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</front><body><![CDATA[ <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v57n4/artigos.gif"></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size=5><b>ESPA&Ccedil;OS N&Atilde;O-FORMAIS DE ENSINO E O CURR&Iacute;CULO    DE CI&Ecirc;NCIAS</b></font></P>     <P><font size="3"><b>Val&eacute;ria Vieira, M. Lucia Bianconi e Monique Dias</b></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3"><b><font size=5>A</font></b> educa&ccedil;&atilde;o, enquanto    forma de ensino-aprendizagem, &eacute; adquirida ao longo da vida dos cidad&atilde;os    e, segundo alguns autores (1, 2), pode ser dividida em tr&ecirc;s diferentes    formas: educa&ccedil;&atilde;o escolar formal desenvolvida nas escolas; educa&ccedil;&atilde;o    informal, transmitida pelos pais, no conv&iacute;vio com amigos, em clubes,    teatros, leituras e outros, ou seja, aquela que decorre de processos naturais    e espont&acirc;neos; e educa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-formal, que ocorre    quando existe a inten&ccedil;&atilde;o de determinados sujeitos em criar ou    buscar determinados objetivos fora da institui&ccedil;&atilde;o escolar. Assim,    a educa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-formal pode ser definida como a que proporciona    a aprendizagem de conte&uacute;dos da escolariza&ccedil;&atilde;o formal em    espa&ccedil;os como museus, centros de ci&ecirc;ncias, ou qualquer outro em    que as atividades sejam desenvolvidas de forma bem direcionada, com um objetivo    definido (1).</font></P>     <P><font size="3">Os museus e centros de ci&ecirc;ncias estimulam a curiosidade    dos visitantes. Esses espa&ccedil;os oferecem a oportunidade de suprir, ao menos    em parte, algumas das car&ecirc;ncias da escola como a falta de laborat&oacute;rios,    recursos audiovisuais, entre outros, conhecidos por estimular o aprendizado.    &Eacute; importante, no entanto, uma an&aacute;lise mais profunda desses espa&ccedil;os    e dos conte&uacute;dos neles presentes para um melhor aproveitamento escolar.    </font></P>     <P><font size="3">Recentemente, realizamos uma avalia&ccedil;&atilde;o quantitativa    do aprendizado de conte&uacute;dos de ci&ecirc;ncias com alunos do segundo segmento    do ensino fundamental, que participaram de uma aula n&atilde;o-formal realizada    no Rio de Janeiro (3). A avalia&ccedil;&atilde;o mostrou que essa aula &eacute;    importante no processo de aprendizagem dos conte&uacute;dos abordados, al&eacute;m    de ter sido reconhecida como estimulante pelos alunos. Nossos dados sugeriram    que, quando bem direcionados, espa&ccedil;os n&atilde;o-formais de ensino podem    ser bons aliados das aulas formais (3).</font></P>     <P><font size="3">Segundo Vasconcelos e Souto (4), ao se ensinar ci&ecirc;ncias,    &eacute; importante n&atilde;o privilegiar apenas a memoriza&ccedil;&atilde;o,    mas promover situa&ccedil;&otilde;es que possibilitem a forma&ccedil;&atilde;o    de uma bagagem cognitiva no aluno. Isso ocorre atrav&eacute;s da compreens&atilde;o    de fatos e conceitos fundamentais, de forma gradual. Espa&ccedil;os n&atilde;o-formais,    onde se procura transmitir, ao p&uacute;blico estudantil conte&uacute;dos de    ci&ecirc;ncias, podem favorecer a aquisi&ccedil;&atilde;o de tal bagagem cognitiva.    </font></P>     <P><font size="3">As aulas formais se baseiam, na maior parte das vezes, nos conte&uacute;dos    curriculares propostos em livros did&aacute;ticos. Segundo os Par&acirc;metros    Curriculares Nacionais (PCN), editados pelo MEC em 1998, atrav&eacute;s da disciplina    <i>ci&ecirc;ncias</i> pode-se estimular uma postura cr&iacute;tica que permita    avaliar como a sociedade interv&eacute;m na natureza. Atualmente, sabemos que    esse tipo de postura &eacute; essencial, por exemplo, para diminuir a degrada&ccedil;&atilde;o    acelerada do meio ambiente, para se ter uma nova realidade com inclus&atilde;o    social e respeito ao ser humano e ao meio em que est&aacute; inserido. De qualquer    forma, n&atilde;o podemos esquecer que os livros did&aacute;ticos constituem    um recurso de fundamental import&acirc;ncia, podendo at&eacute; ser o &uacute;nico    material de apoio did&aacute;tico no ensino b&aacute;sico (4). </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="3">Considerando-se a import&acirc;ncia de avaliar espa&ccedil;os    de ensino n&atilde;o-formal e o fato de o livro did&aacute;tico ser o principal    material de apoio dispon&iacute;vel nas escolas, procuramos analisar dois centros    de ci&ecirc;ncias – Jardim Bot&acirc;nico e o Jardim Zool&oacute;gico do Rio    de Janeiro – que oferecem aulas n&atilde;o-formais, buscando avaliar como seus    conte&uacute;dos s&atilde;o abordados nos livros did&aacute;ticos. O Museu Nacional    do Rio de Janeiro, tamb&eacute;m analisado, oferece um espa&ccedil;o multidisciplinar    que pode ser aproveitado por todos os segmentos do ensino b&aacute;sico. </font></P>     <P><font size="3">Este artigo descreve brevemente como ocorrem as visitas escolares    nesses tr&ecirc;s locais e tece um paralelo ao conte&uacute;do program&aacute;tico    encontrado em livros did&aacute;ticos sugeridos pelo MEC. </font></P>     <P><font size="3"><b>JARDIM BOT&Acirc;NICO</b> O Jardim Bot&acirc;nico do Rio    de Janeiro foi criado por D. Jo&atilde;o VI em 13 de junho de 1808 nos arredores    de uma f&aacute;brica de p&oacute;lvora, a fim de servir como "jardim de    aclimata&ccedil;&atilde;o". Sua finalidade foi introduzir e aclimatar plantas    ex&oacute;ticas de grande valor e interesse na Europa, vindas do Oriente. Mais    tarde, o local passou a ser denominado Real Horto, depois Real Jardim Bot&acirc;nico    e, finalmente, Jardim Bot&acirc;nico do Rio de Janeiro. </font></P>     <P><font size="3">Em decorr&ecirc;ncia de sua riqueza e diversidade bot&acirc;nica,    com cerca de cinq&uuml;enta mil esp&eacute;cimes presentes, o Jardim Bot&acirc;nico    passou a oferecer um mini-curso para professores, levantando aspectos importantes    do local, com o intuito de melhorar o aproveitamento das visitas escolares,    j&aacute; que l&aacute; n&atilde;o s&atilde;o oferecidos servi&ccedil;os de    guias ou monitores. O N&uacute;cleo de Educa&ccedil;&atilde;o Ambiental (NEA),    &oacute;rg&atilde;o administrativo do Jardim Bot&acirc;nico, &eacute; respons&aacute;vel    em agendar as visitas escolares e coordenar os mini-cursos. Podem ser realizados    com at&eacute; quinze professores e consiste em uma aula descritiva do roteiro    b&aacute;sico de visita, com um monitor que guia os professores e sugere um    trajeto com paradas estrat&eacute;gicas, onde determinados temas s&atilde;o    abordados. Ao final, os professores recebem uma cartilha com todo o roteiro    e fichas de avalia&ccedil;&atilde;o do curso. O curso &eacute; realizado para    professores que lecionam desde a educa&ccedil;&atilde;o infantil at&eacute;    o ensino universit&aacute;rio, atendendo, assim, um p&uacute;blico bem diversificado.    Durante o curso, o monitor ressalta curiosidades e formas l&uacute;dicas de    trabalhar conte&uacute;dos espec&iacute;ficos de cada parada sugerida. </font></P>     <P><font size="3">No in&iacute;cio do trajeto, os professores recebem sugest&otilde;es    de trabalhos multidisciplinares. No decorrer da caminhada, s&atilde;o feitas    algumas observa&ccedil;&otilde;es sobre as plantas e seus aromas, num convite    aos visitantes para interagir com o ambiente. No percurso, se discorre sobre    o meio ambiente do Jardim Bot&acirc;nico, que pertence &agrave; mata atl&acirc;ntica,    dando &ecirc;nfase ao fato de que parte da vegeta&ccedil;&atilde;o &eacute;    nativa e parte &eacute; resultado de reflorestamento. O Recanto das Mangueiras,    por exemplo, &eacute; utilizado para trabalhar a multidisciplinaridade, atrav&eacute;s    de express&atilde;o corporal em aulas de educa&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica    e arte. </font></P>     <P><font size="3">Segue-se por pontos onde s&atilde;o encontradas plantas de utilidade    comercial ou ornamental, algumas relacionadas &agrave; mitologia e artes. Durante    a visita, o monitor chama a aten&ccedil;&atilde;o sempre que avista alguma ave,    como a jacupema (de papo vermelho) e a gar&ccedil;a, ou animal, como o esquilo    caxinguel&ecirc; e micos. </font></P>     <P><font size="3">Foi poss&iacute;vel observar que esse espa&ccedil;o &eacute;    riqu&iacute;ssimo n&atilde;o s&oacute; em beleza natural, mas em material de    observa&ccedil;&atilde;o para aulas de ci&ecirc;ncias e biologia, proporcionando    uma interatividade, t&iacute;pica de aulas n&atilde;o-formais. </font></P>     <P><font size="3"><b>JARDIM ZOOL&Oacute;GICO</b> O Jardim Zool&oacute;gico do    Rio de Janeiro tem como respons&aacute;veis pelas visitas das escolas, um bi&oacute;logo    e sua equipe de estagi&aacute;rios que organizaram um roteiro b&aacute;sico    de visita&ccedil;&atilde;o, priorizando a observa&ccedil;&atilde;o e valoriza&ccedil;&atilde;o    de animais nacionais.</font></P>     <P><font size="3">A visita, com dura&ccedil;&atilde;o de cerca de duas horas,    &eacute; previamente agendada com a equipe, que aceita at&eacute; 40 alunos.    &Eacute; guiada por quatro monitores uniformizados, cada um respons&aacute;vel    por um grupo de dez alunos; um quinto monitor &agrave; paisana &eacute; respons&aacute;vel    por dramatizar algumas situa&ccedil;&otilde;es durante o passeio, chamando a    aten&ccedil;&atilde;o dos alunos para assuntos de interesse, e usando a crendice    popular para desmistificar fatos que podem levar ao preconceito contra alguns    animais.</font></P>     <P><font size="3">Durante todo o percurso, &eacute; poss&iacute;vel trabalhar    os sentidos: o tato, pelo toque em um casco de jabuti, no ovo de jacar&eacute;,    num bico de papagaio, ou numa asa de borboleta; quando os alunos passam perto    do viveiro dos sag&uuml;is, percebe-se o odor desagrad&aacute;vel exalado por    gl&acirc;ndulas dos animais para marcar territ&oacute;rio; o paladar &eacute;    sentido pela degusta&ccedil;&atilde;o do mel durante a observa&ccedil;&atilde;o    de uma tenda onde se explica tudo sobre abelhas; por fim, a vis&atilde;o e a    audi&ccedil;&atilde;o s&atilde;o sentidos presentes durante todo o passeio.    </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="3">Como no caso do Jardim Bot&acirc;nico, o trajeto da visita guiada    &eacute; dividido em "paradas". Por&eacute;m, a grande diferen&ccedil;a    entre essas aulas &eacute; que a do Jardim Zool&oacute;gico &eacute; organizada    e oferecida por uma equipe, enquanto que no Jardim Bot&acirc;nico &eacute; apenas    sugerida uma proposta de trabalho aos professores, podendo ou n&atilde;o ocorrer    dessa forma. </font></P>     <P><font size="3">A visualiza&ccedil;&atilde;o de animais, enquanto s&atilde;o    comentadas suas caracter&iacute;sticas, certamente facilita o aprendizado de    temas da zoologia, indicando que jardins zool&oacute;gicos s&atilde;o grandes    aliados do ensino de ci&ecirc;ncias.</font></P>     <P><font size="3"><b>MUSEU NACIONAL DO RIO DE JANEIRO</b> O Museu Nacional localiza-se    em um local conhecido como Pa&ccedil;o de S&atilde;o Crist&oacute;v&atilde;o    ou, popularmente, Quinta da Boa Vista. Foi criado por D. Jo&atilde;o VI em 1818,    tendo sido a principal institui&ccedil;&atilde;o brasileira dedicada &agrave;    hist&oacute;ria natural, ao estudo das ci&ecirc;ncias naturais e antropol&oacute;gicas.    Por meio de seus departamentos, exposi&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas (permanentes    ou tempor&aacute;rias) e do trabalho desenvolvido pelo Servi&ccedil;o de Assist&ecirc;ncia    ao Ensino (SAE), exerce importante papel como instrumento de capacita&ccedil;&atilde;o    e divulga&ccedil;&atilde;o das transforma&ccedil;&otilde;es e desenvolvimento    que vem ocorrendo na natureza e no saber humano. O Museu Nacional oferece um    amplo acervo, direcionado principalmente &agrave; biologia e hist&oacute;ria.    </font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v57n4/a14fig01.gif"></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3">Como no Jardim Bot&acirc;nico, as escolas que visitam o museu    n&atilde;o t&ecirc;m um guia ou monitor respons&aacute;vel &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o.    Dessa forma, &eacute; proposta a realiza&ccedil;&atilde;o de um treinamento    para as exposi&ccedil;&otilde;es permanentes, com o objetivo de estabelecer    uma prof&iacute;cua parceria com os professores de ensino b&aacute;sico, capacitando-os    a guiar suas turmas durante a visita ao museu. O curso &eacute; dividido em    duas partes: treinamento de hist&oacute;ria natural, com informa&ccedil;&otilde;es    sobre o acervo de biologia, geologia e paleontologia; e treinamento de ci&ecirc;ncias    sociais, que engloba toda a parte de antropologia. Ocorre, em m&eacute;dia,    quatro vezes ao ano, sendo permitida a inscri&ccedil;&atilde;o de at&eacute;    20 professores em cada treinamento, que, ao final, recebem o certificado e material    de apoio, com informa&ccedil;&otilde;es sobre o tema exposto e orienta&ccedil;&atilde;o    de sua melhor abordagem em sala de aula.</font></P>     <P><font size="3"><b>CONTE&Uacute;DOS CURRICULARES</b> Realizou-se, por meio de    sucessivas observa&ccedil;&otilde;es, um levantamento dos conte&uacute;dos presentes    nas aulas n&atilde;o-formais sugeridas pelos centros de ci&ecirc;ncia e pelo    museu acima descritos. No Jardim Bot&acirc;nico, esse levantamento foi referente    &agrave; oferta de conte&uacute;dos discutidos no decorrer do mini-curso. No    Zool&oacute;gico, os conte&uacute;dos s&atilde;o relacionados ao roteiro b&aacute;sico    de visita&ccedil;&atilde;o guiada, e no Museu Nacional, aqueles abordados no    treinamento de hist&oacute;ria natural para professores. Foi poss&iacute;vel    localizar ao menos 16 t&oacute;picos do conte&uacute;do curricular na aula do    Jardim Bot&acirc;nico, 10 t&oacute;picos na aula do Jardim Zool&oacute;gico    e outros 14, na do Museu Nacional. Esses conte&uacute;dos s&atilde;o encontrados    na grade curricular do segundo segmento do ensino fundamental, objeto de nossas    pesquisas nessas e em outras aulas n&atilde;o-formais. Para a an&aacute;lise    dos mesmos, fez-se uma busca de cada um dos t&oacute;picos em livros did&aacute;ticos    sugeridos pelo MEC.</font></P>     <P><font size="3">Como era de se esperar, pela divis&atilde;o dos conte&uacute;dos    nas s&eacute;ries, encontramos todos os t&oacute;picos das aulas do Jardim Bot&acirc;nico    e do Jardim Zool&oacute;gico em livros destinados &agrave;s 5ª e    6ª s&eacute;ries. No caso do Museu Nacional, a maioria dos t&oacute;picos    estava presente nas mesmas s&eacute;ries, sendo alguns encontrados apenas nas    s&eacute;ries seguintes, 7ª e 8ª, como o caso de embriologia    e fun&ccedil;&otilde;es qu&iacute;micas.</font></P>     <P><font size="3">Ao que parece, a maioria dos livros did&aacute;ticos n&atilde;o    costuma relacionar conte&uacute;dos nas diferentes s&eacute;ries. &Eacute; interessante    notar que alguns temas, essenciais em qualquer uma das s&eacute;ries do segundo    segmento do ensino fundamental, como <i>&aacute;gua</i>, ou a <i>import&acirc;ncia    do nitrog&ecirc;nio</i>, por exemplo, s&atilde;o abordados em uma &uacute;nica    s&eacute;rie. Isso sugere que a aula n&atilde;o-formal pode at&eacute; ser mais    completa que a aula formal, dependendo dos livros adotados pelo professor ou    mesmo da forma como a aula &eacute; ministrada. &Eacute; essencial que a aula    n&atilde;o-formal n&atilde;o ocorra sem um bom planejamento pr&eacute;vio, devendo    ser estruturada para alcan&ccedil;ar seus objetivos.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="3">Consideramos o t&oacute;pico – &aacute;gua – sem d&uacute;vida    importante em temas como vida, sa&uacute;de, meio ambiente, qu&iacute;mica e    f&iacute;sica, um bom exemplo de fragmenta&ccedil;&atilde;o do ensino. Sendo    a &aacute;gua o composto essencial para a vida, correspondendo a 70% da composi&ccedil;&atilde;o    celular, seria de se esperar uma melhor correla&ccedil;&atilde;o quando se tratasse    desse assunto nas outras s&eacute;ries. Afinal, suas propriedades f&iacute;sicas    e qu&iacute;micas s&atilde;o importantes para a vida; a polui&ccedil;&atilde;o    pode levar a problemas de sa&uacute;de imediatos ou futuros; os seres vivos    n&atilde;o vivem sem &aacute;gua; bact&eacute;rias e fungos n&atilde;o crescem    em meios desidratados. Podemos citar uma s&eacute;rie de correla&ccedil;&otilde;es    que facilmente seriam feitas caso o ensino n&atilde;o fosse fragmentado. A n&atilde;o    fragmenta&ccedil;&atilde;o do ensino pode at&eacute; contribuir para uma melhor    contextualiza&ccedil;&atilde;o.</font></P>     <P><font size="3">O t&oacute;pico "Preserva&ccedil;&atilde;o e interfer&ecirc;ncia    humana", por exemplo, encontrado somente em livros de 6ª s&eacute;rie,    n&atilde;o &eacute; tratado de forma a relacionar conceitos j&aacute; aprendidos    em s&eacute;ries anteriores. Esse &eacute; um tema atual que discute como o    homem modifica o meio, causando sua destrui&ccedil;&atilde;o e degrada&ccedil;&atilde;o.    N&atilde;o compreendemos porque n&atilde;o existe qualquer rela&ccedil;&atilde;o    desses temas como <i>&aacute;gua, ar e solo</i>, discutidos durante a 5ª s&eacute;rie.    Ou mesmo com outros temas discutidos nas s&eacute;ries seguintes. Por&eacute;m,    apesar de ter ocorrido essa fragmenta&ccedil;&atilde;o na maioria dos livros,    foi interessante notar que alguns poucos livros abordam assuntos pertinentes    em duas ou mais s&eacute;ries, apesar de ser direcionado a uma delas apenas.</font></P>     <P><font size="3">Talvez o dado mais importante dessa an&aacute;lise tenha sido    notar que os conte&uacute;dos s&atilde;o apresentados de forma fragmentada nos    livros did&aacute;ticos, n&atilde;o permitindo uma rela&ccedil;&atilde;o entre    diferentes t&oacute;picos. Certamente isso vem contrariando as propostas dos    PCN onde as diversas disciplinas devem apresentar eixos tem&aacute;ticos (conte&uacute;dos    espec&iacute;ficos daquela disciplina) e temas transversais (n&atilde;o espec&iacute;ficos    a um ramo do conhecimento). Nos temas transversais a proposta &eacute; trabalhar    conte&uacute;dos em diferentes contextos articulados com o conte&uacute;do dos    eixos tem&aacute;ticos. Para que essa articula&ccedil;&atilde;o transdisciplinar    ocorra, torna-se fundamental que a pr&oacute;pria disciplina n&atilde;o seja    fragmentada.</font></P>     <P><font size="3">Entendemos a fragmenta&ccedil;&atilde;o como uma necessidade    atual do ensino, j&aacute; que o conte&uacute;do program&aacute;tico &eacute;    extenso. Mesmo assim, seria importante que se pensasse melhor na correla&ccedil;&atilde;o    entre temas que n&atilde;o s&oacute; podem, como devem ser correlacionados.</font></P>     <P><font size="3">Nossa an&aacute;lise sugere que as aulas n&atilde;o-formais,    quando bem direcionadas e aproveitadas da forma esperada pelos idealizadores,    atende muito bem as expectativas do professor e, conseq&uuml;entemente, do aluno.    Notamos ser perfeitamente poss&iacute;vel que conte&uacute;dos de diferentes    s&eacute;ries sejam abordados em uma &uacute;nica visita, j&aacute; que a apresenta&ccedil;&atilde;o    dos temas ocorre de forma naturalmente correlacionada. </font></P>     <P><font size="3">Dessa forma, fica claro que diferentes aulas n&atilde;o-formais    proporcionam um ensino menos fragmentado. Afinal, o ensino n&atilde;o deveria    ser fragmentado j&aacute; que a realidade n&atilde;o &eacute; fragmentada. Ainda    segundo os PCN, a disciplina de ci&ecirc;ncias deveria servir para uma reflex&atilde;o    e posterior investiga&ccedil;&atilde;o do meio que nos cerca, onde o aluno &eacute;    o agente principal dessa a&ccedil;&atilde;o. &Eacute; importante, portanto,    que o livro did&aacute;tico n&atilde;o seja a &uacute;nica fonte de informa&ccedil;&atilde;o    do professor, j&aacute; que esse n&atilde;o atende as necessidades atuais de    conhecimento. </font></P>     <P><font size="3">A aula n&atilde;o-formal desperta um maior interesse no aluno.    Isso p&ocirc;de ser observado nas declara&ccedil;&otilde;es de professores e    alunos entrevistados e questionados a respeito da import&acirc;ncia dessa experi&ecirc;ncia    extra-classe (4). Os alunos comentam sempre que, quando observados, os conte&uacute;dos    s&atilde;o melhor assimilados, e que o conv&iacute;vio social, tanto com seus    colegas quanto com seus professores, torna-os mais estimulados. Os professores    tamb&eacute;m concordam que a educa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-formal &eacute;    positiva para o processo de aprendizagem.</font></P>     <P><font size="3">Segundo Bejarano &amp; Carvalho (5), n&atilde;o &eacute; simples    a tarefa de aprender a ensinar. Muitas vezes, os professores se v&ecirc;em diante    de um conflito ao observarem suas realidades. &Eacute; importante que utilizem    estrat&eacute;gias que permitam resolver esses conflitos. Uma delas pode ser    a prepara&ccedil;&atilde;o do professor, durante os cursos de gradua&ccedil;&atilde;o,    para que possam ministrar diferentes tipos de aula, sejam elas formais ou n&atilde;o-formais.    </font></P>     <P><font size="3">A participa&ccedil;&atilde;o dos alunos nessas aulas e a forma    din&acirc;mica como acontecem, s&atilde;o vistas como positivas pelos professores    pois, na sua concep&ccedil;&atilde;o, caracterizam-nas como l&uacute;dicas e    prazerosas. Os professores costumam afirmar que nessas aulas a multidisciplinaridade,    proposta nos PCN, pode ser facilmente trabalhada. Este &eacute; mais um fator    que vem refor&ccedil;ar a import&acirc;ncia dessas aulas para estudantes do    ensino b&aacute;sico. Nessas aulas, a quest&atilde;o metodol&oacute;gica, a    abordagem dos temas e conte&uacute;dos cient&iacute;ficos apresentados por meio    de diferentes recursos, e as estrat&eacute;gias e din&acirc;micas, podem contribuir    para o aprendizado.</font></P>     <P><font size="3">Esperamos que a an&aacute;lise entusiasme os professores de    ensino b&aacute;sico para que utilizem mais dessas aulas n&atilde;o-formais    no seu planejamento, a fim de motivar e melhorar a qualidade ensino.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>&nbsp;</P>     <P><font size="3"><i><b>Val&eacute;ria Vieira</b> &eacute; doutora em qu&iacute;mica    biol&oacute;gica, &aacute;rea de concentra&ccedil;&atilde;o em educa&ccedil;&atilde;o,    gest&atilde;o e difus&atilde;o de bioci&ecirc;ncias pelo Instituto de Bioqu&iacute;mica    M&eacute;dica, UFRJ.    <br>   <b>M. Lucia Bianconi</b> &eacute; professora adjunta e coordenadora de extens&atilde;o    do Instituto de Bioqu&iacute;mica M&eacute;dica, UFRJ.    <br>   <b>Monique Dias</b> &eacute; bi&oacute;loga pela UFRJ.</i></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3"><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">1.Gohm, M. G. <i>Educa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-formal e    cultura pol&iacute;tica. Impactos sobre o associativismo do terceiro setor</i>.    S&atilde;o Paulo, Cortez. 1999. </font><!-- ref --><p><font size="3">2.Colley, H.; Hodkinson, P. &amp; Malcolm, J. "Non-formal    learning: mapping the conceptual terrain". A consultation report, Leeds:    University of Leeds Lifelong Learning Institute. 2002. Dispon&iacute;vel no    endere&ccedil;o: <a href="http://www.infed.org/archives/e-texts/colley_informal_learning.htm" target="_blank"><i>http://www.infed.org/archives/e-texts/colley_informal_learning.htm</i></a></font><!-- ref --><p><font size="3">3.Vieira, V. "An&aacute;lise de espa&ccedil;os n&atilde;o-formais    e sua contribui&ccedil;&atilde;o para o ensino de ci&ecirc;ncias", tese    de doutoramento, IBqM, UFRJ. 2005.</font><!-- ref --><p><font size="3">4.Vasconcelos, S.D. &amp; Souto, E. "O livro did&aacute;tico    de ci&ecirc;ncias no ensino fundamental – proposta de crit&eacute;rios para    an&aacute;lise do conte&uacute;do zool&oacute;gico". <i>Ci&ecirc;ncia &amp;    Educa&ccedil;&atilde;o</i>, v. 9, p. 93-104. 2003. </font><!-- ref --><p><font size="3">5.Bejarano, N.R.R.; Carvalho, A.M.P. "Tornando-se professor    de ci&ecirc;ncias: cren&ccedil;as e conflitos" – <i>Ci&ecirc;ncia &amp;    Educa&ccedil;&atilde;o</i>, v. 9, n. 1, p. 1- 15. 2003. </font> ]]></body><back>
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