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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v58n2/a21fig01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4"><b>GEST&Atilde;O CULTURAL</b></font></p>     <p><font size=5> <b>A<SMALL>&Ccedil;&Otilde;ES OFICIAIS PRECISAM TER CONTINUIDADE</small></b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">A poucos meses de uma eventual altera&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica    do pa&iacute;s, os setores envolvidos com a &aacute;rea da cultura intensificam    as discuss&otilde;es sobre descentraliza&ccedil;&atilde;o, regionaliza&ccedil;&atilde;o    da programa&ccedil;&atilde;o das r&aacute;dios e TVs, aumento de verbas e implanta&ccedil;&atilde;o    de um Sistema Nacional de Cultura que seja um instrumento de gest&atilde;o e    inclua maior participa&ccedil;&atilde;o da sociedade e articula&ccedil;&atilde;o    entre os governos federal, estadual e municipal. Essas propostas foram aprovadas    numa primeira confer&ecirc;ncia nacional, promovida pelo Minist&eacute;rio da    Cultura (MinC) em dezembro passado, em Bras&iacute;lia, com a presen&ccedil;a    de quase 1,3 mil participantes. Agora, est&aacute; em elabora&ccedil;&atilde;o    o Plano Nacional de Cultura (PNC), a ser encaminhado ao Congresso como projeto    de lei, ainda em 2006. </font></p>     <p><font size="3">O debate evidenciou o consenso sobre a necessidade de implantar    uma pol&iacute;tica p&uacute;blica que transcenda os governos e se configure    como uma pol&iacute;tica de Estado. "Entre os problemas mais s&eacute;rios    enfrentados pelo governo federal para a implementa&ccedil;&atilde;o de uma pol&iacute;tica    referida a um conceito amplo de cultura, com abrang&ecirc;ncia nacional e sist&ecirc;mica,    est&atilde;o os limites muito precisos relacionados &agrave;s capacidades institucionais    e financeiras. Esses limites induzem a atua&ccedil;&atilde;o do governo federal    ao atendimento de projetos priorit&aacute;rios decididos ano a ano ou ao atendimento    da livre demanda, vari&aacute;vel conforme a ocasi&atilde;o e a mobiliza&ccedil;&atilde;o    do dia". A avalia&ccedil;&atilde;o est&aacute; no boletim de pol&iacute;ticas    sociais, publicado no in&iacute;cio desse ano pelo Instituto de Pesquisa Econ&ocirc;mica    Aplicada (Ipea), &oacute;rg&atilde;o vinculado ao Minist&eacute;rio do Planejamento.    Ao analisar a gest&atilde;o federal da pol&iacute;tica cultural, se conclui    que ela apresenta um perfil fragment&aacute;rio e sem continuidade no tempo.    </font></p>     <p><font size="3">Um balan&ccedil;o sobre a atual gest&atilde;o evidencia reorienta&ccedil;&atilde;o    de prioridades e diretrizes em algumas iniciativas pontuais do MinC. Prometida    ainda no discurso de posse do ministro Gilberto Gil, a amplia&ccedil;&atilde;o    do conceito de cultura norteou algumas iniciativas da pasta. No Instituto do    Patrim&ocirc;nio Hist&oacute;rico e Art&iacute;stico Nacional (Iphan), por exemplo,    se vem retomando o projeto original de M&aacute;rio de Andrade de valoriza&ccedil;&atilde;o    n&atilde;o s&oacute; do patrim&ocirc;nio edificado mas tamb&eacute;m das culturas    populares atrav&eacute;s do chamado patrim&ocirc;nio imaterial, o registro de    manifesta&ccedil;&otilde;es culturais como samba-de-roda, o jongo e o of&iacute;cio    das baianas do acaraj&eacute;.</font></p>     <p><font size="3">J&aacute; o Monumenta, a partir de 2003, mudou o perfil de suas    interven&ccedil;&otilde;es nos centros urbanos. Por meio de um conv&ecirc;nio    com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o programa tem privilegiado    a recupera&ccedil;&atilde;o e a conserva&ccedil;&atilde;o do patrim&ocirc;nio    hist&oacute;rico presente em s&iacute;tios hist&oacute;ricos urbanos e que tenham    sido tombados pelo Iphan. O Monumenta &eacute; o &uacute;nico programa no pa&iacute;s    que possui uma linha de financiamento subsidiado para im&oacute;veis particulares.    Esse subs&iacute;dio tem possibilitado a perman&ecirc;ncia de fam&iacute;lias    de baixa renda dentro dos s&iacute;tios hist&oacute;ricos – caso mais recente    &eacute; no Pelourinho, em Salvador – sem expuls&aacute;-las das &aacute;reas    que se valorizam ap&oacute;s a interven&ccedil;&atilde;o.</font> </p>     <p><font size="3"><b>CULTURA VIVA</b> Para o soci&oacute;logo Jos&eacute; Carlos    Durand, coordenador do Centro de Estudos da Cultura e do Consumo da Funda&ccedil;&atilde;o    Get&uacute;lio Vargas de S&atilde;o Paulo (FGV/SP), os Pontos de Cultura – apontados    como uma das principais inova&ccedil;&otilde;es da atual gest&atilde;o – "devem    ser acompanhados e avaliados, pois em torno deles se organiza um veio rico de    solidariedade e de articula&ccedil;&atilde;o entre governo, sociedade civil    e at&eacute; mesmo corpora&ccedil;&otilde;es privadas. E tamb&eacute;m porque    &eacute; sempre dif&iacute;cil medir algo t&atilde;o difuso e vol&aacute;til    como esse tipo de experi&ecirc;ncia social". Trata-se de projetos e atividades    culturais j&aacute; desenvolvidas por comunidades carentes e que, selecionadas    atrav&eacute;s de edital p&uacute;blico, passam a receber financiamento direto    do MinC. Os dois editais j&aacute; lan&ccedil;ados somam quase 550 pontos em    todo o pa&iacute;s, que receber&atilde;o cerca de R$ 48 milh&otilde;es em 2006.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><b>REGULA&Ccedil;&Atilde;O</b> Por falta de recursos para financiar    a cultura, cada vez mais o Estado cede espa&ccedil;o para as empresas – via    leis de incentivo fiscal. O estudo do Ipea destaca, por&eacute;m, que "tendo    em vista o dinamismo e a autonomia dos mercados, ind&uacute;strias e do campo    de produ&ccedil;&atilde;o e circula&ccedil;&atilde;o cultural, mais e mais se    discute a necessidade de a&ccedil;&otilde;es reguladoras, normativas e corretivas    por parte do Estado", afirma o Ipea. </font></p>     <p><font size="3">Durand compara o campo da cultura com o da ci&ecirc;ncia e tecnologia:    "imagine se o Minist&eacute;rio de Ci&ecirc;ncia e Tecnologia e o CNPq    tivessem titulares t&atilde;o ‘midi&aacute;ticos’ quanto Gilberto Gil, e, do    outro lado uma pl&ecirc;iade de not&aacute;veis acad&ecirc;micos, disputando    recursos para pesquisa. Imagine tamb&eacute;m que o CNPq resolvesse restringir    as verbas para p&oacute;s-doutorado e ampli&aacute;-las para a inicia&ccedil;&atilde;o    &agrave; pesquisa e para o mestrado. E que os not&aacute;veis resolvessem desancar    o ministro e que este, para se defender, dissesse que &eacute; preciso acabar    com privil&eacute;gios. Esse carnaval de acusa&ccedil;&otilde;es rec&iacute;procas    n&atilde;o existe na esfera cient&iacute;fica porque existem a&iacute; diretrizes    razoavelmente claras entre o que &eacute; priorit&aacute;rio ou n&atilde;o,    como se define qualidade, como se organiza uma carreira para assegurar que o    recurso fornecido pelo governo tenha boas chances de sucesso".</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="3"><i>Carolina Cantarino</i></font></p>      ]]></body>
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