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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v58n1/mundo.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v58n1/a11fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">RESENHA</font>    <br>   <img src="/img/revistas/cic/v58n1/linhapt.gif"></p>     <p><font size="4"><b>Fil&oacute;sofo italiano trata da exce&ccedil;&atilde;o como    regra</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><FONT SIZE=3>&quot;Terra de ningu&eacute;m&quot;, &quot;zona incerta&quot;,    &quot;zona de indetermina&ccedil;&atilde;o&quot;, &quot;conceito-limite da ordem    jur&iacute;dica&quot;, o estado de exce&ccedil;&atilde;o tende, cada vez mais,    a constituir o paradigma dominante de governo na pol&iacute;tica contempor&acirc;nea.    &Eacute; o que defende o fil&oacute;sofo italiano Giorgio Agamben em seu &uacute;ltimo    livro, <i>Estado de exce&ccedil;&atilde;o</i>, publicado recentemente no Brasil.    Este seria o &quot;Homo sacer II&quot;, volume que d&aacute; seq&uuml;&ecirc;ncia    &agrave;s reflex&otilde;es feitas em <i>Homo Sacer — O poder soberano e a vida    nua I</i> (Editora da UFMG, 2002), sobre o campo de concentra&ccedil;&atilde;o    como paradigma biopol&iacute;tico moderno. O ponto de partida para a retomada    da discuss&atilde;o s&atilde;o as leis promulgadas nos Estados Unidos em 2001    para combater o terrorismo, por meio das quais a pol&iacute;tica revela o que    seria sua estrutura origin&aacute;ria: o banimento — que reduz o homem &agrave;    sua condi&ccedil;&atilde;o animal, desprovida de direitos — e as medidas excepcionais    e provis&oacute;rias, tomadas em situa&ccedil;&otilde;es de &quot;necessidade&quot;    ou de &quot;emerg&ecirc;ncia&quot;. A partir de ent&atilde;o, Agamben adverte,    a exce&ccedil;&atilde;o pode estar se tornando regra. </FONT></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><FONT SIZE=3>Ele descreve a base norte-americana da ba&iacute;a de Guant&aacute;namo,    em Cuba, como &quot;vida nua em sua m&aacute;xima indetermina&ccedil;&atilde;o&quot;:    mais de 500 &quot;detentos&quot; (detainees), em sua maioria talib&atilde;s    — mu&ccedil;ulmanos de posi&ccedil;&otilde;es extremadas —, sofrem abusos, inclusive    sexuais. Ficam sujeitos &agrave; vigil&acirc;ncia militar permanente, passam    grande parte do tempo encapuzados, de m&atilde;os atadas, aguardando o chamado    para depor diante das comiss&otilde;es (e n&atilde;o tribunais) militares. &Eacute;-lhes    vedada qualquer defesa legal. Sem direito ao estatuto de &quot;acusado&quot;,    segundo as leis norte-americanas, sem direito a tratamento como &quot;prisioneiros    de guerra&quot;, segundo a Conven&ccedil;&atilde;o de Genebra, seus destinos    cabem &agrave;s mais altas inst&acirc;ncias do governo dos EUA. </FONT></p>     <p><FONT SIZE=3>A deten&ccedil;&atilde;o de que s&atilde;o objeto &eacute; indeterminada    quanto ao tempo e tamb&eacute;m quanto &agrave; pr&oacute;pria natureza — &quot;totalmente    fora da lei e do controle judici&aacute;rio&quot;. S&oacute; haveria uma compara&ccedil;&atilde;o    poss&iacute;vel: a situa&ccedil;&atilde;o dos judeus nos campos de concentra&ccedil;&atilde;o    nazistas. </FONT></p>     <p><FONT SIZE=3> Afinal, o Terceiro Reich pode ser considerado, juridicamente,    um estado de exce&ccedil;&atilde;o que durou 12 anos. </FONT></p>     <p><FONT SIZE=3>Mas o estado de exce&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; uma    inven&ccedil;&atilde;o moderna. Agamben busca no <i>iustitium</i> do direito    romano a refer&ecirc;ncia origin&aacute;ria para essa inclus&atilde;o de algo    que, de certa forma, lhe escapa e n&atilde;o pode ter forma jur&iacute;dica.    E contrap&otilde;e as id&eacute;ias de Carl Schmitt, um dos juristas do Terceiro    Reich, &agrave;s de Walter Benjamin, da Escola de Frankfurt, sobre o estado    de exce&ccedil;&atilde;o, para o qual o italiano reclama a necessidade de uma    teoria. A ep&iacute;grafe do livro provoca os juristas, perguntando: &quot;Por    que silenciais diante de uma quest&atilde;o que lhes diz respeito?&quot;. </FONT></p>     <p><FONT SIZE=3>Para o pensador italiano, o novo paradigma sob a ordem militar    instaurada pela guerra ao terrorismo tem um claro significado biopol&iacute;tico:    revela o dispositivo original gra&ccedil;as ao qual o direito se refere &agrave;    vida e a inclui, por meio de sua suspens&atilde;o. Agamben n&atilde;o &eacute;    um autor facilmente diger&iacute;vel, tampouco o &eacute; o tema que ele se    prop&otilde;e a analisar, mas o livro &eacute; de grande interesse para diversas    discuss&otilde;es atuais. Foi publicado na It&aacute;lia em 2003, pela Editora    Bollati Boringhieri, e faz parte da cole&ccedil;&atilde;o Estado de S&iacute;tio    da Boitempo Editorial. </FONT></p>      ]]></body>
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