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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v57n3/a13img01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size=5><b>F&Iacute;SICA E ESPORTE</b></font></p>     <p><font size="3"><i>Marcelo Andrade de Filgueiras Gomes</i></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b><font size=5>E</font></b>m 2005 se comemora n&atilde;o    apenas o Ano Internascional da F&iacute;sica, mas tamb&eacute;m o Ano Internacional    do Esporte e da Educa&ccedil;&atilde;o F&iacute;sica. A f&iacute;sica, como    esperado, controla o que uma pessoa pode ou n&atilde;o fazer em termos de esportes.    Neste trabalho, discutiremos aspectos f&iacute;sicos fundamentais relacionados    &agrave; pr&aacute;tica esportiva. Menos esperado &eacute; o fato de que muito    da f&iacute;sica relevante ao esporte &eacute; objeto atual de pesquisa e tamb&eacute;m    fonte de controv&eacute;rsias importantes. Considera&ccedil;&otilde;es f&iacute;sicas    da maior relev&acirc;ncia nessa &aacute;rea, tais como hip&oacute;teses de escala    e de resist&ecirc;ncia dos materiais, nasceram com a pr&oacute;pria ci&ecirc;ncia    f&iacute;sica no s&eacute;culo XVII, como se constata no &uacute;ltimo e mais    importante livro de Galileo Galilei, <i>Discorsi e dimostrazioni matematiche    intorno a due nuove scienze</i>, publicado em Leiden, em 1638.</font></p>     <p><font size="3"><b>A POT&Ecirc;NCIA</b> Problemas n&atilde;o-triviais j&aacute;    aparecem ao n&iacute;vel da pot&ecirc;ncia P dissipada por um organismo vivo    em repouso (pot&ecirc;ncia basal). Essa quantidade, ou taxa de perda de calor,    <i>dQ/dt</i>, para um animal de tamanho caracter&iacute;stico <i>L</i>, escala    com a sua &aacute;rea total <i>A</i>: <i>P ~ A</i>. Usando <i>A~L</i><SUP>2</SUP>    e massa = <i>M~L</i><SUP>3</SUP>, temos <i>P ~ M</i><SUP>2/3</SUP><b>. 1</b></font></p>     <p><font size="3">Desde 1930 os fisiologistas (1) fizeram medidas precisas do    disp&ecirc;ndio energ&eacute;tico em animais em fun&ccedil;&atilde;o da massa    corporal, encontrando:</font></p>     <p><font size="3"><b>P</b> (<i>Watts</i>) = 3,6<i>M</i>(<i>kg</i>)<SUP>0,73</SUP>    (<i>Lei de Kleiber</i>), <b>2</b> </font></p>     <p><font size="3"> para quase seis d&eacute;cadas de varia&ccedil;&atilde;o de    <i>M</i>. Assim, uma pessoa de 70<i>kg</i> consome, em m&eacute;dia 80<i>Watts</i>    de pot&ecirc;ncia. Uma explica&ccedil;&atilde;o da origem da equa&ccedil;&atilde;o    <b>2</b> foi dada em 1973 por McMahon (2), assumindo as hip&oacute;teses: (i)    a massa do animal &eacute; dada pela soma de massas distribu&iacute;das em partes    cil&iacute;ndricas de comprimento <i>L</i> e di&acirc;metro <i>d</i>, i.e. <i>M~L</i><font face="Symbol">&acute;</font><i>d</i>    <SUP>2</SUP>, e (ii) <i>L~d</i> <SUP>2/3</SUP>, implicando em <i>M~d</i> <SUP>8/3</SUP>.    Por outro lado, pela <i>Lei de Hill</i> da pot&ecirc;ncia muscular, <i>P</i>    escala com a for&ccedil;a muscular <i>F</i>, i.e. com <i>d</i> <SUP>2</SUP>,    e da&iacute; <i>P~d</i> <SUP>2</SUP><i>~M</i> <SUP>3/4</SUP>, resultado muito    pr&oacute;ximo ao encontrado experimentalmente por Kleiber. Esta &uacute;ltima    express&atilde;o &eacute;, no entanto, diferente de 1, pois o expoente da lei    de pot&ecirc;ncia &eacute; 12,5% maior. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"> Em 1997, West, Brown e Enquist (3) apresentaram uma segunda    argumenta&ccedil;&atilde;o para justificar um expoente 3/4 na lei da pot&ecirc;ncia    dissipada, em detrimento do expoente 2/3, como exposto na equa&ccedil;&atilde;o    1. O modelo desses autores baseia-se na minimiza&ccedil;&atilde;o da energia    dissipada no transporte de nutrientes por uma rede ramificada interna de tipo    fractal (o sistema vascular do animal). Dois anos ap&oacute;s, Banavar, Maritan    e Rinaldo (4), tamb&eacute;m chegaram a <i>P~M</i> <SUP>3/4</SUP>, mas usando    hip&oacute;teses diferentes &agrave;s das refer&ecirc;ncias <b>2</b> e <b>3</b>,    a saber minimizando o volume total de nutrientes (sangue) e sem necessidade    de assumir estruturas tipo-&aacute;rvore para o sistema vascular. Surpreendentemente,    em 2001, Dodds, Rothman e Weitz (5) reanalisaram todos os dados experimentais    dispon&iacute;veis de pot&ecirc;ncia basal versus massa para mam&iacute;feros    e p&aacute;ssaros, bem como revisaram todas as justificativas te&oacute;ricas    que fornecem o expoente 3/4 na equa&ccedil;&atilde;o <b>2</b>, chegando &agrave;    conclus&atilde;o de que existe pouca evid&ecirc;ncia, de fato, para se rejeitar    a equa&ccedil;&atilde;o <b>1</b>. Segundo eles, a lei de escala da pot&ecirc;ncia    basal pode ser complexa mas, se tal lei existir num amplo intervalo de varia&ccedil;&atilde;o    de massa, ter&aacute; pouca chance de que o expoente seja 3/4. </font></p>     <p><font size="3"> A pot&ecirc;ncia basal &eacute; controlada por tr&ecirc;s constantes    f&iacute;sicas fundamentais: a constante de Boltzmann, <i>k<SUB>B</SUB></i> , a constante de Planck, <i>h</i> e a velocidade da luz no v&aacute;cuo,    <i>c</i>. Para justificar isso, basta lembrar que o corpo humano funciona como    uma fonte de calor &agrave; temperatura fisiol&oacute;gica de aproximadamente    <i>T<SUB>f</SUB></i> =309<i>K</i>. Supondo esse corpo mergulhado    no meio ambiente &agrave; temperatura <i>T</i>, haver&aacute; um fluxo de calor,    do corpo para o meio ambiente se <i>T</i>&lt;<i>T<SUB>f </SUB></i>, e na dire&ccedil;&atilde;o    contr&aacute;ria se <i>T</i>&gt;<i>T<SUB>f</SUB></i> , sendo que    a primeira situa&ccedil;&atilde;o em geral prevalece. A taxa com que o calor    ou a energia flui do corpo para o ambiente, <i>dE/dt</i>, &eacute; dada pela    <i>Lei de Stefan-Boltzmann</i> (6):</font></p>     <p><font size="3"><i>dE/dt</i> = <i>b</i> x <font face="Symbol">e</font> x <b>A</b>    <font face="Symbol">&acute;</font> (<i>T<SUB>f</SUB></i> <SUP>4</SUP>    – <i>T</i> <SUP>4</SUP>), <b>3</b></font></p>     <p><font size="3">onde a constante de Stefan-Boltzmann, <i>b</i>=<b>2</b><font face="Symbol">p</font><SUP>5</SUP><i>k<SUB>B</SUB></i><SUP>4</SUP>/15<i>h</i><SUP>3</SUP><i>c</i><SUP>2</SUP>    vale 5,7 <font face="Symbol">&acute;</font> 10<SUP>-8</SUP><i>Wm</i><SUP>-2</SUP><i>K</i>    <SUP>-4</SUP>; <font face="Symbol">e</font> &eacute; a emissividade e <i>A</i>    &eacute; a &aacute;rea que emite radia&ccedil;&atilde;o. Para um adulto humano,    <i>A</i> <font face="Symbol">&raquo;</font> (1,4&plusmn;0,2)<i>m</i><SUP>2</SUP>,    de tal sorte que a equa&ccedil;&atilde;o <b>3</b> nos d&aacute;, com <font face="Symbol">e</font>=1    e <i>T</i>=300 K, <i>dE/dt</i> <font face="Symbol">&raquo;</font> (80&plusmn;    10)<i>W</i>, em concord&acirc;ncia com a equa&ccedil;&atilde;o <b>2</b>. Ao    multiplicarmos este valor pelo n&uacute;mero de segundos em um dia, achamos    (1650&plusmn;200)<i>Cal</i> (1<i>Cal</i>=1000<i>cal</i>) para a energia m&iacute;nima    necess&aacute;ria &agrave; sobreviv&ecirc;ncia de um adulto, i.e. para repor    apenas as perdas por radia&ccedil;&atilde;o. Esta quantidade se constitui na    maior fra&ccedil;&atilde;o de nosso consumo energ&eacute;tico di&aacute;rio;    ou seja, temos um baixo rendimento termodin&acirc;mico.</font></p>     <p><font size="3"> Os adultos podem dispor de pot&ecirc;ncias bem maiores do que    80<i>W</i> mas, em geral, quanto maior a pot&ecirc;ncia numa atividade, menor    ser&aacute; o tempo de que dispomos para empreg&aacute;-la; assim, uma pessoa    bem condicionada poder&aacute; dispor de 1,09<i>HP</i> (802<i>W</i>) durante    1 minuto, e de uma pot&ecirc;ncia de 1,87<i>HP</i> (1375<i>W</i>) durante 10    segundos. Uma das taxas fisiol&oacute;gicas mais importantes &eacute; a pot&ecirc;ncia    espec&iacute;fica m&aacute;xima dispon&iacute;vel a um ser humano; esta vale    <font face="Symbol">j</font>= 41,56 <i>W/kg</i>=0,0565<i>HP/kg</i>; ou seja,    3,9<i>HP</i> para uma pessoa de 70<i>kg</i> (7). Tal n&iacute;vel de pot&ecirc;ncia    s&oacute; pode ser mantido pelo tempo de cerca de um segundo, podendo levar    &agrave; morte uma pessoa n&atilde;o-preparada. Essa pot&ecirc;ncia-limite &eacute;    usada na largada das corridas de 100<i>m</i> e 200 <i>m</i> rasos, e no momento    do arranque nas provas de levantamento de peso, nas quais o levantador tem um    tempo da ordem de 1 segundo para levantar uma massa tipicamente de 140<i>kg</i>    a uma altura acima de sua cabe&ccedil;a com os bra&ccedil;os esticados.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v57n3/a18fig01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>A CORRIDA</b> Ao andar, cada p&eacute; toca o ch&atilde;o    por cerca de 40% do tempo, enquanto numa corrida a 5<i>m/s</i> e 9<i>m/s</i>    esta fra&ccedil;&atilde;o cai respectivamente para 30% e 20%. Numa corrida ol&iacute;mpica    curta, o tamanho do passo &eacute; muito maior, alcan&ccedil;ando tipicamente    2,4<i>m</i> no regime de velocidade pr&oacute;ximo a 10<i>m/s</i> (8). Enquanto    no andar a velocidade escala com a raiz quadrada da altura<i> L</i> da pessoa    (6), na corrida a velocidade m&aacute;xima independe de <i>L</i>. Para mostrar    como isso &eacute; poss&iacute;vel em geral; considere um mam&iacute;fero de    massa <i>M</i> que sai do repouso e atinge a velocidade m&aacute;xima <i>V</i>    ap&oacute;s certo tempo. A velocidade m&eacute;dia &eacute; <font face="Symbol">&aacute;u&ntilde;</font>    = <i>V</i>/2 e a pot&ecirc;ncia m&eacute;dia na corrida <font face="Symbol">&aacute;</font><i>P</i><font face="Symbol">&ntilde;</font>=<font face="Symbol">&aacute;u&ntilde;&aacute;</font><i>F</i><font face="Symbol">&ntilde;</font>;    portanto, usando os argumentos do segundo par&aacute;grafo, <i>V~</i> <font face="Symbol">&aacute;</font><i>P</i><font face="Symbol">&ntilde;    &cedil;&aacute;</font><i>F</i><font face="Symbol">&ntilde;</font>    <i>~d</i> <SUP>2</SUP><i>/d</i> <SUP>2</SUP><i>~ d</i> <SUP>0</SUP><i>~L</i>    <SUP>0</SUP>. Para uma esp&eacute;cie fixa, ter&iacute;amos <i>V</i>=<i>K</i><font face="Symbol">&acute;</font><i>L</i>    <SUP>0</SUP>, com <i>K</i> dependente da esp&eacute;cie. Se a velocidade m&aacute;xima    fosse crescente com <i>L</i>, a evolu&ccedil;&atilde;o j&aacute; teria se encarregado    de eliminar a variabilidade de tamanho observada dentro das esp&eacute;cies,    privilegiando apenas os animais de maior porte. Devemos nos lembrar, ainda,    de que muitos dos melhores corredores ol&iacute;mpicos s&atilde;o de estatura    relativamente baixa. </font></p>     <p><font size="3"> Dentre os quadr&uacute;pedes, os mam&iacute;feros chit&aacute;    e gazela, os quais formam um par predador-presa, s&atilde;o os campe&otilde;es    na corrida, alcan&ccedil;ando respectivamente velocidades m&aacute;ximas de    30,5<i>m/s</i> (110<i>km/h</i>) e 28<i>m/s</i> (101<i>km/h</i>). Outros pares    de predador-presa, como raposa/coelho e lobo/raposa, possuem velocidades m&aacute;ximas    pr&oacute;ximas, corroborando o velho ditado "Um dia &eacute; da ca&ccedil;a    e o outro do ca&ccedil;ador". O caso da avestruz, que alcan&ccedil;a 23<i>m/s</i>    (83<i>km/h</i>), serve como contra-exemplo para afastar a "explica&ccedil;&atilde;o"    de que o homem (<i>V<SUB>m&aacute;ximo</SUB></i> <font face="Symbol">&raquo;</font>12,5<i>m/s</i>    ou 45<i>km/h</i>) corre bem menos do que muitos animais por ser b&iacute;pede.    Ao longo da evolu&ccedil;&atilde;o as avestruzes, bem como todos os grandes    corredores, como chit&aacute;s e gazelas, transferiram para os respectivos troncos    muito da massa muscular necess&aacute;ria para a corrida, deixando suas pernas    desproporcionalmente muito mais leves do que as pernas humanas. Animais com    pernas pesadas, como o homem, pagam um alto custo energ&eacute;tico simplesmente    para coloc&aacute;-las em movimento acelerado. Atentos a esses detalhes, os    treinadores dos corredores ol&iacute;mpicos de 100<i>m</i> e 200<i>m</i>, as    provas mais r&aacute;pidas de corrida, v&ecirc;m realizando nas &uacute;ltimas    d&eacute;cadas um verdadeiro trabalho de reengenharia muscular, cujo resultado    &eacute; o de fortalecer muito a massa muscular do tronco e os ligamentos perna-tronco    desses atletas. Muitos especialistas acreditam que a barreira para o homem alcan&ccedil;ar    maiores velocidades nas provas ol&iacute;mpicas &eacute; mais psicol&oacute;gica    do que fisiol&oacute;gica (9); segundo eles, os melhores corredores um dia poder&atilde;o    correr tanto quanto as avestruzes.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"> A velocidade m&eacute;dia ·<font face="Symbol">&aacute;u&ntilde;</font>    na corrida depende evidentemente da dist&acirc;ncia <i>D</i> a ser percorrida:    corridas longas (curtas) t&ecirc;m ·<font face="Symbol">&aacute;u&ntilde;</font>    menor (maior), pois os corredores conseguem manter uma velocidade m&aacute;xima    por tempo muito limitado. As provas ol&iacute;mpicas de corrida s&atilde;o para    oito valores de <i>D</i>, a saber: 100<i>m</i>, 200<i>m</i>, 400<i>m</i>, 800<i>m</i>,    1.500<i>m</i>, 5.000<i>m</i>, 10.000<i>m</i> e 42195<i>m</i> (Maratona), cobrindo    uma variabilidade de 2,625 d&eacute;cadas em <i>D</i>. Assumindo uma for&ccedil;a    resistiva proporcional &agrave; velocidade, o matem&aacute;tico J. Keller mostrou    em 1973 (7), que a estrat&eacute;gia otimizada para vencer a corrida de 200<i>m</i>    consiste em se alcan&ccedil;ar a velocidade m&aacute;xima, de cerca de 11<i>m/s</i>,    em aproximadamente 3,5<i>s</i>, e da&iacute; em diante manter essa velocidade    m&aacute;xima (atualmente os corredores n&atilde;o conseguem manter a velocidade    m&aacute;xima nesse trecho). Para os 400<i>m</i>, a estrat&eacute;gia otimizada    consiste em atingir a velocidade m&aacute;xima, de cerca de 9,5<i>m/s</i>, em    pouco menos de 2,5<i>s</i>, e de manter essa velocidade at&eacute; 0,86<i>s</i>    antes da linha de chegada. Nos &uacute;ltimos 0,86<i>s</i> dessa corrida, a    reserva de energia do atleta deve ser essencialmente zero, e sua velocidade    deve cair do m&aacute;ximo para cerca de 6,7<i>m/s</i> ao terminar a prova.    Podemos observar que o estado do corredor ao final dessa prova &eacute; muito    diferente daquele observado nas provas de 100<i>m</i> e 200<i>m</i>: na primeira,    o corredor chega quase desabando, devido a fal&ecirc;ncia energ&eacute;tica;    ao passo que nas duas &uacute;ltimas percebemos que os corredores poderiam correr    ainda um pouco mais sem variar muito o ritmo. Durante as provas curtas, o atleta    usa, al&eacute;m da respira&ccedil;&atilde;o, a reserva de oxig&ecirc;nio previamente    armazenada nos tecidos. Na conclus&atilde;o de uma corrida de 400<i>m</i>, ao    contr&aacute;rio, j&aacute; n&atilde;o existe mais oxig&ecirc;nio nos tecidos.    A previs&atilde;o te&oacute;rica de Keller para o tempo m&iacute;nimo da corrida    dos 200<i>m</i> &eacute; de 19,25<i>s</i> (7), enquanto o recorde atual &eacute;    19,32<i>s</i>, obtido por Michael Johnson (USA), em Atlanta, 1996. Keller tamb&eacute;m    mostrou que existe uma dist&acirc;ncia cr&iacute;tica, <i>D<SUB>c</SUB></i>=291<i>m</i>,    tal que para corridas com <i>D</i> &lt; <i>D<SUB>c</SUB></i> o atleta    deve atingir a velocidade m&aacute;xima, e da&iacute; em diante manter essa    velocidade at&eacute; o final; enquanto nas corridas com <i>D</i> &gt; <i>D<SUB>c</SUB></i>,    o atleta deve acelerar ao m&aacute;ximo por um tempo entre 1<i>s</i> e 2<i>s</i>,    chegando ao final desse tempo a um regime de velocidade constante o qual deve    ser mantido at&eacute; 1<i>s</i> ou 2<i>s</i> antes do final da prova, quando    dever&aacute; desacelerar. Em 1997 Mureika (10) estendeu a teoria de Keller,    introduzindo a perda de energia do atleta nas curvas, um aspecto importante    nas corridas de 200<i>m</i> e 400<i>m</i>. </font></p>     <p><font size="3"> No estudo dos recordes ol&iacute;mpicos de corridas, foi encontrada    recentemente uma lei de escala (ainda n&atilde;o-explicada), a qual relaciona    o tempo recorde de dura&ccedil;&atilde;o da prova, <i>t<SUB>rec</SUB></i>, com    <i>D</i> (no intervalo 100<i>m</i> <U>&lt;</u> <i>D</i> <U>&lt;</u> 42.195<i>m</i>)    em todos os tipos de provas: <i>t<SUB>rec</SUB></i> =<i>A</i><font face="Symbol">&acute;</font><i>D</i><font face="Symbol"><SUP>a</SUP></font>,    com <font face="Symbol">a</font>=1,11&plusmn;0,01, tanto para recordes femininos    (<i>A</i>=0,068), quanto para masculinos (<i>A</i>=0,057) (6, 11). Esta lei    de escala mostra que todas as estrat&eacute;gias completamente diferentes para    se ganhar as diferentes provas de corrida vinculam-se a um mesmo princ&iacute;pio    hierarquicamente superior.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v57n3/a18fig02.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>A ACELERA&Ccedil;&Atilde;O</b> Usando a terminologia do segundo    par&aacute;grafo, devemos esperar que a acelera&ccedil;&atilde;o <i>a</i> dispon&iacute;vel    a um animal de tamanho <i>L</i> escale como: <i>a</i>=(<i>F/M</i>) <i>~</i>    (<i>d</i> <SUP>2</SUP><i>/Ld</i> <SUP>2</SUP>) = <i>L</i> <SUP>-1</SUP>. Ou    seja, quanto maior o animal, menor a acelera&ccedil;&atilde;o. Mam&iacute;feros    como gatos e le&otilde;es tem pernas muito musculosas, as quais privilegiam    a acelera&ccedil;&atilde;o no momento do bote, em detrimento da velocidade;    gazelas t&ecirc;m pernas muito finas, as quais privilegiam a manuten&ccedil;&atilde;o    da velocidade m&aacute;xima durante muito mais tempo, em detrimento simplesmente    da acelera&ccedil;&atilde;o. Por essa raz&atilde;o, le&otilde;es (gatos) t&ecirc;m,    na ca&ccedil;a, apenas alguns segundos para alcan&ccedil;ar gazelas (ratos).    O chit&aacute;, o rei das corridas, tamb&eacute;m n&atilde;o consegue manter    a sua velocidade por muito tempo; esse animal vai do repouso a 108<i>km/h</i>    em 3<i>s</i>, o que d&aacute; uma acelera&ccedil;&atilde;o de 10<i>m/s</i><SUP>2</SUP>,    maior do que a da gravidade e a dos carros de corrida. Comparativamente &agrave;    pulga, que alcan&ccedil;a 2m/s em apenas 0,0015<i>s</i>, com acelera&ccedil;&atilde;o    de 136<i>g</i> (12), o chit&aacute; tem uma acelera&ccedil;&atilde;o insignificante!    Nas corridas ol&iacute;mpicas de 100<i>m</i> e 200<i>m</i>, a arrancada inicial,    fase de grande acelera&ccedil;&atilde;o, ocupa uma grande fra&ccedil;&atilde;o    do tempo total da prova: cerca de 20% do tempo total para a de 200<i>m</i> e    40% para a de 100<i>m</i>. Assim, os m&uacute;sculos das pernas dos atletas    que se dedicam a esses dois tipos de corridas t&ecirc;m uma prepara&ccedil;&atilde;o    bem diferente das demais modalidades. Corredores que aspiram medalha de ouro    nas provas ol&iacute;mpicas de 100<i>m</i> e 200<i>m</i> devem ser capazes de    acelerar a 8<i>m/s</i><SUP>2</SUP>, no primeiro segundo ap&oacute;s a largada;    ou seja, devem dispor de uma pot&ecirc;ncia espec&iacute;fica perto do limite    <font face="Symbol">j</font>=0,0565<i>HP/kg</i> definido no quinto par&aacute;grafo.    </font></p>     <p><font size="3"><b>O PULO</b> Pular tem grande import&acirc;ncia no esporte    e tamb&eacute;m na sobreviv&ecirc;ncia de outros animais. No pulo vertical,    o animal retrai as pernas de forma a abaixar o seu centro de massa (CM) de uma    altura <i>y</i>. Na hora do pulo, uma for&ccedil;a muscular <i>F</i> age ao    longo dessa mesma dist&acirc;ncia e produz um trabalho <i>W</i>=<i>F</i> <font face="Symbol">&acute;</font><i>y</i>,    o qual faz com que o CM alcance, com velocidade final zero (ponto de retorno),    uma altura <i>H</i>&gt;<i>y</i> acima da posi&ccedil;&atilde;o relaxada normal,    ou seja, quando o CM est&aacute; a uma altura <i>y</i> +<i>H</i> acima da posi&ccedil;&atilde;o    mais retra&iacute;da inicial. Conserva&ccedil;&atilde;o da energia para um animal    de peso <i>Mg</i> leva ao trabalho feito <i>W=F</i> <font face="Symbol">&acute;</font><i>y</i>=<i>M</i><font face="Symbol">&acute;</font><i>g</i><font face="Symbol">&acute;</font>(<i>y</i>+<i>H</i>);    portanto, a altura do pulo, <i>y</i>+<i>H</i>=(<i>F</i><font face="Symbol">&acute;</font><i>y</i>)/<i>Mg~</i>(<i>d</i><SUP>2</SUP><font face="Symbol">&acute;</font><i>L</i>)/(<i>Ld</i><SUP>2</SUP>)    =<i>d</i> <SUP>0</SUP><i>L</i><SUP>0</SUP>, i.e. independe da altura do atleta,    como j&aacute; observado para a velocidade m&aacute;xima nas corridas. Por isso,    jogadores baixos podem ser excelentes na hora de pular para cabecear, encestar    ou cortar uma bola. A maior parte dos animais realiza pulos com <i>H</i>&gt;&gt;<i>y</i>;    gatos, por exemplo, conseguem facilmente <i>H/y</i>=20. O homem &eacute; exce&ccedil;&atilde;o:    na melhor das hip&oacute;teses consegue <i>H</i> <img src="/img/revistas/cic/v57n3/a18img01.gif" align="absmiddle"><i>y</i>.    Para o caso t&iacute;pico de um atleta com 70<i>kgf</i>, retraindo a sua altura    de <i>y</i>=0,30<i>m</i> e tomando <i>H</i>=0,60<i>m</i>, temos: <i>F=Mg</i>(<i>y</i>+<i>H</i>)/<i>y</i>=3<i>Mg</i>.    Considerando que a distens&atilde;o dos m&uacute;sculos, e conseq&uuml;entemente    <i>F</i> dure <i>t</i>=0,25<i>s </i>(<b>8</b>), temos para a pot&ecirc;ncia    dissipada:<i>P</i>=<i>Mg</i>(<i>y</i>+<i>H</i>)/<i>t</i>=2470<i>W</i> ou 3,4<i>HP</i>,    praticamente o limite m&aacute;ximo de pot&ecirc;ncia    para essa pessoa. Como corol&aacute;rio, nenhum atleta consegue dar dois grandes    pulos em seguida. </font></p>     <p><font size="3"><b>A RESIST&Ecirc;NCIA</b> Como em todos os materiais, o m&oacute;dulo    de compressibilidade do osso, <i>Y</i>, &eacute; controlado por duas constantes    f&iacute;sicas fundamentais: a constante de Planck e a massa do el&eacute;tron    (13). Tal fato e outros poucos detalhes implicam que <i>Y</i> para a mat&eacute;ria    condensada esteja sempre entre 10<SUP>10</SUP><i>Pa</i> e 10<SUP>11</SUP><i>Pa</i>    (1<i>Pa</i>=1<i>Pascal</i>=1<i>Newton/m</i><SUP>2</SUP>). J&aacute; o m&oacute;dulo    de ruptura, <i>R</i>, em geral, &eacute; cem a mil vezes menor do que <i>Y</i>.    Comparativamente a outros animais, o ser humano possui os ossos mais fortes;    mesmo assim, provid&ecirc;ncia especial tem que ser tomada para amortecer a    queda de atletas em muitas competi&ccedil;&otilde;es, como no salto com varas,    onde as alturas excedem 6<i>m</i> acima do ch&atilde;o. O osso humano mais vulner&aacute;vel    na queda vertical &eacute; a t&iacute;bia, cuja menor se&ccedil;&atilde;o transversal    no adulto vale <font face="Symbol">s&raquo;</font>3<i>cm</i><SUP>2</SUP>. Sendo    o m&oacute;dulo de ruptura da t&iacute;bia <i>R</i>=1,7<font face="Symbol">&acute;</font>10<SUP>8</SUP><i>N/m</i><SUP>2</SUP>,    ela tender&aacute; a fraturar-se quando submetida a for&ccedil;as maiores do    que <font face="Symbol">s</font><i>R</i><font face="Symbol">&raquo;</font>50.000<i>N</i>.    Duas t&iacute;bias suportam no limite <i>F<SUB>c</SUB></i>=2<font face="Symbol">s</font><i>R</i>=10<SUP>5</SUP><i>N</i>,    cerca de 130 vezes o peso de uma pessoa de 75<i>kgf</i>. Assim, as duas t&iacute;bias    suportam uma acelera&ccedil;&atilde;o de at&eacute; 130<i>g</i> no impacto vertical    com o piso. Se um atleta em queda de uma altura <i>H</i> amortecer o impacto,    diluindo a desacelera&ccedil;&atilde;o ao longo de uma dist&acirc;ncia <i>y</i>    (por exemplo, flexionando as pernas), devemos ter <i>H</i><U>&lt;</u><i>F<SUB>c</SUB></i><font face="Symbol">&acute;</font><i>y</i>/Peso=130<i>y</i>,    para n&atilde;o haver fratura das t&iacute;bias. Para <i>y</i>=1<i>cm</i>, como    no impacto com o ch&atilde;o com as pernas essencialmente r&iacute;gidas, uma    altura <i>H</i>=130<i>cm</i> j&aacute; implicar&aacute; no risco de quebra das    t&iacute;bias. Noutro extremo, se a desacelera&ccedil;&atilde;o ocorrer ao longo    de <i>y</i>=0,6<i>m</i>, o limite para a queda de risco subir&aacute; para <i>H</i>=78<i>m</i>,    o qual parece superestimado – mas n&atilde;o &eacute;! Na realidade, o que ocorre    &eacute; que nos saltos as desacelera&ccedil;&otilde;es s&atilde;o exercidas    quase que inteiramente sobre os tend&otilde;es e ligamentos, os quais tem resist&ecirc;ncia    &agrave; ruptura cerca de 1/20 em rela&ccedil;&atilde;o ao osso. Isso reduz    a altura m&aacute;xima, <i>H<SUB>max</SUB></i>, para colidir com o solo, a cerca    de 78<i>m</i>/20=3,9<i>m</i>. O aspecto mais perigoso nas quedas de grandes    alturas se refere ao fato de o corpo humano tender a girar e a cabe&ccedil;a,    devido ao peso, tender a colidir com o ch&atilde;o.</font></p>     <p><font size="3"><b>A NATA&Ccedil;&Atilde;O</b> Em meio denso como a &aacute;gua,    o empuxo anula o peso; conseq&uuml;entemente, a velocidade m&aacute;xima <i>V</i>,    no caso da nata&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o pode depender explicitamente da    massa. Diferentemente das corridas, a resist&ecirc;ncia ao meio, <img src="/img/revistas/cic/v57n3/a18img02.gif" align="absmiddle">,    &eacute; importante aqui e esperamos que <i>V</i> dependa da quantidade de trabalho    por ciclo, <i>W</i>, de <img src="/img/revistas/cic/v57n3/a18img02.gif" align="absmiddle">,    al&eacute;m da acelera&ccedil;&atilde;o da gravidade <i>g</i>, pois quanto menor    <i>g</i>, maior a dificuldade do nadador avan&ccedil;ar; em particular, no limite    <i>g</i> <font face="Symbol">&reg;</font> 0, n&atilde;o pode haver nata&ccedil;&atilde;o!    Se <i>V=V</i>(<i>g</i>, <i>W</i>, <img src="/img/revistas/cic/v57n3/a18img02.gif" align="absmiddle">)    <i>~ g</i><font face="Symbol"><SUP>g</SUP>&acute;</font><i>W</i> <SUP><font face="Symbol">d</font></SUP><font face="Symbol">&acute;</font><img src="/img/revistas/cic/v57n3/a18img02.gif" align="absmiddle"><font face="Symbol"><sup>u</sup></font>,    encontramos atrav&eacute;s de an&aacute;lise dimensional que <font face="Symbol">g</font>    = <font face="Symbol">d</font> = -<font face="Symbol">u</font> = 1/2, ou seja:    <i>V ~g</i><SUP>1/2</SUP><font face="Symbol">&acute;</font>(<i>W</i>/<img src="/img/revistas/cic/v57n3/a18img02.gif" align="absmiddle">)<SUP>1/2</SUP>.    Na mec&acirc;nica dos fluidos, esta &eacute; a <i>Lei de Froude</i> da correspond&ecirc;ncia    de velocidades (14). Tomando <i>W</i>=(<i>For&ccedil;a muscular</i> <font face="Symbol">&acute;</font>    <i>deslocamento</i>)<i>~L</i><SUP>2</SUP><font face="Symbol">&acute;</font><i>L</i>    e <img src="/img/revistas/cic/v57n3/a18img02.gif" align="absmiddle"><i>~L</i><SUP>2</SUP>,    obtemos <i>V~L</i><SUP>1/2</SUP>; ou seja, a nata&ccedil;&atilde;o privilegia    atletas de maior estatura, como constatamos nas raias das piscinas. </font></p>     <p><font size="3"> As provas ol&iacute;mpicas mais r&aacute;pidas de nata&ccedil;&atilde;o    s&atilde;o as de nado livre, em cinco dist&acirc;ncias: 50<i>m</i>, 100<i>m</i>,    200<i>m</i>, 400<i>m</i> e 1.500<i>m</i>. A velocidade m&eacute;dia recorde    nessas provas &eacute; de 2,282<i>m/s</i>, nos 50<i>m</i>, i.e. pouco mais do    dobro da velocidade no andar de um adulto. Os tempos dos recordes ol&iacute;mpicos    nas diversas provas de nado livre, <i>t<SUB>rec</SUB></i>, satisfazem uma lei    de escala envolvendo a extens&atilde;o do percurso, <i>D</i>: <i>t<SUB>rec</SUB>    ~ D</i><SUP>1,09</SUP>, para 50 <U>&lt;</u> <i>D</i> <U>&lt;</u> 1500 (6). Reexaminando    este tipo de lei de escala j&aacute; encontrada no caso das corridas, Savaglio    e Carbone mostraram (15) que a velocidade m&eacute;dia recorde, <i>v<SUB>rec</SUB></i><font face="Symbol">&ordm;</font><i>D/t<SUB>rec</SUB></i>,    quando expressa em fun&ccedil;&atilde;o de <i>t<SUB>rec</SUB></i> apresenta    claramente duas leis de escala controladas por dois expoentes cr&iacute;ticos    diferentes, os quais s&atilde;o interpretados como pertencendo aos regimes metab&oacute;licos    de consumo de energia anaer&oacute;bico (provas curtas, com dura&ccedil;&atilde;o    inferior a 150s-170s) e aer&oacute;bico (provas longas) pelos atletas. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><b>CONCLUS&Atilde;O</b> Em 1925, o melhor tempo nos 100<i>m</i>    rasos foi 10,37<i>s</i>; hoje o recorde continua sendo o de 9,84<i>s</i>, obtido    por Donovan Bailey (Canad&aacute;), em Atlanta: uma redu&ccedil;&atilde;o de    0,53<i>s</i> (5,1%) em 80 anos. No mesmo per&iacute;odo, para os 400<i>m</i>,    passamos de 46,94s para os 43,49s de Michael Johnson (EUA), tamb&eacute;m em    Atlanta. Apesar de lentamente, os recordes ol&iacute;mpicos mudam; eles mudam    como a tecnologia ligada ao esporte muda e como a tecnologia em geral muda.    J&aacute; as leis de escala discutidas aqui n&atilde;o mudar&atilde;o, pois    elas s&atilde;o exemplos de limita&ccedil;&otilde;es b&aacute;sicas impostas    pelas leis f&iacute;sicas. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><i><b>Marcelo Andrade de Filgueiras Gomes</b> &eacute; professor    do Departamento de F&iacute;sica da Universidade Federal de Pernambuco(UFPE),    em Recife.</i></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><FONT SIZE="3"><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></FONT></p>     <!-- ref --><p><font size="3">1. Kleiber, M. <i>Hilgardia</i>, 6, 315. 1932.</font><!-- ref --><p><font size="3">2. McMahon, T. <i>Science</i>, 179, 1201. 1973.</font><!-- ref --><p><font size="3">3. West, G. B., Brown,J. H. and Enquist, B. J. <i>Science</i>,    276, 122. 1997.</font><!-- ref --><p><font size="3">4. Banavar, J. R., Maritan, A. and Rinaldo, A. <i>Nature</i>,    399, 130. 1999.</font><!-- ref --><p><font size="3">5. Dodds, P. S., Rothman,D. H. and Weitz, J. S., <i>J. theor    Biol.</i> 209, 9. 2001. </font><!-- ref --><p><font size="3">6. Gomes, M. A. F. e Parteli, E. J. R. <i>Rev. Bras. Ens. F&iacute;s</i>.    23 (1), 10. 2001.</font><!-- ref --><p><font size="3">7. Keller, J. B. <i>Phys.Today</i> 26 (9), 42. 1973. </font><!-- ref --><p><font size="3">8. Cross,R. <i>Am. J. Phys</i>. 67, 304. 1999.</font><!-- ref --><p><font size="3">9. Ryder, H. W., Car, H. J. and Herget, P. <i>Sc. Am.</i> 234    (6), 109. 1976.</font><!-- ref --><p><font size="3">10. Mureika, J. R. <i>Can. J. Phys.</i> 75, 837. 1997.</font><!-- ref --><p><font size="3">11. Katz,J. S. and Katz,L. <i>J. Sports Sci.</i> 17, 467. 1999.</font><!-- ref --><p><font size="3">12. Rothschild, M., Schlein, Y., Parker, K., Neville, C. and    Sternberg, S. Sc. <i>Am.</i> 229 (5), 92. 1976.</font><!-- ref --><p><font size="3">13. Weisskopf, V. F. <i>Science</i> 187, 605. 1975. </font><!-- ref --><p><font size="3">14. Thompson, D. W. <i>On growth and Form</i>. New York, Dover.    1992.</font><!-- ref --><p><font size="3">15. Savaglio, S. and Carbone,V. <i>Nature</i> 404, 244. 2000.</font> ]]></body><back>
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