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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v58n2/a11img01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size=5><b>PARA UMA ETNO-TERMINOLOGIA: RECORTES EPISTEMOL&Oacute;GICOS    </b> </font></p>     <p><font size="3"><b>Maria Aparecida Barbosa </b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <font size="3"><b><font size=5>E</font></b>ste trabalho prop&otilde;e-se    a examinar recortes observacionais e epistemol&oacute;gicos do objeto formal    da etno-terminologia, sub&aacute;rea do grande dom&iacute;nio coberto pela terminologia.    Busca estudar a norma relativa ao estatuto sem&acirc;ntico, sint&aacute;tico    e funcional do conjunto das unidades lexicais que caracterizam o universo dos    discursos etno-liter&aacute;rios, no &acirc;mbito da cultura brasileira. Essas    unidades lexicais t&ecirc;m sememas muito especializados, constru&iacute;dos    com semas espec&iacute;ficos do universo de discurso em causa, provenientes    das narrativas, cristalizados, de modo a tornar-se verdadeiros s&iacute;mbolos    dos temas envolvidos. Constata-se, ent&atilde;o, que sustentam o pensamento    e o sistema de valores da cultura que configuram uma axiologia. Assim, as unidades    lexicais do universo de discurso etno-liter&aacute;rio t&ecirc;m um estatuto    pr&oacute;prio e exclusivo. Nos n&iacute;veis da norma e da fala, subsumem duas    fun&ccedil;&otilde;es, <b>voc&aacute;bulo</b> e <b>termo</b>. Associam aspectos    referenciais, pragm&aacute;ticos e simb&oacute;licos, em fun&ccedil;&atilde;o    semi&oacute;tica, metassemi&oacute;tica e metametassemi&oacute;tica, pr&oacute;prias    dos voc&aacute;bulos, mas apresentam, tamb&eacute;m, caracter&iacute;sticas    de uma linguagem de especialidade. Tais unidades lexicais t&ecirc;m um significado    muito particular, peculiar a esse universo de discurso, e s&atilde;o, ao mesmo    tempo, polissem&ecirc;micas. Noutras palavras, essas unidades lexicais re&uacute;nem    qualidades das l&iacute;nguas especializadas e da linguagem liter&aacute;ria,    de maneira a preservar um valor sem&acirc;ntico social e constituir, simultaneamente,    documentos do processo hist&oacute;rico da cultura. Resultam elas do cruzamento    de um processo de metaterminologiza&ccedil;&atilde;o e de metavocabulariza&ccedil;&atilde;o.    Prop&otilde;e-se, assim, a consolida&ccedil;&atilde;o da disciplina cient&iacute;fica    etno-terminologia.</FONT></p>     <p><font size="3"><b>MOVIMENTOS ENTRE VOC&Aacute;BULO E TERMO</b> Destaca-se,    aqui, a norma que se refere ao estatuto sem&acirc;ntico, sint&aacute;tico e    funcional do conjunto de unidades lexicais que caracterizam os universos de    discurso etno-liter&aacute;rios. Toma-se por base a concep&ccedil;&atilde;o    de universo de discurso proposta por Pais segundo a qual, um universo de discurso,    enquanto classe de discursos, pode ser definido: </font></p>     <blockquote>        <p><font size="3">"como um conjunto n&atilde;o finito, ou que tendem ad      infinitum, de todos os discursos manifestados que apresentam certas caracter&iacute;sticas      comuns e constantes, assim como certas coer&ccedil;&otilde;es suscet&iacute;veis      de configurar uma norma (…) que compreende, por sua vez, uma s&eacute;rie      de normas fr&aacute;sticas, lexicais, sem&acirc;ntico-sint&aacute;xicas, &agrave;s      vezes fon&eacute;tico-fonol&oacute;gicas, e outras tantas normas transfr&aacute;sticas,      narrativas, discursivas, dependentes da argumenta&ccedil;&atilde;o, da veridic&ccedil;&atilde;o,      da versossimilhan&ccedil;a, da efic&aacute;cia, ou aquelas concernentes aos      mecanismos da persua&ccedil;&atilde;o/interpreta&ccedil;&atilde;o, da manipula&ccedil;&atilde;o/contramanipula&ccedil;&atilde;o,      da sedu&ccedil;&atilde;o, &agrave;s formula&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas      das rela&ccedil;&otilde;es intersubjetivas, espaciais e temporais de enuncia&ccedil;&atilde;o      e enunciado e, ainda, &agrave;s que dizem respeito &agrave;s modalidades,      &agrave;s modaliza&ccedil;&otilde;es discursivas dominantes, e, enfim, aos      processos de produ&ccedil;&atilde;o e reitera&ccedil;&atilde;o da iedologia,      pr&oacute;prios de um determinado universos de discurso" (1) </font></p> </blockquote>     <p><font size="3">Como se sabe, um universo de discurso estabelece e renova incessantemente    uma rede de rela&ccedil;&otilde;es intertextuais entre os textos manifestados,    enunciados, e uma rede de rela&ccedil;&otilde;es interdiscursivas, entre os    processos discursivos de produ&ccedil;&atilde;o realizados. Esses textos e discursos    apresentam, pois, certas caracter&iacute;sticas comuns e constantes, correspondentes    a uma norma discursiva. A intersec&ccedil;&atilde;o entre os diferentes textos    pertencentes a um universo de discurso conduz &agrave; configura&ccedil;&atilde;o    de um arquitexto (2); a intersec&ccedil;&atilde;o entre os discursos (processos)    envolvidos conduz, por sua vez, &agrave; configura&ccedil;&atilde;o de um arquidiscurso    (3).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Se se consideram, de in&iacute;cio, dois universos de discurso,    o da <b>l&iacute;ngua comum</b> e o das <b>linguagens de especialidade</b>,    dir-se-&aacute; que as unidades lexicais que pertencem ao primeiro conjunto    s&atilde;o voc&aacute;bulos e as que pertencem ao segundo conjunto s&atilde;o    termos, com todos os tra&ccedil;os espec&iacute;ficos que lhes correspondem.    &Eacute; preciso lembrar, entretanto, que, no n&iacute;vel de sistema, as unidades    lexicais s&atilde;o plurifuncionais. O estabelecimento preciso de sua fun&ccedil;&atilde;o    depende de sua inser&ccedil;&atilde;o em uma norma discursiva, que determina,    ent&atilde;o, o estatuto de voc&aacute;bulo ou de termo. </font></p>     <p><font size="3">A disponibilidade virtual das fun&ccedil;&otilde;es voc&aacute;bulo/termo    caracteriza, pois, as unidades lexicais no n&iacute;vel do sistema. Essas fun&ccedil;&otilde;es    atualizam-se, uma ou outra, quando as unidades lexicais se encontram circunscritas    a uma norma discursiva e a um texto-ocorr&ecirc;ncia. Assim, em n&iacute;vel    de sistema, a rela&ccedil;&atilde;o entre as fun&ccedil;&otilde;es voc&aacute;bulo    e termo &eacute; &#91;e…e&#93;; em n&iacute;vel de uma norma e de um discurso-ocorr&ecirc;ncia    &eacute; &#91;ou…ou&#93; (4). </font></p>     <p><font size="3">Parece oportuno retomar, aqui, algumas reflex&otilde;es sobre    os termos terminologiza&ccedil;&atilde;o e metaterminologiza&ccedil;&atilde;o    (5). Terminologiza&ccedil;&atilde;o &eacute; um termo que integra a <i>Terminology    work – Vocabulary. ISO/DIS 1087-1</i> (p&aacute;gina 11) e que a&iacute; &eacute;    definido como: "Terminologization – process by wich a general language    word or expression is transformed into a term". Nesta acep&ccedil;&atilde;o,    terminologiza&ccedil;&atilde;o <i>stricto sensu</i> refere-se &agrave; transposi&ccedil;&atilde;o    de uma unidade lexical, da l&iacute;ngua geral para uma linguagem de especialidade,    ou seja, a transforma&ccedil;&atilde;o do voc&aacute;bulo em termo. No percurso    gerativo de enuncia&ccedil;&atilde;o de codifica&ccedil;&atilde;o, trata-se    de uma rela&ccedil;&atilde;o entre normas de um sistema ling&uuml;&iacute;stico,    uma rela&ccedil;&atilde;o horizontal, intra-sistema de significa&ccedil;&atilde;o    e inter-universos de discurso. O ponto de partida, nesse caso, &eacute; o n&iacute;vel    ling&uuml;&iacute;stico e ponto de chegada &eacute;, ainda, o n&iacute;vel ling&uuml;&iacute;stico.</font></p>     <p><font size="3">Entretanto, pode-se entender terminologiza&ccedil;&atilde;o,    tamb&eacute;m, como um processo que converte um conceito em termo, <i>la mise    en terme</i>, express&atilde;o esta compar&aacute;vel &agrave; express&atilde;o    <i>la mise en lex&egrave;me</i>, que subjaz ao processo de lexemiza&ccedil;&atilde;o    de Pottier (6). Aqui, pois, terminologiza&ccedil;&atilde;o &eacute; equivalente    a lexemiza&ccedil;&atilde;o e tem como ponto de partida, no percurso gerativo    da enuncia&ccedil;&atilde;o a pr&oacute;pria realidade fenom&ecirc;nica, em    que se tem uma informa&ccedil;&atilde;o virtual, amorfa, que, em outro n&iacute;vel,    o do recorte observacional e cultural, se transforma no <i>conceptus</i> (7);    este, por sua vez, ser&aacute; terminologizado. Logo, os fatos naturais s&atilde;o    <i>conceptus</i> virtuais. Por outro lado, os <i>conceptus</i> constru&iacute;dos    constituem termos virtuais, que, no n&iacute;vel metaling&uuml;&iacute;stico    da ci&ecirc;ncia, se tornam termos efetivos.</font></p>     <p><font size="3">Nesse segundo sentido, terminologiza&ccedil;&atilde;o <i>lato    sensu</i> refere-se &agrave; rela&ccedil;&atilde;o entre o n&iacute;vel conceptual    e o metaling&uuml;&iacute;stico, diferente, pois, da primeira acep&ccedil;&atilde;o    aqui exposta – terminologiza&ccedil;&atilde;o <i>stricto sensu</i> como transforma&ccedil;&atilde;o    de um voc&aacute;bulo em termo. Nesta concep&ccedil;&atilde;o, h&aacute; uma    restri&ccedil;&atilde;o muito grande no processo de cria&ccedil;&atilde;o de    termos, j&aacute; que prev&ecirc; apenas o aproveitamento de voc&aacute;bulos    da l&iacute;ngua geral – processo prim&aacute;rio –, por meio de altera&ccedil;&otilde;es    sem&acirc;nticas – processo secund&aacute;rio.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v58n2/a18img01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Ora, sabe-se que, dependendo da &aacute;rea t&eacute;cnica ou    cient&iacute;fica, os processos de terminologiza&ccedil;&atilde;o <i>lato sensu</i>    s&atilde;o muito mais amplos: o fonol&oacute;gico, o sintagm&aacute;tico, o    sem&acirc;ntico. O empr&eacute;stimo (de uma l&iacute;ngua para outra ou de    uma &aacute;rea para outra) &eacute; apenas um dentre os v&aacute;rios processos    de terminologiza&ccedil;&atilde;o. Parece-nos, assim, que a defini&ccedil;&atilde;o    dada pela norma ISO, anteriormente citada, contempla apenas um dos conceitos    de terminologiza&ccedil;&atilde;o, limitando, pois, a abrang&ecirc;ncia conceitual    do termo.</font></p>     <p><font size="3">Os processos poss&iacute;veis de <b>terminologiza&ccedil;&atilde;o</b>    e de <b>vocabulariza&ccedil;&atilde;o</b>, na din&acirc;mica da rela&ccedil;&atilde;o    inter-universos de discurso, caracterizam-se como semiose ilimitada. No dinamismo    da linguagem, mesmo na linguagem t&eacute;cnico-cient&iacute;fica, as constantes    de realiza&ccedil;&otilde;es possibilitam a delimita&ccedil;&atilde;o de uma    <b>tipologia de processos</b>.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Considere-se, primeiramente, a passagem da terminologia para    a l&iacute;ngua comum, que transfere um termo do seu universo especializado    para o da l&iacute;ngua comum. A vocabulariza&ccedil;&atilde;o &eacute; a transforma&ccedil;&atilde;o    do termo em voc&aacute;bulo (8). Conforme a concep&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica,    esse processo pode ser chamado de banaliza&ccedil;&atilde;o, vulgariza&ccedil;&atilde;o    e populariza&ccedil;&atilde;o. Tem-se, por exemplo, <i>entrar em &oacute;rbita</i>,    transposto da &aacute;rea t&eacute;cnico-cient&iacute;fica para a l&iacute;ngua    geral, por um processo de metaforiza&ccedil;&atilde;o. &Eacute; o caso, ainda,    de <i>paradigma</i>, <i>desconstru&ccedil;&atilde;o</i>, <i>sintonizar</i>,    dentre outros. A metaforiza&ccedil;&atilde;o parece ser o mecanismo principal    desse tipo.</font></p>     <p><font size="3">Considere-se, em seguida, o processo inverso, a passagem da    l&iacute;ngua comum para a terminologia, mecanismo que converte o voc&aacute;bulo    em termo: processo de terminologiza&ccedil;&atilde;o <i>stricto sensu</i> a    que se refere a supracitada norma ISO. Dentro outros, cabe lembrar o exemplo    de <i>sintagma</i>, do gr. <i>sint&aacute;gma</i>, atrav&eacute;s do latim <i>sintagma</i>.    Na linguagem comum, significava "reuni&atilde;o" (neste sentido, existe    a pra&ccedil;a Sintagma, em Atenas) e, nas ci&ecirc;ncias da linguagem, passa    a significar "combinat&oacute;ria intersignos ou inter-palavras".    &Eacute; o caso, tamb&eacute;m, de <i>peregrinismo</i>, que, na l&iacute;ngua    comum, significava "ir em romaria" e, nas ci&ecirc;ncias da linguagem,    passou a significar "emprego de voc&aacute;bulo estranho &agrave; l&iacute;ngua    vern&aacute;cula, estrangeirismo". Observe-se, ainda, o voc&aacute;bulo    <i>t&oacute;pico</i>, do grego <i>topik&oacute;s</i>, "relativo a lugar",    atrav&eacute;s do latim <i>topicu-</i>, e que, em farmacologia, passa a designar    o "rem&eacute;dio de uso externo aplicado sobre o lugar da afec&ccedil;&atilde;o".    Enfim, temos o voc&aacute;bulo <i>navegar</i>, "viajar pela &aacute;gua,    com embarca&ccedil;&atilde;o", e os termos <i>navegar</i>, da aeron&aacute;utica,    e, depois, <i>navegar</i>, da inform&aacute;tica.</font></p>     <p><font size="3">H&aacute; que lembrar, ainda, a passagem da terminologia para    a terminologiza&ccedil;&atilde;o, com a manuten&ccedil;&atilde;o de um n&uacute;cleo    s&ecirc;mico comum aos termos das diferentes &aacute;reas. Tem-se, aqui, o processo    de transposi&ccedil;&atilde;o de um termo de uma para outra &aacute;rea, sem    a modifica&ccedil;&atilde;o total do significado, ou seja, com a manuten&ccedil;&atilde;o    de alguns tra&ccedil;os sem&acirc;nticos na intersec&ccedil;&atilde;o dos dois    sememas. Denomina-se metaterminologiza&ccedil;&atilde;o. Observem-se, por exemplo,    os casos de <i>estrutura</i> e de <i>fun&ccedil;&atilde;o</i>, em diferentes    &aacute;reas. Este mecanismo decorre, freq&uuml;entemente, da exist&ecirc;ncia    de paradigmas epistemol&oacute;gicos, no processo hist&oacute;rico das ci&ecirc;ncias.    Observe-se, ainda, no s&eacute;culo XIX, a transposi&ccedil;&atilde;o de termos    da biologia, para as ci&ecirc;ncias humanas, que acompanhou a transfer&ecirc;ncia    do meta-modelo de "evolu&ccedil;&atilde;o e sele&ccedil;&atilde;o natural    das esp&eacute;cies", da primeira para as segundas.</font></p>     <p><font size="3">Assinale-se, tamb&eacute;m, a transposi&ccedil;&atilde;o da    terminologia para a terminologiza&ccedil;&atilde;o, sem que se conserve n&uacute;cleo    s&ecirc;mico comum aos termos resultantes nas diferentes &aacute;reas envolvidas.    Esse processo &eacute;, igualmente, de metaterminologiza&ccedil;&atilde;o mas    distingue-se do precedente, na medida em que o termo transposto perde os tra&ccedil;os    sem&acirc;nticos que possu&iacute;a no universo de partida. &Eacute; o caso,    por exemplo, de <i>arroba</i>, "medida de peso" e <i>arroba</i>, como    s&iacute;mbolo de endere&ccedil;o eletr&ocirc;nico(@).</font></p>     <p><font size="3">Os dois &uacute;ltimos processos mencionados s&atilde;o, como    se viu, de metaterminologiza&ccedil;&atilde;o, j&aacute; que instauram um termo    a partir de um termo. Julgamos importante salientar que em todos os quatro tipos    de processo acima examinados, a rela&ccedil;&atilde;o que se estabelece &eacute;    horizontal, ou seja, de um universo de discurso para outro.</font></p>     <p><font size="3">Diferente &eacute; o processo de passagem do conceptual para    o terminol&oacute;gico. Trata-se, aqui, da terminologiza&ccedil;&atilde;o <i>lato    sensu</i>, ou seja, uma cria&ccedil;&atilde;o <i>ex-nihilo</i>, que ter&aacute;    graus diferentes de motiva&ccedil;&atilde;o mas que n&atilde;o resulta da transposi&ccedil;&atilde;o    de um universo de discurso para outro e, sim, da instaura&ccedil;&atilde;o de    uma nova grandeza s&iacute;gnica – numa combinat&oacute;ria in&eacute;dita,    no caso do processo fonol&oacute;gico e sintagm&aacute;tico – e de uma fun&ccedil;&atilde;o    metassemi&oacute;tica – no caso do processo sem&acirc;ntico. Diferentemente    dos casos anteriores, a rela&ccedil;&atilde;o, aqui, &eacute; vertical. A rigor,    este processo – o da terminologiza&ccedil;&atilde;o <i>lato sensu</i> – subjaz    a todos os anteriormente apresentados, visto que, em estrutura profunda, o ponto    de partida &eacute; sempre o n&iacute;vel conceptual (9). Diferem quanto aos    percursos realizados pela grandeza-termo e quanto ao modo como &eacute; engendrada:    fonol&oacute;gico, sem&acirc;ntico, sintagm&aacute;tico ou alogen&eacute;tico    (10).</font></p>     <p><font size="3">Quanto aos graus de terminologiza&ccedil;&atilde;o e de banaliza&ccedil;&atilde;o,    dir-se-&aacute; que toda essa din&acirc;mica anteriormente exposta autoriza    a afirmar que uma unidade lexical n&atilde;o &eacute; termo ou voc&aacute;bulo,    em si mesma, mas, ao contr&aacute;rio, est&aacute; em fun&ccedil;&atilde;o "termo"    ou em fun&ccedil;&atilde;o "voc&aacute;bulo", ou seja, o universo    de discurso em que se insere determina o seu estatuto, em cada caso. Assim,    n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel estabelecer uma taxionomia paradigm&aacute;tica    dos conjuntos termos e dos conjuntos voc&aacute;bulos, pois toda a classifica&ccedil;&atilde;o    resulta dos entornos discursivos e dos condicionamentos das normas discursivas,    dependente, portanto, dos universos de discurso e das situa&ccedil;&otilde;es    de discurso. Concebe-se um percurso poss&iacute;vel de uma "unidade lexical",    ao longo de um eixo <i>continuum</i>, do mais alto grau de banaliza&ccedil;&atilde;o    ao mais alto grau de cientificidade e vice-versa. Em suma, toda unidade lexical    &eacute; plurifuncional, no n&iacute;vel de sistema, e monofuncional, no n&iacute;vel    de uma norma ou do falar concreto.</font></p>     <p><font size="3"><b>O ESTATUTO UNIDADES LEXICAIS DOS DISCURSOS ETNO-LITER&Aacute;RIOS</b>    Gostar&iacute;amos de destacar, aqui, a norma relativa ao estatuto sem&acirc;ntico,    sint&aacute;tico e funcional do conjunto de unidades lexicais que caracterizam    os universos de discurso etno-liter&aacute;rios. </font></p>     <p><font size="3">Tomando-se, por exemplo, o boi no rito do <i>Bumba-meu-boi</i>    do Maranh&atilde;o, no norte do Brasil, verifica-se que essa unidade lexical    n&atilde;o se refere a um boi, no sentido comum, n&atilde;o se refere ao animal    que encontramos nos campos ou nas fazendas; essa unidade n&atilde;o designa,    tamb&eacute;m, o <i>boi</i> da biologia, ou da agro-pecu&aacute;ria. Ela tem    uma significa&ccedil;&atilde;o especial, no universo de discurso desse rito    folcl&oacute;rico, em que representa uma entidade m&iacute;tica, que &eacute;    morta, para satisfazer o desejo de uma mulher gr&aacute;vida e que, ao final    da narrativa, ressuscita, para a felicidade de todos. Uma das interpreta&ccedil;&otilde;es    correntes &eacute; a de que esse boi representa, nessa hist&oacute;ria, a morte    e ressurrei&ccedil;&atilde;o do Cristo. </font></p>     <p><font size="3">Examinando-se com mais cuidado o <i>Romanceiro</i> do Nordeste    brasileiro, encontram-se numerosos exemplos. Assim, tem-se o "conto do    pav&atilde;o". Um professor de aldeia tinha um pav&atilde;o muito estimado.    Um dos seus alunos mata o pav&atilde;o. O mestre se vinga, mata a crian&ccedil;a.    Outro romance conta a hist&oacute;ria de um nobre, obrigado a disfar&ccedil;ar-se    em mendigo cego, para tomar sua bem amada, prisioneira de sua m&atilde;e na    floresta (hist&oacute;ria medieval). Tem-se, ainda, o romance de "Juliana".    Um nobre, seu primo, havia prometido casar-se com ela. De repente, apaixona-se    por uma jovem. Vai visitar sua prima e anuncia seu novo projeto. Juliana finge    alegrar-se, felicita-o e, para comemorar, oferece-lhe uma ta&ccedil;a de vinho    envenenado (hist&oacute;ria medieval). Juliana representa, pois, a mulher ciumenta,    o ci&uacute;me.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">H&aacute; uma s&eacute;rie de romances cujo tema &eacute;, por    exemplo, o amor desgra&ccedil;ado.</font></p>     <p><font size="3">Nesses textos, de modo geral, tem-se um grande n&uacute;mero    de personagens, Contudo, s&atilde;o muito pobres em sua figurativiza&ccedil;&atilde;o.    Na realidade, s&atilde;o tipos humanos, ou tipos sociais, suportes de temas,    encarregados da tematiza&ccedil;&atilde;o. Encontram-se nos romances grandes    temas universais, as oposi&ccedil;&otilde;es amor x morte, vida x morte, <i>amor    x alma</i>, <i>riqueza x mis&eacute;ria</i>, <i>bem x mal</i>, <i>poder x fraqueza</i>,    <i>fidelidade x trai&ccedil;&atilde;o</i>, etc.</font></p>     <p><font size="3">Poder-se-iam multiplicar os exemplos. Os grandes propriet&aacute;rios    de terras s&atilde;o com freq&uuml;&ecirc;ncia os representantes do poder, da    opress&atilde;o, do mal. Os homens pobres representam freq&uuml;entemente o    bem, a honestidade, a fraqueza, o sonho de liberdade. As "autoridades"    s&atilde;o normalmente apresentadas como gente malvada. O poder est&aacute;    ligado &agrave; malvadeza. O diabo aparece, como ele mesmo, ou disfar&ccedil;ado    em outra personagem, relacionada ao poder, &agrave; riqueza, &agrave; autoridade;    interv&eacute;m no destino dos homens. </font></p>     <p><font size="3">Verifica-se, ent&atilde;o, que as unidades lexicais desses discursos    etno-liter&aacute;rios t&ecirc;m caracter&iacute;sticas muito espec&iacute;ficas:    de um lado, s&atilde;o voc&aacute;bulos metassemi&oacute;ticos, pelos motivos    acima vistos, de outro, s&atilde;o quase-termos t&eacute;cnicos, pois pertencem    &agrave; uma linguagem especial/especializada. Seus sememas n&atilde;o correspondem,    pois, nem aos sememas da l&iacute;ngua comum, nem aos sememas das linguagens    dos dom&iacute;nios cient&iacute;ficos. Essas unidades lexicais apresentam sememas    constru&iacute;dos, em grande parte, com semas espec&iacute;ficos do universo    de discurso etno-liter&aacute;rio, provenientes das narrativas e cristalizados,    de maneira a tornar-se verdadeiros s&iacute;mbolos dos temas envolvidos. &Eacute;    preciso estar familiarizado com as hist&oacute;rias, conhecer o pensamento e    o sistema de valores da cultura em quest&atilde;o, para poder compreend&ecirc;-los    bem. De fato, &eacute; outra linguagem, que &eacute; preciso aprender, para    interpret&aacute;-los corretamente.</font></p>     <p><font size="3">Nessas condi&ccedil;&otilde;es, a unidade lexical do universo    de discurso etno-liter&aacute;rio tem um estatuto nitidamente diferente. No    n&iacute;vel da norma e do falar concreto, ela subsume as duas fun&ccedil;&otilde;es,    voc&aacute;bulo e termo. Com efeito, trata-se de um voc&aacute;bulo, nos seus    aspectos referenciais, pragm&aacute;ticos e simb&oacute;licos, em fun&ccedil;&atilde;o    semi&oacute;tica, metassemi&oacute;tica ou meta-metassemi&oacute;tica e &eacute;    um termo, na medida em que a unidade l&eacute;xica em quest&atilde;o tem caracter&iacute;sticas    de uma linguagem de especialidade. &Eacute; poss&iacute;vel, assim, propor,    em sem&acirc;ntica profunda, o seguinte modelo: </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v58n2/a18fig01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Sustenta-se uma tens&atilde;o dial&eacute;tica <b>voc&aacute;bulo    x termo</b> nas unidades lexicais etno-liter&aacute;rias. Na d&ecirc;ixis positiva,    a unidade lexical em fun&ccedil;&atilde;o voc&aacute;bulo &eacute; um n&atilde;o-termo.    Na d&ecirc;ixis negativa, a unidade lexical em fun&ccedil;&atilde;o termo &eacute;    um n&atilde;o-voc&aacute;bulo. </font></p>     <p><font size="3">De maneira sucinta, pode dizer-se que as unidades lexicais dos    discursos etno-liter&aacute;rios t&ecirc;m um significado muito especializado,    espec&iacute;fico do universo de discurso a que pertencem e que s&atilde;o,    ao mesmo tempo, poliss&ecirc;micas/polissem&ecirc;micas. Noutras palavras, essas    unidades l&eacute;xicas re&uacute;nem qualidades das linguagens de especialidade    e qualidades da linguagem liter&aacute;ria, conservando um valor sem&acirc;ntico    social e concomitantemente permanecendo como documentos do processo hist&oacute;rico    de uma cultura. Poder-se-ia acrescentar que elas resultam, simultaneamente,    do cruzamento de processos de metaterminologiza&ccedil;&atilde;o e de metavocabulariza&ccedil;&atilde;o.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Por essas raz&otilde;es, propomos que as unidades lexicais dos    universos de discurso etno-liter&aacute;rios e que apresentam as caracter&iacute;sticas    acima apontadas constituam o objeto de estudos de uma disciplina espec&iacute;fica,    no amplo dom&iacute;nio da terminologia: a etno-terminologia.</font></p>     <p><font size="3"><b>CONSIDERA&Ccedil;&Otilde;ES FINAIS</b> Observa-se a t&ecirc;nue    fronteira entre a unidade lexical especializada e a n&atilde;o-especializada.    Com efeito, as unidades lexicais pertencentes aos discursos etno-liter&aacute;rios,    por exemplo, t&ecirc;m um duplo estatuto, voc&aacute;bulo e termo. </font></p>     <p><font size="3">Os discursos etno-liter&aacute;rios se ocupam, dentre outras    coisas, dos sistemas de valores que, por sua vez, determinam pensamentos e comportamentos,    de formas de ver o mundo, de maneiras de agir recomend&aacute;veis ou conden&aacute;veis,    no fazer social. Esses discursos definem, assim, uma axiologia (3).</font></p>     <p><font size="3">As caracter&iacute;sticas do modo de exist&ecirc;ncia e produ&ccedil;&atilde;o    dos discursos etno-liter&aacute;rios mostram-se, tamb&eacute;m, nas estruturas    lexicais. As unidades lexicais atualizadas nos textos mant&ecirc;m uma rede    de rela&ccedil;&otilde;es sem&acirc;nticas espec&iacute;ficas – no interior    do universo de discurso – e t&ecirc;m fun&ccedil;&otilde;es particulares, quanto    &agrave; designa&ccedil;&atilde;o e &agrave; refer&ecirc;ncia. Por essa raz&atilde;o,    s&atilde;o multifuncionais. </font></p>     <p><font size="3">Esses atributos das unidades lexicais dos universos de discurso    etno-liter&aacute;rios conduziram-nos a propor a formaliza&ccedil;&atilde;o    de uma nova disciplina cient&iacute;fica, a etno- terminologia.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><i><b>Maria Aparecida Barbosa</b> &eacute; ling&uuml;ista, professora    titular do Departamento de Ling&uuml;&iacute;stica da FFLCH da Universidade    de S&atilde;o Paulo (USP), respons&aacute;vel pelas disciplinas de lexicologia,    lexicografia e terminologia. Foi autora da proposta de cria&ccedil;&atilde;o    do GT de Lexicologia, Lexicografia e Terminologia da ANPOLL, em 1986. Ex-professora    visitante na Universidade Lumi&egrave;re Lyon 2.</i></FONT></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="3">1.  Pais, C. T. "Aspectos de uma tipologia dos universos    de discurso". <i>In: Revista Brasileira de Ling&uuml;&iacute;stica</i>.    S&atilde;o Paulo, v. 7, nº 1, pp. 43-65, 1984.</font><!-- ref --><p><font size="3">2.  Rastier, F "Para uma po&eacute;tica generalizada".    Tradu&ccedil;&atilde;o de C. T. Pais. <i>In: Acta semiotica et linguistica</i>.    S&atilde;o Paulo, v. 8, pp. 445-470, 2000.</font><!-- ref --><p><font size="3">3.  Pais, C. T. "Conceptualiza&ccedil;&atilde;o, interdiscursividade,    arquitexto, arquidiscurso". <i>In: Revista Philologus</i>. Rio de Janeiro,    CIFEFIL, ano 8, nº 23, pp. 101-111, 2002.</font><!-- ref --><p><font size="3">4.  Hjelmslev, L. <i>Prol&eacute;gom&egrave;nes &agrave;    une th&eacute;orie du langage</i>. Paris: Minuit, 1968.</font><!-- ref --><p><font size="3">5.  Barbosa, M. A. Terminologiza&ccedil;&atilde;o, vocabulariza&ccedil;&atilde;o,    cientificidade, banaliza&ccedil;&atilde;o: rela&ccedil;&otilde;es. <i>In: Acta    semiotica et linguistica</i>. S&atilde;o Paulo, v. 7, pp. 25-44, 1998.</font><!-- ref --><p><font size="3">6.  Pottier, B. <i>S&eacute;mantique g&eacute;n&eacute;rale</i>.    Paris: P.U.F., 1992.</font><!-- ref --><p><font size="3">7.  Rastier, F. <i>Recherches en s&eacute;mantique cognitive</i>.    Paris, P.U.F., 1991.</font><!-- ref --><p><font size="3">8.  Muller, C. <i>Initiation &agrave; la statistique linguistique</i>.    Paris: Larousse, 1968.</font><!-- ref --><p><font size="3">9.  Pais, C. T. "Conceptualisation, d&eacute;nomination,    d&eacute;signation, r&eacute;f&eacute;rence: reflexions &agrave; propos de l’&eacute;nonciation    et du savoir sur le monde". <i>In</i>: Poulet, J. <i>et al</i>. (Orgs).    <i>Revista Textures. Cahiers du C.E.M.I.A. Recueil d’hommage &agrave; mme. Le    professeur Simone Saillard</i>. Lyon, Universit&eacute; de Lyon 2, 1998, pp.    371-384.</font><!-- ref --><p><font size="3">10.  Guilbert, L. <i>La cr&eacute;ativit&eacute; lexicale</i>.    Paris: Larousse, 1975.</font> ]]></body><back>
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