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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v58n2/a02img01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font size=5><b><a name="autor"></a>O &iacute;ndice DNA Brasil</b></font>    <br>   <font size="3"><i><b>Geraldo Biasoto Junior, Geraldo Di Giovanni,     <BR>   Norberto Dachs, Pedro Luiz Barros Silva<a href="#nt">*</a></b></i></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b><font size=5>O</font></b> &Iacute;ndice de Desenvolvimento    Humano (IDH), criado no final da d&eacute;cada de 1980, pretende ser uma medida    geral e sint&eacute;tica do desenvolvimento humano. Sua introdu&ccedil;&atilde;o    a partir do primeiro Relat&oacute;rio de Desenvolvimento Humano, publicado pelo    Programa das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) em 1990,    representou uma mudan&ccedil;a importante na maneira de visualizar o desenvolvimento,    ultrapassando os aspectos exclusivamente econ&ocirc;micos representados pelos    valores do PIB per capita, para incorporar dimens&otilde;es sociais. No caso    do IDH foram inclu&iacute;das, al&eacute;m do PIB per capita, uma dimens&atilde;o    relacionada com a sa&uacute;de, representada pela esperan&ccedil;a de vida ao    nascer, e outra relacionada com a educa&ccedil;&atilde;o, representada no in&iacute;cio    pelo &iacute;ndice de alfabetiza&ccedil;&atilde;o numa dada sociedade e mais    tarde por um &iacute;ndice educacional que combina dados de analfabetismo e    a taxa bruta de matr&iacute;cula em todos os n&iacute;veis educacionais.</font></p>     <p><font size="3">Entretanto, como ocorre com qualquer &iacute;ndice sint&eacute;tico,    em particular o IDH, a capacidade de retratar a situa&ccedil;&atilde;o social    e econ&ocirc;mica de uma sociedade &eacute; limitada, o que n&atilde;o diminui    sua import&acirc;ncia como medida de compara&ccedil;&atilde;o. Essas caracter&iacute;sticas,    no entanto, limitam as possibilidades desse instrumento no que diz respeito    &agrave; discuss&atilde;o mais aprofundada e &agrave; elabora&ccedil;&atilde;o    de propostas que se ap&oacute;iem em perspectivas mais abrangentes.</font></p>     <p><font size="3">Outro problema relacionado ao IDH foi sua forma de utiliza&ccedil;&atilde;o:    transformou-se num mero ranking, divulgado anualmente, com poucas conseq&uuml;&ecirc;ncias    pr&aacute;ticas para o desenvolvimento dos pa&iacute;ses, elabora&ccedil;&atilde;o    e implementa&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas espec&iacute;ficas que se    transformem em interven&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas. Assim sendo, nesse    aspecto, os &iacute;ndices sint&eacute;ticos revelam escassa capacidade operacional.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><b>SURGIMENTO DO DNA</b> Em face desta esp&eacute;cie de "descontentamento"    com o IDH, a partir de 2002 teve in&iacute;cio no N&uacute;cleo de Estudos de    Pol&iacute;ticas P&uacute;blicas (Nepp) da Unicamp uma discuss&atilde;o embrion&aacute;ria    sobre a necessidade de um sistema mais anal&iacute;tico de medidas, j&aacute;    ent&atilde;o chamado de Sistema M&uacute;ltiplo de Indicadores (SMI). Ap&oacute;s    um primeiro contato com o Instituto DNA Brasil, essa discuss&atilde;o foi acelerada    e se optou pela realiza&ccedil;&atilde;o de uma primeira aplica&ccedil;&atilde;o    do SMI, que passou a ser denominada &Iacute;ndice DNA Brasil. Nascia, a partir    da cria&ccedil;&atilde;o deste &iacute;ndice, uma parceria entre o Instituto    DNA Brasil e o Nepp.</font></p>     <p><font size="3">No curso das discuss&otilde;es para a constru&ccedil;&atilde;o    do &iacute;ndice ficou claro que o mesmo deveria ser &uacute;til n&atilde;o    apenas para comparar o grau de desenvolvimento do Brasil com o de outros pa&iacute;ses    mas, principalmente, balizar o est&aacute;gio em que nos encontramos em rela&ccedil;&atilde;o    ao que a sociedade brasileira possa estabelecer como o resultado de um projeto    &eacute;tico-pol&iacute;tico nacional para um horizonte temporal. Assim, o &iacute;ndice,    representado por uma s&iacute;ntese preferivelmente n&atilde;o num&eacute;rica    dos v&aacute;rios indicadores usados em sua constru&ccedil;&atilde;o, pode ter    m&uacute;ltiplas utiliza&ccedil;&otilde;es que devem incluir a formula&ccedil;&atilde;o    e o acompanhamento de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas espec&iacute;ficas, bem    como o seguimento de estrat&eacute;gias gerais de avan&ccedil;o social, e ainda    servir de instrumento para a mobiliza&ccedil;&atilde;o de atores p&uacute;blicos    e privados envolvidos em projetos de desenvolvimento do pa&iacute;s.</font></p>     <p><font size="3">Decidiu-se, ainda, que o &iacute;ndice principal seria constitu&iacute;do    por uma representa&ccedil;&atilde;o gr&aacute;fica conjunta da situa&ccedil;&atilde;o    dos indicadores que o comp&otilde;em, em que os valores em cada "eixo"    representassem o est&aacute;gio em que o indicador se encontra em rela&ccedil;&atilde;o    ao "desejado" ou "projetado" como poss&iacute;vel num horizonte    de tempo, ou ainda, como compara&ccedil;&atilde;o com o valor do indicador em    outro pa&iacute;s. Al&eacute;m disso, deveria ser poss&iacute;vel atribuir "pesos"    diferentes para os indicadores.</font></p>     <p><font size="3">Em discuss&otilde;es com grupos de pesquisadores das &aacute;reas    de economia, ci&ecirc;ncias sociais e demografia foram escolhidas as sete dimens&otilde;es    que deveriam constituir as &aacute;reas cobertas pelo &iacute;ndice. A etapa    seguinte foi, para cada dimens&atilde;o, escolher os indicadores. As escolhas    foram limitadas em alguns casos pela disponibilidade de dados de qualidade e    cobertura nacional. </font></p>     <p><font size="3">Entre os indicadores para medir o bem estar econ&ocirc;mico,    est&atilde;o: renda per capita; rela&ccedil;&atilde;o entre as remunera&ccedil;&otilde;es    m&eacute;dias das mulheres e dos homens; rela&ccedil;&atilde;o entre as remunera&ccedil;&otilde;es    m&eacute;dias de negros e brancos; e taxa de ocupa&ccedil;&atilde;o formal.    Para apurar a competividade econ&ocirc;mica, incluiu-se os seguintes indicadores:    participa&ccedil;&atilde;o do Brasil no mercado externo e dos produtos de m&eacute;dia    e alta intensidade tecnol&oacute;gica na pauta de exporta&ccedil;&otilde;es.    Uma terceira dimens&atilde;o a ser apurada diz respeito &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es    s&oacute;cio-ambientais, medindo: instala&ccedil;&otilde;es adequadas de esgotamento    sanit&aacute;rio; destina&ccedil;&atilde;o adequada do lixo urbano; e tratamento    do esgoto sanit&aacute;rio. Uma quarta dimens&atilde;o, a da educa&ccedil;&atilde;o,    re&uacute;ne os indicadores de taxa de escolariza&ccedil;&atilde;o l&iacute;quida    no ensino m&eacute;dio, medindo a faixa et&aacute;ria matriculada no n&iacute;vel    de ensino adequado e obrigat&oacute;rio &agrave; sua categoria; e concluintes    do ensino m&eacute;dio na idade esperada, al&eacute;m do desempenho no Programa    Internacional para Avalia&ccedil;&atilde;o do Estudante (Pisa).</font></p>     <p><font size="3">Para medir o estado de sa&uacute;de da popula&ccedil;&atilde;o,    os indicadores s&atilde;o: anos potenciais de vida, mortalidade infantil, coeficientes    de mortalidade por acidentes cardiovasculares (ACV´s) e acidentes vasculares    cerebrais (AVC´s). No aspecto de prote&ccedil;&atilde;o social b&aacute;sica,    foram inseridos os indicadores de cobertura previdenci&aacute;ria para maiores    de 65 anos e financiamento da aten&ccedil;&atilde;o &agrave; sa&uacute;de. Para    medir o grau de coes&atilde;o social, criou-se os seguintes indicadores: distribui&ccedil;&atilde;o    de renda interpessoal; morte por homic&iacute;dio em homens, na faixa de 15    a 24 anos de idade; percentual de adolescentes que s&atilde;o m&atilde;es; e    justi&ccedil;a tribut&aacute;ria.</font></p>     <p><font size="3">Para construir um &iacute;ndice s&atilde;o necess&aacute;rios,    al&eacute;m dos valores dos indicadores para o Brasil, valores de compara&ccedil;&atilde;o.    Para isso, foi feito um exerc&iacute;cio com 45 participantes, que representaram    um corte muito especial da sociedade brasileira, com pessoas de destaque em    suas &aacute;reas. </font></p>     <p><font size="3"><b>COMPARA&Ccedil;&Otilde;ES COM A ESPANHA</b> Inicialmente    foi apresentado um &iacute;ndice criado usando os valores dos indicadores no    nosso pa&iacute;s e na Espanha. A Espanha foi escolhida por ser um pa&iacute;s    que, apesar da dimens&atilde;o territorial menor que o Brasil, tem uma popula&ccedil;&atilde;o    de cerca de 40 milh&otilde;es de habitantes, &eacute; um pa&iacute;s membro    da OCDE para o qual existem, portanto, fonte de dados para os indicadores escolhidos,    tem muitas caracter&iacute;sticas culturais semelhantes &agrave;s nossas devido    a suas ra&iacute;zes latinas, al&eacute;m de ter passado por um longo per&iacute;odo    de regime pol&iacute;tico autorit&aacute;rio do qual saiu h&aacute; cerca de    30 anos, e tendo experimentado um processo de enorme progresso econ&ocirc;mico    e social nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas. Com esses elementos foi pedido aos    participantes que apontassem para cada indicador qual era o valor que, na sua    opini&atilde;o, o Brasil deveria aspirar como meta num horizonte de 25 anos.    Esse valor deveria refletir o que seria desej&aacute;vel e tamb&eacute;m poss&iacute;vel    ao pa&iacute;s atingir nesse per&iacute;odo. </font></p>     <p><font size="3">Os valores dos 24 indicadores no Brasil para o per&iacute;odo    de 2002/2003 compuseram uma tabela, com a m&eacute;dia dos valores escolhidos    pelos 45 participantes. As raz&otilde;es foram usadas, ent&atilde;o, para construir    o indicador, na forma de "estrela" (<a href="#grf01">Gr&aacute;fico    1</a>). O resultado &eacute; visualizado numa figura, onde se usam cores diferentes    para cada uma das sete dimens&otilde;es consideradas.</font></p>     <p><a name="grf01"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p ALIGN="center"><img src="/img/revistas/cic/v58n2/a02grf01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Os participantes, demonstrando quanto o reducionismo est&aacute;    enraizado em nossa forma de pensar, pediram que o resultado fosse tamb&eacute;m    apresentado na forma de um &uacute;nico "n&uacute;mero". Com esse    objetivo foi calculada a m&eacute;dia das 24 raz&otilde;es, obtendo-se o valor    0,476 que tamb&eacute;m pode ser apresentado na forma de porcentagem, ou seja,    47,6%. </font></p>     <p><font size="3">O &Iacute;ndice DNA-Brasil &eacute; uma tentativa de evitar    o reducionismo contido nos &iacute;ndices sint&eacute;ticos, e, ao mesmo tempo,    servir de direcionamento para esfor&ccedil;os de desenvolvimento e ser um (entre    outros) par&acirc;metro para a elabora&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas    p&uacute;blicas.</font></p>     <p><font size="3">O acesso &agrave;s informa&ccedil;&otilde;es completas e gr&aacute;ficos    pode ser obtido no endere&ccedil;o: <a href="http://www.nepp.unicamp.br" target="_blank"><i>www.nepp.unicamp.br</i></a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><a name="nt"></a><a href="#autor">*</a> Os autores s&atilde;o    pesquisadores do Nepp-Unicamp</font></p>      ]]></body>
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