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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Explotação e manejo dos recursos pesqueiros do litoral amazônico: um desafio para o futuro]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v58n3/a12img01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size=5><b>EXPLOTA&Ccedil;&Atilde;O E MANEJO DOS RECURSOS PESQUEIROS    DO LITORAL AMAZ&Ocirc;NICO: UM DESAFIO PARA O FUTURO</b></font></p>     <p><font size="3"><b>Victoria Judith Isaac-Nahum</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><FONT SIZE="3"> <b><font size=5>O</font></b> litoral amaz&ocirc;nico, que    inclui a linha de costa dos estados do Par&aacute; e do Amap&aacute;, possui    uma voca&ccedil;&atilde;o natural para a explora&ccedil;&atilde;o de recursos    pesqueiros. Nessa regi&atilde;o, a mat&eacute;ria org&acirc;nica oriunda da    decomposi&ccedil;&atilde;o das florestas de mangue e das plan&iacute;cies inundadas    do rio Amazonas e a a&ccedil;&atilde;o dos rios carregando sedimentos para a    plataforma continental s&atilde;o respons&aacute;veis pela forma&ccedil;&atilde;o    de condi&ccedil;&otilde;es prop&iacute;cias de produtividade. A heterogeneidade    e din&acirc;mica das condi&ccedil;&otilde;es f&iacute;sico-qu&iacute;micas determinam    diferen&ccedil;as importantes no estabelecimento da flora (<i>1</i>), fauna    bent&ocirc;nica (<i>2</i>) e comunidades de peixes (<i>3</i>) associadas a esses    ambientes.</font></p>     <p><FONT SIZE="3">A zona costeira paraense e maranhense possui uma grande diversidade    &iacute;ctica e &eacute; reconhecida pela riqueza de recursos pesqueiros demersais,    alguns deles muito explorados, mas a maior parte das vezes ainda com potencial    desconhecido (<i>4</i>). A pesca &eacute; uma das atividades mais tradicionais    e garante renda e subsist&ecirc;ncia para uma boa parte da popula&ccedil;&atilde;o,    al&eacute;m de render importantes divisas para o pa&iacute;s. De fato, a produ&ccedil;&atilde;o    pesqueira do litoral norte representa 20% do volume total de pescado de origem    marinha/estuarina do Brasil e 10% do valor total de produtos exportados dessa    origem (<i>5</i>), superando os US$ 40 milh&otilde;es por ano. </FONT></p>     <p><FONT SIZE="3"><b>DESCRI&Ccedil;&Atilde;O DAS PESCARIAS</b> Sob o ponto de    vista ecol&oacute;gico, a acentuada varia&ccedil;&atilde;o sazonal da salinidade    da &aacute;gua no estu&aacute;rio amaz&ocirc;nico determina uma safra com domin&acirc;ncia    de esp&eacute;cies de &aacute;gua doce, no inverno, e outra de esp&eacute;cies    de &aacute;gua salgada, no ver&atilde;o. O per&iacute;odo chuvoso, de dezembro    a maio, quando a forte descarga do Amazonas desloca a &aacute;gua salobra para    leste do estado do Par&aacute;, &eacute; mais produtivo do que o per&iacute;odo    seco (<i>3</i>, <i>6</i>).</font></p>     <p><FONT SIZE="3">Com barcos preferencialmente de madeira e opera&ccedil;&atilde;o    manual das artes de pesca – o que deveria causar pouco impacto aos ecossistemas    – a pesca do litoral norte &eacute; predominantemente de car&aacute;ter artesanal,    sendo poucas modalidades consideradas industriais. Na realidade, o conceito    de pesca "industrial" na regi&atilde;o &eacute; discut&iacute;vel,    pois os equipamentos e facilidades das frotas assim denominadas est&atilde;o    longe de serem compar&aacute;veis com outras frotas da ind&uacute;stria da pesca    no pa&iacute;s.</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">Dentre as pescarias consideradas industriais destaca-se a captura    do camar&atilde;o-rosa (<i>Farfantepenaeus subtilis</i>) pela frota de arrasto    de portas e a captura da piramutaba (<i>Brachyplatystoma vaillantii</i>) pela    frota de arrasto de parelhas, ambas orientadas para a exporta&ccedil;&atilde;o    e cuja pr&aacute;tica possui grandes impactos nos ecossistemas, seja pelo efeito    do arrasto, como, principalmente pela grande quantidade de fauna acompanhante    capturada nesse tipo de apetrecho. Tamb&eacute;m de import&acirc;ncia econ&ocirc;mica    e orientadas ao mercado internacional destacam-se a captura de pargos (<i>Lutjanus    purpureus</i> e outros <i>Lutjanidae</i>) que &eacute; realizada com barcos    industriais que utilizam armadilhas colocadas sobre fundos consolidados, bem    como a captura de lagostas (<i>Panulirus argus</i>, <i>Panulirus laevicauda</i>,    <i>Scyllarides delfos</i>), considerada de car&aacute;ter semi-industrial, feita    com redes de espera (mesmo que proibidas por lei) colocadas sobre o substrato    e que t&ecirc;m um efeito parecido &agrave;quele das redes de arrasto. Mais    recentemente alguns barcos arrendados iniciaram a captura de atuns e bonitos    (<i>Thunnus</i> spp., <i>Katsuwonus pelamis</i>) na quebra da plataforma continental.    Estas tr&ecirc;s &uacute;ltimas modalidades de pesca s&atilde;o recentes no    litoral amaz&ocirc;nico e resultam da "migra&ccedil;&atilde;o" da    frota e de pescadores do Nordeste do Brasil para regi&otilde;es ainda pouco    exploradas do litoral norte, em busca de melhores rendimentos econ&ocirc;micos,    vista a exaust&atilde;o dos estoques nos seus locais de pesca originais.</FONT></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><FONT SIZE="3">Nos sistemas de produ&ccedil;&atilde;o artesanal, podem ser    reconhecidas mais de quinze modalidades diferentes de pesca (<i>7</i>), por&eacute;m    algumas se destacam por sua import&acirc;ncia econ&ocirc;mica, como as pescarias    de: pescada-amarela (<i>Cynoscion acoupa</i>), serra (<i>Scomoboromorus brasiliensis</i>)    e pescada-g&oacute; (<i>Macrodon ancylodon</i>), com redes de emalhe; as pescarias    de gurijuba (<i>Hexanematichthys parkeri</i>), bandeirado (<i>Bagre bagre</i>)    e pargos, com linhas ou espinh&eacute;is; a captura de peixes estuarinos com    currais e a coleta manual de caranguejos-do-mangue (<i>Ucides cordatus</i>).</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">As capturas com redes de emalhe s&atilde;o as mais diversificadas.    As redes e o local de pesca dependem da esp&eacute;cie alvo. No caso da pescada-amarela    trata-se de redes de malhas de 15 a 20 cm entre n&oacute;s opostos. O tamanho    da rede depende do tamanho do barco, mas pode ser superior a 3 km de comprimento    e 5 m de altura; as redes s&atilde;o colocadas na coluna d´&aacute;gua e em    contato com o fundo, em ambientes costeiros e sobre a plataforma continental    at&eacute; 30 m de profundidade. Al&eacute;m da pescada, outras esp&eacute;cies    de grande porte e que fornecem bons rendimentos econ&ocirc;micos, s&atilde;o    capturadas, como a gurijuba, por exemplo. </FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">Tamb&eacute;m s&atilde;o utilizadas redes de malha um pouco    menores (malha de 4 a 6 cm), com mais de 1 km de comprimento e 4 m de altura,    para a captura da serra (<i>Scomberomorus brasiliensis</i>). Esta rede &eacute;    colocada na coluna d´&aacute;gua, em locais pouco profundos da costa. Capturam-se    tamb&eacute;m o bandeirado, a tainha (<i>Mugil sp</i>.) e outros peixes menores.    </FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">Redes de menor porte e malhas mais finas s&atilde;o utilizadas    para a captura de esp&eacute;cies de menor tamanho dentro dos estu&aacute;rios    ou nas imedia&ccedil;&otilde;es da costa, como as utilizadas para a pescada-g&oacute;,    que &eacute; dominante nesses ambientes, mas tamb&eacute;m pequenos peixes das    fam&iacute;lias Mugilidae e Ariidae.</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">As pescarias com espinh&eacute;is visam principalmente a captura    de peixes da fam&iacute;lia Ariidae de consider&aacute;vel valor econ&ocirc;mico,    como o bandeirado ou a gurijuba. Ocorrem a bordo de embarca&ccedil;&otilde;es    de pequeno porte que se deslocam para locais costeiros e da plataforma, com    linhas que, dependendo do barco e do ambiente, podem ter at&eacute; 2 km de    comprimento. S&atilde;o pescarias bastante rent&aacute;veis e que visam recursos    relativamente ainda pouco explorados.</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">A pesca artesanal de pargo tem ganhado muita import&acirc;ncia    nos &uacute;ltimos anos, por se tratar de um recurso de exporta&ccedil;&atilde;o    e alto valor comercial. As capturas desta modalidade s&atilde;o realizadas com    espinh&eacute;is verticais (linhas pargueiras), que possuem uma dezena de anz&oacute;is    na sua extremidade e que s&atilde;o operadas desde a embarca&ccedil;&atilde;o    "m&atilde;e" ou a partir de pequenos botes (ca&iacute;ques) liberados    no mar. Al&eacute;m das esp&eacute;cies mais comuns de pargos (<i>Lutjanus purpureus</i>,    <i>Lutjanus jocu</i>, <i>Lutjanus synagris</i> e <i>Lutjanus vivanus</i>) s&atilde;o    tamb&eacute;m capturadas a garoupa (<i>Epinephelus itajara</i>) e a co&iacute;ba    (<i>Ocyurus chrysurus</i>).</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">As capturas de pequenos peixes estuarinos e costeiros com armadilhas    fixas (currais constru&iacute;dos com madeira do mangue) j&aacute; foi uma modalidade    de pesca muito rent&aacute;vel no passado, por&eacute;m o aumento do n&uacute;mero    de currais e de pescadores tem prejudicado os rendimentos. Os currais s&atilde;o    constru&iacute;dos em locais pr&oacute;ximos da costa e que sofrem o efeito    da mar&eacute;, retendo v&aacute;rias esp&eacute;cies de Sciaenidae, Mugilidae    e Ariidae, principalmente a pescada-g&oacute;, a tainha, o bagre (<i>Hexanematichthys    couma</i>), o cangat&aacute; (<i>Aspitor quadriscutis</i>), a uritinga (<i>Hexanematichthys    proops</i>) e as arraias (<i>Dasyatis sp</i>.).</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">A captura do caranguejo-do-mangue (<i>Ucides cordatus</i>) &eacute;    uma das modalidades de pesca de maior import&acirc;ncia social no litoral paraense,    pelo emprego de um grande contingente de trabalhadores. Durante a mar&eacute;    baixa, a coleta &eacute; realizada andando pelo manguezal e introduzindo as    m&atilde;os nas tocas dos indiv&iacute;duos ou, &agrave;s vezes, utilizando    um gancho ou um la&ccedil;o. Uma vez que n&atilde;o s&atilde;o necess&aacute;rias    artes de pesca e nem embarca&ccedil;&atilde;o, essa modalidade &eacute; adotada    pela por&ccedil;&atilde;o mais pobre da popula&ccedil;&atilde;o de pescadores,    a qual possui renda <i>per capita</i> muito baixa e p&eacute;ssimas condi&ccedil;&otilde;es    de vida. Na maior parte das vilas do litoral paraense, mais da metade dos moradores    depende diretamente dessa atividade de extra&ccedil;&atilde;o, seja para a renda    ou como fonte de alimento (<i>8</i>).</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3"><b>EVOLU&Ccedil;&Atilde;O DO ESFOR&Ccedil;O E SITUA&Ccedil;&Atilde;O    DOS ESTOQUES PESQUEIROS</b> Segundo registros do Cepnor/Ibama o n&uacute;mero    de barcos pesqueiros no Par&aacute; est&aacute; em torno de 6 mil unidades,    e no litoral norte deve ser um pouco superior ainda. O n&uacute;mero de pescadores    &eacute; de aproximadamente 30 mil para o litoral paraense (<i>9</i>). Apesar    da imprecis&atilde;o dessas informa&ccedil;&otilde;es acredita-se que esse contingente    venha crescendo nos &uacute;ltimos anos, como conseq&uuml;&ecirc;ncia das diversas    crises econ&ocirc;micas e da falta de alternativa de renda vi&aacute;vel para    a popula&ccedil;&atilde;o que habita no litoral. Por outro lado, a oferta de    generosos subs&iacute;dios do governo que viabilizam a obten&ccedil;&atilde;o    de cr&eacute;dito para a compra de equipamentos de pesca, deve tamb&eacute;m    ser respons&aacute;vel pelo aumento do n&uacute;mero de barcos em atividade.    </font></p>     <p><FONT SIZE="3">A profissionaliza&ccedil;&atilde;o da pesca fez com que perdesse    o car&aacute;ter de subsist&ecirc;ncia que tinha no passado. O aumento do esfor&ccedil;o    e dos incrementos tecnol&oacute;gicos introduzidos na Amaz&ocirc;nia nas &uacute;ltimas    tr&ecirc;s d&eacute;cadas exerceu uma reconhecida influ&ecirc;ncia na diminui&ccedil;&atilde;o    da abund&acirc;ncia dos estoques pesqueiros. Ao mesmo tempo, a explos&atilde;o    demogr&aacute;fica dos grandes centros urbanos amaz&ocirc;nicos aumentou a demanda    de pescado, contribuindo tamb&eacute;m para a intensifica&ccedil;&atilde;o da    explora&ccedil;&atilde;o dos principais estoques. Esse quadro &eacute; relatado    pela maioria dos pescadores mais antigos da regi&atilde;o, que lembram com saudosismo    &eacute;pocas passadas, pela menor concorr&ecirc;ncia e maiores rendimentos    da atividade.</FONT></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><FONT SIZE="3">Na realidade, existem poucas informa&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas    sobre o estado de explora&ccedil;&atilde;o dos estoques mais intensamente explotados    pelas pescarias comerciais do litoral Norte do Brasil. Muitas dessas informa&ccedil;&otilde;es    encontram-se, ainda, na forma de trabalhos de conclus&atilde;o de cursos de    gradua&ccedil;&atilde;o ou p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o. Estudos sobre    a piramutaba (<i>3</i>), o camar&atilde;o-rosa (<i>10</i>), a gurijuba (<i>11</i>),    a pescada-g&oacute; (<i>12</i>, <i>13</i>), pargo (<i>14</i>) e o bandeirado    (<i>15</i>) indicam que estes sistemas j&aacute; est&atilde;o sendo pescados    no limite da sustentabilidade. Outras esp&eacute;cies como a lagosta e os pargos,    n&atilde;o foram ainda avaliadas para a regi&atilde;o Norte, por&eacute;m a    frota que captura estes recursos tem origem nos estados do Nordeste do Brasil,    onde os estoques j&aacute; est&atilde;o francamente esgotados (<i>16</i>), o    que faz supor que esse deva ser o caminho para os estoques da regi&atilde;o    Norte, se a intensidade de pesca continuar aumentando. Os estoques do caranguejo-do-mangue    n&atilde;o parecem estar ainda em perigo sob o ponto de vista biol&oacute;gico,    mas os pescadores reclamam da diminui&ccedil;&atilde;o do tamanho dos exemplares    e do aumento do n&uacute;mero de catadores (<i>17</i>).</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">De fato, imagina-se que a evolu&ccedil;&atilde;o da pesca na    regi&atilde;o siga os padr&otilde;es das outras pescarias do Brasil e do mundo.    Em 2000, a FAO (<i>18</i>) publicou um estudo exaustivo sobre a situa&ccedil;&atilde;o    dos estoques pesqueiros do mundo, indicando que mais de 80% deles se encontravam    em estado de sobre-explota&ccedil;&atilde;o ou estavam sendo explotados plenamente,    10% a mais do que tinha sido diagnosticado em 1995. As principais causas apontadas    para essa grave situa&ccedil;&atilde;o incluem, principalmente, o excesso de    esfor&ccedil;o de pesca – evidenciado pelo aumento do n&uacute;mero de barcos    –, o desenvolvimento tecnol&oacute;gico – advindo do aumento do poder de pesca    pela utiliza&ccedil;&atilde;o de artes e equipamentos mais sofisticados –, e    os subs&iacute;dios econ&ocirc;micos. Estima-se que as frotas pesqueiras comerciais    custem mais de US$ 50 bilh&otilde;es aos seus pa&iacute;ses, em subs&iacute;dios    diretos e indiretos (<i>19</i>). Esses contribuem substancialmente para a manuten&ccedil;&atilde;o    do excesso de capacidade de pesca, sendo respons&aacute;veis pelo esgotamento    dos estoques e pela degrada&ccedil;&atilde;o ambiental e social decorrente (<i>20</i>).    Somente recentemente a comunidade internacional reconheceu que os excessos de    capacidade e de investimentos afetam negativamente os esfor&ccedil;os de conserva&ccedil;&atilde;o    e ordenamento da pesca e amea&ccedil;am qualquer tipo de sustentabilidade no    longo prazo (<i>21</i>). </FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">No Brasil o diagn&oacute;stico &eacute; similar e 80% dos estoques    pesqueiros considerados de valor comercial encontram-se esgotados devido &agrave;    intensa press&atilde;o de captura (<i>16</i>). Al&eacute;m de tudo, adverte-se    tamb&eacute;m que a maior parte da legisla&ccedil;&atilde;o vigente na regi&atilde;o    Norte diz respeito &agrave;s pescarias industriais e que, na pr&aacute;tica,    a maior parte das modalidades de pesca do litoral atuam em um sistema de <i>open    access</i> e falta de controle, que, aliado &agrave; falta de acompanhamento    cient&iacute;fico e de controle do esfor&ccedil;o, facilita a sobreexplota&ccedil;&atilde;o    dos estoques.</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3"><b>CONFLITOS E PROBLEMAS</b> O uso dos recursos pesqueiros ocorre    em um cen&aacute;rio complexo, que envolve muitos atores, interagindo em diferentes    n&iacute;veis. Apesar de sua antiga tradi&ccedil;&atilde;o, a atividade pesqueira    &eacute; uma das atividades econ&ocirc;micas que apresenta maiores n&iacute;veis    de conflitos entre seus atores, destacando-se os de &iacute;ndole pol&iacute;tico-institucional    e aqueles entre grupos sociais e econ&ocirc;micos (<i>22</i>). A principal disputa    ocorre entre as modalidades industriais e artesanais, grupos antag&ocirc;nicos    por suas diferen&ccedil;as na capacidade de pesca, mas que superp&otilde;em    as &aacute;reas de captura. Dentro dos sistemas artesanais, os catadores e os    pescadores de peixes tamb&eacute;m disputam entre e dentre si, por territ&oacute;rio    e formas de captura. As medidas governamentais, sejam de ordenamento ou fomento,    t&ecirc;m direcionado-se quase sempre &agrave; frota industrial, marginalizando    ainda mais o setor artesanal que, por caracter&iacute;sticas pr&oacute;prias,    tem maiores dificuldades para reivindicar pol&iacute;ticas espec&iacute;ficas.</font></p>     <p><FONT SIZE="3">A aus&ecirc;ncia de representa&ccedil;&otilde;es de classe fortes    e leg&iacute;timas dificulta muito o di&aacute;logo entre os trabalhadores,    o governo e as entidades financeiras. O setor pesqueiro, particularmente o que    congrega os trabalhadores do mar, &eacute; considerado um dos mais desorganizados    do Brasil. Historicamente, a origem das col&ocirc;nias de pescadores visava    mais conseguir o controle dos pescadores por parte do Estado, do que uma representa&ccedil;&atilde;o    da classe. Esse fato, aliado &agrave; utiliza&ccedil;&atilde;o das col&ocirc;nias    como instrumentos de poder pol&iacute;tico ou de benef&iacute;cio econ&ocirc;mico    por parte de seus dirigentes, v&ecirc;m desacreditando essas entidades.</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">Conflitos impl&iacute;citos aparecem tamb&eacute;m na pr&oacute;pria    legisla&ccedil;&atilde;o brasileira. Por exemplo, a maior parte dos pescadores    que habita ambientes de manguezal utiliza a madeira como lenha, para constru&ccedil;&atilde;o    de casas, currais e retiros, al&eacute;m de cultivarem arroz e capturarem recursos    extrativistas desse ecossistema cujo territ&oacute;rio &eacute; considerado    uma &aacute;rea de preserva&ccedil;&atilde;o permanente, portanto intoc&aacute;vel!    </FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">Praticamente todas as categorias de pesca percebem o decr&eacute;scimo    da abund&acirc;ncia dos recursos pesqueiros, que v&ecirc;m reduzindo lenta,    mas continuamente, os rendimentos efetivos dos pescadores, marginalizando-os    socialmente e diminuindo as suas perspectivas de crescimento social. </FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">A depend&ecirc;ncia dos pescadores para com os atravessadores,    que financiam as viagens de pesca em troca de fidelidade na venda dos produtos,    e a falta de meios de transporte pr&oacute;prios para comercializarem diretamente    os produtos da pesca e tornarem mais eficiente o fluxo da comercializa&ccedil;&atilde;o,    podem ser considerados como os principais entraves &agrave; acumula&ccedil;&atilde;o    de capital. </FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">Al&eacute;m disso, a falta de oportunidades para a educa&ccedil;&atilde;o    formal e profissional, bem como a aus&ecirc;ncia, na maior parte dos casos,    de conhecimentos sobre as regras b&aacute;sicas de gerenciamento de neg&oacute;cios    em uma sociedade estritamente capitalista, fazem do pescador, principalmente    o de pequena escala, um trabalhador sem instrumentos culturais, sociais e econ&ocirc;micos    para melhorar a sua condi&ccedil;&atilde;o de vida. Para agravar o quadro, devido    &agrave; situa&ccedil;&atilde;o cont&iacute;nua de pobreza, n&atilde;o existe    uma tradi&ccedil;&atilde;o de acumula&ccedil;&atilde;o de excedentes ou de poupan&ccedil;a,    para poder garantir uma melhor situa&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica futura.    Mesmo quando as pescarias t&ecirc;m um retorno econ&ocirc;mico efetivo, &eacute;    comum observar como todos os rendimentos da viagem de pesca s&atilde;o imediatamente    utilizados nas despesas e obriga&ccedil;&otilde;es materiais mais urgentes,    algumas delas contra&iacute;das ainda antes da viagem ocorrer.</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">Por outro lado, o governo, atrav&eacute;s dos seus agentes financeiros,    vem mantendo uma pol&iacute;tica de subs&iacute;dios econ&ocirc;micos para diminuir    os custos das viagens (subs&iacute;dio do combust&iacute;vel) e facilitando    o cr&eacute;dito para a compra de embarca&ccedil;&otilde;es, a juros baixos.    Contudo, a maior parte dos pescadores de pequena escala demonstra dificuldade    na obten&ccedil;&atilde;o ou na administra&ccedil;&atilde;o desse tipo de recurso,    seja pela irregularidade de sua atividade, seja por falta de garantias e contatos    comerciais que facilitem os procedimentos. Mais ainda, cerca de 80% daqueles    que usufru&iacute;ram desse direito encontram-se atrasados ou nunca cumpriram    com as obriga&ccedil;&otilde;es contratuais, demonstrando que o sistema possui    car&ecirc;ncias no planejamento e falha estrutural grave.</FONT></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><FONT SIZE="3">O manejo da atividade pesqueira segue um modelo centralizado,    no qual as institui&ccedil;&otilde;es governamentais s&atilde;o respons&aacute;veis    pela implementa&ccedil;&atilde;o de toda e qualquer medida de ordenamento. Esse    modelo faz com que as normas vigentes n&atilde;o sejam sempre ajustadas aos    anseios dos pescadores, que, teoricamente, devem cumprir as disposi&ccedil;&otilde;es.    Considerando a falta de fiscaliza&ccedil;&atilde;o e a grande extens&atilde;o    geogr&aacute;fica dos pesqueiros, esse paradigma de gerenciamento leva a um    sistema de manejo desordenado e sem regras. Al&eacute;m disso, os conflitos    entre as diversas institui&ccedil;&otilde;es (Seap, Ibama, Sectam, Sagri, etc.)    para delimita&ccedil;&atilde;o de compet&ecirc;ncias sobre a gest&atilde;o dos    recursos agrava o quadro, impedindo a identifica&ccedil;&atilde;o clara de objetivos    e dificultando a integra&ccedil;&atilde;o dos planos a serem executados.</FONT></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v58n3/a15img01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><FONT SIZE="3"><b>PERSPECTIVAS DE MANEJO</b></FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">Nos &uacute;ltimos anos, em decorr&ecirc;ncia dos diversos apelos    para a conserva&ccedil;&atilde;o dos ecossistemas e biodiversidade do planeta,    decorrentes de movimentos internacionais tais como a Confer&ecirc;ncia das Na&ccedil;&otilde;es    Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento – ECO 92 ou a Reuni&atilde;o Mundial    sobre o Desenvolvimento Sustent&aacute;vel em Johannesburgo em 2002, a consci&ecirc;ncia    da popula&ccedil;&atilde;o brasileira vem mudando lentamente, sobre a necessidade    de observar com maior aten&ccedil;&atilde;o a evolu&ccedil;&atilde;o das atividades    do homem que afetam a integridade ambiental. Nesse sentido, parece clara a necessidade    de que para alcan&ccedil;ar o uso sustent&aacute;vel dos recursos naturais deve    haver um compromisso coletivo e expl&iacute;cito entre usu&aacute;rios, gestores    e outros grupos de interesse.</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">Lamentavelmente, apesar de que no discurso dos diversos atores    isso pare&ccedil;a consenso, estamos ainda muito longe disso se tornar realidade.    Um exemplo bastante ilustrativo encontra-se na pol&iacute;tica de implementa&ccedil;&atilde;o    de reservas extrativistas na regi&atilde;o do litoral norte do Brasil. Nos &uacute;ltimos    cinco anos, sete reservas marinhas e duas em &aacute;reas interiores mas com    influ&ecirc;ncia de manguezais foram implantadas no litoral do Par&aacute;.    Essas a&ccedil;&otilde;es abrem uma alternativa aparentemente promissora para    garantir o maior controle das comunidades sobre os seus recursos naturais. Contudo,    uma an&aacute;lise social mais detalhada dos casos evidencia claramente os enormes    desencontros entre as medidas do governo que implementam as Resex, em um af&atilde;    de interpretar as demandas da sociedade e, por outro lado, a percep&ccedil;&atilde;o    da comunidade, que demonstra n&atilde;o estar preparada nem para os deveres,    nem para os direitos que tais reservas implicam (<i>23</i>). Assim, uma pol&iacute;tica    que est&aacute; direcionada &agrave; melhoria da governabilidade dos pescadores    sobre a conserva&ccedil;&atilde;o dos ecossistemas, acaba se transformando,    por falhas no sistema de implanta&ccedil;&atilde;o, em mais uma letra morta    e em nova fonte conflitos entre grupos de interesse. </FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">Considerando todas as externalidades, parece evidente que qualquer    projeto de desenvolvimento do setor e de manejo dos recursos pesqueiros deve    focalizar primeiramente aspectos que permitam o ganho em qualidade de vida dos    pescadores, atrav&eacute;s de formas de captura e comercializa&ccedil;&atilde;o    mais adequadas. Ao mesmo tempo, deve garantir maiores investimentos na aplica&ccedil;&atilde;o    de instrumentos educativos, que visem promover mudan&ccedil;as na capacidade    gerencial dos pescadores, para que possam passar de uma atitude passiva e economicamente    dependente para uma forma ativa de participa&ccedil;&atilde;o social, que os    capacite a planejar e redirecionar os benef&iacute;cios econ&ocirc;micos decorrentes    de sua atividade, para a acumula&ccedil;&atilde;o de riquezas materiais e sociais.    </FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">Os investimentos devem evitar, de todas as formas poss&iacute;veis,    o aumento do poder de pesca ou do esfor&ccedil;o efetivo sobre os estoques mais    explorados. Tanto pelos conhecimentos j&aacute; dispon&iacute;veis, como pelo    princ&iacute;pio de precau&ccedil;&atilde;o, nos casos em que ainda n&atilde;o    haja informa&ccedil;&otilde;es suficientes, devemos supor que a capacidade de    suporte dos ecossistemas costeiros da regi&atilde;o amaz&ocirc;nica est&aacute;    muito pr&oacute;xima ao seu m&aacute;ximo e que qualquer pol&iacute;tica que    deseje respeitar a sustentabilidade ambiental, deve ter como objetivo aumentar    os rendimentos econ&ocirc;micos, sem, com isso, aumentar a intensidade da press&atilde;o    sobre os estoques naturais.</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">Deve-se tamb&eacute;m buscar principalmente um modelo de compartilhamento    de responsabilidades, para que os pescadores deixem de ser demandantes, passando    para uma atitude de co-gestores e co-executores das pol&iacute;ticas a serem    implementadas.</FONT></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><FONT SIZE="3"><b>CONCLUS&Atilde;O</b> Em decorr&ecirc;ncia do estado atual    de explora&ccedil;&atilde;o dos recursos pesqueiros no litoral amaz&ocirc;nico    e seus conflitos e entraves, considera-se fundamental o delineamento de um plano    de a&ccedil;&atilde;o que garanta o seu desenvolvimento racional no futuro mais    pr&oacute;ximo. Nesse sentido, para a implementa&ccedil;&atilde;o de um modelo    mais sustent&aacute;vel de gest&atilde;o dos recursos pesqueiros do litoral    amaz&ocirc;nico ser&aacute; necess&aacute;ria uma mudan&ccedil;a no paradigma    cl&aacute;ssico sobre a forma e as estrat&eacute;gias de manejo. A seguir listam-se    algumas das a&ccedil;&otilde;es consideradas imprescid&iacute;veis na busca    desse novo modelo:</font></p>     <blockquote>        <p> <FONT SIZE="3"><b>1.</b> A implanta&ccedil;&atilde;o de um programa abrangente      de educa&ccedil;&atilde;o e capacita&ccedil;&atilde;o de recursos humanos      que priorize assuntos relacionados com a conserva&ccedil;&atilde;o do meio      ambiente, valoriza&ccedil;&atilde;o do saber tradicional e melhoria das condi&ccedil;&otilde;es      de captura e de comercializa&ccedil;&atilde;o do pescado, incluindo cursos      sobre empreendedorismo, comunica&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria, artesanato,      ecoturismo e desenvolvimento regional.</font></p>       <p><FONT SIZE="3"><b>2.</b> O aumento de incentivos econ&ocirc;micos que visem      a melhor utiliza&ccedil;&atilde;o dos recursos j&aacute; explorados, de forma      a aumentar a produtividade ou o valor da captura e reduzir a press&atilde;o      sobre os estoques remanescentes.</font></p>       <p><FONT SIZE="3"><b>3.</b> A resolu&ccedil;&atilde;o de estrangulamentos nas      cadeias produtivas, visando a maior competitividade econ&ocirc;mica e a redu&ccedil;&atilde;o      da desigualdade social.</font></p>       <p><FONT SIZE="3"><b>4.</b> A redu&ccedil;&atilde;o do acesso livre e da ilegalidade      na pesca, bem como o incentivo ao controle comunit&aacute;rio das atividades,      em conjunto com as autoridades competentes.</font></p>       <p><FONT SIZE="3"><b>5.</b> O fortalecimento das atividades comunit&aacute;rias,      principalmente no incentivo ao planejamento estrat&eacute;gico coletivo para      a gest&atilde;o pesqueira.</font></p>       <p><FONT SIZE="3"><b>6.</b> O incentivo &agrave; gest&atilde;o participativa      e democr&aacute;tica da atividade pesqueira, que vise a aproxima&ccedil;&atilde;o      entre os &oacute;rg&atilde;os do governo e a comunidade, bem como a divulga&ccedil;&atilde;o      de experi&ecirc;ncias-piloto bem sucedidas de gest&atilde;o compartilhada      em outras localidades.</font></p>       <p><FONT SIZE="3"><b>7.</b> O incentivo &agrave; cria&ccedil;&atilde;o de inst&acirc;ncias      democr&aacute;ticas de ampla consulta, tais como F&oacute;rum da Pesca, Conselho      da Pesca, ou outras similares, visando incrementar o di&aacute;logo entre      os diferentes grupos de interesse e as institui&ccedil;&otilde;es.</font></p> </blockquote>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><FONT SIZE="3"><i><b>Victoria Judith Isaac-Nahum</b> &eacute; bi&oacute;loga,    professora adjunta da Universidade Federal do Par&aacute; e coordenadora do    Laborat&oacute;rio de Biologia Pesqueira e Manejo de Recursos Aqu&aacute;ticos    do Centro de Ci&ecirc;ncias Biol&oacute;gicas dessa Universidade. Doutora em    ci&ecirc;ncias marinhas pela Universidade de Kiel na Alemanha, mora desde 1991    na regi&atilde;o amaz&ocirc;nica, onde coordena e/ou colabora com um grande    n&uacute;mero de projetos sobre a ecologia, avalia&ccedil;&atilde;o de estoques    e manejo dos recursos pesqueiros da regi&atilde;o.</i></FONT></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><FONT SIZE="3"><B>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</B></FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">1. M.T. Prost, B.V. Rabelo, <i>Boletim Museu Paraense Em&iacute;lio    Goeldi, S&eacute;rie: Ci&ecirc;ncias da Terra</i>, 8, 101. 1996.</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">2. P.A. Coelho, <i>Biogeograf&iacute;a e bionomia dos crust&aacute;ceos    dec&aacute;podos reptantes do litoral equatorial do Brasil</i>. Tese. Instituto    Bioci&ecirc;ncias, Universidade Federal de Pernambuco, Recife. 1976. </FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">3. B.R. Barthem, <i>Boletim Museu Paraense Em&iacute;lio Goeldi</i>    2(1), 49. 1985.</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">4. M. Camargo, V.J. Isaac, <i>Ictiofauna estuarina</i>. M.E.B.    Fernandes (Org). S&atilde;o Lu&iacute;s: Funda&ccedil;&atilde;o Rio Bacanga.    pp 105-142. 2003.</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">5. Ibama. Estat&iacute;stica de pesca 2004. <i>Brasil. Grandes    regi&otilde;es e unidades da federa&ccedil;&atilde;o</i>. Bras&iacute;lia: Instituto    Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov&aacute;veis: 2005.    Acess&iacute;vel em <a href="http://www.ibama.gov.br/rec_pesqueiros/index.php?id_menu=93" target="_blank">http://www.ibama.gov.br/rec_pesqueiros/index.php?id_menu=93</a>.</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">6. V.J. Isaac, R.B. Barthem, <i>Bol. Mus. Para. Em&iacute;lio    Goeldi, Ser. Antropol</i>. 11(2), 295. 1995.</FONT></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><FONT SIZE="3">7. B.B. Silva, "Diagn&oacute;stico da pesca no litoral    paraense". Disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado. Bel&eacute;m: Universidade    Federal do Par&aacute;. 2004.</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">8. M. Glaser, <i>Interrela&ccedil;&otilde;es entre o ecossistema    manguezal, a economia local e a sustentabilidade social no estu&aacute;rio do    Caet&eacute;, Norte do Brasil. In</i>: Glaser, M., Cabral, N. &amp; Ribeiro,    A.L. (Org.) Bel&eacute;m: NUMA/UFPA, pp 37-49. 2005.</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">9. Seteps- Secretaria Executiva de Trabalho e Promo&ccedil;&atilde;o    Social. <i>A pesca artesanal no estado do Par&aacute;: perfil s&oacute;cio-econ&ocirc;mico    e organizacional dos pescadores filiados &agrave;s col&ocirc;nias</i>. Bel&eacute;m:    Seteps/Sine-PA. 2003.</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">10. V.J.Isaac, J. Dias-Neto, F.G. Damaceno, <i>Biologia din&acirc;mica    de popula&ccedil;&otilde;es e administra&ccedil;&atilde;o pesqueira do camar&atilde;o    rosa</i> Penaeus subtilis <i>da regi&atilde;o Norte do Brasil</i>. Bras&iacute;lia:    Ibama, Cole&ccedil;&atilde;o Meio Ambiente. S&eacute;rie Estudos de Pesca. 1992.    </FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">11. A.R.R. Ara&uacute;jo, "Biologia, din&acirc;mica populacional    e pesca da gurijuba <i>Arius parkeri</i>". Disserta&ccedil;&atilde;o de    mestrado. Fortaleza: Universidade Federal do Cear&aacute;. 2001.</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">12. M.C.S. Tavares, "Estudo da din&acirc;mica e avalia&ccedil;&atilde;o    de estoque de <i>Macrodon ancylodon</i> (pescada-g&oacute;) na costa norte do    Brasil". Trabalho de conclus&atilde;o de curso. Bel&eacute;m: Universidade    Federal do Para. 1999. </FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">13. F.A.L. Fonseca, "Din&acirc;mica populacional da pescada-g&oacute;,    Macrodon ancylodon (Teleostei, Sciaenidae) no litoral do Maranh&atilde;o".    Trabalho de conclus&atilde;o de curso. S&atilde;o Luiz: Universidade Federal    do Maranh&atilde;o. 2000.</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">14. R.F.C. Souza, "Din&acirc;mica populacional do pargo,    <i>Lutjanus purpureus Poey</i>, 1875 (<i>Pisces: Lutjanidae</i>) na plataforma    Norte do Brasil". Disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado. Bel&eacute;m:    Universidade Federal do Para. 2002</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">15. M.G. Silva J&uacute;nior, "Crescimento e mortalidade    de algumas esp&eacute;cies de peixes do estu&aacute;rio do rio Caet&eacute;,    Bragan&ccedil;a, PA". Disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado. Bel&eacute;m:    Universidade Federal do Par&aacute;. 2004.</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">16. J. Dias-Neto, &amp; L.C.C. Dornelles, <i>Diagn&oacute;stico    da pesca mar&iacute;tima do Brasil</i>. Bras&iacute;lia: Ibama, Cole&ccedil;&atilde;o    Meio Ambiente. S&eacute;rie Estudos de Pesca, 20. 1996.</FONT></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><FONT SIZE="3">17. K. Diele, V. Koch, U. Saint-Paul, Aquat. <i>Living Resour</i>.    18, 169.</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">18. FAO, <i>El estado mundial de la pesca y la acuicultura</i>.    Roma: FAO. 2000.</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">19. FAO, <i>O estado mundial de la pesca y la acuicultura</i>.    Roma: FAO, 1995.</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">20. J. Dias-Neto, S. Marrul-Filho, <i>S&iacute;ntese da situa&ccedil;&atilde;o    da pesca extrativista marinha do Brasil</i>. Acess&iacute;vel em <i><a href="http://www2.ibama.gov.br/recursospesqueiros/downloads/sintese.pdf" target="_blank">http://www2.ibama.gov.br/recursospesqueiros/downloads/sintese.pdf</a></i></FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">21. FAO, <i>C&oacute;digo de conducta para la pesca responsable</i>.    Roma: FAO. 1995.</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">22. M. Glaser, R.S. Oliveira, <i>Direitos e deveres no co-manejo    costeiro do Brasil.. In</i>: Glaser, M., Cabral, N. &amp; Ribeiro, A.L. (Org.)    Bel&eacute;m: NUMA/UFPA. pp 251-267. 2005.</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">23. A. Sim&otilde;es, L.H.R. Sim&otilde;es, "Os desencontros    dos diversos agentes sociais na gest&atilde;o dos recursos naturais: um campo    de media&ccedil;&atilde;o a ser constru&iacute;do". <i>In</i>: Glaser,    M., Cabral, N. &amp; Ribeiro, A.L. (org.) Bel&eacute;m: NUMA/UFPA. pp167-187.    2005.</FONT></p>      ]]></body>
</article>
