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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v58n2/a11img01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size=5><b>TERMINOLOGIA T&Eacute;CNICO-CIENT&Iacute;FICA: POL&Iacute;TICAS    LING&Uuml;&Iacute;STICAS E MERCOSUL</b></font></p>     <p><font size="3"><b>Maria da Gra&ccedil;a Krieger</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p ALIGN="RIGHT"><font size="3"><i>"A constitui&ccedil;&atilde;o de uma terminologia    pr&oacute;pria marca,     <BR>   em toda ci&ecirc;ncia, o advento ou o desenvolvimento de uma conceitualiza&ccedil;&atilde;o    nova,     <br>   assinalando, assim, um momento decisivo de sua hist&oacute;ria. Poder-se-ia    mesmo dizer que a     <br>   hist&oacute;ria particular de uma ci&ecirc;ncia se resume na de seus termos    espec&iacute;ficos." (1)</i></FONT></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><b>TERMOS T&Eacute;CNICOS-CIENT&Iacute;FICOS</b> Ao salientar    o papel da terminologia na constitui&ccedil;&atilde;o do pensamento cient&iacute;fico,    o c&eacute;lebre ling&uuml;ista Benveniste tamb&eacute;m evidencia que seu uso    est&aacute; relacionado a atividades que envolvem um saber especializado. Isso    se justifica porque os termos t&eacute;cnico-cient&iacute;ficos transmitem conceitos    pr&oacute;prios do conhecimento cient&iacute;fico, t&eacute;cnico, tecnol&oacute;gico,    jur&iacute;dico, entre outros dom&iacute;nios. Da&iacute; a raz&atilde;o pela    qual se pode fazer refer&ecirc;ncia &agrave; terminologia da qu&iacute;mica,    da biologia, da ling&uuml;&iacute;stica, al&eacute;m de muitas outras. Em paralelo    aos campos cient&iacute;ficos, as terminologias s&atilde;o tamb&eacute;m designativas    de componentes e de produtos resultantes da t&eacute;cnica e da tecnologia,    conforme hoje se compreende. </font></p>     <p><font size="3">Em raz&atilde;o de sua caracter&iacute;stica maior, ou seja,    delimitar conceitos pr&oacute;prios de uma &aacute;rea, diferenciando-se, nessa    medida, da palavra comum, entende-se que:</font></p>     <blockquote>        <p><font size="3">"Para os especialistas, a terminologia &eacute; o reflexo      formal da organiza&ccedil;&atilde;o conceptual de uma especialidade e um meio      inevit&aacute;vel de express&atilde;o e de comunica&ccedil;&atilde;o profissional".      (2)</font></p> </blockquote>     <p><font size="3">Mas, al&eacute;m de conjunto de termos de um campo de saber,    a refer&ecirc;ncia &agrave; terminologia designa um ramo da ling&uuml;&iacute;stica,    cujo objeto primeiro de investiga&ccedil;&atilde;o &eacute; o pr&oacute;prio    termo, compreendido como unidade lexical de valor especializado, porquanto integra    o conjunto denominativo e conceptual das ci&ecirc;ncias e das t&eacute;cnicas.    </font></p>     <p><font size="3">Em linhas gerais, a pesquisa te&oacute;rica est&aacute; relacionada    ao estudo dos componentes cognitivos e pragm&aacute;ticos que conferem estatuto    terminol&oacute;gico &agrave;s unidades lexicais de um sistema ling&uuml;&iacute;stico,    junto &agrave; descri&ccedil;&atilde;o de suas estruturas morfossint&aacute;ticas    e das formas de comportamento nos cen&aacute;rios comunicativos de que participam.    Em sua face aplicada, o trabalho terminol&oacute;gico, entre outros aspectos,    busca definir princ&iacute;pios e m&eacute;todos orientadores da elabora&ccedil;&atilde;o    de gloss&aacute;rios, dicion&aacute;rios t&eacute;cnico-cient&iacute;ficos,    bancos de dados terminol&oacute;gicos, ontologias, al&eacute;m de outros produtos    que sistematizam e divulgam termos espec&iacute;ficos de uma &aacute;rea. </font></p>     <p><font size="3">A terminologia &eacute; considerada uma ci&ecirc;ncia ainda    nova; mas, em contrapartida, o uso de termos t&eacute;cnico-cient&iacute;ficos    vem de tempos remotos :</font></p>     <blockquote>        <p><font size="3">A terminologia n&atilde;o &eacute; um fen&ocirc;meno recente.      Com efeito, t&atilde;o longe quanto se remonte na hist&oacute;ria do homem,      desde que se manifesta a linguagem, nos encontramos em presen&ccedil;a de      l&iacute;nguas de especialidade, &eacute; assim que se encontra a terminologia      dos fil&oacute;sofos gregos, a l&iacute;ngua de neg&oacute;cios dos comerciantes      cretas, dos voc&aacute;bulos especializados da arte militar, etc. (3)</font></p> </blockquote>     <p><font size="3">Na realidade, o s&eacute;culo XX &eacute; o cen&aacute;rio maior    de grande desenvolvimento e consolida&ccedil;&atilde;o da terminologia, quer    como instrumental ling&uuml;&iacute;stico a servi&ccedil;o da comunica&ccedil;&atilde;o    profissional, quer como campo de conhecimento. O crescimento desse componente    ling&uuml;&iacute;stico, denominado de l&eacute;xico especializado, est&aacute;    diretamente relacionado &agrave; exponencial amplia&ccedil;&atilde;o do conhecimento    cient&iacute;fico e da produ&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica, uma das mais    marcantes caracter&iacute;sticas do final do mil&ecirc;nio. Em conseq&uuml;&ecirc;ncia,    novos termos surgem e, se multiplicam, para "batizar" as inova&ccedil;&otilde;es    que surgem cotidianamente. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Nesse mesmo cen&aacute;rio, cresce tamb&eacute;m o interesse    pela terminologia em raz&atilde;o de sua funcionalidade na comunica&ccedil;&atilde;o    profissional. Um termo n&atilde;o &eacute; apenas express&atilde;o de um n&oacute;dulo    conceitual das ci&ecirc;ncias ou designa&ccedil;&atilde;o de uma inova&ccedil;&atilde;o    tecnol&oacute;gica, mas &eacute; tamb&eacute;m forte recurso ling&uuml;&iacute;stico    de precis&atilde;o conceitual. O uso de termos contribui, em muito, para tornar    a chamada comunica&ccedil;&atilde;o especializada mais objetiva, menos sujeita    a ambig&uuml;idades e, conseq&uuml;entemente, mais eficiente, porquanto favorece    uma compreens&atilde;o comum sobre os conceitos, objetos e processos expressos    pelo componente terminol&oacute;gico. </font></p>     <p><font size="3">Essas propriedades t&iacute;picas dos termos s&atilde;o efetivamente    relevantes para uma comunica&ccedil;&atilde;o profissional sem ru&iacute;dos.    Tanto assim &eacute; que os pr&oacute;prios cientistas, buscando esses ideais,    cunharam as nomenclaturas t&eacute;cnico-cient&iacute;ficas, valendo-se do grego    e do latim, como forma de fugir da ambig&uuml;idade pr&oacute;pria das palavras.    Isto significou um recurso extremo de propiciar uma univocidade comunicacional    no plano das ci&ecirc;ncias, em &acirc;mbito internacional. Diferentemente,    os termos integram as in&uacute;meras l&iacute;nguas de cultura, s&atilde;o    itens ling&uuml;&iacute;sticos naturais e n&atilde;o artificiais como nas nomenclaturas,    muito embora guardem suas propriedades denotativas particulares. </font></p>     <p><font size="3">Indubitavelmente, n&atilde;o h&aacute; comunica&ccedil;&atilde;o    especializada sem termos e seu uso adequado &eacute; fator qualitativo para    a divulga&ccedil;&atilde;o precisa e objetiva da ci&ecirc;ncia e de produtos    tecnol&oacute;gicos, bem como para o assentamento de toda sorte de contratos    comerciais e sociais, entre tantas outras atividades de trocas e interc&acirc;mbios.    </font></p>     <p><font size="3"><b>POL&Iacute;TICAS LING&Uuml;&Iacute;STICAS</b> A funcionalidade    expressiva e conceitual operada pelos termos t&eacute;cnico-cient&iacute;ficos    explica tamb&eacute;m o motivo pelo qual o mundo globalizado, cuja mola mestra    &eacute; o interc&acirc;mbio comercial e a conseq&uuml;ente amplia&ccedil;&atilde;o    das rela&ccedil;&otilde;es internacionais, tem conferido relev&acirc;ncia &agrave;s    terminologias. Tanto assim &eacute; que, nos &uacute;ltimos tempos, t&ecirc;m    surgido uma s&eacute;rie de iniciativas para organizar e divulgar as terminologias    de uma l&iacute;ngua, bem como criar condi&ccedil;&otilde;es de registro de    equivalentes dos termos tamb&eacute;m em outros idiomas. Este &eacute; o caso,    por exemplo, da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia que, em seu projeto de unifica&ccedil;&atilde;o,    criou um Banco de Dados Terminol&oacute;gicos: o <i>Eraudicautom</i>. Nele,    est&atilde;o registrados termos de v&aacute;rias &aacute;reas definidas como    priorit&aacute;rias para as trocas comerciais e os interc&acirc;mbios cient&iacute;ficos    e culturais nas l&iacute;nguas oficiais da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia. De    fato, as terminologias sistematizadas e multil&iacute;ng&uuml;es constituem    um instrumento de recupera&ccedil;&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o de grande    valia ao trabalho de tradutores, int&eacute;rpretes e toda sorte de profissionais    que lidam com a linguagem. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v58n2/a17img01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <font size="3">Os protagonistas desse processo de alargamento de fronteiras    internas da Europa reconheceram, portanto, o importante papel dos termos t&eacute;cnico-cient&iacute;ficos    para uma comunica&ccedil;&atilde;o mais eficiente, uma adequada transfer&ecirc;ncia    de tecnologia e um correto estabelecimento de contratos comerciais entre outras    a&ccedil;&otilde;es de coopera&ccedil;&atilde;o. Dessa forma, estabeleceram    uma pol&iacute;tica ling&uuml;&iacute;stica multil&iacute;ng&uuml;e em rela&ccedil;&atilde;o    &agrave;s terminologias que re&uacute;ne uma face integradora e outra de valor    econ&ocirc;mico. A correla&ccedil;&atilde;o das l&iacute;nguas funciona como    uma importante estrat&eacute;gia de integra&ccedil;&atilde;o entre os povos    que ampliaram suas fronteiras, posto que o multiculturalismo dos tempos atuais    valoriza as identidades ling&uuml;&iacute;sticas a tal ponto que n&atilde;o    h&aacute; nenhuma proposi&ccedil;&atilde;o de l&iacute;ngua oficial &uacute;nica.</font></p>     <p><font size="3">Mais que isto, a divulga&ccedil;&atilde;o e o acesso a l&eacute;xicos    terminol&oacute;gicos multil&iacute;ng&uuml;es favorecem os neg&oacute;cios    e os interc&acirc;mbios que, nos atuais blocos econ&ocirc;micos, expandem-se    para o mundo cient&iacute;fico, tecnol&oacute;gico e cultural. Vista sob esse    &acirc;ngulo, a terminologia sistematizada &eacute; um estrat&eacute;gico plano    socioecon&ocirc;mico, baseado no princ&iacute;pio de valoriza&ccedil;&atilde;o    das identidades culturais, e componente facilitador da comunica&ccedil;&atilde;o    no plano de trocas de produtos, servi&ccedil;os e conhecimentos de cada pa&iacute;s.    </font></p>     <p><font size="3">Al&eacute;m de bancos terminol&oacute;gicos, gloss&aacute;rios    e dicion&aacute;rios t&eacute;cnico-cient&iacute;ficos tamb&eacute;m s&atilde;o    instrumentos de consulta de grande utilidade, pois precisam as denomina&ccedil;&otilde;es    correntes de produtos e processos, bem como expressam conceitos que integram    os mais diferentes campos do saber especializado.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">O valor esse tipo de obra de refer&ecirc;ncia vincula-se ainda    ao fato de que, mesmo indiretamente, todas cumprem um papel normalizador, vale    dizer, constituem-se em inst&acirc;ncias que determinam a norma, o padr&atilde;o    ling&uuml;&iacute;stico e conceitual a ser corretamente empregado. O dicion&aacute;rio    de l&iacute;ngua &eacute; o exemplo maior desse inevit&aacute;vel processo de    estabelecimento do padr&atilde;o "correto" do uso das palavras de    uma l&iacute;ngua; funcionando, nesse sentido, como um c&oacute;digo normativo    do "bem-dizer". </font></p>     <p><font size="3">Transposta para o universo das obras de refer&ecirc;ncia especializada,    a situa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; diferente. Ao contr&aacute;rio,    reafirma-se o papel social, pol&iacute;tico e econ&ocirc;mico desses instrumentos    ling&uuml;&iacute;sticos nas sociedades, tendo em vista o quanto contribuem    para responder a d&uacute;vidas sobre exist&ecirc;ncia de determinados termos    e seus respectivos conceitos, componentes expressivos que, obrigatoriamente,    integram toda e qualquer assunto que se torna objeto de interc&acirc;mbios comunicativos.    De fato, inexiste comunica&ccedil;&atilde;o especializada sem terminologia,    independente de seu objetivo espec&iacute;fico ser a divulga&ccedil;&atilde;o    do conhecimento cient&iacute;fico ou dar publicidade a inova&ccedil;&otilde;es    tecnol&oacute;gicas ou ainda objetivar o estabelecimento de acordos e contratos    para incrementar o com&eacute;rcio e a coopera&ccedil;&atilde;o cultural, tanto    em n&iacute;vel nacional, quanto internacional.</font></p>     <p><font size="3">A constata&ccedil;&atilde;o da funcionalidade dos l&eacute;xicos    tem&aacute;ticos no mundo globalizado est&aacute; fazendo tamb&eacute;m com    que empresas do chamado setor produtivo busquem estrat&eacute;gias para padronizar    usos terminol&oacute;gicos pr&oacute;prios, tanto para seu consumo interno,    quanto externo. Tal padroniza&ccedil;&atilde;o tem por objetivo otimizar o processo    de comunica&ccedil;&atilde;o nas empresas. De um ponto de vista interno, o uso    padronizado de termos favorece o entendimento entre segmentos distintos, como    a administra&ccedil;&atilde;o da organiza&ccedil;&atilde;o e os setores operacionais.    Com isso, harmoniza-se a linguagem, facilitando o entendimento, entre, por exemplo,    engenheiros e pessoal de oficina. S&atilde;o duas categorias de profissionais    que, pela sua forma&ccedil;&atilde;o, utilizam denomina&ccedil;&otilde;es t&eacute;cnicas    distintas. </font></p>     <p><font size="3">A necessidade de padroniza&ccedil;&atilde;o tem sido igualmente    reconhecida em fun&ccedil;&atilde;o do uso de l&iacute;nguas distintas em organiza&ccedil;&otilde;es    multinacionais ou mesmo nas nacionais que contam com v&aacute;rias unidades,    localizadas em diferentes regi&otilde;es de um mesmo pa&iacute;s. </font></p>     <p><font size="3">Diante desses aspectos positivos, o uso padronizado das terminologias    passou a ser considerado um princ&iacute;pio de efici&ecirc;ncia e de qualidade    no contexto empresarial, bem como um fator que favorece as condi&ccedil;&otilde;es    de competitividade. Apesar dessa consci&ecirc;ncia em organiza&ccedil;&otilde;es    de grande porte, o valor da circula&ccedil;&atilde;o e harmoniza&ccedil;&atilde;o    dos termos t&eacute;cnico-cient&iacute;ficos &eacute; ainda discreto no segmento    empresarial e, praticamente nulo em institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas    no Brasil e no Mercosul. No entanto, estas poderiam se beneficiar largamente    de um projeto terminol&oacute;gico comum, tal como ocorre na Uni&atilde;o Europ&eacute;ia    e no Canad&aacute;, pa&iacute;s que se destaca pela organiza&ccedil;&atilde;o    terminol&oacute;gica, motivado pelo intuito de favorecer o entendimento entre    os falantes de suas duas l&iacute;nguas oficiais.</font></p>     <p><font size="3"><b>MERCOSUL</b> Diante da funcionalidade operada pelos termos    especializados na transmiss&atilde;o de conhecimentos cient&iacute;ficos e t&eacute;cnicos    e na divulga&ccedil;&atilde;o de produtos e servi&ccedil;os justifica-se a necessidade    de concretizar um projeto terminol&oacute;gico para um contexto de integra&ccedil;&atilde;o    regional como o Mercosul. Conseq&uuml;entemente, &eacute; um importante recurso    estrat&eacute;gico organizar e facilitar o acesso a repert&oacute;rios terminol&oacute;gicos    que privilegiam &aacute;reas de interesse das sociedades que pretendem se integrar    na busca de seu fortalecimento.</font></p>     <p><font size="3">Isso significa a necessidade, bem como a urg&ecirc;ncia de organiz&aacute;-las    em nossas l&iacute;nguas e de divulg&aacute;-las por meio da produ&ccedil;&atilde;o    de instrumentos terminol&oacute;gicos bil&iacute;ng&uuml;es, contemplando o    espanhol e o portugu&ecirc;s aqui falados. A necessidade intensifica-se diante    da quase total inexist&ecirc;ncia de obras de refer&ecirc;ncia t&eacute;cnico-cient&iacute;ficas,    elaboradas no portugu&ecirc;s do Brasil e no espanhol dos pa&iacute;ses da Am&eacute;rica    Latina, l&iacute;nguas que atualmente diferem, em muito, das faladas em Portugal    e na Espanha.</font></p>     <p><font size="3">Em suma, dotar o Mercosul de condi&ccedil;&otilde;es mais eficientes    de acesso &agrave;s terminologias, requer uma pol&iacute;tica ling&uuml;&iacute;stica    que viabilize a constitui&ccedil;&atilde;o de um banco de dados terminol&oacute;gicos    do Mercosul. Este &eacute; um instrumento fundamental que permite recuperar    a informa&ccedil;&atilde;o de forma &aacute;gil em raz&atilde;o dos recursos    trazidos pelas atuais tecnologias da informa&ccedil;&atilde;o. Uma a&ccedil;&atilde;o    nessa dire&ccedil;&atilde;o facilitar&aacute; em muito, o trabalho de muitos    segmentos profissionais, cujo trabalho reside na elabora&ccedil;&atilde;o, bem    como na tradu&ccedil;&atilde;o de textos t&eacute;cnicos. </font></p>     <p><font size="3">Por outro lado, criar as condi&ccedil;&otilde;es para recuperar    e divulgar a informa&ccedil;&atilde;o, significa tamb&eacute;m promover o potencial    produtivo e cient&iacute;fico do Mercosul. A rigor, trata-se de uma forma de    sobreviv&ecirc;ncia. Vale dizer, o acesso ao l&eacute;xico terminol&oacute;gico    otimiza a divulga&ccedil;&atilde;o das ci&ecirc;ncias, bem como as condi&ccedil;&otilde;es    de competitividade pretendidas com a divulga&ccedil;&atilde;o de produtos e    servi&ccedil;os. Da&iacute; por que, no mundo do conhecimento e da informa&ccedil;&atilde;o,    a sistematiza&ccedil;&atilde;o e divulga&ccedil;&atilde;o das terminologias    assume valor estrat&eacute;gico. </font></p>     <p><font size="3">Nessa perspectiva, melhores condi&ccedil;&otilde;es de informa&ccedil;&atilde;o    devem tamb&eacute;m facilitar a inser&ccedil;&atilde;o e consolida&ccedil;&atilde;o    do Mercosul no mercado internacional. Diante disso, adquire relev&acirc;ncia    a inclus&atilde;o do ingl&ecirc;s, como l&iacute;ngua veicular dos suportes    elaborados. Caso contr&aacute;rio, os instrumentos produzidos n&atilde;o ser&atilde;o    suficientemente adequados para propiciar a circula&ccedil;&atilde;o internacional    das mercadorias, assim como difundir os conhecimentos e as tecnologias aqui    produzidos. &Eacute; preciso, portanto, compatibilizar os equivalentes terminol&oacute;gicos    n&atilde;o apenas no que concerne ao portugu&ecirc;s e ao espanhol da Am&eacute;rica,    mas tamb&eacute;m ao ingl&ecirc;s, sem excluir a possibilidade de relacionar    os termos a outros idiomas de pa&iacute;ses produtores de conhecimentos e produtos    de ponta, com os quais h&aacute; interesse de interc&acirc;mbio. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"> Todas essas a&ccedil;&otilde;es, ao otimizarem as condi&ccedil;&otilde;es    de comunica&ccedil;&atilde;o, funcionam como coadjuvantes na busca de competitividade    comercial, bem como no estabelecimento de toda sorte de interc&acirc;mbios cient&iacute;ficos    e culturais. No entanto, apesar desses aspectos positivos, &eacute; importante    observar que a organiza&ccedil;&atilde;o terminol&oacute;gica, em regi&otilde;es    que congregam l&iacute;nguas distintas, n&atilde;o pode ser pautada pelo ideal    padronizador, visado pelas empresas. </font></p>     <p><font size="3">Ao contr&aacute;rio, &eacute; necess&aacute;rio contemplar a    diversidade dos usos terminol&oacute;gicos de cada regi&atilde;o e pa&iacute;s,    incluindo sin&ocirc;nimos e regionalismos para que o instrumento referencial    permita uma busca produtiva. Em outras palavras, &eacute; preciso registrar    as vozes distintas e n&atilde;o simplesmente silenci&aacute;-las, o que &eacute;    fundamental em todo projeto integrador. Dessa forma, esse tipo de trabalho precisa    ser norteado por princ&iacute;pios metodol&oacute;gicos que, sem apagar diversidades    culturais, sistematizem os dados recorrentes no Mercosul, construindo a necess&aacute;ria    unidade no plano dos termos t&eacute;cnico-cient&iacute;ficos. </font></p>     <p><font size="3">Sem d&uacute;vida, os diferentes pap&eacute;is que cumprem as    terminologias t&eacute;cnico-cient&iacute;ficas nos processos de integra&ccedil;&atilde;o    e sua relev&acirc;ncia na ordem mundial ora vigente, evidenciam a urg&ecirc;ncia    de se proceder, com os devidos cuidados metodol&oacute;gicos, &agrave; coleta    e organiza&ccedil;&atilde;o dos termos t&eacute;cnicos e cient&iacute;ficos    criados e utilizados no Mercosul. </font></p>     <p><font size="3">Ao modo de conclus&atilde;o, &eacute; devido lembrar um pouco    de hist&oacute;ria, de tentativas j&aacute; realizadas no Mercosul para dot&aacute;-lo    de um banco de termos t&eacute;cnico-cient&iacute;ficos. Ainda no decorrer dos    anos 1990, o Brasil prop&ocirc;s um projeto dessa natureza, por meio do Instituto    Brasileiro de Informa&ccedil;&atilde;o em Ci&ecirc;ncia e Tecnologia e, contando    com o apoio da Uni&atilde;o Latina. Essa proposta teve acolhida pelos outros    signat&aacute;rios do Tratado de Assun&ccedil;&atilde;o, tendo seu in&iacute;cio    no &acirc;mbito da Subcomiss&atilde;o de Terminologia, constitu&iacute;da com    o fim espec&iacute;fico de realizar o projeto desse banco de terminologia. Tal    Subcomiss&atilde;o integrou o programa denominado de Reuni&atilde;o Especializada    de Ci&ecirc;ncia e Tecnologia, formada por representantes oficiais de todos    os pa&iacute;ses signat&aacute;rios do Mercosul. </font></p>     <p><font size="3">V&aacute;rias a&ccedil;&otilde;es se desenvolveram, algumas    etapas foram superadas, mas o projeto n&atilde;o se concretizou por uma s&eacute;rie    de raz&otilde;es pol&iacute;ticas e estruturais. Talvez tamb&eacute;m porque    o momento n&atilde;o fosse ainda apropriado, considerando que a experi&ecirc;ncia    para refletir e desenvolver produtos terminol&oacute;gicos era ainda muito incipiente    em toda a Am&eacute;rica Latina. </font></p>     <p><font size="3">De todo modo, essa tentativa foi uma mola propulsora da forma&ccedil;&atilde;o    de grupos que hoje estudam terminologia nas universidades e mesmo fora delas,    na Argentina, no Uruguai e no Paraguai. Na &eacute;poca, o Brasil j&aacute;    contava com grupos de pesquisa em algumas universidades. Esses grupos cresceram    com a a&ccedil;&atilde;o de novos pesquisadores que buscaram forma&ccedil;&atilde;o    p&oacute;s-graduada. Ao mesmo tempo, v&aacute;rios gloss&aacute;rios e dicion&aacute;rios    circulam no pa&iacute;s, resultantes de estudos aplicados de terminologia. Tudo    isto tem contribu&iacute;do para que a &aacute;rea esteja consolidada nos ambientes    de pesquisa universit&aacute;ria. </font></p>     <p><font size="3">Pragmaticamente, resta e permanece a id&eacute;ia de que pol&iacute;ticas    eficientes de desenvolvimento das regi&otilde;es que alargaram suas fronteiras    devem, obrigatoriamente, concretizar um projeto terminol&oacute;gico comum que    inclua, tamb&eacute;m, a produ&ccedil;&atilde;o de bancos nacionais, os quais    poderiam alimentar o do Mercosul. </font></p>     <p><font size="3">Essa seria uma forma de atestar que a organiza&ccedil;&atilde;o    de nossas terminologias, mesmo com os neologismos e estrangeirismos que as afetam,    e com o devido registro das varia&ccedil;&otilde;es que sofrem, constitui uma    instrumenta&ccedil;&atilde;o socioecon&ocirc;mica vital a um consistente processo    de integra&ccedil;&atilde;o para a sociedade do Cone Sul. Tal organiza&ccedil;&atilde;o,    correlacionando ainda nossos idiomas a outros de larga circula&ccedil;&atilde;o,    ser&aacute; ve&iacute;culo estrat&eacute;gico de divulga&ccedil;&atilde;o do    potencial produtivo – comercial, cient&iacute;fico, tecnol&oacute;gico e cultural    – de nossos pa&iacute;ses. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><i><b>Maria da Gra&ccedil;a Krieger</b> &eacute; doutora em    letras, com p&oacute;s-doutorado em terminologia, professora do Programa de    P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em L&iacute;ng&uuml;&iacute;stica Aplicada,    da Unisinos (RS); coordenadora do Termisul - Projeto Terminol&oacute;gico Cone    Sul (UFRGS). &Eacute; presidente da Riterm - Rede Iberoamericana de Terminologia.    Foi coordenadora da Subcomiss&atilde;o Tem&aacute;tica de Terminologia para    o Mercosul (1993-1995). </i></FONT></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">1.  Benveniste, &Eacute;. <i>Problemas de ling&uuml;&iacute;stica    geral II</i>. Campinas, EditoraPontes. 1989. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=028011&pid=S0009-6725200600020001700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="3">2. Cabr&eacute;, M. T. <i>La terminolog&iacute;a</i>: Barcelona,    Ant&aacute;rtida, Amp&uacute;ries, 1993.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=028012&pid=S0009-6725200600020001700002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> E da mesma autora, <i>La terminolog&iacute;a:    representaci&oacute;n y comunicaci&oacute;n</i>. Barcelona, Universitat Pompeu    Fabra. 1999. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=028013&pid=S0009-6725200600020001700003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="3">3. Rondeau,G. <i>Introduction &agrave; la terminologie</i>.    2.ed.Qu&eacute;bec, Ga&euml;tan Morin. 1984. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=028014&pid=S0009-6725200600020001700004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> ]]></body>
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