<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0009-6725</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Ciência e Cultura]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Cienc. Cult.]]></abbrev-journal-title>
<issn>0009-6725</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0009-67252005000300021</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Física e indústria no Brasil]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Cruz]]></surname>
<given-names><![CDATA[Carlos H. de Brito]]></given-names>
</name>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A">
<institution><![CDATA[,  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>09</month>
<year>2005</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>09</month>
<year>2005</year>
</pub-date>
<volume>57</volume>
<numero>3</numero>
<fpage>47</fpage>
<lpage>50</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252005000300021&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0009-67252005000300021&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0009-67252005000300021&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v57n3/a13img01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size=5><b>F&Iacute;SICA E IND&Uacute;STRIA NO BRASIL (1)</b></font></p>     <p><font size="3"><b>Carlos H. de Brito Cruz</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><font size=5><b>O</b></font> avan&ccedil;o do conhecimento    em f&iacute;sica tem criado oportunidades para o surgimento de novos setores    industriais, trazendo verdadeiras revolu&ccedil;&otilde;es ao mundo dos neg&oacute;cios    e da cria&ccedil;&atilde;o de riqueza e empregos. Sem falarmos da energia nuclear,    dois outros exemplos ocorridos no p&oacute;s-guerra ilustram esta afirma&ccedil;&atilde;o.    Um deles foi a inven&ccedil;&atilde;o do trans&iacute;stor que, ao lado de gerar    todo um novo ramo da f&iacute;sica, a f&iacute;sica do estado s&oacute;lido,    ocasionou o surgimento da ind&uacute;stria de semicondutores e microeletr&ocirc;nica,    um dos setores mais din&acirc;micos e dinamizadores da economia mundial. Outro    caso foi a inven&ccedil;&atilde;o do laser, que trouxe o ressurgimento da &aacute;rea    de &oacute;ptica f&iacute;sca e geom&eacute;trica ao mesmo tempo em que criou    uma nova &aacute;rea da f&iacute;sica, a eletr&ocirc;nica qu&acirc;ntica. O    laser possibilitou uma s&eacute;rie de cria&ccedil;&otilde;es industriais, das    comunica&ccedil;&otilde;es &oacute;pticas &agrave; medicina e sa&uacute;de,    gerando um grande setor empresarial ligado &agrave; optoeletr&ocirc;nica e &agrave;    fot&ocirc;nica.</font></p>     <p><font size="3">O impulso da f&iacute;sica ao desenvolvimento industrial fez    com que grandes empresas como a Bell Telephone (depois AT&amp;T e, depois ainda,    Lucent Technologies), a IBM e a GE dedicassem grande parte de seu esfor&ccedil;o    de P&amp;D ao estudo de &aacute;reas da f&iacute;sica, especialmente a f&iacute;sica    do estado s&oacute;lido. Um abrangente relato sobre o impacto dos avan&ccedil;os    na f&iacute;sica na &aacute;rea de telecomunica&ccedil;&otilde;es est&aacute;    no artigo de Brinkman e Lang, "Physics and the communications industry". (2)    Brinkman, o primeiro autor, foi pesquisador e diretor nos Laborat&oacute;rios    Bell. </font></p>     <p><font size="3">Os idealizadores dos Bell Labs tinham muita clareza sobre a    import&acirc;ncia da f&iacute;sica para o desenvolvimento de seu neg&oacute;cio,    e um interessante e surpreendentemente atual relato sobre as id&eacute;ias seminais    para a P&amp;D industrial est&atilde;o no artigo de Frank Jewett (3), um de    seus criadores, publicado em 1919 e de J.J Carty, seu precursor (4). Diz Carty    em seu discurso na reuni&atilde;o anual de engenheiros el&eacute;tricos (4):</font></p>     <p><font size="3">"Com o desenvolvimento da energia, da tra&ccedil;&atilde;o e    da luz el&eacute;tricas, ap&oacute;s a inven&ccedil;&atilde;o do telefone, alguns    dos grandes fabricantes de materiais el&eacute;tricos criaram laborat&oacute;rios    de pesquisa cient&iacute;fica industrial que obtiveram reputa&ccedil;&atilde;o    mundial. Vastas somas s&atilde;o gastas anualmente em pesquisa industrial nesses    laborat&oacute;rios. Mas posso dizer com autoridade que eles retribuem, a cada    ano, com melhoramentos &agrave; arte nas empresas. Somados, eles t&ecirc;m um    valor muitas vezes maior que o custo total de sua produ&ccedil;&atilde;o. <b>Dinheiro    gasto em pesquisa industrial apropriadamente dirigida, realizada sob princ&iacute;pios    cient&iacute;ficos, certamente traz &agrave;s empresas um retorno muito generoso."</b></font></p>     <p><font size="3"> Em 1920 C.E.K Mees publicava o livro <i>The organization of    industrial scientific research</i> (5) destacando no cap&iacute;tulo I que:    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">"&Eacute; quase imposs&iacute;vel encontrar algum tipo de trabalho    cient&iacute;fico em f&iacute;sica ou qu&iacute;mica — da f&iacute;sica do &aacute;tomo    &agrave; qu&iacute;mica org&acirc;nica estrutural — que mais cedo ou mais tarde    n&atilde;o v&aacute; ter aplica&ccedil;&atilde;o e import&acirc;ncia direta    para as ind&uacute;strias.</font></p>     <p><font size="3">Trabalhos de pesquisa fundamental como esses requerem laborat&oacute;rios    diferentes dos laborat&oacute;rios usuais de trabalho e pesquisadores diferentes    daqueles empregados num laborat&oacute;rio puramente industrial. Significam    um laborat&oacute;rio grande, equipado com esmero e com equipe de peso, empenhada    por muitos anos em trabalho que n&atilde;o trar&aacute; remunera&ccedil;&atilde;o,    e que, por um tempo consider&aacute;vel, n&atilde;o chegar&aacute; a nenhum    resultado que possa ser aplicado pelo fabricante. <b>O valor de tal laborat&oacute;rio    ser&aacute; cumulativo, &agrave; medida que o trabalho continua. A princ&iacute;pio,    ele ser&aacute; &uacute;til para a ind&uacute;stria por trazer novos pontos    de vista sobre muitos dos seus problemas.</b>"</font></p>     <p><font size="3">Como se v&ecirc;, h&aacute; mais de um s&eacute;culo outros    pa&iacute;ses reconheceram a import&acirc;ncia da pesquisa para empresas industrais,    defendendo e efetivamente gerando a exist&ecirc;ncia de departamentos de P&amp;D    financiados integralmente por e localizados dentro das empresas. (5) </font></p>     <p><font size="3">Quando se trata de f&iacute;sica, as associa&ccedil;&otilde;es    profissionais tem realizado, em alguns pa&iacute;ses, estudos que documentam    a import&acirc;ncia da f&iacute;sica para o desenvolvimento da ind&uacute;stria.    </font></p>     <p><font size="3">Na Inglaterra, o Institute of Physics (IoP) realizou em 2000    o estudo "The importance of physics to the UK economy", no qual se identifica    que "no ano 2000, 43% do emprego em manufatura no Reino Unido estava em Ind&uacute;strias    Baseadas em F&iacute;sica (IBF)" e que "de 1989 a 2000, 52.000 novas IBF’s surgiram    no Reino Unido". O IoP realiza estudos como este a cada dez anos, com o objetivo    de destacar a contribui&ccedil;&atilde;o da f&iacute;sica para a na&ccedil;&atilde;o    e ganhar melhor visibilidade por parte do Parlamento e da opini&atilde;o p&uacute;blica.    Al&eacute;m disso, esse tipo de estudo coleciona dados que permitem um melhor    planejamento para o desenvolvimento da f&iacute;sica no Reino Unido. </font></p>     <p><font size="3">No Canad&aacute;, o Comit&ecirc; de F&iacute;sica do National    Science and Engineering Research Council (NSERC) realizou, em 1997, dentro de    uma an&aacute;lise abrangente intitulada "Review of Academic Physics", um "Estudo    sobre o Impacto Econ&ocirc;mico", coordenado por P. Vincett. (6) O estudo analisou    a magnitude relativa do investimento em pesquisa na &aacute;rea de f&iacute;sica    e os resultados econ&ocirc;micos que a esses investimentos pudessem ser atribu&iacute;dos.    Para tanto, acompanhou o desempenho de empresas originadas de projetos financiados    pelo NSERC, o impacto de graduados em f&iacute;sica em empresas de v&aacute;rios    setores e os resultados de licenciamento de tecnologia praticados por institui&ccedil;&otilde;es    financiadas pelo NSERC. Nesse estudo, as empresas <i>spin-off</i> acompanhadas    respondiam por um faturamento anual de US$ 109 milh&otilde;es, contra um investimento    anual pelo NSERC na &aacute;rea de f&iacute;sica de US$ 35 milh&otilde;es. </font></p>     <p><font size="3">Para o caso da f&iacute;sica no Brasil, n&atilde;o h&aacute;    estudos desta natureza. A fragilidade tecnol&oacute;gica da ind&uacute;stria    no pa&iacute;s leva a crer que a base de ind&uacute;strias baseadas em f&iacute;sica    n&atilde;o deve ser extensa. No entanto, h&aacute; exemplos interessantes, especialmente    devidos a ind&uacute;strias nascidas em torno de universidades p&uacute;blicas    como a Unicamp ou a USP (campus S&atilde;o Carlos). No estudo "Relat&oacute;rio    Apresentado ao Minist&eacute;rio da Ci&ecirc;ncia e Tecnologia sobre Alguns    Aspectos da F&iacute;sica Brasileira" (7) , encomendado pelo Minist&eacute;rio    da Ci&ecirc;ncia e Tecnologia em 2002 a um grupo de trabalho, apontou casos    interessantes de ind&uacute;strias criadas a partir de pesquisa em f&iacute;sica    (<a href="#TAB01">tabela 1</a>). </font></p>     <p><a name="TAB01"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v57n3/a21tab01.gif"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">O exemplo mais vis&iacute;vel no Brasil de Ind&uacute;stria    Baseada em F&iacute;sica (para emprestarmos a defini&ccedil;&atilde;o usada    no documento do IoP) &eacute; aquele das comunica&ccedil;&otilde;es &oacute;pticas.    O programa de pesquisa e desenvolvimento de tecnologia para fabrica&ccedil;&atilde;o    de fibras &oacute;pticas do Instituto de F&iacute;sica da Unicamp, do CPqD e    da ABC Xtal tem todos os elementos essenciais do desenvolvimento tecnol&oacute;gico:    a universidade gerando conhecimento fundamental competitivo internacionalmente    e formando recursos humanos, o centro de pesquisas ligado &agrave; empresa desenvolvendo    a tecnologia e a empresa prosseguindo continuamente no desenvolvimento da tecnologia    e empregando para isso os cientistas e engenheiros formados na universidade.    N&atilde;o sem raz&atilde;o este caso foi destacado, num estudo realizado pela    Academia Brasileira de Ci&ecirc;ncias, como "um dos poucos e talvez o melhor    exemplo de programa de P&amp;D bem sucedido, no pa&iacute;s". (8)</font></p>     <p><font size="3">A &aacute;rea de comunica&ccedil;&otilde;es &oacute;pticas tem    se beneficiado dos avan&ccedil;os na f&iacute;sica e gerado oportunidades para    novas empresas. O aumento cont&iacute;nuo da velocidade dos sistemas de transmiss&atilde;o    de informa&ccedil;&otilde;es e telecomunica&ccedil;&otilde;es deve-se ao uso    da luz em sistemas de comunica&ccedil;&otilde;es. S&oacute; com o uso de comunica&ccedil;&otilde;es    &oacute;pticas &eacute; poss&iacute;vel atingir hoje velocidades de transmiss&atilde;o    de centenas de Gigabits por segundo, o que se tornou vi&aacute;vel a partir    da descoberta do laser nos anos 1960 e de fibras &oacute;pticas com baixas perdas    de luz, ocorrida nos anos 1970. O Brasil entrou cedo nesta atividade, com a    instala&ccedil;&atilde;o, em 1971, do Projeto de Pesquisa em Sistemas de Comunica&ccedil;&atilde;o    por Laser no Instituto de F&iacute;sica da Unicamp. A partir de 1973, o projeto    passou a receber financiamento da Telebr&aacute;s. Liderado por Jos&eacute;    Ellis Ripper, cientista brasileiro que a Unicamp trouxe dos Laborat&oacute;rios    Bell junto com outros pesquisadores, tinha por objetivo formar pessoal na &aacute;rea    de comunica&ccedil;&otilde;es &oacute;pticas, fazendo pesquisa competitiva internacionalmente.    A Telebr&aacute;s foi, na &eacute;poca, suficientemente ousada para valorizar    este tipo de estrat&eacute;gia – baseada em ci&ecirc;ncia de boa qualidade e    competitiva internacionalmente – e o pa&iacute;s pode colher bons frutos desse    esfor&ccedil;o.</font></p>     <p><font size="3">Em 1977, as primeiras fibras &oacute;pticas foram fabricadas    nos laborat&oacute;rios do Instituto de F&iacute;sica Gleb Wataghin. Em 1978,    a tecnologia come&ccedil;ou a ser transferida para o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento    da Telebr&aacute;s, o CPqD, em Campinas. Esse processo ilustra uma caracter&iacute;stica    fundamental da transfer&ecirc;ncia de tecnologia entre organiza&ccedil;&otilde;es:    ao inv&eacute;s de se transferir <i>blueprints</i> ou relat&oacute;rios t&eacute;cnicos,    o sucesso do projeto se deveu &agrave; transfer&ecirc;ncia de cientistas da    Unicamp para o CPqD e, mais tarde, para a ind&uacute;stria.</font></p>     <p><font size="3">Em 1983, a tecnologia foi transferida do CPqD para a empresa    ABC Xtal, localizada tamb&eacute;m em Campinas (vizinha do CPqD). Novamente,    a transfer&ecirc;ncia de c&eacute;rebros foi fundamental, com a migra&ccedil;&atilde;o    de cientistas do CPqD (muitos vindos da Unicamp) e da Unicamp para a empresa.</font></p>     <p><font size="3">A Xtal Fibras &Oacute;pticas, (comprada recentemente pela Fiber    Core, EUA), agora denominada Xtal Fibercore Brasil, &eacute; hoje o maior fabricante    de fibras &oacute;pticas no Brasil: anualmente, produz mais de 1,1 milh&atilde;o    de quil&ocirc;metros de fibras &oacute;pticas, sendo 35% das fibras comercializadas    no pa&iacute;s, e 20% de sua produ&ccedil;&atilde;o destinada &agrave; exporta&ccedil;&atilde;o.    Al&eacute;m do caso da XTal, deve-se tamb&eacute;m mencionar o caso da AsGa,    empresa originalmente criada para atuar em microeletr&ocirc;nica, depois redirecionada    para o setor de equipamentos optoeletr&ocirc;nicos. Criada por Jos&eacute; Ripper    e outros tr&ecirc;s s&oacute;cios, tem atingido resultados muito competitivos    em seu setor, especialmente com um equipamento de modems &oacute;pticos para    sistemas de telecomunica&ccedil;&otilde;es. (9) </font></p>     <p><font size="3">Outro exemplo relevante de Ind&uacute;stria Baseada em F&iacute;sica    &eacute; o das empresas surgidas em torno das universidades p&uacute;blicas    de S&atilde;o Carlos, entre as quais a mais destacada parece ser a Optoeletr&ocirc;nica    S&atilde;o Carlos (10), com 205 empregados (informa&ccedil;&atilde;o colhida    em <a href="http://www.opto.com.br" target="_blank"><i>www.opto.com.br</i></a>,    dia 6 de setembro de 2004), sendo 60% destes na &aacute;rea t&eacute;cnica.    A Optoeletr&ocirc;nica desenvolveu de maneira extremamente competitiva a tecnologia    para revestimentos antirefletores em componentes &oacute;pticos, especializando-se    naqueles aplicados a equipamentos odontol&oacute;gicos, al&eacute;m de outras    aplica&ccedil;&otilde;es de &oacute;ptica e equipamentos.</font></p>     <p><font size="3"> O Brasil precisa, tamb&eacute;m, aprender a explorar o uso    de projetos cient&iacute;ficos mobilizadores para estimular o desenvolvimento    de ind&uacute;strias baseadas em conhecimento. Esses projetos mobilizadores    t&ecirc;m sido um instrumento intensamente utilizado em muitos pa&iacute;ses    para estimular desenvolvimento de tecnologia na ind&uacute;stria com pesado    subs&iacute;dio pelo estado. Dois bons exemplos recentes na &aacute;rea de f&iacute;sica    no Brasil s&atilde;o projetos apoiados pela Fapesp nos quais a ag&ecirc;ncia    estabeleceu a meta adicional de se contratar desenvolvimento de tecnologia:    o projeto Southern Observatory for Astronomical Research (SOAR) e o Projeto    Pierre Auger para Observa&ccedil;&atilde;o de Raios C&oacute;smicos. No projeto    SOAR, boa parte do investimento pela Fapesp foi aplicado em contratar da empresa    Equatorial Sistemas, de S&atilde;o Jos&eacute; dos Campos, o projeto e a constru&ccedil;&atilde;o    da c&uacute;pula do telesc&oacute;pio, um dos mais modernos do mundo, instalado    nos Andes chilenos (11). A mesma empresa contribuiu no Projeto Observat&oacute;rio    Pierre Auger no projeto e constru&ccedil;&atilde;o do Sistema de Abertura Autom&aacute;tico    (SHUTTER) e Suporte do Sistema &Oacute;ptico do sistema de detec&ccedil;&atilde;o    de raios c&oacute;smicos. O Projeto Pierre Auger contratou, tamb&eacute;m, a    empresa Alpina, de S&atilde;o Paulo para o desenvolvimento dos tanques especiais    que integram o sistema de detec&ccedil;&atilde;o de raios c&oacute;smicos instalados    na regi&atilde;o des&eacute;rtica de Mallargue, na prov&iacute;ncia de Mendoza,    na Argentina.</font></p>     <p><font size="3">Alguns fatores presentes na economia brasileira dificultam bastante    o surgimento e a prosperidade de empresas baseadas em tecnologia. Um deles &eacute;    a instabilidade das regras da economia e das pol&iacute;ticas. Como &eacute;    bem sabido, qualquer iniciativa baseada em P&amp;D s&oacute; pode ser bem sucedida    se contar com estabilidade e perman&ecirc;ncia numa escala de tempo de alguns    anos. No entanto, a legisla&ccedil;&atilde;o tribut&aacute;ria brasileira sofre    altera&ccedil;&otilde;es quase di&aacute;rias e as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas    para P&amp;D (como todas as outras) podem sofrer mudan&ccedil;as radicais a    cada troca de governo. Somem-se a esta situa&ccedil;&atilde;o os obst&aacute;culos    para financiamento trazidos pela elevad&iacute;ssima taxa de juros e a instabilidade    da economia e o resultado &eacute; um ambiente praticamente hostil para empresas    baseadas em conhecimento.</font></p>     <p><font size="3">Criar condi&ccedil;&otilde;es prop&iacute;cias &agrave; inova&ccedil;&atilde;o    tecnol&oacute;gica na empresa &eacute; um dos principais desafios estruturais    colocados frente ao sistema de ci&ecirc;ncia e tecnologia brasileiro, pois sem    o envolvimento da empresa, o pa&iacute;s n&atilde;o conseguir&aacute; desenvolver    uma capacidade sistem&aacute;tica para transformar conhecimento em riqueza.    A recentemente divulgada pol&iacute;tica industrial pode contribuir para isto,    se entender o valor da capacidade industrial interna para o desenvolvimento    tecnol&oacute;gico. Nesse contexto, &eacute; impressionante a atualidade para    o Brasil do discurso de 1916, mencionado acima, de J.J. Carty, primeiro diretor    dos Laborat&oacute;rios Bell (4):</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">"Considero que esse &eacute; o elevado dever do nosso instituto,    e o de todos os seus membros, e que um dever semelhante se estende a todas as    institui&ccedil;&otilde;es de engenharia e ci&ecirc;ncia dos Estados Unidos    – inculcar nos industriais do pa&iacute;s as maravilhosas possibilidades de    economia em seus processos e de melhorias em seus produtos abertas pelas descobertas    da ci&ecirc;ncia. <b><U>A maneira de fazer isso &eacute; a pesquisa cient&iacute;fica    conduzida de acordo com princ&iacute;pios cient&iacute;ficos.</U> Quando se    tornar claro aos nossos industriais que a pesquisa vale a pena, eles certamente    chamar&atilde;o homens com treinamento cient&iacute;fico para ajud&aacute;-los    a investigar seus problemas t&eacute;cnicos e melhorar seus processos.</b> Aqueles    que primeiro tirarem proveito dos benef&iacute;cios da pesquisa industrial se    adiantar&atilde;o tanto em rela&ccedil;&atilde;o a seus competidores que podemos    aguardar o momento em que as vantagens da pesquisa industrial ser&atilde;o reconhecidas    por todos." (grifo nosso).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v57n3/a21fig01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Se o lugar da ci&ecirc;ncia e da educa&ccedil;&atilde;o &eacute;    a universidade, o lugar do desenvolvimento de tecnologia &eacute;, por excel&ecirc;ncia,    a empresa. O elemento criador de inova&ccedil;&atilde;o &eacute; o cientista    ou engenheiro que trabalha em P&amp;D nas empresas, sejam elas voltadas para    produtos ou servi&ccedil;os. Assim &eacute; que, nos EUA, dos 960 mil cientistas    e engenheiros trabalhando em pesquisa e desenvolvimento (P&amp;D), 760 mil (80%    do total) trabalham para empresas. </font></p>     <p><font size="3">A posi&ccedil;&atilde;o central da empresa na gera&ccedil;&atilde;o    de inova&ccedil;&atilde;o tem sido demonstrada por v&aacute;rios autores desde    Adam Smith, passando por levantamentos realizados pela National Science Foundation    e at&eacute; mesmo pela Confedera&ccedil;&atilde;o Nacional das Ind&uacute;strias    (CNI) no Brasil. Al&eacute;m disso, a universidade tem papel fundamental num    sistema nacional de inova&ccedil;&atilde;o, como formadora dos cientistas e    engenheiros, e como geradora de novas id&eacute;ias (12).</font></p>     <p><font size="3">Em todos os pa&iacute;ses que t&ecirc;m sabido construir desenvolvimento    a partir de conhecimento, a maioria dos cientistas trabalha em empresas, como    pesquisadores em seus centros de P&amp;D. No Brasil, ao contr&aacute;rio, temos    ainda poucos cientistas em empresas, menos que 29 mil, segundo o levantamento    mais recente, feito pelo IBGE em 2001 e publicado em 2002. Eles competem com    94 mil que trabalham para empresas na Cor&eacute;ia e quase 800 mil em empresas    nos EUA. &Eacute; desigual. Mesmo que o Brasil tenha demonstrado alguns sucessos    nesta &aacute;rea – como a Embraer, a Petrobras, o agroneg&oacute;cio movido    pela Embrapa –, falta-nos a capacidade de realizar isso repetida e continuamente.    Os v&aacute;rios bons exemplos verificados no pa&iacute;s mostram que para que    se desenvolver a atividade de P&amp;D empresarial no Brasil &eacute; necess&aacute;rio    que, na pol&iacute;tica de C&amp;T nacional e na pol&iacute;tica para o desenvolvimento    industrial, seja considerado o papel central da empresa como p&oacute;lo realizador    de P&amp;D. S&oacute; assim ser&aacute; poss&iacute;vel tornar a transforma&ccedil;&atilde;o    de conhecimento em riqueza uma atividade corriqueira no pa&iacute;s. </font></p>     <p><font size="3">N&atilde;o se trata de o empres&aacute;rio brasileiro n&atilde;o    valorizar a inova&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica como importante para seus    neg&oacute;cios. &Eacute; preciso reconhecer o ambiente econ&ocirc;mico inst&aacute;vel,    desfavor&aacute;vel e hostil para que as empresas realizem investimentos de    retorno certo, mas em prazo muitas vezes longo, como s&atilde;o os investimentos    em P&amp;D. Al&eacute;m disso, mesmo num ambiente menos desfavor&aacute;vel,    a atividade de P&amp;D cont&eacute;m uma incerteza intr&iacute;nseca. Pesquisa-se,    em geral, sobre o que n&atilde;o se conhece e, muitas vezes, um projeto perfeitamente    organizado e planejado pode n&atilde;o ser bem sucedido.</font></p>     <p><font size="3">Da&iacute; a necessidade do apoio estatal &agrave;s atividades    de pesquisa e desenvolvimento em empresas. Nos Estados Unidos, dos US$ 65 bilh&otilde;es    anuais que o governo federal investe em atividades de P&amp;D, US$ 25 bilh&otilde;es    v&atilde;o para empresas americanas. Neste caso, principalmente atrav&eacute;s    de uma pol&iacute;tica de encomendas tecnol&oacute;gicas, nas quais o governo    compra das empresas produtos e seu desenvolvimento tecnol&oacute;gico. Esse    valor significa 15% do disp&ecirc;ndio total feito pelas empresas em P&amp;D.    Na Inglaterra, o Estado investe US$ 1,5 bilh&atilde;o por ano em P&amp;D empresarial    – 9% do disp&ecirc;ndio total empresarial em P&amp;D. Na Fran&ccedil;a s&atilde;o,    anualmente, US$ 1,6 bilh&atilde;o de investimento do Estado em P&amp;D nas empresas    – 11% do total dispendido pelas empresas. Na Alemanha, US$ 2 bilh&otilde;es    anuais – 9% do disp&ecirc;ndio empresarial. </font></p>     <p><font size="3">Esses percentuais mostram que o Estado costuma, nos pa&iacute;ses    desenvolvidos, estimular atividades de P&amp;D empresariais, contribuindo para    reduzir o alto risco inerente a esta atividade. Na m&eacute;dia dos pa&iacute;ses    da OECD hoje, 10% do disp&ecirc;ndio empresarial em P&amp;D &eacute; financiado    com recursos governamentais, atrav&eacute;s de v&aacute;rios m&eacute;todos    de subs&iacute;dio, incluindo ren&uacute;ncia fiscal, pol&iacute;tica de encomendas    tecnol&oacute;gicas e apoio &agrave; infraestrutura de pesquisa. O subs&iacute;dio    governamental &eacute; virtuoso, pois, em m&eacute;dia, cada d&oacute;lar investido    pelo governo em P&amp;D empresarial chama outros US$ 9 da empresa. O percentual    de financiamento estatal &agrave; P&amp;D empresarial j&aacute; foi maior do    que estes 10% presentes – em 1981 nos EUA chegou a 32%, na Inglaterra 30% e    na Fran&ccedil;a 25%.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Este tipo de subs&iacute;dio &eacute; t&atilde;o importante    para os pa&iacute;ses desenvolvidos que, no acordo da OMC que o Brasil subscreve    (al&eacute;m disso, tornou-se lei no pa&iacute;s, o Decreto 1355 de 30/12/1994),    h&aacute; men&ccedil;&atilde;o expl&iacute;cita &agrave; permiss&atilde;o de    subs&iacute;dios nacionais &agrave;s atividades de P&amp;D empresariais, desde    que a OMC seja previamente notificada e o subs&iacute;dio n&atilde;o ultrapasse    75% do custo total do projeto de P&amp;D.</font></p>     <p><font size="3">O apoio estatal &agrave; P&amp;D empresarial em geral assume    tr&ecirc;s formas complementares: (i) pol&iacute;tica de encomendas tecnol&oacute;gicas    e contratos; (ii) incentivos fiscais; e (iii) apoio &agrave; infraestrutura    de pesquisa. O instrumento mais intensamente utilizado costuma ser o de compras    tecnol&oacute;gicas.</font></p>     <p><font size="3">&Eacute; preciso que o Brasil reconhe&ccedil;a que o lugar da    inova&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica &eacute; a empresa, e que esta n&atilde;o    pode ser substitu&iacute;da por outras organiza&ccedil;&otilde;es. Isto n&atilde;o    significa diminuir o papel das universidades e institutos de pesquisa – significa    sim reconhecer que cada organiza&ccedil;&atilde;o tem um papel importante e    essencial a cumprir e que, hoje, o maior desafio &eacute; aquele de levarmos    a atividade de P&amp;D para dentro das empresas. S&oacute; desta forma poderemos    ter no Brasil ind&uacute;strias baseadas em f&iacute;sica, em biologia, em ci&ecirc;ncia    e engenharia de computa&ccedil;&atilde;o. Ind&uacute;strias baseadas em conhecimento,    que se alimentam e se desenvolvem pelo avan&ccedil;o constante da fronteira    sem fim do conhecimento humano.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><i><b>Carlos H. de Brito Cruz</b> &eacute; f&iacute;sico, ex-reitor    da Unicamp e diretor cient&iacute;fico da Fapesp.</i></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">1. Este artigo &eacute; uma vers&atilde;o estendida do que foi    publicado em: <i>F&iacute;sica: tend&ecirc;ncias e perspectivas</i>, p. 281,    Gil da Costa Marques (Org.) Editora Livraria da F&iacute;sica, USP. 2005.</font><!-- ref --><p><font size="3">2. Brinkman, W. e Lang, D.V. <i>Reviews of modern physics</i>,    vol. 71, nº. 2, pp. S480-S488, Centenary. 1999.</font><!-- ref --><p><font size="3">3. Jewett,F.B. "Industrial research with some notes concerning    its scope in the Bell Telephone System", <i>J. Amer. Inst. Electr. Eng</i>.,    pp. 841-855. 1919. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.inovacao.unicamp.br/report/inte-fbjewett.shtml" target="_blank"><i>http://www.inovacao.unicamp.br/report/inte-fbjewett.shtml</i></a>.</font><!-- ref --><p><font size="3">4. Carty,J.J. "The relation of pure science to industrial scientific    research", Presidential Addrees to the Amer. Inst. Electr. Engineers. 1916.    Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.inovacao.unicamp.br/report/inte-diratt01.shtml" target="_blank"><i>http://www.inovacao.unicamp.br/report/inte-diratt01.shtml</i></a>    .</font><!-- ref --><p><font size="3">5. Mees,C.E.K. "The organization of industrial scientific research",    (Mc Graw Hill, New York. 1920. Cap&iacute;tulo introdut&oacute;rio dispon&iacute;vel    em: <a href="http://www.inovacao.unicamp.br/report/inte-kodak.shtml" target="_blank"><i>http://www.inovacao.unicamp.br/report/inte-kodak.shtml</i></a>.</font><!-- ref --><p><font size="3">6. Vincett, P. <i>Review Of Canadian Academic Physics. Economic    impact study</i>, NSERC, 1997.</font><!-- ref --><p><font size="3">7. Chaves,A.S. Brito Cruz,C.H.; da Jornada, J.A.H.; dos Anjos,J.;    Davidovich,L.; Salmeron, R.; Rezende S.M. e Canuto,S.R.A. Relat&oacute;rio apresentado    ao Minist&eacute;rio da Ci&ecirc;ncia e Tecnologia sobre alguns aspectos da    f&iacute;sica brasileira", MCT, 2002.</font><!-- ref --><p><font size="3">8. Krieger, E. e Galembeck, F. "Sintese setorial: capacita&ccedil;&atilde;o    para as atividades de pesquisa e desenvolvimento cient&iacute;fico e tecnol&oacute;gico",    p. 63, <i>in Estado atual e Papel futuro da ci&ecirc;ncia e tecnologia no Brasil    (EAPF)</i>, org. S. Schwartzmann (MCT, 1994) – dispon&iacute;vel em <i><a href="http://www.mct.gov.br/publi/compet/krieger.pdf" target="_blank">http://www.mct.gov.br/publi/compet/krieger.pdf</a></i>.</font><!-- ref --><p><font size="3">9. "&Oacute;ptica exemplar", <i>Revista Pesquisa Fapesp</i>    67, agosto de 2001.</font><!-- ref --><p><font size="3">10. "C&iacute;rculo virtuoso", <i>Revista Pesquisa Fapesp</i>    89, julho de 2003</font><!-- ref --><p><font size="3">11. "Um projeto padr&atilde;o", <i>Revista Pesquisa Fapesp</i>    100, junho de 2004.</font><!-- ref --><p><font size="3">12. Para uma excelente an&aacute;lise sobre o papel das organiza&ccedil;&otilde;es,    feita do ponto de vista da ind&uacute;stria, veja-se a introdu&ccedil;&atilde;o    de <i>Organization of industrial scientific research</i>, por C.E.K. Mees (primeiro    diretor do Laborat&oacute;rio de Pesquisas da Kodak) 1ª edi&ccedil;&atilde;o,    McGraw-Hill, New York 1920.</font> ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<label>1</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Marques]]></surname>
<given-names><![CDATA[Gil da Costa]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Física: tendências e perspectivas]]></source>
<year>2005</year>
<page-range>281</page-range><publisher-name><![CDATA[Editora Livraria da FísicaUSP]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<label>2</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Brinkman]]></surname>
<given-names><![CDATA[W.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Lang]]></surname>
<given-names><![CDATA[D.V.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Reviews of modern physics]]></source>
<year>1999</year>
<volume>71</volume>
<numero>2</numero>
<issue>2</issue>
<page-range>S480-S488</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<label>3</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Jewett]]></surname>
<given-names><![CDATA[F.B.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Industrial research with some notes concerning its scope in the Bell Telephone System]]></article-title>
<source><![CDATA[J. Amer. Inst. Electr. Eng.]]></source>
<year>1919</year>
<page-range>841-855</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<label>4</label><nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Carty]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.J.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The relation of pure science to industrial scientific research]]></article-title>
<source><![CDATA[Amer. Inst. Electr. Engineers.]]></source>
<year>1916</year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<label>5</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Mees]]></surname>
<given-names><![CDATA[C.E.K.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[The organization of industrial scientific research]]></source>
<year>1920</year>
<publisher-loc><![CDATA[New York ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Mc Graw Hill]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B6">
<label>6</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Vincett]]></surname>
<given-names><![CDATA[P.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Review Of Canadian Academic Physics: Economic impact study]]></source>
<year>1997</year>
<publisher-name><![CDATA[NSERC]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B7">
<label>7</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Chaves]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.S.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Brito Cruz]]></surname>
<given-names><![CDATA[C.H.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[da Jornada]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.A.H.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[dos Anjos]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Davidovich]]></surname>
<given-names><![CDATA[L.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Salmeron]]></surname>
<given-names><![CDATA[R.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Rezende]]></surname>
<given-names><![CDATA[S.M.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Canuto]]></surname>
<given-names><![CDATA[S.R.A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Relatório apresentado ao Ministério da Ciência e Tecnologia sobre alguns aspectos da física brasileira]]></source>
<year>2002</year>
<publisher-name><![CDATA[MCT]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B8">
<label>8</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Krieger]]></surname>
<given-names><![CDATA[E.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Galembeck]]></surname>
<given-names><![CDATA[F.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Sintese setorial: capacitação para as atividades de pesquisa e desenvolvimento científico e tecnológico]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Schwartzmann]]></surname>
<given-names><![CDATA[S.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Estado atual e Papel futuro da ciência e tecnologia no Brasil (EAPF)]]></source>
<year>1994</year>
<page-range>63</page-range><publisher-name><![CDATA[MCT]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B9">
<label>9</label><nlm-citation citation-type="journal">
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Óptica exemplar]]></article-title>
<source><![CDATA[Revista Pesquisa Fapesp]]></source>
<year>agos</year>
<month>to</month>
<day> d</day>
<volume>67</volume>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B10">
<label>10</label><nlm-citation citation-type="journal">
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Círculo virtuoso]]></article-title>
<source><![CDATA[Revista Pesquisa Fapesp]]></source>
<year>julh</year>
<month>o </month>
<day>de</day>
<volume>89</volume>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B11">
<label>11</label><nlm-citation citation-type="journal">
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Um projeto padrão]]></article-title>
<source><![CDATA[Revista Pesquisa Fapesp]]></source>
<year>junh</year>
<month>o </month>
<day>de</day>
<volume>100</volume>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B12">
<label>12</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Mees]]></surname>
<given-names><![CDATA[C.E.K.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Organization of industrial scientific research]]></source>
<year>1920</year>
<edition>1</edition>
<publisher-loc><![CDATA[New York ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[McGraw-Hill]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
