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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v58n1/prosa.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size=5><b>MACA</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">S&Eacute;RGIO MEDEIROS</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">1.&#9;18. estar&aacute; conclu&iacute;da; em tr&ecirc;s anos;    n&atilde;o bateram ainda as estacas; n&atilde;o todas; um terra&ccedil;o vazio    p&otilde;e panos quentes; na paisagem;  circulam (num plano inferior) &oacute;rg&atilde;os;    pesados... </font></p>     <p><font size="3">2.&#9;17. desde sempre inchado  conforme o acompanhante suba;    um lan&ccedil;o do edif&iacute;cio por construir , o morro eri&ccedil;ado de    antenas;  elas n&atilde;o se retiram; de l&aacute;; seringas que injetam; imagens...    </font></p>     <p><font size="3">3.&#9;16. um galho seco (marca da &uacute;ltima poda); contorcido    como movimento de fuma&ccedil;a  um v&iacute;cio inveterado da &aacute;rvore;    que se chega &agrave; cl&iacute;nica; em obras... </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">4.&#9;15. p&aacute;ssaros se mexem nos galhos como; quistos    num &oacute;rg&atilde;o cheio;  &aacute;rvores &agrave;s vezes infectadas,    outras n&atilde;o... </font></p>     <p><font size="3">5.&#9;14. no quintal ao lado, o varal; um antigo poste; (junto    das folhas do mamoeiro); com fios (de cores variegadas); a locomotiva, sem trilhos,    solta-se, mais embaixo: &eacute; possante motor nu; sem os enfeites dos ve&iacute;culos,    enterrando-se; com as pe&ccedil;as todas no ch&atilde;o... </font></p>     <p><font size="3">6.&#9;13. ao redor, telhados saem para fora; como s&uacute;bitos    cotovelos dobrados; telhados v&atilde;o para dentro; chupados;  uns canos soltos;    j&aacute; sem pr&eacute;stimo... </font></p>     <p><font size="3">7.&#9;12. p&aacute;ssaros ( costuram a &aacute;rvore ); (re)pousam    em galhos &iacute;nfimos (maiores apenas que agulhas de croch&ecirc;); outros    galhos pendem; como fios eri&ccedil;ados sobre a m&aacute;quina imensa; qual    besouro no ninho... </font></p>     <p><font size="3">8.&#9;11. nuvens que mudam de cor; passam + al&eacute;m (deste    lado do mundo); sobre o tra&ccedil;o calmo do morro, incha&ccedil;o; gracioso;     algod&atilde;o; espreme miragens... </font></p>     <p><font size="3">9.&#9;10. equil&iacute;brio; o p&aacute;ssaro pula; sobre o    barulho  e cai; para mudar de galho, o peito amarelo forte; a terra, remexida;    pelo tronco el&eacute;trico com ra&iacute;zes ligadas a tomadas  outros aparelhos    ao redor chacoalham tamb&eacute;m; como galhos quebrados, circuitos desligados;    e religados; podam-se ru&iacute;dos; que rebrotam... </font></p>     <p><font size="3">10.&#9;9. h&aacute; sempre um casco azul claro; (l&aacute;);     o olho; n&atilde;o ro&ccedil;a o morro; como cara ferida; preservada; intacta;    na pele anuviada... </font></p>     <p><font size="3">11.&#9;8. no teto do quarto a l&acirc;mpada (a tampa fechada;    ela solta um vapor luminoso) se suja; como panela de sopa;  ou, ent&atilde;o,    como abscesso; numa gengiva:  lan&ccedil;a tr&ecirc;s garras escuras; ao redor    da cor an&ecirc;mica ; e a sacada alta; de repente se apequena, dente (saliente);    de sorriso poss&iacute;vel... </font></p>     <p><font size="3">12. 7. uma &aacute;rvore recolhe: p&aacute;ssaros; sobretudo;    eles caem; em linhas retas; como no circo;  mas as folhas: redes furadas: s&oacute;    ret&ecirc;m; o sol; algumas asas, externadas; de borboletas desidratadas; depois    vibram de novo; piando (em galhos recolhidos; seus abrigos)... </font></p>     <p><font size="3">13.&#9;6. alto-falantes; em corredores mal desenhados; calam;    a cl&iacute;nica;  num celular; uma mensagem, a mesma: &quot;Aaaaaaaaa... </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">14.&#9;5. ...aAAAAAA! </font></p>     <p><font size="3">15.&#9;4. Aaaaaaaaa... </font></p>     <p><font size="3">16.&#9;3. ...aaA!!&quot;, a voz, a dela; </font></p>     <p><font size="3">17.&#9;2. incansavelmente; </font></p>     <p><font size="3">18.&#9;1. EI-LA aqui; agora; s&oacute; que; do outro lado...</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><FONT SIZE=3>S&eacute;rgio Medeiros &eacute; ensa&iacute;sta, tradutor e poeta,    publicou, entre outros, os livros <i>Mais ou menos do que dois</i> (Iluminuras,    2001) e <i>Alongamento</i> (Ateli&ecirc;, 2004). O poema &quot;Maca&quot; far&aacute;    parte de seu pr&oacute;ximo livro, <i>Multiplica&ccedil;&atilde;o</i>.</FONT></p>      ]]></body>
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