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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v57n3/a28fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4"><b>M&Uacute;SICA</b></font></p>     <p><font size=5><b>E<SMALL>NCONTRO ENTRE IND&Iacute;GENAS E ERUDITOS</small></B></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><FONT size="3">Promover a diversidade das m&uacute;sicas ind&iacute;genas no    Brasil, criando um di&aacute;logo com a m&uacute;sica cl&aacute;ssica de tradi&ccedil;&atilde;o    ocidental &eacute; o que moveu o projeto <i>Ponte entre povos</i>, iniciativa    da compositora e int&eacute;rprete de m&uacute;sica ind&iacute;gena Marlui Miranda.    A troca entre diferentes estilos musicais iniciou-se em 2001, com a apresenta&ccedil;&atilde;o    da m&uacute;sica ind&iacute;gena dos povos do Amap&aacute; para alunos da Escola    de M&uacute;sica Walk&iacute;ria Lima, um conservat&oacute;rio fundado em Macap&aacute;,    na d&eacute;cada de 1950, pelo m&uacute;sico erudito Oscar Santos. A partir    de uma s&eacute;rie de oficinas, m&uacute;sicos ind&iacute;genas, eruditos de    S&atilde;o Paulo e estudantes de Macap&aacute; produziram tr&ecirc;s CDs e um    livro, lan&ccedil;ados em fevereiro &uacute;ltimo, durante a realiza&ccedil;&atilde;o    de um grande espet&aacute;culo musical que reuniu 20 &iacute;ndios do Oiapoque    e do Parque Ind&iacute;gena do Tumucumaque, 13 estudantes do Amap&aacute; e    a Camerata Atheneum, formada por m&uacute;sicos da Orquestra Sinf&ocirc;nica    Municipal de S&atilde;o Paulo.</font></p>     <p><FONT size="3">"Os participantes ind&iacute;genas decidiram gravar para preservar    e ensinar tamb&eacute;m para os n&atilde;o-&iacute;ndios", diz Marlui. Nos tr&ecirc;s    CDs, a prioridade &eacute; a m&uacute;sica ind&iacute;gena dos povos Apalai,    Wayana, Katxuyana, Tiriy&oacute; e Palikur. No repert&oacute;rio est&atilde;o    cantigas rituais, que contam o cotidiano: de ca&ccedil;a, de fazer ro&ccedil;a,    de casamento, de chorar a perda de um amor, do contato com os brancos. A escolha    do t&iacute;tulo e da ordem das m&uacute;sicas &eacute; dos ind&iacute;genas.    No repert&oacute;rio cl&aacute;ssico se destacam <i>Uma pequena serenata noturna</i>,    de Mozart, e o <i>Minueto em l&aacute; maior</i> de Boccherini.</font></p>     <p><font size="3">Os &iacute;ndios tamb&eacute;m participaram das transcri&ccedil;&otilde;es,    tradu&ccedil;&otilde;es e descri&ccedil;&otilde;es dos rituais, do uso dos instrumentos    musicais e das narrativas m&iacute;ticas que caracterizam cada m&uacute;sica    – esse material e as partituras est&atilde;o no livro. A publica&ccedil;&atilde;o,    feita pelo Sesc paulista, est&aacute; repleta de fotografias, grafismos, desenhos    ind&iacute;genas, roteiros das grava&ccedil;&otilde;es e alguns textos acad&ecirc;micos    que contextualizam a hist&oacute;ria e os costumes de cada um dos povos ind&iacute;genas    do projeto.</font></p>     <p><font size="3">Num dos textos, Lux Vidal, antrop&oacute;loga da Universidade    de S&atilde;o Paulo, lembra que existem diferentes maneiras de abordar a m&uacute;sica    tradicional ind&iacute;gena. A pesquisa acad&ecirc;mica, por exemplo, desenvolvida    no Brasil por etnomusic&oacute;logos importantes como Anthony Seeger e Rafael    Menezes de Barros, enfatiza as organiza&ccedil;&otilde;es sociais, as cosmologias    e os significados das m&uacute;sicas no contexto das diferentes culturas ind&iacute;genas.    Outra possibilidade &eacute; o resgate e a divulga&ccedil;&atilde;o genuinamente    musical, fazendo com que a diversidade &eacute;tnica, vocal e instrumental dos    povos ind&iacute;genas seja acess&iacute;vel fora das aldeias,atrav&eacute;s    de grava&ccedil;&otilde;es e espet&aacute;culos musicais. </font></p>     <p><font size="3">Essa &eacute; a proposta que permeia o trabalho de Marlui Miranda    h&aacute; 30 anos, com pesquisas e o registro de diferentes linguagens e tradi&ccedil;&otilde;es    musicais ind&iacute;genas. "Existem cerca de 240 povos ind&iacute;genas no Brasil.    Essa diversidade permite uma abordagem ampla, uma esp&eacute;cie de paisagem    da m&uacute;sica de diferentes grupos ind&iacute;genas", diz Marlui.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><FONT size="3"><b>DIREITOS AUTORAIS</b> Uma das preocupa&ccedil;&otilde;es    do projeto foi a quest&atilde;o dos direitos autorais das obras ind&iacute;genas.    Todo o repert&oacute;rio est&aacute; protegido por autoria: as partituras das    m&uacute;sicas foram registradas na Biblioteca Nacional, os CDs foram numerados    e os int&eacute;rpretes, nomeados individualmente, foram comunicados ao Escrit&oacute;rio    Central de Arrecada&ccedil;&atilde;o e Distribui&ccedil;&atilde;o (Ecad), respons&aacute;vel    pelo repasse dos recursos arrecadados com a utiliza&ccedil;&atilde;o das m&uacute;sicas.    "Desde 1971, a partir do disco Olhos D’&Aacute;gua, percebi que a autoria, no    caso da m&uacute;sica ind&iacute;gena, n&atilde;o poderia ser de ordem coletiva    porque a legisla&ccedil;&atilde;o brasileira e a internacional s&atilde;o de    natureza individual. Para evitar que esse repert&oacute;rio ind&iacute;gena    fosse considerado de dom&iacute;nio p&uacute;blico, optei por nomear indiv&iacute;duos    como autores das m&uacute;sicas", justifica Marlui.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="3"><i>Carolina Cantarino</i></font></p>      ]]></body>
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