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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v58n1/mundo.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">CRONOBIOLOGIA</font>    <br>   <img src="/img/revistas/cic/v58n1/linhapt.gif"></p>     <p><font size="4"><b>Efeito-estufa adianta a primavera</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">A &quot;sublime esta&ccedil;&atilde;o das flores&quot; parece    estar se adiantando. Ao menos nos pa&iacute;ses temperados, onde dados coletados    ao longo de muitos anos confirmam essa impress&atilde;o. E mais: indicam que    o fen&ocirc;meno est&aacute; ligado ao aquecimento global. A advert&ecirc;ncia    parte do bi&oacute;logo Alastair Fitter, da Universidade de York, no Reino Unido,    que analisou os registros da primeira data de flora&ccedil;&atilde;o de um conjunto    de 385 esp&eacute;cies, entre 1991 e 2000, a d&eacute;cada mais quente j&aacute;    registrada. Esses registros haviam sido feitos por seu pai, o naturalista amador    e autor de guias para outros amadores Richard Sidney Richmond Fitter (morto    em 3 de setembro de 2005), nas cercanias de sua resid&ecirc;ncia em Chinnor    (Oxfordshire). </font></p>     <p><font size="3">Os dados mostram que as plantas floresceram, em m&eacute;dia,    4,5 dias antes do dia em que as flores surgiam no per&iacute;odo de 1954 e 1990,    analisados em um estudo anterior. Nos extremos da distribui&ccedil;&atilde;o,    duas esp&eacute;cies. Uma &eacute; <i>Lamium album</i>, erva da fam&iacute;lia    da hortel&atilde;, que floresceu 55 dias antes – a data da primeira flora&ccedil;&atilde;o,    que era 18 de mar&ccedil;o entre 1954-1990, passou a ser 23 de janeiro de 1991    a 2000. A outra &eacute; o arbusto <i>Buddleja davidii</i>, origin&aacute;rio    da China e do Jap&atilde;o, que, na d&eacute;cada de 1990, floresceu 36 dias    mais tarde. Ao todo, 60 esp&eacute;cies (16% da amostra) se adiantaram em 15    dias e 94 se atrasaram em rela&ccedil;&atilde;o ao per&iacute;odo anterior.    Mas o atraso s&oacute; foi significativo para 10 delas (3%). </font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v58n1/a09fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><FONT SIZE="3"><b>DESENCONTROS DA NATUREZA</b> O fato observado constitui-se    num grande problema, a princ&iacute;pio, porque a flora&ccedil;&atilde;o &eacute;    um evento de suma import&acirc;ncia para as plantas, que dela dependem para    se reproduzir, gerando frutos. Quando s&atilde;o polinizadas por animais como    borboletas, altera&ccedil;&otilde;es no per&iacute;odo de flora&ccedil;&atilde;o    podem reduzir as chances de encontro entre os polinizadores e as flores. Al&eacute;m    disso, tende a haver uma dessincroniza&ccedil;&atilde;o entre os ciclos das    plantas e os dos animais que delas extraem recursos como p&oacute;len, n&eacute;ctar    e sementes. Assim, os efeitos sobre os ecossistemas como um todo podem ser desastrosos.</font></p>     <p><font size="3">Fitter especula que as plantas que t&ecirc;m florescido mais    tarde sejam sens&iacute;veis a ver&otilde;es e outonos quentes, que atrasam    a flora&ccedil;&atilde;o em algumas esp&eacute;cies. &quot;Possivelmente essas    esp&eacute;cies t&ecirc;m alguma forma de rel&oacute;gio que requer que um certo    tempo passe entre uma flora&ccedil;&atilde;o e a seguinte&quot;, diz. </font></p>     <p><font size="3">A associa&ccedil;&atilde;o com o efeito-estufa decorre do fato    de que a mais forte rela&ccedil;&atilde;o causal observada se deu com a temperatura,    que vem aumentando, &agrave; qual as esp&eacute;cies que costumam florescer    mais cedo, na primavera, se mostraram mais sens&iacute;veis. Para piorar a situa&ccedil;&atilde;o,    segundo Fitter, a eleva&ccedil;&atilde;o da temperatura ainda pode, indiretamente    ao menos, afetar o n&uacute;mero de horas de insola&ccedil;&atilde;o, conhecido    como fotoper&iacute;odo, porque a evapora&ccedil;&atilde;o e a forma&ccedil;&atilde;o    de nuvens v&atilde;o aumentar com o calor.</font></p>     <p><FONT SIZE=3><b>INCERTEZA TROPICAL</b> A medida como essas observa&ccedil;&otilde;es    podem ser estendidas aos tr&oacute;picos permanece em aberto. Antes de tudo,    faltam dados. &quot;O problema maior &eacute; que n&atilde;o temos dados fenol&oacute;gicos    de longa dura&ccedil;&atilde;o que permitam esse tipo de abordagem, como a apresentada    pelos pesquisadores de &aacute;rea temperada&quot;, explica Patr&iacute;cia    Morelatto, do Grupo de Fenologia e Dispers&atilde;o de Sementes da Universidade    Estadual Paulista (Unesp) em Rio Claro. A fenologia se dedica &agrave; compreens&atilde;o    dos ciclos de vida (nascimento, crescimento/ desenvolvimento, reprodu&ccedil;&atilde;o)    dos seres vivos. &quot;Na Europa, assim como na China e no Jap&atilde;o, h&aacute;    dados hist&oacute;ricos, s&eacute;ries de 100 ou mais anos da fenologia de plantas    e animais que podem ser comparados a dados atuais e, assim, evidenciar mudan&ccedil;as    como essa, de antecipa&ccedil;&atilde;o da primavera&quot;, afirma. </font></p>     <p><font size="3">De acordo com Patr&iacute;cia, a fenologia &eacute; considerada    uma das ferramentas mais importantes no monitoramento de mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas    globais na Europa. Redes de monitoramento para plantas e animais t&ecirc;m sido    estabelecidas pelo mundo. &quot;Estamos longe disso, embora eu tenha procurado    estabelecer alguns monitoramentos de longa dura&ccedil;&atilde;o&quot;, lamenta.    Para a pesquisadora, somente agora o pa&iacute;s est&aacute; &quot;entrando    na onda&quot; das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, mas se v&ecirc; &quot;duas    fases atr&aacute;s&quot; de outros pa&iacute;ses, onde j&aacute; houve fus&atilde;o    de departamentos e/ou cria&ccedil;&atilde;o de centros interdisciplinares para    o estudo de mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas globais que, entre outras mat&eacute;rias,    inclui a fenologia.</font></p>     <p><font size="3">Al&eacute;m da escassez de dados, outro &quot;problema&quot;    dos tr&oacute;picos &eacute; que as esta&ccedil;&otilde;es n&atilde;o s&atilde;o    definidas como ocorre na regi&atilde;o temperada. &quot;Ent&atilde;o, visualizar    essas varia&ccedil;&otilde;es e altera&ccedil;&otilde;es e separ&aacute;-las    das varia&ccedil;&otilde;es naturais &eacute; uma tarefa muito dif&iacute;cil&quot;,    explica. Patr&iacute;cia faz parte do grupo que analisa a mais longa s&eacute;rie    de dados tropicais, relativos &agrave; floresta amaz&ocirc;nica ao longo de    30 anos, e diz que eles ainda est&atilde;o procurando formas de distinguir entre    os dois tipos de varia&ccedil;&atilde;o. &quot;Acredito que exista um efeito    dessas mudan&ccedil;as, menos evidente, mas talvez n&atilde;o menos importante.    O grande desafio &eacute; poder detect&aacute;-lo de forma clara&quot;. Para    tanto, os pesquisadores t&ecirc;m se beneficiado da intera&ccedil;&atilde;o    com os grupos europeus que trabalham com as s&eacute;ries temporais longas,    o que tem ajudado na busca de ferramentas de an&aacute;lise e interpreta&ccedil;&atilde;o    dos padr&otilde;es observados. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="3"><b><i>Fl&aacute;via Nat&eacute;rcia</i></b></font></p>     ]]></body>
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