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</front><body><![CDATA[ <P><FONT size="4"><b>LITERATURA</b></FONT> </P>     <p><font size=5><b>T<SMALL>RINTA ANOS SEM A PROSA DE</small> V<SMALL>ERISSIMO</small></b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Os 30 anos da morte de Erico Verissimo em 28 de novembro, e    o centen&aacute;rio de seu nascimento, em 17 de dezembro, come&ccedil;aram a    ser lembrados, na verdade, desde 2003, em sua cidade natal: a Universidade de    Cruz Alta (Unicruz) lan&ccedil;ou um projeto para resgatar a trajet&oacute;ria    de seu filho mais ilustre, que pode ser conhecido no site<a href="http://www.unicruz.edu.br/verissimo/" target="_blank">    <i>http://www.unicruz.edu.br/verissimo/</i></a>. Cont&eacute;m breve biografia    do autor, galeria de fotos, a s&iacute;ntese de 20 dos seus principais livros,    relaciona trabalhos acad&ecirc;micos e publica&ccedil;&otilde;es sobre Verissimo    e apresenta informa&ccedil;&otilde;es do museu que leva o nome do escritor e    foi criado na casa onde ele nasceu. Mostra fotogr&aacute;fica, palestras e espet&aacute;culos    teatrais baseados na obra do escritor tamb&eacute;m foram programados para este    ano. </font></P>     <p><font size="3"><b>VIDA E OBRA</b> Parte de sua extensa obra foi adaptada para    o cinema – <i>O sobrado</i> (1956), <i>Um certo capit&atilde;o Rodrigo</i> (1971),    <i>Ana Terra</i> (1972) – e para a televis&atilde;o – <i>Clarissa</i>, novela    da TV Cultura (1961) e na Rede Globo a novela <i>Olhai os l&iacute;rios do campo</i>,    (1980) <i>O tempo e o vento</i>, (1985) e <i>Incidente em Antares</i>.</font></P>     <p><font size="3">Filho do farmac&ecirc;utico Sebasti&atilde;o Verissimo e de    Abegahi Lopes Verissimo, Erico teve uma inf&acirc;ncia opulenta: seu av&ocirc;    materno, An&iacute;bal Lopes, era um rico fazendeiro, e seu av&ocirc; paterno,    Franklin Verissimo, um importante m&eacute;dico de Cruz Alta. Antes mesmo de    partir para estudar em Porto Alegre, Erico j&aacute; come&ccedil;ara sua forma&ccedil;&atilde;o    liter&aacute;ria com as aventuras de J&uacute;lio Verne e com romancistas brasileiros    para, em seguida, sob influ&ecirc;ncia dos tios Catarino Azambuja e Jo&atilde;o    Raimundo, mergulhar na obra dos cl&aacute;ssicos. Sua biografia conta que, aos    20 anos sentiu um estranho prazer ao descobrir a filosofia amarga de Machado    de Assis. Em seguida, sua trilha liter&aacute;ria passou pelo olhar ir&ocirc;nico    de Bernard Shaw e pelo sorriso malicioso de Anatole France. Mas "a mais    perigosa e inelut&aacute;vel" de suas influ&ecirc;ncias liter&aacute;rias    foi Oscar Wilde.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <P ALIGN="center"><img src="/img/revistas/cic/v57n4/a31fig01.gif"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">Mudan&ccedil;as familiares a partir de 1922, com a separa&ccedil;&atilde;o    dos pais, morte de um dos av&oacute;s na pobreza e o outro arruinado, obrigam-no    a retornar &agrave; terra natal, para trabalhar em um armaz&eacute;m para ajudar    a m&atilde;e, Abegahi, a sustentar a fam&iacute;lia.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Em suas mem&oacute;rias, o escritor relata o sentimento que    o tomou na &eacute;poca: "Julguei que todos os meus sonhos de arte e beleza    estavam para sempre destru&iacute;dos, ignorando que para um romancista mais    vale tomar li&ccedil;&otilde;es particulares com a grande mestra vida do que    fazer um curso completo em qualquer universidade do mundo. O balc&atilde;o me    punha em contato com gente de toda esp&eacute;cie: oper&aacute;rios, soldados,    empregados do com&eacute;rcio, funcion&aacute;rios p&uacute;blicos, caixeiros-viajantes,    pequenos burgueses, estancieiros, trabalhadores do campo, caudilhos e vagabundos    ... Era uma parada singular".</font></P>     <p><font size="3">Naquele armaz&eacute;m, ele produz o que chama de sua "primeira    literatura em peda&ccedil;os de papel de embrulho". Decidido, no entanto,    a se tornar um escritor, Erico Verissimo volta para Porto Alegre em 1930, e    &eacute; convidado para trabalhar na <i>Revista do Globo</i>, que havia publicado    um ano antes o seu primeiro conto, "Ladr&atilde;o de gado". Junto    &agrave; atividade jornal&iacute;stica, come&ccedil;a seu caminho liter&aacute;rio:    seu primeiro livro &eacute; de 1932 – <i>Fantoches</i> – uma antologia de contos;    no ano seguinte, publica seu primeiro romance urbano – <i>Clarisse</i>. Ao final    da d&eacute;cada, o escritor j&aacute; somava 16 livros publicados, entre contos,    romances e literatura infanto-juvenil, todos pela Editora Globo, onde veio a    trabalhar. O constante trabalho como escritor e editor o levaram, anos mais    tarde, a esbo&ccedil;ar uma "teoria do ato da cria&ccedil;&atilde;o liter&aacute;ria    na fic&ccedil;&atilde;o".</font></P>     <p><font size="3">"A cria&ccedil;&atilde;o liter&aacute;ria parece ter sido    um dos assuntos que mais preocuparam Verissimo ao longo de sua vida. Ele n&atilde;o    s&oacute; costumava avaliar suas obras ao acab&aacute;-las e entreg&aacute;-las    ao p&uacute;blico, como freq&uuml;entemente refletia sobre o modo como eram    gestadas e vinham &agrave; luz", diz Maria da Gl&oacute;ria Bordini, diretora    do Acervo Liter&aacute;rio Erico Verissimo, ligado ao Centro de Mem&oacute;ria    Liter&aacute;ria da PUC-RS. "Em anota&ccedil;&otilde;es particulares, em    entrevistas, em seus livros autobiogr&aacute;ficos, e mesmo nas narrativas de    viagens, volta e meia efetua depoimentos sobre o que se passa com ele ao escrever.    Registra consultas a fontes bibliogr&aacute;ficas ou a pessoas e cogita sobre    o significado do ato de escrever tanto em termos de seus fins, quanto de seu    processo", acrescenta.</font></P>     <p><font size="3"><b>DOS FUNDOS DO C&Eacute;REBRO</b> Segundo a pesquisadora,    o processo de cria&ccedil;&atilde;o liter&aacute;ria para Verissimo ocorre no    plano do inconsciente, que seria um "reposit&oacute;rio insond&aacute;vel    de viv&ecirc;ncias, intui&ccedil;&otilde;es, experi&ecirc;ncias". Para    o escritor, o ato criativo nada mais &eacute; do que um trabalho quase psicanal&iacute;tico    de trazer &agrave; tona o que est&aacute; naquilo que ele chama de "dep&oacute;sito    dos fundos" do c&eacute;rebro. "O consciente (que os psic&oacute;logos    e os analistas me perdoem estas heresias) &eacute; apenas a frente da loja,    em cujas prateleiras se exp&otilde;em algumas ‘mercadorias’ e em cujo balc&atilde;o    monta guarda um sujeito meio atarantado, que olha para a rua e espera a ‘freguesia’    com a qual ter&aacute; de se comunicar e transacionar. A parte mais importante    da casa &eacute; o ‘dep&oacute;sito dos fundos’, cujo invent&aacute;rio &eacute;    imposs&iacute;vel fazer e cujas riquezas ningu&eacute;m consegue sondar",    disse Verissimo, em entrevista ao jornal carioca <i>Correio da Manh&atilde;</i>,    em 1971.</font></P>     <p><font size="3"><b>PROCESSO CRIATIVO</b> Em suas incurs&otilde;es ao "dep&oacute;sito    dos fundos", o escritor procurava n&atilde;o pensar em palavras, para n&atilde;o    "subordinar a hist&oacute;ria e as personagens &agrave; sintaxe ou ao estilo".    Ele dizia que primeiro buscava conviver mentalmente com as criaturas de sua    imagina&ccedil;&atilde;o, como se fossem pessoas vivas. "S&oacute; depois    de imaginar as figuras &eacute; que ele as articula atrav&eacute;s de rela&ccedil;&otilde;es    espaciais", explica Bordini. "Desenhava suas personagens a l&aacute;pis    de cor e listava suas caracter&iacute;sticas f&iacute;sicas e psicol&oacute;gicas,    antes de escrever o roteiro do enredo", acrescenta. O processo de imaginar    primeiro para depois trabalhar com as palavras o levava, certas vezes, a cortar    rela&ccedil;&otilde;es com a l&iacute;ngua portuguesa e enveredar pelo ingl&ecirc;s    em seus manuscritos. "Com isso, posso esquecer a forma e me concentrar    na ess&ecirc;ncia: os personagens e a hist&oacute;ria. H&aacute; trechos inteiros    de meus pr&eacute;-originais escritos em ingl&ecirc;s", contou o escritor    em outra entrevista publicada no mesmo ano de 1971, dessa vez &agrave; revista    <i>Manchete</i>.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <P ALIGN="center"><img src="/img/revistas/cic/v57n4/a31fig02.gif"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">A familiaridade de Verissimo com a l&iacute;ngua inglesa aumentou    ainda mais com suas viagens ao exterior e sua atua&ccedil;&atilde;o como diplomata.    Em 1941, ele visita os Estados Unidos, a convite do Departamento de Estado,    e lan&ccedil;a em seguida a narrativa de viagem <i>Gato preto em campo de neve</i>    (1941). Retorna &agrave;quele pa&iacute;s em 1943, com a esposa Mafalda e os    filhos Luis Fernando e Clarissa, para dar aulas de literatura brasileira em    universidades. Publica, em seguida, o ensaio <i>Brazilian literature: an outline</i>    (1945) e <i>A volta do gato preto</i> (1947). Em 1953, assume a dire&ccedil;&atilde;o    do Departamento de Assuntos Culturais da Uni&atilde;o Pan-Americana, na Organiza&ccedil;&atilde;o    dos Estados Americanos (OEA), no lugar de Alceu Amoroso Lima. Ap&oacute;s essa    miss&atilde;o diplom&aacute;tica, em 1956, resolve se dedicar exclusivamente    &agrave; literatura, sempre cheio de planos. "Cada novo projeto era sempre    um recome&ccedil;o", conclui Bordini.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="right"><font size="3"><i>Rodrigo Cunha</i></font></p>      ]]></body>
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