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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v58n1/noticias.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">F<SMALL>AVELAS</small></font>    <br>   <img src="/img/revistas/cic/v58n1/linhapt.gif"></p>     <p><font size="4"><b>Fruto e aprofundamento da desigualdade social</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Nas manchetes dos jornais, elas aparecem freq&uuml;entemente    ligadas ao tr&aacute;fico de drogas e &agrave; viol&ecirc;ncia e representam    o contr&aacute;rio de tudo o que se atribui &agrave; cidade moderna: urbanidade,    higiene, &eacute;tica do trabalho, progresso, civilidade. A palavra &quot;faveliza&ccedil;&atilde;o&quot;    j&aacute; se tornou um adjetivo que serve para qualificar os bairros populares    onde crescem a viol&ecirc;ncia e o poder de quadrilhas, e diminui a for&ccedil;a    do Estado. Para o soci&oacute;logo e professor da PUC-RJ, Marcelo Baumann Burgos,    a faveliza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; apenas conseq&uuml;&ecirc;ncia    da desigualdade social mas &eacute; respons&aacute;vel por sua reprodu&ccedil;&atilde;o    e aprofundamento.</font></p>     <p><font size="3">Burgos &eacute; autor do artigo &quot;Cidade, territ&oacute;rios    e cidadania&quot;, publicado no volume 48, n&uacute;mero 1, da revista <i>Dados</i>,    em que analisa a rela&ccedil;&atilde;o entre cidade e favela e as conseq&uuml;&ecirc;ncias    desta para a cidadania e para a participa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica dos    moradores dessas &aacute;reas pobres. &quot;De uma perspectiva sociol&oacute;gica,    a categoria 'favela' n&atilde;o traduz apenas uma determinada forma de aglomerado    habitacional, mais que isso, exprime uma configura&ccedil;&atilde;o ecol&oacute;gica    particular, definida segundo um padr&atilde;o espec&iacute;fico de relacionamento    com a cidade&quot;, afirma ele. No artigo, Burgos rejeita, logo de in&iacute;cio,    a categoria favela, e prop&otilde;e o uso da palavra territ&oacute;rio, mais    neutra – carregando menos estere&oacute;tipos negativos – e mais precisa, j&aacute;    que a cidade aparece como constitu&iacute;da por &quot;territ&oacute;rios atomizados&quot;.</font></p>     <p><font size="3">Esse territ&oacute;rio atomizado, ou seja, separado e diferenciado    dos outros, daria origem a pessoas que v&ecirc;em a pol&iacute;tica e os direitos    de maneira tamb&eacute;m diferenciada. &quot;A cidadania popular est&aacute;    atravessada pelas contradi&ccedil;&otilde;es inscritas no espa&ccedil;o urbano,    que produzem uma subjetividade encapsulada no interior dos muros dos territ&oacute;rios,    forjando um indiv&iacute;duo com poucas refer&ecirc;ncias no direito citadino;    um indiv&iacute;duo que &eacute; fruto de uma sociabilidade amb&iacute;gua,    pois o territ&oacute;rio &eacute;, de um lado, fonte de toda sorte de viol&ecirc;ncia,    que prospera na exata medida em que faltam direitos, e, de outro, uma dimens&atilde;o    que o envolve e protege das for&ccedil;as desumanas do mercado; ao mesmo tempo    em que o priva da cidade, o territ&oacute;rio oferece-lhe alguma forma de acesso    &agrave; comunidade&quot;, analisa o soci&oacute;logo.</font></p>     <p><font size="3">Para realizar seu estudo, Burgos fez uso de dois conceitos-chave:    &quot;cidade escassa&quot; e &quot;controle negociado&quot;. O primeiro refere-se    &agrave; id&eacute;ia de que o Estado n&atilde;o tem conseguido tornar universais    suas regras e valores, o que leva &agrave; fragmenta&ccedil;&atilde;o. O segundo    descreve um modo de integra&ccedil;&atilde;o social clientelista e assistencialista,    e que explica o &quot;assim&eacute;trico sistema de trocas existente entre a    cidade e os territ&oacute;rios&quot;. Esse conceito refletiria, tamb&eacute;m,    o fracasso das associa&ccedil;&otilde;es de moradores das favelas que existem    desde meados do s&eacute;culo passado. Segundo Burgos, n&atilde;o houve emancipa&ccedil;&atilde;o    pol&iacute;tica, mas apenas &quot;uma redefini&ccedil;&atilde;o parcial do padr&atilde;o    de relacionamento com a cidade&quot; e o favelado continuaria integrado &agrave;    cidade em uma condi&ccedil;&atilde;o subalterna.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="3"><b><i>Rafael Evangelista</i></b></font></p>      ]]></body>
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