<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0009-6725</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Ciência e Cultura]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Cienc. Cult.]]></abbrev-journal-title>
<issn>0009-6725</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0009-67252006000100018</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Território e inovação: o arranjo produtivo Pingo d’água]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Amaral Filho]]></surname>
<given-names><![CDATA[Jair do]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
<xref ref-type="aff" rid="A02"/>
<xref ref-type="aff" rid="A03"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,FEAAC Departamento de Teoria Econômica ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<aff id="A02">
<institution><![CDATA[,Universidade Federal do Ceará Caen ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<aff id="A03">
<institution><![CDATA[,Redesist  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>03</month>
<year>2006</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>03</month>
<year>2006</year>
</pub-date>
<volume>58</volume>
<numero>1</numero>
<fpage>45</fpage>
<lpage>49</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252006000100018&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0009-67252006000100018&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0009-67252006000100018&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v58n1/artigos.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size=5><b>TERRIT&Oacute;RIO E INOVA&Ccedil;&Atilde;O: O ARRANJO PRODUTIVO    PINGO D’&Aacute;GUA</b></font></p>     <p><font size="3"><b>Jair do Amaral Filho</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><font size=5><b>O</b></font> arranjo produtivo local (APL)    Pingo D’&aacute;gua &eacute; um caso inovador no contexto da regi&atilde;o semi-&aacute;rida    (sert&atilde;o) do Cear&aacute; e do Nordeste (1). Com base em tecnologia apropriadamente    desenvolvida para a perfura&ccedil;&atilde;o de po&ccedil;os rasos, em &aacute;reas    de aluvi&atilde;o, esse arranjo produtivo desenvolve atividades agr&iacute;colas    irrigadas voltadas para o mercado local (Quixeramobim), regional (munic&iacute;pios    vizinhos) e estadual (Ceasa de Fortaleza). A import&acirc;ncia do estudo desse    arranjo se justifica por quatro raz&otilde;es: 1. inova&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica    associada aos recursos h&iacute;dricos, aos produtos e aos processos; 2. produ&ccedil;&atilde;o    agr&iacute;cola irrigada em pequena escala; 3. aumento da produ&ccedil;&atilde;o    agr&iacute;cola; 4. gera&ccedil;&atilde;o de ocupa&ccedil;&atilde;o e renda    no semi-&aacute;rido do Cear&aacute;. </font></p>     <p><font size="3">O trabalho procura apresentar alguns resultados de pesquisa,    realizada no &acirc;mbito da Rede de Pesquisadores em Sistemas Produtivos e    Inovativos Locais (Redesit), aplicada ao caso do APL Pingo D’&aacute;gua, distribu&iacute;do    em nove itens, al&eacute;m desta introdu&ccedil;&atilde;o, a saber: Identifica&ccedil;&atilde;o    do arranjo; Territ&oacute;rio, localiza&ccedil;&atilde;o e sua caracteriza&ccedil;&atilde;o;    Origem e hist&oacute;ria; Identifica&ccedil;&atilde;o do empreendimento; Barreiras    e dificuldades enfrentadas pelos produtores; Produ&ccedil;&atilde;o e mercado;    Inova&ccedil;&otilde;es e seus impactos; Formas de coopera&ccedil;&atilde;o;    Conclus&atilde;o.</font></p>     <p><font size="3"><b>IDENTIFICA&Ccedil;&Atilde;O DO ARRANJO</b>    O arranjo produtivo Pingo D’&aacute;gua &eacute; formado por cerca de 27 pequenos    produtores agr&iacute;colas familiares que exploram a agricultura irrigada com    base na fruticultura e hortali&ccedil;a, al&eacute;m de atividades complementares    associadas &agrave; agricultura de sequeiro, pecu&aacute;rias bovina e ovinocaprino    em pequena escala, pequenos criat&oacute;rios e produ&ccedil;&atilde;o de doces    de leite e mam&atilde;o. Os produtos gerados pela agricultura irrigada s&atilde;o    o mam&atilde;o, a goiaba, o mel&atilde;o, o piment&atilde;o, o maracuj&aacute;    e o tomate, todos produzidos para o mercado. O nome Pingo D’&aacute;gua pode    ser atribu&iacute;do tanto a uma brincadeira formulada pelos incr&eacute;dulos    ao m&eacute;todo de explora&ccedil;&atilde;o de po&ccedil;os rasos, em &aacute;reas    de aluvi&atilde;o, quanto ao m&eacute;todo de irriga&ccedil;&atilde;o realizado    por meio do gotejamento de &aacute;gua conduzida por tubos de pvc que passam    entre as plantas.</font></p>     <p><font size="3"><b>TERRIT&Oacute;RIO, LOCALIZA&Ccedil;&Atilde;O    E SUA CARACTERIZA&Ccedil;&Atilde;O</b> O arranjo analisado est&aacute; localizado    no Vale do Forquilha, de 30 quil&ocirc;metros de extens&atilde;o no distrito    de Manituba, e &eacute; composto por produtores pertencentes a oito comunidades:    Campina, Boa Vista, S&atilde;o Bento, V&aacute;rzea do Meio, Forquilha, Trapiazeiro,    Lagoa Cercada e Limeira. Fora do Vale, mas dentro do arranjo, est&aacute; a    comunidade de Encantado. Essa regi&atilde;o encontra-se no munic&iacute;pio    de Quixeramobim, sert&atilde;o central do Cear&aacute;, distante 200 km da capital    Fortaleza.</font></p>     <p><font size="3">Quixeramobim, criado em 1766, tem uma &aacute;rea    total de 3.275,84 km2, encontra-se numa altitude de 191,7 metros e recebeu uma    precipita&ccedil;&atilde;o pluviom&eacute;trica m&eacute;dia de 707,7mm em 2004.    Sua popula&ccedil;&atilde;o total era de 59.235 habitantes em 2000, sendo 51,66%    urbana e 48,34% rural, e nesse mesmo ano essa popula&ccedil;&atilde;o era composta    por 50,15% de homens e 49,85% de mulheres. Ainda no mesmo ano de 2000, o PIB    total a pre&ccedil;os de mercado desse munic&iacute;pio foi de (R$ mil) 112.338,    indicando um PIB per capita de R$ 2.055,00. Do total do PIB municipal, 15,48%    correspondia ao setor agr&iacute;cola, 26,13% ao setor industrial e 58,39% ao    setor servi&ccedil;os. No setor agropecu&aacute;rio destacam-se o algod&atilde;o,    a pecu&aacute;ria bovina e seus derivados, a ovinocaprinocultura, como produtos    comerciais de grande import&acirc;ncia (<a href="http://www.ipece.ce.gov.br" target="_blank"><i>www.ipece.ce.gov.br</i></a>)</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><b>ORIGEM E HIST&Oacute;RIA</b> A atividade    produtiva que integra os produtores locais e motiva o arranjo em quest&atilde;o    &eacute; a fruticultura irrigada, que tem uma hist&oacute;ria recente, em rela&ccedil;&atilde;o    &agrave; hist&oacute;ria produtiva do munic&iacute;pio e da regi&atilde;o, o    Vale do Forquilha. Emergiu da combina&ccedil;&atilde;o entre a vontade dos agentes    locais, que sempre lutaram por &aacute;gua, energia el&eacute;trica e produ&ccedil;&atilde;o,    o conhecimento tecnol&oacute;gico h&iacute;drico, trazido pelos pesquisadores    acad&ecirc;micos, o apoio pol&iacute;tico e t&eacute;cnico da prefeitura municipal    de Quixeramobim e o apoio t&eacute;cnico de institui&ccedil;&otilde;es voltadas    para o treinamento e a assist&ecirc;ncia t&eacute;cnica. </font></p>     <p><font size="3">As primeiras solu&ccedil;&otilde;es produtivas,    com base nos recursos h&iacute;dricos, ocorreram por interm&eacute;dio do governo    do estado do Cear&aacute;, no per&iacute;odo da seca em 1987, quando da perfura&ccedil;&atilde;o    de cacimbas e po&ccedil;os pequenos e a constru&ccedil;&atilde;o de cisternas    (Programa Estadual de Combate &agrave;s Secas). No ano de 1990, teve in&iacute;cio    a visita de pesquisadores franceses e cearenses no Vale que, atra&iacute;dos    pela organiza&ccedil;&atilde;o dos agricultores, trouxeram id&eacute;ias e solu&ccedil;&otilde;es    h&iacute;dricas para serem discutidas e aplicadas na agricultura. Em 1992, por    for&ccedil;a das reivindica&ccedil;&otilde;es em prol da constru&ccedil;&atilde;o    de passagens molhadas (passarelas) sobre o Riacho do Forquilha, o governo do    estado construiu a barragem Veneza, no cora&ccedil;&atilde;o do povoado de S&atilde;o    Bento, a fim de estocar um pouco da &aacute;gua que corre em abund&acirc;ncia    nesse riacho no per&iacute;odo das chuvas (janeiro e maio) e, ao mesmo tempo,    permitir a passagem de pessoas, animais e mercadorias sobre ele durante esse    per&iacute;odo.</font></p>     <p><font size="3">Os referidos pesquisadores constataram condi&ccedil;&otilde;es    prop&iacute;cias para a explora&ccedil;&atilde;o e o aproveitamento de recursos    h&iacute;dricos em &aacute;reas de aluvi&atilde;o, nas margens do Riacho do    Forquilha. Apoiada por lideran&ccedil;as e pol&iacute;ticos locais a id&eacute;ia    passou a ser discutida com a popula&ccedil;&atilde;o e pequenos agricultores    dos povoados do Vale do Forquilha, especialmente o de S&atilde;o Bento. Em 1997,    a id&eacute;ia sobreveio at&eacute; o prefeito Cirilo Pimenta (PSDB) rec&eacute;m-empossado,    que a apoiou, resultando num conv&ecirc;nio de coopera&ccedil;&atilde;o entre    a prefeitura de Quixeramobim, a Universidade Estadual do Cear&aacute; (Uece)    e a Universit&eacute; d’Angers-Fran&ccedil;a. Em 2001, ingressa no conv&ecirc;nio    a Universidade Comunit&aacute;ria de Quixeramobim-Unicentro. Tal a&ccedil;&atilde;o    foi acompanhada de outras que ajudaram a viabilizar o arranjo produtivo, a exemplo    da capacita&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica dos produtores, da compra de equipamentos    e da compra dos produtos agr&iacute;colas por meio do programa merenda escolar.</font></p>     <p><font size="3"><b>IDENTIFICA&Ccedil;&Atilde;O DO EMPREENDIMENTO</b>    Os produtores pesquisados s&atilde;o de tamanho micro. As propriedades, e dentro    das quais as &aacute;reas utilizadas no cultivo da fruticultura irrigada, regra    geral, variam de 1 ha a 3 ha. Ao longo do Vale do Forquilha h&aacute; cerca    de 500 fam&iacute;lias de pequenos produtores familiares explorando uma agricultura    tradicional, de sequeiro, criando uma pecu&aacute;ria de pequena escala, al&eacute;m    de pequenos animais. Atualmente, o n&uacute;mero de produtores que se dedicam    &agrave; fruticultura irrigada pode chegar a 27, n&uacute;mero esse que vem    aumentando muito lentamente em fun&ccedil;&atilde;o das barreiras existentes    para os candidatos a esse tipo de explora&ccedil;&atilde;o. Esta pesquisa apresenta    resultados extra&iacute;dos de 23 produtores, visitados e entrevistados, ou    seja, 85,18% do total do universo.</font></p>     <p><font size="3">Os empreendimentos aqui analisados n&atilde;o    t&ecirc;m constitui&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica em forma de empresa, n&atilde;o    tendo, portanto pessoa jur&iacute;dica constitu&iacute;da. S&atilde;o unidades    produtivas familiares informais, cuja origem &eacute; local e pr&oacute;pria,    fruto de um processo de parcelamento da propriedade e das tradi&ccedil;&otilde;es    produtivas da regi&atilde;o. Os produtores s&atilde;o independentes e n&atilde;o    sujeitos a controles ou contratos assumidos com grandes <i>players</i> do setor,    a exemplo de casos de pequenos produtores familiares encontrados em v&aacute;rias    cadeias produtivas do agroneg&oacute;cio, em outras regi&otilde;es do Nordeste.    Prevalecendo o tamanho micro e o controle totalmente familiar, n&atilde;o chamou    a aten&ccedil;&atilde;o o fato de ter sido constatado apenas dois casos, dentre    os 23, nos quais o empreendimento &eacute; compartilhado por dois s&oacute;cios,    ali&aacute;s, irm&atilde;os, que continuam a tocar as atividades que sua fam&iacute;lia,    no passado, realizava, a agropecu&aacute;ria.</font></p>     <p><font size="3">Quanto ao perfil dos produtores, v&aacute;rios    elementos chamaram a aten&ccedil;&atilde;o na pesquisa. Com rela&ccedil;&atilde;o    &agrave; idade, verificou-se que h&aacute; uma concentra&ccedil;&atilde;o de    nove produtores, ou 39,1%, na faixa et&aacute;ria que vai de 21 a 30 anos. Uma    outra concentra&ccedil;&atilde;o, esta forte, foi encontrada nas duas faixas    entre 41 e 50 anos e acima de 50 anos, sendo que na primeira foram encontrados    seis produtores, ou 26,1%, e na segunda cinco, ou 21,7%. Esses elementos permitem    fazer algumas observa&ccedil;&otilde;es, enriquecidas pelas entrevistas realizadas    em campo. A primeira delas &eacute; que o n&uacute;mero de produtores jovens    &eacute; relativamente elevado, quando se trata de uma regi&atilde;o de ocupa&ccedil;&atilde;o    antiga e localizada no semi-&aacute;rido. A segunda observa&ccedil;&atilde;o    &eacute; que h&aacute;, dentro do arranjo, uma mistura benigna entre produtores    jovens e produtores velhos, o que permite uma boa combina&ccedil;&atilde;o entre    experi&ecirc;ncia e prud&ecirc;ncia. </font></p>     <p><font size="3"><b>BARREIRAS E DIFICULDADES ENFRENTADAS PELOS    PRODUTORES</b> H&aacute; um certo consenso na localidade de que uma das principais    barreiras que dificultaram a passagem da agricultura tradicional, para a agricultura    comercial, dita moderna, foi a mentalidade arraigada dos agricultores locais    ou a falta de confian&ccedil;a dos agricultores em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s    atividades e m&eacute;todos produtivos alternativos. Sem d&uacute;vida, essa    foi uma barreira importante, mas ultrapassada pelos produtores hoje envolvidos    no arranjo produtivo em constru&ccedil;&atilde;o, depois de um longo per&iacute;odo    de discuss&otilde;es no seio da Associa&ccedil;&atilde;o dos Moradores de S&atilde;o    Bento.</font></p>     <p><font size="3">Uma barreira n&atilde;o menos importante &agrave;    entrada dos produtores na agricultura irrigada foi, e ainda &eacute;, a situa&ccedil;&atilde;o    de descapitaliza&ccedil;&atilde;o, fato que os impede e/ou dificulta realizar    os investimentos iniciais e custear as primeiras safras. Essas despesas s&atilde;o    relativas &agrave; perfura&ccedil;&atilde;o da terra, constru&ccedil;&atilde;o    de po&ccedil;os, compra de equipamentos para bombear e distribuir a &aacute;gua    dentro da propriedade, compra de insumos e pagamento pela energia el&eacute;trica.    A descapitaliza&ccedil;&atilde;o levou a maioria dos agricultores, que optaram    pela agricultura irrigada, a recorrer aos empr&eacute;stimos banc&aacute;rios    na linha do Pronaf junto ao Banco do Nordeste do Brasil (2), e apoiados pelo    Fundo de Aval oferecido pela prefeitura de Quixeramobim, garantindo at&eacute;    50% do valor de cada projeto (3). A depend&ecirc;ncia em rela&ccedil;&atilde;o    ao cr&eacute;dito &eacute; ilustrada com muita clareza pelos dados relativos    &agrave; estrutura do capital dos empreendimentos. </font></p>     <p><font size="3">Para esse item, 98,2% dos agricultores entrevistados    responderam que a estrutura do seu capital &eacute; formada por empr&eacute;stimos    de institui&ccedil;&otilde;es financeiras. O mesmo item revelou tamb&eacute;m    que, al&eacute;m de faltarem fontes alternativas institucionalizadas e menos    onerosas de empr&eacute;stimos, os produtores n&atilde;o recorrem a fontes informais    de cr&eacute;dito, sejam elas proporcionadas por amigos e parentes, ou por fornecedores    e clientes. Por fim, diante das quest&otilde;es relacionadas aos obst&aacute;culos    que limitam o produtor &agrave;s fontes externas de financiamento, foram apontados    os entraves burocr&aacute;ticos e as exig&ecirc;ncias de aval/garantias como    principais obst&aacute;culos.</font></p>     <p><font size="3">No primeiro ano de atividade (2001), as tr&ecirc;s    principais dificuldades estiveram associadas &agrave; qualidade dos produtos,    &agrave; venda da produ&ccedil;&atilde;o e ao custo ou falta de capital de giro,    com &iacute;ndices de import&acirc;ncia de 0,32, 0,37 e 0,35 respectivamente    (4). H&aacute; que observar que, esses produtores eram ausentes do mercado de    frutas, local ou regional, raz&atilde;o pela qual tiveram um custo inicial elevado    para se inserir no mesmo. J&aacute; no ano de 2002, as tr&ecirc;s principais    dificuldades se relacionaram ao custo ou falta de capital de giro (0,23), pagamento    de juros (0,18) e &agrave; produ&ccedil;&atilde;o com qualidade (0,15). </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><b>PRODU&Ccedil;&Atilde;O E MERCADO</b> A maior    parte dos produtores entrevistados (34,78%) se concentra no povoado de S&atilde;o    Bento, ber&ccedil;o da organiza&ccedil;&atilde;o e dos movimentos e lutas dos    agricultores do Vale do Forquilha. Em seguida est&aacute; V&aacute;rzea do Meio,    com 17,39%. Os povoados de Boa Vista, Forquilha, Trapiazeiro e Lagoa Cercada    est&atilde;o na faixa de 8%, e os de Campina, Limeira e Encantado se encontram    na faixa de 4% de participa&ccedil;&atilde;o. Os produtos cultivados s&atilde;o:    maracuj&aacute;, tomate, piment&atilde;o, mel&atilde;o, mam&atilde;o e goiaba.    O tamanho m&eacute;dio das &aacute;reas utilizadas gira em torno de 1,8 ha por    produtor, mas h&aacute; casos nos quais as &aacute;reas s&atilde;o de 4 e at&eacute;    de 6 ha, mas s&atilde;o exce&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p><font size="3">A &aacute;rea total plantada evoluiu de 2,5    ha em 2001 para 12,5 ha em 2002, e para 42,5 ha em 2003, chegando, neste &uacute;ltimo    ano, a uma &aacute;rea m&eacute;dia de 1,8 ha por agricultor. Muito claramente,    o ano de 2003 se apresentou como o per&iacute;odo de auge do processo de expans&atilde;o    da &aacute;rea plantada. Observa-se, em segundo lugar, que dos 23 produtores    entrevistados naquele anos, apenas dois figuravam na lista de produtores em    2001 e, em 2002, sete. </font></p>     <p><font size="3">Quanto &agrave; produ&ccedil;&atilde;o, em 2001    tr&ecirc;s produtos eram cultivados – tomate, mam&atilde;o e mel&atilde;o –    apresentando um rendimento por ano de 602 caixas, 1.750 caixas e 500 caixas,    respectivamente. Em 2002, cinco produtos j&aacute; eram produzidos – al&eacute;m    dos tr&ecirc;s, mais maracuj&aacute; e piment&atilde;o – apresentando por sua    vez, respectivamente, uma produ&ccedil;&atilde;o anual de 1.884 caixas, 8.338    caixas, 245 caixas, 650 caixas e 1.720 caixas. Em 2003, seis produtos eram cultivados    dentro do arranjo, apresentando a seguinte produ&ccedil;&atilde;o: tomate, 3.940    caixas/ano; mam&atilde;o, 18.374 caixas/ano; mel&atilde;o, 2.405 caixas/ano;    maracuj&aacute;, 3.170 caixas/ano; e piment&atilde;o, 1.195 caixas/ ano; e goiaba,    420 caixas/ano. </font></p>     <p><font size="3">Multiplicando as quantidades produzidas em 2003    pelos respectivos pre&ccedil;os m&eacute;dios (5), do mesmo ano, chegam-se &agrave;s    seguintes receitas brutas: tomate (11,17) R$ 44.009,80; mam&atilde;o (6,04)    R$ 110.978,96; mel&atilde;o (6,40) R$ 15.392,00; maracuj&aacute; (10,30) R$    32.651,00; piment&atilde;o (5,30) R$ 6.333,50 (6). Somando-se todas as parcelas    chega-se a uma renda bruta total de R$ 209.365,26 no ano de 2003, ou R$ 758,56    ao m&ecirc;s para cada produtor. Essa renda, deduzidas as obriga&ccedil;&otilde;es    com empr&eacute;stimos banc&aacute;rios, &eacute; praticamente despendida no    mercado local, na compra de insumos, componentes e pe&ccedil;as, contrata&ccedil;&atilde;o    de m&atilde;o-de-obra, al&eacute;m de bens de consumo. Considerando que essa    renda n&atilde;o existia cinco anos antes, pode supor-se que o seu impacto na    economia local tenha sido consider&aacute;vel, em vista do baix&iacute;ssimo    grau de monetiza&ccedil;&atilde;o que ainda predomina.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p ALIGN="center"><img src="/img/revistas/cic/v58n1/a18fig01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Em rela&ccedil;&atilde;o ao destino dessa produ&ccedil;&atilde;o,    ou parte dela, foram obtidas 22 respostas indicando o Ceasa de Fortaleza como    destino principal; dez respostas indicaram o mercado local como destino e nove    produtores disseram vender sua produ&ccedil;&atilde;o para o mercado regional.    Entenda-se como mercado local, as f&aacute;bricas de doce do Vale do Forquilha,    o programa de merenda escolar da prefeitura de Quixeramobim e o mercado municipal    de Quixeramobim, e, em &acirc;mbito regional, os mercados municipais vizinhos.    A principal solu&ccedil;&atilde;o para a comercializa&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o    nasceu entre os pr&oacute;prios agricultores, atrav&eacute;s do sistema de associa&ccedil;&atilde;o,    seja para atingir o Ceasa seja para alcan&ccedil;ar os mercados mais pr&oacute;ximos,    utilizando o caminh&atilde;o de pequeno porte adquirido por dois agricultores,    que agora s&atilde;o tamb&eacute;m transportadores. Os agricultores mais afastados    usam como solu&ccedil;&atilde;o o atravessador ou outro transportador que n&atilde;o    os dois pertencentes ao grupo do arranjo.</font></p>     <p><font size="3"><b>INOVA&Ccedil;&Otilde;ES E SEUS IMPACTOS</b>    Em raz&atilde;o de ser um arranjo produtivo de natureza agr&iacute;cola, localizado    na regi&atilde;o semi-&aacute;rida do Nordeste, de base familiar, influenciado    por homens com idade acima de quarenta anos, cuja cultura produtiva jamais havia    experimentado qualquer tipo de influ&ecirc;ncia inovativa, seria natural supor    que o arranjo Pingo D’&aacute;gua tenha se comportado refrat&aacute;rio &agrave;s    inova&ccedil;&otilde;es. Ao contr&aacute;rio disso, os resultados da pesquisa    revelaram um quadro de intensa inova&ccedil;&atilde;o. Em primeiro lugar, o    projeto de engenharia dos equipamentos de perfura&ccedil;&atilde;o dos po&ccedil;os,    trazido pelos pesquisadores, foi executado na pr&oacute;pria cidade de Quixeramobim,    por meio de uma pequena metal&uacute;rgica familiar que incorporou algumas adapta&ccedil;&otilde;es    (7). Depois vieram outras ondas de inova&ccedil;&otilde;es, estas ocorridas    em n&iacute;vel dos produtores rurais do arranjo, verificadas atrav&eacute;s    da mudan&ccedil;a radical do padr&atilde;o do processo produtivo bem como da    cesta de produtos. A totalidade dos produtores entrevistados respondeu ter introduzido    inova&ccedil;&otilde;es de produtos em suas propriedades, embora n&atilde;o    se apresentassem como produtos novos para os mercados nacional e internacional.    O mesmo ocorreu com as inova&ccedil;&otilde;es de processo, para as quais a    totalidade dos entrevistados respondeu positivamente, a despeito de n&atilde;o    serem processos tecnol&oacute;gicos desconhecidos por produtores de outras regi&otilde;es    do estado e do pa&iacute;s. Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s inova&ccedil;&otilde;es    introduzidas no modo de acondicionamento de produtos a resposta foi positiva,    tamb&eacute;m, em 100% dos entrevistados, tendo em vista que passaram a atender    o mercado, ao inv&eacute;s de produzir para subsist&ecirc;ncia, al&eacute;m    de dirigirem-se para alguns clientes exigentes como &eacute; o caso do Ceasa.</font></p>     <p><font size="3">Se no campo da introdu&ccedil;&atilde;o de inova&ccedil;&otilde;es    o comportamento foi bastante homog&ecirc;neo entre os produtores, no segmento    dos impactos da inova&ccedil;&atilde;o os resultados foram heterog&ecirc;neos    embora com um perfil positivo. Diferentemente da organiza&ccedil;&atilde;o industrial,    na qual os par&acirc;metros s&atilde;o mais sim&eacute;tricos e as vari&aacute;veis    mais control&aacute;veis, na organiza&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola os par&acirc;metros    s&atilde;o assim&eacute;tricos, entre os produtores, e as vari&aacute;veis s&atilde;o    menos control&aacute;veis. Na agricultura, a qualidade do solo pode variar dentro    de uma mesma propriedade, o risco de perda da produ&ccedil;&atilde;o &eacute;    constante e as vari&aacute;veis de mercado est&atilde;o fora do controle, principalmente    para os pequenos produtores. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Mesmo dentro desse quadro, de heterogeneidade,    foi poss&iacute;vel visualizar duas grandes converg&ecirc;ncias nas respostas:    a primeira, na qual a totalidade dos entrevistados respondeu terem sido nulos    os impactos das inova&ccedil;&otilde;es, ocorreu sobre a participa&ccedil;&atilde;o    no mercado externo, a redu&ccedil;&atilde;o de custos do trabalho, a redu&ccedil;&atilde;o    de custos de insumos, a redu&ccedil;&atilde;o do consumo de energia el&eacute;trica    e o enquadramento em regula&ccedil;&otilde;es e normas padr&atilde;o voltadas    para o mercado externo. Muito claramente, as inova&ccedil;&otilde;es introduzidas    por esses agricultores aumentaram os custos dos empreendimentos, j&aacute; que    passaram a praticar uma agricultura moderna. A segunda converg&ecirc;ncia, embora    sem unanimidade, aconteceu nos itens relativos ao aumento da produtividade,    amplia&ccedil;&atilde;o da gama de produtos, aumento da qualidade dos mesmos,    manuten&ccedil;&atilde;o e aumento nos mercados que atua. Para esses itens,    a import&acirc;ncia atribu&iacute;da pelos produtores concentra-se entre m&eacute;dia    e alta.</font></p>     <p><font size="3">Os agricultores apresentaram um &iacute;ndice    zero de relev&acirc;ncia, no que se refere &agrave; pesquisa e desenvolvimento    (P&amp;D), bem como aquisi&ccedil;&atilde;o externa de P&amp;D, at&eacute; porque    s&atilde;o microprodutores, descapitalizados e sem <i>background</i> para tal    atividade. No entanto, os &iacute;ndices foram elevados, entre 0,76 e 0,89,    para outros itens, especialmente para programas de treinamento (0,89), programas    de gest&atilde;o da qualidade (0,87) e aquisi&ccedil;&atilde;o de m&aacute;quinas,    equipamentos e projetos que procuram melhorar o perfil do produto (0,80). Para    esses itens, o comportamento revelou uma certa rotina nas atividades inovativas.    Essa const&acirc;ncia deve ser atribu&iacute;da, em grande parte, pelas respostas    positivas oferecidas pelas institui&ccedil;&otilde;es de apoio ao arranjo.</font></p>     <p><font size="3">Os produtores experimentaram uma mudan&ccedil;a    muito brusca em seu processo produtivo, sem que houvesse anteriormente um processo    de aprendizagem capaz de capacit&aacute;-los para a explora&ccedil;&atilde;o    de novas culturas. A aprendizagem acumulada at&eacute; ent&atilde;o, embora    &uacute;til, estava voltada para a agricultura de sequeiro. Em raz&atilde;o    disso, o treinamento e a capacita&ccedil;&atilde;o desses produtores tornaram-se    vitais para o crescimento e a expans&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o, assim    como para a sustentabilidade do pr&oacute;prio arranjo produtivo. N&atilde;o    por acaso, todos os 23 agricultores entrevistados atribu&iacute;ram uma relev&acirc;ncia    alta para o item treinamento, todavia apenas para aqueles tipos de treinamento    realizados na pr&oacute;pria empresa, ou na propriedade, e no pr&oacute;prio    arranjo. </font></p>     <p><font size="3">Al&eacute;m de considerarem relevante o treinamento,    os produtores t&ecirc;m consci&ecirc;ncia dos impactos e dos resultados provocados    por esse tipo de atividade. Vinte e tr&ecirc;s entrevistados consideraram alto    o impacto provocado pelo treinamento sobre a utiliza&ccedil;&atilde;o de t&eacute;cnicas    produtivas, equipamentos, insumos e componentes. Apenas tr&ecirc;s produtores    consideraram de m&eacute;dio impacto. Um &iacute;ndice de relev&acirc;ncia,    portanto, de 0,95. No campo do conhecimento sobre caracter&iacute;sticas dos    mercados de atua&ccedil;&atilde;o da empresa, sobre o qual quase nada conheciam    antes de come&ccedil;arem a produzir frutas, o &iacute;ndice tamb&eacute;m foi    elevado, 0,83, no qual quatorze produtores consideraram alta relev&acirc;ncia    e oito indicaram m&eacute;dia. </font></p>     <p><font size="3">Os produtores em an&aacute;lise necessitam de    acesso a informa&ccedil;&otilde;es de v&aacute;rias naturezas. Contudo, enfrentam    o problema do isolamento geogr&aacute;fico e de comunica&ccedil;&atilde;o (telefone    e internet), mas apesar disso, eles conseguem obter informa&ccedil;&otilde;es    por fontes variadas, como a assist&ecirc;ncia t&eacute;cnica da prefeitura.    No universo das fontes externas, dois itens receberam a aten&ccedil;&atilde;o    absoluta dos entrevistados: em primeiro lugar, com &iacute;ndice 0,95, outras    empresas do setor e, em segundo lugar, os clientes, recebendo um &iacute;ndice    de 0,71. </font></p>     <p><font size="3">No tocante a fontes ligadas &agrave;s universidades,    institutos de pesquisa e centros de capacita&ccedil;&atilde;o profissional,    de ci&ecirc;ncia, de forma&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica e de manuten&ccedil;&atilde;o,    chama a aten&ccedil;&atilde;o a elevada import&acirc;ncia dada pelos produtores    a essas institui&ccedil;&otilde;es. J&aacute; para as institui&ccedil;&otilde;es    voltadas para a realiza&ccedil;&atilde;o de testes e atividades correlatas,    a import&acirc;ncia foi nula. A prop&oacute;sito dos tr&ecirc;s canais anteriores,    eles obtiveram &iacute;ndice m&aacute;ximo de 1,0. Isto se justifica, porque    as universidades francesa e cearense, as quais realizaram conv&ecirc;nio com    a prefeitura local para apoiar tecnicamente o Pingo D’&aacute;gua, a associa&ccedil;&atilde;o    dos t&eacute;cnicos agr&iacute;colas e a Emater-CE d&atilde;o assist&ecirc;ncia    permanente aos agricultores. N&atilde;o por acaso, a disponibilidade de servi&ccedil;os    t&eacute;cnicos especializados e a exist&ecirc;ncia de programas de apoio foram    apontados pelos produtores como sendo as principais vantagens da localiza&ccedil;&atilde;o    no arranjo.</font></p>     <p><font size="3">No campo das outras fontes de informa&ccedil;&atilde;o,    chama a aten&ccedil;&atilde;o o papel exercido pelas feiras e exposi&ccedil;&otilde;es,    pelos encontros informais e pelas associa&ccedil;&otilde;es empresariais locais.    Esses canais apresentaram tamb&eacute;m &iacute;ndices elevados de relev&acirc;ncia,    0,75, 0,97 e 0,86 respectivamente. Isto se explica pela participa&ccedil;&atilde;o    dos agricultores em feiras anuais na cidade de Fortaleza, no Centro de Conven&ccedil;&otilde;es,    como a Frutal e a Irriga Cear&aacute;, pelos encontros informais familiares,    sociais e religiosos que acontecem regularmente, facilitados pela proximidade    f&iacute;sica, bem como pelos encontros e reuni&otilde;es promovidos pela Associa&ccedil;&atilde;o    dos Moradores de S&atilde;o Bento e pela Associa&ccedil;&atilde;o dos Produtores    do Vale do Forquilha, ou do Pingo D’&aacute;gua.</font></p>     <p><font size="3">Os produtores identificam nos portadores de    treinamento, aprendizagem e informa&ccedil;&atilde;o os verdadeiros parceiros    das suas atividades. A prefeitura local aparece em primeiro plano, como parceira    de primeira hora, alavancando, estimulando, facilitando, apoiando e assistindo    tecnicamente. Em seguida v&ecirc;m as universidades, institutos de pesquisa    e centros de capacita&ccedil;&atilde;o profissional de assist&ecirc;ncia t&eacute;cnica    e de manuten&ccedil;&atilde;o, todos com o grau m&aacute;ximo de import&acirc;ncia.    N&atilde;o menos importante, em grau de relev&acirc;ncia, 0,95, est&atilde;o    as empresas do setor, isto &eacute;, os produtores do pr&oacute;prio arranjo    e de outras localidades visitadas. Abaixo, com um &iacute;ndice de 0,86 v&ecirc;m    as entidades sindicais, mas com opini&otilde;es n&atilde;o consensuais, distribu&iacute;das    entre alta, m&eacute;dia e baixa, devido aos interesses pol&iacute;ticos diferentes.    Por &uacute;ltimo s&atilde;o apontados os clientes, com &iacute;ndice de relev&acirc;ncia    de 0,73, onde se encontra a pr&oacute;pria prefeitura, representada pelo seu    programa de merenda escolar, o Ceasa de Fortaleza e os clientes da pr&oacute;pria    regi&atilde;o. Interessante notar que, as institui&ccedil;&otilde;es financeiras,    no caso o Banco do Nordeste do Brasil - BNB, t&ecirc;m uma import&acirc;ncia    nula para os entrevistados, apesar desse banco participar no arranjo por meio    do Pronaf.</font></p>     <p><font size="3"><b>FORMAS DE COOPERA&Ccedil;&Atilde;O</b> Dentre    as v&aacute;rias formas de coopera&ccedil;&atilde;o (compra de insumos, venda    dos produtos finais, etc.) apresentadas aos entrevistados, em apenas duas delas    foi constatado n&atilde;o haver coopera&ccedil;&atilde;o de alguma natureza,    quais sejam, capacita&ccedil;&atilde;o de recursos humanos e obten&ccedil;&atilde;o    de financiamento. Nesta &uacute;ltima forma, as pr&oacute;prias institui&ccedil;&otilde;es    financeiras criam barreiras burocr&aacute;ticas e institucionais, contribuindo    para que a coopera&ccedil;&atilde;o entre os produtores n&atilde;o se manifeste,    porque os cr&eacute;ditos s&atilde;o concedidos individualmente e n&atilde;o    em grupo. </font></p>     <p><font size="3">O principal elemento respons&aacute;vel pela    presen&ccedil;a da coopera&ccedil;&atilde;o nesse arranjo produtivo est&aacute;    nas freq&uuml;entes intera&ccedil;&otilde;es realizadas entre os produtores,    motivados pela busca de solu&ccedil;&otilde;es para os problemas vitais de sobreviv&ecirc;ncia.    Essas intera&ccedil;&otilde;es resultaram no ac&uacute;mulo de um certo capital    social, formalizado, primeiramente, atrav&eacute;s da cria&ccedil;&atilde;o    da Associa&ccedil;&atilde;o dos Moradores de S&atilde;o Bento, em 1987, e, posteriormente,    na montagem da Associa&ccedil;&atilde;o dos Produtores do Vale do Forquilha,    no ano de 2000. Esta associa&ccedil;&atilde;o foi criada com o objetivo de discutir    e organizar os interesses dos produtores do Pingo D’&aacute;gua, e n&atilde;o    apenas de S&atilde;o Bento, se distanciando assim dos assuntos e temas de cunho    comunit&aacute;rio, que continuaram a ser trabalhados pela associa&ccedil;&atilde;o    dos moradores desse povoado (8). </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">A import&acirc;ncia dessas associa&ccedil;&otilde;es    para a vida dos produtores &eacute; elevada, vista pelos &iacute;ndices de avalia&ccedil;&atilde;o    obtidos nas respostas dos entrevistados. Com &iacute;ndices de relev&acirc;ncia    variando entre 73,9% a 78,3%, os agricultores revelaram que os sindicatos, associa&ccedil;&otilde;es    e atividades cooperadas s&atilde;o importantes (i) na defini&ccedil;&atilde;o    de objetivos comuns para o arranjo produtivo, (ii) no est&iacute;mulo &agrave;    gera&ccedil;&atilde;o de percep&ccedil;&otilde;es de vis&otilde;es de futuro    para a&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica, (iii) na promo&ccedil;&atilde;o    de a&ccedil;&otilde;es cooperativas, (iv) na apresenta&ccedil;&atilde;o de reivindica&ccedil;&otilde;es    comuns, (v) na cria&ccedil;&atilde;o de f&oacute;runs e ambientes para discuss&atilde;o    e (vi) na promo&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&otilde;es dirigidas &agrave; capacita&ccedil;&atilde;o    tecnol&oacute;gica de empresas. </font></p>     <p><font size="3">A forma mais importante de coopera&ccedil;&atilde;o    apontada pelos produtores foi a venda conjunta de produtos, com &iacute;ndice    de relev&acirc;ncia de 0,98, j&aacute; que eles n&atilde;o individualizam as    vendas, mas agregam os produtos finais, encaixotados, e os destinam em conjunto    para os mercados. Isto tem melhorado, e at&eacute; viabilizado as condi&ccedil;&otilde;es    de comercializa&ccedil;&atilde;o. H&aacute; dois produtores, mais empreendedores    e pr&oacute;speros, que se transformaram em transportadores dos produtos a partir    da compra de pequenos caminh&otilde;es. Em segundo lugar v&ecirc;m as reivindica&ccedil;&otilde;es,    com 0,93, ali&aacute;s, o mecanismo mais importante e respons&aacute;vel pelo    surgimento desse arranjo produtivo. A organiza&ccedil;&atilde;o e as reivindica&ccedil;&otilde;es    fazem parte da hist&oacute;ria desses produtores, desde o per&iacute;odo no    qual sofriam com as secas prolongadas. Esses dois elementos conferem um car&aacute;ter    end&oacute;geno e uma for&ccedil;a de baixo para cima, respons&aacute;veis pela    originalidade e singularidade do arranjo. </font></p>     <p><font size="3">Outra forma importante apontada pelos produtores,    com relev&acirc;ncia de 0,90, foi o desenvolvimento de produtos e processos,    pois esses agentes, al&eacute;m de produzirem mudas em conjunto, condicionadas    em estufa, compartilham os resultados dos experimentos no plantio de novos produtos    e novas variedades. Discutem tamb&eacute;m, em conjunto, pr&aacute;ticas de    manejos e t&eacute;cnicas de irriga&ccedil;&atilde;o bem como m&eacute;todos    de monitoramento das planta&ccedil;&otilde;es. Esses h&aacute;bitos t&ecirc;m    contribu&iacute;do para o aperfei&ccedil;oamento dos processos bem como para    a melhoria da qualidade dos produtos, al&eacute;m de uma melhor adequa&ccedil;&atilde;o    dos produtos &agrave;s especificidades do ambiente da regi&atilde;o. A participa&ccedil;&atilde;o    conjunta em feiras, exposi&ccedil;&otilde;es e viagens de reconhecimento &eacute;    apontada como uma das formas importantes de coopera&ccedil;&atilde;o, 0,90 de    relev&acirc;ncia, mas a&iacute; eles t&ecirc;m o suporte, log&iacute;stico e    financeiro, tanto da prefeitura local quanto da Secretaria da Agricultura-Seagri.    Os produtores, nesses eventos, al&eacute;m de ampliarem seus conhecimentos,    abrem novas oportunidades de neg&oacute;cios. Por &uacute;ltimo, a forma de    coopera&ccedil;&atilde;o menos importante, com &iacute;ndice de 0,48, &eacute;    aquela associada &agrave; compra de insumos e equipamentos, que se d&aacute;    de maneira atomizada.</font></p>     <p><font size="3"><b>CONCLUS&Atilde;O</b> Os <b>pontos fortes</b>    do arranjo produtivo Pingo D’&aacute;gua podem ser identificados nos seguintes    aspectos:</font></p> <ul type="square">       <li>         <p><font size="3"> Participa&ccedil;&atilde;o efetiva (i) dos agentes produtivos;        (ii) poder local; (iii) governo estadual; (iv) universidades; (v) organiza&ccedil;&otilde;es        n&atilde;o governamentais; (vi) institui&ccedil;&atilde;o financeira.</font></p>   </li>       <li>         <p><font size="3"> Presen&ccedil;a de capital social, que extrapola, inclusive,        o pr&oacute;prio arranjo produtivo.</font></p>   </li>       <li>         <p><font size="3"> Forte compartilhamento de valores comuns, entre os participantes        do arranjo.</font></p>   </li>       ]]></body>
<body><![CDATA[<li>         <p><font size="3"> Forte intensidade na introdu&ccedil;&atilde;o de inova&ccedil;&otilde;es,        de produtos e de processos. </font></p>   </li>     </ul>     <p><font size="3">J&aacute; do lado dos <b>pontos fracos</b> foram    identificados os seguintes aspectos:</font></p> <ul type="square">       <li>         <p><font size="3"> Limite da oferta de &aacute;gua, barrando a entrada maci&ccedil;a        de produtores ou a expans&atilde;o da &aacute;rea de produ&ccedil;&atilde;o.</font></p>   </li>       <li>         <p><font size="3"> Capital inicial elevado, para o padr&atilde;o de acumula&ccedil;&atilde;o        local, resultando em barreiras de entrada aos novos produtores. Aliado a        isso se somam as dificuldades na obten&ccedil;&atilde;o de empr&eacute;stimos        banc&aacute;rios junto &agrave;s institui&ccedil;&otilde;es financeiras.</font></p>   </li>       <li>         <p><font size="3"> Aus&ecirc;ncia de qualquer sistema de controle sobre a        quantidade produzida e vendida, bem como dos custos de produ&ccedil;&atilde;o.        O c&aacute;lculo econ&ocirc;mico &eacute; desconhecido pelos produtores.        Tudo passa pela pura intui&ccedil;&atilde;o.</font></p>   </li>     ]]></body>
<body><![CDATA[</ul>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><i><b>Jair do Amaral Filho</b> &eacute; doutor em economia,    professor titular em desenvolvimento econ&ocirc;mico do Departamento de Teoria    Econ&ocirc;mica - DTE da FEAAC e professor do Caen da Universidade Federal do    Cear&aacute; - UFC e membro da Redesist. </i></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>NOTAS</b></font></p>     <p><font size="3">1. Arranjo Produtivo Local (APL) &eacute;    entendido aqui como sendo uma aglomera&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica de    produtores ou empresas especializados na produ&ccedil;&atilde;o de algum bem    ou servi&ccedil;o, utilizando-se de uma divis&atilde;o de trabalho e de uma    organiza&ccedil;&atilde;o s&oacute;cio-institucional que permitem a coordena&ccedil;&atilde;o    e a governan&ccedil;a do aglomerado.</font></p>     <p><font size="3">2. O Programa Nacional de Fortalecimento    da Agricultura Familiar (Pronaf), &quot;destina-se ao apoio financeiro das atividades    agropecu&aacute;rias e n&atilde;o-agropecu&aacute;rias exploradas mediante emprego    direto da for&ccedil;a de trabalho do produtor rural e de sua fam&iacute;lia&quot;    (<i>BACEN/<a href="http://www.bcb.gov.br" target="_blank">www.bcb.gov.br</a></i>).    No in&iacute;cio do processo de constitui&ccedil;&atilde;o do arranjo produtivo,    mais de 100 agricultores de sequeiro do Vale Forquilha, desejando passar para    agricultura irrigada, depositaram suas solicita&ccedil;&otilde;es de empr&eacute;stimo    junto ao Banco do Nordeste do Brasil, mas somente 18 deles foram contemplados    pelo Comit&ecirc; de An&aacute;lise. </font></p>     <p><font size="3">3. O parecer t&eacute;cnico dado ao projeto    &eacute; realizado pela Emater-CE.</font></p>     <p><font size="3">4. Quanto mais pr&oacute;ximo de 1,0 maior    &eacute; o grau de relev&acirc;ncia ou import&acirc;ncia.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">5. Esses pre&ccedil;os foram levantados diretamente    com os produtores do arranjo.</font></p>     <p><font size="3">6. N&atilde;o foi poss&iacute;vel obter o    pre&ccedil;o m&eacute;dio da goiaba, por isso o valor da sua produ&ccedil;&atilde;o    n&atilde;o consta dentro da soma da renda bruta.</font></p>     <p><font size="3">7. Hoje, uma outra metal&uacute;rgica, funcionando    no Distrito Industrial de Quixeramobim, tamb&eacute;m fabrica esses equipamentos.</font></p>     <p><font size="3">8. Al&eacute;m da Associa&ccedil;&atilde;o    dos Produtores h&aacute; tamb&eacute;m uma outra associa&ccedil;&atilde;o, esta    para organizar e representar os interesses dos consumidores de &aacute;gua do    Vale do Forquilha, cujo presidente &eacute; tamb&eacute;m produtor dentro do    arranjo produtivo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>BIBLIOGRAFIA CONSULTADA</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">Burte, J. &amp; Schrader, G.O. (1998), <i>Relat&oacute;rio    de Atividades, julho de 1998</i>, Vale do Forquilha, Quixeramobim, Ce.</font><!-- ref --><p><font size="3">Burte, J. &amp; Schrader, G.O. (1999), <i>Relat&oacute;rio    de Atividades, julho de 1999</i>, Vale do Forquilha, Quixeramobim, Ce.</font><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">* O autor agradece a Keuler Hissa Teixeira, pela    realiza&ccedil;&atilde;o da aplica&ccedil;&atilde;o dos question&aacute;rios    junto aos produtores do arranjo produtivo Pingo D’&aacute;gua, e a Lidiane Mateus,    pela leitura do texto e sugest&otilde;es.</FONT></p>      ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Burte]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Schrader]]></surname>
<given-names><![CDATA[G.O.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Relatório de Atividades, julho de 1998, Vale do Forquilha, Quixeramobim, Ce]]></source>
<year>1998</year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Burte]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Schrader]]></surname>
<given-names><![CDATA[G.O.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Relatório de Atividades, julho de 1999, Vale do Forquilha, Quixeramobim, Ce]]></source>
<year>1999</year>
</nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
