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</front><body><![CDATA[ <P ALIGN="center"><img src="/img/revistas/cic/v57n4/nt_bra.gif"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">AGRICULTURA</font></P>     <p><img src="/img/revistas/cic/v57n4/linhapt.gif"></P>     <p><font size="4"><b>F&oacute;rum do Software Livre estende projeto contra monop&oacute;lio    para as sementes </b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">O que h&aacute; de comum entre os agricultores tradicionais    e o movimento software livre? Aparentemente nada, pois enquanto um lida com    a milenar atividade agr&iacute;cola o outro trabalha com aquilo que, em nosso    imagin&aacute;rio, se liga ao que h&aacute; de mais futur&iacute;stico. Os inimigos,    por&eacute;m, parecem estar aproximando esses dois personagens. Ambos t&ecirc;m    como advers&aacute;rio principal o monop&oacute;lio. Os hackers do movimento    software livre lutam para que o c&oacute;digo que produzem e utilizam seja livre,    j&aacute; os agricultores tentam fazer com que as esp&eacute;cies que cultivam    h&aacute; anos n&atilde;o se tornem de dom&iacute;nio exclusivo das transnacionais,    interessadas em obter patentes sobre as sementes. No &uacute;ltimo caso, o c&oacute;digo    a ser protegido &eacute; o gen&eacute;tico. No fundo, agricultores e programadores    hoje lutam pela mesma coisa: o conhecimento livre.</font></P>     <p><font size="3">Um grande passo para que os dois movimentos aumentem o di&aacute;logo    e a colabora&ccedil;&atilde;o foi dado no sexto F&oacute;rum Internacional de    Software Livre. Neste ano, pela primeira vez o f&oacute;rum montou um "Banco    de Sementes Livres", iniciativa para oferecer a comunidades ind&iacute;genas    e quilombolas do Rio Grande do Sul sementes livres de modifica&ccedil;&atilde;o    gen&eacute;ticas e sobre as quais n&atilde;o incida nenhuma patente. Ao todo,    o movimento conseguiu arrecadar 3 toneladas de sementes que, segundo os organizadores,    dever&atilde;o gerar 3 mil toneladas de alimentos.</font></P>     <p><font size="3"><b>FOME ZERO</b> Tradicionalmente, o f&oacute;rum costuma arrecadar    alimentos, doados ao programa Fome Zero. Mas havia, entre os organizadores,    o desejo promover uma a&ccedil;&atilde;o que pudesse ajudar os beneficiados    a garantir seu pr&oacute;prio sustento de forma aut&ocirc;noma. Quem conta a    hist&oacute;ria &eacute; M&aacute;rio Teza, um dos organizadores e membro do    Comit&ecirc; Gestor da internet brasileira: "Ficamos tocados com a hist&oacute;ria    da alta mortalidade infantil dos &iacute;ndios em Dourados (MS) e quer&iacute;amos    fazer algo que vencesse o problema da distribui&ccedil;&atilde;o, j&aacute;    que &eacute; complicado fazer chegar os alimentos".</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">A coleta para o Fome Zero n&atilde;o foi interrompida – mas    a ela somou-se a arrecada&ccedil;&atilde;o de dinheiro para a compra de sementes.    Ao final do sexto f&oacute;rum, no in&iacute;cio de junho, o total arrecadado    chegou a R$ 30 mil – fruto da contribui&ccedil;&atilde;o dos patrocinadores    e de R$ 3 da inscri&ccedil;&atilde;o de cada participante. O pr&oacute;ximo    passo, agora, &eacute; comprar as sementes e fazer com que elas cheguem &agrave;s    comunidades. Para isso est&atilde;o envolvidos a Empresa de Assist&ecirc;ncia    T&eacute;cnica e Extens&atilde;o Rural do Rio Grande do Sul (Emater-RS), as    secretarias de Agricultura e de Trabalho do estado, a universidade Uniju&iacute;,    o Conselho Ind&iacute;genista do RS e, possivelmente, a Embrapa.</font></P>     <p><font size="3">Durante o processo de organiza&ccedil;&atilde;o, percebeu-se    que poderia ser mais interessante atender &agrave;s comunidades do pr&oacute;prio    estado do Rio Grande do Sul do que tentar ajudar os &iacute;ndios do Mato Grosso    do Sul, que j&aacute; recebiam bastante aten&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia.    "No mesmo per&iacute;odo, ocorreu aquela seca no estado e a popula&ccedil;&atilde;o    ind&iacute;gena e quilombola foi fortemente afetada", afirma Teza. Segundo    ele, quem plantou sementes transg&ecirc;nicas perdeu 100% da lavoura, enquanto    a taxa de resist&ecirc;ncia da &aacute;rea plantada com as variedades crioulas    (tradicionais) foi de 60%. "Boa parte dos chefes das comunidades ind&iacute;genas    do estado foi seduzida pelo canto da sereia dos transg&ecirc;nicos e est&atilde;o    tentando imitar o modelo do agroneg&oacute;cio. Com a seca, ficaram sem gr&atilde;os    at&eacute; para o plantio da pr&oacute;xima safra", afirma Teza.</font></P>     <p><font size="3">O objetivo agora &eacute; criar uma cadeia produtiva livre,    em que os agricultores n&atilde;o sejam obrigados a pagar os royalties abusivos    cobrados pelas transnacionais dos transg&ecirc;nicos. No pr&oacute;ximo ano,    as comunidades beneficiadas contribuir&atilde;o, com o fruto de seu trabalho,    para fazer crescer ainda mais o Banco de Sementes Livres. "N&atilde;o podemos    ver reproduzido na agricultura o monop&oacute;lio que a Microsoft exerce sobre    o mercado de software", afirma Teza. "Queremos liberdade para o c&oacute;digo    gen&eacute;tico, assim como queremos que sejam livres os c&oacute;digos-fonte    dos programas de computador", completa.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="right"><font size="3"> <i><b>Rafael Evangelista</b></i></font></p>      ]]></body>
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