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</front><body><![CDATA[ <p><font size="4"><b>CENTEN&Aacute;RIO</b></font></p>     <p><font size=5><b>S<SMALL>ARTRE: O EXERC&Iacute;CIO DA LIBERDADE</small></b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Esse ano comemora-se o centen&aacute;rio de nascimento do fil&oacute;sofo    e escritor Jean-Paul Sartre, considerado um dos principais intelectuais franceses,    com uma trajet&oacute;ria singular que une filosofia, literatura, teatro e compromisso    com as principais quest&otilde;es pol&iacute;ticas de seu tempo. A imagem p&uacute;blica    de intelectual engajado e freq&uuml;entador ass&iacute;duo dos caf&eacute;s    parisienses mescla-se com o reconhecimento de sua filosofia existencialista    e de sua obra liter&aacute;ria.</font></p>     <p><font size="3">A obra liter&aacute;ria de Sartre constitui-se na representa&ccedil;&atilde;o    dos seus principais conceitos filos&oacute;ficos. Nesse sentido, s&atilde;o    insepar&aacute;veis. Com o intuito de popularizar a sua filosofia atrav&eacute;s    da literatura, as obras liter&aacute;rias de Sartre s&atilde;o relevantes porque    conseguem abranger um p&uacute;blico maior. Para Sartre, a linguagem deve ser    um instrumento que revele possibilidades de transforma&ccedil;&atilde;o da realidade,    afirma Lu&iacute;s Ant&ocirc;nio Contatori Romano, em sua tese de doutorado    sobre a passagem de Sartre pelo Brasil em 1960, defendida na Universidade Estadual    de Campinas (Unicamp), em 2000.</font></p>     <p><FONT size="3"><b>BIOGRAFIA</b> Sartre nasceu em Paris, no dia 21 de junho    de 1905. Em 1924, ingressou no curso de filosofia da Escola Normal Superior    onde conheceu a fundadora do feminismo moderno, Simone de Beauvoir. Desde ent&atilde;o,    nunca mais se separaram. Em 1933, Sartre passou um ano estudando em Berlim,    per&iacute;odo em que teve contato com as obras de fil&oacute;sofos como Kierkegaard,    Husserl, Karl Jaspers e Heidegger, refer&ecirc;ncias importantes para a sua    filosofia. De volta &agrave; Fran&ccedil;a, Sartre publicou os seus primeiros    romances, dentre eles <i>A n&aacute;usea</i> (1938). </font></p>     <p><FONT size="3"><b>EXIST&Ecirc;NCIA E ENGAJAMENTO</b> Durante a Segunda Guerra    Mundial, o fil&oacute;sofo foi convocado a prestar servi&ccedil;os militares,    sendo preso pelos alem&atilde;es em 1940. Permaneceu cerca de um ano num campo    de concentra&ccedil;&atilde;o e, conseguindo escapar, retornou a Paris. Em 1943    iniciou a sua colabora&ccedil;&atilde;o com o movimento de resist&ecirc;ncia    francesa contra a ocupa&ccedil;&atilde;o alem&atilde;. Nesse mesmo ano, a primeira    pe&ccedil;a teatral de Sartre – <i>As moscas</i> – &eacute; encenada, e o seu    primeiro e principal tratado filos&oacute;fico – <i>O ser e o nada</i> – publicado.</FONT></p>     <p><FONT size="3">A exist&ecirc;ncia precede a ess&ecirc;ncia. Esse &eacute; o    mais popular e emblem&aacute;tico princ&iacute;pio da filosofia existencialista    de Sartre. O homem n&atilde;o possui uma ess&ecirc;ncia dada <i>a priori</i>:    ele &eacute; aquilo que faz no decorrer de sua vida. Nesse sentido, nenhuma    determina&ccedil;&atilde;o, seja da ordem da natureza – como a hereditariedade    – seja de ordem metaf&iacute;sica – como Deus – explica o que seja o homem:    ele &eacute; fruto de um processo marcado pela liberdade de escolha num contexto    de possibilidades. O homem constr&oacute;i a si mesmo por meio do exerc&iacute;cio    da liberdade.</FONT></p>     <p><font size="3">&Eacute; preciso lembrar que, para Sartre, a liberdade n&atilde;o    &eacute; uma faculdade humana abstrata ou puramente espont&acirc;nea. A liberdade    &eacute; uma atitude concreta e sempre situada. Cada indiv&iacute;duo est&aacute;    inserido no mundo no qual pesam sobre ele desde fatores pessoais, como a fam&iacute;lia    e a condi&ccedil;&atilde;o social, at&eacute; a pr&oacute;pria configura&ccedil;&atilde;o    hist&oacute;rica de sua &eacute;poca. A exist&ecirc;ncia depende da conduta    que cada um assume em rela&ccedil;&atilde;o a essas conting&ecirc;ncias. O homem    &eacute; inteiramente respons&aacute;vel por aquilo que ele &eacute;. E a responsabilidade,    pensada como o engajamento no mundo, &eacute; um valor inerente &agrave; liberdade.</font></p>     <p><FONT size="3"><b>A VISITA AO BRASIL</b> No per&iacute;odo p&oacute;s-guerra,    a solidariedade com a luta pela independ&ecirc;ncia da Arg&eacute;lia contra    o colonialismo franc&ecirc;s e a vis&atilde;o otimista da revolu&ccedil;&atilde;o    cubana revelam o interesse de Sartre pelos problemas dos chamados pa&iacute;ses    do Terceiro Mundo. Em agosto de 1960, Sartre e Simone de Beauvoir desembarcam    no Brasil, permanecendo no pa&iacute;s durante dois meses. A reconstitui&ccedil;&atilde;o    do significado dessa visita foi o objetivo da tese de doutorado de Contatori    Romano, publicada pela editora Mercado das Letras em parceria com a Fapesp,    em 2002. O autor avalia a recep&ccedil;&atilde;o da obra de Sartre e sua influ&ecirc;ncia    na filosofia, na literatura e no teatro brasileiros, assim como a repercuss&atilde;o    das posi&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas do fil&oacute;sofo franc&ecirc;s    no pa&iacute;s.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Al&eacute;m de percorrer o itiner&aacute;rio do casal – ciceroneado    pelo escritor Jorge Amado – que incluiu palestras em universidades, entrevistas    e visitas a uma favela carioca, e a um terreiro de candombl&eacute; em Salvador,    Romano pesquisa as cr&iacute;ticas de intelectuais cat&oacute;licos brasileiros    ao ate&iacute;smo presente na filosofia sartriana; as implica&ccedil;&otilde;es    de uma literatura popular, proposta por Sartre para o Brasil; e a montagem de    suas pe&ccedil;as teatrais por grupos como o Teatro Brasileiro de Com&eacute;dia    (TBC) e o Oficina.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="3"><i>Carolina Cantarino</i></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v57n3/a25fig01.gif"></p>      ]]></body>
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