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</front><body><![CDATA[ <p ALIGN="center"><img src="/img/revistas/cic/v58n2/a08img01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">BIOLOGIA    <br>   <img src="/img/revistas/cic/v58n2/a03img02.gif"> </font></p>     <p><font size="4"><b>Balan&ccedil;o entre for&ccedil;a e beleza na cauda do pav&atilde;o    </b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Por mais bela que seja, a cauda do pav&atilde;o azul n&atilde;o    &eacute; a &uacute;nica caracter&iacute;stica que as f&ecirc;meas da esp&eacute;cie    consideram ao escolherem seus parceiros sexuais. O que importa para elas &eacute;,    aparentemente, o n&uacute;mero e a densidade de ocelos (pequenos olhos) contidos    na cauda, mais do que o tamanho desta em si, o que estudos cl&aacute;ssicos    sobre o tema j&aacute; tinham revelado. Mas n&atilde;o basta que um macho tenha    uma cauda densa em ocelos: &eacute; preciso que ele seja capaz de exibi-los.    O comportamento dos pretendentes tamb&eacute;m conta. E muito. </FONT></p>     <p><font size="3">Essa &eacute; a conclus&atilde;o do estudo realizado por Adeline    Loyau e outros dois pesquisadores do Laborat&oacute;rio de Parasitologia Evolutiva    da Universidade Marie Curie, em Paris, Fran&ccedil;a, publicado recentemente    na revista <i>Ethology</i>, especializada em comportamento animal, confirmando    o que Darwin disse sobre a sele&ccedil;&atilde;o sexual. </FONT></p>     <p><font size="3">Isso n&atilde;o quer dizer que o comprimento da cauda n&atilde;o    importe. Afinal, quanto maior a cauda, mais dominante tende a ser o macho, isto    &eacute;, maior probabilidade ele tem de vencer a competi&ccedil;&atilde;o com    outros por territ&oacute;rio ou por f&ecirc;meas. Os que nascem mais fortes    t&ecirc;m uma vantagem de sa&iacute;da, mas a heran&ccedil;a gen&eacute;tica    n&atilde;o sela totalmente sua sorte reprodutiva. Segundo Adeline, nem o ambiente    nem os genes podem, isoladamente, explicar a domin&acirc;ncia dos machos. "Se,    por um lado, os melhores machos fornecem bons genes para sua prole, por outro    esses bons genes para a domin&acirc;ncia s&oacute; podem se expressar num contexto    de competi&ccedil;&atilde;o, por territ&oacute;rio ou f&ecirc;meas", pondera    a pesquisadora. </FONT></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v58n2/a09fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Outra caracter&iacute;stica examinada pelos cientistas foi o    tamanho das esporas nas pernas dos machos. No fais&atilde;o <i>Phasianus colchicus</i>,    uma esp&eacute;cie evolutivamente pr&oacute;xima do pav&atilde;o, o comprimento    delas &eacute; determinante na domin&acirc;ncia e, portanto, no sucesso reprodutivo    dos machos. "No entanto, observamos que indiv&iacute;duos que apresentaram    esporas curtas podem ser tanto indiv&iacute;duos de baixa qualidade, incapazes    de fazer crescer esporas longas, quanto indiv&iacute;duos de alta qualidade    que usaram t&atilde;o freq&uuml;entemente as suas que elas ficaram mais curtas",    explica Adeline.</FONT></p>     <p><font size="3"><b>TESTOSTERONA</b> A influ&ecirc;ncia do ambiente, na verdade,    come&ccedil;a no est&aacute;gio de embri&atilde;o. Adeline conta que um artigo    publicado, em 1993, por Schwabl, na <i>Proceedings of Natural Academy of Sciences</i>    (PNAS, Estados Unidos), mostrou que as m&atilde;es podem influenciar a futura    posi&ccedil;&atilde;o social de seus filhotes por meio da quantidade de testosterona    que transferem para a gema do ovo. </font></p>     <p><font size="3">"Interessantemente, num experimento recente que realizamos    com os pav&otilde;es, e que ainda n&atilde;o publicamos, vimos que as f&ecirc;meas    que cruzaram com os machos mais atraentes — ou seja, com maior densidade de    ocelos na cauda — investem mais testosterona nos ovos. Esse poderia constituir    um mecanismo adicional aumentando as diferen&ccedil;as gen&eacute;ticas das    aves", especula. </font></p>     <p><font size="3">Desde as observa&ccedil;&otilde;es feitas por Darwin, a cauda    do pav&atilde;o &eacute; citada como um exemplo de caracter&iacute;stica exagerada    que &eacute; favorecida para a sele&ccedil;&atilde;o sexual. "Darwin j&aacute;    tinha apontado a diversidade de caracter&iacute;sticas sexuais secund&aacute;rias    exibidas por machos durante a esta&ccedil;&atilde;o de acasalamento; entretanto,    a complexidade do investimento individual na reprodu&ccedil;&atilde;o e os <i>trade-offs</i>    (balan&ccedil;os) subjacentes come&ccedil;aram a aparecer recentemente",    diz Adeline. </font></p>     <p><font size="3">&Eacute; preciso considerar que a sele&ccedil;&atilde;o sexual    se divide em duas componentes, a competi&ccedil;&atilde;o entre os machos da    mesma esp&eacute;cie e a escolha dos parceiros sexuais pelas f&ecirc;meas. Esses    dois tipos de sele&ccedil;&atilde;o, intra-sexual e intersexual, n&atilde;o    necessariamente caminham na mesma dire&ccedil;&atilde;o. </font></p>     <p><font size="3">Em algumas esp&eacute;cies, a escolha de parceiros pela f&ecirc;mea    &eacute; constrangida pela competi&ccedil;&atilde;o macho x macho, e as f&ecirc;meas    acasalam com machos dominantes na hierarquia. Nessas esp&eacute;cies, a sele&ccedil;&atilde;o    intra-sexual e a intersexual agiriam em sinergia. "No entanto, no pav&atilde;o,    os mecanismos atuam em sentidos distintos. O estabelecimento de territ&oacute;rios    ocorre antes da escolha da f&ecirc;mea. Mais que isso, contrariamente &agrave;s    esp&eacute;cies mon&oacute;gamas, nas que estabelecem territ&oacute;rios para    exibi&ccedil;&atilde;o no acasalamento os machos n&atilde;o participam do cuidado    parental, e as f&ecirc;meas n&atilde;o usam o territ&oacute;rio dos machos para    estabelecer seus ninhos ou criar seus filhotes. Isso deve favorecer a diversifica&ccedil;&atilde;o    das caracter&iacute;sticas", afirma Adeline.</font></p>     <p><font size="3"><b>DESAFIO IMUNOL&Oacute;GICO</b> Mas o que faz um laborat&oacute;rio    de parasitologia estudar caracter&iacute;sticas sexuais secund&aacute;rias de    uma ave? De acordo com Adeline, sua equipe investiga a evolu&ccedil;&atilde;o    das intera&ccedil;&otilde;es parasita x hospedeiro. "Uma vez que h&aacute;    <i>trade-offs</i> entre o investimento do hospedeiro na resposta imunol&oacute;gica    e o investimento em reprodu&ccedil;&atilde;o (desenvolvimento das caracter&iacute;sticas    sexuais), nosso objetivo &eacute; estudar como os pav&otilde;es de diferentes    qualidades s&atilde;o capazes de lidar com um desafio imunol&oacute;gico",    explica Adeline. "O primeiro passo era, portanto, pesquisar as caracter&iacute;sticas    sob sele&ccedil;&atilde;o sexual para identificar quais os machos de melhor    qualidade".</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p ALIGN="RIGHT"><font size="3"><b><i>Fl&aacute;via Nat&eacute;rcia</i></b></FONT></p>      ]]></body>
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