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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Aspectos epistemológicos e perspectivas científicas da terminologia]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <P ALIGN="CENTER"><img src="/img/revistas/cic/v58n2/a11img01.gif"></P>     <P ALIGN="CENTER">&nbsp;</P>     <P ALIGN="CENTER"><FONT SIZE="5"><b>APRESENTA&Ccedil;&Atilde;O</b></font></P>     <P align="center"><font size=5><b>ASPECTOS EPISTEMOL&Oacute;GICOS E PERSPECTIVAS    CIENT&Iacute;FICAS DA TERMINOLOGIA</b></font></P>     <P ALIGN="CENTER"><font size="3"><b>L&iacute;dia Almeida Barros</b></font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size=5><b>A</b></font> <font size="3">ci&ecirc;ncia avan&ccedil;a e    a divulga&ccedil;&atilde;o de suas pesquisas produz uma documenta&ccedil;&atilde;o    variada, em diferentes l&iacute;nguas. A transmiss&atilde;o do saber faz-se    por meio de textos que possuem caracter&iacute;sticas peculiares, em n&iacute;vel    semi&oacute;tico, pragm&aacute;tico, sint&aacute;tico, sem&acirc;ntico e, sobretudo,    lexical, uma vez que &eacute; principalmente por meio de uma terminologia pr&oacute;pria    que esse tipo de texto veicula os conhecimentos especializados.</font></P>     <P><font size="3">A terminologia, enquanto estudo do vocabul&aacute;rio das &aacute;reas    t&eacute;cnicas e cient&iacute;ficas, desempenha um papel fundamental nesse    processo. Suas pesquisas t&ecirc;m-se desenvolvido de modo intenso nas &uacute;ltimas    d&eacute;cadas; suas bases te&oacute;ricas t&ecirc;m sido revistas e novos modelos    propostos; diferentes campos de atua&ccedil;&atilde;o t&ecirc;m-se aberto, apresentando-se    novos desafios.</font></P>     <P><font size="3">Este artigo tem como objetivo fornecer elementos b&aacute;sicos    ao conhecimento da terminologia enquanto estudo te&oacute;rico e atividade pr&aacute;tica.    Nesse sentido, abordaremos, nos pr&oacute;ximos itens, quest&otilde;es relativas    a sua identidade cient&iacute;fica, &agrave;s principais contribui&ccedil;&otilde;es    de seu trabalho ao desenvolvimento de outros campos do saber e &agrave; perspectiva    de expans&atilde;o de sua &aacute;rea de atua&ccedil;&atilde;o.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="3"><b>IDENTIDADE CIENT&Iacute;FICA</b> A afirma&ccedil;&atilde;o    da terminologia como disciplina cient&iacute;fica que estuda os termos das &aacute;reas    de especialidade deu-se, no Ocidente, por meio dos trabalhos de Eugen W&uuml;ster    (1898-1977), engenheiro austr&iacute;aco que, nos anos 1930, estabeleceu as    bases da futura Teoria Geral da Terminologia (TGT). </font></P>     <P><font size="3">Para a TGT, o termo, enquanto signo ling&uuml;&iacute;stico,    n&atilde;o se comp&otilde;e de conte&uacute;do e de express&atilde;o indissociavelmente    ligados. Para essa corrente te&oacute;rica, o conceito precede a express&atilde;o    e essas duas facetas s&atilde;o independentes uma da outra. Devido &agrave;    t&ocirc;nica normalizadora dessa linha te&oacute;rica, o conceito deve ser estabelecido    de antem&atilde;o e, s&oacute; ent&atilde;o, deve-se procurar a express&atilde;o    ling&uuml;&iacute;stica que mais adequadamente designe o conte&uacute;do terminol&oacute;gico    em quest&atilde;o. </font></P>     <P><font size="3">O conceito &eacute; considerado pela TGT como um conjunto de    tra&ccedil;os caracter&iacute;sticos relevantes de um objeto e &eacute; compreendido    como algo universal e imut&aacute;vel.</font></P>     <P><font size="3">Os estudos de natureza descritiva que se efetuaram ao longo    dos cerca de 60 anos que se seguiram &agrave; defesa da tese de doutorado de    W&uuml;ster, considerada como o documento fundador da terminologia, depararam-se    com as limita&ccedil;&otilde;es dos pressupostos te&oacute;ricos da TGT. Esses    estudos, de car&aacute;ter ling&uuml;&iacute;stico, constataram que o modelo    w&uuml;steriano n&atilde;o &eacute; capaz de atender &agrave;s necessidades    de an&aacute;lise da unidade terminol&oacute;gica enquanto signo ling&uuml;&iacute;stico    composto, indissociavelmente, de conte&uacute;do e de express&atilde;o; menos    ainda &eacute; adequado &agrave; an&aacute;lise das terminologias em uma rela&ccedil;&atilde;o    din&acirc;mica com outros elementos do texto e da comunica&ccedil;&atilde;o    especializada. </font></P>     <P><font size="3">Nova linha de racioc&iacute;nio surgiu, ent&atilde;o, e o conceito    passou a ser dimensionado em uma perspectiva do significado, unidade de pensamento    maior que congrega tamb&eacute;m elementos pragm&aacute;ticos. O signo terminol&oacute;gico    passou a ser tratado de acordo com a concep&ccedil;&atilde;o saussureana de    unidade entre o significante e o significado. </font></P>     <P><font size="3">Passou-se a estudar a unidade terminol&oacute;gica tamb&eacute;m    do ponto de vista socioling&uuml;&iacute;stico, o que proporcionou o surgimento    da socioterminologia. De acordo com essa disciplina cient&iacute;fica, as variantes    lexicais e conceptuais devem constituir objeto de estudo da terminologia e devem    ser analisadas em contexto.</font></P>     <P><font size="3">Reflex&otilde;es sobre a varia&ccedil;&atilde;o lexical e a    identidade cient&iacute;fica da socioterminologia s&atilde;o feitas, no &acirc;mbito    deste N&uacute;cleo Tem&aacute;tico, no artigo de Enilde Faulstisch, intitulado    <i>A socioterminologia na comunica&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica e t&eacute;cnica</i>.    Nele a autora ressalta que a socioterminologia "&eacute; um ramo da terminologia    que se prop&otilde;e a refinar o conhecimento dos discursos especializados,    cient&iacute;ficos e t&eacute;cnicos, a auxiliar na planifica&ccedil;&atilde;o    ling&uuml;&iacute;stica e a oferecer recursos sobre as circunst&acirc;ncias    da elabora&ccedil;&atilde;o desses discursos ao explorar as liga&ccedil;&otilde;es    entre a terminologia e a sociedade". </font></P>     <P><font size="3">Quest&otilde;es relacionadas ao planejamento ling&uuml;&iacute;stico    e &agrave; normaliza&ccedil;&atilde;o terminol&oacute;gica tamb&eacute;m s&atilde;o    abordadas nesse trabalho.</font></P>     <P><font size="3">Durante as d&eacute;cadas de 1980 e 1990, predominaram, em terminologia,    pesquisas de car&aacute;ter descritivo e, conseq&uuml;entemente, o modelo da    TGT sofreu fortes cr&iacute;ticas, que conduziram a uma nova proposta te&oacute;rica:    a <i>Teoria Comunicativa da Terminologia</i> (TCT), sistematizada por Maria    Teresa Cabr&eacute;, em 1999 (1).</font></P>     <P><font size="3">De acordo com os pressupostos da TCT, o termo &eacute; uma entidade    poli&eacute;drica, ou seja, uma unidade ling&uuml;&iacute;stica (no sentido    que lhe deu Ferdinand de Saussure), &eacute; uma unidade de comunica&ccedil;&atilde;o    e uma unidade cognitiva. Cabr&eacute; formula a <i>Teoria das portas</i>, segundo    a qual os termos podem ser vistos de diferentes &acirc;ngulos e analisados segundo    os modelos das ci&ecirc;ncias ling&uuml;&iacute;sticas, cognitivas e da comunica&ccedil;&atilde;o    que se considerarem adequados &agrave; pesquisa em pauta. </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="3">Em uma perspectiva congitivista, surge uma nova concep&ccedil;&atilde;o    de termo. Rita Temmerman, em 2000 (2), rejeita a id&eacute;ia de conceito e    de significado e prop&otilde;e que se fale em unidade de compreens&atilde;o    ou de entendimento (<i>unit of understanding</i>). Nessa linha, a delimita&ccedil;&atilde;o    do conte&uacute;do toma como base o texto no qual o termo est&aacute; inserido.    Desse modo, o conceito n&atilde;o &eacute; universal nem imut&aacute;vel, mas    a express&atilde;o de um conjunto de elementos de natureza ling&uuml;&iacute;stica    que se consubstanciam em um texto que possui n&atilde;o apenas uma dimens&atilde;o    ling&uuml;&iacute;stica, mas tamb&eacute;m pragm&aacute;tica, discursiva e comunicativa.</font></P>     <P><font size="3">Diante dessa nova concep&ccedil;&atilde;o de termo, as investiga&ccedil;&otilde;es    cient&iacute;ficas desenvolvidas pela ling&uuml;&iacute;stica textual sobre    o texto de especialidade ganham relev&acirc;ncia e seus achados s&atilde;o preciosos    para a terminologia. Considerando a atualidade e a import&acirc;ncia da colabora&ccedil;&atilde;o    entre terminologia e ling&uuml;&iacute;stica textual, retomaremos essa quest&atilde;o    mais adiante neste artigo.</font></P>     <P><font size="3"><b>CI&Ecirc;NCIAS DO L&Eacute;XICO: COOPERA&Ccedil;&Atilde;O    E FRONTEIRAS</b> Terminologia, lexicologia e lexicografia t&ecirc;m como objeto    de estudo a "palavra". Embora trabalhem com a mesma "mat&eacute;ria-prima",    cada uma a recorta diferentemente, possui modelos te&oacute;ricos e m&eacute;todos    de an&aacute;lise espec&iacute;ficos, al&eacute;m de uma metalinguagem particular,    o que garante a cada uma dessas ci&ecirc;ncias ou disciplinas uma identidade    cient&iacute;fica pr&oacute;pria.</font></P>     <P><font size="3">Ao proceder a estudos sobre a din&acirc;mica de produ&ccedil;&atilde;o    lexical e sobre os processos de forma&ccedil;&atilde;o dos termos nos dom&iacute;nios    de especialidade, entre outros aspectos, a terminologia se aproxima da lexicologia.    Os resultados de suas pesquisas contribuem para maior conhecimento do perfil    e do funcionamento do universo lexical de uma l&iacute;ngua. </font></P>     <P><font size="3">Em seu artigo, <i>A renova&ccedil;&atilde;o lexical nos dom&iacute;nios    de especialidade</i>, publicado neste NT, Ieda Maria Alves, lexic&oacute;loga    e termin&oacute;loga, aborda a rela&ccedil;&atilde;o entre evolu&ccedil;&atilde;o    cient&iacute;fica, t&eacute;cnica, social e terminol&oacute;gica. Sobre essa    quest&atilde;o, a autora afirma que "o desenvolvimento das ci&ecirc;ncias    e das t&eacute;cnicas, que se processa de maneira crescente, gera, conseq&uuml;entemente,    um n&uacute;mero igualmente crescente de novos termos, necess&aacute;rios para    denominar os novos inventos, as novas tecnologias". Assim, desenvolvimento    cient&iacute;fico e produ&ccedil;&atilde;o terminol&oacute;gica caminham juntos    em uma sociedade.</font></P>     <P><font size="3">Tem-se destacado, dentre as atividades da terminologia, a elabora&ccedil;&atilde;o    de dicion&aacute;rios t&eacute;cnicos e cient&iacute;ficos. O termo <i>terminografia</i>    foi cunhado para designar o ramo da terminologia que elabora esse tipo de obra.    Surgiu do paralelismo com lexicografia, ci&ecirc;ncia mais antiga respons&aacute;vel    pela produ&ccedil;&atilde;o de dicion&aacute;rios, sobretudo de l&iacute;ngua    geral. </font></P>     <P><font size="3">A lexicografia produz ainda os chamados dicion&aacute;rios especiais,    ou seja, dicion&aacute;rios de l&iacute;ngua que registram apenas um tipo de    unidade lexical ou fraseol&oacute;gica, como, por exemplo, os dicion&aacute;rios    de express&otilde;es idiom&aacute;ticas, de prov&eacute;rbios, de ditados, de    g&iacute;rias, de sin&ocirc;nimos, de ant&ocirc;nimos e outros. </font></P>     <P><font size="3">Com o acelerado desenvolvimento das ci&ecirc;ncias e das t&eacute;cnicas,    as terminologias das &aacute;reas de especialidade ocupam cada vez mais terreno    na comunica&ccedil;&atilde;o, passam a integrar o universo l&eacute;xico das    l&iacute;nguas e, por conseguinte, "reivindicam" maior espa&ccedil;o    nos dicion&aacute;rios de l&iacute;ngua geral. </font></P>     <P><font size="3">A rela&ccedil;&atilde;o entre as terminologias e as obras lexicogr&aacute;ficas    &eacute; analisada por Maria Tereza Camargo Biderman, ling&uuml;ista e lexic&oacute;grafa,    em seu artigo <i>O conhecimento, a terminologia e o dicion&aacute;rio</i>. Nele,    a autora aborda a dificuldade de registrar todas as unidades terminol&oacute;gicas    das &aacute;reas de especialidade nos dicion&aacute;rios de l&iacute;ngua geral,    como podemos verificar em suas palavras: </font></P>     <P><font size="3">"(...) dado o n&uacute;mero gigantesco de termos t&eacute;cnicos    e cient&iacute;ficos, e considerando-se o escasso emprego de muitos deles, o    dicionarista ter&aacute; uma tarefa complexa na sele&ccedil;&atilde;o das unidades    que integrar&atilde;o a nomenclatura do dicion&aacute;rio geral."</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="3">&Eacute;, portanto, evidente a impossibilidade de um dicion&aacute;rio    de l&iacute;ngua geral contemplar todo o universo de termos das &aacute;reas    de especialidade de uma l&iacute;ngua. </font></P>     <P><font size="3">Normalmente, os dicion&aacute;rios atendem &agrave; seguinte    necessidade: algu&eacute;m que tenha tido contato com uma palavra, mas que n&atilde;o    conhe&ccedil;a seu significado, recorre &agrave; obra lexicogr&aacute;fica para    elucidar o conceito ignorado. O percurso seguido nesse processo &eacute; o semasiol&oacute;gico    (da palavra ao significado), por&eacute;m esse n&atilde;o &eacute;, em muitos    casos, eficaz na busca dos dados. De fato, por vezes o consulente encontra-se    de posse de alguns elementos de significa&ccedil;&atilde;o, mas desconhece a    palavra que expressa esse conte&uacute;do e deseja encontr&aacute;-la. Nesse    sentido, outro tipo de obra lexicogr&aacute;fica atende melhor &agrave;s necessidades    dos usu&aacute;rios: os dicion&aacute;rios onomasiol&oacute;gicos. </font></P>     <P><font size="3">O conceito de <i>onomasiologia</i>, o processo que a caracteriza    e os principais tipos de repert&oacute;rios com car&aacute;ter onomasiol&oacute;gico    s&atilde;o analisados no artigo de Maurizio Babini, termin&oacute;logo e pesquisador    de ling&uuml;&iacute;stica computacional, intitulado <i>Do conceito &agrave;    palavra: os dicion&aacute;rios onomasiol&oacute;gicos</i>, que comp&otilde;e    o conjunto de artigos deste NT. Segundo esse autor, "todos os repert&oacute;rios    lexicogr&aacute;ficos e terminogr&aacute;ficos podem fornecer a defini&ccedil;&atilde;o    e o significado de uma palavra ou de um termo, mas como encontrar essa palavra    ou esse termo se n&atilde;o os conhecemos? Como chegar &agrave; express&atilde;o    se temos somente seu conceito ou parte deste? Os dicion&aacute;rios onomasiol&oacute;gicos    s&atilde;o instrumentos importantes para o atendimento dessa necessidade."</font></P>     <p>Babini ainda considera que seria bom que todos os dicion&aacute;rios permitissem    encontrar tanto "as palavras pelas id&eacute;ias" quanto "as    id&eacute;ias pelas palavras".</font></P>     <p><font size="3"><b>APLICA&Ccedil;&Otilde;ES DOS ESTUDOS TERMINOL&Oacute;GICOS</b>    Os resultados das pesquisas terminol&oacute;gicas t&ecirc;m in&uacute;meras    aplica&ccedil;&otilde;es e a coopera&ccedil;&atilde;o se d&aacute; com diversas    &aacute;reas, tais como a tradu&ccedil;&atilde;o especializada, a documenta&ccedil;&atilde;o,    o jornalismo cient&iacute;fico, as ci&ecirc;ncias sociais, o ensino de l&iacute;nguas,    o ensino de disciplinas t&eacute;cnicas e cient&iacute;ficas. A terminologia    fornece ainda dados para atividades de planejamento ling&uuml;&iacute;stico    e de normaliza&ccedil;&atilde;o terminol&oacute;gica, entre outras.</font></P>     <p><font size="3">TRADU&Ccedil;&Atilde;O ESPECIALIZADA: Ao trabalhar textos t&eacute;cnicos,    cient&iacute;ficos e especializados, o tradutor entra no campo da terminologia    bil&iacute;ng&uuml;e. Para bem executar sua tarefa, o tradutor deve conhecer    a &aacute;rea do texto que traduz, ter dom&iacute;nio das l&iacute;nguas de    partida e de chegada e, especialmente, da terminologia empregada no campo em    quest&atilde;o.</font></P>     <p><font size="3">Uma boa tradu&ccedil;&atilde;o n&atilde;o deve apenas expressar    o mesmo conte&uacute;do que o texto de partida, mas faz&ecirc;-lo com as formas    que um falante nativo da l&iacute;ngua de chegada utilizaria.</font></P>     <p><font size="3">Para seus trabalhos, os tradutores se valem de dicion&aacute;rios    monol&iacute;ng&uuml;es, bil&iacute;ng&uuml;es e multil&iacute;ng&uuml;es e,    nesse sentido, a tradu&ccedil;&atilde;o mant&eacute;m forte rela&ccedil;&atilde;o    com a terminografia e com a lexicografia, visto que essas produzem um dos principais    instrumentos de trabalho do tradutor: os dicion&aacute;rios.</font></P>     <p><font size="3">Os tradutores devem receber forma&ccedil;&atilde;o que lhes    garanta condi&ccedil;&otilde;es de atuar como termin&oacute;logos para resolver    pontualmente problemas com termos que n&atilde;o figuram nessas obras.</font></P>    <p <font size="3">>ENSINO DE L&Iacute;NGUAS: No processo de aprendizagem de uma l&iacute;ngua  estrangeira, o aluno &eacute; levado a adquirir conhecimentos sobre os princ&iacute;pios  de funcionamento geral do sistema ling&uuml;&iacute;stico em quest&atilde;o e  a dominar um conjunto vocabular amplo e variado. Desse conjunto constam unidades  terminol&oacute;gicas utilizadas em diferentes dom&iacute;nios especializados.</font></P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">A amplia&ccedil;&atilde;o progressiva, por parte do aluno, de    seu conjunto l&eacute;xico em l&iacute;ngua estrangeira deve ser acompanhada    do aprofundamento do conhecimento desses mesmos conjuntos em l&iacute;ngua vern&aacute;cula.    Os dicion&aacute;rios bil&iacute;ng&uuml;es, multil&iacute;ng&uuml;es e monol&iacute;ng&uuml;es,    especializados e de l&iacute;ngua geral, s&atilde;o fundamentais nesse processo.    </font></P>     <p><font size="3">ENSINO DE DISCIPLINAS T&Eacute;CNICAS E CIENT&Iacute;FICAS:    Os encontros nacionais e regionais de professores de diferentes disciplinas    do ensino fundamental e m&eacute;dio discutem h&aacute; anos o problema do baixo    aproveitamento dos alunos. Os debates levam geralmente &agrave; conclus&atilde;o    de que uma das causas desse insucesso escolar &eacute; a dificuldade de decodifica&ccedil;&atilde;o    de textos especializados e de compreens&atilde;o dos enunciados das provas.    Essa dificuldade prov&eacute;m, em boa parte, do pouco dom&iacute;nio pelos    alunos da metalinguagem pr&oacute;pria da disciplina ensinada.</font></P>     <p><font size="3">O problema detectado no Brasil n&atilde;o &eacute;, no entanto,    um fato isolado. Muitos pa&iacute;ses vivem a mesma realidade, inclusive em    rela&ccedil;&atilde;o a estudantes de cursos de n&iacute;vel superior.</font></P>     <p><font size="3">A terminologia pode colaborar na elabora&ccedil;&atilde;o de    estrat&eacute;gias e de instrumentos de aprendizado do vocabul&aacute;rio especializado,    contribuindo para a melhoria do ensino e para o sucesso escolar. </font></P>     <p><font size="3">CI&Ecirc;NCIAS SOCIAIS: Cada povo faz um recorte particular    da realidade objetiva e procede a delimita&ccedil;&otilde;es conceptuais, que    s&atilde;o expressas por palavras. Os fen&ocirc;menos da natureza e suas representa&ccedil;&otilde;es    sociais, os instrumentos de trabalho, utens&iacute;lios dom&eacute;sticos, armas    para defesa pessoal e ca&ccedil;a, instrumentos de pesca, institui&ccedil;&otilde;es    sociais, sentimentos, cren&ccedil;as, religi&atilde;o e todos os elementos do    mundo em que vive cada comunidade sociocultural s&atilde;o designados por unidades    lexicais que, consideradas como signos ling&uuml;&iacute;sticos de dom&iacute;nios    espec&iacute;ficos da atividade dessa comunidade, podem assumir o estatuto de    termo.</font></P>     <p><font size="3">O estudo de muitas das caracter&iacute;sticas de um povo resvala    ou necessita obrigatoriamente da descri&ccedil;&atilde;o de seu sistema ling&uuml;&iacute;stico,    de seu universo l&eacute;xico e de conjuntos terminol&oacute;gicos. Nesse sentido,    a terminologia pode dar grande contribui&ccedil;&atilde;o, procedendo ao levantamento,    an&aacute;lise, sistematiza&ccedil;&atilde;o e descri&ccedil;&atilde;o dos termos    utilizados pela comunidade sociocultural em setores espec&iacute;ficos de sua    vida. </font></P>     <p><font size="3">DOCUMENTA&Ccedil;&Atilde;O: O trabalho de indexa&ccedil;&atilde;o,    feito pela documenta&ccedil;&atilde;o, identifica o conte&uacute;do de um documento    por meio de descritores, ou seja, de palavras-chave que facilitam o acesso &agrave;    informa&ccedil;&atilde;o. Para esse trabalho, os documentalistas costumam recorrer    a tesauros que, normalmente, contam com o concurso da terminologia para sua    elabora&ccedil;&atilde;o.</font></P>     <p><font size="3">Se, por um lado, a terminologia se p&otilde;e a servi&ccedil;o    da documenta&ccedil;&atilde;o, esta &uacute;ltima tamb&eacute;m &eacute; de    aux&iacute;lio &agrave; primeira. De fato, todo o trabalho terminol&oacute;gico    se d&aacute; com base nos dados veiculados por textos das &aacute;reas de especialidade,    que s&atilde;o identificados, analisados e organizados pela documenta&ccedil;&atilde;o.    O produto final do trabalho do termin&oacute;logo – os dicion&aacute;rios especializados    – tamb&eacute;m &eacute; catalogado pelos documentalistas.</font></P>     <p><font size="3">JORNALISMO CIENT&Iacute;FICO E T&Eacute;CNICO: Cotidianamente,    o jornalista enfrenta v&aacute;rios desafios: penetrar em um universo cient&iacute;fico    ou t&eacute;cnico que pouco conhece, compreender a problem&aacute;tica em quest&atilde;o,    freq&uuml;entemente apresentada em uma linguagem marcada por alta densidade    terminol&oacute;gica, e transpor para uma linguagem de f&aacute;cil decodifica&ccedil;&atilde;o    por parte de seu p&uacute;blico leitor as conquistas mais recentes da ci&ecirc;ncia    e da tecnologia.</font></P>     <p><font size="3">A terminologia pode ser de grande aux&iacute;lio ao jornalista,    uma vez que cabe a ela estudar os textos de especialidade, identificar as unidades    terminol&oacute;gicas veiculadas por eles, proceder ao levantamento dessas,    analis&aacute;-las, descrev&ecirc;-las, sistematiz&aacute;-las e organiz&aacute;-las    em obras terminogr&aacute;ficas (os dicion&aacute;rios especializados) ou em    bancos de dados informatizados.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">O jornalista que se dedica &agrave; divulga&ccedil;&atilde;o    t&eacute;cnica e cient&iacute;fica n&atilde;o apenas deve trabalhar em coopera&ccedil;&atilde;o    com o termin&oacute;logo, mas tamb&eacute;m conhecer os princ&iacute;pios b&aacute;sicos    do trabalho terminol&oacute;gico, para resolver problemas que se apresentam    diariamente no exerc&iacute;cio de sua profiss&atilde;o.</font></P>     <p><font size="3">PLANEJAMENTO LING&Uuml;&Iacute;STICO: Cada pa&iacute;s adota    uma pol&iacute;tica ling&uuml;&iacute;stica cujas caracter&iacute;sticas dependem    da realidade sociocultural de seu povo. O processo de interven&ccedil;&atilde;o    do Estado com o objetivo de modificar de um modo ou de outro o comportamento    ling&uuml;&iacute;stico de seus cidad&atilde;os &eacute; chamado de <i>planifica&ccedil;&atilde;o</i>    ou <i>planejamento ling&uuml;&iacute;stico</i>. A interven&ccedil;&atilde;o    estatal normalmente se d&aacute; em situa&ccedil;&otilde;es de interesse nacional    ou regional e pode ter motiva&ccedil;&otilde;es v&aacute;rias.</font></P>     <p><font size="3">No caso do Brasil, existe um interesse particular pelo Mercosul,    projeto de pol&iacute;tica externa que envolve Brasil, Argentina, Paraguai e    Uruguai e que tem como objetivo criar um agrupamento regional econ&ocirc;mica    e politicamente est&aacute;vel com o fim de dinamizar o com&eacute;rcio entre    os signat&aacute;rios desse projeto. Embora esse interesse n&atilde;o leve esses    pa&iacute;ses a uma proposta de planejamento ling&uuml;&iacute;stico propriamente    dito, existe uma demanda de estudo e tratamento das terminologias das &aacute;reas-alvo    de interc&acirc;mbio comercial.</font></P>     <p><font size="3">A vasta documenta&ccedil;&atilde;o produzida nas l&iacute;nguas    portuguesa e espanhola devido &agrave; intensifica&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es    pol&iacute;ticas e comerciais entre esses pa&iacute;ses conduz &agrave; necessidade    de se garantirem os meios de uma comunica&ccedil;&atilde;o sem ru&iacute;dos.    Nesse sentido, o tratamento de terminologias das &aacute;reas t&eacute;cnicas    e cient&iacute;ficas &eacute; fundamental, com explica Maria da Gra&ccedil;a    Krieger em seu artigo intitulado <i>Terminologia t&eacute;cnico-cient&iacute;fica:    pol&iacute;ticas ling&uuml;&iacute;sticas e Mercosul</i>, que comp&otilde;e    este N&uacute;cleo Tem&aacute;tico:</font></P>     <p><font size="3">"Diante da funcionalidade operada pelos termos especializados    na transmiss&atilde;o de conhecimentos cient&iacute;ficos e t&eacute;cnicos    e na divulga&ccedil;&atilde;o de produtos e servi&ccedil;os, justifica-se a    necessidade de concretizar um projeto terminol&oacute;gico para um contexto    de integra&ccedil;&atilde;o regional como o Mercosul. Conseq&uuml;entemente,    &eacute; um importante recurso estrat&eacute;gico organizar e facilitar o acesso    a repert&oacute;rios terminol&oacute;gicos que privilegiam &aacute;reas de interesse    das sociedades que buscam se integrar na busca de seu fortalecimento."</font></P>     <p><font size="3">A terminologia pode, portanto, dar contribui&ccedil;&atilde;o    importante para que a comunica&ccedil;&atilde;o entre os quatro pa&iacute;ses    que almejam a consolida&ccedil;&atilde;o do MercoSul se d&ecirc; a contento.</font></P>     <p><font size="3">NORMALIZA&Ccedil;&Atilde;O TERMINOL&Oacute;GICA: A busca de    efic&aacute;cia na comunica&ccedil;&atilde;o entre especialistas pode conduzir    &agrave; normaliza&ccedil;&atilde;o terminol&oacute;gica mono ou multil&iacute;ng&uuml;e.</font></P>     <p><font size="3">Diversos organismos nacionais e internacionais estudam conjuntos    terminol&oacute;gicos de &aacute;reas t&eacute;cnicas e cient&iacute;ficas com    o objetivo de padronizar o uso de termos, de modo a evitar ru&iacute;dos na    comunica&ccedil;&atilde;o e, assim, tornar mais eficazes os servi&ccedil;os    ou prevenir acidentes. As obras terminogr&aacute;ficas produzidas por organismos    de normaliza&ccedil;&atilde;o registram terminologias cujo emprego &eacute;    recomendado. </font></P>     <p><font size="3"><b>PARCERIAS MAIS RECENTES</b> A terminologia n&atilde;o fica    alheia ao nascimento de novos dom&iacute;nios do saber e neles busca elementos    que lhe permitam inovar e avan&ccedil;ar em seus estudos. </font></P>     <p><font size="3">Nos &uacute;ltimos anos, a terminologia tem se beneficiado com    os resultados das investiga&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas desenvolvidas    pela ling&uuml;&iacute;stica computacional, pela ling&uuml;&iacute;stica de    corpus e pela ling&uuml;&iacute;stica textual.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">LING&Uuml;&Iacute;STICA COMPUTACIONAL E LING&Uuml;&Iacute;STICA    DE CORPUS: A tecnologia inform&aacute;tica transformou-se em grande aliada de    todas as ci&ecirc;ncias, dentre elas a ling&uuml;&iacute;stica e a terminologia,    fornecendo in&uacute;meros recursos de explora&ccedil;&atilde;o. </font></P>     <p><font size="3">A ling&uuml;&iacute;stica computacional, disciplina cient&iacute;fica    multidisciplinar que se caracteriza pela conflu&ecirc;ncia de v&aacute;rias    &aacute;reas, como a ling&uuml;&iacute;stica, a intelig&ecirc;ncia artificial,    a computa&ccedil;&atilde;o e a l&oacute;gica computacional, cria instrumentos    de composi&ccedil;&atilde;o, extra&ccedil;&atilde;o, an&aacute;lise, manipula&ccedil;&atilde;o    e processamento de dados ling&uuml;&iacute;sticos em texto, ferramentas eletr&ocirc;nicas    que auxiliam enormente o trabalho dos termin&oacute;logos.</font></P>     <p><font size="3">A ling&uuml;&iacute;stica de corpus "ocupa-se da coleta    e da explora&ccedil;&atilde;o de corpora, ou conjuntos de dados ling&uuml;&iacute;sticos    textuais coletados criteriosamente, com o prop&oacute;sito de servirem para    a pesquisa de uma l&iacute;ngua ou variedade ling&uuml;&iacute;stica" (3).    Essa disciplina cient&iacute;fica tamb&eacute;m conheceu grande desenvolvimento    na &uacute;ltima d&eacute;cada e tem contribu&iacute;do para os estudos de diferentes    &aacute;reas, destacando-se os da lexicografia e da terminologia, como explica    Berber Sardinha:</font></P>     <p><font size="3">"Ao revelar uma quantidade surpreendente de evid&ecirc;ncias    ling&uuml;&iacute;sticas provindas de corpora eletr&ocirc;nicos, a ling&uuml;&iacute;stica    de corpus questiona os paradigmas estabelecidos dos estudos ling&uuml;&iacute;sticos    e mostra novos caminhos para o ling&uuml;ista, o professor, o tradutor, o lexic&oacute;grafo    e muitos outros profissionais. A influ&ecirc;ncia mais vis&iacute;vel no mundo    contempor&acirc;neo est&aacute; na prepara&ccedil;&atilde;o de dicion&aacute;rios.    Hoje, todos os grandes dicion&aacute;rios da l&iacute;ngua inglesa (de Oxford    at&eacute; Cambridge, Collins, Longman) s&atilde;o feitos com base em ling&uuml;&iacute;stica    de corpus" (4).</font></P>     <p><font size="3">A rela&ccedil;&atilde;o entre terminologia, ling&uuml;&iacute;stica    computacional e ling&uuml;&iacute;stica de corpus &eacute; explicada por Gladis    Almeida, Leandro de Oliveira e Sandra Alu&iacute;sio no artigo intitulado <i>A    terminologia na era da inform&aacute;tica</i>, que comp&otilde;e este NT:</font></P>     <p><font size="3">"A contribui&ccedil;&atilde;o advinda da inform&aacute;tica    come&ccedil;a de fato a aparecer nas pesquisas terminol&oacute;gicas no Brasil    nos &uacute;ltimos dez anos. O crescimento de estudos e pesquisas na &aacute;rea    de ling&uuml;&iacute;stica computacional e ling&uuml;&iacute;stica de corpus    e o conseq&uuml;ente aprimoramento e desenvolvimento de ferramentas computacionais    voltadas para o processamento de l&iacute;ngua natural (PLN) do portugu&ecirc;s    passam a interferir diretamente na pr&aacute;tica terminogr&aacute;fica".</font></P>     <p><font size="3">Assim, terminologia, ling&uuml;&iacute;stica computacional e    ling&uuml;&iacute;stica de corpus mant&ecirc;m entre si uma estreita rela&ccedil;&atilde;o    de colabora&ccedil;&atilde;o, que tem produzido excelentes resultados.</font></P>     <p><font size="3">LING&Uuml;&Iacute;STICA TEXTUAL: Diante das novas concep&ccedil;&otilde;es    de termo e do trabalho terminol&oacute;gico que apresentamos anteriormente no    item <i>Identidade cient&iacute;fica</i> da terminologia deste trabalho, os    estudos dos textos de especialidade desenvolvidos nos &uacute;ltimos anos pela    ling&uuml;&iacute;stica textual ganham relev&acirc;ncia e trazem grande contribui&ccedil;&atilde;o    para a terminologia. </font></P>     <p><font size="3">A compreens&atilde;o de que os termos devem ser analisados em    seu ambiente natural – os textos – e de que estes consistem em um conjunto din&acirc;mico    de elementos ling&uuml;&iacute;sticos, pragm&aacute;ticos, discursivos e comunicativos,    faz com que as pesquisas terminol&oacute;gicas passem a ver seu objeto (os termos)    como algo que pertence a um conjunto din&acirc;mico. Sendo assim, n&atilde;o    &eacute; poss&iacute;vel o termo possuir uma configura&ccedil;&atilde;o ling&uuml;&iacute;stica    &uacute;nica, universal e imut&aacute;vel. </font></P>     <p><font size="3">Indo al&eacute;m nas propostas de novos paradigmas de an&aacute;lise    das terminologias t&eacute;cnicas e cient&iacute;ficas, passou-se a levar em    conta tamb&eacute;m as condi&ccedil;&otilde;es de produ&ccedil;&atilde;o do    texto e o cen&aacute;rio comunicativo em quest&atilde;o. </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Assim, dependendo do texto e do cen&aacute;rio comunicativo,    os termos das &aacute;reas especializadas assumem configura&ccedil;&atilde;o    sem&acirc;ntica espec&iacute;fica, como explica Ciapuscio: </font></P>     <blockquote>        <p><font size="3">"Os textos enquanto ‘ofertas de conceptualiza&ccedil;&atilde;o’      representam e apresentam determinado ‘estado de coisas’ a seus int&eacute;rpretes,      para que estes construam – sobre essa base e em intera&ccedil;&atilde;o com      seus conhecimentos, experi&ecirc;ncias e cren&ccedil;as pr&eacute;vias – uma      determinada interpreta&ccedil;&atilde;o. A configura&ccedil;&atilde;o conceptual      das unidades l&eacute;xicas pode reconstruir-se no texto, se se concebe este      como um desdobramento (uma extens&atilde;o) de sua configura&ccedil;&atilde;o      sem&acirc;ntica; inversamente, a unidade l&eacute;xica extra&iacute;da do      texto concentra os conhecimentos associados a ela nesse texto particular"      (5). </font></p> </blockquote>     <p><font size="3">Desse modo, o estudo do texto especializado e da tipologia textual    de especialidade ganha for&ccedil;a de necessidade para as pesquisas em terminologia.    Uma rela&ccedil;&atilde;o de complementaridade se estabelece, ent&atilde;o,    entre esse campo do saber e a ling&uuml;&iacute;stica textual, sobretudo o ramo    desta que se dedica aos textos de especialidade. A colabora&ccedil;&atilde;o    traz benef&iacute;cios para ambos os lados, como explica Ciapuscio: </font></P>     <p><font size="3">"&#91;...&#93; a id&eacute;ia b&aacute;sica &eacute; a de que o    estudo terminol&oacute;gico do texto pode trazer contribui&ccedil;&otilde;es    n&atilde;o apenas para a terminologia, mas tamb&eacute;m para o esclarecimento    de problem&aacute;ticas relevantes para os estudos textuais, como, por exemplo,    avan&ccedil;os em dire&ccedil;&atilde;o a uma tipologia dos textos especiais    e ao estabelecimento de graus de especializa&ccedil;&atilde;o dos textos tomando    como base o l&eacute;xico" (6).</font></P>     <p><font size="3">Assim, por um lado, a configura&ccedil;&atilde;o conceptual    dos termos &eacute; condicionada por fatores de natureza textual; por outro,    as terminologias constituem tra&ccedil;os-chave para se determinarem graus ou    n&iacute;veis de especializa&ccedil;&atilde;o dos textos. </font></P>     <p><font size="3">Lothar Hoffmann (1998) tamb&eacute;m d&aacute; grande contribui&ccedil;&atilde;o    aos estudos do texto de especialidade e prop&otilde;e uma classifica&ccedil;&atilde;o    baseada em dois eixos: um horizontal, relacionado &agrave;s diferentes tem&aacute;ticas    e campos da ci&ecirc;ncia e da t&eacute;cnica, e outro, vertical, relativo ao    grau de abstra&ccedil;&atilde;o da linguagem, eixo no qual a densidade terminol&oacute;gica    &eacute; fator primordial. </font></P>     <p><font size="3">Do ponto de vista da verticalidade textual, a disposi&ccedil;&atilde;o    dos textos seria a seguinte:</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <P ALIGN="center"><img src="/img/revistas/cic/v58n2/a11fig01.gif"></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">Uma observa&ccedil;&atilde;o importante feita por Ciapuscio    &eacute; a de que a densidade sem&acirc;ntica e o uso de formas lexicais variam    de acordo com o n&iacute;vel a que pertencem os textos. Por exemplo, em um texto    especializado em ci&ecirc;ncias da vida escrito por e para especialistas, o    conte&uacute;do conceptual de um termo &eacute; pleno, enquanto que esse se    dilui quando o texto &eacute; de divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica.    Quando se trata de divulga&ccedil;&atilde;o a largo p&uacute;blico, do conte&uacute;do    conceptual total permanecem apenas os tra&ccedil;os relevantes e caracterizadores    do termo.</font></P>     <p><font size="3"><b>NOVAS FRONTEIRAS</b> A terminologia encontra-se, hoje, em    plena expans&atilde;o em n&iacute;vel nacional e internacional e seus estudos    exigem, cada vez mais, o estabelecimento de rela&ccedil;&otilde;es de colabora&ccedil;&atilde;o    com diferentes &aacute;reas cient&iacute;ficas e t&eacute;cnicas, como vimos    anteriormente. </font></P>     <p><font size="3">Nos &uacute;ltimos anos, os termin&oacute;logos t&ecirc;m desenvolvido    projetos que avan&ccedil;am sobre terrenos considerados como n&atilde;o pertinentes    a pesquisas em terminologia. </font></P>     <p><font size="3">De fato, as investiga&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas sobre    o l&eacute;xico de obras liter&aacute;rias t&ecirc;m observado a presen&ccedil;a    marcante, nessas obras, de termos pertencentes a campos tem&aacute;ticos e especializados.    Assim, a terminologia d&aacute; passos no sentido de estabelecer rela&ccedil;&otilde;es    de coopera&ccedil;&atilde;o com a literatura, o que n&atilde;o se concebia at&eacute;    recentemente e ainda n&atilde;o se concebe para a maior parte dos termin&oacute;logos,    visto que se considera que o texto liter&aacute;rio se oponha ao texto t&eacute;cnico    e cient&iacute;fico em suas caracter&iacute;sticas fundamentais.</font></P>     <p><font size="3">Outra interface que come&ccedil;a a ser observada nos estudos    terminol&oacute;gicos &eacute; a que tem em um dos lados o vocabul&aacute;rio    da cultura popular brasileira. De acordo com Maria Aparecida Barbosa, algumas    unidades lexicais dos discursos etno-liter&aacute;rios t&ecirc;m caracter&iacute;sticas    muito particulares, sendo "quase-termos t&eacute;cnicos", uma vez    que pertencem a uma "linguagem especial/especializada" e sua configura&ccedil;&atilde;o    sem&acirc;ntica demonstra que essas unidades possuem semas da l&iacute;ngua    comum e semas das linguagens de especialidade. </font></P>     <p><font size="3">Em seu artigo intitulado <i>Para uma etno-terminologia: recortes    epistemol&oacute;gicos</i>, que comp&otilde;e este N&uacute;cleo Tem&aacute;tico,    Barbosa explica que s&atilde;o essas unidades lexicais </font></P>     <p><font size="3">"(...) que sustentam o pensamento e o sistema de valores    da cultura que configuram uma axiologia. Assim, as unidades lexicais do universo    de discurso etno-liter&aacute;rio t&ecirc;m um estatuto pr&oacute;prio e exclusivo.    Noutras palavras, essas unidades lexicais re&uacute;nem qualidades das l&iacute;nguas    especializadas e da linguagem liter&aacute;ria, de maneira a preservar um valor    sem&acirc;ntico social e constituir, simultaneamente, documentos do processo    hist&oacute;rico da cultura. (...) No n&iacute;vel da norma e do falar concreto,    ela &#91;unidade lexical&#93; subsume as duas fun&ccedil;&otilde;es, voc&aacute;bulo    e termo." </font></P>     <p><font size="3">Para estudar esse tipo de unidade lexical, a autora prop&otilde;e    a consolida&ccedil;&atilde;o da disciplina cient&iacute;fica <b>etno-terminologia</b>,    que estudaria "a norma relativa ao estatuto sem&acirc;ntico, sint&aacute;tico    e funcional do conjunto das unidades lexicais que caracterizam o universo dos    discursos etno-liter&aacute;rios, no &acirc;mbito da cultura brasileira"    (7).</font></P>     <p><font size="3"><b>CONSIDERA&Ccedil;&Otilde;ES FINAIS</b> A terminologia, enquanto    estudo do vocabul&aacute;rio das &aacute;reas t&eacute;cnicas e cient&iacute;ficas,    tem evolu&iacute;do a passos largos nos seus 70 anos de exist&ecirc;ncia. </FONT></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Sua vitalidade encontra-se diretamente ligada &agrave; capacidade    de trabalhar em interface com outros campos cient&iacute;ficos. A colabora&ccedil;&atilde;o    interdisciplinar se d&aacute; tanto com ci&ecirc;ncias j&aacute; consolidadas    quanto com &aacute;reas emergentes. </font></P>     <p><font size="3">Em uma rela&ccedil;&atilde;o de intera&ccedil;&atilde;o, essas    &aacute;reas beneficiam a terminologia com seus achados, por um lado; por outro,    as necessidades das pesquisas terminol&oacute;gicas tornam-se desafios para    essas ci&ecirc;ncias, o que impulsiona o desenvolvimento delas. </font></P>     <p><font size="3">A perspectiva atual da terminologia &eacute; a de abertura de    novos caminhos em parceria com ci&ecirc;ncias de ponta. </font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><i><b>L&iacute;dia Almeida Barros</b> &eacute; ling&uuml;ista    e termin&oacute;loga, professora adjunto no Instituto de Bioci&ecirc;ncias,    Letras e Ci&ecirc;ncias Exatas-Ibilce da Universidade Estadual Paulista (Unesp),    campus de S&atilde;o Jos&eacute; do Rio Preto. &Eacute; presidente da Comiss&atilde;o    Permanente de Pesquisa do Ibilce e autora do livro Curso b&aacute;sico de terminologia    (S&atilde;o Paulo: Edusp, 2004).</i></font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><b>NOTAS E REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">1. Cabr&eacute;, M.T. <i>La terminolog&iacute;a: representaci&oacute;n    y comunicaci&oacute;n</i>. Barcelona, IULA, 1999.</font><!-- ref --><p><font size="3">2. Temmerman, Rita. <i>Towards new ways of terminology description.    The sociocognitive approach</i>. Amsterdam/Philadelphia: John Benjamins Publishing    Company, 2000.</font><!-- ref --><p><font size="3">3. Berber Sardinha, A. <i>Ling&uuml;&iacute;stica de corpus</i>.    S&atilde;o Paulo: Manole, 2004, p. 3.</font><p><font size="3">4. Berber Sardinha, A. <i>op.cit</i>. p. 17-18.</font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">5. Ciapuscio, G. E. <i>Textos especializados y terminolog&iacute;a</i>.    Panorama de las tipoIog&iacute;as Barcelona: IULA, 2003, p. 115 (S&egrave;rie    Monografies, 6)</font><p><font size="3">6. Ciapuscio, G. E. <i>op.cit</i>. p. 71.</font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">7 Barbosa, M. A. <i>Para uma etno-terminologia: recortes epistemol&oacute;gicos</i>.    Artigo publicado nesta edi&ccedil;&atilde;o da revista <i>Ci&ecirc;ncia e Cultura</i>.</font> ]]></body><back>
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