<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0009-6725</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Ciência e Cultura]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Cienc. Cult.]]></abbrev-journal-title>
<issn>0009-6725</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0009-67252005000300027</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Livro debate a ligação entre arte e política]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Natércia]]></surname>
<given-names><![CDATA[Flávia]]></given-names>
</name>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A">
<institution><![CDATA[,  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>09</month>
<year>2005</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>09</month>
<year>2005</year>
</pub-date>
<volume>57</volume>
<numero>3</numero>
<fpage>60</fpage>
<lpage>60</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252005000300027&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0009-67252005000300027&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0009-67252005000300027&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p><font size="4"><b>LAN&Ccedil;AMENTO</b></font></p>     <p><font size=5><b>L<SMALL>IVRO DEBATE A LIGA&Ccedil;&Atilde;O ENTRE ARTE E    POL&Iacute;TICA</small></b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v57n3/a27fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><FONT size="3">Onde encontrar, nos dias de hoje, alternativas ao consenso que    coloca a vida humana sob o jugo do mercado? Onde est&atilde;o as vanguardas    est&eacute;tica e pol&iacute;tica? Elas ainda seriam capazes de produzir dissenso,    introduzir fraturas no monol&iacute;tico discurso que prega o triunfo inexor&aacute;vel    do capitalismo? Para Jacques Ranci&egrave;re, professor em&eacute;rito do Departamento    de Filosofia da Universidade de Paris VIII, na arte e na pol&iacute;tica contempor&acirc;nea    &eacute; cada vez menor a capacidade dos atores envolvidos de produzir dissenso,    bem como formular a emancipa&ccedil;&atilde;o da sociedade em termos de outros    mundos poss&iacute;veis. Em <i>A partilha do sens&iacute;vel: est&eacute;tica    e pol&iacute;tica</i>, obra rec&eacute;m-lan&ccedil;ada no Brasil pela Exo Experimental    e pela Editora 34, o autor procura restabelecer as condi&ccedil;&otilde;es de    inteligibilidade desse debate. </font></p>     <p><FONT size="3">O livro confirma Ranci&egrave;re entre os mais originais pensadores    da atualidade. Cada cap&iacute;tulo se dedica a responder quest&otilde;es formuladas    por dois fil&oacute;sofos, Muriel Combes e Bernard Aspe, para a revista <i>Alice</i>,    a partir das an&aacute;lises feitas em <i>O desentendimento</i> (Editora 34,    1996), sobre a partilha do sens&iacute;vel como cerne da pol&iacute;tica. Segundo    o autor, na base da pol&iacute;tica existe uma est&eacute;tica, que nada tem    a ver com a estetiza&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica, pr&oacute;pria da    era das massas. Desse modo, Ranci&egrave;re estende &agrave; est&eacute;tica    a an&aacute;lise que havia feito do texto escrito em <i>Pol&iacute;ticas da    escrita</i> (Editora 34, 1995). Se, por um lado, a pol&iacute;tica &eacute;    est&eacute;tica, por outro, a arte pode ser considerada pol&iacute;tica, determinando    rela&ccedil;&otilde;es espa&ccedil;o-temporais, formas de visibilidade, rela&ccedil;&otilde;es    entre as formas sens&iacute;veis e seus modos de representa&ccedil;&atilde;o.    Nesse sentido, "a arte faz pol&iacute;tica antes que os artistas a fa&ccedil;am".    Segundo ele, o que se denomina arte, na tradi&ccedil;&atilde;o ocidental, remete    a tr&ecirc;s grandes regimes de identifica&ccedil;&atilde;o: o regime &eacute;tico    das imagens; o regime po&eacute;tico das artes; e o regime est&eacute;tico das    artes. </font></p>     <p><font size="3">Ranci&egrave;re dedica-se, tamb&eacute;m, a examinar a rela&ccedil;&atilde;o    entre hist&oacute;ria e fic&ccedil;&atilde;o, refutando a afirma&ccedil;&atilde;o    de que tudo &eacute; fic&ccedil;&atilde;o, mas reconhecendo que "escrever hist&oacute;ria    e escrever hist&oacute;rias" constituem atividades que pertencem ao mesmo regime    de verdade. Como a literatura de Flaubert e Balzac, os pesquisadores da "nova    hist&oacute;ria" se voltam ao estudo do cotidiano, do homem comum, deixando    de lado a narrativa dos grandes feitos, dos grandes homens. Como o discurso    da nova hist&oacute;ria, o realismo tamb&eacute;m produziu um fruto esp&uacute;rio:    o revisionismo hist&oacute;rico, que busca negar o Holocausto uma vez que o    absurdo do exterm&iacute;nio o coloca fora do &acirc;mbito do poss&iacute;vel    autorizado pelo s&eacute;culo. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="3"><i>Fl&aacute;via Nat&eacute;rcia</i></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[ ]]></body>
</article>
