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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v58n3/a12img01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size=5><b>A FLORESTA AMAZ&Ocirc;NICA E O FUTURO DO BRASIL</b></font></p>     <p><font size="3"><b>Charles R. Clement     <br>   Niro Higuchi</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><FONT SIZE="3"><font size=5><b>A</b></font> floresta amaz&ocirc;nica est&aacute;    sendo derrubada de forma acelerada porque tem pouco valor na percep&ccedil;&atilde;o    da sociedade brasileira atual, apesar de uma parte dos formadores de opini&atilde;o    afirmarem o contr&aacute;rio. Esta contradi&ccedil;&atilde;o entre o discurso    e a realidade s&oacute;cio-pol&iacute;tico-econ&ocirc;mica &eacute; comum no    mundo e ajuda a entender muito a respeito dos problemas de degrada&ccedil;&atilde;o    ambiental que est&atilde;o minando a sustentabilidade do empreendimento humano.    Na realidade, o &uacute;nico "valor" aceito pela sociedade atual &eacute;    o valor econ&ocirc;mico-financeiro presente, ou seja, aquele contabilizado pelo    Produto Interno Bruto (PIB) do ano em curso ou do pr&oacute;ximo, pois &eacute;    esse valor que pode reduzir a pobreza de uma parcela da popula&ccedil;&atilde;o,    dar ao pa&iacute;s o "status" de desenvolvido e, logicamente, enriquecer    os respons&aacute;veis pelo desmatamento. Os demais valores da floresta beneficiam    poucos (e.g., o valor est&eacute;tico  que beneficia principalmente os moradores    e os eco-turistas), levar&atilde;o mais tempo para serem realizados (e.g., o    uso da biodiversidade que exige investimentos em pesquisa e desenvolvimento)    ou simplesmente n&atilde;o s&atilde;o contabilizados no PIB (e.g., os servi&ccedil;os    ecol&oacute;gicos  conserva&ccedil;&atilde;o de &aacute;gua e solo, filtragem    de poluentes, poliniza&ccedil;&atilde;o, etc.  e o valor &eacute;tico  os    direitos &agrave; vida dos outros seres vivos da floresta). &Eacute; evidente    que essa vis&atilde;o m&iacute;ope do valor da floresta n&atilde;o reflete seu    valor real, nem em curto prazo e muito menos a longo prazo, especialmente se    o pa&iacute;s pretende ser um membro do primeiro mundo.</font></p>     <p><FONT SIZE="3">Recentemente, Jared Diamond (1) publicou <i>Colapso  como as    sociedades escolhem o fracasso ou o sucesso</i>, sobre o que podemos aprender    dos fracassos e sucessos de 14 sociedades grandes e pequenas ao longo dos &uacute;ltimos    3000 anos para reverter as tend&ecirc;ncias de colapso s&oacute;cio-ecol&oacute;gico    global. As florestas sempre foram e s&atilde;o recursos naturais essenciais    para todas as sociedades discutidas, e seu manejo ou desmatamento tem sido vital    para o sucesso ou fracasso de cada sociedade (embora raramente tenha sido o    principal motivo). Em grandes sociedades, como a do Brasil, o governo precisa    tomar a iniciativa para organizar o manejo e a conserva&ccedil;&atilde;o das    florestas, como aconteceu na Alemanha medieval (1500s), no Jap&atilde;o da era    Tokugawa (1635-1853) e na China moderna. Uma diferen&ccedil;a entre estes tr&ecirc;s    exemplos e o nosso pa&iacute;s &eacute; que o Brasil &eacute; uma democracia,    e o governo e os formadores de opini&atilde;o precisam convencer a popula&ccedil;&atilde;o    que as medidas tomadas s&atilde;o para o benef&iacute;cio de todos. Outra diferen&ccedil;a    &eacute; que nos dois exemplos hist&oacute;ricos ainda n&atilde;o havia os benef&iacute;cios    do com&eacute;rcio livre da era de globaliza&ccedil;&atilde;o e a sociedade    teve que aprender a replantar e manejar ao mesmo tempo em que continuava a usar    a floresta, enquanto que a China simplesmente proibiu o desmatamento e come&ccedil;ou    a comprar madeira, especialmente tropical, no mercado global. Embora a China    atualmente tenha um programa nacional de reflorestamento, compra sua madeira    nos pa&iacute;ses tropicais, que ficam com a degrada&ccedil;&atilde;o ambiental    resultante do desmatamento, o que &eacute; uma das grandes vantagens da globaliza&ccedil;&atilde;o    para os compradores.</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">Observe que dois dos tr&ecirc;s exemplos s&atilde;o de pa&iacute;ses    desenvolvidos, e a China recentemente passou &agrave; frente do Brasil na corrida    desenvolvimentista. O Jap&atilde;o e a Alemanha possuem uma maior cobertura    florestal em rela&ccedil;&atilde;o ao que tinham quando se tornaram conscientes    da import&acirc;ncia de suas florestas e s&atilde;o democracias cujos cidad&atilde;os    est&atilde;o convencidos da import&acirc;ncia das florestas e do ambiente. A    China est&aacute; diminuindo sua taxa de desmatamento rapidamente com base na    tomada de consci&ecirc;ncia da import&acirc;ncia da floresta para seu desenvolvimento    futuro.</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">E o Brasil? A Mata Atl&acirc;ntica quase desapareceu ao longo    do s&eacute;culo XX e o Cerrado &eacute; o bioma brasileiro mais amea&ccedil;ado    de todos. Ainda que o regime militar (1964-85) tenha editado uma Lei Florestal    que exigia uma parcela de conserva&ccedil;&atilde;o em cada propriedade e um    plano de manejo florestal para a comercializa&ccedil;&atilde;o de produtos da    floresta, a Floresta Amaz&ocirc;nica come&ccedil;ou a ser desmatada aceleradamente    durante esse regime. Desde ent&atilde;o, os governos federais adotaram discursos    conservacionistas conforme aumentavam as press&otilde;es por governos e ONGs    do Primeiro Mundo, mas n&atilde;o revisaram a maioria dos incentivos ao desmatamento.    O atual governo decretou uma quase morat&oacute;ria ao desmatamento no chamado    "arco de desmatamento", ao sul da bacia amaz&ocirc;nica, e investiu    na diminui&ccedil;&atilde;o da taxa de desmatamento em 2005. No entanto, a maioria    dos incentivos continua a existir na Amaz&ocirc;nia Legal (2), especialmente    para a constru&ccedil;&atilde;o de rodovias federais e outros tipos de infra-estrutura,    necess&aacute;rios para o "desenvolvimento".</FONT></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><FONT SIZE="3">Num pa&iacute;s ainda subdesenvolvido, como o Brasil, a contradi&ccedil;&atilde;o    entre discurso e realidade exige que os formadores de opini&atilde;o demonstrem    claramente a exist&ecirc;ncia de outros valores de import&acirc;ncia para a    pr&oacute;pria sociedade para que a floresta passe a ter valor na percep&ccedil;&atilde;o    da grande maioria, pois n&atilde;o bastam leis e decretos que pro&iacute;bam    se a popula&ccedil;&atilde;o n&atilde;o est&aacute; de acordo. Isto &eacute;    especialmente importante e ainda mais dif&iacute;cil num pa&iacute;s agr&iacute;cola    como o Brasil, pois, por defini&ccedil;&atilde;o, a agricultura &eacute; o cultivo    dos campos. Em n&iacute;vel mundial, toda sociedade bem sucedida &eacute; agr&iacute;cola    (1), embora as florestas sejam recursos essenciais para o sucesso da sociedade.    Al&eacute;m da orienta&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola da sociedade brasileira,    um outro fator dificulta a valoriza&ccedil;&atilde;o da floresta: sua diversidade.    Esta diversidade &eacute; a raz&atilde;o pela qual o Brasil est&aacute; inclu&iacute;do    entre os pa&iacute;ses mega-diversos, mas o corol&aacute;rio dessa diversidade    &eacute; a baixa densidade econ&ocirc;mica, o que significa que existem poucos    recursos naturais com valor econ&ocirc;mico-financeiro imediato num hectare    qualquer de floresta.</FONT></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v58n3/a18img01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><FONT SIZE="3">A nosso ver, a quest&atilde;o essencial &eacute;: como aumentar    a densidade econ&ocirc;mica da floresta para que seu valor seja percebido pela    popula&ccedil;&atilde;o brasileira? Queremos discutir duas op&ccedil;&otilde;es    para alcan&ccedil;ar esse objetivo e sugerir sua utiliza&ccedil;&atilde;o simult&acirc;nea.    A primeira &eacute; a import&acirc;ncia dos servi&ccedil;os ecol&oacute;gicos    da floresta, especialmente o ciclo da &aacute;gua. A segunda &eacute; a transforma&ccedil;&atilde;o    da pr&oacute;pria floresta para aumentar sua densidade econ&ocirc;mica no PIB    brasileiro num futuro imediato. Mostraremos que uma janela de oportunidades    est&aacute; prestes a se abrir para o Brasil, que precisa estar preparado para    aproveit&aacute;-la. Sugerimos que o Brasil tome a mesma decis&atilde;o da Alemanha    medieval e do Jap&atilde;o da era Tokugawa, e mostraremos algumas das principais    a&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias para a implementa&ccedil;&atilde;o de    pol&iacute;ticas p&uacute;blicas federais e estaduais.</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3"><b>O PRINCIPAL SERVI&Ccedil;O ECOL&Oacute;GICO DA AMAZ&Ocirc;NIA    PARA O SUDESTE: &Aacute;GUA</b> A manuten&ccedil;&atilde;o do ciclo hidrol&oacute;gico    da Amaz&ocirc;nia &eacute; considerada cr&iacute;tica pela comunidade cient&iacute;fica    mundial e nacional, pois a Amaz&ocirc;nia tem uma enorme import&acirc;ncia no    clima mundial, especialmente conforme avan&ccedil;am as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas    causadas pela a&ccedil;&atilde;o humana. A estiagem amaz&ocirc;nica, que ocorreu    em 2005 e secou os rios da Amaz&ocirc;nia Central em n&iacute;veis raramente    vistos, chamou a aten&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o brasileira.    Alguns cientistas acreditam que esse tipo de estiagem tornar-se-&aacute; mais    comum conforme avan&ccedil;am as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas durante o    s&eacute;culo XXI. Al&eacute;m das estiagens, as previs&otilde;es sobre o desmatamento    da Amaz&ocirc;nia sugerem que o futuro da floresta ser&aacute; "cinzento",    especialmente se n&atilde;o houver mudan&ccedil;as nas pol&iacute;ticas p&uacute;blicas    (2). Caso essa previs&atilde;o se concretize, a popula&ccedil;&atilde;o da maior    cidade brasileira vai sentir sede. A raz&atilde;o &eacute; que entre 25 e 50%    das chuvas que caem no Sudeste do Brasil s&atilde;o oriundas da Amaz&ocirc;nia    (3), o que &eacute; sempre vis&iacute;vel nos mapas clim&aacute;ticos usados    nos telejornais durante o ver&atilde;o.</font></p>     <p><FONT SIZE="3">Imagine se a cidade de S&atilde;o Paulo tivesse que enfrentar    um racionamento de &aacute;gua, como quase aconteceu em 2004. Uma grande cidade    que passou por isso no s&eacute;culo XX foi Los Angeles, na Calif&oacute;rnia,    EUA, e os governos resolveram o problema construindo um aqueduto desde o rio    Colorado. Os gastos estimados para transpor uma parte da &aacute;gua do rio    S&atilde;o Francisco para abastecer algumas partes do Nordeste nos permite imaginar    o quanto mais seria necess&aacute;rio para abastecer S&atilde;o Paulo nas pr&oacute;ximas    d&eacute;cadas. As estimativas sobre os custos da transposi&ccedil;&atilde;o    do S&atilde;o Francisco variam enormemente, parcialmente devido a decis&otilde;es    a serem tomadas no futuro, mas um total de R$ 20 bilh&otilde;es em 4 ou 5 anos    &eacute; o valor mais utilizado, embora muitos dos custos de distribui&ccedil;&atilde;o    local, manuten&ccedil;&atilde;o do sistema, garantias de qualidade de &aacute;gua,    entre outros, ainda n&atilde;o tenham sido adequadamente dimensionados (4).    Um dos grandes pressupostos &eacute; que haver&aacute; &aacute;gua suficiente    no rio S&atilde;o Francisco no futuro, o que n&atilde;o pode ser confirmado,    pois as mesmas chuvas que abastecem a cidade de S&atilde;o Paulo abastecem o    alto rio S&atilde;o Francisco. Outro pressuposto &eacute; que os estados de    Minas Gerais e da Bahia estar&atilde;o sempre dispostos a ceder essa &aacute;gua    e isso ainda n&atilde;o est&aacute; claro e, certamente, poder&aacute; mudar    conforme a acelera&ccedil;&atilde;o das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas resultantes    do desmatamento na Amaz&ocirc;nia, caso este continue no ritmo atual.</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">Na necessidade de um aqueduto para a cidade de S&atilde;o Paulo,    onde poder-se-ia captar &aacute;gua? A l&oacute;gica sugere a Serra da Mantiqueira,    nascente de muitos dos rios que fluem para o rio Paran&aacute;, bem como para    o rio S&atilde;o Francisco. Essa escolha permitiria o uso da gravidade para    o transporte da &aacute;gua sendo a pr&oacute;pria Serra respons&aacute;vel    pela capta&ccedil;&atilde;o das chuvas oriundas da Amaz&ocirc;nia. A hidroel&eacute;trica    de Marimbondo, no rio Grande, seria ideal, embora sua &aacute;gua j&aacute;    tenha donos em abund&acirc;ncia. Para a cidade e o estado mais rico do pa&iacute;s,    certamente ser&aacute; poss&iacute;vel negociar ou comprar direitos sobre a    &aacute;gua, mesmo que as regi&otilde;es mais prop&iacute;cias sejam bem desenvolvidas    e povoadas, mas o custo pode ser bem maior que os custos do aqueduto.</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">Antes de chegar ao racionamento, no entanto, existe outra possibilidade:    os governos do Sudeste, com &ecirc;nfase no de S&atilde;o Paulo, com a colabora&ccedil;&atilde;o    imprescind&iacute;vel das empresas da regi&atilde;o, poderiam investir na conserva&ccedil;&atilde;o    da floresta amaz&ocirc;nica, apoiando a expans&atilde;o de unidades de conserva&ccedil;&atilde;o    e a transforma&ccedil;&atilde;o do setor florestal da regi&atilde;o que garantiriam    a manuten&ccedil;&atilde;o da floresta e seu principal servi&ccedil;o ecol&oacute;gico    para o Sudeste. Ou seja, &eacute; de interesse do Sudeste, especialmente de    S&atilde;o Paulo, atuar na minimiza&ccedil;&atilde;o do desmatamento na Amaz&ocirc;nia    e proteger um recurso essencial para sua popula&ccedil;&atilde;o, sua ind&uacute;stria    e seus agroneg&oacute;cios: a &aacute;gua. O mais importante &eacute; que isso    pode ser feito imediatamente e gerando desenvolvimento na Amaz&ocirc;nia e riqueza    para o Sudeste, sen&atilde;o vejamos. </FONT></p>     <p><FONT SIZE="3"><b>TRANSFORMANDO A FLORESTA  A JANELA DE OPORTUNIDADES</b>    A lei de procura e oferta determina o pre&ccedil;o dos produtos b&aacute;sicos,    como a madeira. Portanto, a valoriza&ccedil;&atilde;o da madeira da Amaz&ocirc;nia    passa pelo entendimento de sua oferta e procura nos mercados locais, regionais,    nacionais e internacionais. Estamos na emin&ecirc;ncia de uma importante mudan&ccedil;a    na oferta de madeira tropical e o Brasil &eacute; o &uacute;nico pa&iacute;s    em condi&ccedil;&otilde;es de aproveitar essa mudan&ccedil;a. Vamos examinar    esse mercado e tra&ccedil;ar algumas tend&ecirc;ncias importantes para entend&ecirc;-lo    no momento atual e no futuro pr&oacute;ximo.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> <FONT SIZE="3">As estat&iacute;sticas sobre a produ&ccedil;&atilde;o de madeira    tropical no mundo s&atilde;o razoavelmente confi&aacute;veis (5). A produ&ccedil;&atilde;o    anual do mundo tropical, ao longo do per&iacute;odo (1988-2004), tem se mantido    est&aacute;vel, igual a 134,4 ± 2,4 milh&otilde;es de m<SUP>3</SUP> em toras.    As produ&ccedil;&otilde;es anuais de serrado, compensado e laminado foram, respectivamente,    40 ± 1,35 milh&otilde;es de m<SUP>3</SUP>, 14,7 ± 0,75 mi m<SUP>3</SUP> e 2,2    ± 0,26 mi m<SUP>3</SUP>. A regi&atilde;o &Aacute;sia/Pac&iacute;fico, apesar    de uma queda de produ&ccedil;&atilde;o de 7,5% de 1988 para 2004, &eacute; ainda    a maior produtora de madeira dura tropical (67%). Am&eacute;rica Latina/Caribe    (25%) e &Aacute;frica (8%) mantiveram-se quase est&aacute;veis.</font></p>     <p> <FONT SIZE="3">Os tr&ecirc;s maiores produtores no per&iacute;odo foram a    Indon&eacute;sia (66,14 milh&otilde;es m<SUP>3</SUP>/ano  27% da produ&ccedil;&atilde;o    mundial), a Mal&aacute;sia (52,17 mi m<SUP>3</SUP>/ano  21%) e o Brasil (48,60    mi m<SUP>3</SUP>/ano  20%). Ao n&iacute;vel mundial h&aacute; uma clara tend&ecirc;ncia    de queda em rela&ccedil;&atilde;o ao pico de produ&ccedil;&atilde;o da Indon&eacute;sia    (28%) e Mal&aacute;sia (35%), e um aumento (em rela&ccedil;&atilde;o ao m&iacute;nimo     1988) do Brasil (47%).</font></p>     <p> <FONT SIZE="3">Em geral, os pa&iacute;ses tropicais exportam 50% de sua produ&ccedil;&atilde;o,    principalmente na forma de serrados, compensados, laminados e, ocasionalmente,    toras sem nenhum beneficiamento. Em contraste, o Brasil exporta apenas 6-9%    de sua produ&ccedil;&atilde;o anual, por raz&otilde;es que vamos examinar em    breve. Com base na exporta&ccedil;&atilde;o m&eacute;dia anual do per&iacute;odo    1988-2004, a regi&atilde;o &Aacute;sia/Pac&iacute;fico participou com 81% de    toda a exporta&ccedil;&atilde;o do mundo tropical, enquanto que as regi&otilde;es    Am&eacute;rica Latina/Caribe e &Aacute;frica participaram com 6% e 13%, respectivamente.    Os dois maiores exportadores individuais foram Mal&aacute;sia com 23,88 ± 2,72    mi m<SUP>3</SUP> e Indon&eacute;sia com 16,77 ± 1,54 mi m<SUP>3</SUP>, contribuindo    sozinhos com 70% do total exportado pelos pa&iacute;ses tropicais.</font></p>     <p> <FONT SIZE="3">A importa&ccedil;&atilde;o anual m&eacute;dia do per&iacute;odo    foi de 51,76 ± 1,42 milh&otilde;es de m<SUP>3</SUP> equivalentes em tora. Os    principais importadores individuais foram: Jap&atilde;o (33,3%), Uni&atilde;o    Europ&eacute;ia (21,3%), China (17,5%), Cor&eacute;ia do Sul (9,2%), Taiwan    (8,7%) e EUA (6,4%), que juntos representam mais de 90% das importa&ccedil;&otilde;es    de madeira tropical. Essas m&eacute;dias escondem uma tend&ecirc;ncia importante:    a China superou o Jap&atilde;o em 2001, passando a ser o maior importador individual    de madeira tropical; a UE se mant&eacute;m est&aacute;vel. J&aacute; explicamos    porque a China entrou nesse mercado com tanto peso, e o crescimento da economia    chinesa sugere que essa nova tend&ecirc;ncia dever&aacute; se manter.</font></p>     <p> <FONT SIZE="3">Em 1995, os pa&iacute;ses tropicais faturaram US$ 12 bilh&otilde;es    com a exporta&ccedil;&atilde;o de madeira, o que equivale a aproximadamente    US$ 376 / m<SUP>3</SUP>. Mal&aacute;sia e Indon&eacute;sia faturaram US$ 3,96    bilh&otilde;es (35%) e US$ 4,02 bilh&otilde;es (35%), respectivamente. O Brasil    faturou apenas US$ 710 milh&otilde;es (6%). Em 2003, os pa&iacute;ses associados    &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o ITTO (International Tropical Timber Organization)    faturaram US$ 7,4 bilh&otilde;es com a exporta&ccedil;&atilde;o, o que equivale    a aproximadamente US$ 310 / m<SUP>3</SUP>. Nesse ano, Mal&aacute;sia e Indon&eacute;sia    diminu&iacute;ram suas participa&ccedil;&otilde;es no mercado, de 35 para 24%    e de 35 para 33%, respectivamente. A participa&ccedil;&atilde;o do Brasil subiu    de seis para 9%.</font></p>     <p><FONT SIZE="3">At&eacute; agora a situa&ccedil;&atilde;o parece de um t&iacute;pico    mercado de <i>commodity</i> tropical com demanda principalmente nos pa&iacute;ses    desenvolvidos. O que transforma essa situa&ccedil;&atilde;o t&iacute;pica em    uma janela de oportunidades para o Brasil s&atilde;o os estoques de madeira    tropical na regi&atilde;o &Aacute;sia/Pac&iacute;fico e a continua&ccedil;&atilde;o    da instabilidade pol&iacute;tica na &Aacute;frica. Contrariando a lei de oferta    e procura, o volume de exporta&ccedil;&atilde;o diminuiu de 1995 para 2003,    assim como o pre&ccedil;o por unidade. A explica&ccedil;&atilde;o pode estar    na quantidade de madeira ilegal, junto com a legal, colocada no mercado. Na    Amaz&ocirc;nia, 80% da madeira produzida n&atilde;o tem origem definida (6).</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">A situa&ccedil;&atilde;o da Mal&aacute;sia &eacute; t&iacute;pica(7):    Durante as &uacute;ltimas duas d&eacute;cadas de explora&ccedil;&atilde;o das    florestas da Mal&aacute;sia, o manejo florestal tem sido inexistente. A pol&iacute;tica    florestal, por meio do Ato Florestal Nacional de 1984, falhou completamente    por falta de aplica&ccedil;&atilde;o da lei. As florestas prim&aacute;rias da    Mal&aacute;sia Peninsular j&aacute; foram completamente dizimadas e as secund&aacute;rias    cobrem apenas uma fra&ccedil;&atilde;o das antigas &aacute;reas de florestas    tropicais &uacute;midas. Nas partes da Mal&aacute;sia na Ilha de Borneo, Sabah    e Sarawak, ainda h&aacute; florestas prim&aacute;rias que devem desaparecer    em 58 anos. Isso explica a queda na produ&ccedil;&atilde;o e, especialmente,    nas exporta&ccedil;&otilde;es da Mal&aacute;sia.</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">A situa&ccedil;&atilde;o da Indon&eacute;sia pode ser similar,    pois em 1995 o pa&iacute;s teve 63 milh&otilde;es de hectares sob concess&otilde;es    florestais, com explora&ccedil;&atilde;o autorizada de 700 mil ha por ano e    pelo menos 500 mil ha por ano de explora&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-autorizada.    No entanto, sua taxa de desmatamento anual foi 5,4 milh&otilde;es de ha (7).    Hoje, em 2006, &eacute; quase certo que as reservas florestais nativas da Indon&eacute;sia    estejam praticamente dizimadas, pois a matem&aacute;tica &eacute; simples e    confirmada pela tend&ecirc;ncia discutida acima.</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">Todo o exposto at&eacute; agora n&atilde;o &eacute; novidade    no setor florestal. Em 1987, o cen&aacute;rio do setor de madeira dura tropical    era conhecido (8) "...a produ&ccedil;&atilde;o do sudeste asi&aacute;tico    alcan&ccedil;ar&aacute; o seu pico em meados dos anos 1990, sendo, a seguir,    substitu&iacute;da pela Am&eacute;rica Latina, especialmente a Amaz&ocirc;nia,    para suprir os mercados da Europa, Jap&atilde;o e Am&eacute;rica do Norte...".    &Eacute; evidente que esse cen&aacute;rio da din&acirc;mica de produ&ccedil;&atilde;o    de madeira tropical pelos maiores produtores mundiais se concretizou em sua    maior parte. Somente o papel do Brasil no mercado internacional n&atilde;o foi    confirmado. Por que? Examinaremos esta pergunta em breve.</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">O cen&aacute;rio acima, com a informa&ccedil;&atilde;o estat&iacute;stica    apresentada, permite algumas extrapola&ccedil;&otilde;es, mesmo que o risco    de extrapolar seja conhecido. Ajustando os dados de exporta&ccedil;&atilde;o    dos tr&ecirc;s principais produtores atuais (Mal&aacute;sia, Indon&eacute;sia    e Brasil) e de importa&ccedil;&atilde;o (demanda do mercado internacional),    durante o per&iacute;odo 1988-2004, &eacute; poss&iacute;vel examinar as tend&ecirc;ncias.    Em termos de exporta&ccedil;&atilde;o de madeira, o Brasil poder&aacute; superar    a Mal&aacute;sia em 2012 e a Indon&eacute;sia em 2017. Em 2018, a Mal&aacute;sia    poder&aacute; deixar de exportar e a Indon&eacute;sia poder&aacute; estar fora    do mercado em 2030. Esse cen&aacute;rio sugere que o mercado internacional come&ccedil;ar&aacute;    a entrar em colapso a partir de 2010. Esta &eacute; a janela de oportunidades.    Mas, a mesma figura sugere que o Brasil s&oacute; conseguir&aacute; atender    a demanda internacional em 2097. Por que a demora? Agora &eacute; hora de examinar    o Brasil e a Amaz&ocirc;nia.</FONT></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><FONT SIZE="3"><b>A JANELA E A AMAZ&Ocirc;NIA </b>Segundo a Avalia&ccedil;&atilde;o    dos Recursos Florestais Globais (FRA 2005) (9), a cobertura florestal do Brasil    corresponde a 477,7 milh&otilde;es de hectares, dos quais, 89% est&atilde;o    na Amaz&ocirc;nia, ou seja, 426,5 mi ha. Invent&aacute;rios realizados em 21    s&iacute;tios diferentes mostram que o volume m&eacute;dio das florestas naturais    na Amaz&ocirc;nia &eacute; 262 ± 54 m<SUP>3</SUP>/ha, dos quais 10% s&atilde;o    considerados comerciais. Isto &eacute; um estoque enorme, mas atualmente contribui    pouco para o desenvolvimento da Amaz&ocirc;nia.</font></p>     <p> <FONT SIZE="3">Analisar a produ&ccedil;&atilde;o de madeira na Amaz&ocirc;nia    &eacute; uma tarefa muito dif&iacute;cil. As estat&iacute;sticas mais organizadas    s&atilde;o fornecidas por duas organiza&ccedil;&otilde;es multilaterais: ITTO,    que congrega produtores e consumidores de madeira tropical e FAO (Food and Agriculture    Organization) da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas.    O problema &eacute; quem abastece essas organiza&ccedil;&otilde;es, pois o Ibama    (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov&aacute;veis)    nunca sistematizou a coleta e an&aacute;lise dos dados sobre a produ&ccedil;&atilde;o    de madeira tropical no pa&iacute;s. O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia    e Estat&iacute;stica) mant&eacute;m, com relativa atualiza&ccedil;&atilde;o,    a din&acirc;mica da produ&ccedil;&atilde;o de madeira (10), com as limita&ccedil;&otilde;es    conhecidas devidas &agrave; amostragem. Ocasionalmente, h&aacute; trabalhos    individuais, como os de Nepstad <i>et al</i>. (11) sobre a safra de 1996-97    e de Lentini <i>et al.</i> (12) sobre a safra de 2004. Apesar das dificuldades,    &eacute; poss&iacute;vel observar um crescimento na produ&ccedil;&atilde;o de    madeira entre 1975 e 1991, e uma tend&ecirc;ncia de queda ap&oacute;s 1991 (<a href="#tab01">Tabela    1</a>). Acreditamos que seja razo&aacute;vel adotar um valor de 25 milh&otilde;es    de m<SUP>3</SUP> como a produ&ccedil;&atilde;o anual atual de madeira em tora.</font></p>     <p><a name="tab01"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v58n3/a18tab01.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <FONT SIZE="3">A contribui&ccedil;&atilde;o da Amaz&ocirc;nia ao mercado internacional    tem sido muito modesta apesar de produzir aproximadamente 25 milh&otilde;es    m<SUP>3 </SUP>por ano. As raz&otilde;es para isso s&atilde;o v&aacute;rias,    incluindo a explora&ccedil;&atilde;o concentrada em poucas esp&eacute;cies conhecidas    pelo mercado, a falta de infra-estrutura apropriada, e, principalmente, a baixa    qualidade da madeira produzida na Amaz&ocirc;nia devido ao baixo n&iacute;vel    tecnol&oacute;gico, o que resulta em grande desperd&iacute;cio; apenas 30% de    uma tora &eacute; aproveitado, ou seja, 70% vira lixo urbano e rural no ato    de processamento.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v58n3/a18img02.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><FONT SIZE="3">O quesito de qualidade &eacute; cr&iacute;tico e explica porque    a maior parte da madeira da Amaz&ocirc;nia &eacute; vendida no mercado interno    e n&atilde;o tem uso nobre (enormes quantidades s&atilde;o usadas na constru&ccedil;&atilde;o    civil e jogadas fora ap&oacute;s um &uacute;nico uso). Essa falta de qualidade    &eacute; devida ao uso de tecnologias e equipamentos ultrapassados, pois as    empresas do setor n&atilde;o t&ecirc;m acompanhado a evolu&ccedil;&atilde;o    tecnol&oacute;gica dos pa&iacute;ses concorrentes. Sem esses investimentos,    at&eacute; o mogno n&atilde;o capta todo o valor poss&iacute;vel. Sem atingir    os padr&otilde;es de qualidade exigidos pelo mercado internacional, principalmente    Jap&atilde;o, Europa e Estados Unidos, n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel ocupar    o espa&ccedil;o que Grainger (8) previa para o pa&iacute;s.</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">Os fatores mencionados aqui s&atilde;o resultados do subdesenvolvimento    da Amaz&ocirc;nia e da falta de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas dirigidas ao    setor florestal. Ent&atilde;o, como aproveitar a janela de oportunidades e tentar    garantir &aacute;gua para o Sudeste do pa&iacute;s ao longo deste s&eacute;culo?</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3"><b>A FLORESTA AMAZ&Ocirc;NICA E O FUTURO DO BRASIL </b>A Alemanha    medieval e o Jap&atilde;o da era Tokugawa podem servir como modelos para o Brasil.    Ambos pa&iacute;ses mudaram dramaticamente suas pol&iacute;ticas p&uacute;blicas    e os investimentos de seus governos federais e estaduais, estimulando o setor    privado a investir. As mem&oacute;rias de Get&uacute;lio Vargas e Juscelino    Kubitschek foram recentemente ressuscitadas na televis&atilde;o e lembram que    alguns governos brasileiros tamb&eacute;m foram capazes de mudan&ccedil;as audaciosas.</font></p>     <p><FONT SIZE="3">A Lei 11.284/06, sobre a explora&ccedil;&atilde;o sustent&aacute;vel    de florestas para a produ&ccedil;&atilde;o de madeira, foi promulgada em mar&ccedil;o    de 2006. Apesar de ser um passo importante, &eacute; pol&ecirc;mico, porque    o tipo de concess&atilde;o proposto n&atilde;o tem funcionado no mundo tropical.    No caso brasileiro, sua efic&aacute;cia &eacute; mais duvidosa ainda porque    a lei ser&aacute; implementada apenas pelo Minist&eacute;rio de Meio Ambiente    (MMA), via Servi&ccedil;o Florestal Brasileiro (a ser criado), quando deveria    ser implementada pelo conjunto dos minist&eacute;rios para alcan&ccedil;ar o    resultado pretendido: a produ&ccedil;&atilde;o sustent&aacute;vel de madeira    na Amaz&ocirc;nia com a conserva&ccedil;&atilde;o de grandes &aacute;reas florestais.    Para o Brasil aproveitar essa janela &eacute; necess&aacute;rio muito mais do    que uma lei e um minist&eacute;rio.</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">A vis&atilde;o que apresentamos neste artigo &eacute; de uma    Amaz&ocirc;nia desenvolvida com base na floresta, com ind&uacute;strias madeireiras    usando tecnologia de ponta para produzir produtos acabados para o mercado internacional    e nacional e usando madeira oriunda de florestas manejadas, enriquecidas e certificadas.    Quanta floresta ser&aacute; necess&aacute;ria? As estimativas de &aacute;rea    e volume apresentadas na FRA 2005 incluem florestas prim&aacute;rias densas,    manejadas, capoeiras e cerrados. Propomos uma &aacute;rea de floresta amaz&ocirc;nica    igual a 250 milh&otilde;es de hectares, com uma m&eacute;dia de 250 m<SUP>3</SUP>/ha    (10% comercial), como razo&aacute;vel e conservador. Com este pressuposto, o    estoque atual de madeira comercial na Amaz&ocirc;nia &eacute; de 6,25 bilh&otilde;es    de m<SUP>3</SUP>, que daria para atender os mercados de madeira tropical (internacional    = 52 milh&otilde;es m<SUP>3</SUP>/ano e nacional = 20 milh&otilde;es m<SUP>3</SUP>)    durante 87 anos, movimentando US$ 22 bilh&otilde;es por ano. Isso &eacute; tempo    suficiente para desenvolver um modelo econ&ocirc;mico baseado na floresta     se usarmos o tempo apropriadamente  e o desenvolvimento pagar&aacute; sua pr&oacute;pria    conta ap&oacute;s uma d&eacute;cada.</font></p>     <p> <FONT SIZE="3">Para come&ccedil;ar, num espa&ccedil;o de 10 anos, teremos    que inverter a rela&ccedil;&atilde;o aproveitamento e desperd&iacute;cio, passando    de 30% versus 70% para 70% versus 30% e, principalmente, colocar no mercado    n&atilde;o apenas 10 m<SUP>3</SUP>/ha e sim 50 m<SUP>3</SUP>/ha de madeira em    tora. Isso pode ser conseguido usando os estudos de tecnologia de madeira j&aacute;    realizados pelos laborat&oacute;rios da antiga Superintend&ecirc;ncia de Desenvolvimento    da Amaz&ocirc;nia, em Santar&eacute;m, do Instituto Nacional de Pesquisas da    Amaz&ocirc;nia, em Manaus, da Funda&ccedil;&atilde;o Tecnol&oacute;gica do Acre,    em Rio Branco, do Ibama, em Bras&iacute;lia, e do Instituto de Pesquisas Tecnol&oacute;gicas,    em S&atilde;o Paulo. Depois de resgatar essas informa&ccedil;&otilde;es sobre    esp&eacute;cies menos conhecidas no mercado, mas abundantes na floresta amaz&ocirc;nica,    como as v&aacute;rias esp&eacute;cies das fam&iacute;lias <i>Lecythidaceae,    Sapotaceae, Burseraceae</i> e <i>Leguminosae</i>, o passo seguinte &eacute;    introduzi-las no mercado, o que seria mais f&aacute;cil no futuro porque o Brasil    seria o principal fornecedor.</font></p>     <p><FONT SIZE="3">Essa vis&atilde;o oferece a possibilidade de gerar riqueza suficiente    para pagar sal&aacute;rios justos e gerar dividendos nas bolsas de valores,    bem como garantir o ciclo hidrol&oacute;gico e, conseq&uuml;entemente, a chuva    no Sudeste do Brasil. No entanto, essa vis&atilde;o somente pode ser alcan&ccedil;ada    se todos os minist&eacute;rios do governo federal, todos os estados da Amaz&ocirc;nia    e todos os estados do Sudeste trabalharem juntos porque a floresta j&aacute;    est&aacute; bastante fragmentada (2). A seguir, listamos algumas das mudan&ccedil;as    nas pol&iacute;ticas p&uacute;blicas que acreditamos necess&aacute;rias em n&iacute;vel    federal, as quais, logicamente, necessitam ter reflexo no &acirc;mbito estadual.</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3"><b> Morat&oacute;ria ao desmatamento</b> O MMA expandir&aacute;    a morat&oacute;ria com o apoio da Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica, do    Minist&eacute;rio de Justi&ccedil;a (MJ, Pol&iacute;cia Federal), do Minist&eacute;rio    da Fazenda (MF, Receita Federal, Pol&iacute;cia Rodovi&aacute;ria Federal),    e do Minist&eacute;rio de Defesa (MD, Servi&ccedil;o de Prote&ccedil;&atilde;o    da Amaz&ocirc;nia  Sipam). Somente a madeira certificada estar&aacute; isenta    da morat&oacute;ria, o que funcionar&aacute; como est&iacute;mulo para que as    empresas do setor busquem a certifica&ccedil;&atilde;o. Esta a&ccedil;&atilde;o    &eacute; essencial para permitir que outras a&ccedil;&otilde;es tenham o tempo    necess&aacute;rio para serem viabilizadas.</font></p>     <p><FONT SIZE="3"><b> Zoneamento econ&ocirc;mico-ecol&oacute;gico da Amaz&ocirc;nia    Legal </b>Os Minist&eacute;rios de Integra&ccedil;&atilde;o Regional (MIR),    Agricultura, Pecu&aacute;ria e Abastecimento (MAPA) e MMA combinar&atilde;o    para convencer os estados a expandir a &aacute;rea destinada a floresta em todas    as &aacute;reas originalmente florestadas. De prefer&ecirc;ncia, todas essas    &aacute;reas dever&atilde;o ser garantidas, pois o alvo &eacute; 250 milh&otilde;es    de hectares. Adicionalmente, ecossistemas especialmente cr&iacute;ticos para    a conserva&ccedil;&atilde;o da biodiversidade amaz&ocirc;nica ser&atilde;o identificados    para serem transformados em unidades de conserva&ccedil;&atilde;o. O objetivo    &eacute; criar um mosaico com pelo menos 35% em unidades de conserva&ccedil;&atilde;o    (existem 32% em &aacute;reas protegidas hoje (14), algumas das quais s&atilde;o    florestas nacionais), 50% em florestas manejadas privadas, e o resto em agricultura    e pecu&aacute;ria intensiva. Esse mosaico dever&aacute; manter 80-85% da floresta,    superando o m&iacute;nimo de 70% necess&aacute;rio para manter o ciclo hidrol&oacute;gico    (15).</font></p>     <p><FONT SIZE="3"><b> Regulariza&ccedil;&atilde;o fundi&aacute;ria</b> O MJ assumir&aacute;    a supervis&atilde;o minuciosa dos cart&oacute;rios da Amaz&ocirc;nia Legal para    evitar grilagem de terras p&uacute;blicas e prote&ccedil;&atilde;o aos direitos    de propriedade na regi&atilde;o, tanto para particulares, como para as florestas    de produ&ccedil;&atilde;o, as unidades de conserva&ccedil;&atilde;o, as terras    ind&iacute;genas e as outras terras p&uacute;blicas. Titula&ccedil;&atilde;o    regular ser&aacute; essencial para garantir empr&eacute;stimos banc&aacute;rios    e de ag&ecirc;ncias de fomento, e certifica&ccedil;&atilde;o. Todos os minist&eacute;rios    precisam apoiar as garantias de propriedade ap&oacute;s a regulariza&ccedil;&atilde;o,    pois florestas precisam ser consideradas terras produtivas e n&atilde;o podem    ser invadidas como aconteceu no Rio Grande de Sul em fevereiro de 2006.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><FONT SIZE="3"><b> Investimentos na ind&uacute;stria florestal </b>Os Minist&eacute;rios    de Desenvolvimento, Ind&uacute;stria e Com&eacute;rcio Exterior (MDIC, Suframa),    MIR (Sudam), MF (BNDES, BASA) direcionar&atilde;o seus investimentos na Amaz&ocirc;nia    para a atividade florestal, eliminando investimentos no agroneg&oacute;cio (que    poder&aacute; captar financiamento na rede banc&aacute;ria privada); dever&atilde;o    manter os investimentos na pesca e aq&uuml;icultura (fonte de prote&iacute;na    para a maioria da popula&ccedil;&atilde;o amaz&ocirc;nida). Os investimentos    se concentrar&atilde;o na atualiza&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica de empresas    existentes, na viabiliza&ccedil;&atilde;o de novos empreendimentos com tecnologias    avan&ccedil;adas (especialmente a abertura de filiais de empresas do setor florestal    com tecnologias modernas e f&aacute;bricas atualmente localizadas fora da Amaz&ocirc;nia),    na cria&ccedil;&atilde;o de arranjos produtivos locais (como o p&oacute;lo moveleiro    que a Suframa est&aacute; criando no Amazonas), e no adensamento da cadeia produtiva    florestal em geral.</font></p>     <p><FONT SIZE="3"><b> Tecnologias de ponta</b> A incorpora&ccedil;&atilde;o de    tecnologias de ponta na ind&uacute;stria florestal &eacute; essencial para o    sucesso dessa vis&atilde;o, pois os europeus, japoneses e norte-americanos pagar&atilde;o    bem para produtos bem feitos com madeira nobre, e at&eacute; os chineses pagar&atilde;o    bem para produtos bem feitos com madeira nobre ou comum. Um exemplo a ser seguido    &eacute; da empresa Ikea, a maior varejista do setor florestal nos pa&iacute;ses    desenvolvidos. A Ikea comercializa m&oacute;veis e outros produtos feitos de    madeira certificada, com cada m&oacute;vel numa caixa pequena preparado para    ser montado em casa. Produzir m&oacute;veis mont&aacute;veis como esses requer    alta tecnologia e qualifica&ccedil;&atilde;o da m&atilde;o-de-obra  e logicamente    a m&atilde;o-de-obra precisa ser bem paga. Tecnologias de ponta tamb&eacute;m    reduzir&atilde;o o desperd&iacute;cio de madeira, aumentando a efici&ecirc;ncia    das f&aacute;bricas, reduzindo a gera&ccedil;&atilde;o de dejetos, e melhorando    a raz&atilde;o custo/benef&iacute;cio da opera&ccedil;&atilde;o. Tecnologias    de ponta incluem equipamentos, t&eacute;cnicas e desenho industrial e comercial.    A Funda&ccedil;&atilde;o Centro de An&aacute;lises, Pesquisa e Inova&ccedil;&atilde;o    Tecnol&oacute;gica (Fucapi, Suframa, MDIC) em Manaus oferece orienta&ccedil;&atilde;o    e capacita&ccedil;&atilde;o na identifica&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento    dessas tecnologias.</font></p>     <p><FONT SIZE="3"><b> Investimentos em produ&ccedil;&atilde;o florestal</b> Seguir    rigorosamente o que consta na legisla&ccedil;&atilde;o florestal &eacute; o    primeiro passo em dire&ccedil;&atilde;o a sustentabilidade do manejo florestal.    Os sistemas cl&aacute;ssicos de silvicultura tropical (malaio uniforme  desenvolvido    em Mal&aacute;sia na &eacute;poca colonial -, bosque abrigado e seletivo), utilizados    em manejo de florestas tropicais do mundo todo, n&atilde;o produziram os resultados    esperados(16). Na Amaz&ocirc;nia, o sistema mais usado &eacute; o seletivo.    Propomos um modelo misto, utilizando o sistema seletivo com faixas de enriquecimento    com esp&eacute;cies valiosas e conhecidas do ponto de vista silvicultural, p.ex.,    cedrorana e castanha do Brasil. Dessa forma, ser&aacute; poss&iacute;vel aumentar    o volume comercial por unidade de &aacute;rea no primeiro ciclo de corte. Do    ponto de vista florestal e econ&ocirc;mico, os ciclos subseq&uuml;entes ser&atilde;o    mais seguros por conta da disponibilidade de mais esp&eacute;cies comerciais    introduzidas no primeiro ciclo.</font></p>     <p><FONT SIZE="3"><b> Certifica&ccedil;&atilde;o</b> Existem diversos tipos de    certifica&ccedil;&atilde;o que poderiam ser &uacute;teis nessa perspectiva,    especialmente a certifica&ccedil;&atilde;o de produ&ccedil;&atilde;o sustent&aacute;vel    e a de qualidade (ISO). Para que essa vis&atilde;o gere benef&iacute;cios na    Amaz&ocirc;nia, componentes sociais e laborais precisam ser inclu&iacute;dos    como partes fundamentais dos processos de certifica&ccedil;&atilde;o, para que    o Brasil e a Amaz&ocirc;nia possam desenvolver-se no sentido mais completo da    palavra. Uma outra vantagem da certifica&ccedil;&atilde;o &eacute; que ela exige    fiscaliza&ccedil;&atilde;o cont&iacute;nua e independente, o que, teoricamente,    reduz as oportunidades para o tipo de corrup&ccedil;&atilde;o que tem encharcado    os projetos de manejo florestal na Amaz&ocirc;nia.</font></p>     <p><FONT SIZE="3"><b> Pesquisa e desenvolvimento</b> Muitas das tecnologias e    pr&aacute;ticas necess&aacute;rias para implementar essa vis&atilde;o j&aacute;    existem, mas outras precisar&atilde;o ser geradas nas institui&ccedil;&otilde;es    de ensino e pesquisa na Amaz&ocirc;nia e no Brasil. Os minist&eacute;rios de    Ci&ecirc;ncia e Tecnologia (MCT), MAPA e de Educa&ccedil;&atilde;o (MEC) possuem    mecanismos para incentivar P&amp;D na Amaz&ocirc;nia. As Embrapas da Amaz&ocirc;nia,    o Inpa e as universidades federais e estaduais incrementar&atilde;o suas pesquisas    florestais para recuperar &aacute;reas degradadas por meio de projetos de silvicultura,    bem como incrementar&atilde;o suas pesquisas em enriquecimento de florestas    em p&eacute;. Novas tecnologias de processamento e novos desenhos de produtos    e processos ser&atilde;o de fundamental import&acirc;ncia para garantir qualidade    e atrair compradores nos pa&iacute;ses desenvolvidos.</font></p>     <p><FONT SIZE="3"><b> Educa&ccedil;&atilde;o</b> A educa&ccedil;&atilde;o sobre    a Amaz&ocirc;nia &eacute; deficiente no pa&iacute;s e na pr&oacute;pria regi&atilde;o,    particularmente em assuntos que ensinam a hist&oacute;ria, as tradi&ccedil;&otilde;es,    os estilos de vida, os alimentos dos amaz&ocirc;nidas, quase ao ponto de fazer    crer que esses brasileiros n&atilde;o existem. A educa&ccedil;&atilde;o ambiental    &eacute; igualmente pobre. Se a Amaz&ocirc;nia espera se desenvolver com base    na floresta, como na vis&atilde;o que aqui se apresenta, o MEC e as secretarias    estaduais de Educa&ccedil;&atilde;o precisam revisar as grades curriculares    de primeiro grau &agrave; universidade para refletir a nova base da economia    regional  atualmente a agricultura convencional &eacute; considerada a base    da economia brasileira e permeia as grades curriculares.</font></p>     <p><FONT SIZE="3">A vis&atilde;o apresentada &eacute; fact&iacute;vel e contribuir&aacute;    para o desenvolvimento da Amaz&ocirc;nia com a floresta em p&eacute;, embora    gradualmente a floresta deva ser transformada em termos de sua densidade econ&ocirc;mica,    mas mantendo a maior parte de sua biodiversidade. &Eacute; a &uacute;nica proposta    que tem as escalas geogr&aacute;fica e econ&ocirc;mica necess&aacute;rias para    enfrentar o agroneg&oacute;cio, hoje em franca expans&atilde;o. Deixar&aacute;    espa&ccedil;o abundante para as outras id&eacute;ias sobre o uso da biodiversidade    e das florestas, como a bioprospec&ccedil;&atilde;o, os projetos de manejo comunit&aacute;rio    e a estocagem de carbono para atender os compromissos brasileiros frente ao    Protocolo de Kyoto. A vis&atilde;o contribuir&aacute; para garantir o ciclo    hidrol&oacute;gico que abastece a regi&atilde;o agr&iacute;cola do Sudeste do    Brasil, bem como os principais centros urbanos do pa&iacute;s. A principal quest&atilde;o    &eacute; a vontade pol&iacute;tica em fazer as mudan&ccedil;as necess&aacute;rias    de forma completa e r&aacute;pida. Sabemos que essa vontade n&atilde;o vir&aacute;    de um s&oacute; minist&eacute;rio  ter&aacute; de vir da pr&oacute;xima gera&ccedil;&atilde;o    de Get&uacute;lios e Juscelinos, apoiada em todos as ag&ecirc;ncias dos governos    federal e estaduais.</FONT></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><FONT SIZE="3"><i><b>Charles R. Clement</b> &eacute; pesquisador titular da    Coordena&ccedil;&atilde;o de Pesquisas em Ci&ecirc;ncias Agron&ocirc;micas do    Instituto Nacional de Pesquisas da Amaz&ocirc;nia (Inpa), Manaus, Amazonas.</i></FONT></p>     <p><FONT SIZE="3"><i><b>Niro Higuchi</b> &eacute; pesquisador titular da Coordena&ccedil;&atilde;o    de Pesquisas em Silvicultura Tropical do Inpa, Manaus, Amazonas.</i></FONT></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>NOTAS E REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></font></p>     <p><FONT SIZE="3">1. J. Diamond, <i>Colapso  como as sociedades escolhem o fracasso    ou o sucesso</i>. S&atilde;o Paulo: Editora Record. 2006.</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">2. W.F. Laurance <i>et al., Science</i> 291, 438. 2001.</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">3. P.M. Fearnside, <i>Ci&ecirc;ncia Hoje</i> 34, 63. 2004.</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">4. J.A. Guimar&atilde;es J&uacute;nior, ComCi&ecirc;ncia, 2004:    <i><a href="http://www.ifi.unicamp.br/~knobel/radar/newspro/fullnews.cgi?newsid1084158000" target="_blank">http://www.ifi.unicamp.br/~knobel/radar/newspro/fullnews.cgi?newsid1084158000</a>,16737,</i></FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">5. ITTO. Annual Review and Assessment of the World Tropical    Timber Situation. <i><a href="http://www.itto.or.jp" target="_blank">www.itto.or.jp</a></i></FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">6. "A floresta pagou a conta do PT". <i>Veja</i>,    01/03/2006. </FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">7. <i><a href="http://www.rainforests.mongabay.com" target="_blank">www.rainforests.mongabay.com</a></i></FONT></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><FONT SIZE="3">8. A. Grainger, Tropform: A model of future tropical timber    hardwood supplies. <i>In</i> Symposium in Forest Sector and Trade Models. University    of Washington, Seattle. 1987.</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">9. Global Forest Resources Assessment (FRA 2005), Food and Agriculture    Organization, <i><a href="http://www.fao.org/documents/show_cdr.asp?url_file=/docrep/008/a0400e/a0400e00.htm" target="_blank">http://www.fao.org/documents/show_cdr.asp?url_file=/docrep/008/a0400e/a0400e00.htm</a></i></FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">10. IBGE. Anu&aacute;rio Estat&iacute;stico. <i><a href="http://www.ibge.gov.br" target="_blank">www.ibge.gov.br</a></i></FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">11. D.C. Nepstad <i>et al., Nature</i> 398, 505. 1999.</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">12. M. Lentini <i>et al., O Estado da Amaz&ocirc;nia</i>, vol.    2, p.1. 2005.</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">13. R. Deusdar&aacute; Filho, "Diagn&oacute;stico e avalia&ccedil;&atilde;o    do setor florestal brasileiro  Regi&atilde;o Norte". Relat&oacute;rio    preliminar (Sum&aacute;rio Executivo). Bras&iacute;lia: Ibama. 1996.</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">14. B.S. Soares-Filho <i>et al., Nature</i> 440, 520. 2006.</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">15. M.A.F. Silva Dias <i>et al., Journal of Geophysical Research</i>    107, 8072. 2002.</FONT></p>     <p><FONT SIZE="3">16. N. Higuchi <i>et al., Revista Silvicultura</i> 83, 32. 2000.</FONT></p>      ]]></body>
</article>
