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</front><body><![CDATA[ <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v57n4/a33fig01.jpg"></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><FONT size="4"><b>CINEMA</b></FONT></P>     <p><font size=5> <b>O<SMALL>BRA RESGATA HIST&Oacute;RIA DAS MULHERES NA</small>    I<SMALL>NCOFID&Ecirc;NCIA</small> </b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Liberdade, ainda que tardia, e no g&ecirc;nero feminino. O filme    <i>Vinho de rosas</i>, o primeiro da cineasta mineira Elza Cataldo, em parte    resgata em parte recria a hist&oacute;ria de Joaquina, filha de Joaquim Jos&eacute;    da Silva Xavier, o Tiradentes. Condenado &agrave; morte e enforcado no Rio de    Janeiro em 21 de abril de 1792, o pai de Joaquina &eacute; personagem conhecida    – e controversa – dos livros de hist&oacute;ria. O movimento de liberta&ccedil;&atilde;o    que liderou, a Inconfid&ecirc;ncia Mineira, figura entre as primeiras tentativas    de tornar o Brasil uma rep&uacute;blica independente de Portugal. </font></P>     <p><font size="3">Quando se trata das mulheres que viveram no mesmo per&iacute;odo,    por&eacute;m, a hist&oacute;ria se apresenta cheia de lacunas. Por isso, a cineasta    teve que recorrer tamb&eacute;m &agrave; fic&ccedil;&atilde;o para "preencher    essas lacunas de forma plaus&iacute;vel". Na hist&oacute;ria oficial, elas    s&atilde;o relegadas ao papel de coadjuvantes sem voz. No cinema, tornaram-se    protagonistas. O padre, o sacrist&atilde;o, o advogado e outros personagens    masculinos comp&otilde;em a narrativa, mas n&atilde;o conduzem o enredo, n&atilde;o    s&atilde;o eles que contam a hist&oacute;ria. "Acho que o olhar feminino    traz um novo enfoque &agrave; hist&oacute;ria do Brasil, ao revelar a forma    como as personagens femininas se relacionaram com os inconfidentes". </font></P>     <p><font size="3">A cidade de Ouro Preto – antiga Vila Rica – constituiu o principal    cen&aacute;rio do filme, da mesma forma como, outrora, serviu de palco a dram&aacute;ticos    eventos do per&iacute;odo da minera&ccedil;&atilde;o. "As edifica&ccedil;&otilde;es    hist&oacute;ricas de Ouro Preto merecem destaque pela beleza, grandiosidade    e riqueza de lembran&ccedil;as", afirma Elza Cataldo. Mas tamb&eacute;m    houve loca&ccedil;&otilde;es em Belo Vale, Paraty e na Serra do Cip&oacute;.    "Desenvolvi pessoalmente uma pesquisa bastante detalhada de loca&ccedil;&otilde;es    e esses lugares corresponderam &agrave;s caracter&iacute;sticas necess&aacute;rias    para a hist&oacute;ria narrada e &agrave; log&iacute;stica da produ&ccedil;&atilde;o    do filme". Para a cineasta, o filme contribui para a consolida&ccedil;&atilde;o    da identidade mineira "ao revelar uma das origens de nossa por&ccedil;&atilde;o    conspirat&oacute;ria". Na escolha da equipe de filmagem e do elenco, usou    como crit&eacute;rios o comprometimento com o imagin&aacute;rio mineiro, a entrega    ao tema e &agrave; abordagem proposta. "O projeto nasceu quando descobri    que Tiradentes tinha tido uma filha", conta. </font></P>     <p>&nbsp;</P>     <P ALIGN="center"><img src="/img/revistas/cic/v57n4/a33fig02.jpg"></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><b>A FILHA DE TIRADENTES</b> Joaquina vive num convento e, enquanto    aguarda o momento de professar seus votos, ajuda uma das freiras, irm&atilde;    L&uacute;cia, a produzir a bebida que d&aacute; nome &agrave; pel&iacute;cula.    Quando o dia chega, Joaquina descobre sua identidade, se rebela e &eacute; enclausurada.    Irm&atilde; L&uacute;cia se compadece da condi&ccedil;&atilde;o de sua disc&iacute;pula    e a liberta, condicionando a liberta&ccedil;&atilde;o a que Joaquina siga produzindo    o vinho depois de sua morte. </font></P>     <p><font size="3">Vagando sem destino pela Serra da Mantiqueira, a ex-futura freira    acaba se juntando a uma trupe de artistas, com a qual chega a Vila Rica. Nas    m&atilde;os, apenas uma garrafa do vinho de rosas. Joaquina fica com os atores    na Casa da &Oacute;pera, onde passa o primeiro m&ecirc;s fora do convento, habitando    precariamente o camarim da atriz Violante M&ocirc;nica. A trupe deixa a cidade,    ela permanece, em busca dos pr&oacute;prios rastros biogr&aacute;ficos. Palavras    e frases tra&iacute;das pelos del&iacute;rios de febre da m&atilde;e, al&eacute;m    de relatos da mulher de Tom&aacute;s Ant&ocirc;nio Gonzaga, a "Mar&iacute;lia    de Dirceu", ajudam Joaquina a compor a imagem do pai.</font></P>     <p><font size="3">Na igreja do Carmo – antiga igreja da Nossa Senhora do Pilar    – encontra a m&atilde;e, Ant&ocirc;nia, em estado de mis&eacute;ria e grave    doen&ccedil;a, sob os cuidados da escrava Maria de Angola. Encontra os livros    que inspiraram o pai em sua ingl&oacute;ria luta e procura aliviar o sofrimento    de Ant&ocirc;nia com cuidados ao longo da noite e pequenas doses de seu precioso    vinho. Enquanto cuida da m&atilde;e, Joaquina tenta reaver as terras de Tiradentes.    O advogado cobra caro, mas Joaquina conta com o apoio de B&aacute;rbara Eliodora,    a poeta, esposa do &aacute;rcade In&aacute;cio Jos&eacute; de Alvarenga Peixoto,    preso e exilado em Angola. Eliodora tem a posse das terras e conhece as leis.    Somente ap&oacute;s a retomada das propriedades de seu pai, Joaquina revela    a Ant&ocirc;nia ser sua filha e ter planos para as terras: o cultivo de uvas    e rosas para produzir o vinho que aprendera a fabricar no convento. </font></P>     <p><font size="3">Outros filmes j&aacute; foram realizados sobre o tema: <i>Inconfid&ecirc;ncia    Mineira</i>, de Carmem Santos (1948); <i>Os inconfidentes</i>, de Joaquim Pedro    de Andrade (1972); <i>Tiradentes</i>, de Oswaldo Caldeira (1998). "Tenho    muito respeito por esses filmes e espero contribuir, tamb&eacute;m, para tornar    o tema mais conhecido e valorizado". </font></P>     <p><font size="3">O vinho de rosas pode ser encontrado, at&eacute; os dias de    hoje, no Convento de Maca&uacute;bas, em Santa Luzia, a 25 km de Belo Horizonte    (MG).</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="right"><font size="3"><i>Fl&aacute;via Nat&eacute;rcia</i></font></p>      ]]></body>
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