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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v57n3/a26fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4"><b>ARTE JAPONESA</b></font></p>     <p><font size=5><b>G<SMALL>RUPO</small> S<SMALL>EIBI-KAI COMPLETA SETENTA ANOS    SEM COMEMORA&Ccedil;&Otilde;ES PREVISTAS</small></b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Na d&eacute;cada de 1930, um grupo de artistas pl&aacute;sticos    japoneses uniu-se para discutir seus trabalhos e promover exposi&ccedil;&otilde;es    para dar mais visibilidade &agrave; sua produ&ccedil;&atilde;o. O grupo foi    respons&aacute;vel por uma representativa produ&ccedil;&atilde;o ligada ao modernismo    brasileiro, ao lado de outros grupos formados na &eacute;poca, como o Santa    Helena e o Guanabara, surgidos na esteira da Semana de Arte Moderna. Trata-se    do Seibi-kai, como ficou conhecida a Associa&ccedil;&atilde;o dos Artistas Pl&aacute;sticos    Japoneses do Brasil, que completa setenta anos de cria&ccedil;&atilde;o, sem    nenhuma atividade programada, como lamenta Tomie Ohtake, artista pl&aacute;stica    que integrou o grupo em seus &uacute;ltimos anos, e que gostaria de participar    de alguma comemora&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="3">Tomie s&oacute; entrou no grupo em 1953, quando dali j&aacute;    haviam despontado nomes como Handa, Higaki, Tanaka, Takaoka, Tamaki e Takahashi,    que fundaram o movimento, em 1935. O pesquisador da USP, Paulo Roberto de Menezes,    diz que esses artistas se uniram para estreitar a amizade e trocarem opini&otilde;es    sobre seus trabalhos. Reuniam-se mensalmente para, entre outras coisas, estabelecerem    liga&ccedil;&otilde;es com pintores brasileiros e estrangeiros. A reuni&atilde;o    acontecia no por&atilde;o da pens&atilde;o gerenciada por Handa, na rua Alagoas,    32, no bairro paulistano de Higien&oacute;polis.</font></p>     <p><FONT size="3"><b>PINTURA ABSTRATA</b> Para Menezes, o nome do grupo deixa    clara a inten&ccedil;&atilde;o de aprimoramento do trabalho: S&atilde;o Paulo    Bijitsu Kenkyu Kai-Seibi (Grupo de Estudo de Artes Pl&aacute;sticas em S&atilde;o    Paulo), mas ficou conhecido como Seibi ou Seibi-kai (<i>kai</i> quer dizer associa&ccedil;&atilde;o).    Vindos de diferentes localidades do Jap&atilde;o e instalados no interior paulista,    esses artistas tinham em comum a l&iacute;ngua – mesmo os dialetos das regi&otilde;es    de origem – a capacidade de criar e de se expressar na pintura, escultura e    cenografia. Uma marca do grupo s&atilde;o os auto-retratos, caracter&iacute;sticos    da pintura figurativa, estilo que predomina na primeira fase, ainda sob forte    influ&ecirc;ncia da arte acad&ecirc;mica, segundo Jo&atilde;o Spinelli, professor    da Escola de Comunica&ccedil;&atilde;o e Artes da USP. Mas os artistas posteriores    – como Manabu Mabe, Fl&aacute;vio-Shir&oacute; e Tomie Ohtake – se dedicaram    ao abstracionismo. </font></p>     <p><font size="3">Tomie entende que &eacute; nessa segunda fase, abstrata, que    h&aacute; mais diferen&ccedil;as entre a arte produzida pelo Seibi e pelos demais    modernistas do per&iacute;odo. "Isso ocorre a partir da linha criada por Mabe,    uma pintura caligr&aacute;fica, com fundo muito limpo, em que os contrastes    s&atilde;o fortes – de tra&ccedil;os, de cores, de luz – que ningu&eacute;m    conseguiu igualar", comenta.</font></p>     <p><font size="3">Um fato marcante na hist&oacute;ria do Seibi, e que determinou    o que muitos autores chamam de duas fases do grupo, se deu principalmente em    virtude da Segunda Guerra Mundial, quando as atividades da col&ocirc;nia japonesa    no Brasil ficaram restringidas. Os artistas nipo-brasileiros j&aacute; n&atilde;o    circulavam livremente no pa&iacute;s, e menos ainda se arriscavam a sair do    Brasil. O grupo, que j&aacute; era fechado, nessa fase passou a n&atilde;o mais    se reunir e voltou a atuar somente em 1947. No ano seguinte, consegue instalar    um ateli&ecirc; coletivo e recebe a ades&atilde;o de novos artistas. Come&ccedil;a    uma nova fase de participa&ccedil;&atilde;o em importantes sal&otilde;es, com    v&aacute;rias premia&ccedil;&otilde;es. Em 1951, &eacute; criado o Sal&atilde;o    Paulista de Arte Moderna e, neste mesmo ano, em que os artistas japoneses retomam    o Sal&atilde;o Seibi – exposi&ccedil;&atilde;o concebida em 1938 – ela passa    a ser anual. "Os sal&otilde;es Seibi abriram as portas tamb&eacute;m para brasileiros,    permitindo, finalmente, maior integra&ccedil;&atilde;o da comunidade art&iacute;stica    brasileira com a japonesa", acrescenta o professor da USP. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><FONT size="3"><b>INTEGRA&Ccedil;&Atilde;O</b> O di&aacute;logo dos artistas    do Seibi com brasileiros era comum. Yoshiya Takaoka, por exemplo, conviveu com    pintores do Santa Helena a partir de 1931, participou do N&uacute;cleo Bernardelli    e, entre 1948 e 1949, participou da forma&ccedil;&atilde;o do Grupo15, com Tomoo    Handa, Tamaki, Fl&aacute;vio-Shir&oacute;, Geraldo de Barros e outros 11 artistas.    Participou, tamb&eacute;m, da forma&ccedil;&atilde;o do Grupo Guanabara, em    1959, em S&atilde;o Paulo. Segundo Spineli, o Seibi foi o que teve a maior dura&ccedil;&atilde;o    de todos eles, mantendo os sal&otilde;es anuais e incorporando novos artistas    a cada ano, at&eacute; 1972. </font></p>     <p><font size="3">Spinelli estranha o fato de nenhum curador ou empres&aacute;rio    ter se mobilizado para comemorar a data. Em sua opini&atilde;o, nem a academia    reconhece adequadamente a particularidade desses artistas, imigrantes que, em    sua maioria, vieram trabalhar nos cafezais brasileiros e surpreenderam pela    qualidade de sua arte e por sua organiza&ccedil;&atilde;o como grupo. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="3"><i>Simone Pallone</i></font></p>      ]]></body>
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