<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0009-6725</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Ciência e Cultura]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Cienc. Cult.]]></abbrev-journal-title>
<issn>0009-6725</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0009-67252006000100016</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O urbanismo: entre a cidade e o território]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Meyer]]></surname>
<given-names><![CDATA[Regina Maria Prosperi]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
<xref ref-type="aff" rid="A02"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,USP Faculdade de Arquitetura e Urbanismo ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<aff id="A02">
<institution><![CDATA[,University College de Londres Bartlett School of Architecture ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>03</month>
<year>2006</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>03</month>
<year>2006</year>
</pub-date>
<volume>58</volume>
<numero>1</numero>
<fpage>38</fpage>
<lpage>41</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252006000100016&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0009-67252006000100016&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0009-67252006000100016&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v58n1/artigos.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size=5><b>O URBANISMO: ENTRE A CIDADE E O TERRIT&Oacute;RIO</b></font></p>     <p><font size="3"><b>Regina Maria Prosperi Meyer</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b><font size=5>A</font></b> observa&ccedil;&atilde;o e,    sobretudo, a viv&ecirc;ncia das imensas e, aparentemente, ilimitadas manchas    urbanas que comp&otilde;em o panorama espacial das grandes cidades e metr&oacute;poles    contempor&acirc;neas s&atilde;o, muitas vezes, desalentadoras. Para o urbanismo,    essa observa&ccedil;&atilde;o produz perguntas de dif&iacute;cil resposta. As    mais recorrentes nascem da dificuldade de apreender e entender a sua organiza&ccedil;&atilde;o,    de distinguir sua forma e de prever seu funcionamento. Diante de sua organiza&ccedil;&atilde;o    f&iacute;sica se pergunta, utilizando instrumentos de trabalho j&aacute; consagrados,    quais ser&atilde;o os seus elementos estruturantes; diante de sua desmesurada    dimens&atilde;o se busca descobrir a l&oacute;gica de seu crescimento; mergulhando    no emaranhado de seus espa&ccedil;os surge o desafio de se estabelecer caminhos    que os percorram. Em meio a todas essas quest&otilde;es emergem, tamb&eacute;m,    algumas outras, espec&iacute;ficas do exerc&iacute;cio da profiss&atilde;o.    Pois, &eacute; inevit&aacute;vel perguntar: qual ter&aacute; sido o papel dos    planejadores e dos urbanistas no processo que as levou a assumirem essa configura&ccedil;&atilde;o,    t&atilde;o avessa &agrave;s possibilidades e meios com os quais o urbanismo    moderno trabalha? </font></p>     <p><font size="3">As quest&otilde;es se sucedem e logo se verifica que os instrumentos    para capturar a cidade, agora transformada em mancha urbana, j&aacute; n&atilde;o    poder&atilde;o ser os mesmos com os quais o urbanismo vem trabalhando desde    o in&iacute;cio do s&eacute;culo XX. As cidades e as metr&oacute;poles exigem    hoje uma revis&atilde;o conceitual e propositiva, proporcionalmente t&atilde;o    profunda e abrangente quanto as pr&oacute;prias transforma&ccedil;&otilde;es    que est&atilde;o alterando seus atributos. Ser&aacute; apenas a partir do esfor&ccedil;o    de renova&ccedil;&atilde;o que surgir&atilde;o as condi&ccedil;&otilde;es para    uma poss&iacute;vel metodologia de projeto na escala adequada. </font></p>     <p><font size="3">Enquanto prevaleceram as distin&ccedil;&otilde;es que demarcavam    claramente o campo e a cidade, a capacidade de descrever as duas entidades,    seus atributos espec&iacute;ficos, seus pontos de contato, suas fronteiras,    os avan&ccedil;os da urbaniza&ccedil;&atilde;o sobre o campo e, principalmente,    as rela&ccedil;&otilde;es que existiam entre ambas, a tarefa de intervir em    cada uma delas foi exercida com alguma precis&atilde;o e previs&atilde;o. </font></p>     <p><font size="3">A conhecida discuss&atilde;o acad&ecirc;mica dos anos 1960    e 1970 que teve por foco o car&aacute;ter indissoci&aacute;vel que articulava    o campo e a cidade, ofereceu um interessante ponto de vista sobre a import&acirc;ncia    da presen&ccedil;a do modo de produ&ccedil;&atilde;o industrial nesses dois    universos (1). Hoje esses entes precisos se dissolveram em nebulosas urbanas    que confrontam nossa capacidade de reconhecer e classificar seus espa&ccedil;os.    A pr&oacute;pria presen&ccedil;a de termos, tais como – mancha urbana – ou ainda,    o mais expressivo – mancha de &oacute;leo – denuncia a dificuldade de apreender    as suas caracter&iacute;sticas.</font></p>     <p><font size="3">O percurso hist&oacute;rico do urbanismo, enquanto disciplina    liberal, sobretudo na linhagem inaugurada no Renascimento e revista de forma    radical na segunda metade do s&eacute;culo XIX, atesta que a presen&ccedil;a    de um objeto claramente definido – a cidade – sempre esteve no horizonte do    pensamento e da pr&aacute;tica. Tanto a an&aacute;lise urbana quanto os projetos    realizados durante tr&ecirc;s s&eacute;culos evidenciam que o objetivo do urbanismo    era justamente oferecer propostas pautadas por padr&otilde;es de racionalidade    formal e funcional. O tema introduzido pelo arquiteto e historiador do urbanismo    Leonardo Ben&eacute;volo (1975) &quot;a cidade como objeto de projeto&quot;    sintetiza a imensa reflex&atilde;o que est&aacute; contida nos tratados medievais    que tiveram seu foco nas cidades (2). No texto inaugural do tratadista Leon    Battista Alberti (1406-1472) <i>De Re Aedificatoria</i>, dedicado &agrave; concep&ccedil;&atilde;o    e realiza&ccedil;&atilde;o de cidades, a abordagem hierarquizada segue uma l&oacute;gica    baseada na escala territorial. No primeiro de seus seis princ&iacute;pios, L.    B. Alberti aponta a regi&atilde;o como um ponto de partida para an&aacute;lise    e para a proposta. Resguardando as distin&ccedil;&otilde;es &oacute;bvias &eacute;    poss&iacute;vel reconhecer alguma afinidade entre o sentido moderno do termo    <i>territ&oacute;rio</i> e o termo regi&atilde;o por ele utilizado. Apesar do    conceito de regi&atilde;o (3) ter adquirido uma importante presen&ccedil;a no    pensamento e na pr&aacute;tica do urbanismo e do planejamento urbano no decorrer    dos s&eacute;culos XIX e XX, nesse texto do s&eacute;culo XVI a rela&ccedil;&atilde;o,    melhor dizendo, a equival&ecirc;ncia entre ambos, &eacute; bastante clara. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Foi apenas a partir da publica&ccedil;&atilde;o do texto &quot;The    new regional pattern&quot; de 1945,(4) que o termo regi&atilde;o ganhou para    os urbanistas uma maior precis&atilde;o, afastando-se do conceito de <i>territ&oacute;rio</i>.    Seu autor, L. Hilberseimer (1885-1967), estava interessado em estabelecer princ&iacute;pios    mais cient&iacute;ficos para o planejamento urbano e para o urbanismo quando    analisou o conceito de regi&atilde;o com muito cuidado, fornecendo para os profissionais    um conjunto hierarquizado de descri&ccedil;&otilde;es e de padr&otilde;es de    espa&ccedil;os urbanizados. O seu panorama, hoje considerado muito esquem&aacute;tico,    foi importante para a organiza&ccedil;&atilde;o do pensamento e dos trabalhos    dos planejadores urbanos naquele momento. Trabalhando a partir de uma classifica&ccedil;&atilde;o    dos n&uacute;cleos urbanos e utilizando como refer&ecirc;ncia os elementos da    organiza&ccedil;&atilde;o espacial e dimens&otilde;es das cidades, sua proposta    &eacute; quase que exclusivamente voltada para o estabelecimento de categorias    de n&uacute;cleos urbanos e para as suas quest&otilde;es espec&iacute;ficas.    Sua an&aacute;lise, muito detalhada na descri&ccedil;&atilde;o dos espa&ccedil;os    urbanos, &eacute;, evidentemente, muito pouco din&acirc;mica e simplificadora    no que diz respeito &agrave;s quest&otilde;es funcionais. Contempla muito pouco    as din&acirc;micas de transforma&ccedil;&otilde;es inerentes ao processo de    constitui&ccedil;&atilde;o dos <i>territ&oacute;rios</i> urbanos.</font></p>     <p><font size="3">Foi, portanto, a partir da constata&ccedil;&atilde;o da presen&ccedil;a    de altera&ccedil;&otilde;es profundas no seu objeto de estudo e projeto (a cidade),    assim como da insufici&ecirc;ncia de seus instrumentos de an&aacute;lise, invalidando    as suas premissas de trabalho, que o urbanismo reencontrou, na segunda metade    do s&eacute;culo XX, o termo <i>territ&oacute;rio</i>. Embora tenha recebido    um olhar de vi&eacute;s dos ge&oacute;grafos, zelosos de sua preced&ecirc;ncia    no uso do termo, os urbanistas, defrontados com a nova organiza&ccedil;&atilde;o    urbana, n&atilde;o puderam abrir m&atilde;o do termo <i>territ&oacute;rio</i>    para realizar suas propostas. </font></p>     <p><font size="3">A evid&ecirc;ncia de um processo de urbaniza&ccedil;&atilde;o    difusa que avan&ccedil;a para &aacute;reas cujas caracter&iacute;sticas s&atilde;o    muito indefinidas, nem propriamente urbanas nem tampouco rurais, aponta para    a presen&ccedil;a de uma forma de ocupa&ccedil;&atilde;o do <i>territ&oacute;rio</i>    que vem sendo descrita como um tipo espec&iacute;fico de suburbaniza&ccedil;&atilde;o    sem limites. Um grande conjunto de dados e an&aacute;lises confirma que a partir    das duas &uacute;ltimas d&eacute;cadas do s&eacute;culo XX um ciclo iniciado    no s&eacute;culo XVIII, de cont&iacute;nua dissolu&ccedil;&atilde;o da organiza&ccedil;&atilde;o    espec&iacute;fica e dos limites f&iacute;sicos dos dois universos – o urbano    e o rural – chegou a seu t&eacute;rmino. O conceito de urbaniza&ccedil;&atilde;o    difusa foi criado para descrever esse novo e intenso fen&ocirc;meno. </font></p>       <p><font size="3"><b>DO&quot;PROJETO TOTAL&quot; DA CIDADE COMPACTA    &Agrave;S &quot;PE&Ccedil;AS URBANAS&quot; DA CIDADE DIFUSA</b> Pressionado    pelos desafios das novas quest&otilde;es o urbanismo iniciou, na d&eacute;cada    de 1960, uma revis&atilde;o de seus m&eacute;todos de an&aacute;lise e de projeto    (5). O primeiro gesto foi abdicar do conceito e, sobretudo, da pr&aacute;tica    do &quot;projeto total&quot;. Isto &eacute;, de um projeto que abarcasse toda    a cidade como objeto de projeto, f&oacute;rmula t&atilde;o cara aos urbanistas    do in&iacute;cio do s&eacute;culo XX que trabalhavam com as premissas do Movimento    Moderno. Hoje, diante das imensas manchas urbanas nas quais a cidade se esconde,    tais premissas mostraram-se t&atilde;o insuficientes que buscar novos par&acirc;metros    tornou-se essencial para a sobreviv&ecirc;ncia da pr&oacute;pria disciplina.</font></p>     <p><font size="3">Retirada do horizonte te&oacute;rico e pr&aacute;tico    a ambi&ccedil;&atilde;o do &quot;projeto total&quot;, imp&ocirc;s-se, como um    corol&aacute;rio, a necessidade de criar, para fins operacionais, os novos <i>territ&oacute;rios</i>    de projeto. Afinal de contas, mesmo deixando de lado a utopia de uma totalidade    urbana projet&aacute;vel, acalentada desde o Renascimento, reconheceu-se que    &eacute; fundamental demarcar espa&ccedil;os urbanos que ser&atilde;o objeto    de proposta e transforma&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="3">Face &agrave; impossibilidade do projeto total    ficou assentado que o novo m&eacute;todo de trabalho depende da capacidade de    instaurar uma atividade de an&aacute;lise que conduza &agrave; demarca&ccedil;&atilde;o    de trechos urbanos espacialmente circunscritos e funcionalmente abrangentes.    A palavra de ordem que traduz essa nova metodologia pode assim ser resumida:    analisar e apreender os aspectos espaciais e funcionais do <i>territ&oacute;rio</i>,    considerado em toda a sua extens&atilde;o, e elaborar a partir da&iacute; os    crit&eacute;rios para criar per&iacute;metros homog&ecirc;neos no seu interior,    nos quais um partido de projeto poder&aacute; ser desenvolvido. O termo &quot;pe&ccedil;a    urbana&quot; descreve um trecho de cidade no qual se estabelece um per&iacute;metro    que ser&aacute; objeto de an&aacute;lise e de projeto urbano. </font></p>     <p><font size="3">Intervir no territ&oacute;rio criou para os    urbanistas a necessidade de aperfei&ccedil;oar seus instrumentos de leitura    e de interpreta&ccedil;&atilde;o do <i>territ&oacute;rio</i>. Esse encaminhamento,    aparentemente simples, &eacute; uma verdadeira revolu&ccedil;&atilde;o na rela&ccedil;&atilde;o    entre o urbanismo e o <i>territ&oacute;rio</i>, pois exige de sa&iacute;da que    a atividade de projeto se inicie pela an&aacute;lise que definir&aacute;, da    forma mais precisa e justificada poss&iacute;vel, o trecho urbano que ser&aacute;    objeto de interven&ccedil;&atilde;o. Como desdobramento l&oacute;gico dessas    opera&ccedil;&otilde;es tornou-se tamb&eacute;m indispens&aacute;vel estabelecer    uma rela&ccedil;&atilde;o clara com todas as escalas com as quais o per&iacute;metro    demarcado est&aacute; relacionado, tanto do ponto de vista espacial quanto funcional.    </font></p>     <p><font size="3">&Eacute; tamb&eacute;m importante n&atilde;o    perder de vista que todos esses encaminhamentos metodol&oacute;gicos do projeto    urbano atendem &agrave; necessidade de superar as formas de abordar a cidade    compacta, pois a an&aacute;lise da grande escala, isto &eacute;, do <i>territ&oacute;rio</i>,    &eacute; decisiva para o projeto que agora assume como objetivo articular as    &quot;pe&ccedil;as urbanas&quot; que comp&otilde;em a cidade difusa.</font></p>     <p><font size="3">Para entender o significado dessa renova&ccedil;&atilde;o,    &eacute; preciso lan&ccedil;ar um r&aacute;pido olhar sobre a pr&oacute;pria    hist&oacute;ria da pr&aacute;tica do projeto urbano. Considerando o seu percurso    te&oacute;rico e suas proposi&ccedil;&otilde;es, vemos o quanto a &quot;ordena&ccedil;&atilde;o    do <i>territ&oacute;rio</i>&quot; foi o grande objetivo e o &uacute;nico princ&iacute;pio    norteador. Sendo que o auge deste objetivo se exprimiu atrav&eacute;s das premissas    funcionalistas de organiza&ccedil;&atilde;o total das cidades atrav&eacute;s    de um quadro considerado hoje bastante limitado das fun&ccedil;&otilde;es urbanas.    A supera&ccedil;&atilde;o desse modelo &eacute; hoje um consenso e ponto de    partida para uma revis&atilde;o te&oacute;rica e pr&aacute;tica da arquitetura    e do urbanismo. &Eacute; a partir deste ponto que podemos construir a pergunta-chave    para o urbanismo contempor&acirc;neo: qual &eacute; hoje o <i>territ&oacute;rio</i>    do plano urban&iacute;stico e o <i>territ&oacute;rio</i> do projeto urbano,    tendo em vista as novas din&acirc;micas de transforma&ccedil;&atilde;o?</font></p>     <p><font size="3">Antes de apresentar algumas id&eacute;ias e    discutir encaminhamentos para tentar buscar uma resposta, &eacute; necess&aacute;rio    tamb&eacute;m observar a especificidade da atividade urban&iacute;stica. Pois,    depois de tantas d&eacute;cadas de desencontro entre teoria e pr&aacute;tica    urban&iacute;stica, &eacute; necess&aacute;rio rever algumas quest&otilde;es.    A primeira, j&aacute; mencionada acima, diz respeito ao fato da atividade urban&iacute;stica    s&oacute; se realizar plenamente se forem observados dois par&acirc;metros essenciais:    o primeiro &eacute; trabalhar em nova escala e, o segundo, &eacute; identificar    e descrever os atributos f&iacute;sico-espaciais associados &agrave;s novas    fun&ccedil;&otilde;es que o <i>territ&oacute;rio</i> est&aacute; desempenhando    na organiza&ccedil;&atilde;o produtiva contempor&acirc;nea. Essas duas quest&otilde;es    s&atilde;o centrais para o tema deste artigo, qual seja, como o urbanismo deve    abordar o <i>territ&oacute;rio</i> urbanizado neste momento em que a cidade    ganha novas configura&ccedil;&otilde;es. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">&Eacute; um fato, j&aacute; bastante observado    e muito teorizado, que a reestrutura&ccedil;&atilde;o das cidades e metr&oacute;poles    est&aacute;, desde a d&eacute;cada de 1980, vinculado &agrave;s mudan&ccedil;as    dos padr&otilde;es das atividades urbanas e &agrave; escala e configura&ccedil;&atilde;o    adquirida pelas manchas urbanas. Portanto, antes de abordar as &quot;manchas    urbanas como objeto de projeto&quot;, &eacute; importante relembrar que o urbanismo    &eacute; uma atividade anal&iacute;tica que se realiza apenas quando assume    uma dimens&atilde;o propositiva. Desta forma, para afirmar que um trabalho se    realiza na &aacute;rea espec&iacute;fica do urbanismo, &eacute; necess&aacute;rio    avaliar a conjuga&ccedil;&atilde;o que este estabelece entre as quest&otilde;es    ditas espaciais, funcionais e program&aacute;ticas e as propostas de transforma&ccedil;&atilde;o.    &Eacute; desta conjuga&ccedil;&atilde;o entre os atributos existentes no <i>territ&oacute;rio</i>    e as metas propostas que a a&ccedil;&atilde;o urban&iacute;stica, subdividida    operacionalmente em plano e projeto, se realizar&aacute; plenamente. Em resumo,    &eacute; somente no momento em que a an&aacute;lise ganha a forma de proposi&ccedil;&atilde;o    (plano/projeto), que a a&ccedil;&atilde;o urban&iacute;stica poder&aacute; ser    reconhecida como tal. </font></p>     <p><font size="3">Por outro lado, para que essa completa cadeia    de an&aacute;lise e proposi&ccedil;&atilde;o se realize &eacute; indispens&aacute;vel    criar m&eacute;todos precisos de trabalho. E, como j&aacute; sabemos, o amadurecimento    metodol&oacute;gico de uma disciplina s&oacute; pode ser medido pela sua capacidade    de instituir o seu pr&oacute;prio sistema de investiga&ccedil;&atilde;o, de    configurar as suas quest&otilde;es e de propor recortes temporais espec&iacute;ficos.    Desafiado pelo pr&oacute;prio objeto de trabalho – a cidade – que se transformou    em outro ente – o <i>territ&oacute;rio</i> – invalidando seus m&eacute;todos    cl&aacute;ssicos, o urbanismo est&aacute; hoje vivendo uma fase rica de cria&ccedil;&atilde;o    de hip&oacute;teses de caminhos alternativos. Neste percurso, estabelecer uma    rela&ccedil;&atilde;o mais exigente com o termo <i>territ&oacute;rio</i> tem    se mostrado fundamental.</font></p>     <p><font size="3"><b>&quot;A CIDADE &Eacute; UM TERRIT&Oacute;RIO    QUE ORGANIZA TERRIT&Oacute;RIOS&quot;</b> A afirma&ccedil;&atilde;o de Marcel    Roncayolo (1993), segundo a qual &quot;a cidade &eacute; um <i>territ&oacute;rio</i>    que organiza <i>territ&oacute;rios</i>&quot; (6), serviu como uma luva para    a renova&ccedil;&atilde;o conceitual e para a reorganiza&ccedil;&atilde;o da    metodologia de trabalho do urbanismo. Sobretudo por fazer um contraponto com    a inunda&ccedil;&atilde;o de conceitos que invadiu a literatura especializada    a partir dos anos 80, buscando substituir os termos cidade, metr&oacute;pole,    regi&atilde;o, ou, at&eacute; mesmo <i>territ&oacute;rio</i>, por outros, que    os descrevem de forma mais condizente com as novas caracter&iacute;sticas f&iacute;sicas    dos espa&ccedil;os urbanos que est&atilde;o se organizando. Dentre muitos conceitos    que surgiram alguns, tais como, exopolis, met&aacute;polis, heteropolis, revelam    a determina&ccedil;&atilde;o dos estudiosos de penetrar a reestrutura&ccedil;&atilde;o    do <i>territ&oacute;rio</i> em termos funcionais, econ&ocirc;micos, sociais    e at&eacute; mesmo formais. Todos eles apontam para novas din&acirc;micas que    coincidem com o enfraquecimento da cidade compacta, que foi o principal alvo    do urbanismo. Neste sentido, cada um desses termos traduz processos que devem    ser atentamente estudados. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p ALIGN="center"><img src="/img/revistas/cic/v58n1/a16fig01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Por&eacute;m, a defini&ccedil;&atilde;o proposta    por M. Roncayolo fornece para o urbanismo um caminho promissor, na medida em    que abriu uma frente de trabalho na qual a pr&oacute;pria cidade &eacute; a    chave da reorganiza&ccedil;&atilde;o territorial. Face &agrave; t&atilde;o lamentada    abdica&ccedil;&atilde;o do projeto total que exigia uma atitude idealizada de    suas fun&ccedil;&otilde;es e, o que era o mais grave, uma simplifica&ccedil;&atilde;o    de seu funcionamento, o urbanismo viu-se novamente capaz de alimentar seu m&eacute;todo    de trabalho, criando novas abordagens sem precisar abandonar seu objeto primordial    – a cidade – agora assumida na escala territorial.</font></p>     <p><font size="3">Embora tenha ficado impl&iacute;cito nessa reorganiza&ccedil;&atilde;o    que havia tamb&eacute;m certa nostalgia da cidade enquanto organismo claro,    discern&iacute;vel, no qual a forma urbana conduzia a leitura do espa&ccedil;o    e dos padr&otilde;es do seu tecido, assistiu-se, inicialmente, certa frustra&ccedil;&atilde;o    diante da evid&ecirc;ncia da impossibilidade de controlar seu crescimento e    de ordenar seu uso. Mas, a evid&ecirc;ncia dos novos fatos urbanos afastou qualquer    tentativa de retomar as antigas premissas da &quot;ordena&ccedil;&atilde;o do    <i>territ&oacute;rio</i>&quot;. </font></p>     <p><font size="3">A necessidade de criar &quot;pe&ccedil;as urbanas&quot;    sobre as quais pode exercer a atividade de projeto vem sendo um enorme desafio    para a an&aacute;lise e para o projeto. Este novo ciclo vivido pelo urbanismo    &eacute; inteiramente imposto pela profunda e, algumas vezes, violenta reestrutura&ccedil;&atilde;o    do <i>territ&oacute;rio</i> urbano. Sem entrar aqui nas quest&otilde;es j&aacute;    t&atilde;o descritas por autores que se debru&ccedil;aram sobre as ra&iacute;zes    desta reestrutura&ccedil;&atilde;o, pois o que se busca neste artigo &eacute;    entender o sentido do termo <i>territ&oacute;rio</i> para o urbanismo contempor&acirc;neo,    &eacute; necess&aacute;rio sublinhar o quanto as novas faces da urbaniza&ccedil;&atilde;o    exigem do urbanismo, muito mais que uma simples renova&ccedil;&atilde;o formal.    Mesmo porque a express&atilde;o &quot;formal&quot; est&aacute; hoje impregnada    de novos conceitos, que traduzem quest&otilde;es tamb&eacute;m novas, tais como    contextualiza&ccedil;&atilde;o ou <i>genius loci</i>. Diante da evid&ecirc;ncia    da fragmenta&ccedil;&atilde;o do objeto, &eacute; na busca dos elementos estruturadores    que repousam as potencialidades de uma renova&ccedil;&atilde;o verdadeira do    projeto urbano. </font></p>     <p><font size="3">Retomando ainda uma vez o que foi dito antes,    o crescimento metodol&oacute;gico do urbanismo tendo em vista o seu tra&ccedil;o    mais distintivo – ser propositivo – s&oacute; poder&aacute; realizar-se se demonstrar    capacidade de instituir o seu pr&oacute;prio sistema de investiga&ccedil;&atilde;o    e de configurar as suas quest&otilde;es a partir de recortes f&iacute;sicos,    espaciais, funcionais e temporais no seu novo objeto – o <i>territ&oacute;rio</i>    urbanizado. E, considerando que a cidade se esvaiu no interior dessa mancha    urbanizada, uma an&aacute;lise urbana capaz de promover o reconhecimento de    seus atributos ganhou um papel fundamental na renova&ccedil;&atilde;o metodol&oacute;gica    da atividade de projeto. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Dentre as diversas quest&otilde;es que se colocam    para o projeto urbano, uma vez admitido que seu objeto s&atilde;o essas obscuras    aglomera&ccedil;&otilde;es urbanas que &quot;o velho conceito de cidade j&aacute;    n&atilde;o logra alcan&ccedil;ar&quot;, para repetir ainda uma vez a not&aacute;vel    e simples afirma&ccedil;&atilde;o de J. Habermas, a mais importante &eacute;    a necessidade de trabalhar em novas escalas. Mais ainda, de conjugar em qualquer    projeto as rela&ccedil;&otilde;es presentes em escalas mais amplas e mais restritas.    Entendendo-se por trabalhar em nova escala, a busca de par&acirc;metros que    definam os limites f&iacute;sicos, as fronteiras funcionais, as barreiras de    todo tipo, o sentido transit&oacute;rio de um espa&ccedil;o, enfim tudo aquilo    que demarca ao mesmo tempo as &quot;pe&ccedil;as urbanas&quot; e as articula    entre si e ao <i>territ&oacute;rio</i> que as cont&eacute;m. E, por outro lado,    ficou logo patente o quanto &eacute; insuficiente a demarca&ccedil;&atilde;o    de limites f&iacute;sicos para conduzir o projeto urbano se n&atilde;o se levar    em conta a necessidade de manter simultaneamente as refer&ecirc;ncias espaciais,    locais e abrangentes de cada uma dessas &quot;pe&ccedil;as urbanas&quot;. </font></p>     <p><font size="3">Vimos, portanto, que da regi&atilde;o &agrave;    quadra, todas as escalas urbanas s&atilde;o hoje objeto de an&aacute;lise e    demandar&atilde;o uma posi&ccedil;&atilde;o clara do projeto urbano que, como    j&aacute; se disse, para sua realiza&ccedil;&atilde;o dever&aacute; demarcar    com precis&atilde;o seus limites de maneira a que se tornem &quot;pe&ccedil;as&quot;    articul&aacute;veis no interior do <i>territ&oacute;rio</i>. A complexidade    de tal procedimento repousa na capacidade do m&eacute;todo urban&iacute;stico    (para que possa se considerar efetivamente renovado) de distinguir novos elementos    da organiza&ccedil;&atilde;o territorial contempor&acirc;nea. &Eacute; indispens&aacute;vel    considerar a presen&ccedil;a de um <i>territ&oacute;rio</i> comandado por redes    e fluxos, tal como Manuel Castells descreve em <i>A sociedade em rede</i> (6),    no qual a contig&uuml;idade f&iacute;sica, ou mesmo a continuidade espacial,    &eacute;, obrigatoriamente, minimizada em favor de novas vari&aacute;veis. </font></p>     <p><font size="3">Para que a &quot;pe&ccedil;a urbana&quot; definida    pela an&aacute;lise urban&iacute;stica cumpra plenamente seu papel, oferecendo    os elementos que balizam o projeto, &eacute; necess&aacute;rio deixar claro    o conjunto de tra&ccedil;os que a distingue de um outro importante elemento    da urbaniza&ccedil;&atilde;o contempor&acirc;nea, o enclave ou <i>cluster</i>    (7). Pois, enquanto a primeira est&aacute; totalmente integrada ao <i>territ&oacute;rio</i>,    o segundo &eacute; um nicho urbano isolado do ponto de vista f&iacute;sico e    funcional do contexto geral. Em princ&iacute;pio, &eacute; a emerg&ecirc;ncia    simult&acirc;nea de condi&ccedil;&otilde;es locais aut&ocirc;nomas e a correspond&ecirc;ncia    em todos os n&iacute;veis com as demais &quot;pe&ccedil;as&quot; que comp&otilde;em    o <i>territ&oacute;rio</i> que definir&aacute; a distin&ccedil;&atilde;o. </font></p>     <p><font size="3">Saem naturalmente desse princ&iacute;pio geral    de trabalho os grandes temas que fornecem ao urbanismo o seu partido de atua&ccedil;&atilde;o:    a mobilidade, a acessibilidade, as conex&otilde;es, as novas centralidades,    os p&oacute;los, a infraestrutura, dentre muitos outros elementos da organiza&ccedil;&atilde;o    urbana. O compromisso &eacute; restabelecer, da forma mais clara e eficiente,    as rela&ccedil;&otilde;es espaciais atacadas pelos novos par&acirc;metros de    distribui&ccedil;&atilde;o das atividades no <i>territ&oacute;rio</i>.</font></p>     <p><font size="3">Por&eacute;m, &eacute; preciso sublinhar que    a demarca&ccedil;&atilde;o e a separa&ccedil;&atilde;o que se opera no <i>territ&oacute;rio</i>,    isto &eacute;, o m&eacute;todo utilizado para a montagem do grande quadro de    &quot;pe&ccedil;as urbanas&quot;, deve ser assumido apenas como uma estrat&eacute;gia    de trabalho, como uma forma de abordar as imensas aglomera&ccedil;&otilde;es    urbanas nas quais os atributos da organiza&ccedil;&atilde;o est&atilde;o pouco    evidentes. &Eacute; vital ter presente que o principal alvo do projeto urbano    contempor&acirc;neo &eacute; a integra&ccedil;&atilde;o do <i>territ&oacute;rio</i>,    sobretudo tendo em vista os sem n&uacute;mero de dispositivos armados para promover    sua dissolu&ccedil;&atilde;o, isto &eacute;, o distanciamento espacial, funcional    e territorial dos diversos trechos que comp&otilde;em a cidade na sua vers&atilde;o    aglomera&ccedil;&atilde;o urbana. Os cl&aacute;ssicos instrumentos de ordena&ccedil;&atilde;o    do <i>territ&oacute;rio</i> – planos ortogonais, sistemas bin&aacute;rios, eixos,    hierarquias espaciais e funcionais, densidades – precisam ser revistos e n&atilde;o    apenas substitu&iacute;dos. Mesmo um instrumento t&atilde;o contestado como    zoneamento funcional e de uso do solo, adotado em todo mundo, deve, nessa conjuntura    de desarticula&ccedil;&atilde;o territorial, ser objeto de s&eacute;ria revis&atilde;o.</font></p>     <p><font size="3">E, para fechar com uma quest&atilde;o que poderia    muito bem abrir essa discuss&atilde;o, lembramos que o avan&ccedil;o da abordagem    das cidades pelo urbanismo passar&aacute; tamb&eacute;m pelo reconhecimento,    ou at&eacute; mesmo da aceita&ccedil;&atilde;o, que a rela&ccedil;&atilde;o    entre as duas categorias centrais do mundo contempor&acirc;neo – tempo e espa&ccedil;o    – &eacute; hoje regida por novos par&acirc;metros. O surgimento da sociedade    em rede e o seu desdobramento no espa&ccedil;o dos fluxos, t&atilde;o precisamente    descrito por Manuel Castells (1999) (8), s&atilde;o dois elementos paradigm&aacute;ticos    dessa teoria que engloba a sociedade, a sua economia, o seu espa&ccedil;o e    as novas tecnologias de comunica&ccedil;&atilde;o. Espa&ccedil;o como extens&atilde;o    parece perder import&acirc;ncia em favor do tempo como dist&acirc;ncia. A economia    do espa&ccedil;o cede lugar &agrave; economia do tempo. Os deslocamentos s&atilde;o    medidos em fun&ccedil;&atilde;o do tempo e n&atilde;o da dist&acirc;ncia. Assumir,    como prop&otilde;e M. Castells, que na sociedade contempor&acirc;nea &quot;o    espa&ccedil;o organiza o tempo&quot;, oferece ao urbanismo uma chance de restaurar    sua fun&ccedil;&atilde;o e o seu perdido prest&iacute;gio quando sucumbiu ao    objetivo de trabalhar de forma unidimensional na ut&oacute;pica ordena&ccedil;&atilde;o    do <i>territ&oacute;rio</i>. O compromisso de participar do projeto de &quot;um    espa&ccedil;o que organiza o tempo&quot; &eacute; uma tarefa nobre e exigente    para a qual o urbanismo deve estar preparado, assumindo de forma ainda mais    intensa as revis&otilde;es de seu ide&aacute;rio. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><i><b>Regina Maria Prosperi Meyer</b> &eacute; arquiteta, urbanista    e professora livre docente da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da FAU-USP.    Fez seu mestrado na University College de Londres - Bartlett School of Architecture,    em 1978, e &eacute; doutora pela FAU-USP desde 1990. </i></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><b>NOTAS E REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS:</b></font></p>       <p><font size="3">1. Embora n&atilde;o seja poss&iacute;vel abordar aqui o    complexo debate ocorrido na d&eacute;cada de 1960, acredito ser importante mencionar    a produtiva discuss&atilde;o havida entre M. Dobb e P. Sweezy sobre o papel    da cidade no desenvolvimento da sociedade e base para a moderniza&ccedil;&atilde;o    do territ&oacute;rio.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">2. Ben&eacute;volo, L. <i>La citt&aacute; europea</i>. Laterza,    Roma. 1993.</font><p><font size="3">3. O conceito de regi&atilde;o &eacute; extremamente vari&aacute;vel    e central no urbanismo. Descreve uma &aacute;rea cujos limites e fronteiras    n&atilde;o coincide muitas vezes com as demarca&ccedil;&otilde;es jur&iacute;dicas    e administrativas. Um projeto regional pode ter como refer&ecirc;ncia um perfil    s&oacute;cio-econ&ocirc;mico. Por outro lado, a demarca&ccedil;&atilde;o de    uma regi&atilde;o para projetos pautados por quest&otilde;es ambientais tem    nos elementos naturais suas principais refer&ecirc;ncias. </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">4. Hilberseimer, L. <i>The new regional pattern</i>, Ed.    Paul Theobald - Chicago. 1949. </font><!-- ref --><p><font size="3">5. Watson, S.; Gibson, K. <i>Postmodern cities and spaces</i>,    Ed. Blackwell – OxfordUK and Cambridge – Cambridge Massachusetts USA. 1995</font><!-- ref --><p><font size="3">6. Roncayolo, M. <i>La ville et ses territoires</i>, Ed.    Gallimard Paris. 1993.</font><!-- ref --><p><font size="3">7. O termo <i>cluster</i> tem sido muito associado &agrave;s    transforma&ccedil;&otilde;es f&iacute;sicas absorvidas pelo territ&oacute;rio    a partir da reestrutura&ccedil;&atilde;o produtiva. As defini&ccedil;&otilde;es    desse novo tipo de organiza&ccedil;&atilde;o urbana sublinham a presen&ccedil;a    de redes locais de organiza&ccedil;&otilde;es especializadas cujos processos    produtivos est&atilde;o em total conex&atilde;o. Ver Igliori, D. <i>Economia    dos clusters industriais e desenvolvimento</i>, S&atilde;o Paulo: Iglu/Fapesp    2001.</font><!-- ref --><p><font size="3">8. Castells, M.l. <i>A sociedade em rede</i>, Ed. Paz e Terra    - S&atilde;o Paulo. 1999.</font> ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<label>2</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Benévolo]]></surname>
<given-names><![CDATA[L.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[La cittá europea]]></source>
<year>1993</year>
<publisher-loc><![CDATA[Roma ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Laterza]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<label>4</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Hilberseimer]]></surname>
<given-names><![CDATA[L.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[The new regional pattern]]></source>
<year>1949</year>
<publisher-loc><![CDATA[Chicago ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Ed. Paul Theobald]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<label>5</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Watson]]></surname>
<given-names><![CDATA[S.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Gibson]]></surname>
<given-names><![CDATA[K]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Postmodern cities and spaces]]></source>
<year>1995</year>
<publisher-loc><![CDATA[CambridgeMassachusetts ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Ed. BlackwellOxfordUKCambridge]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<label>6</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Roncayolo]]></surname>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[La ville et ses territoires]]></source>
<year>1993</year>
<publisher-loc><![CDATA[Paris ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Ed. Gallimard]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Igliori]]></surname>
<given-names><![CDATA[D.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Economia dos clusters industriais e desenvolvimento]]></source>
<year>2001</year>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[IgluFapesp]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B6">
<label>8</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Castells]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.l.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[A sociedade em rede]]></source>
<year>1999</year>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Ed. Paz e Terra]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
