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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v57n3/a22img01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">C<SMALL>&Eacute;SAR</small> L<SMALL>ATTES</small></font></p>     <p><img src="/img/revistas/cic/v57n3/a03img02.gif"></p>     <p><font size="4"><b>Vida dedicada &agrave; f&iacute;sica e ao conhecimento</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Em 8 de mar&ccedil;o &uacute;ltimo o pa&iacute;s perdeu um de    seus cientistas mais brilhantes: C&eacute;sar Lattes (1924-2005), f&iacute;sico    curitibano, graduado pela Universidade de S&atilde;o Paulo e um dos brasileiros    que esteve mais perto de ganhar o Pr&ecirc;mio Nobel. Foi companheiro de grandes    figuras da &aacute;rea, como Gleb Wataglin, Marcelo Dammy e Giuseppe Occhiallini.    Ainda jovem, ap&oacute;s ingressar na USP aos 16 anos, sua paix&atilde;o pela    ci&ecirc;ncia o impulsionou a importantes descobertas. Aos 23 anos, comprovou    a exist&ecirc;ncia do m&eacute;son-pi – uma ef&ecirc;mera part&iacute;cula cuja    for&ccedil;a mant&eacute;m coeso o n&uacute;cleo at&ocirc;mico – e contribuiu,    de forma decisiva, para a inaugura&ccedil;&atilde;o da f&iacute;sica de altas    energias.</font></p>     <p><font size="3">Em 1946, Lattes participou do aprimoramento de t&eacute;cnicas    de emuls&otilde;es fotogr&aacute;ficas, decisivas para o registro da trajet&oacute;ria    do meson. A part&iacute;cula rendeu o Nobel de F&iacute;sica de 1949 a Hideki    Yukawa, o f&iacute;sico japon&ecirc;s que previra sua exist&ecirc;ncia, e o    de 1950 a Cecil Powell, diretor do laborat&oacute;rio em Bristol, na Inglaterra,    que dividiu a descoberta do m&eacute;son junto com Lattes e com o italiano Occhialini.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v57n3/a22fig01.jpg"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">De volta ao Brasil, Lattes participou, em 1949, da funda&ccedil;&atilde;o    do Centro Brasileiro de Pesquisas F&iacute;sicas (CBPF); em 1951, da cria&ccedil;&atilde;o    do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient&iacute;fico e Tecnol&oacute;gico    (CNPq); contribuiu para a consolida&ccedil;&atilde;o do Centro Nacional de Energia    Nuclear (1968); e do Instituto de F&iacute;sica que recebe o nome de seu fundador,    Gleb Wataglin. Atuou como docente em v&aacute;rias universidades brasileiras    e foi pesquisador em Bristol, Chicago e Minnesota, al&eacute;m de consultor    do Laborat&oacute;rio de Radia&ccedil;&atilde;o da Universidade da Calif&oacute;rnia.    Em 1962, iniciou na Unicamp a colabora&ccedil;&atilde;o Brasil-Jap&atilde;o    para o estudo de intera&ccedil;&otilde;es a elevadas energias na radia&ccedil;&atilde;o    c&oacute;smica. Juntamente com outras institui&ccedil;&otilde;es nacionais,    essa se tornaria a parceria mais duradoura da f&iacute;sica de raios c&oacute;smicos,    que permanece at&eacute; hoje.</font></p>     <p><FONT size="3"><b>VIDA PESSOAL</b> Lattes alternou momentos de intensa produtividade    com per&iacute;odos de depress&atilde;o, que se estendiam por meses. Exc&ecirc;ntrico,    piadista e pol&ecirc;mico s&atilde;o algumas das caracter&iacute;sticas pelas    quais era conhecido junto a seus afetos e desafetos no ambiente universit&aacute;rio.    Afinal, ele n&atilde;o deixava de dizer o que queria, e nem dizia o que as pessoas    gostariam de ouvir. Costumava levar seus cachorros &agrave;s defesas de tese    e reuni&otilde;es de que participava. Avesso a formalidades, era por vezes flagrado    descal&ccedil;o nos corredores do Departamento de Raios C&oacute;smicos do Instituto    de F&iacute;sica da Unicamp. </font></p>     <p><font size="3">A maior plataforma de curr&iacute;culos de pesquisadores brasileiros    foi batizada de Plataforma Lattes, em sua homenagem. Em agosto passado, alcan&ccedil;ou    a marca de 500 mil registros. Os dados acad&ecirc;micos de Lattes, no entanto,    n&atilde;o est&atilde;o ali. Para o f&iacute;sico, que sonhava em criar uma    esp&eacute;cie de universidade livre, territ&oacute;rio da reflex&atilde;o de    diferentes temas, a p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o acaba por consumir os    anos potencialmente mais criativos dos estudantes. </font></p>     <p><FONT size="3"><b>MEM&Oacute;RIA</b> Os documentos que registram a intensidade    da vida e obra de C&eacute;sar Lattes est&atilde;o espalhados pelas in&uacute;meras    institui&ccedil;&otilde;es por onde passou. Uma delas, a Unicamp, pretende organizar    e preservar cartas, fotos, documentos e livros, reproduzindo seu escrit&oacute;rio,    tal como era. O Arquivo de Mem&oacute;ria de C&eacute;sar Lattes integra o projeto    de recuperar a hist&oacute;ria dos cientistas da Unicamp, em projeto coordenado    por Silvia Figueiroa, do Instituto de Geoci&ecirc;ncias.</font></p>     <p><font size="3">Na USP, o Instituto de F&iacute;sica disponibilizou em seu site    o cat&aacute;logo da exposi&ccedil;&atilde;o "Os 50 anos da descoberta do meson    pi", apresentada em 1998 na Esta&ccedil;&atilde;o Ci&ecirc;ncia. Entre os planos    da idealizadora do projeto, a f&iacute;sica Am&eacute;lia Hamburger, que foi    colega de Lattes, est&aacute; organizar um banco de dados sobre o f&iacute;sico,    em parceria com a Sociedade Brasileira de F&iacute;sica (SBF). </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p ALIGN="RIGHT"><font size="3"><i>Germana Barata e Fl&aacute;via Nat&eacute;rcia</i></font></p>      ]]></body>
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