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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v58n1/nt_bra.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">POL&Iacute;TICA CULTURAL    <br>   </font><img src="/img/revistas/cic/v58n1/linhapt.gif"></p>     <p><font size="4"><b>Variedade e riqueza dos sons brasileiros ajudam a ampliar    a no&ccedil;&atilde;o de patrim&ocirc;nio</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Uma fam&iacute;lia ou um grupo de amigos reunidos pela marca&ccedil;&atilde;o    do ritmo dado pelo toque dos tambores, onde todos respondem aos versos cantados    por um jongueiro e se revezam, no centro da roda, para dan&ccedil;ar. Essa &eacute;    a espontaneidade caracter&iacute;stica do jongo, cujo registro como patrim&ocirc;nio    cultural do Brasil foi aprovado, em novembro de 2005, pelo Instituto do Patrim&ocirc;nio    Hist&oacute;rico e Art&iacute;stico Nacional (Iphan), ligado ao Minist&eacute;rio    da Cultura. O registro &eacute; um novo instrumento jur&iacute;dico criado,    em 2000, como alternativa ao tombamento, no &acirc;mbito de uma nova orienta&ccedil;&atilde;o    dentro do Iphan: a de retomar a proposta inaugural de M&aacute;rio de Andrade    de reconhecer como patrim&ocirc;nio n&atilde;o s&oacute; os bens edificados    (monumentos, pr&eacute;dios, casar&otilde;es ou igrejas) mas tamb&eacute;m os    chamados bens imateriais, ou seja, as celebra&ccedil;&otilde;es, pr&aacute;ticas    e saberes das culturas populares. </font></p>     <p><font size="3">Nesse contexto, a m&uacute;sica — em particular, o samba — vem    recebendo aten&ccedil;&atilde;o especial. O samba-de-roda da regi&atilde;o do    Rec&ocirc;ncavo Baiano foi reconhecido como patrim&ocirc;nio da humanidade pela    Unesco, tamb&eacute;m em novembro &uacute;ltimo. Outras modalidades tradicionais    de samba est&atilde;o sendo inventariadas pelo Iphan, como o samba carioca,    o samba rural paulista, o c&ocirc;co, do estado do Esp&iacute;rito Santo, e    o tambor de criola, do Maranh&atilde;o. </font></p>     <p><FONT size="3"><b>O JONGO DOS ESCRAVOS</b> O jongo nasce entre os escravos    que trabalhavam nas lavouras de caf&eacute; e cana-de-a&ccedil;&uacute;car,    principalmente no vale do Rio Para&iacute;ba. A linguagem cifrada e as met&aacute;foras    caracter&iacute;sticas dos pontos cantados no jongo permitiam aos escravos jongueiros    comunicarem-se de um modo que os capatazes e senhores n&atilde;o conseguiam    compreender. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Considerado como uma das bases do chamado samba-de-partido-alto,    o jongo &eacute; praticado, hoje, nas periferias urbanas e em algumas comunidades    rurais e, principalmente, durante as festas dos santos cat&oacute;licos, de    divindades afro-brasileiras e no dia 13 de maio, data da aboli&ccedil;&atilde;o    da escravid&atilde;o.</font></p>     <p><font size="3">A recupera&ccedil;&atilde;o de toda essa hist&oacute;ria do    jongo — e de sua continuidade nos dias atuais — integra a pesquisa realizada    pelo Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular, institui&ccedil;&atilde;o    ligada ao Iphan, respons&aacute;vel pelo invent&aacute;rio necess&aacute;rio    para instruir o processo de registro. Foram visitadas dezenas de comunidades    jongueiras nos estados do Rio de Janeiro, S&atilde;o Paulo e Esp&iacute;rito    Santo. Essas comunidades tiveram uma participa&ccedil;&atilde;o importante durante    todo o processo de patrimonializa&ccedil;&atilde;o do jongo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v58n1/a04fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><FONT size="3"><b>SAMBA-DE-RODA</b> A participa&ccedil;&atilde;o dos grupos    locais tamb&eacute;m foi decisiva no caso do samba-de-roda do Rec&ocirc;ncavo    Baiano, que &eacute; muito heterog&ecirc;neo. &quot;Realizamos uma s&eacute;rie    de reuni&otilde;es com os grupos de samba locais para saber se eles estavam    dispostos a se engajar conosco nesse processo de transforma&ccedil;&atilde;o    do samba-de-roda do Rec&ocirc;ncavo num objeto de pol&iacute;tica patrimonial&quot;,    descreve Carlos Sandroni, professor do N&uacute;cleo de Etnomusicologia da Universidade    Federal de Pernambuco. </font></p>     <p><font size="3">Os primeiros registros realizados pelo Iphan, em 2002, foram    a fabrica&ccedil;&atilde;o artesanal de panelas de barro, em Goiabeiras, no    Esp&iacute;rito Santo — um of&iacute;cio eminentemente feminino, repassado de    m&atilde;e para filha h&aacute; v&aacute;rias gera&ccedil;&otilde;es — e as    express&otilde;es gr&aacute;ficas e orais da popula&ccedil;&atilde;o ind&iacute;gena    waj&atilde;pi, do Amap&aacute;. Nesses dois casos, j&aacute; havia interlocutores    previamente definidos: a Associa&ccedil;&atilde;o das Paneleiras de Goiabeiras,    com 102 associadas, e o N&uacute;cleo de Hist&oacute;ria Ind&iacute;gena da    Universidade de S&atilde;o Paulo que, juntamente com o Museu do &Iacute;ndio,    da Funai, foram os parceiros dos waj&atilde;pi na solicita&ccedil;&atilde;o    do registro junto ao Iphan.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v58n1/a04fig02.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Em rela&ccedil;&atilde;o ao samba-de-roda do Rec&ocirc;ncavo,    n&atilde;o havia representantes que pudessem falar em nome dos grupos locais.    Ap&oacute;s v&aacute;rias reuni&otilde;es ao longo do processo de pesquisa para    o invent&aacute;rio, essa representa&ccedil;&atilde;o foi sendo constru&iacute;da,    resultando na cria&ccedil;&atilde;o da Associa&ccedil;&atilde;o dos Sambadores    do Rec&ocirc;ncavo Baiano, organiza&ccedil;&atilde;o que ter&aacute; um papel    significativo na aplica&ccedil;&atilde;o do plano de salvaguarda, a etapa posterior    ao registro prevista no Plano Nacional de Patrim&ocirc;nio Imaterial.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p ALIGN="RIGHT"><font size="3"><b><i>Carolina Cantarino</i></b></font></p>      ]]></body>
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