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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v58n2/a11img01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size=5><b>A SOCIOTERMINOLOGIA NA COMUNICA&Ccedil;&Atilde;O CIENT&Iacute;FICA    E T&Eacute;CNICA </b></font></p>     <p><font size="3"><b>Enilde Faulstich</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <font size=5><b>P</b></FONT><font size="3">ara falar de socioterminologia    &eacute; preciso, antes de tudo, situar a terminologia no espa&ccedil;o da intera&ccedil;&atilde;o    social. No Brasil, por exemplo, a hist&oacute;ria da terminologia se confunde    com a forma&ccedil;&atilde;o da sociedade brasileira por meio da mistura de    falares dos habitantes naturais da terra e dos que para c&aacute; vieram. Vejam-se,    nos dicion&aacute;rios, termos da fauna e da flora, como indicadores da terminologia    ind&iacute;gena no portugu&ecirc;s brasileiro, tamb&eacute;m termos relativos    ao sincretismo religioso, &agrave; culin&aacute;ria, &agrave;s crendices, &agrave;    m&uacute;sica, entre outros termos populares, com marcas de origem africana,    bem como termos emprestados, express&otilde;es h&iacute;bridas e decalcadas.    Assim sendo, n&atilde;o &eacute; novidade dizer que a diversidade da cultura    brasileira aparece refletida na terminologia cotidiana. </FONT></p>     <p><font size="3">Por sua vez, desde a hist&oacute;ria mais remota da forma&ccedil;&atilde;o    do l&eacute;xico brasileiro, os dicion&aacute;rios jamais desprezaram o registro    de termos provenientes das linguagens t&eacute;cnicas, pois estes constituem    informa&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria, rica e &uacute;til, parte integrante    da pr&aacute;tica ling&uuml;&iacute;stica de qualquer comunidade que se desenvolve.    Mas, para falar de terminologia em sentido mais estrito, quer dizer, de terminologia    como disciplina que sistematiza termos e conceitos, &eacute; preciso falar tamb&eacute;m    do discurso de onde prov&eacute;m. Neste caso, excetuando o linguajar corriqueiro    que, como j&aacute; se disse, apresenta grande quantidade de terminologias usadas    no dia-a-dia, &eacute; preciso considerar que, pelo menos tr&ecirc;s discursos    est&atilde;o na base da produ&ccedil;&atilde;o terminol&oacute;gica, isso porque    nenhum termo &eacute; usado fora da situa&ccedil;&atilde;o discursiva em que    &eacute; criado. Assim sendo, discursos de diversas naturezas, como o cient&iacute;fico,    o t&eacute;cnico e o de vulgariza&ccedil;&atilde;o, s&atilde;o a fonte natural    de onde emergem os termos usados nas comunica&ccedil;&otilde;es entre profissionais.    Muitos desses termos entram vulgarizados no l&eacute;xico comum, por meio dos    mais diversos recursos, como a met&aacute;fora, a elipse, a co-refer&ecirc;ncia,    entre outros, sem, por isso, perderem o sentido de base. &Eacute; este sentido    que ativa o senso comum e difunde o conceito original. Um bom exemplo dessa    produtividade, no discurso cient&iacute;fico, &eacute; <i>embri&oacute;ide androgen&eacute;tico    hapl&oacute;ide</i>, equivalente a "cultura <i>in vitro</i>", termo    corrente no discurso t&eacute;cnico, e "planta de proveta", termo    difundido pelo discurso de vulgariza&ccedil;&atilde;o, todos da &aacute;rea    de biotecnologia, especificamente de cultura de tecidos. </font></p>     <p><font size="3">A terminologia &eacute; uma disciplina de ordem sist&ecirc;mica    que prepara <i>corpora</i> especializados para a reda&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica    e para a elabora&ccedil;&atilde;o de dicion&aacute;rios eletr&ocirc;nicos de    grande alcance. A grande vantagem dessa natureza sist&ecirc;mica &eacute; que    a terminologia internacionaliza l&eacute;xicos de linguagens de especialidade,    pois, num mundo moderno, que se desenha multil&iacute;ng&uuml;e, a comunica&ccedil;&atilde;o    deve ser r&aacute;pida e eficiente. Nesse sentido, a sele&ccedil;&atilde;o de    uma "forma standard" parece conduzir a terminologia para os princ&iacute;pios    monoss&ecirc;micos preconizados, em tese de doutorado, por Eugen W&uuml;ster,    em 1931. Para W&uuml;ster "denomina-se <i>varia&ccedil;&atilde;o ling&uuml;&iacute;stica</i>    toda perturba&ccedil;&atilde;o da unidade ling&uuml;&iacute;stica" e, em    decorr&ecirc;ncia, distingue dois tipos de varia&ccedil;&atilde;o ling&uuml;&iacute;stica,    a monol&iacute;ng&uuml;e e a interl&iacute;ngua, chamada pelo autor "sin&ocirc;nimos    universais". Essa designa&ccedil;&atilde;o, no entanto, merece cr&iacute;tica,    pois &eacute; preciso que, &agrave; luz de crit&eacute;rios sociais e pol&iacute;tico-ling&uuml;&iacute;sticos,    criem-se regras para a padroniza&ccedil;&atilde;o de termos, no cen&aacute;rio    ling&uuml;&iacute;stico internacional, sem rejeitar, por&eacute;m, as variantes    nacionais e locais que tamb&eacute;m s&atilde;o denomina&ccedil;&otilde;es resultantes    do uso. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p ALIGN="center"><img src="/img/revistas/cic/v58n2/a12img01.gif"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Para falar de variante, &eacute; necess&aacute;rio que se d&ecirc;    realce &agrave;s dimens&otilde;es da norma. Nos estudos te&oacute;ricos de terminologia,    norma, durante muito tempo, foi usada como um meio regulador da "boa express&atilde;o",    no sentido de conduzir o elaborador de dicion&aacute;rios terminol&oacute;gicos    para o registro de termos considerados "adequados" numa comunica&ccedil;&atilde;o    especializada eficiente. E, em assim sendo, a varia&ccedil;&atilde;o deveria    ser regulada pela normaliza&ccedil;&atilde;o terminol&oacute;gica. </font></p>     <p><font size="3">Posteriores e seq&uuml;enciais pesquisas em terminologia e varia&ccedil;&atilde;o    mudam o foco da normaliza&ccedil;&atilde;o terminol&oacute;gica que passa a    ter fun&ccedil;&otilde;es condizentes com os princ&iacute;pios ling&uuml;&iacute;sticos    que regem essa normaliza&ccedil;&atilde;o. Normalizar terminologias passa, ent&atilde;o,    a igualar-se &agrave; fun&ccedil;&atilde;o de harmonizar, num espa&ccedil;o    sociocultural e ling&uuml;&iacute;stico, as diversas manifesta&ccedil;&otilde;es    de forma que um conceito apresente, afinal a postura prescritivista e, de certa    forma, preconceituosa, nasce da vontade de uma &uacute;nica (pseudo-)autoridade    ling&uuml;&iacute;stica, ao considerar que um termo &eacute; melhor do que outro.    Esse tipo de sele&ccedil;&atilde;o &eacute; inconveniente num trabalho de pesquisa    ling&uuml;&iacute;stica que prev&ecirc; o desenvolvimento de um planejamento    horizontal e vertical para a difus&atilde;o e sistematiza&ccedil;&atilde;o de    terminologias. </font></p>     <p><font size="3">O conceito de normaliza&ccedil;&atilde;o de terminologias coincide    com o de harmoniza&ccedil;&atilde;o destas no sistema ling&uuml;&iacute;stico    em que s&atilde;o criadas ou est&atilde;o inseridas. &Eacute; bastante sabido    que das bases greco-latinas origina-se um percentual muito grande de termos    cient&iacute;ficos e t&eacute;cnicos, constituindo o grego e o latim, por isso,    o fundo conceptual de denomina&ccedil;&atilde;o do objeto do conhecimento. Por    sua vez, o pr&oacute;prio termo normaliza&ccedil;&atilde;o se presta a ambig&uuml;idades    que merecem ser comentadas. </font></p>     <p><font size="3">Para Cabr&eacute; (1), o termo normaliza&ccedil;&atilde;o &eacute;    v&aacute;lido para expressar a a&ccedil;&atilde;o de reduzir a uma "norma",    distintas possibilidades de concorr&ecirc;ncia e, mais, a palavra normaliza&ccedil;&atilde;o    possui, de entrada, dois significados diferentes: um relativo &agrave; extens&atilde;o    do uso de l&iacute;ngua (se devolve &agrave; "normalidade" uma l&iacute;ngua    que se falava em uma situa&ccedil;&atilde;o deteriorada); outro que se refere    &agrave; fixa&ccedil;&atilde;o da forma de refer&ecirc;ncia considerada mais    adequada (se estabelece um tipo designativo).</font></p>     <p><font size="3">No dizer de Depecker (2), a normaliza&ccedil;&atilde;o tem pelo    menos dois sentidos: o de <b>normaliza&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica</b>,    que &eacute; a normaliza&ccedil;&atilde;o dos objetos industriais cuja interven&ccedil;&atilde;o    se d&aacute; nos procedimentos de fabrica&ccedil;&atilde;o ou de utiliza&ccedil;&atilde;o    de produtos industriais. S&atilde;o feitas normas, principalmente para assegurar    a confiabilidade dos produtos, para permitir sua troca e sua comercializa&ccedil;&atilde;o    no mundo. O outro sentido &eacute; o de <b>normaliza&ccedil;&atilde;o terminol&oacute;gica</b>,    que se ocupa da descri&ccedil;&atilde;o de regras de fabrica&ccedil;&atilde;o    desses produtos, uma vez que, para ele, &eacute; necess&aacute;rio construir    terminologias que designem exatamente os objetos em causa. &#91;…&#93; E &eacute; preciso    que o mesmo termo seja empregado para o mesmo conceito ao longo de toda a norma    e de uma norma a outra.</font></p>     <p><font size="3">Depecker chama ainda aten&ccedil;&atilde;o para outro conceito    metodologicamente &uacute;til, que &eacute; o de <b>harmonizar</b>. No seu ponto    de vista, harmonizar quer dizer p&ocirc;r em correspond&ecirc;ncia os termos    uns com os outros no seio da mesma l&iacute;ngua e entre l&iacute;nguas, gerenciando    os usos. </font></p>     <p><font size="3">Auger (3), ao tratar da normaliza&ccedil;&atilde;o terminol&oacute;gica,    observa que o termo normaliza&ccedil;&atilde;o serve tanto para designar a fixa&ccedil;&atilde;o    de variedades pelas vias da auto-regula&ccedil;&atilde;o, como para denominar    a interven&ccedil;&atilde;o de uma organiza&ccedil;&atilde;o em ordem para estabelecer    a prefer&ecirc;ncia de uma forma em rela&ccedil;&atilde;o a outras. </font></p>     <p><font size="3">Para ilustrar o caso, tome-se emprestado um verbete, extra&iacute;do    do site do <i>Grand Dictionnaire Terminologique</i> (GDT) (4) do Office Qu&eacute;becois    de la Langue Fran&ccedil;aise (OQLF): </font></p>     <p><font size="3">&Aacute;REA(S): COM&Eacute;RCIO</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>        <p><font size="3"> Comercializa&ccedil;&atilde;o</font></p> </blockquote>     <p><font size="3"><b>franc&ecirc;s:</b> <i>mercatique n.f.</i></font></p>     <p><font size="3">termo recomendado pelo Office Qu&eacute;b&eacute;cois de la    Langue Fran&ccedil;aise </font></p>     <p><font size="3"><b>ingl&ecirc;s:</b> <i>marketing</i> </font></p>     <p><font size="3">Defini&ccedil;&atilde;o: Conjunto de princ&iacute;pios, de t&eacute;cnicas    e de m&eacute;todos com o objetivo de prever, constatar ou estimular as necessidades    do mercado em vista de adaptar a produ&ccedil;&atilde;o e a comercializa&ccedil;&atilde;o    de bens e de servi&ccedil;os que respondam &agrave;s necessidades assim determinadas.    </font></p>     <p><font size="3">Sin&ocirc;nimo(s): marketing n. m. </font></p>     <p><font size="3">Nota(s): Em um sentido mais amplo, a no&ccedil;&atilde;o de    « marketing » n&atilde;o se aplica somente ao lan&ccedil;amento de bens materiais    no mercado, mas igualmente &agrave;s atividades bastante diferenciadas que envolvem    programas pol&iacute;ticos, relacionados &agrave; sa&uacute;de, &agrave;s causas    sociais etc. Distinguem-se, ent&atilde;o, tipos de marketing: marketing pol&iacute;tico,    marketing social, marketing da sa&uacute;de… O emprego de marketing numa express&atilde;o    adjetiva como t&eacute;cnicas marketing, gest&atilde;o marketing, por exemplo,    deveria ser evitada. Seria prefer&iacute;vel substituir marketing pelo adjetivo    franc&ecirc;s <i>mercatique</i>. </font></p>     <p><font size="3">O Office da l&iacute;ngua francesa, embora admita o emprego    do empr&eacute;stimo marketing, recomenda o uso do termo <i>mercatique</i> e    de seus derivados (<i>mercaticien, mercaticienne</i>).*</font></p>     <p><font size="3">Observe-se que, sob a entrada do termo em franc&ecirc;s, registram    "termo recomendado…" o que nos d&aacute; a dimens&atilde;o de como    &eacute; feita a normaliza&ccedil;&atilde;o pelo OQLF. Tem-se a impress&atilde;o    de estar no meio termo, entre normativiza&ccedil;&atilde;o e normaliza&ccedil;&atilde;o,    uma vez que a recomenda&ccedil;&atilde;o indica que o termo franc&ecirc;s &eacute;    monitorado em fun&ccedil;&atilde;o do "bom uso da l&iacute;ngua",    na vis&atilde;o do Office. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">No OQLF, a normaliza&ccedil;&atilde;o de um termo &eacute; um    processo que segue doze etapas seq&uuml;enciais, quais sejam: an&aacute;lise    do tema; realiza&ccedil;&atilde;o; prepara&ccedil;&atilde;o de um documento    preliminar; forma&ccedil;&atilde;o de um comit&ecirc;; estudo em comit&ecirc;;    corre&ccedil;&atilde;o e revis&atilde;o; enquete p&uacute;blica; voto; exame    de segundo n&iacute;vel; publica&ccedil;&atilde;o; exame sistem&aacute;tico;    estatuto de p&oacute;s-exame sistem&aacute;tico (5). Destas etapas, elucidem-se    algumas tarefas. A terceira, "prepara&ccedil;&atilde;o de um documento    preliminar", corresponde &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o, pelo "normalizador",    de um documento de trabalho preliminar para apresentar aos membros do comit&ecirc;    de normaliza&ccedil;&atilde;o, com base na edi&ccedil;&atilde;o j&aacute; existente    de uma norma pronta para revis&atilde;o, ou em documentos de refer&ecirc;ncia    pertinentes. Na quinta etapa – estudo em comit&ecirc; –, o normalizador inicia    a etapa do estudo em comit&ecirc;, por meio de reuni&otilde;es de trabalho para    obter o consenso dos membros sobre o conte&uacute;do t&eacute;cnico da norma.    O normalizador deve, portanto, organizar tais reuni&otilde;es, preparar os pareceres,    as convoca&ccedil;&otilde;es e ordem do dia; participar como secret&aacute;rio    e organizador das reuni&otilde;es, fazer as corre&ccedil;&otilde;es e preparar    o projeto de norma de modo que demonstre o consenso, resultante dos membros    do comit&ecirc; de normaliza&ccedil;&atilde;o e, por fim, redigir o parecer    das reuni&otilde;es. O "exame sistem&aacute;tico", que correspondente    &agrave; etapa onze, tem por objetivo assegurar, depois de um ciclo de vida    de aproximadamente 5 anos, a validade de uma norma para determinar se aquela    norma deve ser modificada, revista, re-analisada ou arquivada. O exame sistem&aacute;tico    &eacute; feito por consulta interna e por consulta ao comit&ecirc; de normaliza&ccedil;&atilde;o    e a organismos interessados pela norma. Depois, com os coment&aacute;rios recebidos,    o normalizador formula as recomenda&ccedil;&otilde;es ao comit&ecirc; de orienta&ccedil;&atilde;o    do Bureau de Normalisation du Qu&eacute;bec (BNQ). O caso evoca Fishman para    quem a sistematiza&ccedil;&atilde;o de termo para implanta&ccedil;&atilde;o    no banco e difus&atilde;o internacional de terminologias segue um ritual t&iacute;pico    de ag&ecirc;ncias de planejamento, destinadas a promover o uso de l&iacute;nguas    nacionais para prop&oacute;sitos educacionais, governamentais ou tecnol&oacute;gicos    (6).</font></p>     <p><font size="3">VARIA&Ccedil;&Atilde;O TERMINOL&Oacute;GICA E NORMA Varia&ccedil;&atilde;o    terminol&oacute;gica e norma s&atilde;o dois conceitos que se tenta aqui discutir.    </font></p>     <p><font size="3">&Agrave; considera&ccedil;&atilde;o de que nas linguagens de    especialidade (LSP) forma e conte&uacute;do podem variar, na diacronia ou na    sincronia, &eacute; poss&iacute;vel afirmar que nenhum est&aacute;gio da l&iacute;ngua    &eacute; um bloco homog&ecirc;neo, embora seja regular. Cada est&aacute;gio    da l&iacute;ngua, por sua vez, est&aacute; limitado por complexos de variedades    ling&uuml;&iacute;sticas, as quais se entrecruzam por impulso da linguagem e    tendem a apresentar: i) a varia&ccedil;&atilde;o como processo; ii) as variantes    como protocolos naturais de evolu&ccedil;&atilde;o; iii) a mudan&ccedil;a como    produto da altera&ccedil;&atilde;o nos esquemas comunicativos" (7).</font></p>     <p><font size="3">Para a constru&ccedil;&atilde;o dos postulados te&oacute;ricos    que sustentam a teoria da varia&ccedil;&atilde;o em terminologia, prop&otilde;e-se    uma releitura da defini&ccedil;&atilde;o de termo, a fim de que se compreenda    melhor por que um termo varia. Assim uma unidade terminol&oacute;gica pode ter    ou assumir diferentes valores, de acordo com a fun&ccedil;&atilde;o que uma    dada vari&aacute;vel desempenha nos contextos de ocorr&ecirc;ncia (7).</font></p>     <p><font size="3">E vale lembrar que termos s&atilde;o:</font></p>     <blockquote>        <p><font size="3">(i) "signos que encontram sua funcionalidade nas linguagens      de especialidade, de acordo com a din&acirc;mica das l&iacute;nguas;</font></p>       <p><font size="3">(ii) entidades variantes, porque fazem parte de situa&ccedil;&otilde;es      comunicativas distintas;</font></p>       <p><font size="3">(iii) itens do l&eacute;xico especializado que passam por      evolu&ccedil;&otilde;es, por isso devem ser analisados no plano sincr&ocirc;nico      e no plano diacr&ocirc;nico das l&iacute;nguas" (7).</font></p> </blockquote>     <p><font size="3">Um termo ser&aacute; funcional dentro de uma linguagem de especialidade,    porque assumir&aacute; uma fun&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica de determinado    valor, de acordo com o contexto de uso. Assim sendo, o termo &eacute; uma entidade    variante porque pode assumir formas diferentes em contextos afins. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Quando os termos tiverem as mesmas condi&ccedil;&otilde;es de    uso, ser&atilde;o considerados variantes um do outro. Nesse caso, eles t&ecirc;m    formas parcial ou totalmente diferentes para um mesmo significado referencial    e est&atilde;o dispon&iacute;veis para o uso corrente. </font></p>     <p><font size="3">Um <i>uso normal</i> tende a normalizar-se no meio da comunidade    que o adota; por sua vez, um <i>uso normativo</i> resulta da recomenda&ccedil;&atilde;o    de uma "autoridade" que prescreve qual deve ser o "bom uso"    da l&iacute;ngua e na l&iacute;ngua e, comumente, tal recomenda&ccedil;&atilde;o    aparece registrada nos documentos prescritivos e normativos. Nesse contexto,    o termo normaliza&ccedil;&atilde;o &eacute; amb&iacute;guo, porque tanto pode    significar o processo de tornar normais os usos ling&uuml;&iacute;sticos, como    significar um processo impositivo de "bom uso". A este &uacute;ltimo    significado cabe mais a express&atilde;o <i>normativiza&ccedil;&atilde;o</i>,    que poderia substituir o termo ling&uuml;&iacute;stico <i>normaliza&ccedil;&atilde;o</i>.    Estas id&eacute;ias podem ser resumidas na seguinte formula&ccedil;&atilde;o    anal&oacute;gica de proporcionalidade: normal: normalizar :: normativo: normativizar;    normalizar: normaliza&ccedil;&atilde;o :: normativizar: normativiza&ccedil;&atilde;o    (7).</font></p>     <p><font size="3">O ato de normalizar um termo est&aacute; mais relacionado ao    de padronizar e de uniformizar e, at&eacute; mesmo, ao de harmonizar do que    ao ato de impor uma forma por procedimentos normativos. Por outro lado, a normativiza&ccedil;&atilde;o    emperra os mecanismos de varia&ccedil;&atilde;o terminol&oacute;gica, uma vez    que o valor de uma palavra passa a ser absoluto, do tipo um termo X serve para    a comunica&ccedil;&atilde;o entre especialistas, enquanto um termo Y deve ser    rejeitado. </font></p>     <p><font size="3">Como produto de varia&ccedil;&atilde;o, as variantes terminol&oacute;gicas    formam classes de acordo com sua natureza ling&uuml;&iacute;stica. A sistematiza&ccedil;&atilde;o    dessas variantes &eacute; tarefa da socioterminologia, cujo estatuto fica assegurado    pela an&aacute;lise da diversidade de termos que ocorrem nos planos vertical,    horizontal e temporal da l&iacute;ngua. Em outras palavras, a diversidade de    uma l&iacute;ngua pode se efetuar em pelo menos tr&ecirc;s planos: i) Toda l&iacute;ngua    &eacute; historicamente diversificada e, dada a mudan&ccedil;a ling&uuml;&iacute;stica,    um estado de l&iacute;ngua no tempo 1 &eacute; diferente de um estado de l&iacute;ngua    no tempo 2. ii) Toda l&iacute;ngua &eacute; socialmente diversificada tanto    pela origem geogr&aacute;fica quanto pela origem social dos locutores. iii)    Toda l&iacute;ngua &eacute; estilisticamente diversificada; os locutores v&atilde;o    modificando sua maneira de falar de acordo com as situa&ccedil;&otilde;es sociais    em que se encontram (8).</font></p>     <p><font size="3">Para que se estabele&ccedil;am padr&otilde;es socioterminol&oacute;gicos    existentes na funcionalidade da terminologia das linguagens de especialidade,    &eacute; preciso, antes de tudo, reconhecer que o estudo da terminologia est&aacute;    em rela&ccedil;&atilde;o direta com o estudo da l&iacute;ngua na qual os termos    s&atilde;o usados. O funcionalismo ling&uuml;&iacute;stico &eacute; a abordagem    adequada, porque orienta a interpreta&ccedil;&atilde;o dos fen&ocirc;menos ling&uuml;&iacute;sticos    para si pr&oacute;prios. Essa perspectiva tem como objeto cient&iacute;fico    descrever e explicar os pr&oacute;prios fen&ocirc;menos ling&uuml;&iacute;sticos,    trabalho a ser feito pelo pesquisador variacionista. </font></p>     <p><font size="3"><b>FEN&Ocirc;MENOS LING&Uuml;&Iacute;STICOS VARI&Aacute;VEIS</b>    Em terminologia, os fen&ocirc;menos vari&aacute;veis ocorrem no sistema interno    da l&iacute;ngua em que est&atilde;o redigidos os textos de especialidade. Trata-se,    portanto, de varia&ccedil;&atilde;o regular intr&iacute;nseca e n&atilde;o de    varia&ccedil;&atilde;o superficial, voltada apenas para o registro do termo.    Somente na dimens&atilde;o vocabular de um corpus textual, de prefer&ecirc;ncia    especializado, &eacute; poss&iacute;vel avaliar <b>o que varia</b> e <b>como</b>    as terminologias <b>variam</b>. </font></p>     <p><font size="3">Normalmente, na l&iacute;ngua comum as variantes se comportam    como vari&aacute;veis dependentes, dentro de um processo de varia&ccedil;&atilde;o,    a caminho de concretizar-se como mudan&ccedil;a. Nas linguagens de especialidade,    a an&aacute;lise &eacute; comumente feita de forma inversa. &Agrave; express&atilde;o    que j&aacute; est&aacute; estabelecida como termo, no discurso cient&iacute;fico    ou t&eacute;cnico de maior prest&iacute;gio, &eacute; atribu&iacute;do o maior    peso de valor ideol&oacute;gico, resultando como <b>o</b> termo preferido, <b>o</b>    recomendado, podendo ser registrado nos dicion&aacute;rios terminol&oacute;gicos.    Essa postura concretiza uma vis&atilde;o ultrapassada que ainda prevalece nos    estudos de terminologia.</font></p>     <p><font size="3">Em nossas pesquisas, em textos de &aacute;reas cient&iacute;ficas    e t&eacute;cnicas, as variantes decorrem de uso em contextos discursivos de    diferentes n&iacute;veis, do movimento da l&iacute;ngua no percurso hist&oacute;rico,    de empr&eacute;stimos, de usos regionais, entre outras categorias, desde que    mantenham o significado implicado. </font></p>     <p><font size="3"><b>DA SOCIOTERMINOLOGIA</b> A socioterminologia nasce como uma    nova corrente, depois que Boulanger (9) declara, em 1991, no seu artigo "Une    lecture s&oacute;cio-culturelle de la terminologie", que a perspectiva    socioterminol&oacute;gica "vem atenuar os efeitos prescritivos exagerados    de algumas proposi&ccedil;&otilde;es normativas" (p.25). Mais tarde, em    1993, Auger observa que aparece "uma nova corrente chamada socioterminologia,    em rea&ccedil;&atilde;o &agrave;s escolas hipernormalizadoras desconectadas    de situa&ccedil;&otilde;es ling&uuml;&iacute;sticas pr&oacute;prias a cada pa&iacute;s;    essa corrente busca suas origens no cruzamento da sociologia da linguagem e    da harmoniza&ccedil;&atilde;o ling&uuml;&iacute;stica." (p. 53). Tanto    Boulanger quanto Auger recha&ccedil;am o ponto de vista puramente prescritivo    em que a terminologia se estruturara. </font></p>     <p><font size="3">Mas &eacute; Gaudin que, em dezembro de 1993, ao publicar sua    tese de doutorado – "Pour une socioterminologie – des probl&egrave;mes    s&eacute;mantiques aux pratiques institutionnelles" (10), discute com mais    pertin&ecirc;ncia a propriedade da terminologia voltada para o social, quando    declara que "… a socioterminologia, com o suposto de que deseja ultrapassar    os limites de uma terminologia "de escriv&atilde;o", deve localizar    a g&ecirc;nese dos termos, sua recep&ccedil;&atilde;o, sua aceita&ccedil;&atilde;o,    mas tamb&eacute;m as causas do insucesso e as do sucesso, no &acirc;mbito das    pr&aacute;ticas ling&uuml;&iacute;sticas e sociais concretas dos homens que    empregam tais termos. Estas pr&aacute;ticas s&atilde;o essencialmente aquelas    que se exercem nas esferas de atividade. Eis porque a socioterminologia devia    reencontrar as reflex&otilde;es nos la&ccedil;os que se criam entre trabalho    e linguagem" (p.216).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Em 1995, a linha de pesquisa l&eacute;xico e terminologia da    UnB, organizou a sub&aacute;rea socioterminologia, sob duas vertentes: i) socioterminologia,    como pr&aacute;tica do trabalho terminol&oacute;gico, fundamenta-se na an&aacute;lise    das condi&ccedil;&otilde;es de circula&ccedil;&atilde;o do termo no funcionamento    da linguagem; ii) socioterminologia, como disciplina descritiva, estuda o termo    sob a perspectiva ling&uuml;&iacute;stica na intera&ccedil;&atilde;o social.    Essa vertente nos possibilitou criar o postulado m&aacute;ximo da socioterminologia,    qual seja ter na base da pesquisa a varia&ccedil;&atilde;o ling&uuml;&iacute;stica    dos termos no meio social e, por conseq&uuml;&ecirc;ncia, entender a mudan&ccedil;a    terminol&oacute;gica como mecanismo resultante da pragm&aacute;tica discursiva.</font></p>     <p><font size="3"><b>OS CAMINHOS DA SOCIOTERMINOLOGIA</b> Vista como uma abordagem    nova e satisfat&oacute;ria para a an&aacute;lise do termo na comunica&ccedil;&atilde;o    cient&iacute;fica e t&eacute;cnica, a socioterminologia se desenvolveu desde    que os te&oacute;ricos apresentaram o estatuto da disciplina e forneceram meios    para an&aacute;lises consistentes. </font></p>     <p><font size="3">A socioterminologia &eacute;, portanto, um ramo da terminologia    que se prop&otilde;e a refinar o conhecimento dos discursos especializados,    cient&iacute;ficos e t&eacute;cnicos, a auxiliar na planifica&ccedil;&atilde;o    ling&uuml;&iacute;stica e a oferecer recursos sobre as circunst&acirc;ncias    da elabora&ccedil;&atilde;o desses discursos ao explorar as liga&ccedil;&otilde;es    entre a terminologia e a sociedade. Uma teoria socioterminol&oacute;gica se    assenta em princ&iacute;pios e fundamentos que constituem os eixos principais    de uma revis&atilde;o pr&aacute;tica e subsidiam as reformula&ccedil;&otilde;es    do que se fazia em anos anteriores. Assim, uma teoria socioterminol&oacute;gica    tem como <i>modus operandi</i>, numa mesma &aacute;rea de conhecimento, os diferentes    n&iacute;veis de comunica&ccedil;&atilde;o que dependem das circunst&acirc;ncias    de emiss&atilde;o, das caracter&iacute;sticas dos interlocutores, do suporte    por meio do qual se d&aacute; a comunica&ccedil;&atilde;o, entre outros. Os    especialistas em socioterminologia t&ecirc;m voltado sua aten&ccedil;&atilde;o    para os diferentes discursos especializados, entre os quais se incluem os contextos    orais, por entenderem que os termos variam e que as variantes devem ser levadas    em conta na elabora&ccedil;&atilde;o de produtos terminogr&aacute;ficos. </font></p>     <p><font size="3">Pelas pr&oacute;prias caracter&iacute;sticas dos l&eacute;xicos,    as variantes s&atilde;o aparentes, muitas vezes origin&aacute;rias de varia&ccedil;&otilde;es    tem&aacute;ticas e nocionais pr&oacute;prias dos setores profissionais. A variabilidade    dos diferentes tipos de discursos, fundamentada na necessidade de observar os    termos em suas realiza&ccedil;&otilde;es contextuais, est&aacute; na esteira    do fen&ocirc;meno variacionista. </font></p>     <p><font size="3">&Agrave;s id&eacute;ias iniciais de W&uuml;ster (11), que defendia    que a terminologia n&atilde;o deveria acolher ambig&uuml;idades, origin&aacute;rias    de denomina&ccedil;&otilde;es plurivalentes e m&uacute;ltiplas, como termos    hom&ocirc;nimos, poliss&ecirc;micos e sin&ocirc;nimos, Faulstich (12) postula:    "o ponto de vista que defendemos &eacute; o de que a terminologia est&aacute;    voltada para a observa&ccedil;&atilde;o do uso do termo em contextos de l&iacute;ngua    oral e de l&iacute;ngua escrita, atitude que implica a possibilidade de identifica&ccedil;&atilde;o    de variantes dentro de um mesmo contexto ou em diferentes contextos em que o    termo &eacute; usado" . Assim, a pesquisa socioterminol&oacute;gica dever&aacute;    considerar que os termos, no meio ling&uuml;&iacute;stico e social, s&atilde;o    entidades pass&iacute;veis de varia&ccedil;&atilde;o e de mudan&ccedil;a e que    as comunica&ccedil;&otilde;es entre membros da sociedade s&atilde;o capazes    de gerar conceitos interacionais para um mesmo termo ou de gerar termos diferentes    para um mesmo conceito (13).</font></p>     <p><font size="3">Para reorganizar a tipologia criada para classificar variantes    em terminologia, Faulstich (13) categoriza as variantes terminol&oacute;gicas    em concorrentes, co-ocorrentes e competitivas; pertencem &agrave; categoria    das concorrentes as variantes formais, que abrangem duas subcategorias, as variantes    formais terminol&oacute;gicas ling&uuml;&iacute;sticas e as variantes formais    terminol&oacute;gicas de registro; por sua vez, as variantes ling&uuml;&iacute;sticas    se subdividem em fonol&oacute;gicas, morfol&oacute;gicas, gr&aacute;ficas, lexicais    e sint&aacute;ticas. As variantes de registro se subdividem em geogr&aacute;ficas,    discursivas e temporais. Na categoria das co-ocorrentes, inserem-se os sin&ocirc;nimos,    e na de variantes competitivas est&atilde;o inclusos os empr&eacute;stimos em    rela&ccedil;&atilde;o a formas vernaculares, a um termo h&iacute;brido, a um    termo decalcado ou mesmo a um outro estrangeirismo propriamente dito. Esta classifica&ccedil;&atilde;o    de ordem sist&ecirc;mica n&atilde;o impossibilita que os tipos apare&ccedil;am    combinados entre si. Assim, por exemplo, um termo pode ser de uso regional e    apresentar uma varia&ccedil;&atilde;o no plano fonol&oacute;gico com repercuss&atilde;o    na forma gr&aacute;fica, como macaxera = macaxeira. </font></p>     <p><font size="3">Em tese de doutorado, de orienta&ccedil;&atilde;o comunicativa,    Freixa (14) interpreta a sinon&iacute;mia como varia&ccedil;&atilde;o denominativa    e aponta causas para essa varia&ccedil;&atilde;o, a saber, causas estil&iacute;sticas,    dialetais, funcionais, socioling&uuml;&iacute;sticas e causas cognitivas. Entende    a autora que os termos variam por estarem ligados a diferentes par&acirc;metros    sociais em que se desenvolvem os discursos especializados. Numa s&iacute;ntese    que extra&iacute;mos das conclus&otilde;es gerais, Freixa situa seu estudo de    unidades terminol&oacute;gicas num marco ling&uuml;&iacute;stico variacionista    e declara a utilidade e a necessidade de um estudo com esta aproxima&ccedil;&atilde;o.    Concluiu que, de um ponto de vista geral, o estudo contextual das unidades terminol&oacute;gicas    "&eacute; a &uacute;nica via v&aacute;lida de observa&ccedil;&atilde;o    desde que o que se pretenda &eacute; apreciar (na terminologia) as caracter&iacute;sticas    reais". (p. 362) </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p ALIGN="center"><img src="/img/revistas/cic/v58n2/a12img02.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Outros pesquisadores t&ecirc;m aplicado as teorias socioterminol&oacute;gicas    a corpora especializados com resultados satisfat&oacute;rios na categoriza&ccedil;&atilde;o    dos dados. Um deles &eacute; o "traballo de investigaci&oacute;n tutelado",    de A. I. Mart&iacute;nez Fern&aacute;ndez (15). A pesquisadora aplica, principalmente,    o modelo de Faulstich, o de Freixa e outros estudos mais pontuais, a dados da    &aacute;rea de "ci&ecirc;ncias da natureza", al&eacute;m do que desenvolve    uma cr&iacute;tica segundo sua pr&oacute;pria interpreta&ccedil;&atilde;o do    fen&ocirc;meno terminol&oacute;gico em galego. E observa que, nas obras terminogr&aacute;ficas    consultadas, foram detectados:</font></p>     <p><font size="3">i) nas compila&ccedil;&otilde;es terminogr&aacute;ficas n&atilde;o    se classificam as variantes; ii) h&aacute; abundante varia&ccedil;&atilde;o    gr&aacute;fica que deve ser regularizada com o estabelecimento de crit&eacute;rios    elaborados e difundidos desde as entidades com compet&ecirc;ncias na normaliza&ccedil;&atilde;o    l&eacute;xica e terminol&oacute;gica como ILG, RAG e Termigal para fixar os    mecanismos de adapta&ccedil;&atilde;o ao galego de termos cl&aacute;ssicos ou    estrangeirismos em quest&atilde;o como o emprego de consoantes ou a acentua&ccedil;&atilde;o,    por exemplo; iii) h&aacute; abundante varia&ccedil;&atilde;o morfol&oacute;gica    que em muitos casos poderia ser regularizada mediante a aplica&ccedil;&atilde;o    de crit&eacute;rios de adapta&ccedil;&atilde;o de termos greco-latinos &agrave;s    formas morfol&oacute;gicas do galego atual &#91;…&#93;; iv) altern&acirc;ncia entre    variantes sint&aacute;ticas expandidas e reduzidas no discurso did&aacute;tico;    v) combina&ccedil;&atilde;o de variantes l&eacute;xicas nos livros de texto;    vi) emprego das variantes geogr&aacute;ficas no n&iacute;vel did&aacute;tico    que n&atilde;o deve ser prescrito para contribuir com a identifica&ccedil;&atilde;o    do alunado com os veiculados na disciplina de ci&ecirc;ncias da natureza por    ser uma mat&eacute;ria estreitamente vinculada ao contorno circundante. A compila&ccedil;&atilde;o    das variantes dialetais nas obras terminogr&aacute;ficas e lexicogr&aacute;ficas    deveria resolver-se com indica&ccedil;&otilde;es da sua distribui&ccedil;&atilde;o    geogr&aacute;fica e com orienta&ccedil;&otilde;es verbo da sua pertin&ecirc;ncia    nos diferentes n&iacute;veis discursivos fazendo expl&iacute;citos os crit&eacute;rios    seguidos na hierarquiza&ccedil;&atilde;o das variantes; vii) presen&ccedil;a    de variantes competitivas tanto sob a forma de empr&eacute;stimos por importa&ccedil;&atilde;o    ou por substitui&ccedil;&atilde;o, como de interfer&ecirc;ncias sem&acirc;nticas&#91;…&#93;    (15).</font></p>     <p><font size="3">Na Universidad del Pa&iacute;s Vasco, tr&ecirc;s pesquisadoras    – Igone Zabala, Agurtzane Elordui e Mercedes Mart&iacute;nez – desenvolvem um    estudo descritivo, em textos de diferentes n&iacute;veis de especializa&ccedil;&atilde;o    escritos em l&iacute;ngua basca, da &aacute;rea de engenharia gen&eacute;tica,    acerca da varia&ccedil;&atilde;o terminol&oacute;gica em contextos socioling&uuml;&iacute;sticos    minorit&aacute;rios: o caso da l&iacute;ngua basca, assim justificado: "Este    primeiro estudo da varia&ccedil;&atilde;o terminol&oacute;gica em l&iacute;ngua    basca nos permite perfilar alguns crit&eacute;rios a serem considerados numa    atividade terminol&oacute;gica em que a redu&ccedil;&atilde;o da varia&ccedil;&atilde;o    assistem&aacute;tica esteja acompanhada da preserva&ccedil;&atilde;o e incentivo    da varia&ccedil;&atilde;o funcional do tipo discursivo, desej&aacute;vel para    o desenvolvimento da l&iacute;ngua" (16).</font></p>     <p><font size="3">As autoras analisam "<i>patrones</i>" de varia&ccedil;&atilde;o,    com base em corpus especializado, sob duas perspectivas, a intratextual em que    comparam as variantes de um mesmo texto para, assim, analisar o uso dos recursos    terminol&oacute;gicos e discursivos por um mesmo autor, e a intertextual, em    que comparam as variantes entre textos distintos para observar as entidades    de varia&ccedil;&atilde;o motivadas pelas diferentes condi&ccedil;&otilde;es    discursivas dos textos. E com base na varia&ccedil;&atilde;o denominativa, apresentam    uma tipologia, com exemplos encontrados nos dados analisados, de que se apresenta    um excerto:</font></p>     <p><font size="3"><b>C&acirc;mbios gr&aacute;ficos:</b> variantes ortogr&aacute;ficas    <i>(ingeniaritza genetiko / injinerutza gen&eacute;tico "ingenier&iacute;a    gen&eacute;tica"); &#91;…&#93;</i></font></p>     <p><font size="3"><b>C&acirc;mbios morfossint&aacute;ticos:</b> altern&acirc;ncia    composto subordinante (nome 1)N1- (nome 2)N2 / composto atributivo N2 N1 <i>(ama-zelula    / zelula ama "c&eacute;lula madre")</i>; altern&acirc;ncia composto    N-N / seq&uuml;&ecirc;ncia sint&aacute;tica do tipo (sintagma preposicionado)    SP+N <i>(zelula-nukleo / zelularen nukleoa "n&uacute;cleo celular")</i>;    altern&acirc;ncia composto N-N / seq&uuml;&ecirc;ncia sint&aacute;tica do tipo    N+Adj. <i>(gene-terapia / terapia geniko "terapia g&eacute;nica")</i>;    altern&acirc;ncia composto N-N / derivado <i>(landare-hobekuntza / fitohobekuntza    "mejora vegetal / fitomejora")</i>; altern&acirc;ncia N+Adj. / SP+N    <i>(gaixotasun hereditario / herentziazko gaixotasun "enfermedad hereditaria")</i>.</font></p>     <p><font size="3"><b>Redu&ccedil;&otilde;es:</b> da extens&atilde;o <i>(izaki    bizidunak / izakiak "seres (vivos)")</i>; da base <i>(izaki bizidunak    / bizidunak "(seres) vivos"); &#91;…&#93;</i></font></p>     <p><font size="3"><a name="tx01"></a><b>C&acirc;mbios l&eacute;xicos:</b> entre    duas formas patrimoniais simples <i>( txertatu /erantsi "insertar")</i>    ou uma forma patrimonial simples e uma complexa <i>(hari / harizpi "hebra")</i>;    entre um empr&eacute;stimo e uma forma patrimonial complexa <i>(bektore / garraiatzaile    "vector"; organismo / bizidun "organismo")</i>; forma culta    / forma patrimonial <i>(zigoto / obulu ernaldu "cigoto / &oacute;vulo fecundado");    &#91;…&#93; )</i><a href="#nt">*</a></font></p>     <p><font size="3"><b>CONSIDERA&Ccedil;&Otilde;ES FINAIS</b> A discuss&atilde;o    que se apresentou neste artigo relaciona terminologia e socioterminologia &agrave;    pol&iacute;tica de l&iacute;ngua. J&aacute; em trabalho anterior, publicado    em 1998, chamou-se aten&ccedil;&atilde;o para o papel da planifica&ccedil;&atilde;o    ling&uuml;&iacute;stica, que deve apoiar-se em um projeto ling&uuml;&iacute;stico    coletivo e deve resultar de um esfor&ccedil;o conjunto para o estabelecimento    de uma pol&iacute;tica ling&uuml;&iacute;stica nacional. Nesse &acirc;mbito,    incluiu-se uma reflex&atilde;o acerca da normaliza&ccedil;&atilde;o terminol&oacute;gica,    que &eacute;, pela pr&oacute;pria natureza, normaliza&ccedil;&atilde;o ling&uuml;&iacute;stica.    Chamou-se aten&ccedil;&atilde;o para os vieses da normaliza&ccedil;&atilde;o,    ao considerar que normaliza&ccedil;&atilde;o ling&uuml;&iacute;stica &eacute;    diferente de normaliza&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica. Esta &uacute;ltima &eacute;    base para a certifica&ccedil;&atilde;o de conformidade, uma vez que tem cunho    internacional e &eacute; utilizada como fator fundamental para aumentar a confian&ccedil;a    do consumidor e do usu&aacute;rio em produtos e servi&ccedil;os que estejam    de acordo com os requisitos de empresas, a fim de satisfazerem os padr&otilde;es    de gest&atilde;o de qualidade adotados pelo mercado. A normaliza&ccedil;&atilde;o    ling&uuml;&iacute;stica, por outro lado, tem de levar em conta a(s) gram&aacute;tica(s)    da l&iacute;ngua numa rela&ccedil;&atilde;o direta com os usos que fazem dela(s);    &eacute;, de fato, a l&iacute;ngua em funcionamento para os fins de comunica&ccedil;&atilde;o    escrita e oral. </font></p>     <p><font size="3">Nessa linha de racioc&iacute;nio, insere-se a socioterminologia,    como disciplina que desenvolve m&eacute;todos de an&aacute;lise para o termo    e para a descri&ccedil;&atilde;o, segundo as caracter&iacute;sticas de varia&ccedil;&atilde;o    no contexto social e ling&uuml;&iacute;stico onde ocorre. Gaudin, ao afirmar    que "a dimens&atilde;o social destaca-se, de modo particular, nas preocupa&ccedil;&otilde;es    de pol&iacute;tica ling&uuml;&iacute;stica. O estudo da circula&ccedil;&atilde;o    social dos termos, por&eacute;m, implica igualmente pr&aacute;ticas ling&uuml;&iacute;sticas,    tal como a que se designa vulgariza&ccedil;&atilde;o. Partilha a vis&atilde;o    pol&iacute;tica da terminologia, sem interdi&ccedil;&atilde;o (17).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">O que se percebe &eacute; que, no Brasil, ainda faltam especialistas,    em terminologia, em socioterminologia, em pol&iacute;ticas ling&uuml;&iacute;sticas.    A interface que a terminologia tem com a tradu&ccedil;&atilde;o, com a documenta&ccedil;&atilde;o    e com a inform&aacute;tica &eacute; um caminho de abertura, mas ainda n&atilde;o    suficiente para atender a uma demanda que come&ccedil;a a reclamar a presen&ccedil;a    de pessoal com forma&ccedil;&atilde;o especializada na &aacute;rea.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><i><b>Enilde Faulstich</b> &eacute; professora adjunta do Departamento    de Ling&uuml;&iacute;stica, L&iacute;nguas Cl&aacute;ssicas e Vern&aacute;cula    (LIV), do Instituto de Letras (IL), da Universidade de Bras&iacute;lia (UnB);    &eacute; coordenadora do Centro de Estudos Lexicais e Terminol&oacute;gicos    – Centro Lexterm – do LIV/IL/UnB.</i></FONT></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>NOTAS E REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">1. Cabr&eacute;, M. T. <i>La terminologia. Teoria, metodologia,    aplicaciones</i>. Barcelona, Ant&aacute;rtida / Emp&uacute;ries, 1993.</font><!-- ref --><p><font size="3">2. Depecker, L. "Terminologie et standardisation",    em <i>Jornada Panllatina de Terminologia</i>, Barcelona, Universitat Pompeu    Fabra, Institut Universitari de Ling&uuml;&iacute;stica Aplicada, p. 31, 1995.</font><!-- ref --><p><font size="3">3. Auger , Pierre. "La commission de terminologie de    l"Office de la langue fran&ccedil;aise et la normalisation terminologique".    <i>In Terminogramme</i>, 26-27, pp. 9-12, 1984.</font><p><font size="3">4. <a href="http://www.granddictionnaire.com" target="_blank"><i>http://www.granddictionnaire.com</i></a></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">5. Fonte: BTQ / Bureau de Normalisation du Qu&eacute;bec    (BNQ) <i><a href="http://www.bnq.qc.ca/fr/norme/processus_norme.html" target="_blank">http://www.bnq.qc.ca/fr/norme/processus_norme.html</a></i>    . A tradu&ccedil;&atilde;o e adapta&ccedil;&atilde;o do texto consultado &eacute;    de nossa responsabilidade.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">6. Fishman, J. A. "A sociologia da linguagem".    <i>In Socioling&uuml;&iacute;stica</i> &#91;Fonseca, Maria Stella V. e Neves, Moema    F. (orgs)&#93;, Rio de Janeiro, Eldorado, 1974.</font><!-- ref --><p><font size="3">7. Faulstich, E. "A fun&ccedil;&atilde;o social da terminologia",    <i>Humanitas</i>, S&atilde;o Paulo, FFLCH, USP, pp. 167-183, 1999.</font><!-- ref --><p><font size="3">8. Vermes, G. e Boutet, J. (orgs). <i>Multiling&uuml;ismo</i>.    &#91;trad. C. M. Cruz et alii&#93;. Campinas, Unicamp, 1989.</font><!-- ref --><p><font size="3">9. Boulanger, J.-C. "Une lecture socio-culturelle de    la terminologie". <i>Cahiers de linguistique sociale</i>. (18). pp. 13-30.    1991. </font><!-- ref --><p><font size="3">10. Gaudin, F. <i>Socioterminologie. Des probl&egrave;mes    semantiques aux pratiques institutionnelles</i>. Rouen, Universit&eacute; de    Rouen, 1993.</font><!-- ref --><p><font size="3">11. Cf. Lurquin, G. "In Memoriam Eugen W&uuml;ster".    <i>Le langage et l’homme</i>. (40), pp. 55-71. 1979.</font><!-- ref --><p><font size="3">12. Faulstich. E. "Aspectos de terminologia geral e    terminologia variacionista". <i>In TradTerm</i>, 7, p. 11-40, 2001.</font><!-- ref --><p><font size="3">13. Faulstich, E. "Varia&ccedil;&atilde;o em terminolog&iacute;a.    Aspectos de socioterminologia". <i>In Panorama actual de la terminolog&iacute;a</i>.    Granada, Editorial Comares, pp. 65-106, 2002.</font><!-- ref --><p><font size="3">14. Freixa, Judit. "La variaci&oacute; terminol&ograve;gica.    An&agrave;lisi de la variaci&oacute; denominativa en textos de diferent grau    d"especialitzaci&oacute; de l"&agrave;rea de medi ambient". Tese    de doutorado - 2002. Departament de Filologia Catalana, Universitat de Barcelona;    Institut Universitari de Ling&uuml;&iacute;stica Aplicada. Edi&ccedil;&atilde;o    em CD-ROM. Barcelona 2003.</font><!-- ref --><p><font size="3">15. Mart&iacute;nez Fern&aacute;ndez, A. I. <i>Aproximaci&oacute;n    &aacute; variaci&oacute;n terminol&oacute;xica do galego na did&aacute;ctica    das Ci&ecirc;ncias da Natureza. An&aacute;lise socioterminol&oacute;xica</i>,    da Universidade de Santiago de Compostela, em 2004.</font><!-- ref --><p><font size="3">16. Zabala, I, A. Elodi, M. Mart&iacute;nez. "La variaci&oacute;n    terminol&oacute;gica en contextos socioling&uuml;&iacute;sticos minorizados":    <i>el caso de la lengua vasca. In RITERM</i>, Barcelona, 2004.</font><!-- ref --><p><font size="3">17. Gaudin, F. "La socioterminologie". <i>In Langages</i>,    157, Larousse, pp. 80-92, mars 2005. </font><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><a name="nt"></a><a href="#tx01">*</a> Trecho traduzido pela    autora</FONT></p>      ]]></body><back>
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<label>1</label><nlm-citation citation-type="book">
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<surname><![CDATA[Cabré]]></surname>
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