a ser considerado, a partir desse momento, como um fator    importante na capta&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o. </font></p>     <p><font size="3">Paul C&eacute;zanne foi outro pintor que tamb&eacute;m mudou    a forma de ver o espa&ccedil;o ao n&atilde;o consider&aacute;-lo vazio. Por    s&eacute;culos, artistas e f&iacute;sicos arrumaram os objetos sem afetar o    espa&ccedil;o ao redor deles. O espa&ccedil;o n&atilde;o alterava o movimento    dos objetos. Para Newton, espa&ccedil;o e tempo eram coisas essencialmente separadas,    um n&atilde;o perturbava o outro. O mesmo acontecia entre espa&ccedil;o e mat&eacute;ria,    o espa&ccedil;o n&atilde;o interagia com a mat&eacute;ria colocada nele. C&eacute;zanne    no seu quadro: "Natureza morta com cesta de frutas" mostrou que os objetos numa    pintura interagem com o espa&ccedil;o e s&atilde;o afetados por ele. As frutas    e os objetos n&atilde;o cabem sobre a mesa. A cesta de frutas, por exemplo,    parece estar flutuando, a borda frontal da mesa &eacute; claramente descont&iacute;nua,    numa flagrante viola&ccedil;&atilde;o da perspectiva cl&aacute;ssica. Aproxima-se,    dessa forma, da concep&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;o e mat&eacute;ria da    relatividade, onde o primeiro n&atilde;o pode ser concebido como uma caixa vazia    que pode ser preenchida. O espa&ccedil;o s&oacute; se define pela presen&ccedil;a    da mat&eacute;ria que lhe confere significado.</font></p>     <p><font size="3"> Se passarmos para o s&eacute;culo XX poderemos perceber que    as mudan&ccedil;as na concep&ccedil;&atilde;o espa&ccedil;o temporal introduzidas    pelo impressionismo foram aprofundadas. A partir de 1907, com George Braque    e Pablo Picasso, surgiu o cubismo com uma proposta completamente nova de representa&ccedil;&atilde;o    do espa&ccedil;o, incorporando totalmente o tempo &agrave; espacialidade.</font></p>     <p><font size="3">Podemos ver que Picasso transcendeu Monet na representa&ccedil;&atilde;o    temporal que este introduziu na pintura. Enquanto Monet pintou v&aacute;rios    quadros para mostrar a temporalidade do espa&ccedil;o, Picasso colocou a simultaneidade,    a jun&ccedil;&atilde;o espa&ccedil;o-tempo num &uacute;nico quadro. No "Les    Demoiselles D’Avignon" a mulher agachada est&aacute; representada simultaneamente    de costas e de frente. Essa representa&ccedil;&atilde;o pode ser pensada como    a proje&ccedil;&atilde;o da quarta dimens&atilde;o, j&aacute; que para um mesmo    observador v&ecirc;-la de frente e costa necessitaria locomover-se entre dois    pontos do espa&ccedil;o e isso levaria algum tempo.</font></p>     <p><font size="3">Com o cubismo a geometria passou a ser a linguagem da nova arte    que Picasso come&ccedil;ou em 1907. A grande experimenta&ccedil;&atilde;o e    a geometriza&ccedil;&atilde;o presente no "Les Demoiselles D’Avignon" mostra    a transforma&ccedil;&atilde;o no trabalho de Picasso e que ir&aacute; marcar    todo o cubismo. A ruptura realizada pelo cubismo foi a conex&atilde;o entre    ci&ecirc;ncia, matem&aacute;tica, tecnologia e arte. Ele voltou-se para a ci&ecirc;ncia    como modelo e para a matem&aacute;tica como um guia, assim a geometria se tornou    a linguagem do cubismo emergente. </font></p>     <p><font size="3">Em 1913, Apollinaire afirmava, no livro <i>Os pintores cubistas</i>,    que a geometria estava para as artes pl&aacute;sticas como a gram&aacute;tica    para a literatura e prosseguia:</font></p>     <p><font size="3">"Hoje, os cientistas n&atilde;o se at&ecirc;m mais &agrave;s    tr&ecirc;s dimens&otilde;es da geometria de Euclides. Os pintores foram levados    naturalmente e, digamos, intuitivamente a se preocuparem com novas medidas poss&iacute;veis    do espa&ccedil;o que, na linguagem figurativa dos modernos, s&atilde;o indicadas    todas juntas com o termo de quarta dimens&atilde;o".</font></p>     <p><font size="3"><b>CONCLUS&Atilde;O </b>&Eacute; importante salientar que, nesse    contexto de desenvolvimento da teoria da relatividade e do cubismo, arte e ci&ecirc;ncia    est&atilde;o construindo uma nova vis&atilde;o de mundo a partir de suas linguagens    pr&oacute;prias. Entretanto, em momento nenhum &eacute; nossa inten&ccedil;&atilde;o    estabelecer v&iacute;nculos de influ&ecirc;ncia de um campo sobre outro. Queremos    refletir como esses dois universos de compreens&atilde;o da realidade partiram    de alguns elementos comuns como as geometrias n&atilde;o-euclidianas e, ao mesmo    tempo, mostraram o esgotamento dos padr&otilde;es cl&aacute;ssicos de apreens&atilde;o    da natureza.</font></p>     <p><font size="3">Podemos perceber que arte e ci&ecirc;ncia comp&otilde;em um    painel de &eacute;poca que se torna muito rico na medida em que somos capazes    de fazer uma abordagem ampla de ambos os campos do conhecimento. A arte tem    a capacidade de representar o que muitas vezes com a linguagem comum n&atilde;o    &eacute; poss&iacute;vel, dessa forma a conjuga&ccedil;&atilde;o arte-ci&ecirc;ncia    cria um instrumental de interpreta&ccedil;&atilde;o da natureza bastante vigoroso.</font></p>     <p><font size="3">At&eacute; mesmo a rea&ccedil;&atilde;o &agrave;s novidades    na ci&ecirc;ncia e na arte s&atilde;o muitas vezes ilustrativas de como ambas    servem para mudar as estruturas de interpreta&ccedil;&atilde;o da natureza.    Quando da primeira exposi&ccedil;&atilde;o impressionista em Paris, em 1875,    o cr&iacute;tico de arte Albert Wolff dizia em seu artigo do <i>Le Figaro</i>    que o que se via era um espet&aacute;culo assustador inaceit&aacute;vel para    a intelig&ecirc;ncia humana. Rea&ccedil;&atilde;o similar aconteceu &agrave;    relatividade de Einstein, em 1928 um edital do jornal <i>The New York Times</i>    dizia que t&iacute;nhamos que ter f&eacute; para aceitarmos as novidades da    f&iacute;sica, que queria provar que o tempo se traduz no espa&ccedil;o e vice-versa.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"> Ao constru&iacute;rem uma nova forma de interpretar a natureza,    arte e relatividade destitu&iacute;ram o homem da sua tranq&uuml;ilidade de    pensar o mundo a partir de par&acirc;metros conhecidos e seguros. Assim, compreender    a arte e a f&iacute;sica constitui uma importante ferramenta para conhecer o    esp&iacute;rito de uma &eacute;poca bem como para lan&ccedil;ar luz sobre ambos    os campos. Arte e f&iacute;sica t&ecirc;m mais coisas a dizer uma a outra do    que muitas vezes podemos imaginar. Terminamos esse artigo com um pequeno trecho    da m&uacute;sica <i>Quanta</i> de Gilberto Gil que nos parece apropriado para    o que falamos acima.</font></p>     <p align="center"><font size="3">De pensamento em chamas    <br>   Inspira&ccedil;&atilde;o    <br>   Arte de criar o saber    <br>   Arte, descoberta, inven&ccedil;&atilde;o    <br>   Teoria em grego quer dizer    <br>   O ser em contempla&ccedil;&atilde;o </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><i><b>Jos&eacute; Cl&aacute;udio Reis</b> &eacute; f&iacute;sico,    professor do Col&eacute;gio Pedro II e da Escola Din&acirc;mica de Ensino Moderno,    no Rio de Janeiro.    <br>   <b>Andr&eacute;ia Guerra</b> &eacute; f&iacute;sica, professora dos col&eacute;gios    Pedro II e S&atilde;o Bento.    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   <b>Marco Braga</b> &eacute; f&iacute;sico, professor do Centro Federal de Educa&ccedil;&atilde;o    Tecnol&oacute;gica do Rio de Janeiro (Cefet-RJ) e do Col&eacute;gio Santo Agostinho.    <br>   Os tr&ecirc;s pertencem ao grupo Tekn&ecirc;.</i></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>NOTA</b></font></p>     <p><font size="3">1. N&atilde;o seria ci&ecirc;ncia moderna, visto que f&iacute;sica    moderna seria ligada &agrave; relatividade e mec&acirc;nica qu&acirc;ntica.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><FONT SIZE="3"><b>BIBLIOGRAFIA CONSULTADA</b></FONT></p>     <!-- ref --><p><font size="3">De Micheli, M. <i>As vanguardas art&iacute;sticas do s&eacute;culo    XX</i>. S&atilde;o Paulo, Martins Fontes. 1991.</font><!-- ref --><p><font size="3">Einstein, A. <i>A Teoria da Relatividade Especial e Geral</i>.    Contraponto, Rio de Janeiro. 1999.</font><!-- ref --><p><font size="3">Einstein, A. <i>La relatividad</i>. Emec&ecirc; Editores, Buenos    Aires. 1950.</font><!-- ref --><p><font size="3">Einstein, A. <i>O ano miraculoso de Einstein: cinco artigos    que mudaram a face da f&iacute;sica</i>. John Stachel (org.). Rio de Janeiro,    Editora UFRJ. 2001.</font><!-- ref --><p><font size="3">Edgerton, S.Y. <i>The heritage of Giotto’s geometry: art and    science on the eve of the scientific revolution</i>. Ithaca and London, Cornell    University Press. 1993.</font><!-- ref --><p><font size="3">Francastel, P. <i>Pintura e sociedade</i>. S&atilde;o Paulo,    Martins Fontes. 1990.</font><!-- ref --><p><font size="3">Miller, A. I. <i>Einstein, Picasso: space, time, and beauty    that causes havoc</i>. New York, Basic Books. 2001.</font><!-- ref --><p><font size="3">Ostrower, F. <i>A sensibilidade do intelecto</i>. Rio de Janeiro,    Campus. 1998.</font><!-- ref --><p><font size="3">Reis, J.C. "Di&aacute;logos interdisciplinares: rela&ccedil;&otilde;es    entre f&iacute;sica e pintura na virada do s&eacute;culo XIX para o XX". Tese    de doutorado, Rio de Janeiro, COPPE/UFRJ. 2002</font><!-- ref --><p><font size="3">Reis, J.C., Guerra, A., Braga, M. e Freitas, J. <i>Einstein    e o universo relativ&iacute;stico</i>. S&atilde;o Paulo, Atual Editora. 2000.    </font><!-- ref --><p><font size="3">Thuillier, P. <i>De Arquimedes a Einstein: a face oculta da    inven&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica</i>. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor.    1994.</font><!-- ref --><p><font size="3">Zanetic, J. "F&iacute;sica tamb&eacute;m &eacute; cultura".    Tese de doutorado, S&atilde;o Paulo, Faculdade de Educa&ccedil;&atilde;o da    USP. 1989.</font> ]]></body><back>
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