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</front><body><![CDATA[ <p ALIGN="center"><img src="/img/revistas/cic/v58n2/a03img01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p ALIGN="center"><img src="/img/revistas/cic/v58n2/a07fig01.jpg">    <br>   <img src="/img/revistas/cic/v58n2/a07fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">ECOLOGIA    <br>   <img src="/img/revistas/cic/v58n2/a03img02.gif"> </font></p>     <p><font size="4"><b>H&aacute; mais aves nos grandes centros urbanos hoje? </b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Bebedouros com &aacute;gua e a&ccedil;&uacute;car, potes com    frutas e sementes, casinhas para ninho. Estrat&eacute;gias para atrair passarinhos    fazem parte do dia-a-dia de muitos habitantes de grandes cidades. Em anos recentes,    apreciadores de aves t&ecirc;m notado um aumento em n&uacute;mero e diversidade    de aves urbanas. Mas ser&aacute; que esse aumento reflete a realidade?</font></p>     <p><font size="3">A impress&atilde;o, ainda n&atilde;o confirmada por estudos    cient&iacute;ficos, vem tanto de leigos como de especialistas. "L&aacute;    em casa h&aacute; um n&uacute;mero surpreendente de p&aacute;ssaros no quintal.    Sempre achei que estivesse relacionado &agrave; presen&ccedil;a da jabuticabeira    que anda muito produtiva", diz a urbanista Regina Meyer, da Universidade    de S&atilde;o Paulo (USP). Pedro Develey, ornit&oacute;logo (especialista em    aves) e autor do guia de campo <i>Aves da Grande S&atilde;o Paulo</i> (2004),    concorda que h&aacute; uma impress&atilde;o geral de que houve um aumento das    aves na cidade mas acredita ser dif&iacute;cil avaliar a realidade, j&aacute;    que n&atilde;o existiu um monitoramento anterior: "Os principais trabalhos    sobre aves urbanas come&ccedil;aram mais recentemente, cerca de 15 anos atr&aacute;s",    diz. Na sua opini&atilde;o, o que mudou foi percep&ccedil;&atilde;o das pessoas.    "A constante presen&ccedil;a de not&iacute;cias na m&iacute;dia em geral    teve uma grande contribui&ccedil;&atilde;o nessa maior valoriza&ccedil;&atilde;o    e percep&ccedil;&atilde;o das pessoas em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s aves",    sugere. O bom &iacute;ndice de vendas de seu guia de campo, cerca de 4,5 mil    exemplares desde o lan&ccedil;amento em 2004, ilustra o interesse do p&uacute;blico    em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s aves.</font></p>     <p><font size="3"> A impress&atilde;o de aumento populacional &eacute; confirmada    por Elizabeth H&ouml;fling, ornit&oacute;loga do Instituto de Bioci&ecirc;ncias    da USP e autora do livro <i>Aves no campus</i>, que re&uacute;ne informa&ccedil;&otilde;es    sobre as aves presentes no campus da USP. Elizabeth conta que a primeira edi&ccedil;&atilde;o,    de 1993, lista 130 esp&eacute;cies de aves. Na terceira, de 1999, o n&uacute;mero    cresceu para 146 esp&eacute;cies. A quarta edi&ccedil;&atilde;o est&aacute;    sendo finalizada pela autora, e contar&aacute; com 156 aves diferentes. Segundo    a pesquisadora, agora se v&ecirc; a pomba-de-bando (<i>Zenaida auriculata</i>)    que antes n&atilde;o era vista, e o papagaio-verdadeiro (<i>Amazona aestiva</i>)    era mais raro do que agora. Por&eacute;m, ela avisa que as diferen&ccedil;as    entre os levantamentos sucessivos n&atilde;o refletem somente um aumento real    no n&uacute;mero de esp&eacute;cies, pois quanto mais longo o tempo de observa&ccedil;&atilde;o,    mais se descobre sobre um ambiente. A ornit&oacute;loga, por&eacute;m, acredita    que houve de fato um aumento no tamanho das popula&ccedil;&otilde;es nas cidades,    embora falte um trabalho de censo.</font></p>     <p><font size="3"><b>CIDADES MAIS HOSPITALEIRAS?</b> Qual seria a causa de um    aumento na popula&ccedil;&atilde;o de aves das cidades? Elizabeth acredita que    o elemento mais decisivo &eacute; o "fim do estilingue". Ela conta    que durante a sua inf&acirc;ncia era comum crian&ccedil;as capturarem aves.    Hoje em dia, a ornit&oacute;loga acredita que houve uma mudan&ccedil;a cultural,    que se deve em grande parte &agrave; veicula&ccedil;&atilde;o de campanhas de    prote&ccedil;&atilde;o aos animais atrav&eacute;s dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="3">H&aacute; quem diga que a redu&ccedil;&atilde;o das &aacute;reas    de floresta ao redor das cidades for&ccedil;ou as aves a mudarem-se para as    &aacute;reas urbanas, mas de acordo com especialista n&atilde;o &eacute; isto    que ocorre. "As aves que se v&ecirc; nas cidades s&atilde;o principalmente    aquelas de &aacute;reas abertas", diz. Develey concorda, mas acredita que    as aves que vivem em &aacute;reas verdes ao redor de &aacute;reas urbanas podem    aventurar-se pela cidade, mesmo que ocasionalmente. "Elas n&atilde;o se    estabelecem, voltam para as &aacute;reas de mata nos entornos para se reproduzir",    explica. </font></p>     <p><font size="3">Por outro lado, o aumento de &aacute;reas verdes dentro das    cidades poderia causar um aumento na popula&ccedil;&atilde;o de aves. Mas &aacute;reas    verdes n&atilde;o bastam. Elizabeth H&ouml;fling adverte que isso s&oacute;    ocorre se for instaurada a cadeia alimentar completa. Por exemplo, &aacute;rvores    floridas atraem insetos que s&atilde;o essenciais para certas aves. A urbanista    Regina Meyer diz que hoje em dia h&aacute; mais &aacute;reas verdes associadas    a certos tipos de habita&ccedil;&atilde;o. "H&aacute; uma quantidade muito    grande de condom&iacute;nios fechados em S&atilde;o Paulo", diz. Esses    condom&iacute;nios incluem &aacute;reas verdes, que embora de baixa qualidade    em termos paisag&iacute;sticos, segundo Meyer, talvez re&uacute;nam os atributos    necess&aacute;rios &agrave;s aves. O ornit&oacute;logo Develey acredita que    um bairro bem arborizado proporciona mais abrigo e alimenta&ccedil;&atilde;o    do que &aacute;reas de pasto, por exemplo.</font></p>     <p><font size="3"><b>O FUTURO DA CONSERVA&Ccedil;&Atilde;O</b> Apesar de uma conscientiza&ccedil;&atilde;o    ecol&oacute;gica mais presente nos meios de comunica&ccedil;&atilde;o, o mundo    est&aacute; cada vez mais carente em &aacute;reas verdes. &Eacute; preciso que    haja um movimento generalizado na dire&ccedil;&atilde;o de se instituir mais    parques, arborizar as cidades de forma a possibilitar a sobreviv&ecirc;ncia    de uma maior diversidade de organismos. Uma nova disciplina para tratar do embate    entre humanos e os demais seres vivos foi proposta por Michael Rosenzweig, da    Universidade do Arizona (EUA), a "ecologia da reconcilia&ccedil;&atilde;o".    Em seu pol&ecirc;mico livro <i>Win-win ecology</i> (Oxford USA Trade, 2003),    Rosenzweig argumenta que o conservacionismo tradicional j&aacute; n&atilde;o    &eacute; suficiente, visto que humanos ocuparam boa parte da Terra — e n&atilde;o    pretendem desocup&aacute;-la. &Eacute; preciso, ent&atilde;o, encontrar estrat&eacute;gias    para permitir que as exig&ecirc;ncias da vida humana sejam compat&iacute;veis    com as necessidades ecol&oacute;gicas de outras esp&eacute;cies. Como? A resposta    varia conforme caracter&iacute;sticas locais. O ec&oacute;logo Marco Pizo, da    Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), sugere utilizar o conhecimento    existente para planejar &aacute;reas de lazer. "Nas grandes cidades, al&eacute;m    de aumentarmos as &aacute;reas verdes, poder&iacute;amos, por exemplo, usar    plantas que fornecem recursos alimentares para as aves e prover locais de nidifica&ccedil;&atilde;o    para elas", prop&otilde;e. Por enquanto, na falta de estrat&eacute;gias    mais abrangentes, o jeito &eacute; continuar com nossas pequenas contribui&ccedil;&otilde;es    &agrave; vida das aves</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="3"> <i><b>Maria Guimar&atilde;es</b></i></font></p>      ]]></body>
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